8/21/09

Realidade lusitana: "Portugal não tem dimensão para se roubar tanto"!

Ferraz da Costa traça um cenário aterrador da economia portuguesa e não poupa ninguém - não lamenta a saída do ex-ministro Manuel Pinho, em relação ao qual diz que "toda a gente sabe que ele é maluco". O ex-presidente da CIP-Confederação da Indústria Portuguesa, onde esteve até 2001, diz que é urgente mudar a justiça e a fiscalidade.

Como está Portugal em termos de competitividade?
- Temos um problema de desequilíbrio externo que tem vindo a agravar-se. A entrada do Leste na União Europeia tornou-nos muito menos atractivos para o investimento directo. Nos últimos anos perdemos quota de mercado em diversos países e sectores.

Quando começaram os nossos erros?
- Estamos a errar desde que integrámos a União Europeia. Nos primeiros anos, apesar de algum esforço do sector exportador, apostou-se na política das infra-estruturas, no crescimento da procura interna e na deslocação de imensa iniciativa empresarial do sector produtivo para os serviços e para o sector financeiro. Errámos ao investir primeiro nas infra-estruturas e só depois no capital humano.

Mudou alguma coisa nos últimos quatro anos?
- Em termos de política económica foi uma legislatura catastrófica. O Governo só governou por ausência de oposição. Arrancou com uns slogans pró-tecnologia cujo apogeu foi a Qimonda, o que demonstra que tudo isso tinha pouca ou nenhuma substância.

Os nossos governantes são maus?
- Temos uma classe política e nalguns casos até governantes, onde se inclui o ex-ministro da Economia (Manuel Pinho), que não têm conhecimento da realidade. Qualquer pessoa com experiência em negócios internacionais percebe que fazer uma oficina com um único fornecedor e um único cliente não podia dar resultado. Ao ministro da Agricultura (Jaime Silva) tenho-o ouvido dizer coisas espantosas como, por exemplo, que a crise ainda não tinha chegado ao sector. Ele não servia nem para director-geral...

Não lamenta o episódio que levou à demissão de Manuel Pinho.
- Ninguém teve pena. Toda a gente sabe que ele é maluco. O papel do ministro da Economia é "safar postos de trabalho", como ele disse?

Porque é que Manuel Pinho se manteve tanto tempo no Governo?
- Porque o primeiro-ministro deve ter metido na cabeça que não fazer remodelações iria ser uma das marcas do seu consulado. Achou que isso teria mais impacto mediático do que a adopção de políticas concretas. Não tenho dúvidas de que o ministro das Obras Públicas beneficia desse escudo protector.

Mário Lino já não devia governar?
- Há aqui uma dúvida mais grave que é saber se parte dos disparates e das contradições são mesmo dos próprios ou se são do primeiro-ministro e eles foram obrigados a engolir.

Será dramático se não sair uma maioria absoluta das eleições de Setembro?
- O que acho dramático é que nos contactos com os partidos percebi que ninguém está preparado para ter um Governo que vá tomar grandes decisões.

Admitiria integrar um Governo?
- Não fecho a porta, mas é muito difícil porque temos uma democracia que reserva a quase totalidade da acção aos partidos políticos. Não tenho uma vontade de protagonismo assim tão grande que me obrigasse a dizer coisas com as quais não concordo.

Como encara a intervenção do Estado em empresas privadas?
- Nos casos de salvamento de empresas tem que haver compromissos. Lá fora opta-se pela redução do capital dos accionistas e das condições dos trabalhadores, assumindo comportamentos diferentes. Por cá, a noção de salvamento é "lá vem o Estado gastar dinheiro dos contribuintes para que todos continuem a fazer as mesmas coisas".

Sem a crise, acabaríamos estes quatro anos melhor do que estávamos?
- Estamos com um desequilíbrio externo cada vez mais preocupante. E temos um problema de finanças públicas gravíssimo. Não se interiorizou, quando entrámos na União Europeia, que era fundamental ter uma política orçamental responsável. Acho extraordinário que o Bloco de Esquerda seja o único partido que fala na urgência da contenção da despesa pública.

É preciso passarmos por um susto como o da Islândia, que foi à falência?
- Acontecer-nos uma hecatombe seria o cenário mais rosado. O pior é o empobrecimento lento e que nunca mais pára. Estamos em queda continuada e pelo caminho vão aparecer alguns governos assistencialistas que vão dando uns apoios aos velhinhos.

O Presidente da República, Cavaco Silva, devia estar mais activo?
- Assumiu uma posição asséptica em relação às eleições, de distanciamento como é seu costume. Mas alguém devia chamar a atenção dos partidos de que há decisões muito complicadas a tomar e que deviam ser discutidas em campanha eleitoral se se quer ter legitimidade para governar.

O que pensa do TGV (comboio de alta velocidade) e do novo aeroporto?
- Ninguém pode ser a favor do TGV, cujo único objectivo deve ser ir a Madrid ver o Ronaldo... Há anos que se tenta destruir a viabilidade do aeroporto da Portela. Não se avaliam os investimentos que são feitos, quanto se gasta. Rouba-se muito. O país não tem dimensão para se roubar tanto.

Quem é que rouba?
- Todos os que podem. O problema é o estado da justiça que cria um sentimento de impunidade.

É o principal entrave à entrada de investimento directo estrangeiro?
- É um deles. A primeira medida do próximo Governo deveria ser actuar nesta área e introduzir previsibilidade. Por exemplo, ninguém consegue cobrar nada de quem não quer pagar e isso é dramático, sobretudo, para as pequenas e médias empresas. Depois temos um sistema fiscal menos atraente do que o espanhol e o Governo reconhece isso implicitamente quando cria os Projectos de Interesse Nacional (PIN), que são um regime de excepção.
- In Expresso - Ana Sofia Santos e Pedro Lima
Lisboa, 12:35 Quinta-feira, 20 de Ago de 2009

8/19/09

Apontamentos do Tito Xavier: Porto Amélia até 1975 - Nova central telefónica automática dos CTT

Clique na imagem para ampliar. Fotografia propriedade de Tito Lívio Esteves Xavier, oficial da P. S. P. reformado, piloto de aviões e helicópteros em Cabo Delgado e antigo presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia.

Pemba representa o país nas Olimpíadas de Reggio Emília na Itália!

Transcrevo: A equipa de futsal da cidade de Pemba deixou segunda-feira o país para participar nas Olimpíadas da cidade italiana de Reggio Emília, gemelada, desde 1986, àquela cidade do norte de Moçambique.

A formação de Pemba é constituída por sete atletas. A caravana desportiva é chefiada pelo vereador da área do Desportivo junto do Conselho Municipal, Issa Tarmamade, tendo como técnico principal, Abubacar Ismail.

O presidente do município de Pemba, Sadique Yacub, disse na breve cerimónia cultural e religiosa, que serviu para a despedida dos atletas, que eles vão acima de tudo representar o país, pelo que cada manifestação de cada um deles deve condizer com o comportamento que gostamos que seja dos pembenses, mas sobretudo dos moçambicanos. “Levem Pemba no coração, mas sobretudo Moçambique, porque em cada gesto, vocês serão vistos como moçambicanos e nos tragam vitórias desportivas, mas também respeito por nós, muitas amizades, solidariedade e mais união com os outros povos”, disse Yacub. A humildade e espírito de entrega, para o presidente do município de Pemba, podem vir a ser responsáveis para uma maior prestação dos jovens que se vão digladiar com os outros de outras latitudes, sendo de uma cidade que é terceira maior baía do mundo e que faz parte do clube das mais belas a nível planetário.

Abubacar Ismail disse que o seu conjunto vai para vender cara qualquer eventual derrota e na esperança de que mais uma vez o torneio seja ganho pelos pembenses, como por duas vezes aconteceu, na mesma modalidade e cidade italiana.

É a quarta vez que a cidade de Pemba participa com a modalidade de futsal, nas Olimpíadas da cidade de Reggio Emília e em duas delas trouxe a medalha de ouro para o país.
- Maputo, Quarta-Feira, 19 de Agosto de 2009 :: Notícias.

  • Site oficial de Reggio Emília - Aqui!

Acrescento: Sucesso "jovens" de Pemba. Ficamos orgulhosos e comovidos por sentir que levam longe e com destaque o nome da sempre bela Pemba!

Porto Amélia até 1975: Apontamentos do Tito Xavier

Clique na imagem para ampliar. Fotografia propriedade de Tito Liívio Esteves Xavier, oficial da P. S. P. reformado, piloto de aviões e helicópteros em Cabo Delgado e antigo presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia.

Moçambique na imprensa brasileira: Praias e uma pitada de vida selvagem...

(Clique na imagem para ampliar)
Salientamos esta reportagem de hoje no jornal "Estado de São Paulo" que reflete o quanto Moçambique e suas belezas geográficas vão sendo conhecidas e reconhecidas internacionalmente, mau grado todos os problemas sociais que afligem a jovem nação "do outro lado do mar".

Quem conhece é "apaixonado" daquele recanto que foi antiga colónia de Portugal até 1975 e quem não conhece não sabe o que perde...

Pena, repito aqui mais uma vez, que as companhias aéreas servindo os territórios brasileiro e moçambicano não estabeleçam vôos diretos para aquele que considero um dos paraísos naturais que o mundo globalizado ainda conserva e merece ser visitado. E sugere-se que as autoridades Moçambicanas levem a sério as carências que o setor turistíco moçambicano ainda enfrenta. Não basta ter bonitas praias... hà que investir forte em infraestruturas e cuidados ambientais, inibindo o crescimento desordenado das urbes, lixeiras a céu aberto, a falta de saneamento, etç., etç.:

"""PRAIAS E UMA PITADA DE VIDA SELVAGEM - Moçambique aposta nesse mix e na Copa de 2010 para atrair turistas: ... Mas é mesmo no litoral que está o diferencial turístico. São 2,5 mil quilômetros de praias paradisíacas e desertas.

Da espetacular Península de Pemba e sua arquitetura colonial até a praia do Tofo, em Inhambane, a 500 quilômetros da capital Maputo. Sem falar do arquipélago de Bazaruto, composto por cinco ilhas, das quais apenas duas são povoadas.

O acesso, os serviços e os preços, é verdade, não são muito convidativos. A passagem de barco de pesca para a ilha pode custar até US$ 60 (R$ 110) e a diária em um resort de luxo, cerca de US$ 500 (R$ 915).

SELEÇÃO BRASILEIRA - Bazaruto, Pemba e Tofo são alguns dos trunfos do governo moçambicano para pegar carona na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, e atrair uma quantidade mais expressiva de visitantes - atualmente, o total é de 1,3 milhão de turistas por ano.

O país também gostaria de ser a casa da seleção brasileira na preparação para o Mundial. Essa decisão, porém, compete à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que escolhe as concentrações com critérios que vão além de praias paradisíacas e povo hospitaleiro.

A verdade é que Moçambique ainda sofre com a falta de estrutura. O país tem hoje apenas 17 mil vagas em hotéis, muitas de qualidade duvidosa. É preciso pensar no sistema de compensação: as belezas naturais superam tais deficiências.

Tampouco é fácil chegar a Maputo. A LAM, companhia aérea de Moçambique, é superinflacionada: a passagem de ida e volta para Johannesburgo custa aproximadamente R$ 200, mas são mais R$ 300 ou R$ 400 em taxas injustificáveis, apresentadas na forma de siglas.

De todo modo, Maputo é a porta de Moçambique. Antes de seguir viagem para o litoral, passe algumas horas ali para ver as casinhas de arquitetura colonial portuguesa e enlouquecer com o trânsito de carros velhos - embora as propagandas pelas paredes exibam apenas automóveis importados.

O mercado de peixes da capital também vale a parada: é possível comprar bacias de lagostas e camarões por preços inacreditavelmente baixos.

Até hoje, Moçambique sobrevive com a ajuda financeira internacional. Mas agora tenta se reerguer apostando no turismo, uma luz para a economia local. Tão intensa quanto o sol que nasce no horizonte do Oceano Índico...""

  • A matéria na íntegra - Aqui!

8/17/09

Retalhos da Página de Cabo Delgado...

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No tempo do Moçambique colonial, existia em Lourenço Marques-capital (hoje Maputo) e pertencente à Arquidiocese local, um jornal de forte penetração em todo o território chamado de "Diário".

Para estruturar e expandir essa penetração, o "Diário" possuía em cada província um correspondente que, além de congregar as notícias regionais em página específica, gerenciava assinaturas e a distribuição local. E tudo funcionava à perfeição com uma atualização quase diária, graças à DETA (Divisão de Exploração dos Transportes Aéreos de Moçambique) que transportava e fazia chegar os jornais a tempo e horas a todas as capitais provinciais. O avião ainda não aterrara e já estava Jaime Ferraz com seus ajudantes fiéis, lá pelo aeroporto de Porto Amélia à espera dos pacotes de jornais...

Jaime Ferraz Rodrigues Gabão, já citado neste blogue, era o correspondente do "Diário" para Cabo Delgado. Recordo como se hoje estivesse acontecendo, sua dedicação a esse "métier" das horas vagas, vendo-o, enquanto a "sociedade" local gastava merecidas horas de lazer lá pela praia do Wimbe, etç. e dando vazão a sua veia jornalistíca, passar horas a fio, em sábados, domingos e feriados, nos escritórios da então SAGAL (Sociedade Agrícola Algodoeira) onde trabalhava, teclando em máquina de escrever e organizando as matérias para a sua Página de Cabo Delgado e também para os lusitanos Primeiro de Janeiro e Notícias do Douro - Régua para onde enviava acontecimentos de destaque e suas famosas "Cartas de Longe".

Graças a um Amigo, deixo aqui, tentando recordar e homenagear o quanto se fazia, tantas vezes em caráter amador mas com amor e entrega às então Porto Amélia e Moçambique, em matéria de jornalismo, pequeno "retalho" da Página de Cabo Delgado do Diário de Lourenço Marques.