terça-feira, 15 de maio de 2007

Cabo Delgado - Meluco - Elefantes & Cia. são inconvenientes...


Elefantes destroem produção e matam – a população acusa o Governo de proteger mais os animais bravios do que as pessoas.
Animais bravios, principalmente elefantes, estão a provocar vítimas mortais e a destruir diversas culturas dos camponeses, no distrito de Meluco, situado na região centro da província de Cabo Delgado. Por exemplo, no posto administrativo de Muaguide, duas pessoas foram mortas por elefantes.
O problema sobre os animais bravios foi dado a conhecer ao governador de Cabo Delgado, Lázaro Mathe, na sua recente visita de trabalho de três dias àquele ponto da província, no âmbito da verificação do grau de cumprimento do Programa Quinquenal do Governo, através do Plano Económico e Social (PES) 2007, no seu primeiro trimestre.
Durante a sua estadia em Meluco, o dirigente de Cabo Delgado manteve encontros separados com membros do Conselho Consultivo, líderes comunitários e velhos influentes, para além de orientar a sessão extraordinária do Governo distrital e comícios populares.
Tal como já se torna regra dos governantes em Moçambique, Mathe não deixou de, na sua visita, se reunir com camaradas seus e com antigos combatentes, mesmo estando em missão de Estado e usando meios do estatais.
Porcos e macacos:
Segundo depoimentos da população, os animais bravios, nomeadamente elefantes, porcos, macacos e saguis destroem constantemente a produção nos períodos de maturação, para além de cereais guardados nos celeiros tradicionais.
Os elefantes, para além de destruírem a produção de diversas culturas nas machambas, circulam até às proximidades das zonas residenciais e criam pânico, dor e luto nas famílias.
Entretanto, desde a campanha agrícola finda, as estruturas governamentais têm vindo a sensibilizar os camponeses para a abertura de machambas em bloco e para o uso de métodos tradicionais como a utilização de piri-piri, o batimento de latas e fogueiras nocturnas. Mas estas práticas mostraram que servem apenas para macacos, porcos e saguis.
Conflito homem-animal tem os dias contados:
Em todos os encontros que o governador de Cabo Delgado realizou com a população, nas sedes das localidades de Imbada e de Ravia e na sede distrital, a população queixou-se do conflito homem-animal, que se regista todos os anos naquela região da província, e acusou o Governo provincial de proteger os animais em detrimento das pessoas. A situação é mais dramática para a população que vive dentro do Parque Nacional das Quirimbas.
Em resposta, Mathe disse que o conflito homem-animal tem os dias contados, pois, dentro em breve, será criado um comando composto por polícias, soldados e fiscais do parque e do Governo. Esse comando terá como missão a defesa de pessoas e bens e o abate de animais que criem problemas, neste caso concreto elefantes que estiverem a criar pânico nas áreas de residência e nas zonas de produção.
O distrito de Meluco é rico em animais, quer em número, quer em diversidade de espécies, e os órgãos administrativos locais consideram a fauna bravia como sendo um potencial turístico e para a caça comercial. Os macacos e os elefantes, para além de leões e gazelas, são particularmente abundantes. Por causa disso, há sempre relatos de ataques a pessoas e de destruição de produção nas machambas em cada campanha agrícola. Neste momento decorre um processo de levantamento exaustivo do número de hectares de machambas destruídos pelos animais.
Outros problemas de Meluco:
Outros problemas apresentados pela população de Meluco ao governador de Cabo Delgado estão relacionados com o seguinte: precárias vias de acesso, abastecimento de água, transporte semicolectivo de passageiros, ambulância, unidade sanitária, armas de fogo para afugentar elefantes, e residências de construção convencional para presidentes das localidades.
Em resposta, Mathe disse que consta no plano do Conselho Consultivo a construção de fontes de água. Neste momento, o empreiteiro está a reunir o equipamento para dar início às obras. Em relação à ambulância, responsabilizou imediatamente a Direcção Provincial de Saúde para resolver o problema. Prometeu soluções a curto prazo sobre as questões de armas de fogo, de construção da unidade sanitária na sede da localidade de Ravia, que fica a mais de 30 quilómetros da sede do distrito, e sobre a reabilitação das vias de acesso.
SAVANA – 11.05.2007 - Por Afonso Alberto, em Cabo Delgado.
In "Moçambique Para Todos".

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