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9/01/10
De Porto Amélia a Pemba - Inauguração da ponte-cais de Porto Amélia
Location:
Porto Amelia, Mozambique
Atravesso o mar sempre azul e, lá mais ao norte de Moçambique, na costa oriental da África da esperança deixando para tráz a neblina das madrugadas do tempo, vou redescobrindo os contornos sensuais da musa da saudade e das eternas recordações de minha adolescência!
De Porto Amélia a Pemba - Em Busca da História! Documentos... 3
Location:
Porto Amelia, Mozambique
Atravesso o mar sempre azul e, lá mais ao norte de Moçambique, na costa oriental da África da esperança deixando para tráz a neblina das madrugadas do tempo, vou redescobrindo os contornos sensuais da musa da saudade e das eternas recordações de minha adolescência!
8/31/10
De Porto Amélia a Pemba - Em busca da História ! Documentos... 2
Location:
Palma, Mozambique
Atravesso o mar sempre azul e, lá mais ao norte de Moçambique, na costa oriental da África da esperança deixando para tráz a neblina das madrugadas do tempo, vou redescobrindo os contornos sensuais da musa da saudade e das eternas recordações de minha adolescência!
De Porto Amélia a Pemba - Em busca da História ! Documentos...
Location:
Palma, Mozambique
Atravesso o mar sempre azul e, lá mais ao norte de Moçambique, na costa oriental da África da esperança deixando para tráz a neblina das madrugadas do tempo, vou redescobrindo os contornos sensuais da musa da saudade e das eternas recordações de minha adolescência!
8/29/10
O MEU REENCONTRO COM O SAUDOSO E QUERIDO PADRE CARMINHO
Todos nós recordamos a figura ímpar do nosso amigo que tão depressa nos deixou.
Não cheguei a vê-lo por estas terras tão longínquas. No casamento da minha filha nascida em Porto Amélia quisemos ter o prazer de ter connosco, além de outras amizades também lá nascidas, a presença dele que a tinha baptizado e o Dr. Carmo que assistiu ao parto. Este deu-nos essa alegria mas o Pr. Carminho, por qualquer razão não pode estar presente.
A minha filha mais velha e o marido tinham estado na Índia e falavam-me maravilhas. Em 2004 voltavam lá e aguçaram-me o apetite (não gosto nada de viajar...).
Resolvemos então que após as “andanças” deles nos encontraríamos em Goa em Janeiro seguinte. Fui primeiro a Nova Delhi para conhecer o celebríssimo Taj-Mahal e dia 15 desembarcava na nossa Goa. Tinha tido a preocupação de me munir do endereço do Padre Carminho e contactá-lo foi das primeiras coisas que fiz. Ficou feliz e queria logo ir buscar-me para ficar em casa dele. Expliquei que estava com os filhos e que ainda andava a visitar a região mas que iríamos o mais depressa possível.
Sorri com a visão da ideia de ele vir buscar-me pensando num Padre Carminho de batina branca e a sua motoreta comigo atrás.
Eu tinha sido submetida a uma melindrosa e complicada operação à base do cérebro e além da inerente debilidade estava bastante desfigurada devido a uma paralisia facial e também 30 anos haviam passado...
No momento do nosso encontro não estava o nosso querido amigo. No lugar um simpático e elegante cavalheiro no seu automóvel conduzido por um jovem goês. Mais magro, sem batina, sem motoreta com o mesmo sorriso e no rosto a alegria de me ver e abraçar mas disse :
- “Estás tão velha minha filha!”
Também ele, como eu, tinha esquecido o TEMPO esse grande mas implacável Escultor.
- “Já passaram 30 anos…” - lembrei eu.
Mas os sentimentos esses não são tão vulneráveis e isso é que é importante.
Fomos para sua casa onde nos esperava um delicioso almoço, visitamos a família e andou a mostrar-nos a ilha, a sua paróquia onde criara uma obra social orientada para mulheres e crianças. Tinha uma irmã já bastante avançada no tempo e duas sobrinhas, uma de férias acabada de chegar da Alemanha onde reside com o marido, cidadão alemão. Teimava em que lá ficássemos e aproveitamos para deixar as malas e compras entretanto feitas, para irmos mais leves à descoberta daquelas paragens tão acolhedoras e que ainda nos falam da nossa História e nos recordam, na sua Natureza, o nosso querido Moçambique.
Voltamos e de novo convivemos momentos muito agradáveis mas com tristeza e saudade porque, claro, seria muito pouco provável um novo reencontro. Mas nunca pensei que tão cedo ele nos iria abandonar para sempre, como infelizmente aconteceu.
Notava-se que era muito querido mas receava que, para continuar, o quisessem obrigar a tornar-se cidadão indiano e ele então renunciaria porque nunca deixaria de ser português.
Descansa em Paz, temos a certeza.
- Portugal, 28 de Agosto de 2010, Maria Emilia Amorim Gil.
- NOTA: Faleceu em 19 de Janeiro de 2007, com 82 anos de idade, na paróquia de Curtorim, diocese de Goa-Damão, o Padre Carminho Francisco Rodrigues que exerceu funções pastorais no Patriarcado de Lisboa entre 1977 e 2001. Ordenado sacerdote em 1952, o Padre Carminho pertenceu ao presbitério da diocese de Goa-Damão, tendo dedicado alguns anos do seu sacerdócio à diocese de Pemba, em Moçambique. É desta diocese que vem para Portugal, sendo admitido no Patriarcado de Lisboa no ano de 1977. No Patriarcado, exerceu funções paroquiais como pároco do Cercal, Alguber e Figueiros, coadjutor em Alcoentre, e colaborador na Amadora, Alcoentre e Manique do Intendente. Além disso, prestou assistência religiosa nas cadeias prisionais de Alcoentre e Vale Judeus. Tendo regressado definitivamente a Goa, no ano de 2001, o Padre Carminho, nos seus últimos anos de vida, manteve uma generosa actividade pastoral, com especial dedicação aos mais necessitados, tanto na sua como noutras dioceses do país. - Do ForEver PEMBA, 28 de Janeiro de 2007.
Location:
Goa, India
Atravesso o mar sempre azul e, lá mais ao norte de Moçambique, na costa oriental da África da esperança deixando para tráz a neblina das madrugadas do tempo, vou redescobrindo os contornos sensuais da musa da saudade e das eternas recordações de minha adolescência!
8/28/10
A MISSA LUBA em Cabo Delgado e os Irmãos Meels
A Missa Luba foi executada na Catedral de São Paulo, em Porto Amélia, hoje Pemba, nos anos 60, ensaiada e regida pelo padre Guilherme Meels (Guillaume (Giel) Meels), cidadão holandês, da Missão de Nangololo (Missão do Sagrado Coração de Jesus de Nangolo, criada em 1924) e irmão do padre José Meels (Jan Jozef Meels), pároco da Diocese de São Paulo em Pemba. Sobre o padre Guilherme Meels [Guillaume (Giel) Meels], recomenda-se a leitura de "A Guerra dos Macondes", de D. José dos Santos Garcia, primeiro Bispo da Diocese de Porto Amélia.
A Missa Luba é originária do ex-Congo Belga (Congo Leopoldville, mais tarde Zaire e hoje RDC) e foi adaptada e cantada em XiMakonde. Alguns dos jovens que faziam parte do coro e do grupo de instrumentistas ainda estão vivos. Fizeram sucesso em Pemba (na época designada por Porto Amélia), de tal modo que - mas não se pode afirmar com certeza - estavam para atuar na Ilha de Moçambique e outras cidades do país, naquele tempo ainda colônia portuguesa.
O padre Guilherme Meels [Guillaume (Giel) Meels] nasceu em 24 de Maio de 1915 [era 8 anos mais novo que seu irmão o padre José Meels (Jan Jozef Meels)]. Ordenado sacerdote em 8 de Setembro de 1935, foi para Moçambique em 1946, para a Missão de Nangololo. Teve de sair de lá pouco depois do início da luta armada de libertação nacional e só regressou em 1976. Repetimos que, deste período, D. José dos Santos Garcia, Bispo de Porto Amélia, dá informações e depoimentos muito interessantes no seu livro já mencionado acima “Guerra dos Macondes”. De 1976 a 1979, esteve em Hoensbroek - Holanda. De 1979 a 1982 trabalhou em São Paulo - Brasil (os Monfortinos estão espalhados pelo Mundo). Regressou em 1982 a Hoensbroek - Holanda, onde ficou até 1986. Faleceu com 86 anos, em Houthem – Holanda em 23 de Novembro de 2001.
Seu irmão, o padre José Meels era sacerdote da Congregação de São Luís de Montfort. Esta Congregação veio para Moçambique através da Companhia do Niassa. Esteve em Moçambique desde 1933 onde permaneceu até 1979. Foi pároco da Paróquia de São Paulo - Porto Amélia (hoje Pemba). Nasceu em 27 de Agosto de 1907, em Schweijkhuizen – Holanda. Faleceu aos 85 anos, em 29 de Dezembro de 1992, em Houthem - Holanda e foi sepultado em 2 de Janeiro de 1993 em Schimmert - Holanda.
Os padres Meels eram, respectivamente, o 3º e 5º de um total de 8 filhos do casal holandês Jan Willem Meels e Maria Cornelia Petri, originários de uma família com laços na Holanda e na Bélgica.
Tivemos a felicidade de os conhecer e com eles conviver na então Porto Amélia. Este post é um tributo modesto mas devido a dois missionários (entre outros) que, únicamente imbuídos de espírito solidário e cristão, se dedicaram a ajudar o povo humilde e pobre de Cabo Delgado. E, quando jovens eramos, nos permitiram aprender a apreciar a beleza da MISSA LUBA que ainda hoje nos emociona e encanta.
- Agradeço a meu “velho” e caro Amigo J. N. Carrilho as informações que permitem este texto.
A Missa Luba é originária do ex-Congo Belga (Congo Leopoldville, mais tarde Zaire e hoje RDC) e foi adaptada e cantada em XiMakonde. Alguns dos jovens que faziam parte do coro e do grupo de instrumentistas ainda estão vivos. Fizeram sucesso em Pemba (na época designada por Porto Amélia), de tal modo que - mas não se pode afirmar com certeza - estavam para atuar na Ilha de Moçambique e outras cidades do país, naquele tempo ainda colônia portuguesa.
O padre Guilherme Meels [Guillaume (Giel) Meels] nasceu em 24 de Maio de 1915 [era 8 anos mais novo que seu irmão o padre José Meels (Jan Jozef Meels)]. Ordenado sacerdote em 8 de Setembro de 1935, foi para Moçambique em 1946, para a Missão de Nangololo. Teve de sair de lá pouco depois do início da luta armada de libertação nacional e só regressou em 1976. Repetimos que, deste período, D. José dos Santos Garcia, Bispo de Porto Amélia, dá informações e depoimentos muito interessantes no seu livro já mencionado acima “Guerra dos Macondes”. De 1976 a 1979, esteve em Hoensbroek - Holanda. De 1979 a 1982 trabalhou em São Paulo - Brasil (os Monfortinos estão espalhados pelo Mundo). Regressou em 1982 a Hoensbroek - Holanda, onde ficou até 1986. Faleceu com 86 anos, em Houthem – Holanda em 23 de Novembro de 2001.
Seu irmão, o padre José Meels era sacerdote da Congregação de São Luís de Montfort. Esta Congregação veio para Moçambique através da Companhia do Niassa. Esteve em Moçambique desde 1933 onde permaneceu até 1979. Foi pároco da Paróquia de São Paulo - Porto Amélia (hoje Pemba). Nasceu em 27 de Agosto de 1907, em Schweijkhuizen – Holanda. Faleceu aos 85 anos, em 29 de Dezembro de 1992, em Houthem - Holanda e foi sepultado em 2 de Janeiro de 1993 em Schimmert - Holanda.
Os padres Meels eram, respectivamente, o 3º e 5º de um total de 8 filhos do casal holandês Jan Willem Meels e Maria Cornelia Petri, originários de uma família com laços na Holanda e na Bélgica.
Tivemos a felicidade de os conhecer e com eles conviver na então Porto Amélia. Este post é um tributo modesto mas devido a dois missionários (entre outros) que, únicamente imbuídos de espírito solidário e cristão, se dedicaram a ajudar o povo humilde e pobre de Cabo Delgado. E, quando jovens eramos, nos permitiram aprender a apreciar a beleza da MISSA LUBA que ainda hoje nos emociona e encanta.
- Agradeço a meu “velho” e caro Amigo J. N. Carrilho as informações que permitem este texto.
- Um livro que cita o trabalho do padre Guillaume (Giel) Meels em Cabo Delgado (pag. 116) : Kupilikula - Governance ande the Invisible Realm in Mozambique por Harry G. West.
Location:
Balama, Mozambique
Atravesso o mar sempre azul e, lá mais ao norte de Moçambique, na costa oriental da África da esperança deixando para tráz a neblina das madrugadas do tempo, vou redescobrindo os contornos sensuais da musa da saudade e das eternas recordações de minha adolescência!
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