10/09/07

Moçambique - Os ventos sopram do NORTE...

Semana finda foi notícia o seguinte facto, a empresa americana Anadarko revelou as suas conclusões sobre os trabalhos da procura de petróleo na bacia do Rovuma. Disse a Anadarko, através dos seus porta vozes, para o Presidente moçambicano nos Estados Unidos, que após aturados trabalhos de pesquisa estavam decididos a começar com as perfurações, muito provavelmente em Janeiro de 2008.
A Anadarko foi mais explícita ao dizer que em comparação com as características geológicas de outras bacias, onde foram encontradas grandes reservas de petróleo, a bacia do Rovuma apresenta as mesmas configurações e formações geológicas que levam a ter a quase certeza de que há petróleo.
Os resultados obtidos durante as prospecções indicam uma possível existência de petróleo tanto na zona terrestre como nas águas profundas. A uma distância de oito milhas da costa.
Ainda na semana passada, a 26ª sessão do Governo de Moçambique aprovou os termos do contrato de investimento do Projecto Ayr Petro Nacala, cujo objectivo é construir e operar uma refinaria de petróleo bruto em Nacala Velha, com um investimento global de 5 biliões de dólares americanos, a refinaria terá uma capacidade de produção de 300 mil barris/dia destinados à exportação.
Há semanas, voltou a ser notícia a pretensão dos Estados Unidos da América de estabelecer em Moçambique, com maiores suspeitas em Nacala, uma base militar. Sobre este assunto, há um vigoroso não dos países da SADC , acompanhado por discursos inflamados dos militantes do nacionalismo moçambicano.
Recentemente, uma fragata americana escalou as águas moçambicanas.
A questão da base americana vem do seu tempo.
Mas é preciso recordar que foi em Nacala que o Marechal Samora Machel instalou uma das mais modernas esquadrlhas de aviação do exército moçambicano.
Perante os três factos descritos, interessa reflectir sobre os interesses que se desenham no norte de Moçambique.
Especulando, os americanos descobriram petróleo na bacia do Rovuma, o Governo moçambicano avança com um investimento de vulto, uma refinaria num porto naturalmente adequado e os americanos, atentos, querem controlar as rotas.
O raciocínio pode estar errado, mas os empreendedores moçambicanos que fizerem as malas para aquela região à busca de mais valia poderão tecer outros juízos num futuro breve.
E para o que nos resta, embora tudo se passe com uma velocidade osfucante, revisitemos a história, Nampula, concretamente, a Ilha de Moçambique foi a primeira capital de Moçambique. Contasse que muito ouro estava na superfície da terra e fazia a folia dos árabes.
O poeta chegou depois, com os dois olhos e não foi rei.
É preciso prestar atenção aos ventos que sopram do Norte.(x)
Benedito Ngomane - Aconteceu Assim... - MediaFAX 3885 de 08/10/07

10/08/07

Arquiteto Pancho Guedes - De Moçambique para a Suiça.

O arquiteto português e sua obra africana - A influência do arquiteto português Pancho Guedes na arquitetura africana está em exposição em Basiléia, Suíça.
A mostra, que ficará até 20 de janeiro no Museu Suíço de Arquitetura, exibe diferentes perspectivas do trabalho de Guedes em Moçambique nas décadas de 50 e 60.
São fotos, desenhos e esculturas de um dos mais renomados arquitetos modernos.
Amâncio d'Alpoim Miranda Guedes, conhecido como Pancho Guedes, nasceu em Portugal (1925), mas passou grande parte de sua vida em Moçambique.
Lá deixou sua marca registrada em prédios, casas e outros monumentos urbanos que mesclam tendências artísticas e culturais.
Do surrealismo ao estilo art nouveau; do dadaísmo às pinturas de crianças, da arte africana à cultura portuguesa.
"Acho que sou um eclético", resume ele, com muita modéstia.
O organizador da mostra e também arquiteto Pedro Gadanho faz uma análise diferente da importância de Guedes.
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Referência na arquitetura
"É interessante observar o trabalho dele passados alguns anos.
Acho que há hoje uma volta do minimalismo e do racionalismo no mundo das artes.
Nesse sentido, o trabalho de Guedes é atual e uma referência importante na arquitetura internacional", explica.
Para Gadanho há uma ênfase nas formas orgânicas, tão proclamadas nos trabalhos de Guedes.
A teoria do curador Gadanho batizou a mostra – Pancho Guedes, Uma Alternativa Modernista.
Guedes estudou arquitetura em Joahnesburg, na Universidade de Witwatersrand.
Logo demonstrou talento pelo design, com influência de Joan Miró, Paulo Klee e Picasso.
Na época, o pós-guerra pedia um estilo funcionalista: cidades devastadas pela guerra tinham de ser reconstruídas rápidamente.
Guedes vivia outra realidade: a África do Sul e a Central passavam por um boom econômico.
Mesmo assim, as idéias modernistas do suíço Le Corbusier chegavam aos arquitetos no continente africano.
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Le Corbusier e Nyemeyer
A mistura dessas influências é uma das marcas do trabalho de Guedes.
As formas de muitos de seus prédios incorporam as linhas de carros, aviões e navios.
Além da influência artística e social, o temperamento latino de Guedes colocou-o em contato com arquitetos brasileiros como Alfonso Reidy e Oscar Niemeyer.
Em muitos de seus trabalhos pode-se ver a influência de Niemeyer.
"Quando deixei Moçambique, pensei em morar no Brasil, mas havia uma situação complicada: pessoas presas, desaparecidas", lembra-se ele dos tempos da ditadura militar.
A maior parte de seus projetos – mais de 500 entre murais, casas e edifícios – estão na cidade de Maputo – antiga Lourenço Marques.
É a mais meridional de Moçambique e tem uma população de um milhão de habitantes.
O Leão que ri, Saipal Bakery, Zambi Restaurant são alguns deles.
Muitos de seus projetos não estão bem conservados – a mostra exibe fotos e filmes atuais de alguns deles.
"Isso é assim mesmo", conforma-se.
"Acho que é normal acontecer isso", diz ele.
Em vários deles há moradores.
E a marca de Guedes está lá.
Numa espécie de museu em praça pública.
swissinfo, Lourdes Sola, Basiléia - 07/10/07-o8;28
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Alguns dados:
Nascido em Portugal em 1925, Pancho Guedes foi autor, em Moçambique, onde passou grande parte da vida, de uma arquitectura única que absorveu influências heterogéneas, do surrealismo à Arte Nova, do dadaísmo às pinturas de crianças, da arte africana à cultura portuguesa e, sobretudo, da natureza.
Autor do manifesto Os arquitectos enquanto mágicos, ilusionistas, negociantes de bens mágicos, promessas, poções, feitiços. Dos seus edifícios diz-se que são como entidades vivas, detentoras de qualidades humanas, «amorosos» ou «agitados».
fonte: Instituto Camões
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Nota - A exposição "Uma alternativa modernista" vai até 20 de janeiro de 2008, no Museu Suíço de Arquitetura em Basiléia, Suíça.
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