7/01/09

Cabo Delgado: Tanzanianos exploram madeira ilegalmente

Ronda pela net - Moçambique para Todos de 30/06/09:

Por Afonso Alberto, em Cabo Delgado - Tal como ocorre em outros pontos do país, a exploração de recursos florestais em Cabo Delgado, sobretudo a madeira, tem como base de sustentação diversas ilegalidades cometidas por operadores estrangeiros com a cumplicidade dos nacionais. Um levantamento feito recentemente pela Justiça Ambiental (JA) apresenta cidadãos de nacionalidade tanzaniana como os que mais exploram e exportam a madeira de forma ilegal. Nangade e Mueda, a norte da província, são os distritos mais devastados pelo saque.

Entre outras ilegalidades, o levantamento aponta para o corte excessivo - acima de 10 por cento da licença paga -, transporte de madeira sem guia de trânsito, corte sem licença, exploração de madeira de primeira classe em toros e a contratação ilegal de trabalhadores estrangeiros (provenientes do Ghana, Israel, Somália e China).

Na vertente da contratação ilegal de mão-de-obra estrangeira, destacam-se grandes empresas exploradoras de madeira, nomeadamente a Tieni, Madeira Alaman, MOFID, Wood Export e MITI.

A prática de actos de corrupção envolvendo alguns funcionários do Estado - entre dirigentes e técnicos no activo e passivo -, operadores florestais e alguns líderes tradicionais na facilitação da aquisição de licenças de exploração, acesso a novas áreas para corte e transporte de madeira, através de pagamentos em valores monetários, tráfico de influências e troca de favores são outras ilegalidades notórias na gestão da silvicultura na nortenha província moçambicana.

Fronteira desguarnecida - De acordo com a JA, os operadores exploram as limitações e constrangimentos de ordem institucional que o Estado enfrenta na administração do seu território. São disso exemplo os aproximadamente 250 quilómetros de fronteira desguarnecida (desde a foz do rio Rovuma à confluência com o Lugenda) e o facto de o sector florestal não possuir fiscais em número suficiente para manter a fiscalização em todas as áreas.

São no total 32 fiscais em toda a extensão da província. Aliás, a exploração ilegal da madeira por supostos cidadãos de origem tanzaniana é do domínio das estruturas competentes, nomeadamente as administrações distritais de Nangade e Mueda, serviços distritais de Actividades Económicas, tropa guarda-fronteira, incluindo estruturas do nível provincial. Contudo, devido à falta de recursos humanos e materiais nada está sendo feito com vista a minimizar o problema.

Enquanto isso, diz o levantamento, os infractores cortam a madeira nas zonas fronteiriças de Nangade e Mueda e escoam-na, atravessando o Rovuma, para Tanzania.

Outro ponto levantado pela JA é que os planos de maneio não estão acessíveis ao público e não são divulgados ao nível dos distritos, tornando impossível para os fiscais e as comunidades verificar se os mesmos estão ou não a ser seguidos.

Informações colhidas junto dos serviços distritais de Actividades Económicas apontam para uma inexistência de troca eficiente de informações entre elas e a direcção provincial de Agricultura, sobretudo no que se refere ao estágio de cobrança das multas aplicadas nos autos de notícias, assim como sobre as sanções aplicadas nas empresas infractoras.

Ecossistema ameaçado - O trabalho da JA conclui que o ecossistema florestal de Cabo Delgado, apesar de vasto e diversificado, encontra-se actualmente ameaçado pelos complexos padrões das actividades humanas. A interacção entre o corte ilegal e insustentável, combinada com as queimadas descontroladas põe em perigo a sustentabilidade florestal da província. Ainda não há reflorestamento nas zonas exploradas, sobretudo as concessionárias das espécies nativas.

Outro problema das florestas de Cabo Delgado está relacionado com o corte excessivo de árvores de grande porte. Essas árvores desempenham papel importante no balanço ecológico das florestas, sendo a sua presença muitas vezes vital para a manutenção de um ecossistema saudável.
- Savana, 26.06.2009.

6/30/09

Governador de Manica dá ultimato a desmandos de estrangeiros

Ronda pela net - Imensis de 30/06/09:

O Governador de Manica, Maurício Vieira, instou semana passada aos estrangeiros residentes no distrito de Manica a respeitarem as leis e as instituições moçambicanas e ameaçou com medidas duras contra aqueles que não abandonarem os desmandos e continuarem a viver em desarmonia com os princípios legalmente estatuídos na República de Moçambique.

`No que se refere à política externa, a Constituição da República de Moçambique consagra o princípio de solidariedade com os outros povos. Porém, que fique claro que nesta convivência, queremos harmonia entre os moçambicanos e os estrangeiros, queremos que respeitem as leis e os cidadãos moçambicanos e não abusem da pobreza destes para humilhá-los na sua própria terra´ – disse o governador, num encontro com os estrangeiros residentes na cidade de Manica.

`Falta apenas uma gota para o copo transbordar. Estamos saturados. Eu próprio, governador, vim aqui para vos dizer que estou preocupado com as vossas falcatruas. Demos tempo para pensarem, reunimo-nos convosco para vos consciencializar. Se não mudarem usaremos as leis para repor a ordem e a tranquilidade aqui na cidade´ – advertiu-lhes o governador, visivelmente agastado.

No distrito de Manica, limítrofe com o Zimbabwe, prolifera um sem-número de estrangeiros provenientes de quase todos os países africanos, que se deslocam àquela cidade à procura de recursos minerais como ouro e diamantes e para realizar uma infinidade de negócios, muito dos quais ilícitos.

Estatísticas oficiais indicam a presença em Manica de estrangeiros de origem nigeriana, somali, senegalesa, mauritana, maliana, congolesa, serraleonesa, gambiana, zambiana, sul-africana, zimbabweana e de outros provenientes de Guiné-Conacry e Guiné Equatorial.

De fora do continente estão em Manica libaneses, franceses e belgas, dos continentes asiático e europeu, respectivamente.

Dados oficiais apontam para 108 o número de estrangeiros legalmente estabelecidos em Manica, mas informações avançadas por fontes diversas indicam a presença naquela urbe de mais de cinco mil estrangeiros, na sua maioria libaneses, zimbabweanos e nigerianos, os quais, com o pretexto de realizar negócios, cometem uma série de ilegalidades, desde contrabando de minérios preciosos como ouro, diamantes e turmalinas de diversas espécies, drogas, negócio transfronteiriço ilícito, entre outras transacções consideradas `sujas´.

Durante a sua permanência no distrito, para além dos referidos negócios ilícitos, violam sexualmente crianças, incentivam a prostituição através de cenas de pornografia envolvendo raparigas de tenra idade, praticam uma série de contravenções e transgridem as regras de trânsito automóvel, circulando à alta velocidade na cidade, desrespeitando as leis, regulamentos comerciais e migratórios, cometem poluição sonora nas suas casas ou através das suas viaturas, entre outras irregularidades.

Para além disso, e no tocante aos estrangeiros de cor branca, há registo de situações de racismo nos jogos praticados no Pavilhão dos Desportos da cidade, restrigem a nacionais o acesso a alguns serviços de restaurantes e bares, impedem o consumo de álcool em locais não proibidos, não permitem a entrada em casas que arrendam, dos seus arrendatários, remodelam a estrutura arquitectónica para conformá-la aos seus gostos, superlotam casas, danificando-as, e criam uma série de problemas na sua convivência com os moçambicanos de cor negra.

Para monitorar os desmandos que estão a ser cometidos pelos estrangeiros em Manica, Maurício Vieira criou uma comissão multissectorial constituída pelas direcções provinciais da Indústria e Comércio, Recursos Minerais e Energia, Mulher e Acção Social, Polícia da República de Moçambique e Migração.
- fonte: Notícias.

Portugal-Douro-Peso da Régua: Em exposição no Matadouro Municipal, O CORETO DO JARDIM ALEXANDRE HERCULANO!

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui)

É irónico. Mas é real e triste em simultâneo, pois o Coreto do Jardim Alexandre Herculano de saudosa memória e de tantas histórias e inesquecíveis momentos musicais escritos no tempo e no passado da bela cidade de Peso da Régua, no Douro vinhateiro em Portugal, apodrece abandonado lá pelo velho matadouro municipal de Godim.

Alertado pelo "movimento", que sinto justo, de alguns conterrâneos inconformados com o triste e lacónico fim dado ao antigo Coreto, aqui deixo palavras recebidas que me permito transcrever e também um apelo ao Senhor presidente do Munícipio da Régua para que reveja com atenção e carinho o assunto. Afinal, o hoje não existiria sem passado... E este Coreto do Jardim Alexandre Herculano merece respeito e ser preservado (o que não deve ser assim tão caro) porque faz parte do passado e das queridas lembranças que orgulham e emocionam muitos de nós, "vareiros" que estimamos a cidade da Régua e acreditamos veementemente em seu futuro.

  • O CORETO: No Jardim Alexandre Herculano (de saudosa memória), frente à Câmara Municipal há muitos anos existiu um belo coreto, onde diversas bandas de música ali se exibiam, nas Festas do Socorro, perante a atenção de inúmeros apreciadores, claro que, com o desaparecimento do jardim, o mesmo sucedeu ao coreto, constando, depois, que se encontrava a “descansar”, no Matadouro Municipal, às intempéries, prevendo-se que a sua “saúde” não seja das melhores.
    Acontece que, com a nova Câmara, esta, em nosso entender, deve retirar o coreto, e colocá-lo em lugar visível, talvez na Alameda dos Capitães, para que possamos, nas próximas Festas do Socorro, ouvir as bandas musicais. - Fernando Guedes/Noticias do Douro.

  • O CORETO NA RÉGUA: Durante muito anos, existiu no então jardim Alexandre Herculano, em frente à Câmara Municipal de Peso da Régua, - até que alguém teve a infeliz ideia de o fazer “desaparecer” - um artístico Coreto, que serviu, durante anos a fio, as Festas do Socorro, os entusiastas pela música, para que se deleitassem a ouvir as bandas que ali actuavam. Em Novembro de 2005 tivemos oportunidade de chamar à atenção da então eleita Câmara Municipal, que dentro de dias iria tomar posse, para este “desaparecimento” mas não surtiu, até hoje, qualquer efeito e, assim, com as Festas de Nossa Senhora do Socorro “à porta”, vimos (novamente) relembrar o assunto, pois o Coreto merece, para que tenha um lugar visível como sempre teve, para satisfação de todos. Claro que, durante todo este tempo em que está a “morar noutras bandas”, deve necessitar de uma grande reparação, dadas as intempéries que por ele têm passado. Que alguém se recorde dos serviços que o Coreto prestou e tome as devidas providências para contentamento de todos quantos dele ainda se recordam! Esperamos que, com este novo reparo, o Coreto não fique novamente no esquecimento e apareça a entidade que tenha consideração com o que aqui escrevemos. - Fernando Guedes/Notícias do Douro.

  • Blogue "O Coreto Alexandre Herculano" que dinamiza a AAC-Associação dos Amigos do Coreto - Aqui!

6/27/09

Moçambique autorizado a matar mais elefantes!

Lamento transcrever, mesmo perante o júbilo macabro do ministro moçambicano da agricultura e demais defensores da chacina dos animais da selva:

A Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies em Perigo de Extinção (CITES), acaba de autorizar Moçambique a aumentar de 40 para 60 o número de elefantes a abater anualmente, por estes paquidermes estarem a criar mais problemas às comunidades rurais no país.

Reagindo o facto, o ministro moçambicano da Agricultura, Soares Nhaca, enalteceu o gesto, considerando ser uma medida fundamental nos esforços do Governo para minimizar o conflito homem-animal. Para aquele governante, que falava recentemente à AIM, em Maputo, “esta decisão da CITES é fundamental porque vai reforçar a nossa capacidade de aquisição de armamento para o abate de animais problemáticos, entre os quais os elefantes”, que semeiam a morte junto das comunidades, um pouco por todo o país.

Nhaca afirmou ainda que a decisão de aumentar para 60 o número de elefantes a abater por ano, comunicada recentemente ao Governo de Moçambique por responsáveis ligados à referida convenção, “vai-nos permitir colocar esses animais no mercado de forma mais valorizada, porque, por um lado, será um abate autorizado, e, por outro, os troféus serão legalmente exportados.

“A decisão fará também com que aumentemos a capacidade do Governo de treinar fiscais para os diferentes parques e reservas de animais bravios do país, para além de permitir uma maior eficiência no licenciamento de empresas sobretudo para o negócio de crocodilos”, realçou o titular da pasta de Agricultura.

Soares Nhaca prestou estas declarações numa altura em que as autoridades moçambicanas estão a levar a cabo um conjunto de medidas destinadas a mitigar o conflito homem-animal, que, no entanto, ainda não produziram resultados concretos. Uma das medidas adoptadas para minimizar este conflito, “que é uma das preocupações que não nos deixam apanhar sono, foi a de procurar fazer a vedação nos principais corredores dos animais”, trabalho a ser feito em coordenação com outras instituições governamentais, entre as quais o Ministério do Turismo.

O Governo diz que os animais mais visíveis que têm criado mais problemas são os elefantes, que têm uma memória de centenas de anos, ou seja, que vai de geração em geração, explicando que quando há um circuito, os elefantes permanecem nesse circuito, “e se houver desvio, eles desviam, mas passado algum tempo, eles voltam lá”.

Entretanto, o ministro do Turismo, Fernando Sumbana, em contacto com a AIM, confirmou haver esse trabalho coordenado, afirmando que na Reserva Especial de Maputo está já em curso o trabalho de construção de uma vedação ao longo do corredor dos elefantes, esperando-se que o mesmo seja concluído ainda este ano.

“Não teremos a situação do conflito homem-animal estancada, porque se construímos vedação num sítio, há uma maior pressão de animais noutro local, porque há mais animais a desviar para um determinado circuito, visto que estes se espalhavam quando a vedação não existia”, explicou Sumbana.

Outro local de grande incidência de conflito homem-fauna bravia é o Parque Nacional das Quirimbas, na província nortenha de Cabo Delgado, criado em 2002, numa zona com muitos animais. O parque foi criado tendo como um dos seus principais objectivos estabelecer um mecanismo que permita mitigar o conflito homem-animal, “e o que nós estamos a fazer agora é procurar construir uma vedação nos circuitos dos animais e abrir machambas em bloco”.
Por outro lado, foram treinados caçadores comunitários para a protecção das populações, não só ao longo da zona do parque, mas também ao nível de todos os distritos da província de Cabo Delgado. Refira-se que, recentemente, o Ministério da Agricultura promoveu, em Inhambane, sul do país, um encontro sobre o conflito homem-animal, e, brevemente, vai submeter uma estratégia ao Governo, “para sermos mais agressivos nos esforços para mitigar o conflito homem-animal”.

Entre outros aspectos, a estratégia preconiza que é preciso confinar os animais ao parque e procurar vedar todos os locais sensíveis. Em Moçambique, um dos animais que mais matam é o crocodilo, que vive no rio, sendo que a estratégia define que deve haver zonas devidamente vedadas, onde as populações possam ir tirar água sem correr riscos. A referida estratégia prevê ainda que sejam feitos abates selectivos.

Presentemente, está em curso o trabalho de recolha de ovos dos crocodilos. O resultado ainda não é satisfatório, mas a perspectiva é, por um lado recolher os ovos e fazer abates selectivos, e, por outro, vedar os sítios mais sensíveis, de modo a que as populações não corram riscos.
- @Verdade de 27/06/09.

  • Alguns post's deste blogue sobre a chacina dos elefantes e animais da selva em Moçambique e África - Aqui!
  • A chacina dos elefantes em Moçambique/África e o conflito "animal/homem" pesquisado no Google, Aqui!

Pemba - Uma denúncia por seguir.

Com a devida vénia ao Notícias e a Pedro Nacuo, transcrevo:

Não gosto daqueles que pensam e, às vezes, agem contra estrangeiros pura e simplesmente porque eles não são nacionais. Daqueles que acham que aqueles que não são moçambicanos vieram apenas porque nos seus países tudo lhes corre mal, que não têm como viver ou que “só aqui se podem sentir bem”. Daqueles que tudo fazem contra quem não sendo deste país chega e prospera, que consideram exploradores todos os não moçambicanos que vivem bem. Pura e simplesmente!

Vieram e ficaram ricos, é assim que muitos falam, como se nós fôssemos proibidos de estar ricos ou impedidos de também ir a outros países e lá prosperar conforme quisermos. Que pensam que o nosso país é bom, simplesmente porque acham que há muitos que demandam.

Parece ser com base nessa forma de pensar que há uma denúncia, feita por cidadãos a viverem em Pemba, com algum cheiro a xenofobia em miniatura que aconselhamos as autoridades competentes a seguir com algum cuidado, para matar à nascença a alergia pelos estrangeiros ou a vida desregrada destes no território nacional.

Se for verdade que determinado chefe de bairro, em Pemba, tem estado a intimidar a família de um cidadão estrangeiro, questionando a sua proveniência e finalidade em Moçambique, vezes sem conta (como quem diz todos os dias), apenas para o ameaçar e daí tirar proveito, havendo muitas formas de provar o que quer que seja sobre a legalidade no país, algo está fora dos carris.
Se for verdade que tal chefe de bairro age em conluio com alguém da Migração que “todos os dias” querem que ele tire “algum” para a sobrevivência da sua corrupção, estamos ainda mal, sobretudo quando se apresentam como quem quer ajudar uma pessoa que o melhor caminho que escolheu foi seguir a legalidade de aqui viver.

Se for verdade que outros vão ter ao cidadão estrangeiro para sugerir que para evitar possíveis problemas tem que desembolsar dinheiro (neste caso 4000 dólares norte-americanos), não só estamos perante uma ameaça, como sobretudo nos confrontamos com a corrupção que muitas vezes não tem rosto.

Se é verdade que a Polícia vem em socorro desta forma de agir, ameaçando todos os dias o cidadão estrangeiro e, em cadeia, repercutir-se para as outras entidades competentes, apenas para obrigar que o cidadão pague sempre “algum” para a sua permanência em Pemba, estamos “lixados”.

Se é verdade que o cidadão tem sido detido e liberto de forma reiterada, simplesmente para se sentir obrigado a largar “algum”, estamos perante não só a violação das regras de jogo do nosso país e no mundo, como dos direitos humanos, não só porque ele tem família e vive envolto desta sociedade sempre exigente e facilmente (des) educável.

Sendo verdade que ele e a família já não têm os passaportes ou que não lhos são devolvidos, para forçar a satisfação da nossa pequena e grande corrupção, estaremos perante um serviço mal prestado, porque não custava que fossem mandados “em-boa-hora” assim que se concluísse estarem no país ilegalmente.

É uma denúncia que está a seguir o caminho normal, que nós estamos a acompanhar sem exigirmos a compensação ilegal que muitas vezes nos faz mal. Foi assim que, em Macomia, um juiz conversando com jornalistas, à volta de uns copos, disse que havia passado por ele estrangeiros com muito dinheiro no carro, exageradamente avultado, sem saber que os mesmos acabavam de ser detidos na província de Manica, exactamente por causa do que ele achou normal. Quer dizer, viu muito dinheiro, não se alarmou e, em Manica, quem esteve atento deteve-os, e com muita razão!

É dizer, quando somos chamados a prestar serviço não o fazemos e quando a nossa acção se torna ruim à sociedade, lá estamos, incluindo desmobilizar investidores, como é o caso em apreço, que já tem nomes, que por uma questão de ética não é agora que vamos publicar. Espero que não seja necessário ir até lá.
- Pedro Nacuo, Maputo, Sábado, 27 de Junho de 2009:: Notícias

6/26/09

Ronda pela imprensa brasileira: 'A África que existe na cabeça das pessoas é folclorizada', diz Mia Couto.

Diz o G1-globo.com: Mia Couto, escritor moçambicano, está no Brasil para lançar livro e receber homenagem. Ele fica nesta semana em São Paulo e, na próxima, vai ao Rio de Janeiro.

Ele é referência quando se trata de literatura africana. Exímio poeta, Antônio Emílio Leite Couto, mais conhecido como Mia Couto é um homem incansável, com absoluta consciência do seu papel na sociedade. Jornalista, biólogo e escritor que assume várias vertentes, é acima de tudo cidadão. E ele está no Brasil para, nesta sexta-feira (26), participar de um bate-papo no Sesc da Avenida Paulista e, depois disso, ir ao Rio para o Festival de Teatro da Língua Portuguesa, onde será homenageado.

Aos 54 anos, o dramaturgo e cidadão moçambicano de Beira (uma das cidades mais afetadas pela guerra civil, que se prolongou de 1976 a 1992), coleciona 23 livros e prêmios importantes como o Vergílio Ferreira (1999), União Latina de Literaturas Românticas (2007) e o título de um dos 12 melhores livros africanos do século XX por "Terra sonâmbula", eleito na Feira Internacional do Livro do Zimbábue. Fã declarado de Guimarães Rosa, ele estará em terras brasileiras também para lançar seu novo livro, “Antes de nascer o mundo”. Por enquanto, o título mais disputado e procurado do autor, especialmente em Maputo é “E se Obama fosse africano e outras intervenções”, recém-saído da gráfica. A obra é um conjunto de intervenções, como Couto gosta de definir, apresentadas em artigos e momentos públicos, que segundo ele, mereciam sobreviver.

Leia, abaixo, trechos da entrevista do escritor ao G1.

G1 - O que é “E se o Obama fosse africano e outras internvenções”?
Mia Couto - É o segundo livro que eu faço relacionado à ideia de não perder alguma coisa que eu fui construindo ao longo do tempo. São coisas não-datadas, fora da literatura, ensaios, intervenções que eu faço. Como cidadão, sinto obrigação de estar presente, de dizer o que penso. Moçambique é um país muito recente. Mesmo que seja uma ilusão, há essa ideia de que podemos contar, de que podemos ser ouvidos e de que isso vale a pena.

G1 - Qual o texto mais importante ou emocionante?
Couto - Cada um tem um aspecto, um propósito diferente. O primeiro, o “Guardador de rios”, é uma história real e, para mim, simbólica. É uma história que vale a pena lembrar. É sobre um programa que foi feito no Gurué, na província da Zambézia (norte do país). Um homem foi ensinado a medir o nível do rio com as horas e os metros. Ele fazia isso todos os dias, registrando em um formulário. Depois veio a guerra, esse programa desapareceu, e o homem perdeu contato com o resto do mundo. Quando, 16 anos depois, foram visitar aquele lugar, encontraram o homem trabalhando. Ele já não tinha formulário, claro. Escrevia com um pedaço de carvão em uma grande parede. E essa história para mim é muito bonita. Sobre alguém que não desistiu da sua missão. É uma lição para mim. Como se fosse um contrato que ele tivesse com o próprio rio. É isso que eu quero fazer: converter o mundo em uma página e escrever nela como se fosse uma lição, nem que seja só para mim!

G1 - Como é o próximo livro?
Couto - É um romance que tem dois títulos diferentes. Em Angola e Portugal se chama "JesusAlém" e no Brasil, "Antes de nascer o mundo", porque a editora preferiu esse título. É uma história sobre um pai que, aparentemente, enlouquece e leva a sua família para um lugar remoto. E anuncia à família que o mundo terminou, que são os últimos sobreviventes, que não há mais humanidade. Esses meninos crescem com essa ideia de que são os últimos habitantes do mundo. Depois essa mentira é desconstruída pela chegada de uma mulher e aí começa uma história de conflito com o mundo.

G1 - Você aborda, especialmente, temas sociais. Qual a importância em fazer uma ficção ou uma ficção associada aos problemas sociais?
Couto - Acho que não existe simplesmente ficção. Todo texto sempre tem essa relação de fronteira mal desenhada entre o que é real e o que é ficcional. O escritor brinca com isso, e ele próprio não sabe o que é. Fica confuso, mas, pelo menos, é verdadeiro nessa declaração de que não está dizendo algo inteiramente verdadeiro. Estou convidando as pessoas a brincarem nesse terreiro em que não se sabe o que é real, o que é utópico, o que é sonho. No fundo, complicamos um assunto que é muito simples. Eu acompanhei meus filhos, agora meus netos e vejo essa necessidade quase biológica de construir histórias. A necessidade de encantamento é uma coisa que me parece da nossa própria espécie. Por isso, a criança fica em êxtase quando ouve uma história. O que o escritor faz, no fundo, é eternizar essa relação que mexe com o nosso próprio lado criança.

G1 - Eternizar essa relação é como alimentar essa curiosidade, esse fascínio. E o que fascina você?
Couto - Fascina-me contrariar a ideia de que o mundo já está feito, de que o mundo serve só para nós nos servimos dele, que ele serve apenas para ser consumido.

G1 - Como o cidadão deve se fazer presente na literatura?
Couto - Isso tem que ultrapassar a literatura. Mesmo que eu não fosse escritor, sentiria a obrigação de fazer coisas, dizer coisas, de contribuir. Não sou dos que pensam que basta lamentar, que basta criticar tudo ao redor em um café da esquina. Eu acho que temos que estar presentes.

G1 - Como a literatura pode ajudar a reerguer a cultura, especialmente em uma nação pós-guerra que teve tantos bens não-materias dilacerados?
Couto - Não sou otimista em relação à importância da literatura no mundo. As pessoas sabem que os livros são pouco lidos, que são para um pequeno grupo. Portanto, é mais inteligente deixar que essa mensagem circule sem obstáculos do que criar ao redor dos escritores uma importância que, afinal, eles não teriam de outra maneira. Então, acho que existe a liberdade para publicar o que quisermos. Do ponto de vista literário, claro.

G1 - Moçambique e África são temas presentes em suas obras. Você acha que é preciso expandir a realidade africana para o mundo?
Couto - Os que pensam, na verdade, não pensam. Para os que pensam a África, a ideia já está formada. Acham que já sabem. Que seja por uma romantização de esquerda ou direita. A África que existe na cabeça da maioria das pessoas é folclorizada, idealizada. É uma África que não existe. E os próprios africanos assumiram essa imagem. Acredita-se que a África é assim não por questões históricas, mas por uma espécie de genética do continente.

G1 - Os grandes autores estão concentrados na Europa e nos Estados Unidos. Por que existem poucos escritores africanos reconhecidos?
Couto - Porque quem diz sobre o tamanho dos escritores africanos, não são os africanos. Quem classifica, quem categoriza, está fora da África. Os grandes prêmios, as grandes editoras estão fora da África. Aí precisam se subordinar a critérios que não são os africanos, se é que existe alguma coisa chamada critério africano. Também não sei. Os grandes centros da cultura africana são aqueles que podem avaliar sobre o que é africano e o que não é africano. Tenho amigos escritores africanos que, quando abrem jornais americanos e europeus, se assustam com as críticas de que o livro não é autenticamente africano. Eles questionam a autenticidade. O que é isso, afinal? Ninguém sabe! Eu acho que ainda continua sendo uma certa alienação de critérios.

G1 - O país vem crescendo bastante nos últimos anos. Como está Moçambique hoje?
Couto - Se você olhar para o padrão arquitetônico, Moçambique é uma cidade grande e moderna. Mas ainda é uma sociedade rala, pouco urbanizada. A urbanização está presente na vida de uma pequena minoria. A maioria está no espaço rural. Ela não vem para a cidade, a ideia do espaço público não existe. Não sei como está Moçambique e para onde vai. É muito difícil dizer, porque o país vivenciou várias transições: colonização, revolução, socialismo, capitalismo, guerra, paz... Estamos em permanente incerteza. Estão se passando várias coisas com diferentes lógicas.

G1 - No momento político, o país vive a presidência aberta. Isso não é populismo?
Couto - Sim. Eu acho que é uma coisa populista. No formato, está certo. O presidente tem que estar na multidão. É uma coisa que nasceu em oposição à maneira de exercer autoridade, praticada pelo presidente Joaquim Chissano (que governou de 1986 a 2005). Ele tinha uma posição centralizadora. A tendência agora é retificar isso. Percebeu-se que o país é muito mais diverso do que se pensava no início. Agora, estamos em uma democracia formalmente aberta. Seja de que maneira, esse processo tinha que ser feito.

G1 - O que é mais importante ser solucionado em um país com tantos problemas
Couto - O que falta mesmo é o país ter um pensamento, uma ideologia própria. Eu acho que cada um deles é grave: a pobreza, taxa de analfabetismo. A colonização portuguesa deixou o país sem nada, abaixo do zero. Acredito que o problema principal é sentir que existe uma visão clara sobre futuro, fundada não em discurso político, mas em um discurso verdadeiro, mais profundo, na procura daquilo que pode ser um caminho próprio. Com Samora Machel (primeiro presidente de Moçambique após a independência, de 1975 a 1986) havia uma ideia de futuro, uma aposta. As pessoas tinham uma crença, uma causa que agora não têm.

G1 - Então o que falta para recuperar essa crença?
Couto - O que falta é uma coisa em que as pessoas, na verdade, não acreditam. As pessoas têm uma ligação muito forte, muito filial com o político. Os presidentes são pais. Elas chamam o presidente de pai, grande pai. Nesse aspecto, o país se sente órfão. Desde que morreu Samora, as pessoas não se vêem naquilo que são os seus chefes. O grande sentimento que fica é de orfandade.
- Natalia da Luz, especial para o G1, em Maputo, 26/06/09.

Aqui fica, a titulo informativo, mais uma entrevista que não se diferencia das inúmeras que este escritor Moçambicano vem dando ao longo do tempo... O que é pena!