terça-feira, 4 de agosto de 2009

Empregadores coreanos maltratam trabalhadores moçambicanos.



Acrescento: Lamentável... Entre tantas aberrações que vão desde a falta de higiene até à insegurança no manuseio de produtos químicos, é caricato, senão ultrajante, o "favor" que tal empresa faz, concedendo como algo generoso, "DOIS copos de leite semanais" aos trabalhadores moçambicanos. Infelizmente não é novidade esse tipo de comportamento por parte de coreanos e quejandos, já que, para baratear custos e inundar mercados com produtos em concorrência predatória, seus povos labutam e produzem muitas vezes, em seus próprios países, sob deplorável e desumano regime de escravidão. Escravidão que também exportam, tanto em termos humanos como de método.

Diário do País, Maputo, 4 de Agosto de 2009 - Trabalhadores moçambicanos empregues na empresa Topa Internacional, localizada no Município da Matola, província de Maputo, queixam-se de maus tratos perpetrados por empregadores coreanos.

Em causa, está o alegado não reajustamento do salário mínimo em vigor no país, o não pagamento do décimo terceiro mês, falta de equipamento de protecção, a não renovação do uniforme do trabalho, alimentação inadequada, maus tratos incluindo o uso de linguagem obscena, misturada com racismo a sabor de ódio, despedimento ilegal e falta do pagamento do subsídio de transporte.

Com vista a apurar parte das denúncias, a equipa de reportagem do Diário do País, escalou na manhã de ontem as fábricas “A’ e “B” desta empresa, onde observou dezenas de trabalhadores a operarem sem equipamento de protecção a manusear produtos químicos.

Trabalhadores abordados pela nossa reportagem, foram unânimes ao afirmar que estão agastados com a situação que se vive naquela empresa, realçando que “o proprietário da mesma se encontra fora do país há bastante tempo, ano passado não auferimos o décimo terceiro vencimento e muito menos o subsídio de transporte que vínhamos recebendo”.

No que toca à alimentação, os nossos interlocutores afirmaram que a empresa paga um valor igual a vinte meticais por dia para alimentação, valor insuficiente tendo em conta o custo de vida que se faz sentir no país.

Referiram que os vinte meticais que recebem como subsídio diário para alimentação não dá para
comprar uma refeição, realçando que “somos dados uma fatia de pão para o pequeno almoço diariamente”, disse uma das operárias para depois acrescentar que esta empresa prometeu dar um copo de leite duas vezes por semana o que não tem acontecido.

Quanto ao salário, os operários disseram que desde que houve um aumento salarial decretado pelo governo, o mesmo ainda não se fez sentir naquela empresa.

Director geral reage - Entretanto, o Director Geral desta empresa, Kihyoun Kim, disse em entrevista à nossa reportagem que o patronato tem envidado esforços no sentido de melhorar as condições de trabalho naquela empresa.

“Nós temos material de protecção como luvas, que infelizmente, os trabalhadores não as usam durante o trabalho”, disse Kim para depois acrescentar que em todas as segundas-feiras são distribuídos novos pares de luvas aos trabalhadores.

No que diz respeito ao aumento do salário mínimo, a fonte disse que o atraso verificado no ajustamento do mesmo deve-se às negociações que estão sendo feitas em parceria com o sindicato local e que depois vai se proceder com o pagamento dos retroactivos a partir do mês de Abril.

“Temos dado até este momento um valor de vinte meticais com vista subsidiar o almoço dos trabalhadores.”, disse a fonte.

Aliás, de acordo com a fonte, a alimentação era servida no recinto desta empresa, mas desde a altura em que o Ministério da Saúde fez uma inspecção, mandadou parar com esta actividade, devido as más condições de higiene.

A fonte refutou as acusações ninguém nesta empresa, muito menos meus empregados, tenho boas relações com eles, pese embora haja algumas divergências noutras situações”, disse Kim. Refira se que a Topa Internacional, localizada na Machava, existe há mais de 13 anos, opera este ano com mais 120 trabalhadores na produção de sacos.

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