10/22/05

HIV - Campanha em Moçambique II

Governo prevê mais de 15 mil mortes por SIDA na função pública.

Mais de 15 mil funcionários públicos, entre professores e técnicos de Saúde, vão morrer vítimas de SIDA até 2010 em Moçambique, segundo uma estimativa governamental que apontou que 95 por cento das infecções devem-se a relações sexuais desprotegidas.
Segundo o ministro da Saúde de Moçambique, Ivo Garrido, prevê-se que 9.200 professores e 6.000 profissionais de Saúde do país, incluindo enfermeiros, morram nos próximos cinco anos em resultado da doença que afecta 16 por cento da população adulta de Moçambique (entre os 15 e 49 anos), de um total de mais de 18 milhões de habitantes. "Isto irá levar a uma diminuição do número de professores e profissionais da Saúde, na medida em que a nossa capacidade de formação será menor do que o ritmo de morte", advertiu Ivo Garrido, que falava no parlamento moçambicano.
Deste modo, acrescentou, haverá superlotação de unidades sanitárias e "gastos astronómicos" na compra de medicamentos e em outras intervenções relacionadas ao combate à doença.
Em 2004, 97 mil moçambicanos morreram de SIDA, nomeadamente 20 mil crianças menores de cinco anos, de um total de 1,4 milhões de infectados por HIV, vírus que causa a SIDA. Destes, contam-se 800 mil mulheres, 570 mil homens e 80 mil crianças.
Ainda no último ano, registaram-se mais de 100 mil novos casos de HIV/SIDA no país, dos quais 34 mil foram raparigas menores de 20 anos. "Este facto demonstra claramente uma feminização da SIDA", pois, "a vulnerabilidade da mulher ao HIV/SIDA para além de factores biológicos, também se deve a factores sócio-económicos que afectam negativamente a rapariga e a mulher jovem", sublinhou. "A esperança de vida média dos moçambicanos diminui de 46 para 38 anos" devido à SIDA, concluiu o ministro da Saúde de Moçambique.

Via: Notícias Lusófonas de 22/10/2005

10/21/05

Mocimboa da Praia...ainda ! - X

POR SUPOR-SE SER O LÍDER DOS DESACATOS DE MOCÍMBOA DA PRAIA, Frelimo quer expulsão do deputado da Renamo da Assembleia da República.

Maputo -Continua a haver colisão entre os dois principais partidos moçambicanos: a Frelimo e a Renamo.
Ontem, no plenário e antes da ordem do dia que daria continuidade às perguntas ao Governo, a
bancada parlamentar da Frelimo voltou a desobstruir a ferida referente aos desacatos de Setembro último, em Mocímboa da Praia, os quais ceifaram mais de uma dezena de vidas humanas e contabilizaram cinquenta feridos, sendo todos referentes à população civil.
A Frelimo, algo que cheira ao pontapear da Lei- Mãe, é pela expulsão, da Assembleia da República (AR), do deputado da Renamo e representante político deste partido em Cabo Delgado, por supostamente ter liderado os desacatos da pacata vila de Mocímboa da Praia.
Armindo Milaco, ainda de acordo com o partido no poder, foi quem rebentou com as hostilidades, pois coube ao mesmo a tarefa de atiçar o fogo para que se empossasse Saíde Assane, candidato da Renamo, derrotado na eleição intercalar de Maio pretérito.
Com efeito, de acordo com fontes oficiosas, Assane perdeu o escrutínio por uma margem ínfima: 5%, pois ficou com 47% enquanto que o candidato da Frelimo, Amadeu Pedro, arrecadou 52%.
A "perdiz", na hora, disse que os resultados estavam adulterados e prometeu não reconhecer o resultado do escrutínio, facto que a levou a empossar o seu "edil", na localidade de Nanduada, a quatrocentos quilómetros da capital provincial, Pemba.
O facto foi presenciado por alguns populares, bem como por alguns membros da Renamo idos de Maputo.
Porém, os desacatos envolvendo a polícia, simpatizantes da Renamo e da Frelimo, teriam supostamente sido gerados pela criação do Governo paralelo e Milaco, tudo fez para que a manifestação ganhasse corpo.
Dadas as acusações e a pretensão de expulsar o seu deputado da AR, a "perdiz" não cruzou os braços.
Retribui pela mesma moeda e disse alto e em bom tom que, se houve hostilidades e morte de inocentes em Mocímboa da Praia, é porque a Frelimo tomou vanguarda nelas e é a "principal responsável" pelo sucedido.
O acalmar dos nervos de ambas as bancadas só foi possível com a intervenção do presidente da AR, Eduardo Mulémbwè. O mesmo chamou os deputados à razão ao explicar-lhes que deviam olhar ùnicamente para a discussão da ordem do dia, a qual levou de volta os ministros da Saúde e de Finanças, Paulo Ivo Garrido e Manuel Chang, respectivamente.
Na discussão de ontem, tal como na da quarta-feira última, voltaram à tona as questões referentes à dívida ao Tesouro, que ainda não foi paga e que os responsáveis seriam algumas pessoas ligadas à nomenklatura política hodierna.
No que se refere à Saúde, a questão referente à pandemia do HIV/SIDA é que foi predominante. A Renamo quis saber de Garrido quais é que eram as perspectivas do Governo com vista a diminuição do número de pessoas infectadas por esta doença.
Paulo Ivo Garrido reconheceu haver muito que fazer para inverter o cenário e aconselhou para que a mitigação daquela doença não fosse vista como tarefa do Governo, mas sim de todo o povo moçambicano.
Laurindos Macuácua

Texto extraído do: DIÁRIO DE NOTÍCIAS - Sexta-feira, 21 de Outubro de 2005 – Edição nº 505
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