7/30/09

Apontamentos do Tito Xavier: Porto Amélia até 1975 - Panorâmica aérea

Clique na imagem para ampliar. Fotografia propriedade de Tito Lívio Esteves Xavier, oficial da P.S.P. aposentado, piloto de aviões e helicópteros em Cabo Delgado e antigo Presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia.

7/29/09

Ecos da imprensa moçambicana: Porquê os cidadãos do centro e norte são reaccionários e os do sul revolucionários?

Um texto que retrata e expôe claramente um dos "cancros" que levam, pós independência de 1975, ao Moçambique dependente de hoje, socialmente dividido em elites minoritárias e maiorias pobres sob a administração de um partido de raizes antidemocráticas, violentas, segregacionista até, onde prevalecem o apadrinhamento, perseguição política disfarçada, o medo e a censura camuflada, etç. Poucos, dentro de Moçambique, têm a coragem de "falar" como o lúcido Adelino Timóteo:

Beira (Canalmoz) - Em miúdo, na rádio, em casa dos meus pais, em Macurungo, eu ouvia uma canção que dizia: “Joana é reaccionária, Guambe é reaccionário, Simango é reaccionário, Murrupa é reaccionário, Unhai é reaccionário, Gwengere é reaccionário…” Era uma canção entoada por pessoas cujas vozes me pareciam estridentes, sombrias, ao mesmo tempo uníssonas.

No rol das palavras que compunham o vocabulário, então, reaccionário era uma palavra recorrente. Outros termos recorrentes eram Nação, Povo e Tribalismo e Luta. Como miúdo que era a princípio custou-me entender o que seria aquilo de reaccionário. Mas pelo timbre da voz dos cantantes daquela canção da autoria do partido Frelimo dava para entender que aquele epíteto estampado àquelas figuras não era coisa boa.

Os mais velhos me contaram que a canção amiúde entoada nos feriados como 3 de Fevereiro, 1.º de Maio, 7 de Abril, 25 de Junho, 25 de Setembro, visava censurar aquelas pessoas. E ninguém mais falava do assunto.

Um dos temas mais difíceis de abordar, por me parecer delicado, é aquestão do tribalismo. Em Moçambique, já desde há muito, tenho ouvido uns políticos tratarem por tribalistas uns aos outros. Igualmente, tenho percebido que o termo tribalismo alinha com o símbolo reaccionário, escamoteando-se a verdade. Logo, pela história recente, percebi que todos aqueles nomes que nomeei acima eram indivíduos do centro e norte.

Nunca falei nenhuma língua nacional, por razões que não interessa aqui evocar, mas que é conhecida de toda agente que comigo lida. Por isso, nunca tomei posição neste assunto delicado, mas que é amiúde evocado.

Um dia, quando lia um dos livros do Doutor Hélder Martins notei que numa das passagens ele se referia a um assunto que extravasava nesta melindrosa questão, porque por suposta ligação com Simango a Frelimo matou o meu pai. E Barnabé Lucas N’como, no seu livro Uria Simango Um Homem Uma Causa dissecara-a voltando ao assunto, entornando o caldo, pois defendendo que a Frelimo matou o meu pai por ele ser da etnia de Simango e mataram Simango, esposa e outros seus companheiros do cativeiro por uma questão de efeito e causa: serem de uma etnia diferente.

Seja como for, os reaccionários foram mortos por linchamento e enterrados numa vala comum de M’telela. A Frelimo mantêm-nos presos, prolongando a pena de morte a que os votaram.

Ninguém os quer restituir à sorte de merecerem de um funeral condigno, apesar da injustiça da história que os tratou mal por serem do norte e centro.

Só os revolucionários, que por colação são heróis do meu país, logo do Sul, têm direito a uma parcela do Estado, um lugar na cripta.

É isto que me ocorre dizer da história corrente deste país. E pelo que tenho percebido, dizer a verdade aqui é correr o risco de receber etiquetas, os apelidos reaccionário e tribalista.

Também eles, por tabela, em miúdo, me chamaram de reaccionário.

Sou filho de um assassinado a quém chamavam reaccionário.

Barnabé Lucas N’como teorizou que aquelas personalidades que então denominavam reaccionários e continuam sendo vaiadas apesar de mortos, foram vítimas de uma situação social que ninguém pode escolher: o ser do norte, sul ou centro.

Nenhum teórico do sistema conseguiu até hoje responder a uma pergunta que talvez vai-nos acompanhar até à morte: Porquê os cidadãos do centro e norte são reaccionários e os do Sul heróis e revolucionários?

Nem o tristemente célebre Sérgio Vieira, nas suas rotineiras aparições, nunca sustentou a sua famosa teoria das traições que resvalaram no genocídio que se cometeu contra muitos filhos deste País (leia-se que disse País e não região/partido porque o País, a Nação, é um elemento Superior).

Quando há pouco menos de um mês me encontrava na Áustria acompanhei pela comunicação social que o partido Frelimo recorreu ao Tribunal Administrativo pretendendo chumbar o nome Praça André Matsaingaíssa atribuído à rotunda da Chipangara. E da modorra do meu silêncio voltou a acordar a pergunta: Porquê os cidadãos do centro e norte são reaccionários e os do Sul heróis e revolucionários?

Há poucos dias, assistindo a TVM, chamou-me atenção o deputado frelimista Manuel Tomé a chamar tribalista a Viana Magalhões, da Renamo, em virtude deste ter questionado a exclusão a que são votados os cidadãos de outras etnias neste processo de consolidação da Unidade Nacional.

Há um grande nome do protonacionalismo, da Beira, Kamba Simango, que serviu de inspiração a Eduardo Mondlane, que a história de Moçambique tem renegado. E de novo apetece-me perguntar: Porquê os cidadãos do centro e norte são reaccionários e os do Sul heróis e revolucionários?

É pena que os nossos políticos continuem a perder tempo chamando-se tribalistas uns aos outros, no lugar de reflectirem sobre o aprofundamento da unidade nacional.

Enquanto o termo tribalismo for usado para a exclusão e discriminação do outro continuaremos a falar de uma nação que não será una, e jazerá sem alicerces, pois as zangas do passado ainda são latentes.

Os detractores de Uria Simango continuam zangados com o “tribalismo”(falso) de Simango e outras vítimas que o acompanharam ao infortúnio por serem do centro e norte. Porquê os cidadãos do centro e norte são reaccionários e os do Sul heróis e revolucionários?

Não vamos continuar a tapar o Sol com a peneira. É urgente uma efectiva Unidade Nacional e Reconciliação.
- Adelino Timóteo, CanalMoz, Ano 1, N.º 5, Maputo, Quarta-feira, 29 de Julho de 2009.

“Engenharia Sem Fronteiras” alarga assistência à Saude em Cabo Delgado

A “Engenharia Sem Fronteiras”, uma federação de Oorganizações não-governamentais espanhola, tem alargado a sua assistência ao sector de saúde na provincia de Cabo Delgado, agora com a entrega de mais unidades sanitárias no distrito de Ancuabe, posto administrativo de Meza, a par da dotação de água e saneamento do meio, energia e comunicações naqueles estabelecimentos sanitários considerados de periferia, também nos distritos de Balama, Montepuez e Namuno.

Fonte daquela organização disse ao nosso jornal que se espera que no fim do programa a “Engenharia Sem Fronteiras” conclua 18 unidades sanitárias naqueles distritos, com serviços apropriados de água, energia, saneamento ambiental e comunicações, bem como o aumento do acesso sustentável a serviços melhorados de abastecimento de água e saneamento básico em lugares públicos das comunidades priorizadas dentro das zonas de influência das unidades sanitárias objecto do projecto, o que perfaz 16.500 pessoas.

Por outro lado, conforme a fonte, pretende-se com a intervenção da “Engenharia Sem Fronteiras” melhorar o sistema provincial de manutenção das infra-estruturas sanitárias, para o que se espera o reforço da capacidade do sector empresarial que presta serviços de manutenção, assim como do próprio sistema que guia à Direcção Provincial de Saúde para permitir a durabilidade das suas infra-estruturas.

“Também estamos empenhados em melhorar o sistema de informação sanitária na provincia, a assistência técnica aos diferentes actores de cooperação do sector de saúde e um programa de educação para a saúde, a realizar-se na Espanha” disse a fonte. Para tanto, a “Engenharia Sem Fronteiras” dispõe de um orçamento de 4820.580 euros, para o periodo 2007-2010.

Esta federação, segundo soubemos, compromete-se a reforçar a capacidade institucional das autoridades públicas e o envolvimento dos beneficiários directos no desenho e execução dos programas, e destacando-se a valorização do género em todas as suas vertentes.
- Maputo, Quarta-Feira, 29 de Julho de 2009, Notícias.

Mau Exemplo: Mancebos vandalizam propriedades em Montepuez.

Mancebos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), do último curso do Centro de Preparação Básica Militar de Montepuez, na província de Cabo Delgado, rebelaram-se na noite de segunda-feira, protagonizando actos de vandalismo contra propriedades públicas e privadas, em alegados protestos contra o não encerramento do seu curso, que deveria ter ocorrido no princípio da semana, entretanto adiado por razões desconhecidas.

Eles puseram-se a manifestar pelas ruas de Montepuez, tendo destruído alguns bens dum estabelecimento comercial e vandalizado uma viatura da Direcção Provincial da Saúde. À Polícia, através do porta-voz do Comando Provincial, Henrique Seliano, confirma os factos, mas remeteu para os próximos dias esclarecimentos mais detalhados sobre o caso. Adiantou, contudo, que a situação está controlada do ponto de vista disciplinar, havendo alguns mancebos detidos e a sua corporação continua no encalço de outros.
- Maputo, Quarta-Feira, 29 de Julho de 2009:: Notícias.

7/28/09

Diversificando: Relembrando o raid aéreo Lisboa - Macau de 1986

- Jorge Cruz Galego, ex-residente em Nampula - Moçambique e autor do livro "Moçambique-Vôo para a Liberdade" organizou e comandou este raid. Nasceu em Coimbra em 16 de Junho de 1943. Cumpriu os serviços militares nos Comandos em Angola onde obteve a licença de paraquedista civil e na Guiné onde passou à disponibilidade e continuou iniciando a actividade profissional como piloto nos Transportes Aéreos da Guiné Portuguesa. Em 1968 foi residir para Nampula-Moçambique onde, para além de piloto de táxi-aéreo foi Director de Escola e Membro Directivo do Aero Clube de Nampula durante 7 anos. Em 1976 regressa a Lisboa e em 1994 faz a travessia do Atlântico Norte, na companhia do Comandante Faria e Mello (único piloto português paraplégico a completar a volta ao Mundo), num pequeno monomotor "Bonanza" desde do Rio de Janeiro, S.Paulo, Recife-Sal (12h34 sem escala) e Sal-Lisboa (11h30 sem escala).

- Álvaro M. Prata Mendes nasceu em Lisboa a 23 de Março de 1946. Coronel Engenheiro Aeronáutico no activo da Força Aérea Portuguesa frequentou o ensino secundário no Instituto Técnico Militar dos Pupilos do Exército onde obteve a Licença de Piloto Particular de Aeroplanos e os estudos superiores na Academia Militar. Cumpriu uma comissão de serviço militar em Moçambique-Nampula, onde obteve Licença de Paraquedista Civil.

- Arnaldo Alves Leal nasceu em Lisboa em 20 de Novembro de 1932. Ligado ao mundo industrial nos ramos automóvel e imobiliária , tem a Licença de Piloto Particular de Aeroplanos, tendo desempenhado funções directivas no Aero Clube de Portugal. Era proprietário do monomotor "SAGRES", usado na "aventura".

- A aeronave: Monomotor "Sagres"MOONEY SUPER 21 (M-20E):
  • Matrícula: CS-ALG
  • Ano de Construção: 1965, S/N nº 553, Ano 1964
  • Peso Vazio: 758 Kg
  • Peso Máximo: 1168 Kgs
  • Motor: LYCOMING IO-360-AIA-200HP
  • Velocidade máxima ao nível do mar: 317 Kms/h - 171 Kts
  • Velocidade Máxima de cruzeiro: 301 Kms/h - 162 Kts
  • Velocidade económica de cruzeiro: 270 Kms/h - 146 Kts
  • Corrida na descolagem: 760 Ft - 232 Mts
  • Envergadura: 10,67 Mts
  • Comprimento: 7,06 Mts
  • Altura: 2,54 Mts
  • Autonomia: + ou - 5 horas
  • Raio de ação sem reservas: 1450 Kms - 782 MN
  • Combustível: gasolina 100 LL 52 USGAL -197 Lts
  • A aeronave encontra-se em praça pública, como monumento comemorativo deste raid, em Granja - Macau, perpetuando e relembrando o feito.

Tempos:

  • Tempo total de vôo: 65h30 em 27 dias
  • Horas de vôo noturno, sem visibilidade: 40h45
  • Aterragens: 23
  • Distância percorrida: 8.150 MN ou 15.000 KMS

Outros detalhes importantes de ler, incluindo chegada e permanência em Macau e o retorno acidentado a Portugal:

  • Raid Aéreo Lisboa-Macau de Jorge Cruz Galego - Aqui!
  • Blog "Macau Antigo" - Aqui!
  • CAMBETA BANGKOK MACAU O MAR DO POETA - Aqui!

7/25/09

Em São Paulo/Brasil: Campanha fotográfica África em Nós

Agradecendo a anuência de Juliana Sardinha, médica e blogueira sábia que tenho a dita de conhecer em meu "recanto bucólico", e "sigo" na net lendo diáriamente seu "Dicas Blogger", transcrevo, tentando ampliar a divulgação desta campanha interessante, que envolve a África de muitos de nós e os laços intensos que a irmanam ao país Brasil:

""Fui procurada pela assessoria de imprensa da campanha fotográfica África em Nós, criada pela secretaria de Estado da cultura de São Paulo, para a publicação deste release.¹

Como se trata de um projeto cultural muito bacana, concordei em apresentá-lo para vocês.

A matéria abaixo, é de autoria da própria assessoria da campanha e foi distribuída a diversos outros meios de comunicação.

A campanha fotográfica África em Nós, criada pela secretaria de Estado da cultura de São Paulo convoca toda população paulista a participar através da fotografia, no que ela vê, sente e compreende sobre a presença e a herança africana no dia a dia.

O tema é a própria África, o continente mãe. Como perceber os sinais africanos? Quais os sinais perceptíveis em nossa cultura? Cada participante deve realizar sua foto mostrando como vê e sente esta África que existe perto de nós.

Visite o site da campanha http://www.africaemnos.com.br/ para ler o regulamento e participar.

Fotógrafos amadores ou não podem mandar suas fotos até dia 15 de Setembro.

O curador responsável é o fotógrafo renomado Walter Firmo.""
- ¹ Release: Informação preparada pela assessoria de imprensa e encaminhada aos veículos.