12/12/08

Portugal - O regresso dos soldados mortos... Cena 2 !

Citei aqui em 21 de Novembro último!
Leio agora na "Visão-Últimas notícias" que o mesmo autarca português citado anteriormente resgata os corpos dos dois combatentes mortos na guerra colonial.

Espera-se que não seja mais uma forma de promoção ou evidência política na mídia. Que se resguarde com respeito, com dignidade e recato a memória desses dois heróis.

E que "quem de direito" em Portugal, coloque a mão na consciência e sinta VERGONHA pelo desprezo sistemáticamente oferecido aos antigos heróis combatentes da guerra colonial e suas degradadas sepulturas espalhadas em cemitérios africanos!

""Maputo, 12 Dez (Lusa) - Três semanas depois de chegar a Moçambique, o autarca António Marques pode declarar "missão cumprida" ao levar com ele, de regresso a Portugal, os restos mortais de dois militares portugueses mortos em combate há mais de 35 anos.

Ao alcançar o objectivo com que se tinha comprometido junto dos familiares do soldado Ernesto Dias e do primeiro-cabo Aníbal Santos, o presidente da Junta de Freguesia de São Miguel de Outeiro (Tondela) cumpre um segundo "feito": transladar pela primeira vez para Portugal dois antigos militares mortos em combate em Moçambique.

"Sinto-me orgulhoso por ter conseguido alcançar este objectivo e dar à família uma coisa por que estava há muito à espera", disse, em declarações à Agência Lusa, no local onde duas caixas de madeira, contendo as urnas e as lápides funerárias dos dois "rapazes da aldeia", aguardam para serem embarcados sábado para Portugal.

O autarca e empresário natural de Viseu, que prepara há dois anos esta iniciativa, chegou a Moçambique no início de Dezembro "sem dados nenhuns novos" sobre o estado em que se encontravam os restos mortais dos dois militares e rumo a Mueda e Cuamba, no extremo norte do país, onde estavam as sepulturas.

Durante duas semanas comeu "bolachas e água", preencheu "todos os requerimentos em nome pessoal" junto das autoridades locais, cuja colaboração enaltece.

"Encontrei-me sozinho e tive que resolver todos os problemas. Felizmente as autoridades de Cuamba e Mueda foram espectaculares", sublinhou, lamentando aquilo a que assistiu.

"O cemitério em Mueda é uma vergonha autêntica. As campas estão no meio do mato. Senti-me envergonhado e triste quando cheguei ao cemitério de Mueda", relatou.

Em contraste, o autarca não poupa a ausência das autoridades portuguesas numa iniciativa que "custou mais de 10 mil euros" e teve que ser suportada por familiares, amigos, empresas e pelos cofres municipais e da junta.

"Sinto-me revoltado. Era dever do governo português auxiliar ou mesmo suportar tudo isto. Porque eles não vieram para aqui voluntários, foram obrigados a vir. Só assim é que o governo português cumpria a sua obrigação", afirmou, acrescentando: "Tratei de tudo sozinho, directamente com a funerária."

António Marques espera, por isso, que as autoridades portuguesas "colaborem e venham buscar o resto" dos militares sepultados no norte de Moçambique "numa situação péssima e vergonhosa para o país".

No domingo os restos mortais dos dois antigos militares vão ser sepultados em São Miguel de Outeiro, acto que será antecedido de cerimónias militares no Regimento de Infantaria 14 de Viseu, a que Ernesto Dias e Aníbal Santos pertenciam.""
PGF. - Lusa


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12/11/08

Ronda pela net: Retrato - Eleições e turismo em Moçambique.

Li hà momentos no "mielamundi" em post "Chroniques du Mozambique" que tento reproduzir em língua portuguesa:

AS ELEIÇÕES:
Moçambique centrou a atenção nas eleições municipais acontecidas no final do mês. Propaganda, T-shirts, loincloths, bandeiras e cartazes distribuídos nas ruas. A disputa foi jogada entre a Frelimo e a Renamo. O jogo aconteceu entre o partido que levou o país à falência após a independência, ao querer implementar uma política social radical (Frelimo) e o partido revolucionário que tem destruído estradas, escolas, pontes, hospitais, etc. e mergulhou o país em 17 anos de guerra civil (Renamo)...

Cada uma das partes tem a sua quota de apoiantes. Deve ser dito que a Frelimo oferece tanque cheio de gasolina para todos os automobilistas e motociclistas que desejem pendurar uma bandeira em seu carro ou motorizada e patrocinou comícios por todo o lado com música africana oferecida por artistas da moda e com as mulheres a cantar e dançar em uma campanha politizada. Como você diria? É compra de voto ????.... Na campanha de sons e de cores a Frelimo, pareceu levar a melhor... Talvez porque é o partido dominante...

POLICIA:
O policial no meio da estrada, na sua bela camisa branca também é estressante para motoristas e turistas como nós...

A regra de ouro é sorrir e sempre ter à mão um pedaço de goma de mascar, um cigarro, uma caneta para oferecer como cortesia... Muito cansativo... Mas às vezes pode calhar-lhe um policial que toma vitaminas... Desta vez ele nos fez estacionar ao lado. E decidiu ser rigoroso na inspecção do veículo. Testa tudo... o pisca da direita, o da esquerda, faróis, pára-brisas... tudo funciona, nada a argumentar. Mas o mais divertido foi o seu zelo enquanto a dois metros tínhamos um parque de autocarros apinhados de público, sem pára-brisas da frente ou da retaguarda e luzes, sem parafusos, faróis e pisca-pica pendurados por um fio ao longo da "carrosserie"...

POVO:
Em Moçambique contato humano é algo especial. Antes de você dizer "Olá", já lhe é pedido dinheiro. Pequeno, grande, jovem ou velho é sempre direto ao dizer "dar-me 100 balles". Se você precisa de ajuda você tem de comprá-la... O que faz com que você entenda que, para além do preço acordado, uma gratificação suplementar será bem-vinda.... Só as mulheres nunca pedem nada... Elas não têm o tempo...!

Felizmente a atmosfera é cordial e quando tentamos explicar em nosso Português com sotaque que o dinheiro não cai do céu e da necessidade de se trabalhar com sacrifício para o conseguir, riem na nossa cara... Fecham a mão do "patrao"(significando avareza) e desejam "boa viagem."....

O roubo parece ser um esporte nacional... desde a base até ao alto da pirâmide vêm a corrupção, roubo, fraude, que são praticadas com impunidade. O administrador da cidade expropria dos seus cidadãos para apoderar-se gratuitamente das melhores terras,... o empresário retém os salários dos funcionários mais de 6 meses para ter capital e fazer negócios com carros do Dubai, os enfermeiros roubam drogas nos hospitais... Porquê ficará mal então roubar algumas telhas do telhado do vizinho para consertar o seu?...

AS FANTASIAS DE UM VIAJANTE PERANTE A REALIDADE:
A viagem começa no sofá da casa, com uma bela fotografia ou um livro/guia de viagens em suas mãos.
Os editores e programas de TV sabem como"vender" o sonho...
Imaginamos, projetamos, construímos um "mundo"...
E é assim que forjamos uma imagem de Moçambique: um diamante bruto a ser descoberto... praias paradisiacas, gente verdadeira.
E partimos... Mais de 15 dias por estradas de Moçambique. Desde as margens do Lago Niassa até ao arquipélago Quirimbas, litoral norte. Esperamos 15 dias antes de encontrar água corrente (e, portanto, um chuveiro) e 18 dias antes de conseguir água quente. Em 2/3 do norte do país, não há quase nenhuma infra-estrutura para turistas.... Mas o país é imenso, difícil de percorrer autónomamente, de áreas "de interesse" ainda muito pouco desenvolvidas. Uma ilha "Património Mundial" em ruínas, praias onde o lixo permanece e o viajante, após tanto esforço e cansaço em horas de carro ou em transportes públicos, depara-se com praias onde todos defecam de manhã até à noite. E é assediado em cada paragem por aqueles que procuram dinheiro, doces, etç...

Moçambique está longe de ter o brilho que vendem como "paraíso". Não!... Moçambique aparece em revistas turisticas direcionadas para aqueles que têm dinheiro onde lhes é apresentado em pacotes luxuosos a comodidade de avião privado, arquipélagos reservados e fechados de praias de águas turquesa, com turistas que se deslocam acima da miséria, do roubo e de praias-lixeira, de Camping's onde o turista mais simples recebe uma lata de água salobra para o chuveiro.

Moçambique vende felicidade para quem tem dinheiro, mas não para viajante comum, ecológico, amante da natureza e do contato sem muros com o povo, além de menos abonado financeiramente.

12/10/08

Retalhos da História de Cabo Delgado: Breves notas sobre a população do Distrito de Cabo Delgado em 1858.

Por Carlos Lopes Bento (1)

No ano em que Pemba, (antiga Porto Amélia) está a comemorar os seus 50 anos de elevação a cidade, entendi, como forma de lhe prestar homenagem, bem como a todos aqueles que, de algum modo, contribuíram, através dos anos, para o seu engrandecimento, trazer a público alguns dados sobre a população, que há 150 anos povoava o distrito de Cabo Delgado e como se distribuía geograficamente.

Segundo a informação fornecida pelo então Governador interino João da Cunha Carvalho, relativa ao ano de 1858, o distrito estava dividido em sete Capitanias, a saber:
Estas sete capitanias, duas insulares- Ibo e Querimba- e cinco situadas, junto à costa marítima, em terras firmes ou continentais, de que faziam parte 34 núcleos populacionais, eram habitadas por 23 361 pessoas, distribuídas por 9.776 fogos, das quais 11.996 eram do sexo masculino e 11 365 do sexo feminino. Este total de população incluía: “indígenas, livres e libertos, europeus, asiáticos e escravos”. Com excepção da do Ibo, nas restantes Capitania existia como autoridades locais: 1 capitão-mor, 1 sargento-mor e 1 cabo das terras, que era o chefe de polícia.

As capitanias mais povoadas eram a de Quissanga, com 8.749 habitantes e a do Ibo, com 5.448.

Situavam-se próximas uma da outra, sendo a primeira a principal porta entrada e de saída do comércio da Vila do Ibo.

Estas duas povoações tinham mais do dobro da população total do distrito, seguindo-se a de Mocimboa situada mais a norte.

A capitania mais a sul e mais próxima da baía de Pemba era a de Arimba, situada a sul da de Querimba.

Geograficamente, de sul para norte, existiam as capitanias de: Arimba, Querimba, Ibo, Quissanga, Olumbua, Pangane e Mocimboa. Daqui se deduz que, então, o Distrito de Cabo Delgado tinha como limites: a norte, Mocimboa e a sul, Arimba. Para além deles, encontravam-se as “Terras sujeitas ao governo de Régulos”:

- A norte, tínhamos, defronte da ponta denominada Cabo Delgado, a povoação de Tungue, um pouco a norte da baía do mesmo nome, que era habitada por Suaílis e Mujojos, dependentes politicamente do Sultão de Tungue, Amade Sultane.

- A sul, situava-se a baia de Pemba em redor da qual dominavam os régulos Said-Aly, Mugabo, Motica e Mazeze, entre outros, estendendo-se a jurisdição deste até ao rio Lúrio, limite sul do território do distrito de Cabo Delgado.

Quanto à origem étnica e religião da população, as informações fornecidas em 1858, apenas, se referem às ilhas do Ibo e de Querimba: Na primeira estavam incluídos: 11 europeus, 3 filhos de Goa, 23 gentios entre batiás e baneanes e na segunda, 3 europeus.

Anos antes, em 1855, o governador Jerómino Romero, - responsável pela instalação da Colónia Agrícola de Pemba, verificada a partir de 1857, na sua obra “Memória Acerca do Distrito de Cabo Delgado” - fornece-nos alguma informação sobre a população, livre e escrava, do seu Distrito, que incluía cristãos, mouros, baneanes e batiás.

Numa simples análise dos dados fornecidos em 1855 e 1858 verifica-se uma grande diferença nas frequências relativas à totalidade da população do Distrito, que, num diminuto espaço de tempo, passou de 6.607 para 23.361 habitantes. Ela deverá estar relacionada com a aplicação da Portaria nº 315, de 15.10.1855, que estabeleceu o Registo Civil em Moçambique, determinando “a inscrição de todos os habitantes da cada circunscrição administrativa e se note com toda a regularidade o movimento da população de todos os pontos de vista”. No seu artº 1º determinava-se que:

“Todo o chefe de família formulará, segundo um modelo que deverá ir receber da autoridade, uma relação nominal de todas as pessoas, de qualquer condição que sejam, das quais se compuser a sua família, no dia 31 de Dezembro do corrente ano, designando a sua respectiva idade, religião, estado, ocupação, &, como irá mencionado no mesmo modelo, a qual relação entregará à competente autoridade no dia 1º de Janeiro de 1856, ou nos dias imediatos segundo a distância a que estiver a sua morada”.

Aqui deixo estas breves notas para que as gerações mais novas, de Moçambique e de Portugal, conheçam mais alguns dos traços da sua História comum.
(1)- Prof. univ. e antropólogo.

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12/09/08

Data - Inauguração da sala de cinema de Pemba

Lembrete :

Relembro hoje o aniversário da inauguração do então novo cinema da Porto Amélia/colónia, atualmente Pemba.

"Em 9 de Dezembro de 1972 sob administração do Sr. Ismael, foi inaugurada na cidade de Porto Amélia, uma das mais modernas, apetrechadas e bonitas salas de cinema de Moçambique. A sessão inaugural foi prestigiada pelas mais diversas figuras e entidades da época, acontecendo com a sala totalmente lotada e com o filme "Os maridos de Elizabeth" estrelado por Clint Eastwood. De salientar que o Sr. Ismael reside em Maputo e está de saúde com (71 anos em 2003) recordando tudo com emoção, pois são do mesmo estas informações...""

Estes dados são de 2003 e estão "agendados" no "Pemba-Bar da Tininha".

Esperamos o Sr. Ismael continue de boa saúde e feliz em Maputo, já que não recebemos notícias suas desde 2003.

Tivemos a felicidade e o privilégio de assistir à inauguração dessa bela sala de cinema no já distante ano de 1972. E de também assistir por lá a uma vasta diversidade de filmes, desde os últimos lançamentos europeus da época até às interessantes, mas de baixa qualidade, produções em série do cinema indiano, maior industria mundial no género.

Ecos do Brasil - Paraguai também não quer pagar a conta...

Segundo o que leio no Globo de hoje e complementado pelo blog do Noblat, os vizinhos socialistas (à moda deles) do Brasil não andam nada bem intencionados a respeito de pagar o que devem ao povo de "terras de Vera Cruz".

Depois do Equador do mirabolante Rafael Correa, da Venezuela do teatral aprendiz de ditador Chavez, do ingénuo (em termos) Morales da Bolívia, agora é o Paraguai do ex padre e angelical Fernando Lugo que quer dar o calote ao vizinho Brasil...

Mas é o que acontece quando não se sabe escolher os "amigos" (e que amigos...!) ou se anda com "más companhias". E parece que "vai sobrar" mais uma vez para o já penalizado contribuinte tupiniquim:

""Paraguai quer empurrar para o Brasil US$ 19 bilhões da dívida de Itaipú - Um "perdão" de Us$ 19 bilhões - Após o Equador contestar empréstimo feito junto ao BNDES, o governo do Paraguai apresentou oficialmente proposta para mudar os pagamentos pela energia de Itaipu.

Batizada "Solución Todos Ganan" (Solução todos Ganham, em português), o texto prevê a transferência da dívida da usina hidrelétrica binacional, de US$ 19,6 bilhões, para o Tesouro dos dois países. Mas a divisão não seria igual: o Tesouro paraguaio assumiria US$ 600 milhões, enquanto o Brasil arcaria com US$ 19 bilhões.

O Brasil ainda não respondeu à proposta, apresentada a seus representantes no dia 27 de outubro, mas em conversas reservadas a "solução" é classificada como "estapafúrdia".

A próxima reunião entre os dois governos acontecerá quinta-feira, em Foz do Iguaçu (PR).

O autor da proposta é o engenheiro Ricardo Canese, um dos coordenadores da campanha do presidente do Paraguai, Fernando Lugo.

Canese, autor de outras teses polêmicas, é o negociador oficial do governo Lugo na Subcomissão de Análise da Dívida do Paraguai.""
-In blog do Noblat - Globo/Ricardo Galhardo, 09/12/08.

12/08/08

Grupo de AMIGOS DO IBO reuniu-se no cais do Sodré...

(Clique na imagem para ampliar)

Em Lisboa-Cais do Sodré, dia 08/11/2008, um grupo de AMIGOS DO IBO reuniu-se no Ibo Restaurante, onde almoçou e recordou a ilha e Pemba.

Foi um excelente convívio de gentes de Cabo Delgado, organizado pelo Querido Amigo António Baptista Carrilho, natural da Ilha do Ibo, para, segundo ele, homenagear o Prof. Carlos Lopes Bento pelo muito que tem escrito em prol das Ilhas de Querimba.

Confraternizaram Amigos que não se viam há mais de 30 anos.

No fim da tarde foi saboreado um bolo, oferta do Engº. Pedrosa Lopes e de seu filho João Pedro, gerente do Ibo Restaurante.

Algumas imagens:



  • IBO-Restaurante - Aqui!
  • Trabalhos de Carlos Lopes Bento sobre o Ibo e arquipélago das Quirimbas - Aqui!
  • Sabores do Ibo no Cais do Sodré - Aqui!