10/20/10

O Sevilha


O Sevilha, em serviço de carrada de feno, chegara de Leomil, havia mais de uma hora, e não abrandava a respiração. A taquicardia assustava. Suado, babando-se anormalmente, recusando a manjedoura ou o balde da água, irrequieto, o cavalo dava quase a certeza de se ir acabar. A cena amargurava-o: tonto e trémulo, a lutar aflitivamente pela sobrevivência, meneando a cabeça, o desespero nos olhos mortiços.

O Pedro e o Raul olhavam e pediam que aquilo parasse.

João, contudo, veio espraiar-se na noite. A tortura, fosse de quem fosse, causava-lhe uma espécie de vómito, um remorso de impotência. Mandou um berro ao Farrusco, um « Chus! » ao Marquês, e sentou-se num degrau das escadas. Sentia-se frustrado, cheio de cansaço. Não era lá muito dado às coisas equestres, mas apreciava um passeio pelos caminhos da serra, escutando o eco do repisar dos cascos, em trote cadenciado, no asfalto da estrada. Lembrava-se do Castanho da sua meninice, que o seu Avô usava nas idas a Portelo, e de encolher-se todo a assistir à sua ferragem numa loja do cimo de Medreiros. Uma manhã, com o sol bem aberto, foi à cavalariça, mas o Castanho já lá não estava. O Avô, que aliava a diligência ao pragmatismo, vendera-o quando a paralisia lhe encurtou os caminhos e as esperanças de o voltar a montar.

O Sevilha aparecera numa tarde inflamada de Julho, admitido em morosa caravana de ciganos, a caminho de Bagaúste. Vinham de Moimenta, um dos pousos intercalares da peregrinação que se iniciara nos campos de girassóis Bejenses em demanda de novos comércios. O bando tinha a epiderme do Sul, o remoque andaluz e o engodo colé de pespegar um estorvo. Por umas notas discutidas de comprador e valorizações aumentadas de vendedor, o Sevilha ficou perto do final da viagem e muito longe da nascença. Não fora feito para o exacto: ora gazil, ora mofino, não tinha domação. Nunca se esqueceria daquela tarde, no Paraíso, uma chuva miudinha, num contra-senso de Agosto, a bater no descampado: o Quim, teimoso e valente, à terceira ou quarta vez, monta-o em pêlo, agarra-se às crinas e chega-lhe as esporas. Rapaz!, aquele desalmado voa pelos carreiros, salta o muro da vereda, estanca como se tivesse visto uma serpente, empina-se na vertical, à moda dos seus congéneres domesticados no Circo, e o Quim, deslizando como bola em gelo, vem por ali abaixo espojar-se no chão. Furioso, volta a insistir, grita-lhe meia dúzia de pragas; o Sevilha, enraivecido, abana-o impiedosamente, ergue-se de novo e espanta-se, lamaçal fora, como se levasse o diabo no corpo, sumindo-se pelos atalhos da caruma humedecida, deixando o teimoso cavaleiro aos berros, depois de se levantar, qual Ranger liberto do charco lodoso.

Tinha pena do animal, simpatizava com ele, com aquela insubordinação selvagem, mas, rodeava-o a uma prudente distância, que um coice dele mandaria um homem para o cemitério. De uma vez, no fundo do Caminho Velho, com os presos, pendurados nas janelas de grades abauladas, a fumarem os cigarros oferecidos, bem vira, montado no Dourado, um burro manhoso mandar uns pinotes traiçoeiros ao próprio dono que se esfalfava em elogios para melhor o mercar. O asno, logo de seguida, posto de banda o patrão agarrado à sua virilidade, arremete-se à égua do Pedro, tasquinhando-lhe o traseiro em sanha louca. Esta, tomado o freio nos dentes, desata em desenfreada correria com o burro a pisar-lhe a poeira. Transcorrido o caminho em escassos minutos, a perseguição só terminou à vista das primeiras casas do Fontão, o povoléu, aos janelos, a julgar que uma ventania se levantara da terra. João, que não morrera de susto em África, de tanto esporear o Dourado para alcançar os fugitivos, chegou ao fim tão exausto que até lhe parecia ter despertado dum sonho assombrado.

Agora era este bicho, rude e corpulento, que agonizava. Puxou de um cigarro. A família estava diante da televisão. Era a época das praias e das curas de águas. Os que podiam, procuravam as cidades da beira-mar ou as termas das bicas e dos arvoredos. Os que ficavam, sentiam-se mais livres e a calma das noites tornava-os donos do mundo.

O dia correra abrasador e os interlúdios de chuva, pelo fim da tarde, amansaram a febre da terra. As vinhas, aganadas, esmoreciam agora; as hortas engoliam a água das regas vesperais e um odor de fertilidade dispersava com a brisa. Estava uma lua cheia, de cor sílice, tão bonita e arrebatadora como a que o enfeitiçara nos matos africanos. Os castanheiros erguiam-se, no morro em frente, envoltos por manchas eternas. Os vinhedos, taciturnos, estendiam-se de cachos túmidos a aguardar os fins de Setembro. Um pinheiro manso, no cimo de uma lacónica elevação, lembrava, no seu aprumo, um Rei sem trono, em exílio prateado, a fingir que mandava. À direita, para os lados do pomar, um riacho lambia as margens, alargando-se um tanto depois da ponte, junto da Capela da Senhora das Neves. Mais acima, a Casa Grande, enorme e abandonada, alimentava lendas de lobisomens em madrugadas de medos. Atrás, no monte do Calvário, fronteiro ao povoado, erguiam-se as cruzes das bruxarias arcanas onde os loucos gemiam e as mulheres de porta aberta espolinhavam nos penedos.

João escutava a noite, a música da água da mina, insinuando-se por entre os feijoeiros, a cair na valeta em ruído inalterável. Respirava-se uma leveza claustral, uma percepção abstracta sobre a materialidade das coisas, aquele cheiro a terra molhada, aquela força de vida que tanto nos explode em megalegoria como nos constrange em abatimento diante da grandiosidade da Criação.

Como um soco à falsa fé, um estrondo seco, de fim rápido, fê-lo saltar. Desceu as escadas com uma dor esquisita no peito, um pressentimento de certeza antes de confirmada, e entrou de sopetão na cocheira. O que temia já não tinha remédio: estendido, inerte, em posição de mortal renúncia, o cavalo acabara o seu ciclo. João olhou o Pedro, debruçou-se na divisória de madeira e ali ficou pregado àquele cadáver gigante.

O Sevilha era um equídeo de bela estampa, desenhado a traços precisos. A morte dera-lhe a perfeição: um focinho ósseo e geométrico, uma crina rebelde, um dorsal bem realizado em ondulação de boa estirpe a terminar numa cauda espessa e patas firmes com umas mãos que pisavam garbosamente; no conjunto era um cavalo de tom acinzentado a calhar com umas malhas brancas dispersas. O seu corpo enrijecia a pouco e pouco, as patas saídas do taipal. À violência anterior sucedia a calma-fim-de-tudo.

- E agora? – perguntou a palidez do Pedro.

- Temos que o enterrar, não pode ficar aqui! – exclamou o Raul, de cigarro a tremer entre os dedos.

- E tem de ser no Paraíso, era onde ele se sentia realizado - acudiu João, acentuando as palavras. – Ao menos na morte, deve-se-lhe dar o espaço da liberdade - completou numa sensibilidade que soou excêntrica.

Não falaram, mas pensaram. Como levá-lo dali? O Raul que, no seu estatuto de Feitor, se achava necessário para resolver os assuntos mais complicados, alvitrou o tractor do Penteado que ele conhecia bem e não recusaria o pedido, mesmo que, já deitado, tivesse que se levantar. O Pedro e o João, cultores do recato do sangue, não queriam falatório e puseram-se de acordo na utilização de um velho carro que, bem descrita a sua estória, exemplificaria uma saga familiar. Enlaçaram uma corda às patas do Sevilha, passando-a pelo resto do corpo como quem ata um embrulho, e prenderam-na ao semieixo do automóvel.

- Isto vai rebentar tudo! Vamos ficar com o cavalo no meio do caminho e o carro desfeito! Vai ser o bonito! – esbaforiu o Raul. – Eu fujo! Não estou para levar umas troviscadas de algum maluco do Calvário! – continuou, para cá e para lá, como se andasse à procura de outra solução.

O temor do Raul, mais faceiro que autêntico, não amenizou as preocupações. Arranjaram-se umas pás e enxadas e arrancou-se lentamente para evitar algum esticão repentino, não forçando a primeira, até se conseguir manter uma velocidade uniforme. O volume do animal impressionava; as chispas dos cascos, na estrada, assemelhavam-se a línguas de fogo em borbotão; o Pinheiro Manso, quando o passaram, dir-se-ia que teve uma súbita tremura; da casa Grande, sem uso, veio um guincho de rapina; na Capela da Senhora das Neves, de paredes sem reboco há muitos anos, o pavio da lamparina do altar tremeluziu como sob o cicio de uma prece mais intensa; e, no monte da bruxaria, só se conjecturavam indícios. Quando chegaram perto das primeiras casas aceleraram um pouco para se furtarem a hipotéticos olhares. Porém, dois aventais brancos que fumavam à porta da padaria, assim que ouviram o roncear de motor, ultrapassaram a soleira e, à visão daquilo, espantaram-se para dentro como se esgazeados por uma visão demoníaca. «Porra!, já nos viram!», desolou-se o Pedro, «Aqueles já não dizem mais nada! Ficaram tolhidos!», descansou o Raul. Alcançada a orla da mata, o chão, amaciado pela chuva da tarde, apagou as faíscas e refrescou o cadáver do Sevilha. Um bando de aves adejou, em alvoroço, por sobre o barulho, em busca de outros galhos.

Abriram, durante horas, uma cova junto do improvisado picadeiro onde o Sevilha dera mais voltas que uma qualquer mota do Poço da Morte. Ia alta a madrugada quando o cavalo, finalmente, descansou da sua insubmissão.

Sentaram-se os três numas pedras deslocadas debaixo do souto secular. O satélite da terra, sobre São Gregório, filtrava uma claridade de luto e uma perdiz cantou no vale da Teja. Os caminhos de Gogim esperavam o dia para levantarem a poeira e a ermida de Arícera vigiava o descampado.

Quando abandonavam o lugar, João ainda viu o Sevilha, de focinho levantado e crinas ao vento, zunindo pelos castanheiros num vendaval de liberdade.
- Texto de M. Nogueira Borges* extraído com autorização do autor de sua obra "O lagar da Memória"
  • Também pode ler M. Nogueira Borges no blogue "Escritos do Douro". *Manuel Coutinho Nogueira Borges é escritor nascido no Douro - Peso da Régua.

10/15/10

EMBOSCADA

(Clique na imagem para ampliar - Imagem composta de itens recolhidos na net)

Chove cacimbo
Na terra do fim do mundo,
Uma lua sorrindo
Na floresta sem fundo.

O dia há-de nascer do seu útero fecundo
Envolto numa humidade de vapor,
Num grito de dor,
Carne inocente a arder.

Ninguém pode dormir para esquecer,
Só há tempo para morrer
Ou viver.

Os soldados,
Enlameados,
Como vermes enrolados
Numa espera fatal,
Só pedem um sinal,
Um barulho de metal,
Para libertarem o medo,
Estoirarem o sossego.

No ventre da selva há gritos
E tiros,
Correrias e rebentar de granadas,
Dois corpos de pernas decepadas.

Uma estrela apareceu,
Mas breve desapareceu.
Foi a vida que nasceu
E logo morreu.

Lá longe, na beira rio das arcadas,
Na Praça das Medalhas,
Dos Dez de Junho Imperiais,
Ditadores imortais
Não querem saber
Que a geração sacrificada
Esteja a morrer
Para nada.

- Poema de M. Nogueira Borges* extraído o livro "Lagar da Memória".

  • Também pode ler M. Nogueira Borges no blogue "Escritos do Douro". *Manuel Coutinho Nogueira Borges é escritor nascido no Douro - Peso da Régua.

10/14/10

OS LADRÕES E O CHAMBOCO

Não me lembro ao certo como ali parei. Apenas sei que o ambiente do mercado Mbánguia estava em fervescência como sempre, com os vendedores e compradores a realizarem suas pretensões num ambiente cordial, ameno e respeitoso, tal como as regras costumeiras recomendam. Mas aposto que, naquela manhã de céu azul, eu e minha malta de infância haviamos desembocado naquele aglomerado populacional impelido por algo “nobre” e próprio da adolescência, como, por exemplo, o passeio livre e sem destino pré-definido, facto que acontecia com frequência naquele tempo. Eram passeios que não punham ninguém temeroso, pois, todo mundo se conhecia até pelo nome. Era o tempo de Pemba do antigamente, tão distante que até “despedaça” os coraçoes dos que viveram aquela época saudosa.

Contudo, já voltando ao cerne destas linhas, algo surpreendente naquela manhã e naquele local sucedeu. Certamente que alguém no meio da multidão sabia o que ia suceder, mas também é certo que muitos, como nós, nada sabiam até que, de um momento ao outro, as entradas exitentes nos quatro cantos do quintal do mercado, feitos de estacas e bambú, ficaram forçosamente fechadas e consequentemente a actividade comercial interrompeu-se por ordem de quatro milicianos fortemente armados, que gritavam incansavelmente:

- Silêncio, silêncio, silêncio…

De súbito, o frenesim do mercado interrompeu-se e os populares prestaram prontamente a atenção aos milícias. Junto destes, achava-se um homem vestido ao rigor da época: uma balaláica e calça castanha de caquí e sapatos pretos polidos ao ponto. No entanto, os murmúrios dos que se achavam no mercado foram baixando paulatinamente e o homem de balaláica, ostentantando uma estatura baixa, corpo magro, cabelo curto e barba feita cuidadosamente, dirigiu-se a multidão que lhe devorava com os olhos aguçados pela curiosidade:

- Viva o povo unido!
- Viva, viva, viva! – Era a palavra de ordem e o povo tinha-a na ponta da lingua.
- Abaixo os ladrões, inimigos do povo!
- Abaixo, abaixo, abaixo.

Rapidamente esta palavras suscitaram curiosidade desmedida entre os presentes, pois, o memento em que se vivia, qualquer discurso que iniciasse nestes moldes antevia alguma novidade de interesse popular. Mais, o país vivia a guerra de desestabilização e qualquer mensagem saída da boca de autoridade tinha seu crédito, uma vez que, quanto mais as pessoas ficassem informadas, mais possibilidades haviam de precaver-se. Assim viviam as pessoas nos primórdios da guerra!

- Obrigado. - Palmas fortes ecoaram no recinto comercial. – Hoje viemos apresentar-vos os que sabotam o nosso desenvolvimento, a nossa afirmação como nação independente e a nossa unidade.

Quem seria? Um bandido armado? Estes eram questionamentos óbvios que cada um ali presente fazia. No entanto, este enigma não tardou a desvendar-se, pois, enquanto o homem de balaláica discursava, foram trazidos ao centro da moldura humana quatro homens algemados e com feições intristecidas. Perfilados e cabisbaixos, os homens deteram-se ao lado esquerdo do homem de balaláica aguardando a apresentação pública e a execução do veredicto do tribunal popular. Nos seus olhos e nas suas expressões faciais era notória a vergonha e a humilhação. Todavia, nada tinham a fazer para contrariar o destino que, por ganância ou ironia do próprio destino, eles mesmo haviam traçado ou tecido, contrariando a ordem instalada e desafiando a força e euforia do povo, quem o poder lhe pertencia.

- Estes homens foram confiados para nos servir, mas por ganância preferiram servir interesses pessoais roubando o que é do povo.

O povo acompanhava atentamente o discurso excessivamamente politizado e pacientemente aguardava a súmula do mesmo. Fez-se um silêncio, mas logo a voz do homem voltou a ouvir-se.

- Vocês conhecem estes homens? – Apontou com dedo em ríste aos quatro homens cabisbaixos.
- Não! – Gritou o povo desordenadamente.
- São trabalhadores de três cooperativas de bens de consumo. – Fez uma pausa para raciocinar. – Há seis meses que vêm roubando produtos de primeira necessidade, como: arroz, óleo de cozinha, açucar, sabão, etc, e este acto fez com que centenas de famílias fosse prejudicadas em abastecimento, isto é, estas famílias receberam alimentos e outros produtos que não corresponde ao real número do agregado familiar e outras ficaram privadas deste direito, como consequência dos actos destes senhores. Como devem saber, cada grão de arroz abastecida às cooperativas pertece alguém de algum agregado familiar, havendo a necessidade de fazer chegar ao destinatário sob o risco de privá-lo deste produto vital para a sua sobrevivência.

As mangueira frondosas do mercado Mbánguia balançaram ligeiramente agitando ramos e folhas como se concordassem com as palavras do discursante. Uma brisa suave cortou o mercado em diagonal afastando o ar quente e húmido que se fazia sentir.

- Assim, – Prosseguiu o homem de balaláica. – pelo que fizeram, foi-lhes aplicado a pena de vinte chambocos cada e seis meses de prisão.

Um ululu forte e calorosos aplausos emergiram do meio da multidão em saudação à decisão tomada e da boca do homem de balaláica soltou-se uma canção revolucionária que foi imediatamente entoada em coro pelos presentes. No fim, foi trazia ao meio da moldura humana uma cama de ikampala e imediatamente o primeiro ladrão, um homem alto, claro, cabeludo e de barba desleixada, foi amarado de bruços junto a cama para não escapulir. De seguida, um miliciano robusto aproximou-se com um chamboco e quando a ordem foi dada, o chamboco assobiou no ar e no fim ouviu-se um estalo forte acompanhado de um grito de cortar o fôlego. Todavia, as chambocadas prosseguiram com o ladrão agritar pedindo mil desculpas. Este gesto, repetiu-se para o resto do grupo e foi muito doloroso assistir, contudo, parte dos espectadores incitava o miliciano a chamboquear demasiadamente para servir de lição a outros homens com pensamento semelhamente a dos quatro ladrões.

Quando o “espectáculo” terminou, as saidas do mercado foram abertas para permitir a retoma da vida do mercado e os ladrões foram levados de Waz para o calaboiço. E como não podia deixar de ser, o sucedido alimentou conversas quase o resto do dia e, pelo interesse que o assunto suscitara, certamente que servira para desencorajar atitudes semelhantes em muitos que até então roubavam ao povo.
- Allman Ndyoko - Moçambique, 13/10/2010


Vocabulário:
Ikampalacorda de palha tecida que normalmente no norte de Moçambique serve para fazer o leito da cama feita na base de estacas;
ChambocoCacete. Chamboco foi uma expressão que evoluiu ou foi frequentemente usado no tempo em que Moçambique adoptara o socialismo;
Chamboquearacto de cacetear;
Waz Carro de fabrico russo, que geralmente era usado pelas forças de defesa e segurança do período socialista.