7/20/09

Ecos da imprensa moçambicana: Administração da Justiça em Moçambique - Manchada de ineficiência e corrupção!

Canal de Moçambique - Ano 4 - N.º 865, Maputo, Segunda-feira, 20 de Julho de 2009: Administração da Justiça em Moçambique manchada de ineficiência e corrupção – aponta o Relatório do MARP sobre a avaliação do desempenho de Moçambique. E acrescenta que a questão da separação de poderes continua precária.

“O sistema legislativo judicial é ineficaz, fraco e desprovido de recursos”. “Infelizmente, a administração da justiça moçambicana é manchada pela ineficiência e pela corrupção, assim como pelo tratamento preferencial dos ricos em detrimento dos pobres” – Relatório do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP).

Maputo (Canal de Moçambique) – O acesso aos tribunais, o direito à defesa e à assistência jurídica são garantidos constitucionalmente. Contudo, “infelizmente, a administração da justiça moçambicana é manchada pela ineficiência e pela corrupção, assim como pelo tratamento preferencial dos ricos em detrimento dos pobres” – aponta o Relatório do Mecanismo Africano de Revisão de Pares, (MARP), na sua avaliação do país. Precisa igualmente que a questão de separação de poderes e autonomia dos poderes executivo, legislativo e judicial “está a enfrentar dificuldades em Moçambique”. “Isto resulta da estrutura constitucional que estabelece um sistema em que o Presidente é forte e poderoso, apoiado pelo executivo e, do outro lado, se encontra um sistema legislativo judicial ineficaz, fraco e desprovido de recursos”. Em conformidade com a prática em vigor nos países falantes da língua portuguesa, ainda de acordo com o relatório, o presidente tem poder de nomear o presidente do Tribunal Supremo e os presidentes do Conselho Constitucional e do Tribunal Administrativo, “cujo poder a Assembleia da República não está em condições de contestar”.

Os mecanismos com vista a garantir a responsabilização, a transparência e o controlo horizontal são limitados. Entre outras constatações ou entraves apontados pelo relatório do MARP, está o facto de na história política moçambicana “não haver registo de qualquer conflito institucional relevante entre os dois órgãos soberanos, o que dificulta a avaliação das alegações e das percepções de tentativa do poder executivo e legislativo de influenciar o judicial”.

Um outro impedimento que se coloca à boa governação e ao estado de direito – aponta o MAR – é o equilíbrio de forças instável que existe entre a Frelimo e Renamo. “O país e as suas estruturas políticas estão claramente divididos entre os baluartes de cada um dos partidos e a intolerância política é frequente”. Nesse contexto, constatou-se ainda que tanto na capital do país como nas províncias, as opiniões políticas não são expressas livremente. “Foi manifestado que a opinião de que a Assembleia da República não se sente manietada pela brecha existente entre os dois principais partidos, facto que contribui para a sua incapacidade de oferecer mecanismos credíveis de fiscalização e controlo a um executivo forte”.

Outras constatações negativas descritas no relatório em alusão, têm a ver com o facto de AR realizar as suas sessões em regime de tempo parcial e ter um número limitado de dias para a executar as suas funções de fiscalização. “O trabalho legislativo da Assembleia da República é feito dentro de um período de três meses (duas sessões no máximo de 45 dias cada), um máximo de 35 dias para o trabalho do eleitorado e 15 a 25 dias para as funções de fiscalização durante as quais os deputados são pagos”, escreve o relatório acrescentando que “durante o resto do ano (sete meses), os deputados têm de se desenvencilhar.

Os deputados da Frelimo na Assembleia da República têm melhores possibilidades pois são nomeados para conselhos de administração e comissões onde obtêm um rendimento adicional, mas tal não acontece com os deputados da oposição”.

Concluindo a esse respeito, aponta-se que os 15 a 25 dias por anos destinados ao trabalho de fiscalização “são terrivelmente inadequados. A explicação dada para o curto período de tempo atribuído às funções de fiscalização prende-se com constrangimentos de ordem financeira”.

Governo ignora Assembleia da República - Entretanto, tendo em conta as reclamações que inúmeras vezes têm sido avançadas pelos deputados da Frelimo e da Renamo, escreve documento, conclui-se que “o Governo não está a dar a devida atenção à Assembleia da República no contexto do orçamento do Estado”. E mais, refere-se que para um país como Moçambique, com enormes problemas de corrupção e de mecanismos inadequados de responsabilização, “não é desejável que a Assembleia da República tenha limitações na realização das suas funções de fiscalização devido à exiguidade de recursos financeiros”.

Um outro constrangimento que se coloca à eficácia da AR, “é o facto de ser nova como instituição democrática”.

Recomendações - Face às constataçõe anteriormente descritas, recomenda-se que Moçambique despolitize a nomeação de juízes de modo a proteger a integridade do poder judicial.

Deve ainda realizar “acções de formação do judicial e matéria de ética, responsabilização e transparência e garanta também que a Assembleia da República tenha o seu próprio orçamento, o qual deve ser aumentado com vista a um maior envolvimento”.

No relatório recomenda-se que se garanta ainda que o trabalho dos deputados da AR seja em tempo inteiro e que “se aumente o número de dias destinados à fiscalização”.

Recomenda-se também que se proceda de forma a “melhorar as capacidades da Assembleia da República através da formação dos deputados em matéria de análise das políticas e nas funções de fiscalização”.
- Escreveu Emildo Sambo.

Ronda pela net: Cabaret at The Moçambique

Andando pela net encontrei hoje no "Soul Safari":

""Uma bela manhã, em outubro de 1955 Antonio Amaral chegou a Joanesburgo vindo de Lourenço Marques, incapaz de compreender uma única palavra da lingua local. Apesar das dificuldades linguísticas comprou um restaurante nesse mesmo dia, em local modesto na Simmonds Steet - Joanesburgo onde começou a servir refeições com pratos recheados de qualidade em sabor e condimentados a piri-piri. Em fins de 1958, mudou-se para o atual endereço em Noord Street, e é para comemorar o primeiro aniversário deste novo restaurante, "O Moçambique", que apresenta especialmente esta "gala cabaré" de artistas importados de Portugal:

  • Elsa Vilar é uma das cantoras mais populares em Portugal. Depois de apenas dois anos no showbusiness, ela agora é uma estrela com início invejável e uma reputação que transforma em sucesso tudo que apresenta. - Salve aqui e depois escute! (formato mp3 - 2,81 MB)
  • Maria Adalgisa ensaiada pelo grande cantor português Tomas Alcaide é uma soprano excelente que dá côr à musica folclórica de Portugal, sendo igualmente proficiente em composições clássicas. - Salve aqui e depois escute! (formato mp3 - 3,29 MB)
  • Moniz Trindade é um dos principais intérpretes do mundo do 'fado-canção'. Nascido em Lisboa, a casa do 'fado', é procurado em todo o Portugal e Espanha para apresentações nos palcos, televisão e rádio. Conhecido e bom compositor é autor de tudo que canta. - Salve aqui e depois escute! (formato mp3 - 1,91 MB)
  • David Pantoja é o instrumentista do grupo. Com acompanhamentos brilhantes de acordeão dá sabor autêntico às canções portuguesas. - Salve aqui e depois escute! (formato mp3 - 6,68 MB)

O diretor musical de "O Moçambique" é Benny Baker, pianista britânico de nascimento e líder da banda. Embora mais conhecido na África do Sul por suas gravações tipo "pop", Benny é um brilhante expoente da "Latin American and Continental dance music". Pouco tempo antes de vir para a África do Sul, dirigiu algumas das mais destacadas boates da Europa e, por duas temporadas, a Orquestra da famosa "Palm Beach Casinos" em Cannes, França.""( from the original liner notes of the album “Cabaret at The Moçambique” Gallotone GALP 1067)

Acrescento - É bom salientar que o texto acima, adaptdo para português, se refere a fatos ocorridos entre 1955/58 aproximadamente. Não se trata de "saudosismo" ou "nostalgia", como determinadas figuras e tendências intelectualóides obtusas, auto intituladas progressistas(?), conhecidas também por seu oportunismo descarado, subserviente ao "políticamente-correto", tentam "diminuir" idiotamente quando se evoca o passado. Trata-se sómente de documentar e divulgar com fidelidade, sem sofisma, a beleza e arte da música popular portuguesa levada além fronteiras lusas, praticada e vivenciada no tempo, na História e na África colonial sim senhor, mas África colonizada de forma diferente, ou como quer que apelidem, do status político-económico-social repleto de defeitos, injustiças, miséria, corrupção, contradições, etç. que a dominam atualmente.

  • E, "de bandeja", o nosso sempre respeitado e conhecido luso-moçambicano João Maria Tudela com o Joe Kentridge Trio... - Salve aqui e depois escute! (formato mp3 - 3,51 MB)

- Com a devida vénia e créditos a Soul Safari - Music treasures from Africa.

7/17/09

De Norte a Sul - Moçambique que vi e ouvi!

Existe um outro Moçambique para além do mundo virtual da internet, das redes sociais emergentes minoritárias, elitizadas e por regra mais preocupadas com o "eu" do que com o "nós" ou o "ao redor". Existe o Moçambique das maiorias... das maiorias pobres, sem informação, sem carro de luxo ou griffe da moda, existe o Moçambique da majoritária miséria, da doença, da impossibilidade de frequentar e até sorrir feliz em locais badalados de saraus, restaurantes, praias, piscinas e festas que se vêm ou lêm nas colunas e redutos sociais da bela Maputo ou de qualquer outra cidade moçambicana! E é esse Moçambique majoritário, carente que precisa ser destacado, noticiado, mesmo que não gostem as tais minorias privilegiadas e dominantes:

- No final de uma longa viagem por terras moçambicanas, o coração transborda e escrevo algumas imagens e impressões em flashes breves e rápidos.

“Não há problema” e “está tudo bem” são expressões que ouvi muitas vezes durante quatro semanas. A realidade é bem diferente. Saúde, habitação, má alimentação, pobreza, vias de comunicação, são problemas reais de Moçambique.

O salário mínimo de um trabalhador não qualificado é de 2.200 meticais, equivalente a mais ou menos 57 euros, por mês. Há quem receba 900 e até 500. Ao passo que um litro de leite pode custar 55 meticais, um quilo de arroz do mais barato 14, um livro escolar 570.

Dez horas é o tempo gasto a percorrer os cerca de 400 quilómetros que separam Cuamba de Nampula, em carrinhas com tracção às quatro rodas. Em tempo de chuvas pode demorar muito mais. Para apanhar uma estrada alcatroada é preciso desviar do caminho e fazer mais 100 quilómetros.

Deslocações de avião, só para estrangeiros ou uma minoria de moçambicanos.

A cidade de Cuamba, com 56800 habitantes, não tem uma única estrada alcatroada. Nesta cidade está a funcionar a Faculdade de Agronomia da Universidade Católica de Moçambique. A cidade está situada no distrito com o mesmo nome, na província do Niassa, norte de Moçambique.

Doença do século, como é aqui designada, a Sida mata a eito e deixa muitas crianças órfãs e seropositivas. Mas também a malária e a cólera matam. O hospital ou o centro de saúde, muitas vezes ficam longe e não há dinheiro para os medicamentos.

A maior parte dos alunos para estudar e fazer os trabalhos de casa tem que ir à biblioteca, único sítio onde há livros escolares. Nas aulas só cadernos para tirar apontamentos.

Em Entre-os-Lagos, localidade próxima da fronteira com o Malawi, na escola secundária, os alunos assistem às aulas sentados no chão. Não há cadeiras nem mesas.

Outro grave problema é a má alimentação que dificulta a aprendizagem, para não falar das distâncias que algumas crianças e jovens percorrem a pé para irem à escola. O transporte é caro, mesmo os «chapas», carrinhas de nove lugares sempre superlotadas. Não admira que andem sempre à procura de boleia.

As mulheres, também elas muitas vezes mal alimentadas, carregam tudo às costas e à cabeça. Os filhos, o pote de água, o molho de lenha. Trabalham na machamba, a semear o que a terra dará para comer, se a chuva ajudar. Quantas nunca viram uma agulha ou uma linha para coser a roupa. Muito menos a máquina de costura. Usam a capulana que é um pano que serve para tudo, até para guardar o dinheiro.

Maputo, a capital, onde há muitas diferenças sociais, vive mais de um milhão de pessoas, em 347 quilómetros quadrados. Casas luxuosas, com guardas armados, arame farpado e electrificado, mas ao virar da esquina muito lixo amontoado, muita pobreza, pessoas que vendem artesanato na rua para ganhar a vida.

O missionário da Consolata, padre Artur Marques, que vive há muitos anos em Moçambique e conhece muito bem o país, afirma que já foi muito pior. Nota-se a reconstrução e reabilitação das estruturas da cidade.

Moçambique depende muito da ajuda internacional, mas só cinco a sete por cento do valor dessa ajuda, chega ao seu destino.

Apesar de todas as dificuldades, alegria e boa disposição é o que não falta ao povo moçambicano.

Ainda conseguem cantar depois de seis horas seguidas sentadas na parte de traz de uma carrinha de caixa aberta.
- Ana Paula FÁTIMA MISSIONÁRIA 16-07-2009 • 17:30.

The First MicroBank Mozambique (Rede Agha Khan) terá sede em PEMBA!

Rede Agha Khan abre banco de micro-crédito no norte do país - Maputo - A Rede Agha Khan para o Desenvolvimento anunciou hoje (sexta-feira) que vai abrir em Novembro o primeiro banco de micro-crédito no norte de Moçambique, a região mais pobre do país.

Num discurso por ocasião do 49º aniversário da ascensão de Agha Khan IV ao trono de líder da comunidade ismaili, um dos ramos do islamismo, o embaixador da Rede Agha Khan em Moçambique, Nazim Ahmad, afirmou que o banco terá a sede em Pemba, capital da província de Cabo Delgado.

"Esta nova instituição financeira estará sedeada em Pemba e planeia desenvolver a sua presença geográfica no norte de Moçambique, incluindo as províncias de Cabo Delgado, Niassa, Nampula e Zambézia", disse Nazim Ahmad.

"O enfoque no norte é propositado, pois deve-se ao facto de aí se encontrarem as taxas de pobreza mais elevadas", sublinhou o embaixador da Rede Agha Khan para o Desenvolvimento em Moçambique.

Segundo Nazim Ahmad, a nova instituição, que será denominada The First MicroBank Mozambique, irá incorporar as acções de micro-crédito que a Rede Agha Khan já tem vindo a desenvolver na província de Cabo Delgado.

Ao fazer um balanço das actividades implementadas pela Rede Agha Khan para o Desenvolvimento em Moçambique, desde o início das suas acções, em 1998 no país, Nazim Ahmad destacou as intervenções na agricultura, educação, turismo e obras públicas.
- Angop, 17-07-2009 14:16.

Buscando no tempo lá pelo Douro: As vidas que não se esquecem nos bombeiros

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:

Esta fotografia tira um grande instante do tempo, ao fixar a vida no dia 13 de Maio de 1970, em que D. Sylvia Gomes Ferreira assinava o Livro de Honra da Associação Humanitária dos Bombeiros do Peso da Régua, depois de receber as honras de uma homenagem em memória do seu marido, o grande benemérito Comendador Delfim Ferreira. A representar os órgãos sociais dos bombeiros encontrava-se ao seu lado, o Eng. Diamantino Moreira da Silva que, sem ninguém esperar, faleceu com 72 anos de idade, no passado dia 23 de Junho, na cidade de Leça da Palmeira.

Com a notícia da sua morte inesperada para muitos de nós, esta imagem ganhou uma nova actualidade de dor e luto: a perda de um homem que marcou no seu tempo a vida dos bombeiros e, em especial, a vida de muitos reguenses, alguns dos quais ficaram eternamente seus amigos.

Em respeito pela sua memória é tempo de aqui e agora de o evocar num sincero elogio de gratidão. O Eng. Diamantino Moreira da Silva foi uma personalidade distinta e invulgar. Como homem de singular qualidades morais tinha uma maneira de ser reservada e discreta. Soube ganhar a sua notoriedade pelo seu trabalho empenhado, minucioso e rigoroso que realizou como chefe do Departamento Técnico de Obras da Câmara Municipal. A sua pessoa não foi indiferente a ninguém, mas suscitou respeito, elogios e admiração quer dos políticos com quem trabalhou quer do cidadão anónimo que dele precisou. Era inteligente, dinâmico, de bom trato, afável, apaixonado pelas emoções do futebol e muito determinado nas convicções. Como técnico foi ouvido atentamente pela sua grande experiência e reputada competência nas áreas do urbanismo. Exerceu nos bastidores a sua influência nas questões que considerava importantes para o desenvolvimento urbano da cidade e do concelho. Ao culminar a sua carreira profissional (1963-1999) é reconhecido pelos autarcas de então com a Medalha de Ouro da cidade, que recebeu orgulhosamente.

Resta dizer que uma parte da sua vida dedicou-a com elevado dever cívico a servir a causa dos bombeiros da Régua. Desempenhou, durante algumas décadas, cargos sociais em vários elencos directivos. A sua missão de cidadania activa, com preocupações sociais, é uma faceta da sua vida pouco conhecida para muitos que o conheceram. Mas ela não foi a esquecida por quem ele fez o bem. Da parte dos bombeiros da Régua é merecedora de um justo reconhecimento, os quais se sentem honrados e prestigiados por tudo que ele fez. Para eles, o Eng. Diamantino Moreira da Silva é um dos ilustres cidadãos que contribuíram e ajudaram a engrandecer a história da associação.

Esta fotografia regista ainda um grande momento na história dos bombeiros da Régua: a homenagem a um ilustre cidadão, ao Comendador Delfim Ferreira, conhecido como um empresário da indústria têxtil no Vale do Ave e proprietário da grande quinta do Douro, a Quinta dos Frades, situada em Armamar, mas essencialmente reconhecido como um grande benemérito da Régua e, em especial, da Santa Casa da Misericórdia e dos bombeiros, que sempre ajudou com avultadas quantias na realização de obras ou compras de carros de fogo ou ambulâncias.

Cumprindo uma dívida de gratidão, a Câmara Municipal do Peso da Régua, presidida pelo Dr. Rui Machado patrocinou e apoio esta iniciativa ao inaugurar no então Largo Dr. Oliveira Salazar, um busto a perpetuar o homenageado, enquanto que no edifício dos bombeiros era descerrada uma placa a designa-lo com o nome de “Quartel Delfim Ferreira”.

Da singela homenagem efectuada pela direcção da associação, comando e corpo activo, a este notável cidadão benemérito, o jornal da associação “Vida por Vida”, na sua edição de Maio de 1970, contava o seguinte:

“Os corações dos reguenses sentiram o quanto de justa foi a homenagem prestada a esse grande benfeitor que foi Delfim Ferreira. Não foi uma festa qualquer, daquelas que se festejam anualmente com mais ou menos exuberância (…). Foi antes um testemunho público de reconhecimento bem merecido para aquele que em vida tanto ajudou a diminuir as dificuldades constantes com que a todo o momento se debatem a Santa Casa da Misericórdia e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários (…)

A homenagem prestada a Delfim ferreira não foi mais do que um acto de gratidão que há muito se vinha impondo. Mas o tempo passa e com ele vem normalmente, o amadurecimento das coisas ou dívidas que contraímos, salvo se houvesse ingratidão por parte de quem está à frente dos destino das instituições que receberam tão valiosas dávidas, o que, de maneira alguma, seria de admitir, como aliás ficou provado.

Foi uma homenagem modesta por expressa vontade de sua Exma viúva D. Sylvia Gomes Ferreira que era acompanhada pelo seu Exmo filho Dr. Alexandre Ferreira, mui digno e ilustre continuador da obra de seu querido e saudoso pai.

Finalmente e para fechar o programa da sua curta visita à Régua, dignou-se aquela ilustre senhora, acompanhada de toda a comitiva visitar a sede dos Bombeiros Voluntários, onde descerrou uma placa alusiva à deliberação de tornar patrono do nosso quartel esse grande homem que foi Delfim Ferreira.

Antes do descerramento da placa “Quartel Delfim Ferreira”, o Sr. Joaquim Lopes da Silva Júnior, vice-presidente da direcção, usou da palavra para afirmar que nesta Casa será lembrado perpetuamente este grande benemérito, acrescentando que a direcção decidiu atribuir o seu prestigioso nome, inscrito a oiro numa lápide comemorativa, ao seu quartel”.

São mais duas vidas que não se esquecem nos bombeiros da Régua. Dois homens especiais que fizeram o melhor pela sociedade em que viveram. Não esquecem as suas dávidas generosas e muito menos os seus gestos nobres de um enorme carácter solidário e fraterno. Cada um deles ajudou como pode e cada um deles, à sua maneira, deu o seu melhor de si. A sua imensa generosidade contribuiu para tornar felizes outros homens, que estão na vida apenas para ajudar quando deles precisamos.

Eles não morreram no coração dos bombeiros da Régua. Enquanto forem lembrados com saudade permanecem vivos nas nossas vidas, e nas de quem alguma vez foi “soldado da paz”.

Louvamos o exemplo destes dois homens que o tempo já juntou nos caminhos da eternidade.Que Deus os guarde em suas mãos…em paz.
- Peso da Régua, Julho de 2009, José Alfredo Almeida.

- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:
  • Os bombeiros de escritório - Aqui!
  • Bombeiros Semi-Deuses - Aqui!
  • As "madrinhas" dos Bombeiros - Aqui!
  • A benção da Bandeira - Aqui!
  • Comandante Lourenço de Almeida Pinto Medeiros: Fidalgo e Cavaleiro dos Bombeiros da Régua - Aqui!
  • A força do voluntariado nos Bombeiros - Aqui!
  • A visita do Presidente da Républica Américo Tomás - Aqui!
  • Uma formatura dos Bombeiros de 1965 - Aqui!
  • O grande incêndio dos Paços do Concelho da Régua - Aqui!
  • 1º. de Maio de 1911 - Aqui!
  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Os bombeiros no velho Cais Fluvial - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui!
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!

7/16/09

Pemba: Festival Tambu arranca com debate sobre literatura

(Clique na imagem para ampliar)

Iniciou ontem, na cidade de Pemba, o tradicional festival Tambo, organizado pela Associação Cultural Tambo Tambulani Tambo. O pontapé de saída foi dado pelos debates à volta da literatura, onde a figura de proa foi a escritora Paulina Chiziane, que falou da sua experiência a estudantes, candidatos à arte de escrever, na presença de convidados estrangeiros provenientes da Holanda, Estados Unidos e Brasil.

Paulina Chiziane foi “bombardeada” pelos seus fãs, principalmente estudantes “chateados” com o Niketche, uma das suas mais notáveis obras, recentemente reeditada pela sexta vez, referida nos exames extraordinários ainda em curso.

O carácter modesto, a frontalidade e a maneira como facilmente se confunde com o povo são algumas das características que foram levantadas para que ela esclarecesse àqueles que nunca haviam imaginado uma grande mulher colada na figura corporal que tiveram a possibilidade de com ela privar no centro cultural Tambo.

Esperam-se ainda delegações de outros pontos do mundo convidadas ao evento, que sempre utilizou o lema “celebrando a diversidade cultural”, bem assim pela Manuela Soeiro, do Mutumbela Gogo, e do artista nampulense que já publicou livros em banda desenhada, Justino Cardoso, que promete logo a seguir montar uma exposição sobre a província de Cabo Delgado, distrito por distrito.

Ainda ontem, já pela noite, houve uma sessão de “dizer poesia”, mais uma vez com o envolvimento de estudantes e outros poetas em miniatura. Destaque para Thomas, um burundês que levava na manga poemas escritos em francês, portugues e inglês e Buchulinho, que fez à questão de trazer um poema escrito e lido na sua língua materna, o shimakonde.

Entretanto, Paulina Chiziane anunciou ainda ontem o lançamento, para breve, de um concurso, no quadro de um festival de poesia dedicado a Eduardo Mondlane, para o qual se podem candidatar os nacionais, a título individual, com idades dos 13 ou mais anos, aconselhando-se que as obras sejam inéditas e escritas na língua portuguesa.

De acordo com o Regulamento, o júri será constituído por três individualidades de reconhecida competência por província e cinco a nível nacional.

Sairão os melhores 10 concorrentes por província, sendo que serão seleccionados três participantes por categoria de melhor técnica, em que o primeiro receberá livros no valor de 30 mil meticais e um computador portátil.

Ao segundo caberá o prémio de livros no valor de 20 mil meticais e um computador igualmente portátil, enquanto que o terceiro classificado vai receber livros no valor de 10 mil meticais.

Está prevista a atribuição de prémios à categoria popular, cujos prémios consistirão em equipamentos de som e computadores portátis. Mais importante ainda é o facto de o concurso prever que aos premiados será outorgada a edição das suas obras em colectânea e disco, obrigando-se os autores a transmitirem para os organizadores todos os direitos de autor relativos à primeira edição.

Paulina Chiziane diz que a iniciativa tem em vista falar de Eduardo Mondlane intelectual e social, “porque o Eduardo Mondlane, o político ou militar, está sempre a ser referido pelos políticos, queremos trazer Mondlane da maneira como os políticos nunca falam”.
-Pedro Nacuo, Quinta-Feira, 16 de Julho de 2009, Notícias.

Join in / Hodina!
Tambo International Art Camp
Pemba - Mozambique,
July 14th – July 20th 2009.


  • Associação Cultural Tambo Tambolani Tambo - Pemba - Aqui!
  • Campo Internacional de Arte 2009 - Aqui!
  • Post's anteriores deste blogue sobre o trabalho em Pemba da Associação Cultural Tambo Tambolani Tambo - Aqui!

Relembro: Acontece de 14 a 20 de Julho de 2009 em Pemba - Moçambique.