11/19/09

Brasil: Consciência Negra - Como era a vida no quilombo dos Palmares?

O Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de Novembro no Brasil e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.
A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Apesar das várias dúvidas levantadas quanto ao caráter de Zumbi nos últimos anos (comprovou-se, por exemplo, que ele mantinha escravos particulares) o Dia da Consciência Negra procura ser uma data para se lembrar a resistência do negro à escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte forçado de africanos para o solo brasileiro (1594).

COMO ERA A VIDA NO QUILOMBO DOS PALMARES?
O maior símbolo da resistência à escravidão apareceu nas últimas décadas do século 16, em uma área onde hoje fica a divisa entre Alagoas e Pernambuco. No começo, o quilombo dos Palmares (cujo nome vem das palmeiras que compunham a vegetação local) era formado por escravos de origem angolana, fugidos das fazendas de cana-de-açúcar da região. Mas, nos 100 anos de existência do lugar, índios e brancos marginalizados também se juntaram à população negra.

No auge, Palmares era um povoado grande para os padrões da época: abrigava 20 mil habitantes e incluía nove aldeias, chamadas de mocambos ("esconderijos", no dialeto banto falado pelos negros).

Apesar da aura utópica, o quilombo tinha pouco de sociedade alternativa. Pelo contrário. A própria palavra kilombo, em banto, quer dizer algo como "sociedade guerreira com rigorosa disciplina militar". "Havia pena de morte para adultério, roubo e deserção", afirma o historiador Dagoberto José Fonseca, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara (SP).

Como os quilombolas não deixaram registros escritos, seus hábitos não são totalmente conhecidos. Sabe-se, porém, que eles eram governados por um rei, com o título de Ganga Zumba ("grande chefe"), assistido por um conselho composto pelos chefes dos vários mocambos.

Como a existência do quilombo estimulava as fugas de escravos, os fazendeiros da região reuniram milícias para atacar Palmares durante todo o século 17. Diante dos conflitos constantes, Ganga Zumba aceitou um acordo de paz com os brancos, em 1678. Isso enfureceu os palmarinos, que assassinaram Ganga Zumba dois anos mais tarde. Seu sucessor assumiu o título de Zumbi (uma derivação da palavra "deus" em banto), liderando uma guerra contra os invasores. Mas na manhã de 6 de fevereiro de 1694 a Cerca Real do Macaco, capital de Palmares, foi ocupada por um batalhão comandado pelo bandeirante Domingos Jorge Velho. Nos meses seguintes, as outras aldeias caíram. Zumbi escapou do massacre inicial e liderou uma luta de guerrilhas, mas acabou morto em 20 de novembro de 1695.

REFÚGIO VIGIADO
Para proteger Palmares, os quilombolas construíram três cercas e dezenas de armadilhas.
Até hoje, não se sabe com precisão a localização de todas as nove aldeias que formavam o quilombo dos Palmares. O certo é que a capital, chamada Cerca Real do Macaco, ficava na Serra da Barriga, em Alagoas.
As outras oito aldeias eram distribuídas ali por perto, mas em locais ainda desconhecidos.

ENTRADA RESTRITA
A capital do quilombo era circundada por três cercas de madeira, reforçadas com pedras e guardadas por sentinelas armados. O acesso era feito por portões de madeira reforçados. A segunda cerca ficava a 300 metros de distância da primeira, e a terceira, a 500 metros da segunda. As linhas de defesa estendiam-se por mais de 5 quilômetros, com guaritas a cada 2 metros.

ALÇAPÃO HUMANO
Dezenas de buracos de alguns metros de profundidade e camuflados com folhagens circundavam a povoação. Para empalar aqueles que caíam nos fossos ocultos, os fundos das armadilhas tinham estacas de madeira afiadas e lanças de ferro com mais de 1 metro. Apenas os quilombolas conheciam o caminho certo para entrar na capital de Palmares.

MIX RELIGIOSO
A religião praticada em Palmares era um catolicismo misturado com tradições da cultura banto. Na capela do Cerco Real do Macaco, foram encontradas imagens de São Brás, do menino Jesus e de Nossa Senhora da Conceição dividindo os altares com estátuas de divindades africanas. Muitos negros haviam se convertido ao catolicismo ainda antes de serem trazidos ao Brasil.

DIETA REFORÇADA
Em volta da cidadela ficavam as roças de alimentos. A lavoura mais importante era o milho, mas também eram plantados feijão, banana, batata-doce, mandioca e cana-de-açúcar. Além desses vegetais, o cardápio era completado com a coleta de frutos e a caça de pequenos animais das matas próximas.

CASINHAS DE SAPÊ
Os moradores viviam em casas de madeira cobertas de folhas de palmeira, com iluminação artificial que usava azeite como combustível. Algumas delas tinham saídas ocultas, que permitiam escapar para o mato em caso de perigo. A mobília incluía panelas e utensílios domésticos feitos por artesãos locais ou roubados em incursões pelas fazendas vizinhas.

DIRETAS JÁ!
Os membros do conselho que chefiavam o povoado eram escolhidos em assembléias que reuniam todos os habitantes na praça central. Lá ficavam a própria sede do conselho, uma capela, poços para armazenar água, um galpão sem paredes que servia como mercado e oficinas de artesãos - entre eles, ferreiros que faziam armas e ferramentas agrícolas.

CONJUNTO HABITACIONAL
No interior do forte havia quatro ruas, cada uma com pouco mais de 2 metros de largura e 1 quilômetro de extensão. Ao longo delas, alinhavam-se cerca de 2 mil casas, onde viviam 8 mil moradores. Eles falavam português misturado ao dialeto banto e a palavras indígenas. Animais domésticos, principalmente galinhas, eram criados nos quintais das casas ou soltos pelas ruas.
- Dados recolhidos na Wikipédia e Mundo Estranho.

O Monte Liungo

Ao longo da baixa do planalto makonde, para quem vai a actual aldeia Lutete, precisamente na povoação de Uavi, fica o monte Liungo. No passado muito distante, Liungo foi um lugar sagrado e procurado pelos aldeões do planalto, aventureiros swahilis e makondes de Tanzania, parentes dos makondes de Moçambique, para a realização de preces para, espantar maus espiritos, curar enfermidades, obter sorte na caça e nas viagens, alcançar a prosperidade, em fim, preces para diversos domínios da vida humana. Homens e mulheres vinham de todos cantos e subiam até ao cume da montanha, onde suplicavam e deixavam oferendas, como: pólvora, tecidos, espingardas, dinheiro, estátuas de pau-preto, máscaras feitas de madeira preciosa, ouro, pedras preciosas e diversos objectos de adorno. Todos pedidos feitos na montanha era realizados e quem prometesse algo em forma de oferta e no fim ficasse sem cumprir morria ou desaparecia simplesmente, podendo, às vezes, ser avistado deambulando pela vegetação que cobre o monte Liungo. Contudo, Liungo tinha também outras funções sociais: No fim de Outubro, por exemplo, o cimo da montanha cantava ú,ú,ú... sendo de tempo em tempo acompanhado de um vúúú..., vúúú..., vúúú...; Estes sons eram emitidos dia e noite anunciando à chegada da época da abertura de machambas e da consequente queima de mani. Assim, nos dias subsequentes era frequente avistar aldeões de várias povoações empunhando enxadas e catanas e dirigindo-se no coração da floresta. Quando o canto da montanha cessava, logo a chuva caia e a felicidade erradiava os corações dos camponeses. Este fenómeno repetiu-se gerações e gerações.

Mais tarde, com o passar dos tempos, no sopé da montanha foi construida uma povoação pequena de forma circular e habitada maioritariamente por makondes da linhagem vanamuegùa que se dedicava essencialmente a agricultura, caça, colecta de mel e artesanato. Para além destas ocupações, alguns aldeões dedicavam-se a actividade de guia levando forasteiros ao cume da montanha para a realização de preces ou entrega de oferendas aos espiritos do monte.

Reza a lenda que, uma certa noite de verão e de céu salpicado de estrelas chegou na povoação um bando de oito aventureiros swahilis carregando fardos enormes contendo panos, sal, álcool, tabaco, pólvora, espingardas e cachimbos para a venda. O bando pernoitou na povoação, onde foi tratado com civilidade e durante a conversa com os aldeões ficou a saber da existência de preciosidades na montanha. Nisto, três dias depois os aventureiros venderam as mercadorias e atarde foram despedir-se ao nkulungwa da aldeia visivelmente emocionado.

- Deus queira que a sua sábia chefia se prolongue por mais anos da sua vida e que os jovem da sua linhagem venham seguir os teus ensinamentos. – Disse de viva voz um dos aventureiros assim que entraram no quintal do nkulungwa.

- Que os corações dos jovens makondes te ouçam e que assim queiram os espiritos dos antepassados.

- Que assim seja! – Disse alguém dentre os visitantes.

O ancião serviu aos visitantes duas camas de lutandove e depois sentou-se numa cama posta no beiral da casa principal enquanto os outros emitavam-lhe o gesto.

- Muito bem. – Disse o nkulungwa com voz trémula de extrema velhice. - Em que vos posso ser útil, meus jovens?

- Vinhamos despedir. – Respondeu um dos visitantes e de seguida acrescentou. – Cumprimos integralmente as nossas intenções e para finalizar gostariamos de chegar ao monte para suplicar aos espiritos a proporcionar-nos uma viagem sem perturbações.

- Isso é muito simples. - Balbuciou o nkulungwa. – O Kwavango, um dos guias da povoaçao levar-vos-á ao monte.

- Uma vez mais agradecemos a sua bondade.

- Não têm que agradecer. – Sorriu. – Nós somos assim... hospitaleiros, mansos, bondosos, tolerantes, mas maus quando alguém provoca-nos.

Todos riram perdidamente e no fim, o nkulungwa chamou o guia; Apresentou-o aos forasteiros e depois, disse:

- Idem em paz e que os espiritos dos ancestrais venham proteger-vos.

O ancião fez uma pausa. Apoiou-se ao braço de um dos netos, fixou os pés no solo e quando certificou-se de ter pisado seguramente o solo, ergueu-se lamentando uma dor infernal na coluna vertebral. Fez uma cara feia, pegou na sua bengala e advertiu:

- Idem em paz e não deixem que a cobiça vos cegue...

Deu costa os visitantes com muita dificuldade e lentamente caminhou parando em cada três passos para repousar. Ele era muito velho. Tinha a face tatuada e cheia de rugas. A boca era desdentada e chupada.Tinha um corpo magro e curvado.

Quando o nkulungwa entrou numa das palhotas, os visitantes deixaram o quintal rumando à montanha guiados pelo Kwavango. Andaram muito tempo num caminho estreito ladeado de capim alto e mais tarde iniciaram a subida da montanha esquivando pedras soltas postas ao longo do caminho.

Entretanto, subiram seguindo um atalho alcantilado que circundava o monte numa subida quase infindável. Já no meio do monte começaram a sentir o ar fresco e a visualizar a enorme floresta que se estendia de todos lados até ao horizonte. Pararam por alguns instantes para descansar. Era já atarde. O sol luminoso de Junho derramava os raios sobre o planalto. No entanto, prosseguiram a marcha caminhando lentamente ao lado da ravina que circundava o monte. Após algumas horas os visitantes alcançaram com muita dificuldade o cume da montanha. Deixaram as trouxas no chão, descansaram algum momento e de seguida, prepararam-se para entrar no local sagrado...

O local era uma gruta com um enorme alta natural, onde podia-se vislumbrar diversos objectos preciosos ofertados por gente de todos cantos. Todas aquelas relíquias eram protegidas pelos espiritos, sendo impossível a sua retirada da caverna, pese embora o seu valor cultural e comercial.

Nisto, os visitantes ao entrar no interior da gruta e quando lá se encontraram ficaram estupefactos com a presença de objectos valiosos naquele lugar. Um dos visitantes aproximou-se a um punhal de ouro puro, olhou-o com manifesto interesse e no fim, fez movimento para tocar. Nesse momento o guia gritou:

- Não! Não toques no objecto. Ele é sagrado e quem tocar será amaldiçoado.

O visitante hesitou, mas depois encorajado pela cobiça tomou o objecto e começou a troçar o guia em swahil. Kwavango afastou-se da gruta todo medroso e fugiu a sete pés, tendo em seguida escorregado e caido na ravina. No entanto, na gruta os visitantes pilharam os objectos sagrados e sairam para iniciar a descida da montanha. Próximo a gruta prepararam pequenos fardos, carregaram nas costas e desceram o monte. Enquanto desciam, o céu ficou vermelho e nuvens coloridas aproximaram o monte cautelosamente. Um bando de aves cruzaram o céu piando deseperadamente e de súbito, uma trovoada ensurdecedora rasgou o céu quatro vezes e os homens que desciam o monte desapareceram misteriosamente. A aldeia ficou apavorada. No monte uma nuvem vermelha cobriu o cume durante algum momento.

Dias depois, no monte passaram a acontecer coisas estranhas e de arrepiar os cabelos. Ao anoitecer ouvia-se gritos fortes de homens clamando deseperadamente por um socorro. Ouvia-se também sons de correntes metálicas e chicotadas. Meses depois, seres estranhos e acorrentados nos pés e braços desciam da montanha no meio das noites enluaradas e faziam passeatas na povoação semeando terror e mal estar nos aldeões.

Após um trabalho árduo de expulsão de espiritos perversos e protecção da povoação por meio da magia negra, a vida voltou à normalidade.

No entanto, passadas duas gerações fenómenos estranhos voltaram a manifestar-se na montanha. Nas manhãs no cume do monte eram avistadas roupas brancas lavadas recentemente e estendidas nos ramais dos arbustos próximos à gruta. Quando chovesse as roupas estendidas desapareciam misteriosamente voltando a se avistar assim que precipitação cessasse. Nas noites o cume era iluminado por enorme linguas de fogo que se estinguiam ao alvorecer. Entretanto, o local foi proibido e os fenómenos estranhos e arrepiantes continuaram até os dias que correm.
- Allman Ndyoko, Moçambique, 17/11/2009.

Glossário:
Lutandove – Cama composta de base de estacas e atravessada com cordas tecidas compalha;
Nkulungwa – Chefe da povoação;
Swahil – Lingua falada na Tanzania;
Mani – Ramais de árvores abatidos na abertura de machambas;
Vanamuengùa – Linhagem Namuengùa.

11/18/09

Moçambique: Eleições de cartas marcadas ?

Maputo, 18 Nov (Lusa) - Os observadores da União Europeia às eleições moçambicanas de 28 de Outubro constataram "numerosas irregularidades" durante o apuramento dos votos, "sem que estas afectem significativamente os resultados". Num balanço hoje divulgado em Maputo, a Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (MOE UE) dá conta de "irregularidades eleitorais e inconsistência nos procedimentos" em 73 distritos das 11 províncias de Moçambique. Segundo o documento, ainda que as irregularidades no processo eleitoral não tenham afectado significativamente os resultados das eleições "constituem uma séria fraqueza do processo". © 2009 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

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O país da mentira, por Adelino Timóteo em 18/11/2009:

Beira (Canalmoz) - A mentira sempre foi usada pela Frelimo como uma arma para a reconciliação com a verdade por que ela não se pauta.

Nós sabíamos que estas eleições eram mais uma mentira disfarçada, que agora a Frelimo festeja, canta com toda a pompa e circunstância. Com a mentira que a Frelimo forjou, recorrendo ao cliché de que é um partido (qual?) maduro, organizado, disciplinado, nunca conseguiu esconder a grande máscara que dissimula por detrás do seu rosto sórdido, anti-democrático, totalitário, comercial, arrogante, colonial, as diversas máscaras que usa e descarta. Esta Frelimo de 1968 (não a de Mondlane e Simango), é a triste e pobre herança que teremos que suportar enquanto vai jogando com paus de sete, oito, talvez dez bicos, na verdade uma holding disfarçada de partido, ora da aliança de operários e camponeses, ora do que mais convém na circunstância, ora sem ideologia. Assim, manieta todos e manipula tudo dos bastidores em que se posiciona, levando os incautos a dançar a música que ela toca.

Nas eleições praticamente terminadas, a Frelimo consagrou-se na sua elevada vocação para a mentira, e deu mais um salto. No absurdo do teatro em que a esmagadora e silenciosa maioria dos moçambicanos não afinam, só 44 porcento foi às urnas e disso a Frelimo realmente conseguiu ¾ só que esses três quartos não passam de apenas 27% dos moçambicanos que se recensearam.

A maioria absentista (56 porcento) nestas eleições mostrou mais uma vez ter uma lucidez superior para não caírem em tamanha mentira segundo a qual se está a construir a democracia em Moçambique.

A Frelimo festeja, canta, pula. Mas no ridículo/dissono como comemora este feito se disfarça, porque consciente que a mentira é o que lhe resta para a reconciliação com uma verdade que eles construíram nos bastidores onde sempre actuaram, actuam, em nome do povo, de que não se pode afirmar legítima representante, apenas aspirante de um sonho desfalecido.

Muitos dos intelectuais moçambicanos vivem frustrados no sonho de um país justo, pleno, limpo. Mas a forma como a Frelimo postula a mentira, aterrorizando por debaixo das suas botas, semeando medo e pânico nas instituições que acreditávamos um dia fossem isentas e imparciais, mostra-nos um pudor que não sentem, uma vergonha que não têm, para festejarem o ridículo que eles próprios se tornaram, quando dos feitos dos processos que tiveram em mãos vemos que só eles querem que nos contentemos com o pão que diabolicamente amassaram.

A mentira que a Frelimo vem propugnando arrasta-se, espalha-se como um vírus que tende a infectar, lastimosamente, um grupo, um pequeno punhado que mais não pode – não tem como – viver o resto da sua vida amarrado à mentira e só lhe restando fazer corpo com os castelos de areia construídos, e depois, legar as heranças da mentira a seus filhos e netos. Ademais este feito da vitória da mentira sobre a democracia é sui generis em África, onde penosamente os lúcidos que não compactuam com a mentira terão que resistir a terem que consentir que a democracia seja vassala de uma mentira que virou cultura.

Sobre o leito horrendo da mentira quase não há uma instituição “democrática” (as aspas são minhas) neste País que não transporte o rosto desavergonhado da mentira, porque os mentirosos desenvolveram neles o estertor, o talento, a habilidade de não terem pudor, e de fazerem crer em mentiras em que nem eles próprios crêem.

Como são servis, como são funestos os obnóxios da CNE, CC, STAE’s, presidentes das mesas de voto, embrulhados em seus fatos de ofício grotescamente disfarçados da mais fina lealdade, quando o que aspiram é o padrão mais elevado da mentira ensinada pelos seus senhores, quais feudais, que têm-nos por seus reféns e vassalos! Alheios à construção da cidadania têm de fazer profissão de fé, e alinhar, defendendo a mentira, driblando a verdade, cerceando as instituições democráticas, enchendo urnas, apedrejando o concidadão, o patrício, para a defesa dos donos da utopia, os donos da mentira que são os accionistas maioritários deste país que vêm “construindo” com o suor da sua intrujice.

Não é que se tenha vergonha de ser moçambicano. Nos últimos dias fomos os mais desdenhados, os mais vilipendiados, pela mentira colossal, vil. Superiormente mestrados em mentira, falta-nos explorar a nossa capacidade de nos servirmos da mentira, torná-la uma ciência a tal extremo de a vendermos para os ricos do Ocidente, com que saldaremos os nossos altos débitos, lançando alavancas para um progresso frutífero e a elevação do PIB.

Agora que o barulho cessou, reservamos alguns minutos para reflexão.

Um dia, seremos nós mesmos, os construtores desta argamassa de mentira, que chamaremos a nossa própria consciência à razão. Até lá, bajuladores da mentira, teremos tido um soberano aspirando a defesa da nossa mentira. Um dia, seremos nós, os construtores desta argamassa de mentira, a desdenhar os ditos eleitos do povo à condição de membros dos órgãos deliberativos certificados pela mentira que aplaudimos impávidos e serenos.

Em casa, há que deitarmos mãos à moral, dos nossos jovens, das ovelhas (que ainda não estão perdidas), se a intenção é determos a mentira daqueles que aspiram ser nossos servidores de olhos postos no tesouro e nos sacos azuis da moçambicanidade perene.

Nada nos resta senão chamar a atenção dos outros. Há que estarmos atentos ao pão da mentira que nos é servido à mesa, e estarmos cientes que a graça de sermos moçambicanos com inteligência não se deve à Frelimo, mas à nossa capacidade nata de olharmos e destrinçarmos a mentira da verdade. Atentos aos sinais, tenhamos presente que a palavra derruba, seja qual for a mais alta muralha da mentira.

Moçambique: O País dos linchamentos...

Só este ano: linchadas 20 pessoas na Beira - MAPUTO – Apenas, de Janeiro a esta parte, foram linchados 20 indivíduos, todos todos do sexo masculino, na cidade da Beira, província de Sofala, acusados de envolvimento em crimes, principalmente, assaltos a residências e em em via pública, com o recurso a armas brancas. Esta informação foi avançada, esta terça-feira, na capital provincial de Sofala, por Mateus Mazibe, do gabinete das Relações Públicas, no Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique, PRM, tendo acrescentado que a vigésima pessoa foi linchada, por populares, no último fim-de-semana, depois de, juntamente com seus amigos, terem tentado assaltar a uma moradia. Segundo a Polícia, uma quadrilha de bandidos que perpetrava assaltos, na via pública e em residências, dirigiu-se a uma casa, onde arrombou a porta, usando uma alavanca de “péde-cabra” e introduziu-se, no seu interior. Em seguida, os donos da casa pediram socorro, a vizinhança começou a aparecer e, daí, os miliantes saíram a correr. Mazibe explicou que foi quando encentaram uma fuga que um dos ladrões caiu, nas mãos da população, tendo, depois, sido queimado vivo, com recurso a pneus e a combustíveis líquidos.

De acordo com a Polícia, na Beira, da quadrilha, foi possível neutralizar cinco indivíduos e dois continuam fugitivos. “Há um trabalho que se está a fazer, para a neutralização destes indivíduos”, disse o oficial de comunicação, no Comando Provincial da PRM, em Sofala. Dito Jaime – que se encontra, agora, nas mãos da Polícia – é um dos cidadãos que teve a sorte de escapar a linchamento, depois de ter sido espancado, na Beira, igualmente, pela população, acusado de assalto. Contudo, Jaime negou que tivesse sido “sovado” por envolvimento em assalto, mas – segundo sustenta – por ter sido encontrado, pela população, quando a correr. Mazibe apelou, na ocasião, às comunidades a não enveredarem pela chamada “justiça pelas próprias mãos”, muito menos por linchamentos de pessoas indiciadas no cometimento de diversos crimes. “Continuamos a exortar as pessoas, que ninguém deve fazer a justiça por si própria. Este acto é condenável, porque nós estamos num Estado de Direito, por isso, mesmo que os indivíduos sejam criminosos, têm o direito de serem ouvidos, em lugares apropriados”, observou.
- Maputo, Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009, A TribunaFax N° 1092.

11/17/09

Moçambique é um dos países africanos com mais casos de linchamentos


Três pessoas linchadas em Moçambique no fim-de-semana - Este ano, a polícia moçambicana assinalou mais de 20 mortes de supostos criminosos às mãos de populares. Três pessoas foram linchadas, no fim-de-semana, na Beira, centro de Moçambique, acusadas de terem protagonizado assaltos a residências com recurso a armas brancas, facto que levou à detenção de 15 pessoas indiciadas de envolvimento no crime.
Até ao momento, desconhece-se a identidade completa e a idade das vítimas.
Na segunda-feira, a Polícia da República de Moçambique foi chamada a intervir, e fez buscas em algumas zonas da capital da província de Sofala, operação que resultou na captura de mais de uma dezena de cidadãos, refere hoje o jornal Notícias.

Moçambique é um dos países africanos com mais casos de linchamentos. Este ano, a polícia moçambicana assinalou mais de 20 mortes de supostos criminosos protagonizados por populares.

As províncias de Cabo Delgado, Nampula e Zambézia, no litoral norte de Moçambique, são as que têm assinalado maior número de linchamentos.

Em Setembro último, a Beira também já tinha sido palco de outros casos de linchamentos.

Em entrevista à Lusa, o sociólogo e professor da Universidade Eduardo Mondlane, de Maputo, Carlos Serra, um especialista no fenómeno dos linchamentos, estimou recentemente que, no ano passado, em zonas suburbanas, foram registados 50 linchamentos, uma parte por espancamento e outra queimada com pneus.

Os linchamentos acontecem, disse, sobretudo de noite e por vezes duram 45 minutos.

Em África, os linchamentos acontecem sobretudo também na Tanzânia, onde, entre 2000 e 2004, foram linchadas 1.249 pessoas, acusadas de roubos, homicídios e violação de costumes locais.

A pobreza, o desemprego, a guerra civil e a colonização são factores que podem potenciar os actos de violência em Moçambique, agravados com a percepção da população de que a polícia é corrupta e que a justiça não actua, disse na altura Carlos Serra.
- Jornal de Notícias, Porto, 17/11/09.

Corrupção - Moçambique cai para a 130ª. posição num ranking de 180

Lisboa, Portugal 17/11/2009 12:20 (LUSA) - Angola, Guiné-Bissau e Moçambique desceram quatro lugares na classificação do índice global de corrupção, enquanto São Tomé e Príncipe subiu 12 posições, segundo o relatório de 2009 divulgado hoje pela Transparency Internacional. A lista, divulgada anualmente, estima o grau de corrupção do sector público percepcionada pelos empresários e analistas dos respectivos países, e está organizada do menos corrupto (1.º lugar) para o mais corrupto (180.º), a que corresponde uma escala de 10 pontos (livre de corrupção) a zero pontos (muito corrupto).

Entre os países de expressão portuguesa, Angola e Guiné-Bissau ocupavam em 2008 a posição 158 e encontram-se agora no posto 162 com 1.9 pontos.

De acordo com a Transparency Internacional, "apesar do seu potencial para gerar fortes rendimentos, que poderia aumentar o desenvolvimento social, estes países não conseguiram traduzir a sua riqueza em programas sustentáveis da redução da pobreza".

"Em vez disso, os altos níveis de corrupção na indústria extractiva contribuem constantemente para a estagnação económica e desigualdade e para o conflito", lê-se no relatório.

No ranking da percepção da corrupção, Moçambique surge na 130ª posição (2.5 pontos), enquanto ano passado estava no posto 126.

Timor-Leste desceu um lugar na classificação, estando agora no posto 146 (2.2 pontos), posição que partilha com a Serra Leoa, a Ucrânia e o Zimbabué.

A maior subida entre os países de expressão portuguesa registou-se em São Tomé e Príncipe que passou do lugar 123º para o 111º, com 2.8 pontos.

O Brasil registou uma subida de cinco pontos e ocupa este ano o lugar 75 (3.7 pontos).

O segundo país de expressão portuguesa melhor cotado pela Transparency Internacional é Cabo Verde no posto 46 (5.1 pontos), uma posição acima da registada em 2008. Portugal aparece em primeiro lugar entre os lusófonos na posição 35.

A Transparency Internacional destaca no relatório que Cabo Verde é, a par do Botsuana e das Maurícias, um dos três países da África Subsaariana com uma cotação superior a cinco valores.

Macau, Região Administrativa Especial da China, manteve a mesma posição do ano passado, ocupando o lugar 43, com 5.3 pontos.

De acordo com a presidente da Transparency Internacional, Hugette Labelle, a "corrupção requer alta supervisão dos parlamentos, um bom sistema judiciário, agências anti-corrupção, vigorosa aplicação da lei, transparência nos orçamentos públicos, bem como espaço para meios de comunicação social independentes e uma sociedade civil activa".

"A comunidade internacional tem de encontrar formas eficazes de ajudar os países devastados pela guerra para desenvolver e manter as suas próprias instituições", defendeu.
- MCL, Lusa.