terça-feira, 5 de abril de 2005

O artesão de Pemba...


Transferindo "post" do ForEver Pemba 3:

Entre cidades irmãs fala-se do construtor de Porto Amélia-Pemba

Transcrição - Jornal João Semana - Ovar - 1 de Junho de 2004

Sobre Afonso Henriques Andrade Paes:

Memórias a preto e branco


Achámos curiosa e digna de registo esta referência do Dr. Camilo de Araújo Correia, filho do grande escritor João de Araújo Correia, a um Vareiro que conheceu bem em Porto Amélia, Moçambique, publicada no jornal "O Arrais", da Régua.


“(...) No meu tempo, o grande construtor civil de Porto Amélia era o arquitecto Afonso Henriques de Andrade Paes. Os seus camiões amarelos com grandes letras da cada lado (A.H.A.P.) estavam sempre a passar e repassar.


O encarregado das obras de Andrade Paes era um homem simpático, eficiente e surdo. Para ir ouvindo alguma coisa, usava um aparelho.Um aparelho auditivo de quarenta anos... Constava de uma grande pilha metida no bolso do lado esquerdo do peito e de um fio que, partindo daí, terminava numa oliva introduzida no ouvido. Foi este fio que veio a caracterizar o homem de confiança de Andrade Paes. Entre negros era conhecido por mucunha narame (senhor arame).
Porto Amélia... Porto Amélia...”


Camilo de Araújo Correia ("O Arrais")


...Palavras que valem por uma homenagem:


"...Já tinha lido com muito gosto, ao passar hoje pelo Bar - o original, do Yahoo -, o pedaço da memória que me enviaste. Regressei por momentos aos lugares da minha infância, depois de saltar o muro do outro lado da rua, a caminho da escola D. Francisco de Almeida, atravessando o terreno do hospital, passando à frente da maternidade, indo por ali até saltar o outro muro e chegar ao "estaleiro" da AHAP.
Vim a saber, mais tarde, que faltava o M de Manta. Mas, um dos amigos Andrade Paes esclareceu-me que o M não entrava na sigla porque os camiões e as máquinas não precisavam: não tinham frio!
O que me fascinava eram os dumpers. Ainda dei umas voltinhas à boleia (se o arquitecto Andrade Paes soubesse...).
Ah! quanto às casas sociais, a tua e a minha ali na Rua Capitão Curado são obra dele; aliás, eu "nasci" na casa nova dos meus Pais, quando sairam da Baixa, em 1955. Só não tenho a certeza de que tenham sido essas as primeiras casas sociais feitas pelo saudoso arquitecto.
... ... ...
Obrigado.

ZN..." - 02/06/2004


O Arquitecto Afonso Henriques Andrade Paes, natural de Válega (da família Soares Paes, comerciantes em Ovar), formado na Escola de Belas Artes do Porto, casado com a escritora Glória de Sant’Ana, nossa ilustre colaboradora, partiu, aos 25 anos, para Moçambique, onde fez trabalhos da sua especialidade em Nampula, cidade onde viveu 2 anos e onde fez o seu 1° projecto de construção civil, e em Porto Amélia, para onde partiu, a pedido do Governador, que lhe encomendou um projecto de casas sociais, ali constituindo a sua empresa (A.H.A.P) de Arquitectura, Engenharia e Construção.


Obs.: As cidades de Ovar e Peso da Régua são consideradas "Irmãs"... Existe em Ovar a "rua da Régua" e na Régua a "rua das Vareiras".


*Vareiros(as) são designados os naturais de Ovar.


E é bom lembrar e repetir que as ruas e recantos de Pemba sempre irão "falar" deste seu incansável obreiro... J. L. Gabão
Posted by Hello

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