2/09/08

Cabo Delgado - Tráfico humano ocorre perante a apatia das autoridades moçambicanas...2

Segundo o Pedro Nacuo no Notícias - Maputo desta manhã de sábado:
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No penúltimo dia do mês passado, a imprensa foi convocada para uma conferência, na Rua de Chai, linha divisória entre os bairros de Natite e de Cariacó, na cidade de Pemba, onde se localiza a sede provincial da Renamo.
Na véspera já sabíamos do que se iria tratar, nomeadamente a apresentação de uma pessoa que havia sido supostamente raptada por desconhecidos.
Este facto, com condimentos e requintes que estariam a abonar a versão de que ainda se registava o desaparecimento de pessoas no norte da província de Cabo Delgado, no seguimento de uma denúncia feita pelo mesmo partido no ano passado, mobilizou muito rapidamente os jornalistas, sem aquela “gazeta” de alguns colegas que tivessem conhecimento do sucedido.
É que, se diga em abono da verdade, naquela sede colhem-se muitas vezes boas verdades!
No ano passado, com efeito, insistentemente a Renamo havia falado desse fenómeno e o Governo, também insistentemente, a negar, mas aquele a negar de que tinha sido a Renamo a saber primeiro e a denunciar.
Passaram exactamente seis meses, veio depois o Executivo, disfarçadamente a dar razão à Renamo.
Era verdade, havia mortes estranhas, desaparecimento de pessoas para fins obscuros, havia crimes macabros sobre os quais até hoje ninguém sabe dizer nada em relação às suas motivações.
O provérbio macua, segundo o qual “muathó kaniípa inahco mili” (o leão não ruge em duas montanhas), simplesmente porque da segunda já está próximo de si, pelo que convém acautelar-se, parece ter pegado desta feita.
Momade Hamade, que no dia 29 de Janeiro foi presente a jornalistas, por muitas vezes foi infeliz na tentativa de sustentar o seu rapto, na vila de Mocímboa da Praia, numa noite de luar, por homens desconhecidos que o levaram a uma viatura, que normalmente circula por lá, que depois o levou a um acampamento situado entre aquele distrito e Palma, perto da costa.
Hamade viu no acampamento cerca de 20 pessoas, entre as quais meninas e jovens, havia dois brancos, guardas que se comunicavam com gestos, dois o faziam na língua de Camões, mas com um sotaque shangana, de quem ouviu que naquela noite se estava à espera de um helicóptero, pois a missão havia sido cumprida.
Os brancos que estariam a dirigir o acampamento tinham um telefone portátil, grande, com uma antena e perguntaram a Hamade se tinha em mente um número de um familiar com quem quisesse falar pela última vez.
Ele respondeu positivamente.
Ligaram para o tio do homem raptado, Hamade conversou com o tio e terá depois sentido que de facto estava na boca de quem não o haveria de devolver nunca.
Mentiu que queria satisfazer alguma necessidade biológica, foi autorizado, sem ser vigiado pelos guardas que ali haviam e consegue escapulir-se indo percorrer, de novo a mata até que, dia seguinte, se fez, de novo à vila de Mocímboa da Praia onde se apresenta ao comandante da Polícia a quem conta a história da sua efémera, mas horrível odisseia. O chefe dos polícias é que terá sido negligente, pois só disse ao homem que da próxima que visse a viatura que dizia ter-lhe raptado ligasse para o seu telemóvel. Passou-lhe o número.
Jovem, estatura mediana, com traços psicológicos que sugerem tratar-se de quem andou o suficiente na região norte, Momade Hamade deveria, a seguir, responder às perguntas dos jornalistas, a tremerem de sangue quente profissional por terem conhecido uma “bomba”, a partir de um homem concreto que acabava de escapar de um rapto certo.
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Primeira pergunta: se conseguiu, numa situação de aflição, lembrar-se do número do telefone do tio, com que falou para se despedir, usando um aparelho grande, com antena, pertencente aos brancos, pode-nos dizer o nome dele e repetir o número, por favor, já em liberdade, entre pessoas que conhece.
Resposta: o número... mas não me lembro bem, mas é 58911 e ele chama-se Ussene Assamo.
Cá entre nós e interiormente: esse número não existe, nem na telefonia fixa, nem em qualquer outro país, muito menos um telemóvel de que se diz estar em Mocímboa da Praia.
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Segunda pergunta: donde és e onde vives na Mocímboa da Praia?
Resposta: Estou na Mocímboa da Praia há dois anos, antes vivera em Nacala e sou daqui de Pemba, aqui, perto do mercado, neste Bairro de Namutequelíua.
Cá entre nós e interiormente: esta cara é por demais desconhecida, e uma pessoa que diz ser natural de Pemba, acha que o bairro que fica perto do mercado de Mbanguia se chama Namutequelíua... então estamos em Nampula!
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Terceira pergunta: O comandante distrital, segundo diz, passou-lhe um número para usar quando visse de novo a viatura que lhe raptou.
Qual é o número do comandante em Mocímboa da Praia?
Resposta: O número deixei no papel por ele passado, que está na calça que tinha usado nesse dia.
Nós outros acabamos por aí.
Há vezes que a preguiça (será?) nos aconselha a terminar por algum ponto, sobretudo depois que descobrimos que as questões-chave não estão a ser satisfeitas.
Arruma-se e vai-se à procura de outros assuntos. Até que haja novos desenvolvimentos.
Novos desenvolvimentos são: que o próprio tio já está, conforme fontes oficiais, a confessar a manipulação. Com que fins, não se sabe, mas sabe-se, isso sim, que a notícia deixou alguns investidores, sobretudo ligados à prospecção de petróleo na região, atrapalhados e outros tiveram que, às correrias, regressar onde achavam que estariam seguros.
Que o suposto rapto desestabilizou, não haja dúvidas.
Esperamos por novos desenvolvimentos.
Pedro Nacuo
  • Cabo Delgado - Tráfico humano ocorre perante a apatia das autoridades moçambicanas, parte 1 - aqui !

2/08/08

Como aplicar bem 130 milhões de Euros...

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Afinal, imaginar não custa:
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130.000.000 !
Centro e trinta milhões de euros.
Centro e trinta milhões de oportunidades.
Cento e trinta milhões de razões para gastar dinheiro.
Cento e trinta milhões de desejos.
Cento e trinta milhões de pessoas que poderiam passar da miséria para a pobreza num só dia. Como?
Sim, e se o grau máximo de excentricidade fosse doar o jackpot especial do Euromilhões a uma associação de solidariedade?
Num dia em que todos nós pensamos no que faríamos com tanto dinheiro (que nem conseguimos imaginar quanto é na realidade), o Portugal Diário foi tentar perceber o que fazer com esta soma astronómica, mas só no bom sentido.
É claro que uma casa à beira mar, umas férias no Pacífico e um Jaguar descapotável fariam as delícias de qualquer pessoa, mas não haverá recompensa maior do que entrar directamente para o coração de milhares ou milhões de pessoas de um momento para o outro.
«Com 130 milhões de euros poderíamos ajudar muitas pessoas a passarem do limiar da miséria para o da pobreza ou até retirá-las desse estado.
Se pensarmos em dólares, porque é a unidade utilizada pela ONU, os cerca de 188 milhões de dólares ajudaram 515 mil pessoas a passar da miséria para a pobreza durante um ano ou então retirar mesmo da pobreza durante um ano cerca de 260 mil pessoas. Isso faria toda a diferença», refere o presidente da AMI, Fernando Nobre.
São milhões as pessoas que ainda vivem com menos de um dólar por dia, segundo dados da ONU, que atribui a esse estado o nível de miséria.
Um gesto do tamanho de 130 milhões de euros resolveria o problema a muita gente, nem que seja porque «em Angola, por exemplo, 60 por cento da população vive na miséria».
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Apadrinhamento de crianças
Embora os portugueses não sejam particularmente activos no campo da solidariedade (exceptuando alturas excepcionais de ajuda em massa), há várias organizações direccionadas nesse sentido, como acontece com a Helpo, que tem como objectivo apadrinhar crianças que vivem em situações de pobreza em África.
«Com 130 milhões de euros teríamos de mudar um pouco a nossa perspectiva, não apadrinhando apenas crianças, mas aldeias inteiras, ajudando-as a ultrapassar vários factores que continuam a dificultar a sua vida», conta a coordenadora da Associação Não Governamental, Joana Clemente.
«Hoje em dia já temos cerca de 3100 crianças apadrinhadas por portugueses, fruto de três anos de trabalho junto das comunidades da região de Nampula, Niassa e Cabo Delgado, uma vez que o norte de Moçambique, pelo seu isolamento, tem maior carência.
Vivem em simples palhotas», frisou, explicando que existem várias formas de apadrinhar crianças, devidamente seleccionadas entre uma comunidade colaborativa e sabendo que têm de frequentar pelo menos a segunda classe.
Qualquer pessoa pode apadrinhar uma criança, permitindo-lhe uma vida melhor, dado que o dinheiro é convertido em ajuda real que abrange a sua família, a própria aldeia e a região, dado que «20 por cento dos fundos são destinados para o desenvolvimento comunitário».
O próximo passo é ajudar São Tomé.
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O problema dos bairros sociais
«Não existe só pobreza em África. Portugal tem de despertar para o problema que está a afectar os subúrbios de Lisboa e Porto. Com 130 milhões de euros apostaria em três vectores: educação, emprego e habitação. E tinha em atenção os bairros sociais, pois aí a pobreza é uma realidade», avaliou o Padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade.
«Assistimos a um agravamento das condições de vida nas periferias das duas grandes cidades e, se queremos evitar o que está a acontecer em França, temos de agir rapidamente. Há situações gritantes, de uma enorme carência e falta de soluções para o futuro. É algo ainda praticamente ignorado pela nossa sociedade, que temos de ter em atenção», frisou, esperando o surgimento de um novo benemérito atento a estas causas.
In - Portugal Diário de 08/02/08
  • Ajude as vítimas das cheias em Moçambique através da Cruz Vermelha de Moçambique - aqui !

2/07/08

Brasil Escola - Um mundo de informação e cultura...

A não perder !
O site Brasil Escola.com foi criado em Setembro de 2003, mas já contava com toda estrutura e evolução do antigo BrasilEscola.com.br.
Foi criado para servir como alternativa a outros sites educacionais que cobravam pelo acesso aos seus conteúdos, a idéia era (e continua sendo) de promover o melhor conteúdo gratuito para todos visitantes.
Atualmente, dispôe de mais de 20 canais de pesquisas e milhares de páginas escritas on-line, contando também com colaboradores externos, materiais enviados pelos estudantes e materiais elaborados pela própria equipe Brasil Escola.
Possui um atendimento diferenciado, conta com um Fórum para tirar dúvidas entre a própria comunidade de estudantes e educadores, canal de dúvidas via e-mail, contando com um suporte eficiente, rápido e além de outros benefícios gratuitos.
O Brasil Escola possui hoje em média: - 50.000 visitantes únicos diários e mais de 100.000 páginas vistas, além disso conta com parcerias firmes dos Portais: BrTurbo, iBest e iG em seus respectivos canais de educação que são administrados pela Internet Group do Brasil (iG).
  • Portal Brasil Escola - aqui !

Inscreva-se e use à vontade. Vale cada minuto dispendido.

Faces of Pemba and Mozambique.

(Clique na imagem para ampliar)
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Faces of Mozambique - Rostos de Pemba e Moçambique em álbum da Knoxnews.com.
Não deixe de visitar !

2/06/08

Diversificando - Brasil - Um alô no intervalo da folia...

O mundo pára vivendo a folia contagiante.
O clima dos trópicos contribui para o belo e para o extravasar de emoções e sensações.
É alegria, é ritmo, é som.
É sensualidade em corpos belos despidos, cobiçados, dourados e plenos de energia que extravasa sem inibição, cativa em olhares provocantes que afagam...
É lascívia que embriaga envolta no calor dos trópicos, apagando por alguns dias o tempo normal de angustias, dilemas, incertezas, fantasmas, numa quase irresponsabilidade alegre, feliz, assumida até à inevitável chegada da quarta-feira de cinzas que trará junto a realidade de um mundo agreste que não pára.
Um tanto contagiado pelo ambiente de entrudo, o ForEver PEMBA traz aqui mais uns "instantâneos" dessa festa e um poema de Mena Moreira (Nascida em Santos Dumont, Minas Gerais-Brasil, professora e psicopedagoga):
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SONHO DE CARNAVAL
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No carnaval,
Quero tirar a máscara
Me despir da fantasia de palhaço
Que exibo o ano inteiro!
Quero, de cara limpa,
Cair na folia
Viver a alegria
Dos três dias!
Quero esquecer que sou palhaço
De uma sociedade massificada
De valores deturpados
Verdades mascaradas
Sentimentos massacrados
Pessoas manuseadas...
No carnaval!?...
Quero esquecer tudo isso...
Me abrir em sorriso
Afinal , pelo menos três dias,
Ser feliz é preciso !...
  • Site oficial de Viviane Araújo (a bela da imagem acima) - aqui !
  • Carnaval 2008 em São Paulo - aqui e aqui !
  • Carnaval 2008 na Globo.com - aqui !
  • Carnaval 2008 no portal TERRA/Brasil - aqui !
  • Carnaval 2008 no portal UOL - aqui !
  • E sobre o Carnaval do Rio de Janeiro - aqui, aqui, aqui e aqui !
  • Outros post's sobre Carnaval - aqui, e aqui !
Claudia Leitte e Babado Novo - aqui !
O canal da Claudia Leitte no You Tube - aqui !
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E o Carnaval vai chegando ao fim...

2/03/08

Cabo Delgado - Tráfico humano ocorre perante a apatia das autoridades moçambicanas...

Por: Fernando Sidumo - Maputo - Diário do País - Um moçambicano que se dá pelo nome de Momed Ahmad acusa um grupo de 10 estrangeiros, entre originários dos países do Ocidente e da África, de o terem raptado, a 23 de Janeiro de 2008, para um acampamento com tendas de campanha montadas no mato, algures no distrito da Mocímboa da Praia, na província nortenha de Cabo Delgado.
Já no local, Ahmad diz ter encontrado um contigente de pouco mais de 20 pessoas, supostamente moçambicanos também feitos reféns dos raptores e lhe deram tempo para fazer uma última comunicação via telefone com um seu familiar, dizendo algo que ia na alma.
Depois de se comunicar com um seu tio, o raptado cidadão pediu para ser acompanhado para fazer necessidades fora do acampamento, ao que lhe foi autorizado e aproveitando-se da distraição dos que o acompanhavam e também da escuridão, pôs-se em fuga de regresso à vila sede do distrito da Mocímboa da Praia onde tratou de comunicar à Polícia da República de Moçambique (PRM) da ocorrência. Momed Ahmad disse ter a PRM apenas se limitado a tomar nota da ocorrência e aconselhá-lo a identificar o grupo às autoridades policiais logo que se deparar com o mesmo.
Inconformado com o comportamento da PRM, Ahmad diz, falando ao jornal que se dirigiu a Pemba para denunciar o sucedido, iniciativa que também resultou num fracasso, “pois ali também os agentes só me ouviram e mais nada fizeram”.
Momad Ahmed desconfia que o grupo seja de traficantes de pessoas para extração dos seus órgãos humanos ou para venda dos raptados nos países vizinhos.