9/05/07

Em Cabo Delgado juventude clama por emprego...

Maputo – Paralelamente, ao que acontece em quase todas as províncias do País, a juventude de Cabo Delgado clama por postos de trabalho, mais oportunidades de acesso à formação profissional e ensino superior.
Em contacto com o A TribunaFax, Omar Sahale, 22 anos, residente na Cidade de Pemba, diz que a juventude daquela sua província está esquecida.
A maior parte está desempregada, facto que leva a se enveredar pelo crime, consumo de estupefacientes e bebidas alcoólicas, sobretudo, de fabrico caseiro.
“Aqui na província na há emprego. Muitos jovens mesmo depois de concluir a 12ª classe, não conseguem trabalho. Não temos acesso à formação profissional nem ensino superior. Para conseguir formação profissional tem que ir para Nampula e ou Maputo. Para tal, nem todas as famílias têm a possibilidade de mandar seu filho estudar fora da província”, disse.
Revelou ter concluído o nível médio, ano passado, e tentou concorrer para uma vaga na Universidade Eduardo Mondlane, UEM, mas, não conseguiu.
“Este ano está a passar sem uma ocupação. Tentei meter a minha candidatura em instituições públicas e privadas, aguardo resposta. Caso contrário, voltarei a tentar, próximo ano, entrar para UEM”, prometeu.
Saíde Mpaco, outro jovem com quem a nossa Reportagem conversou, disse ser vendedor ambulante no Mercado Mbanguia, o maior centro comercial informal de Pemba, onde vende produtos alimentares e cosméticos.
Disse ter apenas 10ª classe e não conseguiu continuar com os estudos, devido a falta de meios. “Sou órfão de pai. Minha mãe não consegue custear os meus estudos, por isso, parei de estudar e abri um pequeno negócio”, afirmou e de seguida prometeu que “se o negócio continuar a correr bem, para o ano volto à escola”.
O secretário provincial do Conselho Nacional da Juventude, David Machimbuko referiu que apelou ao governo para olhar mais para a juventude, criando mais oportunidades, quer de emprego, quer de acesso a formação profissional, e a credito para iniciativas juvenis, negando que esta situação, possa concorrer para que os jovens se enveredem pela droga e crime.
Segundo Machimbuko, a aposta da sua agremiação constitui para incentivar os governos distritais para que no âmbito dos 7 milhões, desembolsem 100 mil meticais, de modo a que a juventude concorra para financiar iniciativas juvenis.
“Estamos apostados neste projecto. Fizemos esta proposta a governos distritais que se mostraram receptivos”, disse Machimbuko.
Em Cabo Delgado, apenas a Fundação Aga Khan tem uma linha de crédito para a juventude que tenha capacidade de investir e fazer reembolsos. Esta iniciativa é aplicada em Pemba e nos distritos de Macomia e Mocimboa da Praia. Cabo Delgado conta com pouco mais de 60 grupos juvenis.
(NN) - A TribunaFAX de 03 de Setembro 2007.

Pemba - Pesca artesanal gera emprego.

Maputo – O projecto da pesca artesanal, na província de Cabo Delgado, gerou 630 postos de trabalho efectivo, nos primeiros seis meses deste ano, processo que vai permitir um aumento marginal dos níveis de captura de pescado em 110 toneladas anuais.
Para materializar o projecto, a Direcção da Provincial da Agricultura, através da Associação Moçambicana para o Desenvolvimento Rural, AMODER, investiu, nos primeiros seis meses deste ano, cerca de um milhão e meio de meticais, montante aplicado em 65 projectos de pesca artesanal.
Pelo que o A TribunaFax soube de fonte da AMODER, naquela província, o projecto da pesca artesanal tem o objectivo de criar facilidades de poupança e pequenos empréstimos para gerir rendimentos, aumentar oportunidades de negócios, bem como melhorar a prestação de serviços
financeiros aos pescadores.
“Com este projecto, que tem uma forte componente de apoio a pequenos pescadores, carpinteiros e construtores navais, processadores e comerciantes de pescado e insumos de pescas, operadores de infraestruturas de apoio a pesca artesanal, esperamos que aumente o nível de captura de pescado e que mais postos de trabalho efectivos sejam criados”, disse fonte da AMODER.
O projecto de apoio a pesca artesanal abrange sete distritos, Mecufi, Pemba-Metuge, Quissanga, Ibo, Macomia, Mocímboa da Praia e Palma, contendo três fundamentos, o de crédito, desenvolvimento de infraestruturas e de apoio institucional.
A implementação da componente de crédito está a ser coordenada pelo Fundo de Fomento Pesqueiro, desempenhando o papel de fornecedor grossista de crédito.
(Nelson Nhatave) - A TribunaFAX de 03 de Setembro 2007.

9/04/07

PEMBA: Fátima, o sheik e a mesquita...

PEMBA, 3 Setembro 2007 (PlusNews) - A voz melodiosa do sheik Muhamade Aboulai Cheba ressoa nas casas de colmo e coral, escondidas atrás de cercas de bambu de quatro metros de altura. O Oceano Índico brilha entre os troncos altos e finos das palmeiras, nas curvas dos becos estreitos e arenosos.
Esta é Paquitequete, o mais antigo bairro de Pemba, capital de Cabo Delgado, a mais setentrional província de Moçambique.
No sermão de hoje na mesquita local, Cheba encoraja a tolerância para com o crescente número de refugiados somalis e congoleses que abrem lojas ao longo da principal avenida de Pemba.
Mas em muitas sextas-feiras, Cheba prega sobre a Sida.
“Nós ensinamos as pessoas como se proteger e como lidar com a doença se a contraírem”, disse Cheba ao PlusNews.
A seroprevalência em Cabo Delgado, que faz fronteira com a Tanzânia, é de 8.6 por cento, a mais baixa do país.
A média nacional é de 16.2 por cento.
Comerciantes árabes trouxeram a fé islâmica para a costa oriental de África por volta do século VIII.
Em Cabo Delgado, cerca de 80 por cento dos 2.5 milhões de habitantes são muçulmanos.
Cerca de um quarto dos quase 20 milhões de moçambicanos são muçulmanos.
O velho Paquitequete tem uma história de que se orgulha e sua mesquita verde e branca, entre a colina e a praia, é a mais prestigiada da cidade.
O movimentado bairro se aquieta às sextas-feiras depois das 11 da manhã, quando a mesquita enche.
O poder da palavra
Cheba conhece o poder da palavra:
“Num lugar de culto as pessoas prestam maior atenção”.
Num lugar de aprendizagem também.
Cheba é director provincial de 139 madrassas (escolas islâmicas) registadas na província, onde os alunos começam a aprender sobre a Sida aos seis anos, “de maneira apropriada, usando metáforas, sem mostrar preservativos”.
Seguindo os ensinamentos islâmicos, Cheba insiste na fidelidade entre os casais e em adiar o sexo até ao casamento.
Preservativos não são recomendados.
Muitas mesquitas organizaram equipes que visitam doentes e órfãos em suas casas.
A organização não-governamental portuguesa Médicos do Mundo treinou uma dúzia de muçulmanas, incluindo a esposa de Cheba, em cuidados domiciliários.
Os órfãos estão isentos das mensalidades escolares – cinco contos por mês, que equivalem a 5 centavos de dólar – nas madrassas e recebem comida e roupas.
Muçulmanos seropositivos são encorajados a procurar grupos de apoio, diz Nassurulahe Dula, presidente do Congresso Islâmico de Cabo Delgado, a maior congregação islâmica na província.
Tudo isto ajuda.
Mas alguns activistas de Sida em Pemba irritam-se com as pregações de Cheba:
“Esta doença é um castigo divino; o Profeta disse que uma doença sem cura e de morte súbita é castigo por adultério.”
Ele se apressa a explicar que “tal como o tsunami na Indonésia, a Sida é um castigo que afecta os que fazem bem e os que fazem mal.
As pessoas devem se arrepender e voltar para Deus.”
Uma boa muçulmana
Maria de Fátima Bacar, de 44 anos, é uma mulher grande e amigável, que mora a 20 quilómetros de Pemba.
Ela tem um filho vivo, três mortos e dois netos, que ela adora.
Em Junho de 2003, seu marido, um policial, ficou doente.
A primeira mulher dele tinha morrido há algum tempo.
Tanto os testes de Bacar quanto de seu marido voltaram positivos para HIV.
Eles foram uns dos primeiros em Cabo Delgado a começar o tratamento antiretroviral.
O interesse de Bacar em questões de saúde, resultado de 20 anos trabalhando como servente no posto de saúde local, ajudou-os a lidar com o vírus.
O casal organizou um grupo de apoio na aldeia onde vivem, a Associação Para Ajudar o Próximo, que agora tem 22 membros e cuida de 12 crianças seropositivas.
Eles visitam os doentes, ajudam com os funerais, garantem que os órfãos frequentem escola, e encorajam as pessoas a fazer testes de HIV no posto de saúde local.
“Cinquenta e sete no mês passado”, diz Bacar, com orgulho.
Bacar não está satisfeita com o que ouve nas mesquitas.
“A Sida não é um castigo divino. Qualquer um que disser que a Sida é um castigo diz por ignorância”, afirma ela.
“Sou uma boa muçulmana. Nunca fiz nada fora da minha fé. Sempre fui uma esposa fiel e honesta, mas peguei o HIV através do meu marido”, explica.
“Ao invés de acolher as pessoas, eles nos rejeitam.”
A ligação entre a Sida e sexo é há muito um assunto delicado para organizações religiosas que promovem regras e comportamentos sexuais estritos.
“Nós encorajamos a Sida pela nossa maneira de vestir, mostrando barrigas e tentando os homens”, diz Awash Ingles, uma proeminente líder muçulmana que frequenta a mesquita de Paquitequete.
Como a malária
O Islã tem “imensos problemas” para lidar com a Sida em Cabo Delgado, diz Diquessone Rodrigues, coordenador provincial da Monaso, a rede nacional de organizações para os serviços da Sida.
“Devemos tentar mudar a crença de que a Sida é um castigo divino porque as meninas vestem tchuna-babies (jeans apertados) e fazem sexo antes do casamento”, diz Diquessone.
A Monaso está se reunindo com grupos de mulheres associadas às mesquitas para tentar mudar suas percepções e encorajá-las a trazer mudanças.
“Elas podem falar (sobre a Sida) nas mesquitas e nas madrassas”, diz Diquessone.
Outro potencial aliado é o Núcleo Provincial Contra a Sida, que planeja se reunir com as autoridades islâmicas na segunda metade deste ano.
“Queremos trabalhar com os líderes islâmicos para mudar este discurso porque fere os seropositivos ouvir que a Sida é um castigo de Deus”, disse o director do Núcleo, Teles Manuel Jemuce.
A idéia é cutucar gentilmente a mentalidade muçulmana em Cabo Delgado em direcção a um ponto comum com Bacar, que diz que “A Sida não tem preferência por muçulmanos, cristãos ou pagãos.
Ela é como a malária: somos todos iguais em sua presença.”

Moçambique - Alimentos ou biocombustível ???

Corrida aos biocombustíveis compromete segurança alimentar.
(Maputo) A corrida para a produção de biocombustíveis no País, pode comprometer a segurança alimentar e nutricional(SAN)no sector familiar.
Segundo um técnico do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) que nos falou na condição de anonimato, “a produção de biocombustíveis vai complicar mais a SAN no País, porque se actualmente os agricultores do sector familiar não conseguem produzir o suficiente para garantir a SAN, o que vai acontecer se deixarem de produzir comida e plantarem Jatropha por exemplo?”, indagou.
A nossa fonte disse que a campanha de plantio da Jatropha lançada pelo governo no ano transacto, já está a reflectir-se em alguns distritos, pois muitos camponeses do sector familiar, reduziram a produção de alimentos e envolveram-se no plantio da Jatropha e actualmente regista-se a insuficiência de alimentos e a falta de mercado para a Jatropha.
“O plantio da Jatropha devia ser em projectos localizados, devia se excluir o sector familiar porque as populações reduziram a produção de alimentos. O camponês, primeiro, tem que produzir comida para si próprio”. A nossa fonte disse ainda que ao nível do Ministério da Agricultura (MINAG) houve debates acesos em relação ao plantio da Jatropha, porque enquanto os técnicos do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN) e do IIAM
alertavam para a necessidade de não se envolver o sector familiar na produção da Jatropha o Governo defendia o contrário, “nós alertamos, porque a Jatropha ainda não tem mercado, mas o Ministro disse que independentemente do que der e vier, devia se envolver o sector familiar porque essas são as orientações superiores”.
Segundo dados do SETSAN, a prevalência da insegurança alimentar em Moçambique é de 34 porcento dos agregados familiares, onde 20,3 porcento são classificados como altamente vulneráveis, sendo que a vulnerabilidade à insegurança alimentar é mais saliente na zona norte do País, particularmente nas províncias de Cabo Delgado, Nampula, Zambézia e Tete.
Recorde-se que durante a sua presidência aberta no presente ano, o Presidente da República, Armando Guebuza, disse ter ficado impressionado com o plantio Jatropha no País. No ano passado, Guebuza liderou pessoalmente a campanha da promoção do cultivo desta planta.
(Daniel Maposse)-MediaFAX 03.09.07
Mais sobre o tema aqui

9/03/07

Diversificando - A agonía de OMAYRA

Em tempos de intolerância, violência e egoísmo, transcrevo:
Omayra Sanchez foi uma menina vítima do vulcão Nevado do Ruiz durante a erupção que arrasou o povoado de Armero, Colômbia em 1985.
Omayra ficou três dias jogada sobre o lodo, água e restos de sua própria casa e presa aos corpos dos próprios pais.
Quando os paramédicos de parcos recursos tentaram ajudá-la, comprovaram que era impossível, já que para tirá-la precisavam amputar-lhe as pernas, e a falta de um especialista para tal cirurgia resultaria na morte da menina.
Omayra mostrou-se forte até o último momento de sua vida, segundo os paramédicos e jornalistas que a rodeavam.
Durante os três dias, manteve-se pensando somente em voltar ao colégio e a seus exames e a convivência com seus amigos.
O fotógrafo Frank Fournier, fez uma foto de Omayra que deu a volta ao mundo e originou uma controvérsia a respeito da indiferença do governo Colombiano com respeito às vítimas de catástrofes.
A fotografia foi publicada meses após o falecimento da garota.
Muitos vêem nesta imagem de 1985 o começo do que hoje chamamos globalização, pois sua agonia foi vivenciada em tempo real pelas câmaras de televisão de todo o mundo.
Recebido por e.mail.

Queimadas afectam metade das florestas em Moçambique.

As queimadas descontroladas chegam a atingir cerca de 40 por cento dos cerca de 63 milhões de hectares de floresta nativa no país, situação considerada grave pelas autoridades do sector, que procuram sinergias para conter este mal. Segundo informações de Pedro Mangue, chefe do Departamento de Normação e Controlo na Direcção Nacional de Terras e Florestas (do Ministério da Agricultura), as províncias mais afectadas pelo fenómeno são Niassa, Cabo Delgado, norte de Tete, algumas zonas de Sofala, Manica, Zambézia e Nampula.
O principal foco de queimadas descontroladas são, entre outros, a prática comum de abertura de machambas através do uso do fogo para queimar capim, caça e produção de carvão.
Ainda não existem estudos que possam associar a ocorrência de queimadas no nosso país às mudanças climáticas que nalgumas regiões do globo são a principal fonte de fogo em plantações florestais.
“Temos queimadas em quase todo o país. O país é vasto e tem diferentes ecossistemas. A acção do Homem tem sido o principal foco de queimadas descontroladas e por isso mesmo a nossa acção tem incidido sobre a mudança de algumas práticas que contribuem para este fenómeno”, disse a fonte.
O pico das queimadas descontroladas no país, que chegam a afectar áreas florestais com elevado valor comercial em prejuízo da economia, ocorre, segundo o nosso interlocutor, entre Julho a Outubro, que coincide com a preparação de terras para a campanha agrícola em perspectiva. Este é também o período seco, que antecede as sementeiras.
Segundo Mangue, é importante gerir e travar este mal, pelo que a Direcção Nacional de Terras e Florestas tem um programa de prevenção e de educação das comunidades mas que carece de outras sinergias, como o envolvimento de instituições especializadas nesta matéria.
Com efeito, já está em discussão a perspectiva de integrar a componente queimadas descontroladas no sistema de aviso prévio que, segundo Mangue, poderá dar uma nova dinâmica na abordagem desta situação através do Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE).
A integração desta componente no CENOE pressupõe que os comités de gestão de risco de calamidades, baseadas na comunidade, terão alguma coisa a dizer no processo de gestão das queimadas descontroladas através da sinalização dos perigos e mobilização das comunidades para práticas sustentáveis.
As áreas cobertas no nosso país contam com o predomínio da savana ou miombo, que parte do norte do rio Limpopo e se estende até ao Rovuma. É dominada por uma vegetação de capim que chega a atingir dois metros de altura e arbórea.
Este tipo de ecossistema é bastante assolado pelas queimadas devido à sua característica. O capim é um forte condutor do fogo.
“As comunidades, para efeitos da agricultura, queimam o capim que depois transporta o fogo até à floresta. O fogo é superficial. Há zonas em que o fogo pode passar para as copas, mas é numa vegetação densa que ocorre nas montanhas ou ao longo dos rios em que temos lianas que transportam a chama para as copas. Também temos outro tipo de vegetação que ocorre nas zonas áridas ou semi-áridas, o Mopane, nas províncias de Gaza e sul de Tete onde o capim é raro e não cresce muito. Enquanto que no miombo pode atingir dois metros, aqui raramente chega a meio metro e temos poucos focos de queimadas”, caracterizou.A integração da gestão de risco das queimadas no CENOE surge da constatação de que as queimadas descontroladas são como as cheias, secas e sismos, ameaças para a população e carecem dum sistema de gestão mais integrado.
Maputo, Segunda-Feira, 3 de Setembro de 2007:: Notícias