4/04/06

Miriam Makeba - O adeus maroto...


O adeus maroto da rainha Mama África.
Debochada, com alergia a clichês e frases feitas, a artista que revolucionou o canto africano, Miriam Makeba , reuniu 10 mil pessoas em festival de jazz na Cidade do Cabo e aproveitou para anunciar aposentadoria: "Quero ir mais devagar".
Diziam que a rainha estava engavetando a coroa.
Cerca de 10 mil pessoas foram na noite de sábado (01/04/06) ao Cape Town International Jazz Festival, o maior evento do gênero no continente, para conferir.
Jornalistas da Nigéria, Zâmbia, Quênia, Moçambique, África do Sul: toda a imprensa africana está na Cidade do Cabo para falar com a cantora sul-africana Miriam Makeba, que muitos chamam de Mama África.
E, de fato, a maior estrela da música africana confirma: está saindo de cena.
Com classe, sem muito alarde.
Seu show intitula-se Grand Finale Tour.
Mama África não quer mais sair pelo mundo excursionando.
Vai restringir-se ao seu próprio continente.
-"Estou com 74 anos. Decidi que não faço mais, que não irei mais a todos os países. Quero parar de ir e vir, gostaria de ir mais devagar", disse ela.
-"Sinto-me feliz. Vivi bastante. O suficiente para cantar, voltar para casa e ainda poder viver cantando. Agradeço ao senhor e aos meus ancestrais. Quero viver o suficiente para ver meus bisnetos", afirmou a cantora, fazendo um balanço forçado da carreira frente ao batalhão de jornalistas ávidos.
-"Muitas coisas eu gostaria de ter feito, mas não fiz. Não sou um anjo, também tenho meus esqueletos no armário, como todo mundo. Algumas coisas a gente tem de esquecer. Bebi bebidas alcoólicas, ainda bebo. Também já fui muito moderna, mas não é divertido."
Bombardeado pelo pop, rock e R&B de língua inglesa, algum desavisado pode perguntar: mas quem é essa Miriam Makeba?
Bom, poucos terão direito de desconhecê-la.
Basta lembrar que ela tornou hit internacional uma canção composta em 1956, Pata Pata (no Brasil, a música ganhou uma versão popular infame que tinha enxertados os versos "Tô com pulga na cueca/Já vi, vou tirar").
Mas é muito mais que isso.
Inspirou centenas de cantoras no continente, divas como Angelique Kidjo.
Cantando em inglês, francês, árabe, português, kiswahili, shona e bambara, ela conquistou o mundo.
Miriam mantém em Johanesburgo o Makeba Center for Girls, que recolhe meninas das ruas da cidade, vítimas de violência sexual, abusos, drogas e prostituição.
-"Mulheres são os pilares da Nação", diz ela.
-"É preciso cuidar delas. Nós temos uma tendência a dizer: é o governo, é responsabilidade do governo. Quem é o governo? Nos somos o governo. Ao Inferno com o governo. Como indivíduos, nós devemos fazer algo, como sociedade civil. Os líderes mundiais? Eles estão nos liderando. Há muitos problemas", afirmou. "Não sou política. Se a minha verdade se torna política, aleluia."
EXÍLIO E BARBÁRIE
Ela conta que, chegando à Cidade do Cabo, os motoristas das vans em que andou se espantavam com sua presença.
-"Mama Makeba! Mesmo os turistas que vêm aqui querem saber aonde você esta cantando!", disse ela, reproduzindo fala do seu chofer.
Essa turnê tem a intenção de levar Makeba aos lugares onde cantou durante a carreira, para agradecer aos seus fãs.
Ela cantou ao lado de Dizzy Gillespie, Paul Simon, Harry Belafonte (com quem ganhou um Grammy, em 1960).
Filha de um curandeiro sangoma da tribo Xhosa, ela já nasceu diferente: antes mesmo de nascer, quando sua mãe estava grávida, ficou seis meses na cadeia.
O curandeirismo era proibido.
Estreou em 1953, com The Manhattan Brothers.
Ficou três décadas exilada por suas posições políticas contra o regime do apartheid.
Contra o horror da segregação, discursou na ONU em 1964 e 1975.
Só pôde voltar à África do Sul em 1990.
No sábado, na Cidade do Cabo, com um anel de pedra amarela do tamanho de um ovo de galinha no dedo, Miriam mostrou por que a tratam como uma rainha eterna.
Nada de fel no discurso.
Enalteceu as vozes que se ergueram contra a barbárie racial, mas, ao final, disse que era preciso esquecer.
-"É por isso que vocês são tão bonitos. Porque vocês sabem perdoar" disse à platéia.
-"Não tenho palavras para descrever a importância dessa artista", anunciou o apresentador, com a voz embargada.
Dizem que a saúde da cantora não está boa, e seria esse o verdadeiro motivo pelo qual está se retirando.
De fato, nota-se que está poupando a voz, passando a vez para os vocalistas de apoio (entre eles, sua neta, Zenzile Lee) e convidados.
Mas continua marota, insolente, gozadora, espirituosa.
-"Alguns dizem que o que eu faço é world music. Bom, todo mundo canta e todos estamos no mundo. Então, tudo é world music. Uma vez me apresentaram como cantora de world music e eu disse: estou feliz de fazer parte do mundo."
No show, quando Makeba cantou Malaika, de Fadhili Williams, uma canção do folklore queniano, o fundão virou um baile funk (mas sem baixaria), com a platéia fazendo coreografias irresistíveis. Depois, o mundo veio abaixo com Pata Pata.
Mama África ainda esta com a tábua das regras debaixo dos braços.
E isso era tudo que o povo queria ver.
Marota, debochada, com alergia a clichês e frases feitas, Miriam Makeba brincou com seus próprios prognósticos para o futuro.
-"Só farei (shows) em ocasiões especiais.
E por um montante de dinheiro muito especial", diverte-se.
-"Muitas vezes tento lembrar um nome e o nome não vem. É por isso que digo que é hora de parar."
Jotabê Medeiros-Enviado especial à Cidade do Cabo do Jornal Estado de São Paulo - 03/04/06

3/30/06

Degradação do "Arquivo Histórico de Moçambique".


Degradação do edifício põe em risco arquivos.
Infra-estruturas destruídas, casas de banho avariadas, inundações decorrentes de esgoto entupidos, documentos danificados, águas negras dentro das instalações, paredes do edifício húmidas, passagem de corrente eléctrica deficitária e funcionários debilitados completam o quadro negro do iminente desastre à vista nas instalações do «Arquivo Histórico de Moçambique» disse o respectivo director Joel das Neves Tembe em entrevista ao «Canal de Moçambique».
Mas tudo indica que em Dezembro possa haver solução que se estima venha a custar cerca de 700 mil Euros, sensivelmente 1 milhão de USD.
Até lá muito da História poderá perder-se.
Uma nova morada poderá ser a solução.
Joel das Neves Tembe, disse ao «Canal» que o edifício do Arquivo Histórico de Moçambique está “doente” quanto às infra-estruturas físicas, mas o mais grave ainda é que a conservação de vários documentos ali depositados e de valor inestimável corre o risco de não poder ser feita e tudo aquilo se perder.
“Os problemas de deterioração do edifício como também de documentos acentuam-se cada vez mais”, disse.
O apelo do director do «Arquivo Histórico de Moçambique» não é novo, como também não é nova a indiferença.
Só as sucessivas promessas de vontade política, repetidamente apregoada, de se combater o «deixa andar», nos impele a associar o «Canal» àquela instituição que, tanto de valor tem feito pelo futuro conhecimento do passado.
Segundo Tembe, como alternativa à degradação, paulatinamente crescente, optou-se por arranjar-se um espaço dentro daquele edifício que ainda apresentava boas condições; relativas boas condições.
No entanto, ainda conforme Tembe, aquilo que era o tal espaço alternativo começa também a ficar afectado e já, daqui a algum tempo esse espaço também vai deixar de ser útil.
O cenário das instalações do «Arquivo Histórico» está tão negro que as paredes das diversas salas apresentam-se com rachas, fungos e tinta a escamar-se.
Algumas salas já não têm soalho e há águas negras a correrem para além do próprio tecto apresentar fissuras.
O grande problema é que as instalações do «Arquivo Histórico» situam-se no rés-do-chão e na cave dum prédio que por sinal tem deficiências de manutenção, e, consequentemente, todo o sistema de canalização de água para consumo e de esgoto, em geral de todos os andares acima, desagua nelas.
Segundo o director do Arquivo Histórico de Moçambique, devido à situação que estão a passar de momento, viram-se na obrigação de desenhar dois cenários transitórios de remoção do pessoal do edifício e de transferência da documentação importante, até Dezembro do ano em curso, para outras instalações, na baixa da cidade.
“A iminente situação no Arquivo Histórico de Moçambique obrigou-nos a desenhar dois cenários transitórios de remoção do nosso pessoal do edifício e de transferência de documentação importante, até Dezembro próximo, para futuras instalações na baixa da cidade”, garantiu. Neves adiantou a dado passo que estão em vista planos futuros no sentido de transferir as instalações do Arquivo Histórico de Moçambique para a baixa da cidade, mais precisamente para a Rua de Timor Leste, ao lado das instalações onde funcionam as «Alfândegas».
Segundo Neves a transferência do «Arquivo Histórico de Moçambique» para a nova morada atrás referida acontecerá na base de um protocolo entre Moçambique e Portugal e em parceria com o Instituto Português de Acção e Desenvolvimento (IPAD) e a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), processo orçado, numa primeira fase, em 700 mil euros, cerca de 1 milhão de usd.
Num outro desenvolvimento, Joel das Neves disse ao «Canal» que os funcionários, investigadores e leitores do Arquivo Histórico de Moçambique estão expostos a péssimas condições de trabalho derivadas não só da degradação atrás referida, mas também pelo facto de não existirem gabinetes para que aqueles possam exercer as suas actividades.
“As condições de trabalho que o Arquivo Histórico de Moçambique oferece aos funcionários, investigadores e até leitores são péssimas”, desabafou.
A fonte disse ainda que “os cerca de dois mil milhões de meticais, que a Universidade Eduardo Mondlane (UEM) injecta anualmente como bolo orçamental, é irrisório, porque não dá para fazer face às necessidades da casa”.
“Temos enormes necessidades e o bolo orçamental é irrisório de tal forma que não dá para cobrir as nossas despesas”, concluiu Joel Tembe.
Conceição Vitorino - CANAL DE MOÇAMBIQUE - 30.03.2006
NOTA:Antes de comentar transcrevo a notícia abaixo e que o Moçambique para todos transcreveu em 14 de Fevereiro de 2005:
Portugal apoia com 600 mil euros reabilitação de Arquivo Histórico de Moçambique.
Portugal vai apoiar com mais de 600 mil euros a reabilitação do Arquivo Histórico de Moçambique (AHM), num projecto que visa a adaptação de um edifício a oficinas de micrografia e restauro de três depósitos históricos do país.
Um acordo de parceria entre a cooperação portuguesa - através dos institutos de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), do Livro e das Bibliotecas (IPLB), dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (IAN/TT) e do Património Arquitectónico (IPPAR) - e a Universidade Eduardo Mondlane (UEM) será quarta-feira assinado em Maputo.
O acordo tem em vista o apoio à revitalização do maior depósito histórico de Moçambique, numa extensão de 26 quilómetros de estantaria de documentos nos três edifícios contemplados.
O director do Arquivo Histórico de Moçambique, Joel Tembe, disse hoje à Agência Lusa que o valor destina-se a execução de um projecto de arquitectura, de especialidade, fiscalização e adaptação de um edifício a oficinas de micrografia.
No âmbito da reabilitação do AHM, a UEM decidiu desactivar o edifício sede por não oferecer condições para o restauro e englobá-lo num dos três estabelecimentos a serem reabilitados com fundos portugueses e que passarão a funcionar como centro de investigação científica, referiu Joel Tembe.
Aquele responsável disse ainda que a UEM pretende informatizar as bibliotecas e instalar um programa de computador, avaliado em 200 mil euros, que permitirá a digitalização de todo AHM, numa iniciativa que se enquadra num outro projecto que contará com o apoio do governo do Japão.
"Pretendemos combinar as tecnologias, o que se traduz na aquisição de novas técnicas de informação digital combinadas com a microfilmagem, que é uma mais valia por poder conservar os filmes, em média, durante 500 anos", sublinhou.
Durante a sua presença em Moçambique, o IPLB e o IPPAR irão oferecer equipamento informático à Casa Museu José Craveirinha, em Maputo.
Agência Lusa - 14.02.2005

Assim, resta lançar um desafio ao CANAL DE MOÇAMBIQUE: Saber se Portugal não honrou este compromisso ou, se o honrou, saber onde está o dinheiro e desde quando.
Será que está a render juros durante um ano ou dois até que seja disponibilizado?
Fernando Gil
MACUA DE MOÇAMBIQUE - In "Moçambique para todos"

3/28/06

Carlos Araújo - Professor de ginástica e seus livros...





Para os amigos de Pemba deixo a dica sobre alguns livros (www.webbom.pt) de autoria de um Pembista com raízes em Chaves.
Fica o aviso que o tema não é para todos e sim para técnicos em educação física. Mas merece destaque pela qualidade do tema e porque Carlos Araújo é também de Pemba.
Encontra-se presentemente a trabalhar com colega no MANUAL DE GINÁSTICA ACROBÁTICA a publicar mais para a frente.

3/26/06

"O Mar Que Toca em Ti" de Inez Andrade Paes continua acendendo corações...


(Clique na imagem para ampliar e poder ler o texto.)

PALAVRAS INDISCRETAS - Por Jacinto Guimarães.
Há notícias feitas de imagens, que dispensam palavras. Despertando emoções, não nos deixam indiferentes.
Outras vezes é o artesanato das palavras que cria as imagens, cerzindo sentimentos que não deixam a vida cair no esquecimento.
Foi assim que li a foto de um jornal e vi um livro de memórias africanas.
==========
O trabalho inédito de Inez Andrade Paes "O Mar que Toca em Ti" encontra-se à venda na Livraria Minerva de Ovar ou diretamente com a autora, pelo e-mail: inezapaes@yahoo.com.br ao custo de Euros 7,50 (envio pelo correio à cobrança).
Inez Andrade Paes, natural de Pemba - Moçambique e residente em Portugal, é também, além de poetisa de sensibilidade invulgar, artista plástica e escritora.
Alguns de seus trabalhos podem ser apreciados na net, aqui:

Mia Couto e Paulina Chiziane na feira do livro de Turim-Itália.


Os escritores moçambicanos Mia Couto e Paulina Chiziane vão participar na Feira Internacional do Livro de Turim, Itália, entre 4 a 8 de Maio, numa edição que homenageia a língua portuguesa. [3/26/2006]
O encontro, em que Portugal participará como país convidado de honra, contará com a presença de diversos autores de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesas (PALOP).Em declarações à Lusa, Mia Couto, disse que, durante a feira, os autores farão a apresentação de excertos de suas obras, seguindo-se “debates informais” sobre os mesmos livros, que serão escolhidos pelos organizadores do evento.

3/23/06

Moçambique - Filho da Primeira-ministra usurpa imóvel habitacional...

Filho da Primeira-ministra usurpa imóvel habitacional.

O deputado da Assembleia da República pela bancada da RENAMO – União Eleitoral, Eduardo Namburete, denunciou durante a sessão de pergunta ao Governo que a Primeira- Ministra, Luísa Dias Diogo, usurpou um imóvel pertencente a um cidadão, localizada no bairro da Sommerchild, numa operação que contou com a colaboração do seu filho menor de idade em conluio com então titular das Obras Públicas e Habitação Roberto White. [3/23/2006]

- Denúncia: - Eduardo Namburete afirmou que a informação solicitada pela sua bancada circunscrevia-se nas questões de transparência e com corrupção, “porque nós entendemos que a corrupção poderá ser combatida de forma eficaz quando o governo decidir colocar a transparência como o princípio basilar da acção governativa”.

“Trazemos, de entre vários casos pouco transparentes, o processo da alienação do imóvel número 720 da Avenida do Zimbabwe que é do conhecimento do senhor ministro das Obras públicas e Habitação”, sublinhou Eduardo Namburete para, depois, acrescentar que o referido imóvel era habitado pela família Faruk Gadit entre 1975 a 1980 antes de ser ilegalmente pelo cidadão português José Sequeira, que viria a subalugá-la à Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

Eduardo Namburete afirmou ainda que, nos meados de 1991, o legitimo inquilino do imóvel denunciou esta ilegalidade à Administração do Parque Imobiliária do Estado, antes de mover uma acção judicial no Tribunal Judicial da Cidade de Maputo que culminou com uma sentença despejo.

“Inexplicavelmente, a referida sentença nunca foi executada porque na altura o imóvel encontrava-se sob gestão da USAID”, elucidou Namburete para, em seguida, deplorar o facto de que quando a USAID transferiu-se para as suas novas instalações algures na baixa da cidade e, consequentemente, procedeu a entrega das chaves à APIE, no dia 03 de Janeiro de 2005, três dias antes, portanto, 30 de Dezembro de 2004, o filho da Primeira Ministra de nome Nelson Diogo Silva, dava entrada o seu pedido de ocupação do imóvel.

“No dia seguinte a entrega de chaves a APIE pela USAID (04 de Janeiro) o então ministro das Obras Públicas e Habitação Roberto White fez um dos seus últimos despachos como governante, autorizando a ocupação do imóvel pelo jovem Nelson Diogo Silva”, elucidou Eduardo Namburete e denunciou que em treze dias (17 de Janeiro de 2005) o jovem Nelson Diogo Silva requereu a compra do imóvel e apresentou na ficha do seu agregado familiar nomeadamente a irmã, o pai Albano Silva e a sua mãe Luísa Dias Diogo (Primeira Ministra).

Ademais, um mês depois do jovem inquilino ter requerido a compra daquele imóvel, a Comissão de Avaliação de Imóvel de Habitação da Cidade de Maputo publicou um edital na imprensa do dia 22 de Fevereiro, anunciando que o filho menor da Primeira ministra candidatou-se a alienação daquele imóvel.

“Em reacção ao aviso 1/2005 do Ministério das Obras Públicas, que convidava os cidadãos para no prazo de 30 dias, denunciarem qualquer irregularidade que pudesse existir no edital, o cidadão Faruk Gadit informou ao actual ministro das Obras Públicas e Habitação que na verdade ele era o legítimo inquilino e não o cidadão Nelson Diogo Silva e solicitava o acautelamento para se evitarem ilegalidades”, explicou Namburete e acrescentou que para comprovar a titularidade do imóvel Faruk Gadit apresentou cópias das listas telefónicas das quais consta seu nome como cliente daquela provedora dos serviços de telefonia naquele endereço.

Aquele parlamentar da oposição manifestou-se constrangido pelo facto do titular das Obras Públicas e Habitação ter indeferido, no dia 20 de Setembro de 2005, o expediente de Faruk Gadit sob alegação de que as listas telefónicas e facturas de água não constituía prova idónea de que tenha sido inquilino daquele imóvel entre 1975 a 1980.

“Nos países onde a gestão de coisa pública é feita de forma transparente e as regras são aplicadas para todos de igual maneira, um contrato de água, luz ou de telefone, ou mesmo uma factura de fornecimento de um desses serviços é comprovativo suficiente de domicílio de um cidadão”, elucidou Namburete para, em seguida, admitir a possibilidade de governo não acreditar na seriedade das empresas que prestam estes serviços.

“Se o cidadão Gadit apresentou cópias das listas telefónicas como prova de residência naquele endereço, qual teria sido o comprovativo que o cidadão Nelson Diogo Silva apresentou ao senhor ministro em como ele era o inquilino daquele imóvel para além do apelido e as credenciais de ser filho da Primeira Ministra?”, indagou Namburete e acrescentou que o cidadão Faruk Gadit possui cópia do contrato de arrendamento daquele imóvel celebrado com o APIE no dia 3 de Setembro de 1976.

Eduardo Namburete admitiu a possibilidade do actual ministro das Obras Públicas e Habitação Felicio Zacarias não estar em condições de decidir contra o descendente da sua superior hierárquico “contrariando a teoria de que no governo do combate ao deixa-andar ninguém está acima da lei”.

Acrescentou ainda que a boa governação, transparência e o combate a corrupção não se faz com discursos nem com seminários, “mas sim, com acções inequívocas de que o governo está comprometido a combater a corrupção a todos os níveis”, elucidou Eduardo Namburete para, depois, reiterar que para a sua bancada parlamentar o governo liderado pelo partido FRELIMO é incapaz de combater a corrupção e a anarquia que impera nas instituições públicas.

- Tribunal Administrativo em ribalta - Faruk Gadit afirmou em declarações a este hebdomadário que interpôs recurso junto ao Tribunal Administrativo contestando o indeferimento da exposição que dirigiu ao actual ministro das Obras Públicas e Habitação Felício Zacarias.

O referido despacho datado de 22 de Setembro e que tomou conhecimento do mesmo no dia 19 de Outubro de 2005, portanto, 29 dias depois, informava ao cidadão Faruk Gadit que o ministro das Obras Públicas e Habitação indeferiu a sua exposição alegadamente pelo facto de não ter apresentado provas idóneas de que tenha sido inquilino do imóvel no período compreendido entre 1975 à 1980.

“O exponente não apresentou ao Ministério das Obras Públicas e Habitação nenhuma prova idónea de que tenha sido inquilino do imóvel.

As cópias que apresenta das listas telefónicas, das quais consta o seu nome como cliente de uma empresa de telecomunicações não fazem prova de que era inquilino da casa, pelo que indefiro”, citação do despacho de Felício Zacarias.

Faruk Gadit estranhou o facto do Gabinete do Ministro das Obras Públicas e Habitação não ter lhe notificado sobre o despacho que recaiu sobre sua exposição o que pressupõem que alguns funcionários do MOPH afecto ao gabinete de Felício Zacarias estejam envolvidos na negociata.

Entretanto, o pai do menino que alienou a casa, o advogado Albano Silva, tem uma postura pública em relação a este jornal.

Sempre e sempre diz que não fala.

Por seu turno, no gabinete da PM, Luísa Diogo, insistimos para obter dela um comentário sobre estas questões que foram levantadas no Parlamento mas os seus colaboradores marcaram um encontro que provavelmente só poderá ocorrer daqui a dez dias.

Alvarito de Carvalho - In Zambeze.