terça-feira, 21 de abril de 2009

Moçambique - Purificação das águas através de semente de uma planta.

16 projectos de desenvolvimento na área da ciência e tecnologia em Moçambique.

O governo moçambicano atribuiu hoje 16 milhões de meticais (431 mil euros) a 16 projectos locais de desenvolvimento na área da ciência e tecnologia, um deles de purificação das águas através da semente de uma planta. Os projectos foram atribuídos através de um Fundo Nacional de Investigação, criado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em 2005 e que já atribuiu verbas a projectos como o da investigação em búfalos de doenças de animais transmissíveis aos homens.

Hoje receberam apoios projectos como o desenvolvimento da cultura intensa na planície de Xai-Xai (província de Gaza), para apoiar 150 crianças órfãs, o regadio de Moidumbe (Cabo Delgado) ou as energias renováveis em Panda (Inhambane).

O Ministério apoiou também um projecto de desenvolvimento da cultura da Moringa oleífera em Mabalane, província de Gaza, que para já vai dar emprego a 30 pessoas, pretendendo-se sensibilizar 32 mil pessoas para a importância do cultivo da planta. Segundo o administrador de Mabalane, Manuel Macamo, a cólera e a diarreia matam 600 pessoas por mês no distrito, na maior parte dos casos por falta de água potável. No distrito, adiantou, só 25 por cento da população conhece a cultura da Moringa, uma planta que se adapta bem a ambientes secos, como é a província de Gaza. A Moringa, uma planta originária do norte da Índia e com alto teor de vitaminas A, C e Cálcio, pode ser utilizada como purificador natural através das sementes trituradas, substituindo os purificantes químicos, caros e nem sempre disponíveis, salientou Manuel Macamo.

Mortes por água não potável.
O responsável frisou que o uso da Moringa como purificador de água pode reduzir substancialmente o número de mortes atribuídas à ingestão de água não potável, além de que a planta pode comer-se e pode ser utilizada, folhas e polpa, como adubo. Os frutos, as folhas e as sementes torradas podem ser consumidos e o óleo obtido das sementes para preparar alimentos e ainda para fazer sabonetes e combustível para candeeiros. A cerimónia de hoje foi presidida pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Venâncio Massingue, que lembrou o compromisso do governo de até 2010 disponibilizar um por cento do PIB para a área da Ciência e Tecnologia. A Ciência e Tecnologia recebia há quatro anos 0,23 por cento do PIB, percentagem que passou para 0,8 por cento no ano passado, disse o ministro.
- 20/04/2009 - "Ciência Hoje"

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