5/18/09

MUAZIZA - Um conto de Allman Ndyoko (Francisco Absalão)

(Clique na imagem para ampliar - Imagem do ForEver PEMBA criada a partir da composição de gravuras recolhidas na net)

Era meia noite e época de jejum dos maometanos. A noite estava muito escura e no céu, coberto de nuvens negras, os relâmpagos festejavam ao som do trovão coriscando-o e enchendo o ambiente de uma incrível e espectacular luminosidade.

Bacar, jovem mestiço, alto, respeitoso e muito dado à religião, seguia na mota no meio da chuva grossa que teimava cair oblíquamente sobre a cidade. Enquanto seguia a estrada asfaltada, serpenteante e quase infindável, e que divide o grande e o histórico bairro Paquitequete e Ingonane, e, conduz a zona de Kumilamba, a Honda ia expelindo do escape uma fumaça esbranquiçada que pouco-à-pouco diluia-se na escuridão da noite. No entanto, a estrada achava-se deserta de gente e do foco da luz da motorizada, via-se uma infinidade de pingo de chuva que velozmente atravessavam os raios do farol cabando por desfazer depois no asfalto, já há muito tempo cossado, donde erguia o cheiro intenso de poeira molhada que impiedosamente invadia as narinas dos transeuntes. Contudo, num movimento contínuo e barulhento a motorizada ia andando desafiando a chuva teimosa do verão, quando de súbito, um vulto fez sinal de boleia debaixo de um embondeiro à beira da estrada. O jovem abrandou a velocidade e parou assim que se aproximou. Lançou a vista para o vulto no meio da chuva e descobriu tratar-se de uma rapariga dos seus vinte anos de idade.

- Peço boleia, por favor. – Disse a rapariga na maior naturalidade.

- Para onde? – Questionou Bacar em voz alta obrigado pelo roncar ensurdecedora da mota.

- Vou a Kumissete.

- Eu vou a Kuparata, mas não faz mal. – Sossegou-a Bacar e prosseguiu. – O que um jovem como eu não pode fazer para um “foguete” de mulher como tu?

A rapariga sorriu, ergueu a capulana que trazia amarada ao corpo e apoiando-se ao ombro do Bacar, subiu para a motorizada. Ela tinha o corpo totalmente molhado. Tremia de frio e dir-se-ia tratar-se de um pássaro molhado. Ela vestia uma blusa de manga comprida, lenço à cabeça, duas capulanas multicolor e chinelos de banho. Tinha ainda um par brincos de ouro nas orelhas e um brinco no nariz. Os dois braços ostentavam meia dezena de pulseiras metálicas que soavam “tlintlim” sempre que fizesse algum movimento nos braços.

- Toma o meu casaco e veste antes que apanhes gripe. – Disse Bacar tirando um casaco preto de leda que trazia trajado.

- Não. Obrigada. – Atalhou a rapariga amavelmente. – Seria demais...

- Por quê?

- Basta a boleia que me deste.

- Não concordo. – Protestou docemente Bacar como se aquela rapariga conhecesse-a há muito tempo. – Se amanhã caires doente eu me sentirei culpado, por isso, se quiseres realmente a minha boleia, por favor, aceite a minha oferta.

- Tudo bem. - Respondeu a rapariga suspirando e depois de uma breve hesitação. – Eu aceito já que insistes...

Recebeu o casaco, passou-o nas costas e vestiu-se. Bacar virou-se para observa-la. Ela tinha um trato delicado, gesto carinhoso, olhar contagiante e apaixonante. Entratanto, a rapariga abotoou o casaco em silêncio e exibindo sua dentadura branca cor de marfim, passou os braços na cintura do seu interlocutor abraçando-o calorosamente e, no fim, vagarosamente pousou a cabeça nas costas. Bacar sentiu o contacto de seio túrgidos; Um ligeiro arrepio correu-lhe o corpo abaixo, partindo da ponta dos cabelos até aos pés. Igonorou o sinal e com uma atitude ingénua, quis saber:

- Podemos ir?

- À vontade. – Respondeu a rapariga com uma voz enrouquecida.

A mota avançou e pouco-à-pouco a chuva abrandou. O trovão já ouvia-se longe e o coriscar do relâmpago via-se entre as nuvens escuras no horizonte longínquo.

- Desculpa pelo atrevimento. – Disse Bacar em “kimuane” meio embaraçado pela beleza excepcional da rapariga. – Como te chama?

- Muaziza.

- Belo nome...

- Obrigada.

- Moras em Kumissete há muito tempo?

- Acho que sim, pois, é há sensivelmente dez anos.

- Já é muito tempo.

- Pode ser.

- Gostei muito de ti. – Confessou Bacar “despido” de qualquer jeito romântico, atordoante e “cambaleante” à que muitos “patetas” nos habituaram.

A rapariga riu comovida pelas palavras do seu interlocutor; Fechou os olhos e abraçou forte o motociclista. Bacar sorriu feliz pelo sinal e continuou a acelerar a motorizada seguindo o asfalto. Passaram a zona do velho Ruela, atravessaram Kuparata, deixaram Kumilamba e na ponte da estrada da zona do Seabra e que parte do Mercado Municipal e termina em Kumissete, a rapariga questionou:

- Tu gostas de qualquer mulher que vês e apanhas na rua?

- Não. – Riu. – Só que tu não és qualquer...

- O que te garante isso?

- Não sei... mas dentro de mim algo me diz que não és qualquer mulher.

- Em que sentido, mais ou menos?

- Falo em termos de beleza.

- Ahããã...

- Que tinhas pensado?

- Nada!

- E quanto ao que te falei?

- Acho melhor deixarmos para amanhã.

- Posso ficar sossegado que a resposta será positiva?

- Penso que sim. E mais, de momento estou só e sinto que preciso de alguém especial... e se calhar és tu.

Os dois riram-se perdidamente e no fim, Bacar disse:

- Fico muito feliz em ouvir isso.

A rapariga não respondeu e Bacar continuou a conduzir a mota. Depois, em frente à um pequeno mercado, mesmo à entrada das primeiras casas de Kumissete, a mota parou e o jovem quis saber:

- Para que lado te levo?

- Óh, por aqui. – Apontou para um beco escuro que conduzia ao coração do bairro. Em seguida, acrescentou. – Estava tão distraida e que me esqueci de tudo.

A mota fumegou, a cremalheira reclamou e numa aceleração suave, arrancou enternando-se no bairro. Já no bairro as ruas estava desertas, o silêncio era incómodo e a chuva tinha parado, ficando apenas o gotejar lento e paulatino dos telhados de “macuti”. De vez enquando, ouvia-se do alto dos coqueiros um fraco grasnido de corvos espantados pelo vento.

- Podes parar alí! – Disse repentinamente Muaziza apontando para uma casa caiada.

A mota parou em frente da casa indicada. A rapariga desceu e Bacar desligou o motor questionando:

- É aqui onde moras?

- Sim.

- Com quem?

- Meus pais e dois irmãos mais novos.

Fez-se silêncio. Mas depois, Bacar quis saber:

- E quanto ao dia de amanhã, o que deverei fazer para te chamar?

- Não é amanhã é hoje.

- Sim, tinha me esquecido que é madrugada. – Sorriu levando as mãos à testa.

- Chegas aqui aceleras a mota três vezes e toca a buzina também as mesmas vezes.

- Tu vais sair?

- Sem problema.

- Teus pais não são... como direi, “chatos”?

- Não.

- Então, vejo-te amanhã as sete da noite.

- Tudo bem. – Muaziza sorriu tentando olhar o jovem nos olhos no meio da escuridão.

Bacar pôs a funcionar a mota. Muaziza deu dois passos atrás e de braços cruzados no peito esperou que o jovem avançasse. Acelerou a mota duas vezes, virou o volante e ao engatar a primeira mudança para avançar, o motor desligou-se.

- Estava me esquecendo de entregar-te o casaco. – Disse Muaziza fezendo movimentos para despir o casaco.

- Não precisa. – Apressou-se Bacar a dizer. – Podes ficar com ele agora e quando eu vier mais logo levo-o de volta.

- Não vai te fazer falta?

- Não, minha flor!

- Se tens certeza, então eu fico com o casaco e assim aproveito sentir o seu calor e cheiro durante o tempo que resta para amanhecer.

- Posso pedir-te alguma coisa? – Quis saber Bacar visivelmente excitado.

- À vontade, meu bem.

- Peço um beijo para certificar-me que não estou a sonhar.

- Não, não, não. – Disse a rapariga passando levemente o dedo indicador pelos lábios do Bacar. – Só depois quando me falares das tuas reais intenções...

- Não tem de quê! – Bacar encolheu os ombros e disse. - Concordo plenamente contigo, penso que mais logo é o momento ideal.

Pôs a mota a funcionar novamente, fez duas acelerações suaves e, despedindo-se da rapariga com um aceno de mão, arrancou mergulhando-se no escuro.

No entanto, ao amanhecer, Bacar foi a pesca na zona de Mussanja na companhia de amigos. Enquanto pescava, o jovem manteve-se meditativo durante muito tempo e cada vez que mergulhava nas profundezas dos seus pensamentos, lembrava-se da Muaziza: seus olhos esbugalhados, lábios vermelhos de “mulala”, sua face redonda e cheia, suas ancas e pernas fartas, seu jeito carinhoso, olhar contagiante e apaixonante. E assim foi até ao entardecer daquele dia.

Ao anoitecer, Bacar parou a mota à hora combinada em frente da casa caiada. Acelerou e buzinou as três vezes combinadas e depois, manteu-se a espera da saida da rapariga. Desligou o motor, apagou o farol e os farolins. Aguardou ansiosamente durante muito tempo e ninguém saiu. Os nervos subira-lhe à cabeça e lembrou-se do casaco. Buscou a coragem para entrar na casa e perguntar, mas logo hesitou. Desceu da mota e pôs-se a observar um casal de jovens que passava a sua frente. Esperou alguns minutos para ver se alguém saia da casa, mas nada! Reparou nas duas janelas da casa e viu a luz do cadeeiro e algumas sombras de pessoas desenhadas nas cortinas. Pensou rapidamente e institivamente deu dois passos à caminho da porta do quintal da casa. Nesse momento, uma rapariga, dos seus treze anos de idade, apareceu na porta e parou. Bacar aproximou-a e quase gaguejando, quis saber:

- É aqui onde vive Muaziza?

A rapariga assustou-se. Deu dois passos levando os braços ao peito e tropeçando no chão, saiu correndo para o quintal chorando aos berros. Admirado, Bacar voltou junto a motorizada. Tentou ligar o motor, mas logo a rapariga reapareceu acompanhada de um senhor que o interpelou.

- Sim. – Disse o senhor ofegante. – Em que lhe posso ser útil.

- Desejava falar com Muaziza. – Respondeu Bacar tremendo de medo.

- Estás a gozar connosco?

- Não, senhor.

O senhor suspirou, abanou a cabeça e questionou:

- Quem é o senhor?

- Um amigo da Muaziza.

Houve silêncio e dos quintais das casas vizinhas começaram a sair curiosos ávidos de inteirar-se das reais razões dos berros da rapariga. Depois de alguns instantes de silêncio tumular, o senhor prosseguiu cerimoniosamente:

- Ela morreu faz um ano e enterramos no cemitério familiar em Maringanha.

- É impossível! – Disse Bacar levando as mãos à cabeça. – Eu estive com ela ontem e lhe trouxe aqui.

- É impossível! – Repetiu o homem muito sereno. – Eu enterrei-a com estas minhas mãos. Ela adoeceu muito e morreu sete dias depois.

- Não acredito!

- Essa é que é a verdade, meu caro jovem.

Bacar girou pelos calcanhares e indagou-se:

- E o meu casaco?

- Que casaco? – Interrogou o homem que não devia ter mais do que sessenta anos de idade.

- Deixei-lhe o meu casaco porque me pareceu que estava com frio.

- Bom, talvez seja outra pessoa.

- Não pode ser outra pessoa. – Contradisse o jovem visivelmente transtornado. – Ela não tinha razões para me enganar...

- Diga-me, por favor, como era essa tal Muaziza que tanto falas. – Disse o homem pacientemente.

Rápidamente, Bacar pôs-se a descrever a rapariga e os vestes que trazia.

- É muito grave o que acabas de dizer. – Concluiu o homem. – A descrição é perfeita e os veste são os que a nossa Muaziza vestia no dia do enterro.

Houve novamente um silêncio. Depois, ouviu-se, nas varandas das casas vizinhas, o sussurar de vozes de curiosos admirando, sobretudo, o que Bacar acabara de narrar.

- Meu jovem! – Disse o homem olhando o interlocutor que se achava cabisbaixo e com ar meditativo. – Para deciparmos às dúvidas, o melhor é amanhã dirigirmo-nos à campa da nossa Muaziza...

- Concordo, plenamente.

Bacar arrancou a mota e mergulhou-se na escuridão da noite ausente de si. E já no dia seguinte, logo de manhã, os dois foram a campa da Muaziza e, curiosamente, Bacar, viu o seu casaco pousado no sepulcro e, sem mais, nem menos, caiu desmaiado.
- Allman Ndyoko (Francisco Absalão), 14/05/2009.

O Autor:

  • Francisco Absalão;
  • Nome artístico -Allman Ndyoko;
  • Nasceu em 11 de Abril de 1977 na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado em Moçambique;
  • Residência actual - Maputo.

E.mail's para contato:

Leia também:

  • "Os Leões do Diabo" - Um conto de Allman Ndyoko (Francisco Absalão) publicado no ForEver PEMBA em 18 de Abril de 2009 - Aqui!
  • "O Navio Ensombrado" - Um conto de Allman Ndyoko (Francisco Absalão) publicado no ForEver PEMBA em 13 de Fevereiro de 2009 - Aqui!
  • "O Incêndio" - Um conto de Allman Ndyoko (Francisco Absalão) publicado no ForEver PEMBA em 23 de Janeiro de 2009 - Aqui!
  • "O Suicídio" - Um conto de de Allman Ndyoko (Francisco Absalão) publicado no ForEver PEMBA em 02 de Junho de 2008 - Aqui!
  • "A Origem - Ou como surgiu o povo Makonde", texto de Francisco Absalão publicado no ForEver PEMBA em 29 de Março de 2008 - Aqui !
  • "O Turbilhão Lendário", texto de Francisco Absalão publicado no ForEver PEMBA em 24 de Outubro de 2007 - Aqui !
  • "O Nó Sagrado", um conto de Allman Ndyoko (Francisco Absalão) - publicado no ForEver PEMBA em 19 de Março de 2008 - Aqui !

5/15/09

Buscando no tempo lá pelo Douro: Uma formatura dos Bombeiros de 1965

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:

:: Em homenagem ao prof. Eurico Patrício.
Esta imagem é de 1965, o ano em que o Presidente da República Américo Tomás esteve de visita ao Quartel dos bombeiros de Peso da Régua.

Nela vê-se o ambiente de festa, o passeio encontra-se devidamente engalanado com uma passadeira de flores e, numa janela do Quartel, foi pendurado um retrato do Presidente do Governo, o Prof. António de Oliveira Salazar.

Mas, o destaque maior é para o Corpo de Bombeiros desse tempo sob o comando de Carlos Cardoso dos Santos, realçando os nomes dos bombeiros que, durante muitos anos, foram os únicos agentes de protecção civil do nosso concelho.

De uma importante geração de bombeiros voluntários, podemos ver homens nossos conhecidos, como António Martins, José Resende Dias, António Monteiro, Manuel Pinto, estes felizmente vivos, e ainda, José Matos, Francisco Ferreira, José Pinto, José Morais, José Macedo, José dos Santos, Bernardo Ferreira, José Morais e o Chefe José Clemente.

Este é mais um exemplo de grandes homens generosos que gostamos de lembrar, prestando-lhes um devido reconhecimento pelo trabalho que prestaram como bombeiros voluntários, ao mesmo tempo mostrando-os aos mais jovens como referência para lhe seguirem os seus passos.

Como forma de realçar a importância do ser bombeiro transcrevemos parte de uma crónica da autoria de um grande benemérito da Associação, o professor Eurico Patrício, intitulada “UM MEU ALUNO”, publicada em 6 de Maio de 1968, no jornal “Vida por Vida”:

“ Frequenta a 3ª classe o miúdo. Não é um aluno brilhante, excepcional, mas não é todavia um mau aluno.
No quartel dos nossos bombeiros soou há dia, forte como sempre, e a chamar os nossos briosos Soldados da Paz à sua humanitária missão, a atroadora sirene.
Como que pressentindo que algo de anormal se iria passar com o pequeno, observei-o dissimuladamente. A reacção habitual manifestou-se, mas desta vez mais forte, mais excitante e mais intimativa.
Eu, que quase adivinhava o que se passava no íntimo do Joaquim, é este o seu nome, para me certificar de que não me enganava, perguntei-lhe se estava doente, se sentia mal, se queria ir até lá fora. Que não, que estava bem, dizia-me ele. Dizia-o de boca, que a expressão e o corpo traíam-no sem ele o poder evitar.
Os outros miravam-no atentos e pairava no ar uma expectativa que os mantinha presos ao seu companheiro. Propus-me aproveitar o momento, que tão oportuno se deparava, e interroguei novamente o Joaquim:

- Que tens rapaz, pareces tão aflito?
- Nada sr. Professor, mas…é que eu gostava muito de ser bombeiro.

Que grande lição de amor ao próximo nos deu nesse dia o pequenito!
E eu, cuja missão é guiar crianças para no futuro serem homens (....) senti que a escola pode e deve (….) indicar-lhes o espinhoso, mas tão nobre caminho que os eleva acima de todos os egoísmos: o caminho que conduz as fileiras dos Bombeiros”.

O nosso obrigado ao amigo prof. Eurico Patrício, neste momento a viver um momento de grande dor, por mais esta sua grande lição de amor e generosidade aos seus amigos Bombeiros, brilhantemente contada no exemplo desse seu velho aluno, cujo exemplo nós gostaríamos que se repetisse mais vezes.
- Peso da Régua, Maio de 2009, José Alfredo Almeida.

- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:

  • O grande incêndio dos Paços do Concelho da Régua - Aqui!
  • 1º. de Maio de 1911 - Aqui!
  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Uma instrução dos bombeiros no cais fluvial da Régua - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui!
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

- Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição Virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!

5/14/09

Pemba no V Congresso das Mais Belas Baías do Mundo

(Clique na imagem para ampliar - Foto retirada do álbum de "Andre M. Pipa")

A baía de Pemba está representada no V Congresso das Mais Belas Baías do Mundo que amanhã inicia em Setúbal, Portugal, durante a qual vai ser oficial e definitivamente admitida naquele prestigiado clube a nível planetário, com a entrega do respectivo certificado, depois de ter sido aprovada a sua candidatura em Maio do ano passado, em resposta ao pedido feito no decurso do congresso anterior, realizado na Praia da Rosa, Estado de Santa Catarina, Brasil, em Outubro de 2007.

O congresso de Setúbal, segundo o clube e a Câmara Municipal daquela cidade portuguesa, será realizado sob o lema “Oceanos Que Nos Unem”, que na opinião dos organizadores pretende emprestar um contributo decisivo na afirmação do grupo das mais belas baías do mundo enquanto plataforma de conjugação de vontades de todos os continentes e povos na defesa e valorização dos oceanos na sua qualidade de património da humanidade.

“Os oceanos são também a marca mais forte na génese da cidade de Setúbal que por causa do mar aqui se criou e desenvolveu, permitindo o V Congresso do Clube das Mais Belas Baías do Mundo uma abordagem valorizadora das várias matérias de importância global, seja no domínio do conhecimento, das relações internacionais ou transacções económicas”, defendem os organizadores.

As 29 mais belas baías do mundo estarão, com efeito e segundo a organização, reunidas em Setúbal para uma reflexão conjunta e uma chamada de atenção mundial para o património e um futuro que a todos importa.

O programa na posse do “Notícias” refere que o congresso será aberto pelo presidente do Clube das Mais Belas Baías do Mundo, o francês Jerôme Bignon, acompanhado pelo Secretário de Estado do Turismo de Portugal, D. Bernardo Trindade e de Maria das Dores Meira, em representação das autoridades da cidade anfitriã.

Serão debatidos vários temas ligados à conservação e preservação dos oceanos, mas o dia 16, sábado, poderá vir a ser o mais importante para a delegação moçambicana ao congresso, se bem que está reservado para a assembleia geral e extraordinária do clube, durante a qual a baía de Pemba poderá ser formalmente admitida no Clube das Mais Belas Baías do Mundo.

Para representar o país em geral e muito particularmente a baía de Pemba já se encontram em Portugal o presidente do Conselho Municipal, Sadique Âssamo Yacub, acompanhado do presidente cessante, Agostinho Ntauale, de cujo mandato terminou com a candidatura daquela baía moçambicana ao Clube das Mais Belas do Mundo, sonho que será definitivamente concretizado no presente congresso.

Também estarão em Setúbal dirigentes associativos do “Cabo Delgado em Movimento” uma organização dos amigos e naturais de Cabo Delgado que tem pela frente o general Alberto Chipande, contando-se ainda a presença de nomes de João Carrilho, entre outros.

Alias, a candidatura de Pemba ao Clube das Mais Belas Baías do Mundo foi iniciativa desta associação, que procurou assessoria de muitos parceiros com o objectivo de colocar a baía naquele grupo cujo prestígio é largamente conhecido e que tem a chancela da Agência das Nações para Educação, Ciência e Cultura.

O congresso termina a 18 de Maio, data em que se saberá o país cuja baía organizará o próximo.
- Maputo, Quinta-Feira, 14 de Maio de 2009:: Notícias

- Alguns post's anteriores sobre a baía de Pemba:

  • BAÍA DE PEMBA - A mais bela entre as belas... 1 - 11OUT2007 - Aqui !
  • BAÍA DE PEMBA - A mais bela entre as belas... 2 - 11OUT2007 - Aqui !
  • BAÍA DE PEMBA - A mais bela entre as belas... 3 - 11OUT2007 - Aqui !
  • BAÍA DE PEMBA - A mais bela entre as belas... 4 - 11OUT2007 - Aqui !
  • BAÍA DE PEMBA - A mais bela entre as belas... 5 - 11OUT2007 - Aqui !
  • BAÍA DE PEMBA - A mais bela entre as belas II - 18OUT2007 - Aqui !
  • BAÍA DE PEMBA - A mais bela entre as belas III- Histórias e lendas - 20OUT2007 - Aqui !

Ronda pela net: Corpos de ébano retratados por Eric Corbel.

(Clique na imagem para ampliar)

Éric Corbel é um fotógrafo francês (nascido em 1961), radicado por opção na Ilha de Guadalupe (Caraíbas) onde se tornou conhecido por fotografar as mais belas mulheres da região.

Costuma utilizar, além do equipamento digítal fotográfico imprescindível, a natureza como estúdio e objetos simples tais como cobras coloridas, guarda-chuvas e tigelas para ornar as belas modelos nus, de tom tropical e africano que sobejam lá pela ilha e caracterizam a pujante perfeição e a graça da escultural mulher negra.

Alguns dos link's onde mostra seus trabalhos:

  • Les photos de Eric Corbel - Aqui!
  • Eric Corbel - Nu - Aqui!
  • Calendrier 2009 "Beauté des Iles" - Aqui!
  • Eric Corbel - Mon Book - Aqui

5/12/09

Buscando no tempo lá pelo Douro: O grande incêndio dos Paços do Concelho da Régua

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:

Este antigo retrato documenta o combate dos bombeiros ao grande incêndio, no último andar do edifico dos Paços do Concelho do Peso da Régua, no dia 5 de Abril de 1937.

Ele permite ver os pormenores do trabalho dos bombeiros no combate à extinção do incêndio que, teve como consequência para além, dos elevados prejuízos materiais, resultantes da destruição total do andar superior do imóvel, de bens móveis e muita documentação antiga, a perda de três vidas humana, todos funcionários a trabalharem em serviços dessa instituição.

Assistimos ao desenrolar da operação no telhado do prédio, sob uma nuvem de fumo, com os bombeiros a lançarem água aos destroços da cobertura das águas furtadas, onde as chamas teriam deflagrado e rapidamente se haviam propagado a outras partes deste magnífico edifício público, até hoje a servir de “paços do concelho”, adquirido pela vereação liderada pelo Dr. Joaquim Claudino de Morais, em 1876.

Destaca-se no sinistro, o foco do incêndio circunscrito ao último andar e a acção dos corajosos bombeiros do Peso da Régua, que utilizaram duas linhas de mangueiras, ligadas já as bocas da rede pública, desforradeiras para retirar as telhas, uma manga de salvamento de pessoas e, para o escalonamento, uma “escada portuense” (quatro lances que se encaixam até uma altura de 12 metros).

A salvaguarda das vidas das vítimas num incêndio urbano constitui a primeira prioridade num plano estratégico de intervenção de qualquer Corpo de Bombeiros. Este do edifício dos Paços do Concelho, devido à violência da explosão, com que se iniciou, não lhes permitiu o sucesso de evitarem perdas humanas.

Mas, o plano de acção montado pelos patrões Álvaro Rodrigues da Silva e António Guedes Castelo Branco (receberam um louvor que consta da histórica Ordem de Serviço nº 20, de 10 de Abril de 1937, assinada pelos 1ª e 2º Comandantes), que comandavam os bombeiros no salvamento e ataque ao fogo, prova os conhecimentos dos manuais de instrução e, sobretudo, a sua grande experiência, ao iniciarem logo que chegaram ao local, os trabalhos pela extinção do incêndio.

Esta imagem regista o traçado antigo da rua Serpa Pinto, onde se situa o edifício dos Paços do Concelho e, mesmo à sua frente, o desaparecido Jardim Alexandre Herculano. Foram as suas condições amplas e a vizinhança com a rua do Quartel que permitiram o acesso fácil e rápido aos equipamentos dos bombeiros (daí que não tenham levado os carro de pronto-socorro), as suas primeiras intervenções e as manobras de salvamento, pela fachada principal do edifício público atingido.

Este incêndio teve destaque na primeira página do semanário “Noticias do Douro”, edição do dia 8 de Abril de 1937, que com o título “O incêndio dos Paços do Concelho da Régua”, dava a notícia, desta forma circunstanciada:

“Na segunda -feira, perto das 15 horas, a Régua foi alarmada com a notícia de que, devido a uma explosão, estava a arder o último andar dos Paços do Concelho.
O perigo iminente que corriam as pessoas que, surpreendidas pelo sinistro da parte superior daquele edifício, havia já saltado para o telhado, provocava gritos aflitivos da multidão que rapidamente se juntava nas imediações da Câmara Municipal (…)

Esses gritos ainda alarmavam mais as pessoas em perigo, e impediam que em baixo lhe dessem indicações (…) para se defenderem das chamas que iam tomando conta da cobertura do edifício.

A explosão deu-se num compartimento onde estavam os empregados municipais José Artur de Seixas, Ângelo Correia, Manuel Loureiro e Manuel Gonçalves, mais conhecido por “Manuel Ceguinho”.

Este último, que parece ter sido o causador involuntário da explosão, foi, depois de dominado o incêndio, encontrado completamente carbonizado.
O primeiro e o Manuel Loureiro foram arremessados pela escadas (…) extensas queimaduras considerado muito grave o estado do segundo deles.

Quanto ao picheleiro Ângelo Correia, por pouco não resvalou para a beira do telhado, valendo-lhe Octávio da Silva (…) e que, encontrando-o ao procurarem fugir, evitaram a sua queda para o lado da Alameda (…) O seu estado é muito grave, havendo poucas esperanças de que se salve, devido à extensão de pele que perdeu.

Uma senhora (…) foi salva por um indivíduo que trepou por uma esquina do edifício da câmara, utilizando os ornatos de cantaria para se agarrar, e que abriu uma fenda no telhado do corpo mais baixo desse edifício, por onde a fez descer até uma dependência da Secretaria Municipal.

O Sr. Administrador do Concelho e outras pessoas que estavam perto dele, entre elas o menor José Félix, que ficou bastante ferido, tiveram de descer por um pontalete dos fios telefónicos.

Entretanto chegaram os bombeiros da Régua que montaram o ataque ao incêndio.
Uma meia hora depois chegavam também uma viatura dos bombeiros de Lamego a atacar o incêndio e mais tarde uma outra, ficando os bombeiros da Régua a atacar o incêndio principalmente pela frente e os de Lamego pelo lado da Alameda.

Uns e outros portaram galhardamente. Dentre os bombeiros da Régua distinguiram-se Claudino Clemente e João Bonifácio Júnior.

Vieram também bombeiros de Vila Real, acompanhados de excelente material, mas quando chegaram já o incêndio estava dominado.”


A imagem deste fogo faz do tempo uma linha de continuidade da vida e marca um acontecimento histórico: no meio da tragédia humana, os murmúrios da cidade, a demarcar-se nos contornos telúricos das vinhas erguidas em incontáveis socalcos, da “paisagem cultural evolutiva e viva”, prolongam-se nas margens do Salgueiral, embelezadas pelas serenas aguas da bacia do rio Douro.
- Peso da Régua, Maio de 2009, José Alfredo Almeida.

- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:

  • 1º. de Maio de 1911 - Aqui!
  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Uma instrução dos bombeiros no cais fluvial da Régua - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui!
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

- Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição Virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!

5/11/09

Diversificando: Sons belos de Moçambique sob o sol do imenso mar azul de Pemba:



:: Music video of mozambican superstar Lizha James, filmed in Pemba ::
  • Belas e inéditas imagens de Pemba - Aqui!