3/22/09

Para a História do Ensino em Moçambique - Parte 3

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ESCOLAS E ALUNOS DE CABO DELGADO HÁ 150 ANOS:
MATÉRIAS, FREQUÊNCIA, APROVEITAMENTO E PROBLEMAS
Por Carlos Lopes Bento(1)
(Continuação daqui)

III PARTE
Como atrás já foi referido, os habitantes da Vila do Ibo, para além desta Escola de Instrução Primária, ainda, podiam mandar os seus filhos para a Escola Principal de Instrução Primária da Província de Moçambique, que, então, ministrava um ensino de nível mais elevado, frequentado não só por moçambicanos da sua Capital e seu Termo, e dos seus principais Portos da Costa, como também por alunos provenientes de outras cidades da África Oriental e da Ásia.

Foi a mesma criada pelo Decreto de 14.8.1845, que reorganizou o Ensino Primário nas Províncias Ultramarinas Portuguesas.

Dada a sua importância socioeconómica e cultural no contexto da sociedade moçambicana e tendo em consideração o papel que desempenhou na época, merece que sejam divulgados os seus principais traços, que, aliás, vamos encontrar em 2 Relatórios, datados de 1858 e 1859 e um Mapa de 15.4.1960, da responsabilidade do seu Director.

Em 4 de Fevereiro e 7 de Agosto de 1858, o professor responsável pela referenciada Escola Principal, Guilherme Henrique Dias Cardoso, nos seus Relatórios, publicados na folha oficial do Governo Geral de Moçambique, de 20.2.1858 e 14.8.1858, relativos ao 2º Semestre de 1857 e ao 1º Semestre de 1858, dava testemunho do seu funcionamento, frequência, matérias e problemas.

Funcionamento
1857-2º Sem

A escola principal teve o seu andamento e costumada regularidade, tendo lições de manhã e de tarde, segundo as ordens; e os seus alunos, no geral, tiveram, no Semestre, regular conduta, aplicação e aproveitamento.

1858-1º Sem.

A escola principal teve, diariamente, lições de manhã e de tarde, conforme as ordens; e, em tudo o mais, o seu costumado andamento regular, recebendo, matriculando e instruindo todos os alunos que, para esse fim, a ela concorreram.

Frequência
1857-2º Sem

O número de alunos que durante o Semestre frequentou a Escola foi de 63 a 64:

- Existiam, no princípio do Semestre, 64 alunos;
- Entraram de novo 10 alunos, o que perfaz um total de 74;
- Saíram da Escola e tomaram diferentes destinos 10 alunos;
- Faleceu 1; e a
- Existência no 1º de Janeiro do corrente ano era de 63 alunos de todas as diferentes gerações que povoam Moçambique.

1858-1º Sem.

O número máximo de alunos que frequentou a Escola, foi de setenta e seis e a existência actual é de sessenta:
-Tinha no principio de Janeiro sessenta e três alunos;
-Matricularam-se durante o semestre treze, o que fez a supra mencionada totalidade de setenta e seis.
-Saíram, durante o Semestre, dezasseis;
-Existência total, em 30 de Junho era de setenta alunos.(a)

(a)- Dos 13 alunos entrados: 1 era Europeu, 10 Nativos( 6 Cristãos e 4 Mouros), e 2 Asiáticos( 1 Cristão, outro Mouro).
Dos 16 alunos saídos: 14 eram Nativos( 9 Cristãos e 5 Mouros) e 2 Asiáticos( 1 Cristão e 1 Mouro).

Movimento de alunos segundo suas proveniências, etnias e religião, em 30.6.1858:

-Da cidade de Moçambique, num total de 47 alunos: 4 Europeus, 27 Cristão Nativos, 16 Mouros e Árabes Nativos;

-De Inhambane, num total 4 alunos: 2 Cristãos Nativos e 2 Mouros e Árabes Nativos;

-De Sofala, num total de 3 alunos: 3 Cristãos Nativos;

-De Sena, num total de 1 aluno: 1 Cristão Nativo;

-Da ilha do Ibo, num total de 2 alunos: 1 Cristão Nativo e 1 Mouro Nativo;

-De Damão, num total de 2 alunos: 2 Mouros e Árabes Asiáticos;

-De Diu, num total de 1 aluno: 1 Gentio e Parse Asiático.

TOTAL: 60 alunos, sendo, 4 Europeus, 34 Cristãos Nativos, 19 Mouros e Árabes Nativos, 1 Gentio e Parse Asiático, 2 Mouros e Árabes Asiáticos.

Caracterização dos alunos
1857-2º Sem

Nada referenciado

1858-1º Sem.

Os alunos são de diferentes gerações e religiões, que existem e concorreram a Moçambique, (...) Neste número de alunos que frequentaram a Escola, incluem-se estudantes de todos os portos da Província e até dos portos da Ásia, com quem Moçambique está em relação.

Área de influência
1857-2º Sem

Esta Escola, não é somente a Escola da Cidade como alguns, erradamente, julgam. E o título que tem de Escola Principal de Instrução Primária da Província de Moçambique, cabe-lhe. completamente, porque, além dos alunos da Cidade, que a frequentam, tem-nos, e tem-nos tido sempre, da Cabaceira Grande, Pequena e Mossuril, e mesmo alguns lhe vêm dos Distritos do interior. Recebe e instrui, regularmente, discípulos de todos os Distritos da Província que lhe vêm enviados nas monções: Lourenço Marques, Inhambane, Sofala, Quelimane e Ibo, que têm dado sofrível contingente à Escola.
E apesar de haver Escolas nos Portos pode dizer-se que é a Escola Geral da Província.
Os portos da Índia, também lhe têm enviado bom número de alunos, especialmente Damão e Diu, donde, ordi­nariamente, lhe vêem alguns em todas as monções.
Final­mente, Mascate, Zanzibar e Anjoanes também têm enviado a esta Escola, por diferentes vezes, alunos.

1858-1º Sem.

A Escola não é somente a Escola da Cidade de Moçambique, como muita gente erradamente julga. É por assim dizer a Escola Geral da Província, porque tem sempre matriculado estudantes de todos os mencionados portos. E, ainda, conta, no número dos seus alunos, além dos discípulos da Cidade e seu termo, estudantes de Inhambane, Sofala, Quelimane e Sena, Ibo, Damão e Diu, apesar de haver escolas nesses portos. (...).

Destino profissional dos alunos saídos
1857-2º Sem

Nada referenciado

1858-1º Sem.

Dos 16 alunos saídos da Escola durante o mencionado semestre:

- um foi empregado, em praticante da farmácia, na Botica do Hospital;
- um está empregado na Repartição de Fazenda;
- três em escriturações particulares;
- três regressaram às suas famílias nos portos, sofrivelmente, desenvolvidos e instruídos;
- três foram entregues às suas famílias como incapazes de aprender coisa alguma, por excessiva rudez;
- quatro foram riscados da Escola como incorrigíveis, por sua irregular conduta e por não comparecerem quase, nem terem sujeição alguma às suas famílias e porque o seu exemplo era pernicioso para os mais alunos;
- um foi para Lisboa na barca Charles & George em companhia de seu pai.

1) - Prof. Univ. e Antropólogo.
(CONTINUA)

  • Para a História do Ensino em Moçambique - Parte 2 - Aqui!
  • Para a História do Ensino em Moçambique - Parte 1 - Aqui!
  • Post's do ForEver PEMBA para a consulta em "Pesquisas" sobre Carlos Bento, Quirimbas, Ibo, História de cabo Delgado - Aqui!

Buscando no tempo lá pelo Douro: O Baptismo do Marçal.

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua de minha origem e raízes, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique... Para isso estou contando com a gratificante colaboração de um aficionado e morador ilustre da nossa querida cidade capital do Douro - Peso da Régua, o Dr. José Alfredo Almeida*.

Esta imagem de 1956 assinala o baptismo de uma criança, cujo nascimento ocorreu numa das ambulâncias - coisa que não é só dos tempos de hoje – do Corpo de Bombeiros de Peso da Régua.

Trata-se do “nosso afilhado” Marçal. Conta o jornal da Associação “Vida por Vida” que “foi em 1956 que na nossa ambulância nasceu um robusto menino que em seguida foi passando seus dias, na companhia da mãe, na nossa freguesia de Sedielos”.

Assim, fica-se a saber que não sendo uma situação normal, os nossos bombeiros foram “parteiros” do nascimento desta criança, a quem ficaram ligados afectivamente pelo momento e circunstâncias de o ajudarem a vir a este mundo.

Mas, a esse tempo a vida entre estes montes maravilhosos não era nada fácil e, com sua mãe se encontrava numa situação de pobreza, fez com os bombeiros decidissem “adoptar” essa criança como seu afilhado, ajudando-a a crescer com mais dignidade e algum conforto.

Com a presença do Presidente da Direcção, Dr. Júlio Vilela e de alguns bombeiros fardados a rigor, onde se destaca o Joaquim Trovão, organizaram a festa do baptismo da criança, a quem os “padrinhos” quiseram dar o bonito nome do seu Santo Padroeiro, Marçal.

Depois disso, o Marçal não foi esquecido pelos seus “padrinhos” bombeiros. Ainda no jornal “Vida por Vida” é salientado o seguinte: “nunca o temos desamparado e sempre que há festa na Casa, ei-lo que nos vem visitar e em cada um de nós tem tido um amigo”. Assim, já com a criança em idade de ir para a escola, os bombeiros pedem a todos que o ajudem a “abastecer o nosso pequeno Marçal de material escolar, diria bem reduzido para a 1ª classe. Quem tem uma saca, um livro e o mais que ele precisa?”.

Hoje sabemos que esse material chegou às mãos do miúdo para aprender as suas primeiras lições. E, sem conhecermos as notas dos seus estudos, sabemos que o Marçal triunfou na sua vida.

Viemos a ter conhecimento, por pessoa sua amiga e colega de escola, que actualmente tem uma vida normal, é feliz, tem família e está a trabalhar no país para onde emigrou, a Alemanha, mas conserva as “raízes” nas suas origens onde deu os primeiros passos e cresceu, no lugar de Sermanha, na freguesia de Sedielos.

Passados 53 anos na sua vida, os bombeiros de Peso da Régua e todos aqueles que o ajudaram em criança sentem-se também felizes e orgulhosos de “torna-lo um homem que nos viesse honrar”.

Estes são os gestos que marcam a grandeza da vida dos homens e das suas instituições. Exemplos destes são raros, mas verdadeiros, que servem para melhorar uma sociedade, a qual nem sempre se alicerça nos valores da fraternidade e solidariedade para com os mais desfavorecidos e mais desprotegidos.

Aguardamos que no dia 28 de Novembro, festa do próximo aniversário da Associação (129 anos), o nosso afilhado Marçal nos possa visitar no Quartel Delfim Ferreira, onde poderá ver, com os seus próprios olhos, que também crescemos e vivemos mais felizes, com o seu caso.
- Peso da Régua, Março de 2009,
José Alfredo Almeida.*

*Quem é José Alfredo Almeida:

Data de Nascimento: 04 de Novembro de 1962
- Morada: Peso da Régua.
- E-mail:
jasapr@gmail.com
- 1987 – Licenciatura em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
- Exerce a actividade de Licenciado em Direito, Jurista no Gabinete Técnico Local do Município do Peso da Régua, professor na Escola Secundária do Peso da Régua e na Escola Secundária de Resende, vereador em regime de permanência no Município do Peso da Régua tendo a cargo os Pelouros das Obras Particulares e Urbanismo, Desporto e Juventude, Abastecimento Económico e Assuntos Jurídicos.
Como actividade Cívica é desde 1998 – Presidente da Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua; Desde 2005 – Vogal da Direcção da Associação da Região do Douro p/ Apoio a Deficientes; Desde 2006 – Presidente da Direcção da Federação dos Bombeiros do Distrito de Vila Real

Outros textos sobre os "Bombeiros Voluntários do Peso da Régua" e sua História:

  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!

A Lista de Amigos...

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui.)
Inspirado em e-mail de Amigo:
A Lista
Oswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você já desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você.


3/19/09

PEMBA - Tambo International Art Camp, July 14th - July 20th 2009

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Transcrevo o convite:
Join in / Hodina!
Tambo International Art Camp
Pemba - Mozambique,
July 14th – July 20th 2009.

6 days of unique possibilities to experience the multicultural art scene and traditions of Pemba - Mozambique.

Together with local and foreign artists you will participate in:

● Art work shops of dance, theatre, music, design and more;
● Visit local artists like the Mask Mapiko dancers, Makonde carvers, the Arab inspired Tufo choir and more;
● Performances;
● IV Festival ”Celebrating Cultural Diversity”;

The Art Camp takes place at the Cultural Centre ”Tambo”, the home of the Tambo Tambulani Tambo.

Participation fee including food and accomodation: US$ 100.

- Mail: tambulanimoz@gmail.com. Please state art forms of special interest to you.
Organized by Tambo Tambulani Tambo, founded in 1995 in Pemba to promote art through own productions, events and debates to improve conditions of artists.
- Fone: + 258 82 55 95 380 / 82 66 13 400.

Pemba, located at the 3rd largest bay in the world, has over centuries attracted people from many continents to settle creating a multicultural environment.
.
Acrescento em lingua portuguesa:
O Tambo International Art Camp e o Festival "Celebrating Cultural Diversity" 2009 terá lugar de 14 a 20 julho de 2009.

Será uma semana de arte, dança, teatro, música, desenho, artesanato, com lojas, contatos com artistas locais e não só.

Se vier experimentará a diversidade cultural de Pemba e suas belas paisagens naturais.

O objectivo é promover a comunhão da diversidade cultural a partir de Pemba, reunindo artistas e pessoas de outras partes do mundo interessadas em fazer arte, trocar de idéias e experiências culturais, envolvendo-os em todos os trabalhos e atividades.

O título "Celebrar a Diversidade Cultural" 2009 representa sete dias de experiências únicas.

  • Tambo International Art Camp - Programação Convite - Aqui!
  • Associação Cultural Tambo Tambolani Tambo - Pemba - Aqui!
  • Campo Internacional de Arte 2009 - Aqui!
  • Post's anteriores deste blogue sobre o trabalho em Pemba da Associação Cultural Tambo Tambolani Tambo - Aqui!

Relembro: Acontece de 14 a 20 de Julho de 2009 em Pemba - Moçambique.

3/18/09

Moçambique/PALMA - Trabalho escravo encerra empresa!

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A reportagem do "Notícias" dispensa mais palavras. Transcrevo:

Cabo Delgado: MITRAB suspende instância turística - A TECOMADJE, Lda., uma instância turística na ilha do mesmo nome, no distrito de Palma, em Cabo Delgado, acaba de ver as suas actividades suspensas por ordem da Inspecção do Trabalho por sujeitar os seus trabalhadores a tratamentos desumanos e violação da lei laboral.

A instituição emprega 50 trabalhadores, dois dos quais de nacionalidade zimbabweana e em situação laboral ilegal no país.

Para além da concessão de emprego a estrangeiros de forma ilegal, consta da lista das irregularidades detectadas a falta de contratos laborais, pagamento de salários mínimos iguais a todos os trabalhadores, independentemente das suas categorias, e privação dos funcionários do direito de férias e de descanso.

Segundo um comunicado do Ministério de Trabalho (MITRAB) ontem recebido na nossa Redacção, a inexistência de horário de trabalho, de equipamento de protecção contra acidentes, falta de inscrição dos trabalhadores no Sistema de Segurança Social e o não pagamento de horas extraordinárias figuram como outros atropelos à lei que vinham sendo cometidos por aquela empresa há largo tempo.

“Adicionado a estas infracções laborais, a empresa violava os direitos elementares de um ser humano, como por exemplo a falta de fornecimento de alimentação condigna e suficiente aos trabalhadores e a criação de condições mínimas para o efeito”, lê-se no comunicado do MITRAB.

A Inspecção do Trabalho em Cabo Delgado, após um trabalho naquela ilha e em resposta à preocupação da população bem como das autoridades distritais de Palma, detectou que os trabalhadores, para além de dormirem em tendas precárias e em travessas de paus por falta de camas, satisfazem as suas necessidades biológicas a céu aberto por falta de sanitários.

Detectou-se ainda que a Direcção da Tecomadje, Lda., dá apenas 20 litros de água aos 50 trabalhadores por cada três dias para efeitos de higiene pessoal, confecção de alimentos e para beber, enquanto que as refeições resumem-se a 400 gramas de arroz e 250 gramas de feijão-manteiga por dia, na razão de pequeno almoço, almoço e jantar.

Constatadas todas as situações anormais, a Inspecção do Trabalho mandou imediatamente suspender as actividades daquela instância turística por forma a salvaguardar a dignidade humana e a implementação da legislação laboral do país até que sejam feitas as devidas correcções.

Pelas infracções cometidas, a empresa, que viu os seus dois trabalhadores estrangeiros ilegais suspensos, foi ordenada a parar de laborar sem a perda de salários por parte dos trabalhadores, e foi multada em quase 136 mil meticais, valor já pago.

Segundo o comunicado, a instituição iniciou de imediato a correcção das irregularidades, encontrando-se neste momento a produzir blocos de cimento e areia para a construção de alpendres consistentes e de sanitários para os trabalhadores.

O reinício das actividades dependerá da celeridade na regularização das anomalias e dos resultados do relatório a produzir após segunda inspecção.
- Maputo, Quarta-Feira, 18 de Março de 2009:: Notícias.

3/17/09

Régua - Douro: Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia.

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Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua de minha origem e raízes, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique... Para isso estou contando com a gratificante colaboração de um aficionado e morador ilustre da nossa querida cidade capital do Douro - Peso da Régua, o Dr. José Alfredo Almeida.

Complemento que este post refere o Dr. Camilo, médico e escritor da Régua e do Douro, filho do também consagrado médico e escritor João de Araújo Correia.

O Dr. Camilo é igulamente figura inesquecível (pelo menos para os mais antigos naturais e residentes daquela cidade do norte de Moçambique) em Porto Amélia, hoje Pemba onde residiu durante alguns anos da época da "guerra colonial" prestando serviço como diretor do hospital militar anexo ao hospital civil.

Cuidou e salvou vidas assim como bastantes Amigos ali fez e deixou, envolvido nas horas vagas na produção amadora de peças teatrais onde, o saudoso e também colega militar Dr. Simões Coelho, entre outros, o coadjuvava para júbilo da população local carente desse tipo de cultura e lazer.

Companheiro de infância e colega dos bancos escolares de meu saudoso Pai - Jaime Ferraz Rodrigues Gabão, bastantes de seus finais de semana e tardes africanos, que recorda com nostalgia e estilo sem igual em obras escritas, foram passados na varanda frondosa de minha casa em Porto Amélia, entre alguns cordiais cálices de vinho do Porto, pitéus à moda do Douro e Trás-os-Montes primorosamente preparados pela afável e transmontana D. Nair - minha Querida Mãe e conversas que se alargavam até noite alta, quase sempre sobre gentes, costumes e lugares do Douro que jamais esqueciamos daquele lado do mar. Aqui ficam também, em poucas palavras e aproveitando a deixa, minha homenagem e minha saudade por essa personagem de porte da nossa Peso da Régua.
- Jaime Luis Gabão, 17 de Março de 2009.

Esta foto diz tudo: Camilo de Araújo Correia num discurso de um aniversário da Associação como seu Presidente da Direcção. As suas palavras têm o seu sorriso que sempre nos habitou e, certamente, tem um sentido de humor contagiante. Basta, ver olhar atento como alguns dos presentes o ouvem, como é o caso do Chefe Armindo.

Camilo de Araújo Correia é um dos nossos. Vestiu também a nossa farda azul. Mas foi um grande médico e um grande escritor nas “horas vagas”, como ele gostava de dizer a sorrir, seguindo de perto os passos literários de seu pai João de Araújo Correia. Foi nosso amigo, sempre, até a data da sua morte, ocorrida, em finais do ano 2007. Ele, sabe que tem um lugar, um cantinho especial na história dos bombeiros de Peso da Régua. Ele, não só exerceu funções directivas, como ainda foi médico dos bombeiros e, muitos anos, o director do jornal mensário da Associação “Vida por Vida”.

Escreveu muitas e belas histórias na sua vida que foi de uma paixão pelo nosso Douro e suas gentes, pelo seu rio e seus belos barcos rabelos, a navegarem põe entre este imenso teatro de vinhas, que foi o palco da vida de muitas das suas personagens, para todos nós mais reais do que as vezes ele nos fazia crer.

Sobre os bombeiros de Peso da Régua escreveu algumas histórias das suas figuras mais simples, mas cheias de alma e sonhos, os heróis que o tempo e as memórias do fogo nunca apagaram e, sobretudo, da sua grande admiração pelos homens da paz. Duas crónicas, brilhantes, carregadas de sentido de humor e fina ironia, adocicada de um carinho pelos bombeiros, como por essa personagem do Justino podem ler-se nosso livro “125 Anos da Nossa História”.

Foi Presidente da Direcção da Associação nos anos de 1964-1965. Do acto da sua posse em 12 de Agosto de 1964, o jornal “Vida por Vida” refere que Camilo de Araújo Correia “usou da palavra de uma maneira que lhe é tão peculiar, historiou a maneira porque aceitou o convite que lhe foi dirigido ainda quando se encontrava em serviço militar em terras africanas e disse dos propósitos que o nortearão no desempenho do cargo, que se resumia em lealdade para como todos, amizade e humanidade no geral”.

Não poderiam ser outras as suas palavras. Sem margem para dúvidas, elas retratam a verdadeira condição de um homem humanista.

Assim, temos todo o gosto em revelar as suas palavras, manuscritas numa caligrafia impecável, num cartão timbrado que, em 7 de Dezembro de 2000, dirigiu ao Presidente da Direcção e ao Comandante dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua:

“Exmos Senhores:
Venho por este meio agradecer-lhes muito honrado a simpatia da oferta da medalha comemorativa dos 120 anos da nossa prestigiada Associação. As minhas sinceras felicitações a quem a concebeu. De um lado, a fachada do quartel, a beleza e a originalidade. Do outro, um minuto de silêncio por quem perdeu a vida no cumprimento do seu abnegado dever. Conheci muito bem o João e o Afonso. O luto da Régua foi o meu luto.
Creiam na muita estima do muito grato,”

Creia Dr. Camilo que nós lhe estamos também muito gratos e saiba que os bombeiros da Régua nunca o esquecerão.

Camilo de Araújo Correia tinha sempre as palavras certas de agradecimento, de ironia e de ternura que nos afogavam de emoções ou nos faziam sorrir. E, na sua memória, estava guardado o respeito por aqueles dois bombeiros que deram o seu melhor à Régua, em missões de serviço onde deram a sua vida por nós.
- Peso da Régua, Março de 2009,
José Alfredo Almeida.

  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
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  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!
  • O Blogue "Escritos do Douro" - Aqui!
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