3/06/09

Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50.

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Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua de minha origem e raízes, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique... Para isso estou contando com a gratificante colaboração de um aficionado e morador ilustre da nossa querida cidade capital do Douro - Peso da Régua, o Dr. José Alfredo Almeida:

Esta bela foto poderia ter como legenda o seguinte: “Bombeiros Voluntários de Peso da Régua formam-se na mais antiga e prestigiada universidade do país, na cidade de Coimbra”.

Devem ser raros os Corpos de Bombeiros que entram pela Porta Férrea da velha universidade de Coimbra, com o um dos seus mais belos carros de incêndios (o velho Ford, hoje uma peça de museu) e, em frente da velha torre da universidade (a cabra dos estudantes), no meio do Pátio dos Estudos Gerais, retratam para a posteridade esse momento de uma passagem (ou visita?) por esse lugar intemporal, junto a um estudante de capa e batina.

De qualquer forma esta foto dos anos de 1940 a 1950 assinala a importância que os bombeiros da Régua sempre tiveram no país, onde são conhecidos e reconhecidos pelo seu trabalho e espírito dedicado de missão à causa do voluntariado.

Nesta imagem pode ver-se uma geração de grandes bombeiros da Régua, como o Octávio Silva, o Manuel Gonçalves, o Castelo Branco, o José Silveira, o José Clemente e ainda o saudoso João Figueiredo, mais conhecido por “João dos Óculos” que, em 1953, perdeu a vida num incêndio.

Em jeito de homenagem a todos esses grandes bombeiros recordamos aqui uma parte de uma bela crónica que o escritor João de Araújo Correia que escreveu em memória do bombeiro João Figueiredo.

“Quando, em 1953, ardeu por completo, nesta vila, a CASA VIÚVA LOPES, empório de secos e molhados, como se diz no Brasil, morreu no incêndio o bombeiro João Figueiredo, mais conhecido por João dos Óculos.

No dia seguinte ao fogo, vi o cadáver, estendido de costas, de lado de dentro de uma abertura, que tinha sido, poucas horas antes, uma das portas da grande mercearia.

O corpo do João, ligeiramente vestido, como que ostentava, em toda a extensão das partes descobertas, o que se diz em Medicina, queimaduras de primeiro grau.

Não sei se a rápida morte do João foi devida às queimaduras, talvez mais extensas do que as ostentadas, se foi devido a asfixia ou queda. Não li o relatório de autópsia nem sei até se o João foi autopsiado. Sei que morreu no incêndio da CASA VIÚVA LOPES.

Era um pouco triste e um pouco frio, no trato, o João dos Óculos. Mas, homem bem comportado, honesto compositor na IMPPRENSA DO DOURO. Vi-o trabalhar, muitas vezes, sem erguer olhos do componedor.

Tive muita pena do desgraçado bombeiro. Tanto mais, que me eram simpáticos os seus padrinhos e pais adoptivos, o já cansado tipógrafo João Monteiro e sua mulher Senhora Glorinha, proprietários de uma arcaica tipografia quase morta chamada TRANSMONTANA. (…).

Tive muito pena do João dos Óculos, falecido em 1953”.

Teve pena dele o médico e o escritor João de Araújo Correia. Teve pena do João dos Óculos toda a Régua do seu tempo e a de agora que, através do seu Corpo de Bombeiros, jamais o deixará esquecer como um dos seus heróis.
- José Alfredo Almeida, Peso da Régua.

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3/04/09

General Tagmé Na Waie: "Eu morro de manhã e o Nino Vieira morre à noite"... E assim aconteceu!

A repugnante atualidade política de alguns países do continente africano, nada democrática, alagada num mar de corrupção, discriminação de castas, violência e sangue onde se salientam depravados lideres pouco interessados no bem estar social de seus irmãos de nacionalidade tratados com desumanidade e violentados física e diariamente em todos os sentidos está aí, perante a complacente apatia do mundo dito civilizado, democrático e suas organizações de porte em gastos mas ineficientes em resultados e que imensas vezes "sustentam" e abrigam no poder tais criminosos, com sua benévola apatia co-participativa.

O que aconteceu hà poucas horas na Guiné (antiga colónia portuguesa em África) é disso retrato. Mas outros casos há, como por exemplo o Zimbabwe onde o senil, incompetente, violento Robert Mugabe e seus sequazes continuam impondo-se no poder através do terror, do medo, de discursos repletos de embuste e ameaça. Para piorar, seus vizinhos políticos mais próximos até sorriem como amigos, acenando com simpatia para o anômalo mastim de pedigriee obscuro e acariciam seus pêlos impregnados de bestialidade e falsidade.

Para que entendam um pouco do que se diz acima e como é "formada" a mentalidade de tais "lideres"(?), transcrevo do "Diário de Notícias-Lisboa":

""NINO MORREU A GOLPES DE CATANA.
Guiné-Bissau. Está reforçada a explicação de ajuste de contas na Guiné. O general Tagmé Na Waie esperava um atentado e avisou os oficiais balantas: "Eu morro de manhã e o Nino morre à noite".

Vingança teve momentos de grande violência.
O Presidente Nino Vieira foi assassinado com grande brutalidade pelos militares leais ao chefe do Estado-Maior Tagmé Na Waié, que fora por sua vez morto horas antes num atentado à bomba.

Nino foi morto à catanada, sabe o DN. Sofreu golpes violentíssimos que o desfiguraram e já tinha profundas fracturas no crânio quando lhe deram o tiro de misericórdia.

Segundo fontes contactadas pelo DN em Bissau, a morte dos dois homens-fortes da Guiné teve na origem a velha rivalidade entre Tagmé e Nino, um ódio que remontava aos anos 80.

O chefe do Estado-Maior sabia da iminência de um atentado contra a sua vida e deu instruções aos militares balantas que lhe eram fiéis: "Eu morro de manhã e o Nino morre à noite", terá dito o general, segundo garantiu ao DN um antigo ministro guineense. "Tagmé teria conhecimento de que chegara uma bomba", garantiu esta fonte, que sublinhou a sofisticação do atentado contra o general.

O profissionalismo do ataque (que foi inédito na Guiné e transcende as capacidades das forças armadas locais) sugere a ajuda das redes de narcotráfico, que são controladas por sul-americanos.

As fontes guineenses atribuem a Nino Vieira o atentado contra Tagmé Na Waié. A explicação é a seguinte: Nino controlava a presidência e parte do poder civil, mas teve uma importante derrota nas eleições legislativas de Novembro, que o PAIGC liderado por Carlos Gomes Júnior ganhou com maioria absoluta, elegendo 67 dos 100 deputados. O partido apoiado por Nino Vieira, o PRID, que era liderado pelo antigo primeiro-ministro Aristides Pereira, conseguiu apenas 3 eleitos.

O poder militar é aquele que verdadeiramente conta na Guiné-Bissau e o Presidente tinha aí uma séria desvantagem, pois contava apenas com alguns apoios na marinha. Logo após o atentado contra Tagmé, Nino Vieira convocou o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior para uma reunião onde lhe seria imposto um novo chefe de Estado-maior da facção ninista. Mas o presidente terá cometido um erro de precipitação, ao convocar o primeiro-ministro escassos minutos depois do atentado, traindo o seu conhecimento do mesmo: Carlos Gomes recusou-se a comparecer.

Também se afirma que Nino esperava a protecção da marinha e que esta não se concretizou. Neste ponto dos relatos sobre os acontecimentos da madrugada de domingo surge um mistério: por que razão Nino Vieira não tentou fugir mais cedo? O presidente teve muitas horas para escapar, mas não o fez.

O actual poder da Guiné-Bissau está nas mãos dos militares fiéis a Tagmé Na Waié, uma nova geração de oficiais. O novo homem-forte será Zamora Induta, mas o poder militar não está clarificado. De qualquer forma, a situação parece estável.

O poder civil encontra-se nas mãos do PAIGC. O Presidente interino, Raimundo Pereira, exercia o cargo de presidente do Parlamento. De 52 anos, é um jurista formado em Portugal.

A sequência da situação política na Guiné-Bissau tem inúmeras incógnitas. Para alguns "é o fim de uma Era" dominada pelo impiedoso Nino Vieira. Mas no horizonte há problemas. O maior deles parece ser o narcotráfico e a corrupção.

Também não se pode esquecer a questão da balantização das forças armadas, facto que as outras etnias observam com extrema preocupação.

A presidência de Raimundo Pereira também poderá ser breve. A Constituição prevê eleições em dois meses, mas será impossível cumprir o prazo.

Os outros partidos temem a hegemonia do PAIGC e quererão negociar um presidente transitório consensual.
- Luís Naves, Lisboa, 04.03.09, DN OnLine.