5/28/09

Diversificando: "Despida de Direitos Humanos"...

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui)

Pelo inusitado transcrevo do BlueBus:

"Tirou a roupa para se dizer 'Despida de direitos humanos'.
A mensagem 'Stripped of human rights' (Despida de direitos humanos) foi exibida por Helaine Gawlica durante a passeata de protesto contra a decisão da Suprema Corte da Califórnia de manter a Proposição 8, que tornou ilegal no estado o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
A manifestação e a marcha aconteceram na 3ª. feira, em São Francisco."
A imagem e o texto original abaixo são da Jezebel:

  • SAN FRANCISCO - MAY 26: Helaine Gawlica stands with a spray painted message on her body during a march and rally following the California Supreme Court's ruling to uphold Proposition 8 May 26, 2009 in San Francisco, California. The Court voted 6-1 to uphold proposition 8 which makes it illegal for same-sex couples to marry in the state of California. More than 18,000 same-sex couples that wed before prop 8 was voted in will still be legally married. (Photo by Justin Sullivan/Getty Images)

5/27/09

Buscando no tempo lá pelo Douro: A força do voluntariado nos bombeiros

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:

Esta imagem do início da década de 1960 mostra um grupo de garbosos bombeiros do Peso Régua, os principais responsáveis pela afirmação da vitalidade da Associação que se fundou e cresceu na força do movimento de adesão à causa do voluntariado.

Ela referencia uma das sucessivas gerações de generosos bombeiros que, com o seu espírito de dedicação e de abnegação, contribuíram em inúmeras missões de socorro, para segurança das nossas vidas e bens.

O valor de uma instituição, como a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua, com o peso de 128 anos de história, define-se essencialmente pelos homens que a representaram ou a representam e souberam dar o melhor contributo para o seu engrandecimento.

Ao contrário do que muitos afirmam, nunca estará esgotada a missão de uma associação humanitária que nasceu da vontade do povo e para servir o povo. Para além do seu fim principal – manter um Corpo de Bombeiros – esta intuição proporciona à população da sua comunidade a participação em actividades da área cultural, recreativa, musical e desportiva.

Uma organização social e humanitária só pode permanecer viva e actuante se, no seu seio, tiver cidadãos de elevada dimensão moral e ética, empenhados na defesa de valores fundamentais para a realização humana.

Podemos recordar, através desta imagem, com nostalgia e saudade, formados à entrada da porta principal do Quartel Delfim Ferreira, excelentes bombeiros como Francisco Ferreira, Diamantino Peixe, José Pinto, Manuel Figueiredo, Joaquim Espírito Santo, o Trovão, todos já falecidos, e entre nós, o Agostinho Narciso, o Zé Grande.

Um dia, com mais tempo, do generoso bombeiro Zé Grande havemos de contar a sua engraçada história – há quem diga que é verídica - para obter uma “carta de condução” para conduzir uma grua de construção civil, na extinta firma A Construtora do Douro, onde em jovem trabalhou como servente.

No tempo actual, afectado de grandes crises económicas e dificuldades sociais de vária ordem, o exemplo de dedicação e de solidariedade destes homens – inesquecíveis bombeiros voluntários - deve ser uma referência para os jovens. A eles, a comunidade pede uma maior participação cívica nesta causa do voluntariado nos bombeiros, pilares na salvaguarda da segurança colectiva.

Devemos ter a consciência que vivemos num mundo vulnerável, cada vez com maiores riscos e situações de catástrofes, que fazem com que haja mais pessoas desprotegidas, à espera da ajuda de um bombeiro voluntário.

Neste contexto, visando reforçar e valorizar a causa do voluntariado nos bombeiros, recordarmos que o Conselho Executivo da Liga dos Bombeiros Portugueses divulgou na opinião pública, durante o ano de 2008, uma importante mensagem de que destacamos estas ideias principais:

“O voluntariado nos bombeiros é um meio de integração e inclusão social que contribui para a construção de uma sociedade coesa e solidária. Através do voluntariado nos Bombeiros, os indivíduos adquirem e desenvolvem competências, no contexto de uma formação cada vez mais exigente e diversificada, sendo, por isso, um instrumento de aprendizagem ao longo da vida.

Por outro lado, representa uma forma de as pessoas de todas as religiões, convicções políticas e origem socioeconómica poderem contribuir para a defesa de vidas e bens, o mesmo é dizer, exercem uma cidadania activa e responsável, alicerçada nos valores de solidariedade, da partilha, do trabalho em equipa, da eficácia no cumprimento de uma missão”.

Para que sejam cumpridos os princípios aqui enunciados estamos convencidos que os jovens reguenses aceitarão este desafio proposto, de generosamente assumirem a causa do voluntariado como “soldados da paz”, seguindo os ideais do 1º Comandante do Corpo de Bombeiros do Peso da Régua, Manuel Maria de Magalhães.
- Peso da Régua, Maio de 2009, José Alfredo Almeida.

- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:

  • A visita do Presidente da Républica Américo Tomás - Aqui!
  • Uma formatura dos Bombeiros de 1965 - Aqui!
  • O grande incêndio dos Paços do Concelho da Régua - Aqui!
  • 1º. de Maio de 1911 - Aqui!
  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Uma instrução dos bombeiros no cais fluvial da Régua - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui!
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

- Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição Virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!

5/26/09

O crescimento do MDM e a censura na imprensa moçambicana.

Segundo se lê na blogosfera ligada a Moçambique, a censura imposta pelo partido no poder, "travestido" por força das circunstâncias do mundo atual de democrático mas com histórico de violência ditatorial de esquerda, continua "à vontade" e infiltrada em determinados jornais locais, tentando tolher a verdade da informação livre e com isso "esconder" o real crescimento de um novo partido em Moçambique (MDM), crescimento esse alimentado básicamente por falta de alternativa viável, inteligente e democrática e pelo descontentamento que se amplia entre a população cansada de já longos anos de arbitrariedades, corrupção e elitismos que só beneficiam minorias e os membros do "clube" com a "chave" do governo, (fácil é constatar, enumerar e comparar a "afortunada e rechonchuda meia-dúzia" de "novos-ricos" surgidos do dia para a noite pós-independência, todos envolvidos com o "poder") da maioria do povo que continua pobre, beirando a miséria e penando para ter uma vida condigna:

""No círculo eleitoral da Zambézia : Sessenta mil membros filiam-se ao MDM - A censura no Notícias - SESSENTA mil membros de vários estratos sociais acabam de filiar se ao Movimento Democrático de Moçambique (MDM) de Daviz Simango no circulo eleitoral da Zambézia, esperançosos de uma governação transparente e inclusiva, onde todos tem lugar para contribuir para o desenvolvimento socioeconomico e cultural do pais.

O delegado Político do Movimento Democrático de Moçambique na Zambézia, Margarido Abrantes, disse há dias à nossa Reportagem que não constitui verdade as alegações segundo as quais o partido tem inserção apenas nos centros urbanos. O nosso entrevistado que acaba de regressar de uma périplo que o levou sucessivamente à vários distritos com a excepção de Chinde e Inhassunge disse que o partido está representado a nível dos distritos, não em termos de uma pessoas que coordenada as actividades, mas já tem sedes próprias, membros e recursos materiais e financeiros para funcionar.

A aderência dos membros ao partido é extremamente surpreendente. Abrantes afirmou que para além dos que vem da Renamo e Frelimo, a qualidade dos membros é igualmente boa, sobretudo, jovens academicos com visão e perspectivas de como o pais deve ser governado, pretendem usar o seu potencial intelectual para contribuir para o desenvolvimento do pais.

“Apesar disso ser extremamente bom, devo dizer igualmente as idéias que os membros trazem, independentemente de ter ou não escolas são muito importantes para definir a nossa estratégia eleitoral; por isso, eu disse que temos membros de todos os estratos sociais e profissionais; filiaram-se ao nosso partido porque vêm o MDM como a única salvação e alternativa de governação do país; estão fartos de serem excluídos e marginalizados e querem uma oportunidade para provar as suas capacidades de pensar e saber fazer bem as coisas”, disse o nosso entrevistado para que o partido já está a trabalhar na mobilizar de mais membros nos Postos Administrativos e Localidades da província da Zambézia para também namorar os indecisos. Alias, a fonte disse igualmente que uma parte significativa desses membros que o partido angariou desde a sua apresentação pública há dois meses são os chamados indecisos que acham que agora chegou a altura de tomar uma decisão para sua participação da vida política como cidadãos conscientes.

“Os cidadãos perderam a esperança da Renamo e a alternativa para salvar o pais é o MDM que no seu programa apresentado publicamente traça as linhas mestras de um verdadeiro combate a pobreza; não combater pobreza de discursos políticos; é um programa pragmático”, disse Margarido Abrantes para depois acrescentar que a principal mensagem transmitida que está cativar as pessoas a filiarem se ao MDM é de um “Moçambique Para Todos” pelo facto de o partido no poder estar alegadamente a excluir muita gente da sua governação, a exemplo do que está acontecer com actual governação do partido Frelimo na Zambézia que ignorou todos os Zambezianos.

“A Frelimo em trinta e cinco anos não trouxe mudanças na política económica e só está a forçar os cidadãos, incluindo os funcionários públicos a acreditar todo quanto dizem quando na verdade está longe da realidade; a Renamo não conseguiu devolver aos cidadãos moçambicanos o bem estar social; então, nessa perspectiva o MDM aparece como o partido que vai salvar o país que está a beira do colapso”, disse.

Segundo Margarido Abrantes, a pobreza em moçambique só poder combatida com a alocação de infra-estruturas nos locais onde existem os recursos naturais por forma que esse potencial seja utilizado para dar emprego aos cidadãos.

Apontou com exemplo, o ramo da madeira onde estão envolvidos muitos dirigentes políticos que ao invés de pagarem salários justos exploram os seus compatriotas para além de estarem a dizimar as florestas e a aumentar a pobreza absoluta que não se cansam de afirmar que estão a combatê-la.

“Os chineses levam as quantidades de madeira que quiserem sem pagar impostos mas o governo continua impávido e sereno; um cidadão que quer tirar madeira para fazer um banco e vender e comprar pão para a sua família é preso; é um autentico contraste”, disse.

Todos esses males só podem ser combatidos por alguém que foi educado dentro de uma cultura de respeito e amor ao próximo. Segundo o delegado Político do MDM, essa pessoa só pode ser o Presidente do MDM o jovem engenheiro Daviz Simango que já tem créditos firmados na praça pública que é uma pessoa comprometida com o desenvolvimento do pais.

Entretanto, no dia da apresentação pública o campo de futebol da sagrada ficou lotado por completo e não havendo espaço para meter sequer uma agulha. Há muita expectativa em torno do movimento criado pelo Daviz Simango considerado pelos jovens como a única esperança para os seus múltiplos problemas, nomeadamente, falta de emprego, formação profissional, oportunidade de estabelecimento de negócios. Os financiamento para desenvolver negócios são para pessoas localizadas, escolhidas a dedos.

Entretanto, dentro de poucos dias arranca a capacitação dos fiscais e membros que irão trabalhar em Outubro nas Assembleias de Voto em matérias do pacote eleitoral.""
- Jocas Achar - In Moçambique Para Todos.

  • Segundo o "Moçambique Para Todos": Fazendo uma pesquisa no GOOGLE, ainda lá está: ...21 de Maio de 2009-No círculo eleitoral da Zambézia: Sessenta mil membros filiam-se ao MDM... - Aqui (em branco)!
  • Segundo o "Refletindo sobre Moçambique": Continuo a questionar sobre o paradeiro dum artigo de notícias publicado no Jornal Notícias e que sumiu milagrosamente - Aqui!

5/25/09

ESTAS SÃO SOBREVIVENTES !

[Clique na imagem para ampliar. Imagem daqui (Delichon urbica)]

No ano passado num jornal do metro de Estocolmo vinha a notícia do aparecimento de milhares de Andorinhas mortas no Vale do Limpopo. Não consegui saber a razão depois de tentativas várias.
Este ano só chegaram duas Andorinhas-dos-beirais.

- não fiques tanto tempo lá fora

- há tantas árvores... ... elas guardam-me

- não fiques tanto tempo que te cansas

- as andorinhas levam-me com elas
dançamos subimos tão alto que vejo as flores em manchas largas
parecem tapetes no verde claro
as lágrimas do vento escorrem-me dos cantos dos olhos
e caem nas suas asas negras azuladas

- leva-me contigo

Por Inez Andrade Paes- escrito em 26 March 2009, 18:24

Acrescento: Na imagem e nas palavras ternas de Inez Andrade Paes, procuro estar perto e abraçar a minha forte e estimada poetisa do mar azul de Pemba, Glória de Sant'Anna. - J. L. G.

  • 7 registos de Glória de Sant'Anna (Fundação Calouste Gulbenkian) - Aqui!
  • Batuque ao longe - Aqui!
  • Egoísmo - Aqui!
  • Glória de Sant'Anna - Aqui!
  • Glória de Sant'Anna - uma mulher sensível - Aqui!

De Inez Andrade Paes:

  • Gente e Olhares - Aqui!
  • O Que Os Meus Olhos Vêm - Aqui!
  • Quadros - Aqui!
  • Pássaros - Aqui!
  • Pintura, Palavras, Fotografia - Aqui!

PEMBA e a luta contra o Hiv/Sida nas madrassas

Madrassas começam a discutir prevenção de HIV/SIDA com alunos - Pemba, 25 Maio 2009 (PlusNews) - É hora da oração na madrassa Nur, em Pemba, capital da província de Cabo Delgado, na costa norte do país. Crianças e adolescentes com idades entre oito e 20 anos se dividem em grupos de meninas e meninos para rezar. Na lousa, versos do Alcorão escritos em árabe e uma seriedade que não se vê nas salas de aula comuns.

As madrassas são escolas islâmicas, onde alunos são educados sobre o islamismo e aprendem a se portar segundo o Alcorão na sociedade, na família e nos relacionamentos. Na madrassa Nur, no entanto, essa educação não para aí. Em determinados sábados, quando os 120 alunos dos dois períodos podem se reunir no mesmo horário, o jovem malimo [professor] Mitilage Rashid fala sobre HIV e SIDA, adaptando as informações segundo a idade das crianças.

Rashid foi um dos malimos que em 2008 receberam formação sobre HIV do Conselho Islâmico, em parceria com outras organizações. Na formação, ele, com 30 outros professores, aprenderam mais sobre a epidemia e como ensinar os alunos. Mas o tema não era novidade para ele.

“Nós, muçulmanos, já fomos alertados no Alcorão sobre essa doença, que quando os actos sexuais fossem cometidos de qualquer maneira, sem compromisso, haveria uma doença sem cura.”

A inclusão do HIV/SIDA nos currículos das madrassas é uma inovação bem-vinda no rígido sistema educacional. Embora algumas madrassas ainda proíbam o assunto, malimos de escolas como Nur entenderam a importância de se abordar a epidemia num país cuja seroprevalência nacional é de 16 por cento.

No contexto do Alcorão - A mensagem sobre HIV nas madrassas, no entanto, é bem diferente da passada nas escolas regulares. Segundo o sheikh Mohammed Abdulai Cheba, director das 54 madrassas de Cabo Delgado, a mensagem é transmitida em duas partes: a primeira deixa claro que o HIV é um castigo divino; a segunda reforça a ideia de que a única forma de prevenção é a abstinência e a fidelidade.

“As pessoas fazem sexo ilegalmente, mas isso é um erro muito grande, porque é fora da autorização da família. Se querem fazer esse acto, eles devem preparar todos os requisitos: casar, aproximar as famílias e legalizar aquela vida que vai levar”, explica. Nas madrassas, os alunos não questionam tais ensinamentos.

“O Profeta falou que se as pessoas fizessem coisas que Alá não gosta, haveria uma doença sem cura. É uma forma de castigo”, repete Darisse Muarabo, 19 anos, aluno da quinta classe da madrassa e décima classe na escola regular.

O estudante Kadafi Joaquim leva as lições da madrassa ao pé da letra. Aos 18 anos, ele se mantém longe das raparigas – namorar, só se for para casar.

“Temos que ouvir o Profeta e nos afastarmos das moças antes do casamento, porque é pecado”, diz.

Ao defender a abstinência e a fidelidade, preservativos são automaticamente excluídos da discussão, porque, na opinião dos malimos, podem levar os alunos ao sexo. Haram (ilícito, em árabe) é o termo usado para descrevê-los.

“Quando confiamos na camisinha, ao invés de ter medo, o aluno vai querer fazer o adultério. Ele não terá mais medo de praticar o sexo”, explica Rashid.

Cheba vai além: “Todos os livros celestiais condenam o uso de camisinha. Quando o líder diz às crianças que têm que usar camisinha, ele está a autorizá-las a usar e a pecar.”

Joaquim explica a lógica da perspectiva dos adolescentes: “O rato não pode ver o amendoim, senão vai querer comer. Se você carregar preservativo no bolso, vai começar a pensar em coisas.”

Para os malimos, associar o HIV a comportamentos ilícitos não estimula o preconceito ou a discriminação. “Quando aparece um castigo ele é para toda gente, não só para quem cometeu o acto”, explica o sheikh Cheba. “Se uma pessoa está doente, muçulmana ou não, ela merece conselho e nós apoiamos, moralmente e materialmente.”

Nem todos os alunos, porém, parecem entender dessa forma. “Eu não conheço ninguém seropositivo, mas se conhecesse, eu iria me afastar”, disse Ausse Said, 17 anos, que cursa a quarta classe da madrassa Nur.

Enquanto isso, na escola - Adamo Selemani Daúdo, professor e activista da Geração Biz, projecto conjunto do governo de Moçambique com ONGs como Pathfinder International sobre saúde sexual e reprodutiva para adolescentes e jovens, critica a forma como o HIV, e o sexo em geral, é abordado nas madrassas.

“Religião e ciência quase não se dão, uma contradiz a outra. Mas eu, como professor, sempre aconselho os alunos no uso do preservativo”, diz. “Nas madrassas eles defendem o não-uso do preservativo para praticar a fidelidade, mas hoje não existe fidelidade em Moçambique.”

Muçulmano, casado e pai de dois filhos pequenos, Daúdo diz que usa camisinha nas relações extra-maritais “porque hoje em dia não há confiança. Nem mesmo as próprias muçulmanas são fiéis. Eu uso para a minha própria segurança.”

O jovem professor dá aulas de história na Escola Secundária Fraternidade, mantida pela comunidade islâmica e que fica ao lado da Africa Muslim, uma das mesquitas mais conservadoras de Pemba. Também faz palestras sobre saúde sexual. “Eu digo aos alunos que o preservativo é uma questão individual”, defende. “Não se pode falar dele como sendo um pecado, porque o preservativo é uma questão de segurança, proteção.”

A escola dispõe de uma sala batizada de Canto do Aconselhamento, onde alunos podem esclarecer dúvidas ou pegar preservativos. Segundo ele, muitos rapazes que frequentam as madrassas vão até lá em busca de preservativos. Tímidas, as meninas geralmente não aparecem.

“Não estamos a incentivar o sexo, mas a ajudar o jovem na prevenção”, diz Daúdo.

Ajira Abdul Razak, uma extrovertida rapariga de 20 anos, defende a educação sexual como ela é dada nas escolas regulares, “porque não é realista esperar que o jovem seja abstinente e fiel”. Para ela, os jovens precisam de informações práticas, mesmo que decidam não usá-las. Ela fala por experiência própria. Mãe de um menino de um ano e meio, Ajira frequentava uma madrassa onde não recebeu nenhum tipo de orientação sobre HIV. Na escola, aprendia sobre saúde sexual e participava de palestras sobre a epidemia. Mesmo com todo o conhecimento, ela dispensava a camisinha nas relações sexuais com o namorado. Ficou grávida e quase foi expulsa de casa pelo pai quando anunciou a notícia, principalmente por ser a única filha. Teve o bebé, que agora fica aos cuidados de sua mãe enquanto ela está na escola.
- PlusNews - Notícias e análises sobre HIV e Sida, 25/05/2009.
  • Alguns post's deste blogue que falam sobre HIV/SIDA em Cabo Delgado/Moçambique e África - Aqui!

5/23/09

Os Taxistas de Setúbal vistos por Pedro Nacuo de Pemba

Interessante, como sempre, o que nos conta Pedro Nacuo, jornalista de Pemba, no Notícias de Maputo acabado de ler nesta madrugada de sábado:

""EXTRAS - Os taxistas de Setúbal - Foi boa a nossa estadia, por uma semana, em Setúbal, cidade portuguesa que nos impressionou por muitas razões, desde a sua orla marítima de excepcional riqueza piscícola, uma identidade gastronómica da região que se afirma mormente nos pratos de peixe, de que merecem especial referência a caldeirada, a feijoada de choco, a espetada de tamboril, o choco frito e a sopa do mar, bem assim a variedade de pratos de peixe assado - a sardinha e do carapau ao linguado e ao salmonete. Muito prato cheio, sobretudo de peixe, incluindo amêijoa, camarão (à maneira de um mar menos rico que o moçambicano) e santola, iguarias que podem ser encontradas em esplanadas solarengas.

Muita água na boca, vêm daí a doçaria, as tortas, os queijinhos doces e os “esses” de Azeitão, que gozam, igualmente, de justa fama, como famosos são os taxistas setubalenses, com os quais convivíamos de cada vez que quiséssemos nos deslocar de um ponto para o outro, que não foram poucas. Interessante foi que só no dia de regresso tive um taxista que disse não conhecer Moçambique, pois mais de oito me tinham confidenciado o facto de terem estado no meu país, do qual têm muitas recordações e gostariam de cá voltar.

Mas os taxistas, como em todas as cidades, andam cheios de histórias para contar aos seus clientes e eu fui, mais uma vez, “vítima” do que eles são exímios repositórios, com a desvantagem de que todas elas giravam à volta do país onde uma vez estiveram a cumprir o serviço militar - Moçambique.

O trajecto a utilizar era, muitas vezes, do Novo Hotel, do grupo IBIS, onde nos encontrávamos hospedados, à Estalagem do Sado, outro hotel, onde decorriam os trabalhos do Congresso das Mais Belas Baías do Mundo, ou do local de hospedagem ao JUMBO, o maior Shopping de Setúbal, mas para todos estes lugares quase sempre dava em 6.10 euro, equivalente a 226,00 Mt ao câmbio daquela semana. Sem discussões nem negociações, o taxímetro falava mais alto e certo e estava claro, porque regulado que o ter sido chamado, simplesmente, estava em 80 cêntimos.

Invariavelmente, exibindo sempre o seu “certificado de aptidão profissional de motorista de táxi”, que são obrigados a ter, logo depois de dizer: “Leve-me à Estalagem do Sado ou ao JUMBO” a pergunta seguinte era “o senhor é angolano?”, como acontece sempre que estou na Europa (nunca acertam à primeira, pois na opinião deles o africano que fala a língua portuguesa é normalmente angolano).

- Não, sou moçambicano, senhor Ferreira da Silva.

-Como soube do meu nome?

- Pelo seu certificado de aptidão profissional de motorista de táxi, é a primeira coisa que vejo normalmente.

A seguir a esse intróito, vinham as histórias sobre Moçambique, terra bonita, rica, pena ter ido em cumprimento do serviço militar, cumpri a tropa em Mocímboa da Praia, depois às vezes subia para os macondes, em Mueda, etc. e no fim, 6,10 euro. Obrigado!

Da outra vez foi Jorge da Rocha que, depois de me identificar como acima, foi falando das suas histórias em Nova Freixo (Cuamba), mas já esteve alguns meses em Vila Pery, em Manica e Sofala. Com este taxista o meu trabalho era dizer-lhe os actuais nomes e chamar-lhe à atenção para o facto de que agora Manica e Sofala são províncias separadas uma da outra, a nível da administração territorial.

Rápidos quando chamados pelos recepcionistas dos hotéis, os taxistas de Setúbal iam-me enchendo de histórias da minha terra. O José Neves Capouchinhos trouxe uma sobre a sua digressão, como tropa colonial, em quase todo o norte de Moçambique.

Em Porto Amélia gostava duma pequena aldeia, mas interessante, chamada Paquitequete, confirmei-lhe que ainda era assim que se chamava e expliquei-lhe a razão porquê eu e outros moçambicanos estávamos na sua cidade, precisamente para receber o diploma de Pemba, como uma das Belas Baías do Mundo. O taxista exclama: “Merece, aquela maravilha da natureza, merece, merece, mesmo!”

Depois contou-me das suas andanças por Catur, Cóbwe, em Niassa, esta última região que tinha uma missão. Chamei-lhe à atenção para o facto de que ali saíram homens que agora estão a dirigir com competência o país. Não me pergunta os nomes e logo desvia-se para contar a história dum bairro da cidade de Nampula.

- Uns amigos disseram que havia muita mulher bonita, uma vez, aos copos fomos dar ao Namutequelíua, à porta duma cabana, iluminada apenas por uma lamparina, estava uma africana que era destinada a mim. Sinceramente não cheguei de certificar se aquela também era bonita ou não, estava escuro, mas lá fui eu, só soube que a minhoca lá entrara, dois dias depois a minhoca ficou inchada, estava escantado. Ah, ah, coisas da tropa!

P.S. A equipa do Vitória de Setúbal veio estagiar no hotel onde nos encontrávamos. Conversámos maningue com o treinador, que tinha, dia seguinte, o jogo decisivo em que perderia e por isso lhe afastaria da principal liga. Falou muito bem de Chiquinho Conde, o moçambicano que deixou saudades naquela cidade. Decretou-se que a assistência àquele jogo era gratuita, mas mesmo assim, ficou-se na bicha para adquirir o bilhete, apenas para contar quanta gente entrara. Perdeu, Setúbal emudeceu, até que no dia seguinte apareceu uma satisfação a partir dos feitos de Mourinho, na Itália.
- Pedro Nacuo, Maputo, Sábado, 23 de Maio de 2009, Notícias.