5/12/09

Buscando no tempo lá pelo Douro: O grande incêndio dos Paços do Concelho da Régua

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Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:

Este antigo retrato documenta o combate dos bombeiros ao grande incêndio, no último andar do edifico dos Paços do Concelho do Peso da Régua, no dia 5 de Abril de 1937.

Ele permite ver os pormenores do trabalho dos bombeiros no combate à extinção do incêndio que, teve como consequência para além, dos elevados prejuízos materiais, resultantes da destruição total do andar superior do imóvel, de bens móveis e muita documentação antiga, a perda de três vidas humana, todos funcionários a trabalharem em serviços dessa instituição.

Assistimos ao desenrolar da operação no telhado do prédio, sob uma nuvem de fumo, com os bombeiros a lançarem água aos destroços da cobertura das águas furtadas, onde as chamas teriam deflagrado e rapidamente se haviam propagado a outras partes deste magnífico edifício público, até hoje a servir de “paços do concelho”, adquirido pela vereação liderada pelo Dr. Joaquim Claudino de Morais, em 1876.

Destaca-se no sinistro, o foco do incêndio circunscrito ao último andar e a acção dos corajosos bombeiros do Peso da Régua, que utilizaram duas linhas de mangueiras, ligadas já as bocas da rede pública, desforradeiras para retirar as telhas, uma manga de salvamento de pessoas e, para o escalonamento, uma “escada portuense” (quatro lances que se encaixam até uma altura de 12 metros).

A salvaguarda das vidas das vítimas num incêndio urbano constitui a primeira prioridade num plano estratégico de intervenção de qualquer Corpo de Bombeiros. Este do edifício dos Paços do Concelho, devido à violência da explosão, com que se iniciou, não lhes permitiu o sucesso de evitarem perdas humanas.

Mas, o plano de acção montado pelos patrões Álvaro Rodrigues da Silva e António Guedes Castelo Branco (receberam um louvor que consta da histórica Ordem de Serviço nº 20, de 10 de Abril de 1937, assinada pelos 1ª e 2º Comandantes), que comandavam os bombeiros no salvamento e ataque ao fogo, prova os conhecimentos dos manuais de instrução e, sobretudo, a sua grande experiência, ao iniciarem logo que chegaram ao local, os trabalhos pela extinção do incêndio.

Esta imagem regista o traçado antigo da rua Serpa Pinto, onde se situa o edifício dos Paços do Concelho e, mesmo à sua frente, o desaparecido Jardim Alexandre Herculano. Foram as suas condições amplas e a vizinhança com a rua do Quartel que permitiram o acesso fácil e rápido aos equipamentos dos bombeiros (daí que não tenham levado os carro de pronto-socorro), as suas primeiras intervenções e as manobras de salvamento, pela fachada principal do edifício público atingido.

Este incêndio teve destaque na primeira página do semanário “Noticias do Douro”, edição do dia 8 de Abril de 1937, que com o título “O incêndio dos Paços do Concelho da Régua”, dava a notícia, desta forma circunstanciada:

“Na segunda -feira, perto das 15 horas, a Régua foi alarmada com a notícia de que, devido a uma explosão, estava a arder o último andar dos Paços do Concelho.
O perigo iminente que corriam as pessoas que, surpreendidas pelo sinistro da parte superior daquele edifício, havia já saltado para o telhado, provocava gritos aflitivos da multidão que rapidamente se juntava nas imediações da Câmara Municipal (…)

Esses gritos ainda alarmavam mais as pessoas em perigo, e impediam que em baixo lhe dessem indicações (…) para se defenderem das chamas que iam tomando conta da cobertura do edifício.

A explosão deu-se num compartimento onde estavam os empregados municipais José Artur de Seixas, Ângelo Correia, Manuel Loureiro e Manuel Gonçalves, mais conhecido por “Manuel Ceguinho”.

Este último, que parece ter sido o causador involuntário da explosão, foi, depois de dominado o incêndio, encontrado completamente carbonizado.
O primeiro e o Manuel Loureiro foram arremessados pela escadas (…) extensas queimaduras considerado muito grave o estado do segundo deles.

Quanto ao picheleiro Ângelo Correia, por pouco não resvalou para a beira do telhado, valendo-lhe Octávio da Silva (…) e que, encontrando-o ao procurarem fugir, evitaram a sua queda para o lado da Alameda (…) O seu estado é muito grave, havendo poucas esperanças de que se salve, devido à extensão de pele que perdeu.

Uma senhora (…) foi salva por um indivíduo que trepou por uma esquina do edifício da câmara, utilizando os ornatos de cantaria para se agarrar, e que abriu uma fenda no telhado do corpo mais baixo desse edifício, por onde a fez descer até uma dependência da Secretaria Municipal.

O Sr. Administrador do Concelho e outras pessoas que estavam perto dele, entre elas o menor José Félix, que ficou bastante ferido, tiveram de descer por um pontalete dos fios telefónicos.

Entretanto chegaram os bombeiros da Régua que montaram o ataque ao incêndio.
Uma meia hora depois chegavam também uma viatura dos bombeiros de Lamego a atacar o incêndio e mais tarde uma outra, ficando os bombeiros da Régua a atacar o incêndio principalmente pela frente e os de Lamego pelo lado da Alameda.

Uns e outros portaram galhardamente. Dentre os bombeiros da Régua distinguiram-se Claudino Clemente e João Bonifácio Júnior.

Vieram também bombeiros de Vila Real, acompanhados de excelente material, mas quando chegaram já o incêndio estava dominado.”


A imagem deste fogo faz do tempo uma linha de continuidade da vida e marca um acontecimento histórico: no meio da tragédia humana, os murmúrios da cidade, a demarcar-se nos contornos telúricos das vinhas erguidas em incontáveis socalcos, da “paisagem cultural evolutiva e viva”, prolongam-se nas margens do Salgueiral, embelezadas pelas serenas aguas da bacia do rio Douro.
- Peso da Régua, Maio de 2009, José Alfredo Almeida.

- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:

  • 1º. de Maio de 1911 - Aqui!
  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Uma instrução dos bombeiros no cais fluvial da Régua - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui!
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

- Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição Virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!

5/11/09

Diversificando: Sons belos de Moçambique sob o sol do imenso mar azul de Pemba:



:: Music video of mozambican superstar Lizha James, filmed in Pemba ::
  • Belas e inéditas imagens de Pemba - Aqui!

Miguel Munguambe: Em Moçambique é o melhor em jornalismo ambiental

:: PARABÉNS MIGUEL MUNGUAMBE ::

O jornalista Miguel Munguambe, do semanário "Público", foi anunciado, sexta-feira última, como melhor jornalista em "Jornalimo Ambiental", ao ocupar o primeiro lugar nesta categoria. Existem mais duas categorias, a ligada à matéria do HIV/SIDA, cujo primeiro lugar foi atribuído ao jornalista do semanário "Domingo", André Matola, e a ligada categoria a segurança no trabalho que, infelizmente, não teve concorrentes.

O singular, pelo menos para o cenário Moçambicano, é que o considerado melhor jornalista em "Jornalismo Ambiental" neste prémio promovido pelo MISA-Moçambique, com apoio da Mozal na presente edição, até à pouco tempo ocupava-se como polidor de sapatos no hotel Rovuma, na capital do país, ao mesmo tempo que escrevia para o jornal "MediaFax".

Os resultados do concurso que contou com 16 trabalhos e que culminou com a distinção daquele jornalista, também conhecido como "engraxador de sapatos", atualmente jornalista e sub-chefe de redação do semanário "Público", foram tornados públicos sexta-feira última numa cerimónia de gala bastante concorrida na capital moçambicana.

Ao concurso o galardoado apresentou um conjunto de artigos que tinham como título "negócio de lixo gera renda aos mais desfavorecidos", trabalho este apurado pelo júri que integrou três especialista no ramo, nomeadamente Celestino Vaz e Bento Baloi(vogais) e Carol da Essen(presidente), os dois primeiros docentes de jornalismo da U. Eduardo Mondlane.

No seu trabalho, Miguel Munguambe disserta sobre a dimensão do negócio dos resíduos sólidos e a sua contribuição para a renda das camadas mais desfavorecidas da população, chegando a considerar que, nalguns casos, a prática gera, em termos de receitas, valores que superam o salário mínimo de um funcionário do estado.

Na investigação realizada na periferia da cidade de Maputo, onde o negócio é altamente concorrido, concluiu que um vendedor de lixo, recolhendo sacos e bacias plásticas, metais, garrafas, entre outros objetos produz em média diária uma receita estimada em cerca de 150 meticais. Com este valor, o jornalista determinou que o rendimento médio mensal de um vendedor de lixo é de 4,5 mil meticais, receita duas vezes maior que o salário pago ao funcionário do estado de escalão mais baixo, na altura estimado em 1.942 meticais.

Ainda, na esteira deste concurso jornalistico foram apurados para a segunda posição nas categorias "HIV/SIDA e Meio Ambiente", os jornalistas Arsénio Manhice e Leonildo Balango, respectivamente. O primeiro é do jornal "Notícias" e o outro do "Diário de Moçambique".
- Dados recolhidos do jornal "Diário Independente" em Maputo, 11/05/2009.

5/09/09

PEMBA - O caos no trânsito... 2 e outras "coisitas" mais referentes a caça, educação cívica, etç. !

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui)

""EXTRAS - Apertadíssimos! - Retomo hoje o tema do trânsito rodoviário de Pemba. Apareci, com efeito, na edição de 14 de Março, a dizer que já não há quem controla o quê na rua. Volto a dizer que não é verdade que é devido ao número cada vez maior de viaturas que Pemba todos os dias aceita, apesar disso ser verdade, tendo em conta que o projectista desta bela baía se um dia voltasse, cairia de costas e daria nomes a nós que fazemos crescê-la como ele não previa, porque inconcebível.

A indisciplina rodoviária tem a ver com outras coisas: desde a atitude dos controladores de trânsito às nossas. Sim, nós, com viaturas ou não, acabamos ficando no mesmo saco, que nos põe como indisciplinados, porque a luta de diminuir as estradas da cidade de Pemba é por todos travada e as vitórias estão aí à vista.

Havíamos falado do “bem-vindo” onde hoje florescem umas barracas, que ficaram mais importantes do que o trânsito pacífico daquele local, porque se trata de um potencial de presentes e futuros acidentes de viação, durante o casamento que se tem entre os alcoolizados e aqueles que sobem e descem dos “chapas”. Mais importante que a saúde pública, porque a casa de banho ficou ao ar livre da outra berma da estrada, quando, paradoxalmente, a seguir temos um outro mercado florescente: de carne seca de caça.

Esta, outra questão: donde vem a carne seca de caça? Como chega à capital provincial? As regiões mais próximas de Pemba, conhecidas como as que têm um potencial de fauna bravia, no seio da qual saem os cudos, as gazelas, os facoceiros e, quê mais, pertencem ao Parque Nacional das Quirimbas: Pemba-Metuge, Ancuabe e Quissanga. E depois? Por aqui, não será errado concluir que a carne vem do interior do parque. Pode ser difícil detectar na montante, mas aqui na jusante, onde se vende e compra quase que oficialmente, é sim, possível.

Mas estamos nas estradas: é preciso dizer que no chamado mercado das batatas nada se está à procura senão acidentes que podem calar a boca de muitos residentes de Pemba, e não só! Que tamanho tem a avenida 25 de Setembro para ao mesmo tempo ter uma fila de táxis e paralelamente encostarem os autocarros urbanos, sendo que na outra berma também temos táxis que paralelamente se encostam aos autocarros e mini-bus dos tanzanianos? Sinceramente que não fica espaço para quem não quer ali parar. Será disso que resultarão os acidentes, se já não os houve!

Na Casa China, para além dos camiões-cavalo que ela própria recebe para o seu abastecimento, agora temos os “chapas” a estacionarem paralelos e muitas vezes fechando, inclusive, os caminhos particulares de quem quer sair das suas casas e/ou instituições.

E para condimentar este emaranhado de coisas, veio o Governo provincial a ajudar os indisciplinados. Construiu uma sala de conferências nas traseiras da Direcção Provincial das Obras Públicas e Habitação, onde ultimamente faz as suas sessões e esqueceu-se de prever um parque de estacionamento, tendo descoberto aquilo que os outros fazem: ocupar a estrada, dum e do outro lado, cerca de 500 metros de viaturas de 16 administradores distritais ou seus representantes (quando se tratar de sessões alargadas), cerca de 15 de directores provinciais e outras tantas de convidados às sessões. Numa zona que muito antes era de certo modo cheia, pois está próxima de uma loja de ferragens, seguida do maior supermercado de Pemba.

Entretanto, entre a Igreja Maria Auxiliadora e a casa ministerial do Ministério da Defesa Nacional, ou seja, entre aquela Igreja e as casas militares onde alguma vez funcionou uma discoteca “Pentágono”, existe um vão, que em certa altura alojou barracas e nos últimos anos sazonalmente acolhe feijão-nhemba, uma vez por ano! E dava muito bem para um parque, ainda que provisório!""
- Pedro Nacuo, Maputo, Sábado, 9 de Maio de 2009 :: Notícias

  • Pemba - O caos no trânsito - 1 (Crónica do Pedro Nacuo para o Notícias) - Aqui!

Diversificando: Bom final de semana com a Liza Minelli do parlamento tupiniquim!


Divirtam-se, bom final de semana, sejam felizes... Mas por favor não coloquem em prática nem disseminem em outras latitudes o "mau exemplo" deste tipo de político! (Com a devida vénia a karlafernandes)

5/07/09

Movimento Democrático de Moçambique (MDM) cria delegação em PEMBA!

Quem sabe este é o prenuncio de um Moçambique novo, democrático, despido de corrupção, vícios políticos nefastos, obscuros que aí estão e se mantêm no poder por falta de opção melhor e competente ?

""A representação provincial do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), em Cabo Delgado, inaugurou, semana passada, os seus escritórios na cidade de Pemba, cuja delegação provincial recebeu uma viatura ligeira, no quadro do processo de instalação em curso, segundo deu a entender Albino Carige António, membro da Comissão Política do movimento.

Albino Carige disse tratar-se de um processo que está em curso em todo o país, tendo afirmado que as viaturas serão distribuídas a todas as províncias, esperando-se para esta semana a recepção daqueles meios circulantes em Tete, Inhambane e Gaza.

Aquele político anunciou que a delegação que lidera vai trabalhar em Cabo Delgado durante vinte dos quinze dias inicialmente previstos, alegadamente porque “ ficamos surpreendidos com a maneira como fomos recebidos nesta província, por isso decidimos dilatar o tempo de permanência”.

Segundo a fonte, durante o seu período de permanência em Cabo Delgado, a delegação do MDM vai visitar todos os 16 distritos, sendo que em Pemba será oficializada a delegação política.

“A mensagem nos distritos, mesmo aqui na capital provincial, é de que nós vamos concorrer para as três eleições previstas para este ano, nomeadamente as provinciais, legislativas e presidenciais, assim como apelamos a todos os moçambicanos em idade de votar para se recensearem, para diminuirmos o nível de abstenções que caracteriza, até aqui, as eleições moçambicanas”.

Para Albino Carige, há necessidade dos moçambicanos unirem esforços no sentido de evitar que haja muita gente que não exerce o seu dever cívico de votar, descredibilizando, de alguma forma, os processos eleitorais nacionais. Desdobrada em reuniões sucessivas nos diferentes bairros da cidade, a delegação do MDM diz estar a comunicar ao povo o actual estágio de organização e implantação do movimento. A nossa fonte recusou-se, porém, a revelar o actual número de membros que militam na agremiação, alegando ser matéria secreta.""
- Maputo, Quinta-Feira, 7 de Maio de 2009:: Notícias.