11/11/05

Roberto Carlos...



Hoje, logo de manhã, a rádio tocava "Detalhes" do "Rei" Roberto Carlos...E, como sempre acontece, uma avalanche de recordações de nossa adolescência feliz na Porto Amélia de então surgiu...como também surgiu a vontade de deixar aqui o "caminho" permitindo que a "meia-dúzia" de visitantes deste blogue "pembista" viage um pouco no tempo e nos sucessos deste meu ídolo de jovem e de sempre.

O começo
No outono de 1941, no dia 19 de abril, nascia em Cachoeiro de Itapemirim, pequena cidade no interior do Espírito Santo, o quarto filho do Sr. Robertino Braga e Dona Laura Moreira Braga. Naquele dia, Norma, Lauro e Carlos Alberto ganhavam mais um irmão, o caçula Roberto Carlos. ‘Seu’ Robertino era o relojoeiro da pacata cidade e Dona Laura, costureira .
A família Braga morava no bairro do Recanto, numa casa modesta no alto de uma ladeira .
"Zunga" foi o apelido que Roberto recebeu ainda na infância.
Era uma criança normal e alegre, que adorava descer de bicicleta a ladeira perto de sua casa, empinar pipa e jogar futebol.
Acompanhado dos amigos, costumava banhar-se nas águas do Rio Itapemirim, onde, com o pai e os irmãos mais velhos, aprendeu a pescar.
Com seis anos, Roberto foi matriculado no colégio de freiras Jesus Cristo Rei.
Tempos depois, na Jovem Guarda, sua segunda professora do Cristo Rei, Irmã Fausta, lhe daria o medalhão que até hoje não tira do pescoço.
Roberto Carlos era uma criança calma e sonhadora, que passava horas ouvindo rádio, demonstrando muito interesse em música, aprendendo violão e piano -- a princípio com sua mãe e, depois, no Conservatório Musical de Cachoeiro .
Roberto Carlos gostava de cinema e era freqüentador assíduo das matinês de domingo, divertia-se com as comédias e filmes de aventura e emocionava-se com os romances .
Sua verdadeira paixão, no entanto, era a música.
Seu primeiro ídolo era Bob Nelson, um artista brasileiro que vestia-se de caubói, cantava músicas "country" em português.
Roberto gostava de cantar suas músicas.
Roberto tinha apenas nove anos quando, sua mãe, dona Laura, lhe sugeriu cantar na Rádio Cachoeiro de Itapemirim, prefixo ZYL-9, no programa matinal infantil de Jair Teixeira, apresentando naquele dia por Marques da Silva.
Na primeira vez em que se apresentou, cantou o bolero "Amor y más amor", sucesso na voz de Fernando Borel.
"Nunca fiquei tão nervoso na minha vida.
As pernas tremiam.
Eu pensava que isso fosse só uma força de expressão, porque até então não tinha sentido isso. Que coisa impressionante!" relembraria, anos depois.
Roberto continuou comparecendo ao auditório da rádio todos os domingos.
Dona Laura arrumava o filho com roupas feitas por ela mesma.
Roberto Carlos cantava e impressionava a todos com sua afinação e talento natural para a música. Assim, ainda na infância, a paixão pela música já estava em seu coração.
Seus pais gostariam que ele fosse médico, mas em nenhum momento deixaram de incentivar a vocação do filho.
Roberto havia escolhido a música.
Mais "sons" de Roberto Carlos e da "Jovem Guarda" estão arquivados no "Bar da Tininha 2" onde poderão ser acessados livremente por todos os Amigos.

Para ouvir os arquivos de áudio de Roberto Carlos no site oficial, você precisará do Plug-in Real Player. Se você não tem, clique aqui e faça download.

O IBO na ótica de José Forjaz.


Apresentação
(A propósito de trabalho do arquiteto Júlio Carrilho sobre a Ilha do Ibo).
Apresentar significa conhecer.
Apresentar significa respeitar quem se apresenta e a quem se apresenta.
Eu não conheço o Ibo.
Isto é, nunca lá vivi.
A última vez que lá estive foi há mais de vinte anos, e muito brevemente.
E no entanto respeito esse lugar, e no entanto parece-me conhecê-lo tão bem.
Talvez por ter a sorte de ouvir, dos amigos autores deste livro e de tantos outros, um relato tão vivo e tão intensamente emocionado que lhe sinto os aromas e os calores, a tristeza e a fatalidade, a história e a sensualidade, a fadiga e … a esperança.
Desta costa do Indico conheço alguns milhares de quilómetros, milhões de coqueiros e triliões de grãos de areia e de estrelas.
Descasquei-me em muitos dos seus sóis.
Aprendi como é difícil resistir-lhe ao encanto que nos propõe a miragem da mais nua simplicidade, do sol, da areia e do peixe, do vento e da chuva quente, das caras fantásticas do msiro, do Islão tolerante, e cúmplice das mais humanas fraquezas, e dum cristianismo benevolentemente tolerado.
Daí que tenha eu esta ilusão de que, afinal, também quase conheço este Ibo mágico que não deixa ninguém menos que enrodilhado nos seus próprios sonhos esquecidos.
Mas talvez não seja o Ibo que me pedem para apresentar mas sim a apresentação do Ibo e os seus apresentadores, pois que, neste estudo, o Ibo nos é muito bem apresentado.
Afinal já era de tempo de que algum nosso cientista e analista nos desse a lição que talvez tantos sabemos mas não sabemos transmitir: a lição de saber ver o que neste país temos, e de saber apresentá-lo a nós próprios e aos outros.
É verdade que tivemos que aprender esta lição.
É verdade que saber ver exige método e disciplina mental.
Exige mesmo, tantas vezes, que a razão se sobreponha à emoção, tão tentadora e encandeante que nos leva a intuições fáceis e a superficiais explicações.
Grande virtude essa do Carrilho, a que os outros autores não ficaram imunes, a de dar perfume à ciência e estabelecer-lhe as bases poéticas sem as quais a verdade é apenas uma construção mental.
É, sempre sua, esta virtude de explicar a forma pelo homem e o homem pelo sentimento para que, diz ele: “a história das gentes e das coisas impregnem os processos do saber”.
Muito me orgulho de ser “director” desta gente capaz e completa, que vai juntando a paciência a outras virtudes mais quantificáveis e académicas, sabendo esperar e aproveitar as oportunidades para fazer frutificar um trabalho de pura devoção.
Ao fim de muitos anos de tentar dirigir esta máquina de pensar, que é a Faculdade de Arquitectura e de Planeamento Físico, são trabalhos como este que me dão alguma certeza de que, afinal, valeu a pena insistir na criação de uma tradição de pensamento, de uma atitude mental e de um espírito de constante curiosidade e intransigência intelectual e científica.
Mas, e sobretudo, um espírito aberto à universalidade do saber que reconhece sem paternalismos as sofridas e sofisticadas ciências da sobrevivência e dos conhecimentos que se aprendem no leite da mãe, no exemplo do pai e no esforço da comunidade.
Só com estas armas mentais e com estes instrumentos emocionais se pode fazer justiça a uma cultura que não se encaixa nos códigos da escrita, da fórmula abstracta e da erudição livresca ou literária.
Com cada trabalho publicado vão-se elevando os níveis de referência intelectual da nossa colectânea.
O Carrilho, o Pires, o Cani e o Lage, a que se juntou a colaboração preciosa da visão da história do António Sopa, são parte importante desta fraternidade mental que, há tantos anos, procuramos construir à volta da ideia de que arrumar pessoas na paisagem e na cidade é uma tarefa muito nobre, apaixonante e de grande responsabilidade.
Não tem sido fácil este percurso, onde a distracção é tão frequente e a confusão dos objectivos mais profundos nos aparece tantas vezes mascarada com a capa de uma pretensa liberdade do espírito ou do imaginário feita, as mais das vezes, do móbil mais mesquinho da conquista duma notoriedade irresponsável em relação aos valores mais essenciais da justiça social e do equilíbrio ambiental.
Tem sido mesmo uma luta solitária e sem glória.
Por isso mais importante é que sejam produzidos e publicados trabalhos do pensamento e da emoção como este sobre o Ibo.
Sobre os méritos científicos e metodológicos da obra temos o testemunho importante do Professor Salvatore Dierna que, com a maior paixão e fraternal empenho, nos acompanha nesta campanha de inventar o quadro e a ideia de uma arquitectura moçambicana.
A ele, como a muitos outros dos nossos colegas italianos, ficamos a dever uma grande parte do suporte e do apoio, indispensáveis durante todos estes anos de luta pela qualidade do pensamento e pela intransigência intelectual, como a única via de criação daquela ideia, que este livro, tão justamente, exprime e condensa.
A todos, por isso, os nossos parabéns e os nossos agradecimentos.
José Forjaz. 30 de Novembro de 2004.
Via: Moçambique - Cidades, do portal da Faculdade de Arquitetura e Planeamento Físico da UEM