4/09/09

Cabo Delgado: Superlotação das cadeias: Um problema de todos segundo o "discurso" ?? !! ...

Transcrevo do "Notícias"-Maputo: Superlotação das cadeias: Todos devem ser vigilantes - segundo Pedro Sinai Nhatitima, director nacional do IPAJ.

O diretor acional do Instituto de Patrocínio e Assistência Jurídica (IPAJ), Pedro Sinai Nhatitima, disse em Cabo Delgado que a responsabilidade de controlar a capacidade das cadeias e a iniciativa de alertar as autoridades, em casos de superlotação, devem ser de todos, incluindo os próprios reclusos, para que não se repitam no país situações como as que estão a ocorrer em alguns pontos de Moçambique, em que o exemplo de Mogincual, província de Nampula, é o mais recente.

Nhatitima disse não ser desejo de quem quer que seja, muito menos do Estado, a morte de cidadãos nas cadeias moçambicanas por asfixia e outros males decorrentes da superlotação das mesmas, razão porquê a responsabilidade para que isso não aconteça deva ser de todos, desde as autoridades que dirigem as penitenciárias, os guardas prisionais, incluindo os próprios presos.

“É preciso uma vigilância permanente sobre a capacidade das cadeias. O guarda prisional pode alertar à direcção da cadeia, a direcção pode advertir as entidades ao mais alto nível, até influenciar na decisão de quem ordena as detenções. E, porquê não, o próprio recluso chamar à atenção da chefia da cadeia”.

Entretanto e conforme os dados colhidos pelo nosso jornal na cadeia provincial, Cabo Delgado, actualmente com uma população prisional calculada em 890 detidos e condenados, já chama atenção a quem de direito para a sua própria capacidade instalada.

Com efeito, a principal penitenciária da província, sita na cidade de Pemba, com a capacidade de 150 reclusos, hoje comporta mais 42, perfazendo 192, dos quais 147 detidos, provenientes do Tribunal Provincial (51), Procuradoria da República (47) e Tribunal da Cidade (11). Os condenados são apenas 45, uma realidade que deixa a nu a inflexibilidade que há no esclarecimento dos casos entrados.

Os centros abertos de reclusão comportam 212 reclusos, com o do posto administrativo de Miéze, distrito de Pemba-Metuge, a receber mais presos, 196, contra 15 de Namanhumbir, distrito de Montepuez e um de Mecúfi, zona sob a jurisdição do distrito do mesmo nome.

Os mesmos dados indicam-nos que nos distritos há 198 detidos, que adicionados aos 147 da sede provincial nos dá um total de 345, em toda a província e os condenados da sede, mais aqueles nas mesmas condições nos distritos, 288 e nos centros abertos, 212, nos levam ao indicador de 545, em toda a província de Cabo Delgado.

O distrito de Mueda encabeça os distritos com maior população prisional, que vem logo a seguir à sede provincial, com 158, contra a sua real capacidade de 50, dos quais 77 já estão condenados.

Ressalva-se o facto de Mueda assumir o estatuto de cadeia regional, se bem que os vizinhos Muidumbe e Nangade não dispõem de local para a reclusão dos seus cidadãos. A seguir, vem o distrito mais populoso da província, Chiúre, com 77 reclusos, 50 dos quais já condenados.

O distrito de Macomia, na zona central de Cabo Delgado, pode se dar por aparentemente feliz, porque na sua cadeia tem 26 reclusos, dos quais 17 condenados e 9 detidos, podendo ser considerado o que ultrapassou em mais um a sua capacidade instalada, de 25 reclusos. Todavia, os distritos na sua globalidade contribuem para as cifras provinciais, com 486 reclusos.
- Maputo, Quinta-Feira, 9 de Abril de 2009:: Notícias.

Acrescento: A imagem acima retrata o edifício da Cadeia Províncial de Cabo Delgado, construído na época colonial (desconheço o ano mas creio que por volta da década de 50) e utilizado até aos dias de hoje.

HÁ 140 ANOS: COMITIVA DA RAINHA DE ANJOANE CHEGA AO IBO.

(Imagem original daqui)

Pelo seu interesse histórico e sócio-político, recordo, hoje, a chegada à ilha do Ibo, no dia 6 de Abril de 1869, da Raínha da ilha de Anjoane(1) e da sua comitiva. A noticia é-nos dada pelo então governador, interino, de Cabo Delgado, Romão Gomes Duro - ofício nº 42, de 7 do dito mês - dirigido ao Secretário Geral de Moçambique, que reza assim:

"IIImo snr. Digne-se V.Exª levar ao conhecimento do Ex.mo snr Governador Geral, interino, desta Província, que, ontem à noite, chegou, a este porto, um pangaio trazendo a seu bordo a Raínha de Anjoane e um Príncipe seu cunhado, com grande comitiva.

Que hoje os mandei cumprimentar a bordo e fazer-lhe os oferecimentos do estilo e que eles vieram a terra, memos a Rainha e me visitaram, aceitando a casa que lhes ofereci, dizendo-me que se demorariam 6 ou 7 dias.

Que à vista disto lhes mandei fornecer o que eles precisassem segundo os seus costumes."

De realçar o habitual acolhimento dos visitantes pelas anfitriãs autoridades coloniais portuguesas, e o seu respeito pela sua cultura e estilo de vida.
- Por Carlos Lopes Bento(2), Lisboa, Abril de 2009.

  1. A ilha de Anjoane faz parte do arquipélago do Cômoro, situado no Canal de Moçambique, a leste de Cabo Delgado.
  2. Antropólogo e prof. Univ.

- Outros trabalhos de Carlos Lopes Bento:

  • As Ilhas de Querimba ou de Cabo Delgado - Aqui!
  • Para a História do Ensino em Moçambique - Parte 3 - Aqui!
  • Para a História do Ensino em Moçambique - Parte 2 - Aqui!
  • Para a História do Ensino em Moçambique - Parte 1 - Aqui!
  • Post's do ForEver PEMBA para a consulta em "Pesquisas" sobre Carlos Bento, Quirimbas, Ibo, História de Cabo Delgado - Aqui!
  • E, por Jeronymo Romero: Supplemento á memoria descriptiva e estatistica do districto de Cabo Delgado - Aqui!