sábado, 23 de maio de 2009

Município de PEMBA procura em Portugal parcerias...

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Em Portugal : Presidente do município de Pemba à procura de parcerias responsáveis - O presidente do Conselho Municipal de Pemba, em Cabo Delgado, Sadique Âssamo Yacub, que esteve semana passada em Portugal, por ocasião do Congresso do Clube das Mais Belas Baías do Mundo, no qual a de Pemba foi admitida formalmente para aquele grupo, aproveitou a sua presença para uma série de contactos visando a atracção de investimentos para a autarquia.

Yacub visitou a indústria metalomecânica do grupo FERPINTA, cuja história remonta dos anos 60 e que está a evoluir, marcando a sua presença em muitos países, incluindo Angola, Espanha e Moçambique.

O edil manifestou interesse no mercado de reboques e alfaias agrícolas, e disse que um dos grandes desafios do município é acabar com a problemática da recolhida de lixo que propicia a eclosão de doenças. Acrescentou que na cidade de Pemba o lixo é uma dor de cabeça, sendo que a admissão da urbe no clube das mais belas baías do mundo acresce as responsabilidades da edilidade do ponto de vista de melhoria das condições de vida dos seus habitantes.

“Eu prefiro que o desenvolvimento propriamente dito seja retardado, a favor duma recolha eficiente e eficaz do lixo. Nós não podemos respirar lixo. A cidade deve ser limpa, permanentemente limpa. Já é das mais belas do Mundo, mas também deve ser das mais limpas, pelo menos no plano interno”, disse o presidente da autarquia de Pemba.

O desafio do município, segundo o seu edil, é assegurar que o desenvolvimento da autarquia ocorra em simultâneo com a melhoria das condições de vida das populações e a preservação e conservação do ambiente.

Para tanto, conforme Sadique Yacub, o sistema de recolha do lixo deve ser eficiente, os jardins públicos existentes e outros por criar nas linhas divisórias das principais artérias da cidade, devem ser regularmente regados, ao mesmo tempo que se procurará a melhor saída para o problema de abastecimento de água, entretanto numa fase de reabilitação.

Nas conversações havidas entre o presidente do município de Pemba e o grupo FERPINTA ficou assente que a cidade vai adquirir naquele complexo industrial reboques para a recolha de lixo, tanques de água para a rega dos jardins, que servirão, igualmente, para o combate a incêndios e vai comprar alfaias agrícolas para a sua utilização na cintura verde, tida como a base de sobrevivência alimentar do seu município.

Uma posição defendida por Sadique Yacub, e que foi acolhida pela sua contraparte, na pessoa do seu administrador, Paulo Pinho Teixeira, tem a ver com a garantia de que as populações que são aconselhadas a abandonar os locais onde viviam para dar lugar à implantação de unidades hoteleiras e outros empreendimentos turísticos não possam ser abandonadas, apenas com o pagamento de indemnizações.

“Deve haver e peço que nos ajudem a implementar um programa que viabilize que as pessoas, depois de receberem as devidas indemnizações, tenham projectos de desenvolvimento, que as pessoas cresçam com o dinheiro que recebem, façam a agricultura e possam sobreviver, sob o risco de volta e meia de novo colidirmos com as mesmas pessoas e com os mesmos níveis de pobreza”.

Soubemos, na oportunidade, através do administrador do Grupo FERPINTA, que há interesses da sua parte de construir três complexos hoteleiros de luxo e um campo de ténis, no bairro de Chuíba, para o que contactos estão numa fase adiantada para a sua concretização. Porém, Paulo Pinho Teixeira deixou alguns recados: “Não haverá nenhum projecto viável de turismo enquanto não se resolver o problema das dimensões do aeroporto de Pemba, reconhecidamente diminutas, o que não permite a aterragem de aeronaves de grande porte, sem serem feitas as estradas que liguem os diferentes pontos de interesse turístico projectados e sem hospitais que fiquem perto dos mesmos lugares”.

Teixeira disse que são muitos os turistas que desistem de ir a Pemba, quando se apercebem que para isso precisam de gastar cerca de três horas a mais, de avião, apenas porque devem ir primeiro a Maputo, simplesmente porque o aeroporto de Pemba não tem as dimensões desejadas.

“Os turistas querem ir a Pemba, não a Maputo, mas são obrigados a fazer ligações ou até a dormir em Maputo, quando muito bem podiam ir directamente a Pemba, que na verdade fica mais perto da Europa do que Maputo. Por outro lado, as estradas e os hospitais facilitam a vida dos turistas, assim como nenhum investidor se sentirá seguro quando há convulsões sociais decorrentes da desocupação das terras pelos aborígenes em razão dos projectos turísticos”.

O grupo FERPINTA, segundo dados colhidos pelo nosso jornal, nasceu em 1962 e o seu historial remete-nos a um empreendimento, cuja qualidade dos seus produto neste momento começa com a recepção técnica da matéria-prima, rolos de aço e respectivos arcos, identificados durante as diversas operações tecnológicas para que em qualquer momento a rastreabilidade seja possível. Tem representações nas três regiões no interior de Portugal, Espanha, Angola, entre muitos países, e em Moçambique ele tem uma sucursal na cidade da Beira.

O presidente do Conselho Municipal de Pemba revelou à nossa Reportagem que no próximo mês vai adquirir pelo menos três reboques para a recolha do lixo, um tanque para a rega de jardins e alfaias agrícolas, destinadas à horticultura, na cintura verde da cidade.

“Tudo já foi negociado, as modalidades de pagamento, transporte, os pormenores alfandegários, entre outras facilidades, que incluem um desconto declarado pelo administrador daquela indústria, em 20 porcento sobre o custo total e real dos equipamentos”, disse o edil de Pemba.
- Pedro Nacuo, Maputo, Sábado, 23 de Maio de 2009:: Notícias.

Acrescento: Fica a esperança... A esperança que o "discurso" político se transforme em atitudes e as atitudes em fatos concretos que salientem a beleza natural de Pemba, cidade que nos orgulha e motiva.

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