6/05/07

Conjunto Académico João Paulo

Já o haviamos mencionado por altura do falecimento do João Paulo em 23 de Abril passado.
E surge agora mais um trabalho do "Malhanga" que reaviva momentos e sons com esse conjunto marcante de nossa juventude em Moçambique - Porto Amélia:
Leiam, recordem e escutem aqui:
O Conjunto Académico João Paulo começou no Liceu Jaime Moniz, na Ilha da Madeira, nos primeiros anos da década de 60. Em 1964 deslocaram-se ao continente obtendo grande sucesso no Teatro Monumental e no programa "TV Clube".
Em 1964 foi editado o primeiro disco do grupo, um EP (formato mais vulgar na época com 3 ou 4 canções) com os temas "La Mamma", "Hello Dolly", "Eu Tão Só" ("Et Pourtant") e "Ma Vie". Venceram o Prémio de Imprensa Especial de 1964, entregue no dia 3 de Abril de 1965.
O segundo EP inclui os temas "It´s Over", "Se Mi Vuoi Lasciare", "Chove" e "Greenback Dollar". No início eram sete elementos, a partir deste disco, o grupo passa a ser constituído por: João Paulo (teclas), Rui Brazão, (guitarra ritmo), Ângelo Moura (baixo), José Gualberto (bateria), Carlos Alberto (guitarra, autor da maioria dos inéditos do grupo) e Sérgio Borges (vocalista e autor das letras dos originais e de algumas versões).
O EP "+1Disco=4 Sucessos" inclui os temas "Se Piangi Se Ridi", "Nunca Mais" (uma versão de "You've Lost That Lovin Feelin'"), "Hully Gully do Montanhês" e "Oh Dis Marie".
É editado novo EP com os temas "Capri C´est Fini", "Milena (a da Praia)", "Diz-lhe" e "Non Son Degno Di Te".
Sérgio Borges fica em 2º lugar no Festival RTP da Canção de 1966 com "Nunca Direi Adeus". O grupo edita o EP "Eurovisão" com os temas "Balada A Uma Rapariga Triste", "Ciao", "Nunca Direi Adeus" e "Ele e Ela" (tema de Madalena Iglésias que representou Portugal no Eurofestival desse ano).
Ainda em 1966 é editado o álbum ”Conjunto Académico João Paulo no Teatro Monumental“, um dos poucos lançamentos nacionais neste formato ainda a dar os primeiros passos.
Os Eps "L'Amour Est Bleu" ("L'Amour Est Bleu", "Puppet On A String", "I Hate These Moments" e "Sombras") e ”Poema de um Homem Só“ ("Poema De Um Homem Só", "Monday Monday", "Oasis" e "When A Man Loves A Woman") são os registos seguintes.
Novo EP com os temas "Sue-Lin A Minha Chinesa", "Cosa Vuoi Da Me", "Kilimandjaro" e "Quando Nasce O Amor".
É editado o EP "O Louco" com os temas "O Louco", "Si Lo So", "Tu E Eu" (versão de "Happy Together") e "I Just Don't Know What To Do With Myself".
"A Shadow Rounds The Tomorrow Sounds" é o último disco desta fase pois estão parados durante algum tempo devido à mobilização dos seus elementos para a Guerra Colonial.
Colaboram com a cantora Vickie num single com os temas "Who Have Nothing" e "Try A Little Tenderness".
Sérgio Borges vence o Festival RTP da Canção de 1970 com "Onde Vais Rio Que Eu Canto". A solo lança ainda um outro single com versões de "Canção de Madrugar" e "Corre Nina", outros dos temas que mais se destacaram nesse Festival.
O grupo passa a denominar-se Sérgio Borges e O Conjunto João Paulo. É editado o disco "Meu Corpo É Minha Seiva".
Entram para o grupo os ex-Quinteto Académico+2 Adrien (bateria) e Zé Manel (saxofone).
Lançam um EP que incluía ”Lavrador“, adaptação do tema ”Aguarela Portuguesa“ de Zeca do Rock. Os outros temas deste disco são "Serei um Dia o Mar", "Estrada Branca" e "Paul da Serra".
O último disco do grupo, editado em 1972, foi um EP com os temas "Nascer" (Birth), "Champs Elysées", "O Salto" e "A Uma Gina".
Em 1981 é editada uma colectânea do grupo num dos volumes da "Antologia da Música Popular Portuguesa".
Em 1993, a EMI-VC lançou a compilação "Os Grandes Êxitos do Conjunto Académico João Paulo", primeiria edição em cd dos trabalhos do grupo, com os temas "EuTão Só (et pourtant)", "Capri c'est Fini", "Ma Vie", "Se Mi Vuoi Lasciare", "Hully Gully do Montanhês", "Se Piangi, Se Ridi", "Non Son Degno Di Te", "Milena (a da Praia)", "Ciao", "Nunca Direi Adeus", "Stasera Pago Lo", "L'Amour Est Blue", "Cosa Vuoi Da Me", "Kilimandjaro", "Onde Vais Rio Que Eu Canto", "Canção de Madrugar" e "Corre Nina".
A colecção Caravela, editada em 1996 pela EMI, sob o lema "Os Maiores Artistas Ao Melhor Preço! - Grandes Êxitos Em Gravações Originais", inclui discos dedicados a nomes como Sheiks, Quarteto 1111 e Conjunto Académico João Paulo mesmo que em edições mais pobres.
João Paulo Agrela, membro do agrupamento musical Conjunto Académico
João Paulo, morreu no dia 23 de Abril de 2007.
Fonte: Wikipédia e http://www.malhanga.com/JP-videos/
Bom trabalho, Malhanga !

6/02/07

PEMBA - SUA GENTE, MITOS E A HISTÓRIA - Parte 1

Sobre Luis Alvarinho, autor de "PEMBA, Sua gente, mitos e a história - 1850 a 1960" diz-nos a poetisa Glória de Sant'Anna (extraído das páginas de Porto Amélia/Pemba):
""20/06/2002 - Estando em preparação um livro de crónicas em que esta será incluída, envio-a como homenagem ao Luís Alvarinho - Glória de Sant'Anna :
Moçambique – Cabo Delgado
A Escuna Angra é um marco histórico navegando o mar no reinado de D. Pedro V, para as terras de Cabo Delgado ao norte de Moçambique.
Comandada por Jerónimo Romero, 1º tenente da Armada, leva consigo sessenta colonos que irão fundar a colónia agrícola de Pemba, em 1857.
Mãos amigas fizeram chegar até mim um livro sóbrio que relata o facto.
Baseia-se ele essencialmente na adenda à memória descritiva de Jerónimo Romero, e na recolha da tradição oral de toda a região que abraça a baía de Pemba.
É seu autor Luís Alvarinho nascido em Pemba em 1959. (1)
Este jovem que na sua meninice por certo correu pela orla das ondas, colheu búzios na praia do Wimbe, bebeu sumo dos cajus, trincou maçanicas e jambalão: e na sua juventude se sentou frente aos microfones do Emissor Regional de Cabo Delgado, cativado pela magia e o poder da Rádio: este jovem, também ele elemento de mudanças políticas, inicia com o livro "PEMBA, SUA GENTE, MITOS E A HISTÒRIA – 1850 / 1960", datado de 1991, um caminho de pesquisa etnográfica e política das terras de Cabo Delgado – Pemba – nos séculos XIX e XX.
Da recolha oral conta o autor uma terna história que transcrevo:
" em anos muito recuados da nossa história a baía de Pemba era frequentada apenas por alguns pescadores malgaches e swailis que em suas pequenas lanchas e pangaios arrecadavam o alimento sem nunca ali se fixarem.
Conta então uma antiga lenda que por essa altura uma de tais embarcações apanhada por um temporal naufragou tendo como sobrevivente uma mulher que se viu obrigada a procurar algum refúgio nas proximidades da baía.
A mulher importante ( NUNO em língua local ) conseguiu sobreviver e montar aí a sua guarita.
Naturalmente conotada a NUNO pelos pescadores como "mensageira divina" demonstrando que a zona poderia ser perfeitamente habitada, ela fê-los seguir o seu exemplo."
Esta obra com a qual me congratulo, não apenas pelo valor que tem, é uma pedra angular no espaço das letras moçambicanas.
Como o próprio autor diz em nota introdutória, "este trabalho não tem pretenções de um rigor histórico, como talvez se possa interpretar. A pesquisa histórica com certa sistematização poderá, isso sim, permitir identificar as raízes do local e da sua gente...
A principal motivação para este empreendimento, foi precisamente a de preservar a tradição oral de Pemba, já bastante perdida."
(1) – Foi meu aluno no ensino secundário e faleceu alguns anos depois de ter escrito este livro histórico a que se refere esta crónica. -
Glória de Sant'anna

PEMBA - SUA GENTE, MITOS E A HISTÓRIA
NOTA INTRODUTÓRIA
Este trabalho não tem pretensões de um de rigor histórico como talvez se possa interpretar. A pesquisa histórica com certa sistema­tização poderá, isso sim, permitir identificar as raízes do local e da sua gente, afinal a intenção essencial deste estudo.A principal motivação para este empreendimento, foi precisamente a de preservar a tradição oral de Pemba, já bastante perdida.É assim que, a par de fontes históricas comprováveis, como por exemplo as notas em citação, documentação avulsa do Arquivo Histórico de Moçambique, dados de vários números do Boletim Oficial e Boletim da Companhia do Niassa nem sempre citados para não cansar o leitor, o texto inclui variada informação oral cuja veracidade histórica se torna difícil comprovar mas que duma maneira ou de outra acaba fazendo parte da vida e do sentir da gente de Pemba.Mesmo na sua simplicidade esta obra só foi possível com o apoio do Arquivo Histórico de Moçambique, do Conselho Executivo da Cidade de Pemba, seus responsáveis e várias pessoas individuais de que não menciono nomes pretendendo evitar omitir alguém de muitos que me ajudaram.Muito grato estou aos meus irmãos que me acompanharam nesta caminhada.
Luís Carrilho Alvarinho - Maio, 1991

I
EIS, PEMBA!
A turística cidade de Pemba, ao noroeste da costa de Moçambique, encontra-se implantada na península meridional de uma das mais belas baías do mundo - PEMBA - e estende-se ao longo de uma colina que se eleva gradualmente até ao chamado "Planalto dos Cajueiros". Maravilhosas praias a orlam roubando-lhe grande parte da costa que, ora deixa penetrar francamente as águas do mar sobre uma areia branca e fina ora as faz estancar em rochas, já bem batidas, mas de uma magnífica beleza natural. Da Maringanha ao Paquitequete se pode experimentar o cheiro a maresia quando os ventos carregados de iodo vêm do mar ou deliciar o perfume aromático arrancado às resinas e essências dos maciços florestais quando eles do interior sopram em direcção ao litoral. Outrora com densa vegetação e floresta cerrada onde só animais selvagens viviam, a cidade de Pemba é hoje habitada por cerca de 80.000 pessoas e visitada anualmente por mais de um milhar de turis­tas. É delimitada a Norte pela ponta Mepira e a Sul pela ponta Maunhane, ocupando uma área de 142 km2. O embrião que veio dar origem à actual cidade de Pemba, data de 1857, como parcela da “Colónia 8 de Dezembro", fundada por Jerónimo Romero e dissolvida cinco anos depois por diversos problemas de organização e adaptação dos colonos. A princípios da década de 1890 um indivíduo de origem malgache funda a noroeste do actual bairro de Paquitequete um povoado conhecido pelo nome de “Muenha Amade”. A Companhia do Niassa instala, por sua vez em 1897 nas proximi­dades dessa povoação um posto militar para no ano seguinte criar o Concelho de Pemba com sede na povoação de “Pampira”, nome por que também era conhecida a região. Por portaria do Ministério da Marinha e Ultramar de 22 de Novembro de 1899 e proposta do Conselho da Administração da Companhia do Niassa, Pemba ou Pampira passa a denominar-se "Porto Amélia" em homenagem à última rainha de Portugal D. Amélia de Bragança. Dada a sua importância como porto exportador e às facilidades no trato do comércio do sertão a Companhia do Niassa transfere em 1902 de Ibo para Porto Amélia a sede da sua administração. Extinguindo em 1929 a companhia majestática, a administração colonial portuguesa manda rectificar a planta de Porto Amélia com vista a organizar ali uma nova povoação, decidindo no entanto manter-lhe o nome. Em 1932 passa ter a povoação de Porto Amélia uma Câmara Mu­nicipal, cujo foral lhe foi concedido 11 anos depois. Porto Amélia ascende a vila por portaria de 19 de Dezembro de 1934 e é elevada à categoria de cidade em 1958 pelo Decreto-lei de 18 de Outubro do Governo Geral da Província. A escassos meses da independência de Moçambique a cidade de Porto Amélia volta a denominar-se Pemba, por ordem do Presidente Samora Machel.
(Continua)

5/30/07

Rui Paes (de Pemba) expôe no primeiro Simpósio Internacional de Pintura de Matosinhos.

Pintores tentam captar o espírito do Senhor de Matosinhos.
Por Jorge Marmelo - Publico.pt
Trabalho de Alberto Péssimo, João Ribeiro, José Emídio e Rui Paes pode ser apreciado, ao vivo e até quinta-feira, na Galeria Municipal.
Menos de vinte e quatro horas depois do arranque do primeiro Simpósio Internacional de Pintura, que decorre em Matosinhos até ao próximo dia 31, o pintor José Emídio já tinha duas obras de arte em avançado estado de produção. Não espanta. Emídio é um matosinhense e o único dos quatro participantes na iniciativa que já conhecia Matosinhos, cabendo-lhe, por isso, o papel de anfitrião de Alberto Péssimo, João Ribeiro e Rui Paes, o português radicado em Londres que ficou famoso quando fez as ilustrações do livro infantil Pipas de Massa, da cantora Madonna. Também por jogar em casa, José Emídio optou por contornar o tema proposto pela Câmara de Matosinhos para a iniciativa: o Senhor de Matosinhos, a sua lenda, as tradições e as festividades populares que actualmente têm por palco o centro da cidade, com o seu cortejo de barraquinhas de feira e roulottes de farturas. "Já pintei muitas vezes o Senhor de Matosinhos, vou aproveitar para fazer outras coisas", justifica o pintor. Coincidindo com a realização de uma das maiores romarias do país, o Simpósio Internacional de Pintura decorre, desde a passada quarta-feira, numa das salas da Galeria Municipal de Matosinhos. Por lá têm passado artistas e simples curiosos que querem ver ao vivo o trabalho dos pintores convidados, mas também alunos das escolas do concelho que frequentam os workshops de pintura que acompanham o simpósio, destinados a melhorar a compreensão do fenómeno artístico. "Estou a gostar muitíssimo da experiência", diz Rui Paes. "Fiz as Belas-Artes no Porto, mas não conhecia Matosinhos", reconhece o ilustrador do livro de Madonna. Com a ajuda de um postal ilustrado mostrando um dos altares da Igreja do Senhor de Matosinhos, Paes tenta passar para a tela as volutas barrocas e douradas que decoram do templo. A ideia, explica, é criar uma moldura barroca que enquadre um ícone religioso, estabelecendo uma ligação entre a tradição, a realidade actual dos festejos e o livro que o tornou célebre.
"Explosão de estímulos"
Antes de iniciarem o trabalho, os quatro pintores foram conduzidos num passeio pelos principais pontos patrimoniais do concelho, da Igreja do Senhor de Matosinhos à Casa de Chá da Boa Nova. Uma introdução que Rui Paes considera ter sido "muito boa" e que lhe trouxe à memória a última visita ao edifício que Siza Vieira instalou sobre os rochedos da Boa Nova: "Não ia lá há trinta anos, mas lembro-me que foi ali que percebi que o Siza Vieira é um génio da Arquitectura. Fui à casa de banho e vi aquela luz... Aquilo era magia", recorda. Resultado? O pintor nascido em Moçambique contava aproveitar o simpósio para descansar, mas percebeu imediatamente que tal será impossível. "Há muito dinamismo, uma explosão de estímulos e solicitações. Não vou descansar, mas sair daqui com uma energia nova", diz. Como que para ilustrar o que significa para um pintor o trabalho partilhado, Alberto Péssimo entra nesse instante no improvisado atelier dos quatro artistas. Vem falando alto e traz um saco de supermercado, oferece cerejas e arrasta os restantes pintores para uma fotografia de grupo a la minuta num cavalinho estacionado diante dos paços do concelho. Quando regressa, veste o fato-macaco, estende um pedaço de papel no chão e começa a desenhar com traços rápidos.Pouco habituados ao trabalho em conjunto, os artistas parecem não desgostar da experiência. "O que mais me impressionou foi ver os outros a trabalhar", reconhece o lisboeta João Ribeiro, apontando para o canto onde Péssimo tem já um monte de papéis desenhados, rasgados e pintados, espalhados pelo chão, pelas paredes e por toda a parte, como se um vendaval criativo por ali tivesse passado. "Ele tem uma atitude muito dadaísta", comenta, enquanto vai acrescentando pacientemente as várias camadas de cor que hão-de dar origem à sua obra. "Só daqui a alguns dias se vai ver o resultado", explica.
In "Publico.pt"

PEMBA - Turismo cultural é prioridade.

Intensificar turismo cultural continua a ser nossa prioridade diz Agostinho Ntawale, presidente do município de Pemba .
A cidade de Pemba – orgulhosamente apelidada de berço que acolhe a terceira maior baía do mundo – continua galvanizada no estabelecimento definitivo de um turismo cultural que fará daquela urbe da província de Cabo Delgado, uma janela importante e privilegiada de Moçambique. De acordo com Agostinho Ntawala, presidente do município local, que esteve recentemente na Bolsa do Turismo realizada em Maputo, há muito trabalho que está sendo feito neste momento, particularmente na área da construção de infra-estruturas. “Qualquer nacional ou estrangeiro que queira investir em Pemba, pode fazê-lo, nós estamos abertos”. Neste momento há uma grande azáfama para construção de hotéis, que incluem de cinco estrelas.
Ntawala, em conversa com a nossa Reportagem, evocou como um dos chamaris para chamar a atenção das pessoas sobre o desenvolvimento de Pemba, o Festival de Turismo Cultural da Baía, que se realiza uma vez por ano. “Este evento é o espelho de Cabo Delgado. Se você quer ir à Mueda, ou Nangade, ou outro local da nossa província por alturas desse festival, não precisa de ir lá, porque todo Cabo Delgado vem dar à Pemba”.
Apresentado este panorama, questionamos ao presidente do Município de Pemba se isso significa que a cidade por ele dirigida está de boa saúde.
“Nós estamos bem, porque o turismo não se circunscreve apenas à cidade de Pemba, mas também nas Ilhas. Temos o turismo em que as pessoas têm a oportunidade de se banhar nas águas do mar, temos também fauna bravia no Parque Nacional das Quirimbas que engloba a parte marítima e também a parte continental, onde se podem contemplar animais”.
São projectos inúmeros e ambiciosos abraçados pela equipa de Agostinho Ntawale, que passam por acreditar sobretudo na força do trabalho. “Temos em manga a urbanização da terra para poder viabilizar os projectos de construção para o bem-estar da população. Neste momento estamos numa fase de parcelamento de algumas áreas municipais em que posso afirmar que temos já 400 talhões, para ver se a nossa cidade vai ter uma habitação condigna, aliás esse é o nosso programa. Outro projecto circunscreve-se à viabilização de zonas potenciais para prática de turismo cultural, e lá nós só autorizamos a construção de infra-estruturas turísticas e achamos que podemos combater a pobreza absoluta nesse âmbito, porque as pessoas terão emprego e também, além do emprego, temos aquilo que é a contribuição dos operadores no âmbiuto da e também na agricultura de pequena escala e isso fará com que a cidade de Pemba, nos próximos tempos reduza circunstancialmente pobreza”.
BOLSA DO TURISMO
Uma das estratégias adoptadas por Agostinho Ntawala para a promover a sua cidade, foi vir à Maputo para a Bolsa do Turismo. “Eu vim a Maputo para dizer ao mundo que nós estamos aqui, não viemos na nossa máxima força, mas estamos em grande: trouxemos aqui grupos culturais habitualmente vistos na baía de Pemba, trouxemos uma gastronomia invejável, estamos no mínimo com qualquer coisa como 25 pratos que estão a girar aqui na Bolsa de Turismo, e são pratos típicos de Moçambique, então essa é uma componente muito importante”. Ainda no Bolsa de Turismo foi lançado um CD de uma cantora- revelação chamada Zainabo, que fala das potencialidades da cultura de Cabo Delgado. O nosso trabalho não é confidencial, é público e gostaríamos que qualquer moçambicano, onde estiver, acompanhasse isso”.
Outra estratégia encontrada pela edilidade é a promoção regular de festivais. “Agora capitalizamos o Festival de Turismo Cultural da Baía, que é realizado todos os anos. Isso significa que aqui nós mostramos todo o potencial de Cabo Delgado”.
Em relação ao turismo cultural, o nosso interlocutor, abre espaço para a participação do sector privado.
“Nós temos já processada a autorização de um grupo de investidores que vão construir um hotel Vip e outros hotéis. E pensamos que, de certa maneira, isso vai catalisar o turismo e a dinâmica social, económica e Cultural de Cabo Delgado”.
Esse desenvolvimento projectado passará ainda pela construção de uma auto-estrada que vai ligar a cidade velha à nova – onde estão a ocorrer grandes transformações.
DEPOIS DO FESTIVAL
Após a realização do 2º Festival da Canção e Música Tradicional realizada na cidade de Pemba em 2006, a capital provincial de Cabo Delgado, em termos de desenvolvimento cultural já não será a mesma.
“Pemba mudou muito. Ficámos a saber que afinal podemos fazer maravilhas. Como réplica desse festival nacional, acabámos criando o Festival de Turismo Cultural da Baía, que está a dar um grande sucesso e penso também que a mentalidade das comunidades também mudou, porque eles acham que hoje, afinal de contas podem promover a província de Cabo Delgado através da dança, da canção, através da cestaria, da escultura makonde, então eu julgo que, de facto, o segundo festival da canção tradicional veio, mais uma vez, dar um impulso à província de Cabo Delgado”.
Pemba é também uma cidade de muitos bairros. Qual deles o mais importante, na visão de Ntawale?
“Nós temos o bairro histórico de Paquitiquete, onde qualquer visitante que vai para ali, encontrará a cultura típica da baía de Pemba, mas no seu todo, em todos os bairros a cultura está patente e o grupo que trouxemos a Maputo é do bairro de Ngonane. É um dos melhores de Pemba, por isso o trouxemos aqui. Mas em cada bairro municipal temos grupos culturais que são o orgulho de Pemba e que precisamos de expô-los para todo Moçambique saber o quê que tem por dentro do seu país”.
O SEGUNDO FESTIVAL DO WIMBE
De 28 de Dezembro a 1 de Janeirto de 2008, vai-se realizar o Segundo Festival do Wimbe. Aí é para ver Cabo Delgado por fora. Todo Cabo Delgado estará ali representado nas suas mais variadas vertentes socioeconómica cultural.
“Estamos a criar um ambiente em que a passagem do ano para 2008, Pemba seja o lugar apropriado aqui ao nível desta zona de África. É o primeiro sítio onde se pode ver primeiro o nascer do sol, então tem mais um motivo porque você sempre quer ser o primeiro a ver o sol do primeiro dia do ano de 2008, então o lugar é Pemba.
Pemba é deveras especial. Tem recebido grandes estrelas dos Estados Unidos da América que vão ali. Aterram no nosso aeroporto, e vão para as ilhas, e eu penso que isso faz com que a cidade de Pemba seja um orgulho para o moçambicano. Pemba é procurado no mundo inteiro. O importante agora é que nós todos divulguemos este ouro para que de facto se torne destino invejável.”.
Maputo, Quarta-Feira, 30 de Maio de 2007:: Notícias - ALEXANDRE CHAÚQUE

5/29/07

PEMBA - Atendimento no Hospital !

Carta aberta de Tangu M. Awanaja divulgada no jornal Notícias - Maputo:
Maputo, Terça-Feira, 29 de Maio de 2007:: Notícias
SR. DIRECTOR!
Escrevo pela primeira vez para o maior jornal do país que V. Excia dirige, para abordar alguns problemas que, quanto a mim, constituam perigo, assim como os que lhes afectam directamente. Peço a V. Excia a gentileza de publicar esta pobre carta. Há um problema que afecta maioritariamente os profissionais da Saúde, em serviço no Hospital Provincial de Pemba, na província de Cabo Delgado.
Antes de entrar concretamente no assunto, queria pedir aos caros leitores para que me perdoem com o meu pobre português, aceitando desta feita o conteúdo da carta. O motivo que me leva a escrever para esta página é para pedir a opinião pública acerca desse assunto. Eu gostaria de saber se é possível evitar a morte de um doente, mesmo que esteja em estado de agonia? Se for possível desejaria uma resposta explicativa a qualquer leitor que tiver oportunidade de o fazer.
A propósito dessa pergunta surge o seguinte: No Hospital Provincial de Pemba quando morre um doente constitui um problema grave. Depois de os familiares tomarem conhecimento da morte do parente, estes apresentam uma queixa. É muito frequente haver queixas dos familiares que perdem seus parentes nesta unidade sanitária, mesmo que o doente tenha recebido todos os cuidados hospitalares, quando morre torna-se um problema para os enfermeiros em serviço. Muitas vezes as queixas não são apenas apresentadas à direcção do hospital, mas também são encaminhadas ao mesmo tempo à PIC, onde os funcionários são obrigados a responder um processo-crime como se tratasse de assassinos. Até porque antes de o caso ser averiguado pela direcção de tutela, os profissionais da Saúde começam a responder o caso na PIC.
As queixas apresentadas são feitas muitas vezes por pessoas bem posicionadas, usando as facilidades que o seu estatuto social lhes confere. Quando isso acontece o hospital nem tem tempo de averiguar o caso com cautela porque já foi encaminhado para outras instâncias. Isso para dizer que os familiares da elite não podem morrer neste hospital, pois foram vítimas de mau tratamento. No entanto, os familiares do pé-descalço, os desfavorecidos, não fazem esse tipo de reclamações, eles ficam sensibilizados que a morte é uma coisa inevitável e todos nós esperamos seguir o mesmo caminho.
Eu não quero falar de factos sem base, para dizer que tudo que vem nesta carta é caso verídico. Para vos deixar tão claros vou citar alguns episódios que aconteceram neste hospital. No ano de 2006 duas enfermeiras foram responder a um processo na PIC, por causa da morte do neto de um chefe. Esse caso deve estar a andar nos gabinetes das autoridades judiciais. Em 2007 foram demitidos e despromovidos alguns enfermeiros do Hospital de Pemba acusados de serem culpados na morte do filho de um agente da lei e ordem (autoridade). Apesar de se ter instaurado o processo disciplinar, aguardam para responder em juízo porque o caso já está nas mãos das autoridades judiciais para julgamento. Recentemente está a correr um processo de investigação a propósito da morte de um doente, que vinha transferido de um posto de Saúde que dista 230 quilómetros da cidade de Pemba, numa estrada péssima. Este doente veio a perder a vida na sala de operações durante a intervenção cirúrgica.
FAMILIARES DE PESSOAS DA ELITE
Conforme acabei de referenciar, as queixas sempre acontecem com os familiares de pessoas da elite. Caso concreto desse doente o pai pertence a essa classe, ele em vez de procurar saber junto das autoridades do hospital, entendeu meter queixa directamente às instâncias superiores alegando que o seu doente tinha sido mal atendido, o que resultou na morte do mesmo. As instâncias superiores usando as suas competências ordenaram à Direcção Provincial da Saúde um inquérito de averiguação do caso, para se encontrar o responsável da morte do doente. Até ao momento o processo do doente anda nas gavetas dos chefes para se encontrar o infractor. Meus senhores, quando é que vamos depositar confiança nos nossos profissionais da Saúde?
Em 1999, eu perdi o meu filho recém-nascido em pleno Hospital Central de Maputo, onde existem todos os meios e recursos humanos altamente qualificados. O bebé havia nascido com oito meses e pesava 1,5 quilograma e estava de boa saúde e nem tinha nenhuma patologia. Como norma, o bebé tinha que ficar na incubadora até aos dias estipulados pela equipa médica. Mas acontece que no nono dia ele morre. Quando cheguei ao hospital, deparei-me com essa triste notícia e não fiz outra coisa. Digam-me lá a quem podia imputar a responsabilidade da morte desse filho?
Um outro acontecimento deu-se em 2006, em que o meu sobrinho esteve internado neste hospital de Pemba, na enfermaria de medicina durante duas semanas. No último dia da sua morte ele tinha complicações de respiração e saíam alimentos pelas narinas e essa enfermaria não dispunha de aparelho para chupar sujidade. Quando perguntámos disseram-nos que o aparelho só se encontrava no Banco de Socorros e na maternidade e naquela altura estava em uso. Depois de duas horas de tempo é que se conseguiu o aparelho, já era tarde, o moço acabou morrendo. Nestes termos a quem culpar? Eu, ciente das dificuldades que vivi de perto, escusei-me de acusar as pessoas de morte do meu parente. Para os outros deviam primeiro se inteirar bem dos factos e depois fazer a queixa.
Meus senhores, não se limitem a recorrer a queixas sem se aperceberem das condições que a nossa unidade sanitária de referência possui. Há certos casos que acontecem por falta de meios apropriados para salvar este ou aquele doente. Para tal, merece uma análise profunda para apurar os factos. Eu agora pergunto: será que morrer no hospital é um problema?
Muitas vezes temos acompanhado pelos meios de comunicação social a reportar a morte de alguns dirigentes ou grandes magnatas em grandes hospitais onde existem todos os meios altamente sofisticados, mas nunca ouvimos que os médicos que assistiram esses pacientes foram julgados.
APELO É EXTENSIVO AO NOVO DIRECTOR DO HOSPITAL
Senhor ministro da Saúde é melhor tomar nota desse assunto que parece mesquinho mas é polémico, pois afecta sobremaneira os profissionais da Saúde do Hospital Provincial de Pemba. Um apelo vai para o novo director provincial da Saúde de Cabo Delgado que foi empossado recentemente para que tenha muita atenção a este fenómeno e tenha diálogo com os seus funcionários que andam frustrados. Este apelo é extensivo ao novo director do Hospital Provincial de Pemba para ter cautela na resolução dos problemas ou se inteirar junto dos profissionais que dirige para melhor percepção dos factos. Os funcionários não se querem pronunciar por temerem represálias ou medo de serem expulsos como prometia a antiga directora.
Nos últimos dias, os profissionais da Saúde desta unidade sanitária trabalham com muito medo dos utentes. Para o vosso conhecimento certas pessoas querem assistir de perto seus doentes a serem tratados e querem ainda saber que tipo de medicamento está a ser administrado e para que efeito. Os enfermeiros com o medo de ser mal vistos, eles limitam-se a deixar tudo. É esse cenário que se vive no Hospital Provincial de Pemba. Senhor ministro essa norma de trabalho é praticada em todos os hospitais do país?
Eu apenas sou cidadão comum e nem faço parte da Saúde mas do pouco que presenciei não me quis conter se não escrever esta carta. Não estou a favor dos enfermeiros que atendem mal aos doentes, mas sim quero que algumas pessoas saibam que morrer neste hospital não significa mau atendimento. Quando assim pensamos estamos a desvalorizar os esforços dos médicos, técnicos e enfermeiros. Eu tenho visto o esforço que estes profissionais empreendem mesmo sem meios suficientes fazem algo. Eu penso que o médico, técnico, enfermeiro e até servente têm a missão de salvar vidas. Se formos a fazer análise dos doentes que entram no hospital e melhoram e os que perdem a vida qual seria a maior percentagem?

5/28/07

Ecos do encontro em Fátima dos antigos alunos do Colégio de São Paulo de Porto Amélia.

Somos eternos Jovens !!!
(Para evitar sobreposição de sons, não esqueça de "desligar" o "Rádio Moçambique" no lado direito do menu deste blogue. Fotos de António Coelho , Maria José Costa e Íris Maria.)

Com Amizade para todos os "jovens" da nossa eterna Porto Amélia/Pemba.

Jaime Luis Gabão