5/19/09

"Passando" por Meluco anotei...

O POVO NÃO QUER SABER DE CAMPANHA ELEITORAL E RECLAMA:

Infra-estruturas sociais afectam população de Meluco - A melhoria e expansão de infra-estruturas sociais e económicas são parte das principais preocupações apresentadas, último domingo, pela população do distrito de Meluco, ao estadista moçambicano, Armando Guebuza, no terceiro dia da sua “Presidência Aberta e Inclusiva” à província de Cabo Delgado, norte de Moçambique. Localizado a cerca de 200 quilómetros da capital, Pemba, o distrito de Meluco possui uma população estimada em 25 mil habitantes, segundo os resultados do censo populacional de 2007.

Os residentes de Meluco também deploram o elevado número de crianças órfãs, bem como reivindicam o acesso aos serviços de telefonia móvel, expansão da rede sanitária, escolas, melhoria das vias de acesso, entre outras.

À semelhança da maioria dos distritos da província de Cabo Delgado, os residentes de Meluco também exigem uma solução para o problema dos elefantes, que continuam a destruir as suas culturas.

Em resposta às preocupações apresentadas pela população, Guebuza disse ter tomado nota das questões levantadas.

Na ocasião, o estadista moçambicano, que falava num comício popular, não deixou de manifestar a sua preocupação pelo facto de a população não ter abordado o desempenho do Conselho Consultivo Distrital com relação à gestão do Fundo de Investimento de Iniciativas Locais (FIIL), vulgo Sete Milhões (cerca de 265 mil dólares), instituído pelo Governo, em 2006, para acelerar o combate à pobreza.

Também não era caso para menos, pois os critérios usados na atribuição deste fundo têm sido alvo de fortes críticas na maior parte dos 128 distritos moçambicanos.

A população também pecou por não ter apresentado nenhuma proposta de aproveitamento dos recursos existentes naquela região.

Com relação às infra-estruturas, Guebuza disse que já existe um fundo, faltando apenas uma decisão do Conselho Consultivo para a sua aplicação.

“Nós teremos uma oportunidade de nos reunir com o Conselho Consultivo, e nessa reunião vamos aprofundar estas questões”, disse Guebuza.

Contudo, ele advertiu que alguns dos problemas podem ter uma solução local, e que podem ser resolvidos paulatinamente.

Com relação ao problema do conflito “Homem-Animais Bravios”, Guebuza explicou que o Governo já criou um comité ministerial para ajudar a resolver o problema.

No caso da melhoria das vias de acesso, esta reivindicação não constitui surpresa, segundo confirma o informe do governador da província, Eliseu Machava, relativo ao ano de 2008.

Este documento refere que, neste período, foram disponibilizados para o sector de estradas em Cabo Delgado 16 milhões de meticais, o correspondente a um milhão de meticais para cada distrito desta província. Contudo, a execução foi de apenas 55 por cento, ou seja, 8,7 milhões de meticais.

Como argumento, Machava alega fraca capacidade dos empreiteiros locais para iniciar as obras adjudicadas com fundos próprios.

No mesmo período, segundo Machava, foi realizada a manutenção de rotina em 1.300 quilómetros de estrada, correspondente a 89 por cento de realização.

Entre as razões para o incumprimento da meta constam a “falta de concorrentes para alguns troços, abandono das obras e fraco desempenho dos empreiteiros derivado da falta de equipamentos e recursos financeiros”.

PR ATENTO AO PETRÓLEO - Na manhã de Domingo, mas no distrito de Palma, Guebuza visitou as instalações da Anadarko, uma multinacional norte-americana do ramo de petróleo, para se inteirar sobre os progressos registados na pesquisa de hidrocarbonetos na Bacia do Rio Rovuma, iniciada em 2007.

Segundo a Anadarko, já foram concluídos estudos sísmicos, faltando apenas o início da perfuração.

Para o efeito, serão “perfurados sete poços, sendo quatro em águas profundas, ou seja, a uma profundidade superior a 200 metros, dos quais dois deverão ser localizados antes do final do segundo trimestre do corrente ano”, refere um documento desta multinacional, a cuja cópia a AIM teve acesso.

Os restantes três poços serão perfurados em águas superficiais, a uma profundidade inferior a 200 metros.

Estimativas da Anadarko apontam para um investimento mínimo de 268 milhões de dólares.
Este projecto deverá estar concluído em 2012. A Anadarko espera ter uma resposta conclusiva sobre a existência ou não de petróleo na área adjudicada.

Entre os principais desafios que a Anadarko enfrenta na pesquisa de petróleo, destacam-se a falta de uma base de fornecimento de óleo e combustível num raio de 800 quilómetros, construção de uma base de fornecimento em Pemba para apoiar as operações de perfuração e os elevados custos operacionais, calculados em cerca de um milhão de dólares por dia durante a perfuração.

Paralelamente, como parte integrante dos seus projectos de responsabilidade social, a Anadarko está a investir anualmente, em Moçambique, 1,1 milhão de dólares na reabilitação dos sistemas de abastecimento de água e expansão da cobertura da Rádio Moçambique (emissora pública) nos distritos de Palma, Mocímboa da Praia e Macomia; reabilitação do Centro Comunitário em Palma, abertura de 10 poços de água para as aldeias rurais e vedação do Parque Nacional das Quirimbas. - Elias Samo Gudo-AIM, Maputo, Terça-Feira, 19 de Maio de 2009:: Notícias.

"Passando" por Chiúre anotei...

Energia da EDM chega a Chiúre - O distrito de Chiúre, em Cabo Delgado, passa a partir de hoje, a estar integrado à rede nacional de energia da Electricidade de Moçambique (EDM), no âmbito da execução da segunda fase do projecto de electrificação da província de Cabo Delgado, que vem sendo implementado há três anos.

O Presidente da República, Armando Guebuza, que cumpre precisamente em Chiúre a última etapa da sua presidência aberta a Cabo Delgado, irá proceder à inauguração do novo sistema de fornecimento da electricidade àquele distrito a sul da província. O projecto da EDM para electrificar Cabo Delgado compreende a construção de subestações e de linhas de transporte de alta, média e baixa tensão, entre outras condicionantes para que a província seja provida de energia da rede nacional. Com efeito, foram investidos 10,75 milhões de dólares norte-americanos, maioritariamente disponibilizados pelo Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico de África (BADEA).

Tal como na maioria das regiões do país ainda não ligados à rede da EDM, o distrito de Chiúre vinha sendo provido de electricidade por um grupo gerador a diesel, o que se tornava oneroso para o Estado e demais consumidores. A energia chega ali a partir da subestação de Metoro, construída no vizinho distrito de Ancuabe e transportada numa linha de média tensão de 32 quilómetros, mais outros 11,33 de média e baixa tensão. Foram montados 106 candeeiros de iluminação pública e projecta-se 220 novas ligações.

Entretanto, o Presidente Armando Guebuza termina hoje a sua visita aberta à província de Cabo Delgado depois de trabalhar sucessivamente nos distritos de Metuge, Palma, Meluco e Ancuabe, onde trabalhou com as autoridades locais e manteve encontros directos com a população, que em comícios colocou as suas preocupações ao Chefe do Estado.

Ontem, em Ancuabe, Armando Guebuza defendeu que a diversidade e a unidade nacional são uma importante arma no combate à pobreza, evocando como exemplo a figura de Eduardo Mondlane, primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Dirigindo-se à população, o Guebuza referiu que Mondlane “ensinou-nos que Moçambique tem muitas tribos, muitas regiões e muitas raças. Mas todas essas diferenças apenas nos enriquecem e nos tornam mais capazes de enfrentar os perigos da vida e não só isso”.

Desde que iniciou as suas visitas abertas aos distritos, Guebuza faz questão, segundo o enviado da AIM, de dedicar todas as ofertas recebidas das populações às crianças órfãs e vulneráveis, bem como às pessoas infectadas com o vírus do HIV/SIDA e que se encontram muito debilitadas para trabalhar e garantir o seu próprio sustento.

Guebuza tem recorrido ainda, nos encontros com a população, às suas frases favoritas, afirmando que “a pobreza que estamos a enfrentar não é um castigo de Deus. Não é um castigo divino”.
Por isso explicou que o Governo moçambicano concedeu sete milhões de meticais (Fundo de Investimento de Iniciativas Locais, FIIL) a cada um dos 128 distritos existentes em Moçambique para permitir que, ao nível dos distritos, as populações tentem procurar soluções para acabar com a pobreza, bem como aqueles que impedem o desenvolvimento. - Maputo, Terça-Feira, 19 de Maio de 2009:: Notícias.