3/11/09

Ronda pela blogosfera lusa - Sócrates e a liberdade...

Embora escrito hà um ano atrás com publicação no jornal Português "Público" e no blogue "Sorumbático", pela contemporaneidade do tema e evolução dos acontecimentos tanto a nivel de Portugal com em outros recantos onde tanto se apregoa democracia e liberdade, permito-me transcrever com a devida vénia e para reflexão "aquèm e além mar", este interessante texto do ilustre duriense Dr. António Barreto:

"" 7.1.08 - Sócrates e a liberdade - por António Barreto.

EM CONSEQUÊNCIA DA REVOLUÇÃO DE 1974, criou raízes entre nós a ideia de que qualquer forma de autoridade era fascista. Nem mais, nem menos.

Um professor na escola exigia silêncio e cumprimento dos deveres? Fascista!

Um engenheiro dava instruções precisas aos trabalhadores no estaleiro? Fascista!

Um médico determinava procedimentos específicos no bloco operatório? Fascista!

Até os pais que exerciam as suas funções educativas em casa eram tratados de fascistas.

Pode parecer caricatura, mas essas tontices tiveram uma vida longa e inspiraram decisões, legislação e comportamentos públicos.

Durante anos, sob a designação de diálogo democrático, a hesitação e o adiamento foram sendo cultivados, enquanto a autoridade ia sendo posta em causa. Na escola, muito especialmente, a autoridade do professor foi quase totalmente destruída.

EM TRAÇO GROSSO, esta moda tinha como princípio a liberdade. Os denunciadores dos “fascistas” faziam-no por causa da liberdade. Os demolidores da autoridade agiam em nome da liberdade. Sabemos que isso era aparência: muitos condenavam a autoridade dos outros, nunca a sua própria; ou defendiam a sua liberdade, jamais a dos outros. Mas enfim, a liberdade foi o santo e a senha da nova sociedade e das novas culturas. Como é costume com os excessos, toda a gente deixou de prestar atenção aos que, uma vez por outra, apareciam a defender a liberdade ou a denunciar formas abusivas de autoridade. A tal ponto que os candidatos a déspota começaram a sentir que era fácil atentar, aqui e ali, contra a liberdade: a capacidade de reacção da população estava no mais baixo.

POR ISSO SINTO INCÓMODO em vir discutir, em 2008, a questão da liberdade. Mas a verdade é que os últimos tempos têm revelado factos e tendências já mais do que simplesmente preocupantes.

As causas desta evolução estão, umas, na vida internacional, outras na Europa, mas a maior parte residem no nosso país.

Foram tomadas medidas e decisões que limitam injustificadamente a liberdade dos indivíduos.

A expressão de opiniões e de crenças está hoje mais limitada do que há dez anos.

A vigilância do Estado sobre os cidadãos é colossal e reforça-se.

A acumulação, nas mãos do Estado, de informações sobre as pessoas e a vida privada cresce e organiza-se.

O registo e o exame dos telefonemas, da correspondência e da navegação na Internet são legais e ilimitados.

Por causa do fisco, do controlo pessoal e das despesas com a saúde, condiciona-se a vida de toda a população e tornam-se obrigatórios padrões de comportamento individual.

O CATÁLOGO É ENORME. De fora, chegam ameaças sem conta e que reduzem efectivamente as liberdades e os direitos dos indivíduos.

A Al Qaeda, por exemplo, acaba de condicionar a vida de parte do continente africano, de uma organização europeia, de milhares de desportistas e de centenas de milhares de adeptos.

Por causa das regulações do tráfego aéreo, as viagens de avião transformaram-se em rituais de humilhação e desconforto atentatórios da dignidade humana.

Da União Europeia chegam, todos os dias, centenas de páginas de novas regulações e directivas que, sob a capa das melhores intenções do mundo, interferem com a vida privada e limitam as liberdades.

Também da Europa nos veio esta extraordinária conspiração dos governos com o fim de evitar os referendos nacionais ao novo tratado da União.

MAS NEM É PRECISO IR LÁ FORA. A vida portuguesa oferece exemplos todos os dias. A nova lei de controlo do tráfego telefónico permite escutar e guardar os dados técnicos (origem e destino) de todos os telefonemas durante pelo menos um ano.

Os novos modelos de bilhete de identidade e de carta de condução, com acumulação de dados pessoais e registos históricos, são meios intrusivos.

A videovigilância, sem limites de situações, de espaços e de tempo, é um claro abuso.

A repressão e as represálias exercidas sobre funcionários são já publicamente conhecidas e geralmente temidas.

A politização dos serviços de informação e a sua dependência directa da Presidência do Conselho de Ministros revela as intenções e os apetites do Primeiro-ministro.

A interdição de partidos com menos de 5.000 militantes inscritos e a necessidade de os partidos enviarem ao Estado a lista nominal dos seus membros é um acto de prepotência.

A pesada mão do governo agiu na Caixa Geral de Depósitos e no Banco Comercial Português com intuitos evidentes de submeter essas empresas e de, através delas, condicionar os capitalistas, obrigando-os a gestos amistosos.

A retirada dos nomes dos santos de centenas de escolas (e quem sabe se também, depois, de instituições, cidades e localidades) é um acto ridículo de fundamentalismo intolerante.

As interferências do governo nos serviços de rádio e televisão, públicos ou privados, assim como na “comunicação social” em geral, sucedem-se.

A legislação sobre a segurança alimentar e a actuação da ASAE ultrapassaram todos os limites imagináveis da decência e do respeito pelas pessoas.

A lei contra o tabaco está destituída de qualquer equilíbrio e reduz a liberdade.

NÃO SEI SE SÓCRATES É FASCISTA. Não me parece, mas, sinceramente, não sei.

De qualquer modo, o importante não está aí. O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições.

Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação.

No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu governo.

O Primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas.

TEMOS DE RECONHECER: tão inquietante quanto esta tendência insaciável para o despotismo e a concentração de poder é a falta de reacção dos cidadãos. A passividade de tanta gente.

Será anestesia?

Resignação?

Acordo?

Só se for medo...
- In «Retrato da Semana» - «Público» de 6 de Janeiro de 2008.
- Transcrito do Blogue "Sorumbático".

3/10/09

Praia do Moçambique no... Brasil!

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui.)

Próximo a Florianópolis no estado de Santa Catarina - Brasil, existe uma praia que nos lembra Moçambique pelo nome: Praia do Moçambique.

Segundo o Guia Floripa, ""O nome da praia foi dado em função dos "moçambiques", molusco semelhante à ostra, encontrados em suas areias. No entanto, ela também é conhecida por Praia Grande.

A mais extensa praia da Ilha conta com 7,5 km de areias claras e macias, quase intocadas pelo ser humano.

Por fazer parte do Parque Florestal do Rio Vermelho, uma reserva de aproximadamente 400 mil metros quadrados com vegetação predominante de pinus, não há construção alguma no local. A paisagem torna-se ainda mais árida com as dunas, que cortam a linha entre a vegetação rasteira e o oceano.
O mar é aberto, de tombo (a profundidade aumenta abruptamente, após uns poucos passos em direção ao mar) e com ondas agitadas. O contato com a Corrente das Malvinas torna a água muito fria. Embora essas características não atraiam muitos banhistas, a praia, que costumava ser semi-deserta, fica razoavelmente movimentada na alta temporada, com muitos surfistas que vêm de outras cidades. Mesmo assim, ainda é uma das mais vazias da Ilha.

Distância da praia ao centro de Florianópolis: 29 kms.""

Enfim, fica aqui a curiosidade interessante da existência de uma praia no belo Brasil, assim chamada porque existe também um molusco denominado Moçambique que por lá prolifera....

Não é Moçambique mas que lembra, lembra... Nem que seja só pelo nome!

  • Portal da Prefeitura Municipal de Florianopolis - Aqui!

3/09/09

Os Bombeiros de Peso da Régua e… o seu menino!

(Clique na imagem para ampliar.)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua de minha origem e raízes, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique... Para isso estou contando com a gratificante colaboração de um aficionado e morador ilustre da nossa querida cidade capital do Douro - Peso da Régua, o Dr. José Alfredo Almeida:

Nesta bela imagem, com mais de meio século de vida, da autoria do fotografo A. Santos, dono do antigo estúdio “Foto Reguense”, que existiu num prédio da Rua João de Lemos, pertencente hoje aos herdeiros do médico Egídio Viana, a figura central é um menino vestido com uma farda de bombeiro, um ilustre reguense de nome José Figueiredo Pinto da Fonseca, que sobressai, com um olhar sereno e feliz, no meio de uma galeria de bombeiros notáveis dos anos de 1930 a 1950.

Gostaríamos de saber mais da razão desta foto, sobretudo o que ela queria assinalar, mas não conseguimos essa informação. Apenas soubemos que a esse tempo, era comum os bombeiros adoptarem como “mascote” uma criança.

Do grupo de nove bombeiros voluntários fardados ao rigor identificamos, na parte superior, os nomes de José Maria Almeida Júnior, Gastão Mirandela, Claudino Clemente e Joaquim Laranja e, na parte inferior, os de Alberto Loureiro de Almeida e Sampaio Coutinho.

O bombeiro Gastão Mirandela ostenta na sua farda duas medalhas de mérito, o que já prova o seu reconhecimento como um grande e valente bombeiro.

Encontramos no nosso arquivo uma carta escrita, há alguns anos, pela senhora D. Elvira Maria de Figueiredo Pinto da Fonseca Pereira Guedes, já falecida, uma preciosa relíquia na arte de bem escrever, com emoção, amor e respeito aos bombeiros do seu tempo, daqueles anos de 1930-50, que conheceu de perto, com eles conviveu e até muito ajudou, que aqui reproduzimos:

”Exmo Senhores:
Desde pequena fui habituada a respeitar os bombeiros da minha terra. Vivi paredes meios com eles quando o quartel era no Cimo da Régua e a sineta ficava perto do meu quarto, de maneira, o que fazia que quando tocava a sineta de noite me despertava a ponto de traumatizar os meus primeiros anos de vida.

Brinquei com os primeiros quarteleiros, com o João dos Óculos e tantas vezes acarinhada pelos Comandantes Afonso Soares e Camilo Guedes, pelos senhores Gastão Mirandela, Claudino Clemente, Joaquim Laranja. Lembro ainda do patrão Álvaro e mais tarde do Zé Pinto quarteleiro, dos Trovões, e um cãozinho chamado Voluntário. Toda a corporação era venerada em minha casa como heroína de bondade e abnegação, talvez porque um homem que foi durante muito tempo o seu Comandante, era meu tio-avô, refiro-me a Lourenço Medeiros, cujos últimos anos de vida, só pensou ficar no novo quartel e no quarto dos rapazes, como ele dizia.

Depois, já rapariga, trabalhei muito para vós com a Senhora D. Branca Martinho. Quantos espectáculos, festas, exposições de capacetes… quase era obrigatório trabalhar para os bombeiros da nossa terra.

Acontece que no passado dia 1 de Outubro, fui transportada a Vila Real numa das vossas ambulâncias e a simpatia foi tanta, tanto o carinho e a amabilidade, que eu acho-me devedora e aproveito o vosso próximo aniversário para enviar uma pequena oferta e, peço, para transmitirem aos homens que me levaram a minha gratidão muito grande (…).

Pela vossa gentileza creia-me muito grata.”

São de comover estas suas encantadoras memórias. Todos os nomes daqueles bombeiros são homens que hoje gostamos de os recordar. Somos devedores a esta simpática senhora de uma infinita gratidão, pela sua ternura e generosidade pelos bombeiros de seu tempo de menina.
- Março de 2009, José Alfredo Almeida.
Peso da Régua.

  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!
  • O Blogue "Escritos do Douro" - Aqui!
  • A Peso da Régua de minhas raízes - Aqui!

3/06/09

Corpo de Afonso Tiago aparece no fundo do rio Spree...

Em 20 de Fevereiro último, alertado pelo JPT, transcrevi aqui o questionamento da blogosfera, amigos e familiares sobre Afonso Tiago, jovem engenheiro português desaparecido em Berlim dia 10 de Janeiro deste ano?
Hoje, porque acabei de tomar conhecimento na net, lamento transcrever o que se escreve no "Sapo Noticias" de hà momentos:

Corpo de Afonso Tiago descoberto hoje no fundo do rio Spree.
O corpo do Afonso Tiago foi hoje encontrado pela polícia alemã no fundo do rio Spree com todos os seus pertences (carteira, telemóveis, etc).

De acordo com uma fonte da Rede Judiciária Europeia «ainda se desconhecem as causas» e também «se se tratou de um acidente ou de um crime».

Em declarações ao SAPO, Ivo do Carmo, amigo de Afonso Tiago, que foi hoje informado pelas autoridades alemãs do aparecimento do corpo do jovem engenheiro, afirmou que o corpo não apresenta sinais de agressão.

Ivo do Carmo foi a última pessoa a ver Afonso Tiago na noite em que desapareceu. Foram juntos até à estação de Ostbahnof, levantaram dinheiro juntos e depois Afonso seguiu em direcção a casa.

«O corpo do Afonso vai ser autopsiado em Berlim para se chegar a conclusões sobre o que aconteceu», referiu à Agência Lusa a procuradora Adélia Martins, da rede Judiciária Europeia.

António Braga, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, que acompanha Cavaco Silva na visita à Alemanha, já se pronunciou. Braga afirmou lamentar a morte do engenheiro português e enalteceu o trabalho das autoridades alemãs, que, no seu entender, fizeram todos os possíveis para encontrar Afonso Tiago.

Depois de o rio Spree ter sido a primeira hipótese tida em conta pela polícia, esta semana as buscas no local foram retomadas devido à subida da temperatura. Também esta semana, as autoridades alemãs obtiveram autorização para analisar os registos telefónicos do engenheiro de 27 anos.

Durante a visita oficial de Cavaco Silva à Alemanha, que decorre durante esta semana, o Presidente Português conversou com as autoridades alemãs e declarou que estas classificaram o caso do desaparecimento do jovem como «bruxedo», por não o conseguirem explicar.

O corpo de Afonso Tiago é já o segundo cadáver de um cidadão estrangeiro encontrado nos últimos três dias, em Berlim. Na terça-feira passada as autoridades alemãs encontraram o corpo de um colombiano que estava desaparecido desde 14 de Fevereiro.

Afonso Tiago estava desaparecido desde o dia 10 de Janeiro.
- Sapo Notícias, @Vera Moutinho, 06 de Março de 2009, 15:03.
  • Caso de Afonso Tiago é "bruxedo", dizem as autoridades alemãs - Aqui!
  • Onde está Afonso Tiago, desaparecido em Berlim...? - Aqui!

Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50.

(Clique na imagem para visualizar em tamanho normal ou ampliar.)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua de minha origem e raízes, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique... Para isso estou contando com a gratificante colaboração de um aficionado e morador ilustre da nossa querida cidade capital do Douro - Peso da Régua, o Dr. José Alfredo Almeida:

Esta bela foto poderia ter como legenda o seguinte: “Bombeiros Voluntários de Peso da Régua formam-se na mais antiga e prestigiada universidade do país, na cidade de Coimbra”.

Devem ser raros os Corpos de Bombeiros que entram pela Porta Férrea da velha universidade de Coimbra, com o um dos seus mais belos carros de incêndios (o velho Ford, hoje uma peça de museu) e, em frente da velha torre da universidade (a cabra dos estudantes), no meio do Pátio dos Estudos Gerais, retratam para a posteridade esse momento de uma passagem (ou visita?) por esse lugar intemporal, junto a um estudante de capa e batina.

De qualquer forma esta foto dos anos de 1940 a 1950 assinala a importância que os bombeiros da Régua sempre tiveram no país, onde são conhecidos e reconhecidos pelo seu trabalho e espírito dedicado de missão à causa do voluntariado.

Nesta imagem pode ver-se uma geração de grandes bombeiros da Régua, como o Octávio Silva, o Manuel Gonçalves, o Castelo Branco, o José Silveira, o José Clemente e ainda o saudoso João Figueiredo, mais conhecido por “João dos Óculos” que, em 1953, perdeu a vida num incêndio.

Em jeito de homenagem a todos esses grandes bombeiros recordamos aqui uma parte de uma bela crónica que o escritor João de Araújo Correia que escreveu em memória do bombeiro João Figueiredo.

“Quando, em 1953, ardeu por completo, nesta vila, a CASA VIÚVA LOPES, empório de secos e molhados, como se diz no Brasil, morreu no incêndio o bombeiro João Figueiredo, mais conhecido por João dos Óculos.

No dia seguinte ao fogo, vi o cadáver, estendido de costas, de lado de dentro de uma abertura, que tinha sido, poucas horas antes, uma das portas da grande mercearia.

O corpo do João, ligeiramente vestido, como que ostentava, em toda a extensão das partes descobertas, o que se diz em Medicina, queimaduras de primeiro grau.

Não sei se a rápida morte do João foi devida às queimaduras, talvez mais extensas do que as ostentadas, se foi devido a asfixia ou queda. Não li o relatório de autópsia nem sei até se o João foi autopsiado. Sei que morreu no incêndio da CASA VIÚVA LOPES.

Era um pouco triste e um pouco frio, no trato, o João dos Óculos. Mas, homem bem comportado, honesto compositor na IMPPRENSA DO DOURO. Vi-o trabalhar, muitas vezes, sem erguer olhos do componedor.

Tive muita pena do desgraçado bombeiro. Tanto mais, que me eram simpáticos os seus padrinhos e pais adoptivos, o já cansado tipógrafo João Monteiro e sua mulher Senhora Glorinha, proprietários de uma arcaica tipografia quase morta chamada TRANSMONTANA. (…).

Tive muito pena do João dos Óculos, falecido em 1953”.

Teve pena dele o médico e o escritor João de Araújo Correia. Teve pena do João dos Óculos toda a Régua do seu tempo e a de agora que, através do seu Corpo de Bombeiros, jamais o deixará esquecer como um dos seus heróis.
- José Alfredo Almeida, Peso da Régua.

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3/04/09

General Tagmé Na Waie: "Eu morro de manhã e o Nino Vieira morre à noite"... E assim aconteceu!

A repugnante atualidade política de alguns países do continente africano, nada democrática, alagada num mar de corrupção, discriminação de castas, violência e sangue onde se salientam depravados lideres pouco interessados no bem estar social de seus irmãos de nacionalidade tratados com desumanidade e violentados física e diariamente em todos os sentidos está aí, perante a complacente apatia do mundo dito civilizado, democrático e suas organizações de porte em gastos mas ineficientes em resultados e que imensas vezes "sustentam" e abrigam no poder tais criminosos, com sua benévola apatia co-participativa.

O que aconteceu hà poucas horas na Guiné (antiga colónia portuguesa em África) é disso retrato. Mas outros casos há, como por exemplo o Zimbabwe onde o senil, incompetente, violento Robert Mugabe e seus sequazes continuam impondo-se no poder através do terror, do medo, de discursos repletos de embuste e ameaça. Para piorar, seus vizinhos políticos mais próximos até sorriem como amigos, acenando com simpatia para o anômalo mastim de pedigriee obscuro e acariciam seus pêlos impregnados de bestialidade e falsidade.

Para que entendam um pouco do que se diz acima e como é "formada" a mentalidade de tais "lideres"(?), transcrevo do "Diário de Notícias-Lisboa":

""NINO MORREU A GOLPES DE CATANA.
Guiné-Bissau. Está reforçada a explicação de ajuste de contas na Guiné. O general Tagmé Na Waie esperava um atentado e avisou os oficiais balantas: "Eu morro de manhã e o Nino morre à noite".

Vingança teve momentos de grande violência.
O Presidente Nino Vieira foi assassinado com grande brutalidade pelos militares leais ao chefe do Estado-Maior Tagmé Na Waié, que fora por sua vez morto horas antes num atentado à bomba.

Nino foi morto à catanada, sabe o DN. Sofreu golpes violentíssimos que o desfiguraram e já tinha profundas fracturas no crânio quando lhe deram o tiro de misericórdia.

Segundo fontes contactadas pelo DN em Bissau, a morte dos dois homens-fortes da Guiné teve na origem a velha rivalidade entre Tagmé e Nino, um ódio que remontava aos anos 80.

O chefe do Estado-Maior sabia da iminência de um atentado contra a sua vida e deu instruções aos militares balantas que lhe eram fiéis: "Eu morro de manhã e o Nino morre à noite", terá dito o general, segundo garantiu ao DN um antigo ministro guineense. "Tagmé teria conhecimento de que chegara uma bomba", garantiu esta fonte, que sublinhou a sofisticação do atentado contra o general.

O profissionalismo do ataque (que foi inédito na Guiné e transcende as capacidades das forças armadas locais) sugere a ajuda das redes de narcotráfico, que são controladas por sul-americanos.

As fontes guineenses atribuem a Nino Vieira o atentado contra Tagmé Na Waié. A explicação é a seguinte: Nino controlava a presidência e parte do poder civil, mas teve uma importante derrota nas eleições legislativas de Novembro, que o PAIGC liderado por Carlos Gomes Júnior ganhou com maioria absoluta, elegendo 67 dos 100 deputados. O partido apoiado por Nino Vieira, o PRID, que era liderado pelo antigo primeiro-ministro Aristides Pereira, conseguiu apenas 3 eleitos.

O poder militar é aquele que verdadeiramente conta na Guiné-Bissau e o Presidente tinha aí uma séria desvantagem, pois contava apenas com alguns apoios na marinha. Logo após o atentado contra Tagmé, Nino Vieira convocou o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior para uma reunião onde lhe seria imposto um novo chefe de Estado-maior da facção ninista. Mas o presidente terá cometido um erro de precipitação, ao convocar o primeiro-ministro escassos minutos depois do atentado, traindo o seu conhecimento do mesmo: Carlos Gomes recusou-se a comparecer.

Também se afirma que Nino esperava a protecção da marinha e que esta não se concretizou. Neste ponto dos relatos sobre os acontecimentos da madrugada de domingo surge um mistério: por que razão Nino Vieira não tentou fugir mais cedo? O presidente teve muitas horas para escapar, mas não o fez.

O actual poder da Guiné-Bissau está nas mãos dos militares fiéis a Tagmé Na Waié, uma nova geração de oficiais. O novo homem-forte será Zamora Induta, mas o poder militar não está clarificado. De qualquer forma, a situação parece estável.

O poder civil encontra-se nas mãos do PAIGC. O Presidente interino, Raimundo Pereira, exercia o cargo de presidente do Parlamento. De 52 anos, é um jurista formado em Portugal.

A sequência da situação política na Guiné-Bissau tem inúmeras incógnitas. Para alguns "é o fim de uma Era" dominada pelo impiedoso Nino Vieira. Mas no horizonte há problemas. O maior deles parece ser o narcotráfico e a corrupção.

Também não se pode esquecer a questão da balantização das forças armadas, facto que as outras etnias observam com extrema preocupação.

A presidência de Raimundo Pereira também poderá ser breve. A Constituição prevê eleições em dois meses, mas será impossível cumprir o prazo.

Os outros partidos temem a hegemonia do PAIGC e quererão negociar um presidente transitório consensual.
- Luís Naves, Lisboa, 04.03.09, DN OnLine.