6/12/09

Ronda pela net: Aprendendo e ensinando HISTÓRIA!

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui)

Um dos "milagres" generosos e franqueados a todos pela net, chamado Instituto de Investigação Científica Tropical - IICT, permite nos embrenhemos num absorvente mundo de informação/aprendizado sobre o passado colonial português e o quanto está a ser legado às novas gerações dos jovens países hoje com vida independente e própria.

Segundo a Wikipédia, "o Instituto de Investigação Científica Tropical - IICT é um laboratório de Estado do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior com sede no Palácio Burnay, na Rua da Junqueira, Lisboa, Portugal, que se dedica ao Saber Tropical.

Tem origem na Comissão de Cartografia criada em 1883 e é dirigido, desde 2004, pelo Professor Jorge Braga de Macedo.

O IICT tem por missão o apoio científico e técnico à cooperação com países das regiões tropicais, em particular da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, desenvolvendo a investigação interdisciplinar, aumentando a capacitação em ciência e tecnologia (C&T) nos países-alvo e promovendo o acesso ao seu património histórico e científico.

Desenvolve investigação científica nas áreas das Ciências Humanas e Ciências Naturais e tem como principais prioridades acompanhar o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e disponibilizar digitalmente o seu vasto património histórico e científico aos países da CPLP.

São também objectivos do Instituto fomentar quer o intercâmbio e a cooperação com outros organismos ou instituições de Ciência e Tecnologia (p.ex. o Centro de Estudos Africanos, quer a capacitação em C&T de quadros necessários às actividades de cooperação com países-alvo e manter, através das novas tecnologias de informação e comunicação, bases de dados sobre as suas actividades de C&T."

Pois é, não percam, "explorem" ou "naveguem" com tempo se gostam do tema... Estudem :)) e divulguem para podermos ajudar a preservar a História em todas as suas nuances, sem distorções políticas convenientes de momento.

- Alguns link's interessantes e didáticos:

  • Instituto de Investigação Científica Tropical/Digital Repository - Porto Amélia - Aqui!
  • Instituto de Investigação Científica Tropical/Digital Repository - Moçambique - Aqui!
  • Missões e Expedições Portuguesas em África - Final do Séc XIX Início do Séc.XX/Do Processo Fotográfico à Conservação e Restauro - Aqui!
  • Conferência: Elite colonial na América Portuguesa: um estudo de caso a partir da documentação do AHU. Pernambuco, séculos XVII e XVIII - Aqui!
  • Ciclo de Conferências/Debates «Império português de Antigo Regime: características estruturantes e papel da pequena nobreza» - Aqui!
  • Memória de cinco séculos da presença de Portugal no Mundo (Video) - Aqui!
  • Centro de Estudos Africanos - Aqui!
  • Biblioteca Central de Estudos Africanos - Aqui!
  • Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto - Aqui!
  • AEGIS - Rede Europeia de Estudos Africanos - Aqui!

6/10/09

Sem palavras transcrevo palavras... Ainda GLÓRIA DE SANT'ANNA

Clique na imagem para ler o texto impresso do "Jornal de Válega", edição do dia 8 de Junho de 2009, escrito por Jacinto Guimarães.

Válega continua de luto. Assim como muitos de nós!

6/08/09

Buscando no tempo lá pelo Douro: A bênção da bandeira.

(Clique na imagem para ampliar)
Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:

Esta imagem de 29 de Novembro de 1959, da autoria do fotógrafo reguense Baía Reis, assinala a cerimónia da bênção de uma nova bandeira da Associação dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua que se realizou na Igreja Matriz com a bênção do distinto pároco Dr. Avelino Branco, acolitado pelo senhor José da Silva Pinto (filho do benemérito que mais tarde abraçou o sacerdócio e foi um dos fundadores da vizinha Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fontes), por ocasião das comemorações do 79º aniversário da instituição.

Esta bela bandeira que, se encontra guardada no Museu da Associação (também visitável em: http://www.museudodouro.pt/exposicao_virtual/BVRegua.html), foi oferecida, com veneração aos bombeiros da Régua, por uma figura muito conhecida e carismática no Peso da Régua, o senhor Manuel Pinto, – temos uma fotografia sua que aqui mostramos em sua homenagem - já falecido, residente na freguesia de Canelas que, segundo sabemos, a essa data, se encontrava emigrado na Venezuela.

Pode ver-se, através desta imagem, que a bandeira é transportada pelas mãos de um grande bombeiro, o Chefe Joaquim Laranja e é agarrada numa das pontas pela madrinha do acto, a bonita menina Maria Celeste da Silva Pinto (actualmente emigrada em Inglaterra), uma filha deste nosso benfeitor. Em sua volta, encontram-se presentes vários cidadãos, ainda nossos conhecidos, que assistiam a esta singela cerimónia.

A bandeira é o símbolo máximo da Associação que a representa em todas as sessões solenes, desfiles de bombeiros, cerimónias oficiais, funerais de todos aqueles que estiveram a serviço desta nobre causa e ainda nas mais importantes festividades religiosas, como é o caso da procissão solene em honra de Nossa Senhora do Socorro, a quem os Bombeiros da Régua prestam homenagem e devoção.

Na bandeira estão todas colocadas as condecorações atribuídas a esta Associação e ao seu Corpo de Bombeiros, das quais destacamos as seguintes:

O grau de Cavaleiro da “Ordem da Benemerência” (1930), o grau de Oficial da “Ordem da Cruz de Cristo” (1931), o título de membro Honorário da “Ordem do Infante D. Henriques” (1984), o Crachá de Ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses (1980), a Medalha de Honra da Câmara Municipal de Peso da Régua (1989), a Medalha, de Ouro de 2 estrelas (1977) da LBP, a Medalha de Mérito de Mérito, de grau Ouro da Federação dos Bombeiros do Distrito de Vila Real (1980) e ainda os Louvores da Câmara Municipal do Peso da Régua, Câmara Municipal de Armamar e do Governo (1904 e 1931).

Para além destas mercês honoríficas, destaca-se ainda o título de “REAL ASSOCIAÇÃO” que foi concedido à Associação pelo Rei D. Luís I, em 1882, - dois anos após a sua fundação -, designação que adoptou ainda durante alguns anos.

Esta importante distinção régia, apenas atribuída a algumas associações no nosso país, testemunha a grande importância que os bombeiros do Peso da Régua sempre tiveram.
Por fim, é de salientar que as associações humanitárias dos bombeiros voluntários de Ermesinde, de Cheires (Alijó) e da Figueira da Foz concederam à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua, o honroso título de “SÓCIA HONORÁRIA”.
- Peso da Régua, Junho de 2009, José Alfredo Almeida.
- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:
  • Comandante Lourenço de Almeida Pinto Medeiros: Fidalgo e Cavaleiro dos Bombeiros da Régua - Aqui
  • A força do voluntariado nos Bombeiros - Aqui!
  • A visita do Presidente da Républica Américo Tomás - Aqui!
  • Uma formatura dos Bombeiros de 1965 - Aqui!
  • O grande incêndio dos Paços do Concelho da Régua - Aqui!
  • 1º. de Maio de 1911 - Aqui!
  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Uma instrução dos bombeiros no cais fluvial da Régua - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

- Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição Virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!

6/05/09

Casa de Cultura de Cabo Delgado, no bairro de Cariacó, na cidade de Pemba.

Diz o Notícias/Maputo do último dia 3Jun:

""Foi fácil perceber que havia graves problemas de liderança e de pensamento na Casa de Cultura de Cabo Delgado, no bairro de Cariacó, na cidade de Pemba. Se bem que até Outubro do ano passado aquelas instalações não passavam de um conjunto de infra-estruturas, sem acção que se assemelhasse a um propósito formativo ou informativo concebido, para além das esporádicas exibições de grupos culturais, mas ao sabor de datas oficialmente apontadas como se tratasse de efemérides a celebrar. Era mais casa de dança do que verdadeiramente de cultura, um conceito que vai para além daquela manifestação cultural.

Chegou-se a pensar que havia falta de vontade política por parte da estrutura que superintende a instituição, nomeadamente, a Direcção Provincial de Educação e Cultura, bem como as infra-estruturas que já haviam começado a apresentar um panorama que deixava dó em quem precisa daquele local para a sua real atribuição.

Saído duma recente formação e trazendo uma experiência em gestão de anos à frente do Departamento da Administração e Finanças da sua Direcção Provincial da Educação e Cultura, o jovem Cesário Valentim pegou nas rédeas com uma diminuta equipa e fez o diagnóstico do sector. E descobriu que muito há por fazer para que aquele espaço se chame realmente Casa de Cultura, muito mais quando se quer dar o rótulo de provincial.

Do trabalho resultou uma matriz de actividades que potencia cinco pilares, conforme o director da Casa de Cultura aponta: “o primeiro grande problema reside nos recursos humanos, para o que nos propomos a formar os poucos existentes para que sejam capazes de fazer acontecer as coisas”.

Na verdade, a Casa de Cultura de Cabo Delgado dispõe de apenas três funcionários e a estratégia foi pegar neste diminuto número e dar-lhe competências que já estão a dar os primeiros frutos, ao exemplo do funcionamento pleno da iniciação artística (dança, música, pintura e outras artes).

Estão actualmente inscritas 300 crianças inscritas para frequentar a Casa de Cultura de Cabo Delgado, onde aprendem e aperfeiçoam diversas modalidades culturais.

SEDE DE EVENTOS - O segundo pilar referenciado por Cesário Valentim está no calendário de eventos, que acabam sendo responsáveis por também recrear sobretudo aos jovens sedentos de actividades que ao mesmo tempo eduquem e trazem momentos de lazer.

“Queremos essencialmente ocupar os jovens com debates à volta de temas da actualidade para influenciá-los a terem a cultura de falar de coisas úteis. Como sabe, o número de jovens em universidades está a crescer e é cada vez mais necessário que eles se ocupem nesse tipo de convivência, também para a sua formação e autoformação. O último foi relacionado com o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (3 de Maio), que foi muito bem acolhido”.

Por outro lado, e já no que o director da Casa de Cultura chama de terceiro pilar, estão projectos de desenvolvimento infraestrutural de curto, médio e longo prazos. Presentemente e no curto período de tempo à frente daquela instituição, já foi concluído o bloco administrativo, que vai acolher gabinetes para os diferentes departamentos, estando a atrasar a sua utilização porque se espera pelo fornecimento do mobiliário, cujo concurso já foi lançado.

O bloco foi financiado pelo governo provincial e agora a equipa de Cesário Valentim pensa no passo seguinte, nomeadamente, a construção de um palco coberto, um bloco de três salas de aulas e um módulo de casas de banho adjacentes, para o que, igualmente, se acha disponível o financiamento, no valor de quatro milhões de meticais, proveniente da mesma fonte.

“E já estamos a pensar em 2010, ano em que pretendemos vedar a parte frontal da Casa de Cultura e a reabilitação da tribuna, cujas negociações nos dão indicações de que estejamos no bom caminho”.

Em paralelo terá que ser pavimentado o recinto frontal onde, de há uns meses para cá, tem funcionado uma feira dominical de artesanato, que acolhe muitos trabalhos de arte, incluindo de fazedores vindos dos distritos, que domingo a domingo se deslocam ao bairro de Cariacó, onde funciona a Casa de Cultura.

Informação e divulgação da cultura de Cabo Delgado, por via da promoção das feiras de artesanato, que devem ser permanentes, é outra actividade que vai ser complementada pela exposição da gastronomia local, mas para que a instituição seja uma fonte de quase toda a informação cultural da província, segundo o director da Casa de Cultura, urge sistematizar a riqueza cultural existente, a partir duma pesquisa que está já a dar os seus primeiros passos.

“Nós queremos transformar a Casa de Cultura em armazém de toda a informação sobre a cultura em Cabo Delgado, a partir donde se encontra toda a informação da província, sobre cada distrito. Neste momento há três quadros a fazer pesquisas em três distritos e até ao fim deste ano queremos arrumar a informação de pelo menos seis distritos, nomeadamente Quissanga, Metuge, Chiúre, Namuno, Montepuez e Mueda”.

CULTURA PARA PROMOVER TURISMO - Cesário Valentim sonha também em tornar a Casa de Cultura numa referência também por causa do turismo cultural. Vai-se, portanto, ter a informação completa e assim se poderá promover melhor o turismo cultural, porque estará disponível um lugar onde quem quiser vai buscar a informação sobre cultura na província, mesmo a partir da capital provincial.

Vai ser um trabalho aturado, mas ao mesmo interessante do ponto de vista intelectual, partindo do princípio de que quase a totalidade dos distritos possuem um manancial de informação necessário e que necessita de preservação.

Para exemplo, o primeiro distrito que a equipa de pesquisa da Casa de Cultura Provincial de Cabo Delgado, escolheu é Quissanga, situado na zona central da província, com 2.060 quilómetros quadrados, onde as principais actividades económicas são a pesca, agricultura, pecuária e produção de sal e dança-se dikiri, kirimo, limbondo, baleto, shimbambanda, makusanya, mapiko, nampapara, makorokoto, bampi, nchaíla, rumba, herekeze, ekola e nihere e a população é, como em Palma, eximia na arte de fabricar esteiras de palha.

Há em Quissanga locais históricos, como seja as báswara (residências dos primeiros habitantes locais), o fortim de Quisssanga, mesquita central, considerada o templo muçulmano mais antigo no norte de Moçambique, construída em 1650, aldeia Nraha e a Lagoa Bilibiza, alguns destes lugares são sagrados.
- Maputo, Quarta-Feira, 3 de Junho de 2009, Notícias, Pedro Nacuo.

6/03/09

GLÓRIA DE SANT' ANNA: UMA REFERÊNCIA CULTURAL DE CABO DELGADO

(Clique na imagem para ampliar. Um pouco na penumbra, podemos vislumbrar a também já falecida poetisa moçambicana Noémia de Sousa)

Com o seu passamento, perdeu-se uma muito ilustre e incansável estudiosa que muito trabalhou para divulgar, especialmente, através da poesia, as memórias das gentes e terras de Cabo Delgado, que muito amou.

Para além de Porto Amélia, hoje, Pemba, dedicou especial atenção às Ilhas de Querimba, com especial relevo, para a histórica ilha do Ibo, que visitou inúmeras vezes, para melhor se informar sobre a sua realidade sociocultural.

Recordo, com saudade algumas dessas suas visitas destinadas à recolha de algumas lendas e tradições, e, como a minha homenagem e, em sua memória, seja-me permitido que do seu livro "Algures no tempo" extraia o poema Quirimbas, dedicado a Ingamo Moja, geronta mwane, que então entrevistou, na ilha do Ibo, em 1969:

QUIRIMBAS
A Ingamo Moja(1)

tranquila
índicas nos véus do tempo
guardam faces
de verdes olhos
e em segredos
de transparentes mantos
falam de búzios e oiro
e dos necangas
contam histórias
da história de memória
e vestem-se de lendas
e de encantos.

(1) Mulher velha do Ibo, de uma beleza intensa. As feições, os olhos profundos, tudo emana um denso magnetismo de mistério e sabedoria. (p.26)

No seu livro "Ao Ritmo da Memória" que nos relata a dita visita, Glória de Sant'Anna, fornece-nos um excelente perfil da sua ilustre entrevistada:

"... ... ... ... E entra na sala uma mulher velha vestida de panos de tons escuros. Usa um lenço do mesmo tecido, posto como um turbante leve com uma ponta caída.

É Ingamo Moja.

Magra, pequena, de malares levemente marcados, de uma beleza deslumbrante que se concentra nos olhos rasgados para as fontes, profundos, que de repente me parecem claros. Nariz perfeito. Boca firme e de contorno alongado. pele de cor de cobre escuro.

Uma presença calma, de ínicio vagamente desconfiada e desdenhosa, mas imediatamente tornada uma personalidade forte e cativante de que recolho sem saber porquê, uma ternura súbdita." (p.24)

Termino estes breves, mas sentidas notas, enviando a seus filhos e demais familares os nossos sentidos pêsames.
Que Deus tenha em descanso a alma da nossa querida poetiza e amiga Glória de Sant'Anna.
- Carlos Lopes Bento, Almada - Do blogue "São Paulo o Colégio", 03 de Junho de 2009
  • Quirimbas o Paraíso - Aqui!
  • Glória de Sant'Anna - Aqui!

Buscando no tempo lá pelo Douro - Comandante Lourenço de Almeida Pinto Medeiros: FIDALGO E CAVALEIRO DOS BOMBEIROS DA RÉGUA

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:
.
Datada de 13 de Fevereiro de 1955, esta imagem documenta um momento feliz na vida do comandante Lourenço de Almeida Pinto Medeiros (1949-1959): o dia em que foi agraciado pelo governo com a comenda de cavaleiro da Ordem da Benemerência.

A cerimónia de entrega desta grande condecoração a tão insigne personalidade – que galardoa o mérito civil em geral, manifestado no exercício de funções públicas e por actos de natureza beneficente – realizou-se no salão nobre da Câmara Municipal do Peso da Régua, numa sessão solene, sob a presidência de Manuel Alves Soares, presidente da edilidade, e que foi assinalada pela presença de bombeiros, directores e muito dos seus melhores amigos.

Com alegria estampada no seu rosto, a imagem regista o instante seguinte a esse acto, o regresso ao quartel do Comandante, já com o colar ao peito, acompanhado pelos directores da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua (AHBVPR), dr. Júlio Vilela, -distinto advogado e saudoso presidente da instituição - Noel de Magalhães e Teófilo Clemente, para além de outras personalidades locais que muito estimavam o homenageado.

Esta célebre consagração ao comandante completa uma parte da história da Associação que faz do seu passado uma ponte indispensável para entender o presente e melhor projectar o seu futuro, seguindo os princípios dos fundadores que se resumem num objectivo constante para todos: torná-la cada vez maior e mais eficiente nas missões de socorro.

O exemplo deste notável comandante revela a nobreza do seu carácter, o qual legou o melhor do seu esforço, da sua abnegação e sacrifício ao Corpo de Bombeiros da Régua, durante 63 anos da sua vida. Dizendo melhor: dedicou toda a sua vida aos bombeiros da Régua, onde por sua vontade desejava morrer, ao lado dos seus homens, num humilde quarto do quartel.

No seu livro “Pátria Pequena”, o escritor João de Araújo Correia na crónica intitulada “Delicadeza”, de Dezembro de 1959, esboça-lhe este invulgar retrato:

“Faleceu a 12 do corrente, nos subúrbios desta vila, um homem delicado. Melhor dizendo, faleceu a 12 do corrente, nos subúrbios desta vila, um homem que exerceu, durante mais de oitenta anos, a delicada arte de ser delicado.

Parece que o exercício dessa função espiritual o conservou moço até ao limiar da cova. Tinha oitenta anos como se tivesse apenas cinquenta, mas, direitos e elegantes como guias de salgueiro.

Toda a gente sabe ou advinha que o nosso morto é o Lourenço de Almeida Pinto Medeiros, o Lourenchinho, como lhe chamávamos todos, consoante o uso no Norte. O inho, entre nós, não é mau signo de equívoca personalidade, é tributo que se paga em moeda de afectivo respeito, a um homem que o mereça.

O Lourenchinho, reguense nato, inteligência circunscrita a ideias intramuros, coração transbordante de paixões locais, Bombeiros e Festas do Socorro, foi excepção na Régua devido à sua ingénita delicadeza.
Por esse motivo, além de outros, faz imensa falta a este burgo comercial, tão atarefado, que não considerou que cortesia é sinal de civilização.

Terra que não saiba cumprimentar, que não perdoe pequenas fraquezas a naturais e estranhos, que não dissolva mesquinhos ressentimentos, não vença a iníqua antipatia que lhe inspiram os melhores filhos, é terra de esboço colonial de provável povoação.

É tempo de a Régua se orgulhar de cidadãos polidos como o Lourenchinho. Ele e poucos mais, que felizmente por aí ficaram, uns ricamente vestidos, outros pobremente vestidos, provam que a Régua não é árida de cortesia como a pintam os seus hóspedes mais sensíveis.

O Lourenchinho, foi fidalgo de natureza, que é maneira menos falível de ser fidalgo”
.

O escritor duriense, como mais ninguém o fez, deixou-nos este elogio de uma personalidade forte e singular, que se notabilizou pelos seus valores éticos e morais.

A sua entrega e dedicação em prol dos outros durante a sua existência são comoventes. Não admira que este homem, a quem haviam chamado de fidalgo de natureza, tenha sido consagrado como um cavaleiro da benemerência. Esse reconhecimento, só por si, faz que o seu exemplo de vida constitua uma excepcional referência para todos os bombeiros.

Seguindo de perto aquelas palavras escritas em sua homenagem devemos acrescentar: o comandante Lourenchinho não só honra a história dos bombeiros da Régua como, acima de tudo, permanece vivo na memória colectiva das sucessivas gerações.

Como recorda o ilustre escritor ainda nessa sua crónica: “É tempo de a Régua se orgulhar de cidadãos polidos como o Lourenchinho”. E, a melhor maneira de mostrar orgulho por ele, quando vão passar cinquenta anos depois da sua morte, seria de atribuir o nome do “Senhor Lourenchinho, o Senhor Comandante dos Bombeiros da Régua” – como era conhecido no seu tempo – a uma nova rua da cidade.
Honrando o comandante, homenageamos o cidadão, filho da terra, delicado e generoso que, em mais de meio século da sua vida, se dedicou a servir a Régua, como “fidalgo” e “cavaleiro” dos bombeiros.
- Peso da Régua, Maio de 2009, José Alfredo Almeida.
- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:
  • A força do voluntariado nos Bombeiros - Aqui!
  • A visita do Presidente da Républica Américo Tomás - Aqui!
  • Uma formatura dos Bombeiros de 1965 - Aqui!
  • O grande incêndio dos Paços do Concelho da Régua - Aqui!
  • 1º. de Maio de 1911 - Aqui!
  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Uma instrução dos bombeiros no cais fluvial da Régua - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui!
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

- Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição Virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!