5/10/10

Retalhos: De Porto Amélia a Pemba - Estrada do Tempo... A Ponte-cais !

O dia de "S. Vapor".

Na ex-Porto Amélia da nossa meninice, além de todos os outros, celebrava-se mais um santo: “S. Vapor”.

O seu dia era sempre que ao porto chegava um navio e o impacto na vida local variava em função da importância e origem deste.

Os de longo curso, idos de Lisboa, eram os que mais alteravam a rotina. As idas a bordo eram como que um regresso ao berço e um enganar da saudade.

Faziam-se compras, umas legais outras nem tanto, de artigos que não seriam muito diferentes dos encontrados localmente, mas… tinham o condão de vir da Metrópole…

Bebiam-se umas “Sagres”, que não seriam melhores que as “Laurentinas”, “Manicas” ou “2M” do quotidiano, mas estas… vinham da Metrópole…

Jantava-se a bordo e havia bailarico... com orquestra da Metrópole…

Era aquele “cordão umbilical”, que só os portugueses conseguem manter por toda uma vida.

Nesses dias, tirava-se a naftalina aos fatos domingueiros só usados em ocasiões especiais. Uma delas a Passagem do Ano (só até à meia-noite). Depois dessa hora, o cenário era outro. Talvez um dia falemos disso.

Parecido com o dia de “S. Vapor”, mas com intensidade e efeitos nada comparáveis, só os dias de chegada do avião da Deta.

Quando chegava… pois eram bastante frequentes as “avarias” provocadas pelas melhores condições de alojamento que, naquele tempo, as tripulações encontravam em Nampula ou no Lumbo.
- António Coelho - Luxemburgo, 17/11/01.

Fotos dos navios Janina, Porto Amélia, Infante D. Henrique e Príncipe Perfeito colhidas do sítio Navios Mercantes Portugueses.

O Dia de "S. Vapor" II.
 
Já, na Estrada do Tempo, tentei dar uma idéia do que era o “Dia de São Vapor”.
 
Das peripécias a ele ligadas, uma há que julgo merecedora de ser aqui relembrada.
 
Aconteceu no início dos anos 60, se a memória me não atraiçoa em 62, aquando das viagens inaugurais dos navios Infante D. Henrique e Príncipe Perfeito.
 
O aproximar do dia da chegada de um deles despertou a habitual efervescência, mas bastante ampliada, por razões óbvias...
 
O luxo e dimensão do “bicho”, se atracava ou se ficava ao largo, por quanto tempo estaria entre nós, haveria ou não possibilidade de o visitar... tudo era assunto de conversa e contribuía para aumentar a expectativa geral.
 
Chegou, finalmente, o grande dia. Por precaução, o Comandante decidiu ficar ao largo apesar de (constou-se...) o Piloto da barra garantir que as condições de acostagem eram seguras.
 
Assim, houve que mobilizar umas quantas embarcações ligeiras, para fazer o transporte de passageiros, visitantes e alguma carga.
 
Além dos “gasolinas” cedidos pela Capitania do Porto e de umas quantas lanchas, veio de Mocímboa o Gaspar com o seu barco.
 
Chegado o dia, foi a bordo quem quis e/ou quem pode.
 
Um dos visitantes, na ânsia de afogar a sede (crónica) que o afligia, foi um pouco além do razoável e, fatal como o destino, a visão e o sentido de equilíbrio ressentiram-se.
 
No regresso, aproximando-se o “gasolina” do local onde o pessoal iria desembarcar, o nosso “herói” avaliou mal a distância. Saltou para a escada que só ele via próxima e, como imaginam, foi ao charco.
 
A sorte, a perícia dos tripulantes e a ajuda dos presentes reduziram os prejuízos a um fato molhado e uns quantos papeis ensopados. Papéis que, para a pessoa em causa, eram de “extrema importância”. Tratava-se de “Vales” do bar do Carneiro & Morais, que o nosso amigo saldara nessa tarde, como religiosamente fazia a cada fim de mês.
- António Coelho - Luxemburgo, 14 /12/2001.
 
Meu à parte - Para quem não se lembra, o Tó Coelho está recordando a figura típica do saudoso Zacarias, funcionário da Companhia Comercial João Ferreira dos Santos.
 
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Retalhos: De Porto Amélia a Pemba - Falando do Padre Paulo e da Sociedade Missionária da Boa Nova

MENSAGEM RECEBIDA DO MISSIONÁRIO SÉRGIO CABRAL - PEMBA EM 31/10/2001:

Quero informar do falecimento do Sr. Padre Paulo no dia 25 deste mês de Dezembro, em Lisboa.

Ele tinha partido daqui de Pemba no dia 14 por questões de saúde. Ele não sofria de nenhum mal em especial, apenas estava cansado e muito stressado. Viveu a guerra bem de perto que lhe ficou bem marcada no seu íntimo. Isso causou-lhe algumas perturbações psíquicas irreparáveis até à data da sua morte.

De seguida apresento uma pequena biografia da sua vida:

"Nasceu em Vilar Seco, Vimioso, Diocese de Bragança. Foi ordenado sacerdote em Cucujães a 30 de Maio de 1957.

Foi professor nos Seminários de Tomar, Cernache do Bonjardim e Mariri, na Diocese de Pemba, Moçambique. Foi missionário nessa diocese durante 43 anos, nas paróquias de Macomia e Maria Auxiliadora, de Pemba.

Foi um dos grandes missionários do povo Maconde. Falava bem a sua língua, conhecia a sua cultura, amava profundamente o povo daquela Missão com 12000 Km2. Lá viveu duas guerras: a colonial e a civil. Foi um homem livre a capaz de fazer amigos em qualquer partido, para servir a todos. Três vezes esteve em perigo de morte, escapou por milagre e nada o fez desistir de anunciar o Evangelho e criar comunidades cristãs. Quando era impossível visitar as comunidades escrevia cartas. Quando não podia ir de carro, ia a pé. Andou milhares de quilómetros a pé, nas estradas e nas matas para animar os cristãos e fortalecer os seus catequistas e animadores.

Foi um homem simples, sereno, alegre, com grande capacidade de fazer amigos. Deu o testemunho de Cristo com a própria vida. Era profundamente devoto de Nossa Senhora.

Sofreu uma forte hemorragia cerebral ao rezar o 4º mistério do terço: Jesus a Caminho do Calvário. Ficou 24 em estado de coma, nos hospitais de Santarém e S.José, Lisboa. Aí faleceu em 25 deste mês. No dia seguinte realizou-se o seu funeral em Cucujães."
- Sérgio Cabral - Pemba, 31/10/2001.

UMA VIDA SIMPLES MOVIDA PELO AMOR - Dados Biográficos sobre o Padre Paulo:

O Padre Manuel Paulo Lopes nasceu a 22 de Março de 1930 em Vimioso, Bragança. Foi baptizado no dia 29 de Junho de 1930 e crismado a 17 de Maio de 1944. Fez a sua 1ª comunhão em 1937. Entrou na Sociedade Missionária da Boa Nova no dia 28 de Setembro de 1943 em Tomar. Foi ordenado sacerdote em 30 de Maio de 1957 e partiu para as missões em 11 de Setembro de 1958.

Depois de ter trabalhado um ano no seminário de Mariri em 1958, foi colocado em Macomia em 1959. Em 1969 passa a ser o superior da Missão. Em Dezembro de 1978 foi obrigado a deixar Macomia e a residir em Pemba.

Em 29 de Dezembro de 1981 recomeçou a residir em Macomia numa pequena casa emprestada. Nos fins de Janeiro de 1982 foi novamente obrigado a deixar Macomia por não haver Igreja. Em Maio de 1982 celebrou em Portugal o 25º aniversário da sua ordenação sacerdotal.

Durante esse período foi pároco de Maria Auxiliadora.

A 16 de Abril de 1992, recomeçou as visitas à paróquia de Macomia com muito entusiasmo e dedicação.

No dia 14 de Outubro de 2001 embarcou de Pemba para Maputo e dia 19 desse mesmo mês, de Maputo para Lisboa a fim de descansar. No dia 24 sofreu um derrame cerebral multi-ramificado, vindo a falecer no dia 25 de Outubro pelas 7h00 da manhã no hospital de S. José em Lisboa. Foi sepultado no dia 26 de Outubro de 2001 em Cucujães junto dos seus colegas e irmãos da Sociedade Missionária da Boa Nova.

“O Padre Paulo impôs-se pela sua simplicidade, interesse pelo outro e pela sua sabedoria em escutar, ouvir os lamentos, as histórias, as vida dos outros.

Caminhar era a sua melhor maneira de se aproximar das pessoas. Caminhava sempre ao encontro do outro, pelas comunidades, pelos caminhos difíceis, pelas ruas. Gostava de caminhar.

O amor a Nossa Senhora era bem visível na sua devoção e piedade: o terço a Nossa Senhora de Fátima; os pastorinhos; o seu ataque, salvo milagrosamente por Nossa Senhora.

A sua paixão pela missão de Macomia não tinha limites. Amou verdadeiramente Macomia. Sofreu imenso por Macomia. Foi perseguido por Macomia. Macomia rejuvenescia-o imenso.

O trabalho na diocese como secretário foi notável. Era uma autêntica biblioteca viva. Informações históricas, casos, registos que só ele sabia, datas de interesse dos outros.

A vida do Padre Paulo entre nós não terminou. Acreditamos que ele junto de Deus, de Cristo e de Maria rogará por todos nós.

Assante Padre Paulo, pela tua palavra, sorriso, gesto...”
- P. Albino-Pemba.
 
LIDUVA LYAVALEKUA YESU (O DIA EM QUE NASCE JESUS).
 
Mensagens, cartas, e-mail´s, são feitos, existem, encurtam distâncias e aproximam o ser humano. Seu conteúdo, normalmente fica entre dois ou poucos mais interlocutores... Mas esta mensagem, (perdoe o Amigo Sérgio Cabral - seu autor) pela espontaneidade, sinceridade, actualidade e clareza de fatos vinculados a uma quadra tão típica e a locais tão especiais para todos nós, não merece ficar oculta... Por isso e à "revelia" do autor, aqui a publico integralmente, também como homenagem à dedicada doação desses abnegados e incensáveis Missionários:
 
"Antes de mais quero desejar-lhe um bom Natal embora atrasado!
Não lhe escrevi antes porque tenho andado por aí a viajar e depois o computador apanhou uma virose potente...
O Natal correu bem. Tivemos a Missa do Galo aqui na igreja de Maria Auxiliadora que durou umas 4 horas, incluindo uma pequena representação de Natal e baptismos. Como sempre as danças e os cânticos alegres tornaram esta celebração festiva ainda mais festiva. As quatro horas dentro da igreja passaram depressa de mais!!!
No dia 25 pelas 5 da manhã arrancamos eu e o P. Albino para a missão de Macomia a fim de celebrar para aqueles que estão órfãos de padre, após a morte do P. Paulo. Chegamos lá e não conseguimos celebrar na igreja por causa das abelhas, por isso tivemos de celebrar à sombra das mangueiras que ficam logo ao lado. Apesar de tudo a comunidade estava organizada e até correu bem.
O nosso almoço de Natal resumiu-se a uma sandes de atum e para matar a sede água de coco. Depois fomos celebrar a uma comunidade a 30 km de lá: Namaluco que fica entre Macomia e Quissanga, bem dentro do mato. Enquanto o Albino confessava os makondes, andei a passear e vi coisas interessantes: Andava um grupo de gente a percorrer a aldeia atrás dos batuques e de um mascarado que dançava mapiko. Então quando me viram sozinho, ali naquele sítio, aproximaram-se e fizeram uma demonstração exclusiva de mapiko para mim. Também vi uma família a fazer uma espetada de caracóis daqueles grandes que existem por aqui e diziam que era muito bom!!! Outro petisco que me aconselharam foi rato.
Quando chegamos a Macomia fomos encomendar um frango com batatas fritas no Bar Chung (Chinês) para enganar a fome que já era muita.
Nos dia seguinte também andamos por outras comunidades à volta de Macomia, nomeadamente Nova Zambézia (20kms.), Nguído (50kms.) e Chai (42kms.). Quase ninguém falava português, só o makonde! Quiseram que eu tirasse uma fotografia a um menino que estava a chegar do mato pois tinha cumprido os ritos de iniciação. Puseram-no em pé numa cadeira todo bem vestido, com um cofió na cabeça, para a fotografia todos contentes. Assisti à dança das mulheres makondes à volta dos batuques, vi grandes baterias feitas de paus e chapas, conheci a makonde mais idosa do Chai já cega, mas que não deixava de admirar-se com a presença de um branco amigo do P. Paulo e do mesmo país do P. Paulo.
Agora vejo como o P. Paulo foi um grande missionário. Nós percorremos as comunidades de carro com tracção, confortável, com música, sem percebermos nada de makonde e da cultura makonde. O P. Paulo não! Ia a pé, rasgava a mata, dormia e comia com eles sabe-se lá como? Dominava o makonde como os próprios makondes e até os ensinava. É preciso ter estômago e muita fé para se fazer o que ele fez!!!
Nós só visitamos 5 comunidades, ainda existem mais de 30 no meio daquela mata infindável, onde se pode ver as pegadas dos muitos elefantes e onde existem leões e outros animais nada benevolentes.
Como vê, o meu Natal foi assim. Longe da família, dos festejos tradicionais, do frio, das prendas, da boa comida portuguesa, mas mais perto da cultura makonde, dos ananases de Macomia, dos macacos de Macomia e enfim, mais perto da pobreza do menino Jesus que nasceu num curral espelhada naquela gente sem nada, mesmo nada.
Espero que o seu Natal tenha sido bom na companhia dos seus familiares e pessoas amigas.
Junto envio duas fotos do P. Paulo. Uma junto com outros missionários: (da esquerda para a direita) P. Zé Marques, P. Albino, Ir. Glória, Ir. Palmira, P. Paulo, Ir. João e em baixo P. Gonçalves; e outra ele sozinho.
Um grande abraço e feliz ano novo!!!
- Sérgio Cabral - Pemba, 28/12/2001 - 19h24

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Retalhos: De Porto Amélia a Pemba - Estrada do Tempo... e as Vacas do Macedo

Pequeno "retalho" que o companheiro dos bancos escolares, António Coelho (Tó ou Namarrocolo), retirou do arquivo de sua privilegiada memória:
O Cais de Porto Amélia foi inaugurado, se não me falha a memória de uma placa comemorativa que lá havia, a 7 de Outubro de 1956, pelo presidente Craveiro Lopes, que viajou a bordo do navio Angola ou Pátria. Mas creio que foi no primeiro. Eu era para ter ido nessa viagem. Mas houve mudanças de reservas e fui no Moçambique. Cheguei à Ilha em 3/10/56, dia do aniversário do meu pai. Nessa época desembarcávamos na ilha e íamos de lancha ou de rebocador até ao Lumbo. Das lanchas até à praia éramos transportados às costas de carregadores. Em Porto Amélia também era assim antes da ponte existir, segundo me contaram. Desembarcava-se na praia da Sagal. Contaram-me também que alguns "malandrecos" davam dinheiro aos carregadores para ("sem querer") darem banho a alguns "eleitos"... Outros davam-se ao trabalho de previamente espalharem picos no local de desembarque para fazer cair o pessoal e poderem assim gozar o prato...
Enfim, recordações que o tempo ainda não apagou... Teremos mais se, como dizes, a preguiça deixar passar à escrita.
Um abraço,
- António Coelho (Luxemburgo), 16/10/2001.
APONTAMENTO - DIA DA CIDADE DE PEMBA - Esclarecendo o porquê de 18 de Outubro ser o dia oficial de Pemba:

"...Antigamente a comemoração era a 8 de Dezembro, hoje em dia é a 18 de Outubro, e tem um certo sentido como poderão verificar em seguida. Vou-vos transcrever 2 parágrafos de uma publicação intitulada "PEMBA, SUA GENTE, MITOS E A HISTÓRIA -1850 a 1960", feita pelo Luís Alvarinho, que também se baseou em documentação e dados do Arquivo Histórico de Moçambique, Boletim Oficial e Boletim da Companhia do Niassa, entre outros. "O embrião que veio dar origem à actual cidade de Pemba, data de 1857, como parcela da `Colónia 8 de Dezembro´, fundada por Jerónimo Romero e dissolvida 5 anos depois por diversos problemas de organização e adaptação dos colonos". "Porto Amélia ascende a vila por portaria de 19 de Dezembro de 1934 e é elevada à categoria de cidade em 1958 pelo decreto-lei de 18 de Outubro do Governo-Geral da Província"...
- Informação postada em 10.12.2001, no Bar da Tininha por Jorge Marabuto Bronze

Naquele tempo 1 - Notícia extraída da Página de Cabo Delgado do antigo Jornal Diário de Lourenço Marques, lá pelos idos de 1960:

Nos dias 21 e 22 do corrente, tiveram lugar nesta cidade as provas orais dos exames para admissão ao Liceu, tendo sido aprovados os alunos Adriano Manuel Vidal Lima Caseiro, Arsénio António Macedo, Aristides José da Conceição Dias, Armando Augusto Cepeda, Carlos Augusto Silva e Castro Fagulha, Eugénia Lúcia Vieira da Silva, Fernando Manuel Borges, Francisco Hipólito Rodrigues Baptista Carrilho, Jaime Luis Vieira Ferraz Gabão, Joaquim Manuel Rodrigues Luis, Maria Judith da Conceição Dias, Momade Anif Abdullatif, Momade Sidique Jussab, José Rodrigo Zamith Franco Carrilho e Judite Macoô. Ficaram reprovados 10 alunos na prova oral e da escrita haviam já sido excluidos dois. O júri destes exames era constituído pelos professores de Liceu Drs. José Júlio Ferreira Faustino, Maria Alice Casanova Duarte e Maria Amélia Sousa Neves.

Naquele Tempo 2 - Notícia extraída da Página de Cabo Delgado do antigo Jornal Diário de Lourenço Marques e publicada em 24 de Dezembro de 1971:

NOVAS INSTALAÇÕES DA GAZ-CIDLA - No passado dia 18, pelas 18,30 horas, a firma local Electro-Pamélia, Lda., inaugurou uma secção destinada, exclusivamente aos produtos da Gaz-Cidla. Ao mesmo tempo, aquela firma, iluminou grande parte da Rua Jerónimo Romero, bem como acendeu, pela primeira vez, um reclame luminoso no bar "Pólo-Sul", que dá um efeito surpreendente, dada a localização daquele bar (cimo da rampa). Aproveitando a circunstância, o sócio-gerente da Electro-Pamélia, Sr. Gaspar Pires, ofereceu aos convidados, entre os quais se contava o Presidente da Câmara Municipal, em exercício, Sr. António Baptista Carrilho e Esposa, Vogal, Sr. João Francisco. Araújo e esposa e outras entidades, um beberete que serviu de pretexto para enaltecer o interesse daquela firma na sua acção dentro do ramo a que se dedica. Assim, graças à Electro-Pamélia, a capital de Cabo Delgado também não deixou de ter, nesta quadra do Natal, parte de uma sua rua iluminada. Pena é que outros estabelecimentos não sigam o seu exemplo.

E UMA HISTÓRIA DE PORTO AMÉLIA - AS VACAS DO MACEDO - Em tempos idos, a mosca tsé-tsé, vulgo mosca-do-sono, não permitia em Cabo Delgado a vida de certos animais e complicava bastante a dos humanos. Em 1956, ano da minha chegada àquelas paragens, funcionavam ainda em certas localidades (recordo Balama e Ancuabe) os serviços da MCT ( Missão de Combate às Tripanossomíases), dirigidos pelo conhecido Dr. Carmo.
Humoristicamente, o significado de MCT era: “Moscas Continuai Tranquilas”. Contudo, foram serviços eficazes, vindo mais tarde a ser extintos por ter sido considerada erradicada essa tão perigosa doença. Consta-me que regressou em força, mas desconheço se assim é.

Quando em 1958 a família se radicou na então Porto Amélia, o único talho existente, propriedade do sr. Manuel Macedo, era abastecido a partir de Nampula, donde, uma vez por outra, eram trazidas umas quantas reses. Entre a chegada e o abate sobreviviam pastando ora junto à captação de água perto do aeroporto ora junto à marginal, no palmar da D. Inácia, no local onde, em 63/64, foram construídas as instalações da INOS, mais tarde utilizadas pela Manutenção Militar.

Situados no tempo e no espaço, permitam que recorde uma hilariante peripécia ocorrida nesses longínquos tempos e locais.
Por toda a África sopravam já os ventos da mudança e com eles chegavam os primeiros contingentes militares, totalmente constituídos por elementos nados e criados na então metrópole.

Pese embora a designação de "Caçadores Especiais", a preparação militar seria pouca e os conhecimentos de África nulos ou perto disso.

Passe o exagero, alguns estariam mesmo convictos que, naquelas paragens, abrir uma torneira equivalia a ficar com um jacaré nos braços. Mas adiante...

Após um mês de viagem, mal punham pé em terra era a procura de tudo o que durante esse tempo fora uma miragem. Deixo aos eventuais leitores a liberdade da imaginação...

Depois de muita deambulação encontraram-se uns quantos, já pela noitinha, “cara-a-cara” com as citadas vacas. Fazendo uso dos “profundos conhecimentos de África”, logo concluíram tratar-se de búfalos e nisso viram uma primeira oportunidade de dar largas aos dotes de “caçadores confirmados”, adquiridos à custa dos coelhos e perdizes da Pátria distante.

Da descoberta, à acção foi um ápice. Correm ao quartel, pegam em armas e aí vai disto que amanhã pode ser tarde...

A surpresa e a decepção tiveram-na pela manhã, quando confrontados com o gozo dos mais antigos e a obrigação de reparar os danos causados ao amigo Macedo.
Os infringidos aos pobres animais, esses já não tinham remédio...
- A. Coelho, Luxemburgo 6/12/2001.

Um jogo sobre Porto Amélia-Pemba:
->Teste seus conhecimentos sobre Pemba.

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5/06/10

Retalhos: De Porto Amélia a Pemba - D. José dos Santos Garcia, 1º Bispo de Porto Amélia

Para anotar... porque faz parte da História de Pemba...
D. José dos Santos Garcia comemorou 90 anos em 16 de Abril de 2003

"Nascido a 16 de Abril de 1913, D. José dos Santos Garcia, Bispo Emérito de Pemba, comemora hoje (16 de Abril de 2003) o seu aniversário com a presença de quase todos os Bispos Portugueses, alguns padres da Sociedade Missionária da Boa Nova e da Diocese da Guarda na sua terra natal, Aldeia do Souto.

D. José é membro da Sociedade Missionária, trabalhou enquanto jovem Padre nos seminários de Portugal, foi um grande obreiro da Missão do Mutuáli, Diocese de Nampula, onde construiu a Igreja, internatos masculino e feminino e centro de saúde.

Nomeado Bispo de Porto Amélia, hoje Pemba, em 1957, promoveu uma bem planeada pastoral em que eram prioridades a formação do clero, dos leigos e de religiosas moçambicanas. Para isso criou os Seminários, a Escola de Professores Catequistas e a primeira congregação religiosa de Moçambique, Filhas do Coração Imaculado de Maria. Promoveu a evangelização e dotou as missões de esmerada estrutura. Sofreu com a divisão da sua diocese nos tempos da luta pela independência quando não podia visitar todos os cristãos.

Voltando a Portugal em 1974, colaborou com a Diocese da Guarda naquilo que lhe foi pedido e ele faz questão de destacar as aulas de missionologia aos seminaristas. D. António Santos, actual Bispo da Guarda, reconhece que "é difícil fazer registo completo dos valiosos serviços prestados a esta Diocese".

Depois dos 85 anos dedicou-se a reformar a Igreja e as capelas da sua terra natal, Aldeia do Souto e a escrever livros: Alicerce e Construção duma Igreja Africana, Diário do Mutuáli, Evangelização de Cabo Delgado e Notas para a História da Paróquia de Aldeia do Souto. Este dois últimos serão oferecidos aos amigos no dia da festa dos 90 anos. Além de reflexões pessoais, os três primeiros são documentos para história da Igreja em Moçambique."

Memórias de Bispo-Pai Natal
"D. António Santos (Bispo da Guarda) cita alguns episódios narrados na primeira pelo aniversariante , por ocasião das visitas pastorais, apresentando-os como exemplo da "simplicidade e simpatia" do grande "Bispo Missionário".

"O primeiro deu-se em Orjais, pelo ano de 1975. Fui lá com D. Policarpo e cheguei dez minutos antes. Subi a escadaria da casa do pároco onde, a meio, estavam dois pequenos que iam ser crismados. Um disse: o senhor é que nos vai crismar? Ao que respondi: posso ser ou não! O outro observou: o senhor com essa batina, essa faixa vermelha, essa cruz e esse chapeuzinho está mesmo porreirinho..."

O segundo caso que o aniversariante costuma relatar ocorreu em 1988. "Uma jovem foi crismada no Fundão e quando chegou a casa disse à mãe: mãe, sabes quem me crismou? Foi o Pai Natal! A senhora viu-me passar a pé, saiu de casa e veio contar-me a história".

NOTA - D. José dos Santos Garcia ainda é vivo, conta com 92 anos(*) e está com uma memória previlegiada. Sempre bem disposto estivemos com ele no passado Domingo, dia 7 de Agosto de 2005.
Tivémos ainda a felicidade de poder assistir à eucaristia por ele celebrada, ao meio dia, na capelinha da sua residência. Quem o quiser visitar, não é difícil encontrá-lo: -Aldeia do Souto (entre a Guarda e Belmonte) sua terra Natal. Grande contador de histórias fala com muita saudade das gentes de Pemba e de outras localidades por onde passou por terras de Moçambique.
- Maria José Costa em 17 de Agosto de 2005 - 09h48.
* - D. José dos Santos Garcia está com 97 anos feitos no passado dia 13 de Abril de 2010. E continua muito lúcido.
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Retalhos: De Porto Amélia a Pemba - Como foi a Expansão Portuguesa em Moçambique

Brasil - Arquivo Nacional - Uma imensa fonte de pesquisa !
Como foi a Expansão Portuguesa em Moçambique - Fabiano Villaça dos Santos

Os portugueses chegaram a Moçambique em 1498 e a administração colonial foi instalada três anos mais tarde, ficando o território dependente do Estado da Índia até 1752. Em 1569, Moçambique foi elevada à condição de capitania-geral, englobando a região de Sofala e a do Monomotapa. A ocupação de Moçambique se iniciou em 1507, contudo, segundo o historiador Luiz Felipe de Alencastro, a penetração portuguesa em Moçambique foi muito frágil, sobretudo se comparada à conquista e à ocupação de Angola, na costa ocidental da África.

Durante boa parte da colonização portuguesa, Moçambique desempenhou a função de entreposto comercial e de ponto de apoio para os navios com destino ao Oriente. Com relação ao desenvolvimento interno da colonização, de acordo com Luiz Felipe de Alencastro, os portugueses praticamente não interferiram no processo produtivo da região, além de não conseguirem reorientar em benefício próprio os circuitos de comércio local, o que corrobora a posição estratégica de Moçambique na carreira da Índia. As trocas permaneceram voltadas para o Norte da África e para o Leste, em direção ao Golfo Pérsico, onde regiões como Omã adquiriam grande quantidade de escravos.

Para Charles Boxer, a penetração portuguesa no território de Moçambique também foi dificultada, até o século XVIII, pela insalubridade verificada nas regiões costeiras da África e da Ásia. A correspondência oficial entre Lisboa e Goa, de 1650 a 1750, relata a preocupação das autoridades com o escasso contingente de portugueses reinóis no Oriente e com as altas taxas de mortalidade na região, incluindo Moçambique como parte do circuito indiano. Tal situação parece não ter se alterado depois de 1750, pois, em 1799, o vice-rei conde de Resende sugeriu o envio anual de vadios e voluntários do Rio de Janeiro para povoar diferentes regiões africanas, como Moçambique.

Outras dificuldades enfrentadas pela administração metropolitana em Moçambique, bastante comuns nos domínios coloniais portugueses, relacionavam-se à ação dos funcionários régios. Charles Boxer atentou para as constantes queixas presentes na correspondência oficial e extra-oficial, sobre o descuido na aplicação da justiça em lugares distantes, como Moçambique, Macau e Goa. Problema recorrente, levou a Rainha dona Maria I a publicar um alvará, em 14 de abril de 1785, com o objetivo de coibir abusos cometidos por governadores e ouvidores da capitania de Moçambique, tais como a cobrança indevida de donativos e a realização de transações comerciais particulares com rendimentos da Real Fazenda. O alvará previa penalidades que iam da perda do cargo ao pagamento de indenizações pelos culpados de tais abusos.

Quanto ao tráfico de escravos, a região do Congo-Angola supriu grande parte da demanda de mão-de-obra durante o período colonial. O fluxo de escravos de Moçambique, em especial para o Rio de Janeiro, foi pequeno e irregular até o início do século XIX, havendo, no entanto, referências a iniciativas de negociantes desta praça, engajados no circuito de Moçambique, Sena e Goa, para instalar uma companhia de comércio de gêneros e escravos africanos, em 1744. Algumas décadas antes, em 1719, uma ordem de d. João V enviada ao governador-geral do Estado do Brasil, d. Sancho de Faro e Sousa, determinava uma alteração emergencial na rota do tráfico de escravos do Atlântico para a baía de Lourenço Marques, no sul de Moçambique, em virtude dos ataques de navios holandeses aos portugueses na costa ocidental da África. Essas medidas demonstram que, até o final do século XVIII, o tráfico de escravos da África Oriental ainda não havia se consolidado.

A participação mais efetiva da África Ocidental no fornecimento de escravos para o Rio de Janeiro declinou entre 1795 e 1811, ano em que Manolo Florentino verificou um crescimento da oferta de cativos oriundos de Moçambique. Esse crescimento se explica, em termos mais amplos, pela Abertura dos Portos, em 1808, que favoreceu o aumento do número de expedições para Moçambique a fim de resgatar escravos. Nesse movimento, ganhou destaque o porto de Quilimane. Para o porto de Salvador, outro importante mercado de escravos da colônia, a demanda de escravos permaneceu sendo suprida pela região do Congo-Angola. O porto do Rio de Janeiro, entretanto, não monopolizava o recebimento de africanos de Moçambique. Houve reivindicações de comerciantes do Pará, envolvidos no tráfico de escravos em diferentes regiões africanas, dentre as quais Moçambique, na última década do século XVIII, para obter isenção do pagamento de direitos (impostos) por um certo período de tempo, demonstrando que outros portos coloniais eram abastecidos de cativos da África Oriental.

A regulação do tráfico de escravos, independente da região fornecedora, não escapou às diretrizes reformistas da política colonial portuguesa. Para manter o controle sobre o contingente de cativos transportados de Moçambique e outros mercados africanos, foram organizados os termos de contagem de escravos, elaborados após o recolhimento do imposto sobre os escravos na alfândega, em que se atestava o número de escravos embarcados na África e os que chegavam à América, deduzidos os mortos durante a viajem, que não eram poucos, ou logo após o desembarque no porto de destino. Em 13 de junho de 1802, um termo de contagem de escravos provenientes de Moçambique no navio Ninfa do Mar, por exemplo, acusou a chegada de 227 escravos vivos e 228 mortos, ao porto do Rio de Janeiro.

As autoridades pareciam estar atentas quanto ao cumprimento das medidas de registro dos escravos, como demonstra a referência a uma devassa realizada em 1812, no bergantim Esgueira, pela morte de numerosos africanos vindos de Moçambique, conforme indicou um ofício expedido ao juiz do crime do Rio de Janeiro. Instruções anteriores de d. Rodrigo de Sousa Coutinho ao vice-rei, conde de Resende, determinavam um rígido controle sobre as rotas dos navios negreiros. Em carta de 12 de dezembro de 1798, o secretário de Estado da Marinha e Ultramar tratou do extravio de escravos quando os navios que os transportavam precisavam fazer baldeação. Para evitar tal prática, d. Rodrigo de Sousa Coutinho recomendou que se fizesse uma lista com o dia da saída, o nome dos mestres das embarcações e o número de escravos transportados.

O tema do tráfico de escravos aparece como o mais recorrente quando se pensa em África, ocidental ou oriental. Moçambique, como outras regiões africanas, a exemplo de Angola e Benguela, também foi local de degredo. Os inóspitos e “hostis” domínios africanos receberam réus da Inconfidência Mineira condenados ao degredo em Moçambique e Angola, como indica a correspondência do vice-rei, conde de Resende, para a Corte, de 29 de abril de 1792, em que se registra também a condenação à pena capital de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Segundo Charles Boxer, no século XIX Moçambique foi afetada pela conjuntura européia das invasões napoleônicas, que motivaram a transferência da Corte portuguesa para a América e a sua longa permanência no Rio de Janeiro. Entre 1805 e 1825, Portugal teria abandonado suas colônias asiáticas e africanas, contexto em que se insere a Independência do Brasil. Ainda de acordo com Charles Boxer, idéias sobre o desenvolvimento de Angola e Moçambique como forma de compensar a separação do Brasil foram cogitadas, mas não ocorreram imediatamente à Independência da colônia americana. Em razão das desordens internas de Portugal, inseridas no período que se abre como o do “vintismo, e porque o tráfico de escravos ainda “absorvia as energias” tanto de Angola como de Moçambique, novas diretrizes da Coroa portuguesa para reformular a exploração do que restou de seu Império colonial não foram produzidas instantaneamente, uma vez que Portugal só reconheceu a Independência do Brasil em 1825.

Para o estudo da África Oriental, os fundos documentais do Arquivo Nacional que apresentam indicações freqüentes sobre Moçambique, especialmente acerca de sua posição estratégica na carreira da Índia e do tráfico negreiro, são: Negócios de Portugal, Secretaria de Estado do Brasil, Relação da Bahia, Ministério do Império, Diversos Códices – SDH, Secretaria de Governo da Capitania do Pará e Polícia da Corte.
-  Texto extraído do portal "Arquivo Nacional" - Brasil.

HISTÓRIA E "ESTÓRIAS" - CHAI - 25/09/1964 - A VERDADE E A HISTÓRIA...!
Alguém escreveu - "Procurar a verdadeira história e espírito africano implica recorrer a toda a herança de conhecimentos que, ao longo dos tempos, foram transmitidos de geração em geração, do mais velho ao mais novo, do narrador ao ouvinte.
Trata-se da própria tradição oral que, através de cantos, danças, lendas, mitos, contos, provérbios, rituais e enigmas, transmite o próprio conhecimento e a escola da vida. A tradição oral constitui, por isso, todo um património que faz parte de uma cultura viva. E só conhecendo as suas raízes culturais e civilizacionais, é possível a um povo identificar-se como Povo".

Depoimento de Tó Alves em 25 de Setembro de 2003 no "Bar da Tininha da Yahoo":

"Completam-se hoje* às 21:00 de Moçambique (20:00 em Portugal) 39** anos do primeiro ataque (oficial) da Frelimo e sua guerra de libertação do país.
Foi no Chai, a norte de Macomia a escassos 10Kms do rio Messalo.
Tinha 8 anos, estava lá, assim como os meus pais, não morri... nem ninguém morreu de ambos os lados, e lembro-me de quase tudo.
Tudo se resumiu a 2 rajadas de metralhadora (uma de cada lado).
Demorou 1 ou 2 minutos e depois foi a fuga dos atacantes.
A minha mãe lembra-se que nesse dia à tarde, andou uma pessoa desconhecida ali nas lojas no Chai e com umas ligaduras na perna ou no pé. Andou umas 2 horas a "passear-se" pela localidade. Veio-se a saber mais tarde que essa pessoa desconhecida andou a fazer o reconhecimento da zona.
A data, hoje em dia, é comemorada em Moçambique como Dia das Forças Armadas."
*25 de Setembro de 2003;
**40 neste ano de 2004;
- E o que se fala na net a respeito do dia 25/09/1964: http://www.macua.org/chai25092003.htm;
- Publicado no sitio "Pemba" em 09/2004.

Retalhos da mente ou do meu pensamento...!
 ... Datas que se comemoram mundo afora, salientando a dimensão histórica de heróis ou mitos da guerra e da violência.

Salientaremos algum dia a dimensão histórica das vítimas inocentes de todas as guerras ?...

Morte, sempre morte, só morte, o silêncio da vida ou a inexplicável apologia do direito à violência que soma e resulta neste conturbado, desequilibrado globo terrestre que temos hoje!

Como ontem ou como sempre, novas, insensíveis, minoritárias, egoístas elites ressurgem "chafurdando" no deleite do poder conseguido ambiciosa, desesperada e despudoradamente num vale-tudo de mentiras, promessas e imposições que desprezam, desrespeitam o ser humano, a natureza, a vida.

Elites econômicas hipócritas ilhadas em castelos de ostentação, tal qual sanguessugas famintos de coimas e impostos que recheiam, atulham seus bolsos e cofres.

Elites burlescas acoitadas em grotescas castas pseudo-intelectuais, em cômicos feudos pseudo-democráticos de segregação social (similar ou pior que a racial) isolados atrás de grades, fossos, muros, cercas eletrificadas tentando impedir a vinda avassaladora, inevitável de povos-multidões-desesperados-sem-raça enganados, revoltados, famintos, desiludidos e destruidores !

Até quando teremos datas de violência e de luto ?

Até quando a hipocrisia do discurso fácil e o apetite do poder embebedarão mentes e suplantarão o direito de viver ou existir com dignidade em liberdade fraterna, solidária e justa?

Vivemos esperando dias melhores... dias que não deixaremos mais para trás...!
- Jaime Luis Gabão,  publicado no sitio "Pemba" em 09/2004.

(Transferência de arquivos do sitio "Pemba" que será desativado em breve)

Retalhos: De Porto Amélia a Pemba - Homens que fizeram... Adelino Coelho !

Breve apontamento sobre (nosso saudoso Amigo) Adelino Coelho, feito por seu filho António Coelho e relatando a epopeia que era, nos anos 50, o desbravar das "picadas" de Cabo Delgado:
Em 58/59, o meu pai fazia as carreiras: Porto Amélia - Montepuez - Porto Amélia (bi-semanal - desde 1954) e Porto Amélia- Mocimboa- Porto Amélia (bi-semanal, também desde 1958). Esta, via Metuge - Napuda - Mahate - Mussomer Quissanga - Tandanhangue - (de novo Quissanga e Mussomero) - Panguia-Macomia - Mucojo - Quiterajo - (passagem do batelão do rio M'Salo) - Marere, era uma via que acompanhava quase todo o litoral.

Quando em 1959 um ciclone tremendo arrazou Mocimboa da Praia e afetou todo o litoral de Cabo Delgado, a estrada ficou intransitável. Como curiosidade, nesse dia o meu pai refugiou-se do mau tempo na casa do amigo Teixeira Gomes (Popote) em Macomia.

Tão intransitável e por tanto tempo ficou, que a carreira não mais se pode efetuar.

Entretanto começou a guerra e, pior ainda, não mais se reatou.

Quando foi asfaltada a estrada para Macomia, (via Silva Macua - Muguia - Moja) havia já um mínimo de segurança e recomeçou a circular por esse itinerário, mas só até Macomia, abandonando o itinerário do litoral.

O meu pai manteve-se pelo itinerário do interior e à medida que a estrada foi sendo asfaltada foi acompanhando, primeiro até ao Chai e por fim até Mocimboa da Praia.

Um abraço. E, se coisas há que gosto de partilhar, são as recordações. Mais a mais quando de amigos se trata.

Ah ! E desculpa a falta de alguns acentos agudos ( no a, i, e u ), mas este teclado é "chinamarquês" e não permite.

Um abração,
Tó Coelho
- Publicado em Junho de 2001 no sítio Pemba.
  • ADELINO COELHO - Antigo residente de Porto Amélia, hoje Pemba, que se destacou pelo pioneirismo na implantação do transporte público em autocarros em toda a província de Cabo Delgado, entre inumeras dificuldades e carências operacionais à época, já que não existiam estradas asfaltadas nem as comunicações eram fáceis. Faleceu em 28 de Março de 2003 em Portugal.
Imagens de Porto Amélia:
 (Transferência de arquivos do sitio "Pemba" que será desativado em breve)

Retalhos: De Porto Amélia a Pemba - História, o farol da Maringanhana e...

Porque pouco se tem contado a respeito, aqui deixo detalhes que nos falam da história de Porto Amélia/Pemba, do Farol da Maringanha, da origem de seu nome e do feroleiro Heliodoro José Carrilho: ... ...IV - A GENTE E A SOCIEDADE - A população de Pemba é bastante heterogénea, tendo para lá emi­grado do interior os macuas, os ngonis ou mafites e os macondes. Do litoral, os nguja do Tanganica, os sacalaves do Madagáscar e os mujojos das Comores. A civilização europeia, particularmente a trazida pelos portugueses é também notória, já que ali a colonização assimilou grande parte da população, mesmo a não mista. Nas regiões circunvizinhas à cidade de Pemba existiam já antes da ocupação pelos portugueses algumas povoações chefiadas por ré­gulos, sendo o principal o sultão Mugabo, seguido de outros como o Said Ali, Mutica, Macesse e o Mugona. O Governador de Cabo Delgado que, em em 1857 foi incumbido de ocupar a região e aí formar uma colónia, faz especial referência ao "velho" Mutica que, à excepção dos outros, falava ainda a língua portuguesa e muito contribuirá para o sucesso das negociações.

Fortemente swahilizados estes régulos que se expressavam e escre­viam geralmente em árabe, edificaram sociedades semi-feudais cuja autonomia se manteve ao longo dos tempos, até mesmo hoje, con­tinuando a exercer grande influência e poder no seio da população, cujo principal credo é o maometanismo mesclado de antigas tradições fetichistas como em quase todas as regiões da província.

A estas autoridades de relações amigáveis e até mesmo honestas com outros povos em certas alturas, também não lhes faltaram momentos de agitação e saque.

Já em 1843 o cheique Macesse, que chefiava a região actualmente conhecida por Pemba-Metuge, revolta-se contra a submissão aos portugueses, expulsando a companhia militar portuguesa estacionada num navio à entrada da baía de Pemba. Como corolário do desenrolar destes acontecimentos o cheique Macesse devolve a bandeira por­tuguesa às autoridades coloniais nas mãos do ajudante de Arimba, José F. Carrilho e recusando-se a pagar qualquer espécie de tributo.

Salientam-se também as investidas feitas pelos régulos Mugabo, Said Ali e outros contra caravanas europeias no circuito de Quissanga, obrigando-as a uma rota que levaria a mercadoria antes para Porto Amélia.

Se por um lado isto viria a abrir um caminho para o desenvolvimento de Porto Amélia a finais do século XIX, não menos verdade é que o facto veio a onerar bastante o processo de embarque e desembarque da carga já que Quissanga comunicando mais directamente com o "medo" era o principal porto exportador de então para o comércio e tráfico “ajaua-meto”.

A maior parte dos régulos antes da segunda década do nosso século se submetiam, na cintura de Pemba, ao régulo Mugabo, cujas terras confinavam com as da "coroa do medo", estas chefiadas pelo pode­roso maravi Mualia, ora submetido ora sublevado aos portugueses.

O quadro etnológico da população de Pemba remonta-se principal­mente à fusão do grupo macua com castas muani, penetrados res­pectivamente a partir de Murrébue e Quissanga.

Embora de diferentes origens as populações de Pemba se subordi­navam ao régulo Muária também de origem maravi.

O regulado Muária nasce cerca de inícios dos anos de 1880 quando famílias como Heri e Bachir pertencentes ao mesmo clã atingindo a região do medo avançam em direcção ao litoral pela rota Chiúre/ Mecufi/Murrébue.

De acordo com a "rainha" Muamba Omar Ussofo mais conhecida por Nhanicuto e descendente dos Muária, a dinastia se inicia com um tal Heri l na região de Changa (Murrébue) nas terras do régulo Nampuipui.

À morte de Heri l sucede ao trono Heri II que, para não defrontar o régulo Nampuipui que lhe fizera guerra acusando-o de ocupação ilícita das suas terras e compromisso com os portugueses, foge e refugia-se em Pemba na área da Maringanha. Parte do clã seguiu para Quissanga.

O successor de Heri II foi Remane Bachir que viajando para a África do Sul, como era seu hábito levando consigo voluntários (de acordo com a fonte ) que para lá queriam ir viver, foi chamado para assumir o cargo e é nessa altura adoptado o cognome de "Muária" para o regulado que agora começava.

Muitas vezes se fala de Muária como tendo alguma relação de parentesco, de clã ou mesmo qualquer outra com o regulo Muália, o que é negado por Muamba Ussofo, mas pode sobreviver a ideia de auto-identificação com o poderoso e conterrâneo maravi das terras do medo.

Amad Ali, avô do régulo Remane Bachir, descobre a zona de Marindima em Pemba e mobiliza a sua família e a gente de Changa para a habitar, o que veio a acontecer.

No entanto, fugitivos aos ataques dos ngonis, que lançavam as suas investidas com armas de fogo e azagaias a partir do ponto da colina que cai a pique na região de Marindima, bem como pelo facto de ali não haver água potável, a população deixa a zona e vai fixar-se junto às lagoas de Natite.

É então que Remane Bachir manda limpar as áreas de Nuno e Ingonane para ser habitada colocando lá como chefes dois familiares seus, nomeadamente as rainhas Nhanicuto e Nhacoto.

Enquanto isto o régulo Remane Bachir Muária entrega o Wimbi ao chefe Namacoma e a região compreendida entre o Nanhimbe e Maringanha ao seu irmão capitão-mor Tagir Bachir.

Anra Bachir sucede a Remane no regulado Muária e tendo este morrido fica como sucessor o seu sobrinho Fadili Adi, seguindo-se - lhe o seu irmão Anli Mugola.

Durante o reinado de Anli Mugola, este entregou a zona do Cariacó ao chefe Amada Muária, já na década de 60 do nosso século, que ao ser preso pela Pide é substituído por Abdul Latifo Ncuo.

Para além das já citadas rainhas o Paquitequete teve ao longo dos tempos ate à independência de Moçambique outros chefes, no­meadamente Mussa Amad, Pira Anlaue, Said N’Ttondo, entre outros.

Das relações com as autoridades coloniais que, mesmo antes de ocupar a região mandavam anualmente um encarregado de cobrança do imposto, a velha Omar Ossofo relata que quando chegava tal enviado eram içadas três bandeiras portuguesas: uma na praia junto à ponta Romero, a outra à frente da residência do régulo Remane e a terceira no quintal deste.

A população para não pagar o imposto abandonava as suas casas e internava-se mais para o interior e o funcionário da administração colonial em acto de vingança queimava todas as residências, obri­gando a população a construir alpendres provisórios após a sua retirada.

Em língua macua “marapata” significa alpendre ou algo provisório, alcunha que a população deu ao dito funcionário.

Nessa altura a designação de Pemba limitava-se somente a uma pequena área, próximo à ponta Miranembo, onde o governador colonial Jerónimo Romero havia instalado o "Estabelecimento da Baia" e construído um fortim que a população de Muária usou como refúgio nas razias que os sacalaves levaram a cabo.

Embora fora dos parâmetros deste estudo mas para dar uma ideia mais ampla da distribuição territorial do regulado Muária podemos acrescentar que dados de 1970 indicam que o régulo Ntondo, ocupava em Porto Amélia uma área de 1.042 km2 (Paquitequete), seguido do propriamente chamado Muária em Natite com 264 km2, Namacoma no Wimbi com 504 km2, o Piripiri no Gingone chefiando uma área de 8 km2 e o Nansure do Cariacó a Changa com 230 km2. (3)

Considerando por outro lado que os portugueses recrutavam na região do medo os carregadores para as suas caravanas é óbvio que muitos deles em Pemba se foram fixando, o mesmo sucedendo à gente migrada das regiões costeiras.

Os conflitos tribais que sempre existiram entre ambas as etnias (e para um período mais curto também com os macondes) eram compensados pelas trocas comerciais, sobretudo o contrabando e tráfico de toda a espécie.

Apesar de Pemba ser zona costeira, provida de uma enorme baía, muito pouca gente se dedica hoje à pesca, absorvendo o sector pes­queiro apenas cerca de 200 pescadores (dados de 1987) que em suas casquinhas, lanchas e algumas pequenas embarcações fazem não mais que uma produção anual de 150 toneladas de pescado. É também verdade que a intensiva exploração ao longo dos tempos dentro e ao largo da baía, tornaram os recursos marinhos mais escassos.

De marinho típico é, por aquelas bandas, verem-se, nas vazantes das águas com bastante afluxo no período das marés vivas, mulheres, homens e até mesmo crianças de tenra idade ora cercando peixe muidinho com finas malhas ora apanhando conchas ou moluscos comestíveis.

Tão típico é isto quanto o prazer de encontros amigáveis na praia ao nascer e ao pôr do sol, nem que seja sob o pretexto da necessidade de defecar na praia (por tradição), ali se juntam grupos de pessoas em animadas conversas (e quem sabe não mais?) por várias horas.

Grande parte da população dedica-se no entanto à pequena indústria artesanal e a outras ocupações liberais e informais bem como ao comércio, não deixando de praticar um pouco de agricultura para subsistência, com especial incidência no milho, mapira, mandioca e mexoeira.

O comércio ambulante vem ganhando dimensões cada vez maiores e os mercados provêm essencialmente do tráfico swahili com quem qualquer negociante mantém fortes laços.

Pemba, este pequeno satélite e entreposto swahili de tempos remo­tos, conserva ainda suas antigas tradições e hábitos assimilados das gentes do Tanganica. A preferência em artigos do mercado oriental e a quase generalização da língua swahili, embora misturado com o idioma macua e a língua portuguesa, é também realidade.

O “Sungura”, dança importada da Tanzânia, diverte todos os dias e durante toda a noite a população dos bairros periféricos.

Dessa gente não há quem falte, pois aliado ao divertimento algum namorisco poderá, eventualmente, acontecer.

Os três ou quatro conjuntos musicais que actuam em simultâneo nos principais bairros de caniço expressam-se em língua swahili. Os dançarinos os acompanham.

O "mini na kissikia swahili" (eu compreendo swahili) liga uns e outros numa libertação e fruição de mais um dia passado.

As comunidades de maior influência árabe-swahili, muito dedicadas ao comércio com a Tanzânia, localizam-se em ambas as extremida­des: Maringanha ao Sul e o Paquitequete ao Norte.

Contava há poucos anos um velho auxiliar de faroleiro uma interes­sante e peculiar história sobre a origem do nome Maringanha já que a explicação nos conduz a um facto de que a gente de Maunhane jamais viria a esquecer: trata-se da construção de poços de água, um dos mitos de mau agouro ameaçador de morte a quem o construísse.

O facto deu-se após o ciclone de 1914 quando, já reconstruída a povoação de Maunhane, o faroleiro Heliodoro José Carrilho inaugura os poços (por ele próprio mandados construir) gritando o lema: “Muringana?”, que em língua local significa "estão completos?" ao que a população respondia em uníssono "Ti ringana”, que nada mais é do que a confirmação.

Será que por popularização como indicava a fonte e deturpação da expressão "mu ringana" viria a resultar Maringanha?

As cartas no entanto designam de ponta "Maunhane" à região e não é de admirar já que localmente a expressão significa "no sítio dos macacos" dado que em tempos parece ter sido ali o local por eles preferido.

Ainda hoje muitas vezes se vêem macaquitos a vaguear pela Ma­ringanha saltitando por entre o sombreiro das casuarinas e coqueiros junto ao farol como que apreciando as centenas de mulheres que na vazante avançam pelo mar em busca de marisco, o "caril" diário.

Trata-se principalmente da apanha de certas conchas com carne comestível mas pouco ou nada comercializável por se tratar quase de um dever tradicional de toda a mulher e suas crianças procurar moluscos e pequenos crustáceos tanto para seu sustento como até por simples ocupação do tempo e desporto.

Para além da pesca artesanal a população da Maringanha dedica-se também à pequena agricultura bem como à fermentação alcoólica do caju. Aqui a amêndoa deste fruto é no geral consumida quer verde quer torrada depois de seca ou mesmo, em ambos os casos, também utilizados na culinária.

Na outra extremidade de Pemba encontramos o Paquitequete que apesar de desenvolver um forte comércio swahili alberga por outro lado famosos artesãos e gastrónomos ensinados no Ibo e trazidos para ali aquando da transferência da sede da administração da Com­panhia do Niassa.

Ourives trabalhando a prata das moedas portugesas antigas e o ouro das libras estrelinas que ainda vão aparecendo, arrancado às relíquias de algumas poucas “sinharas” (senhoras) ainda vivas apesar de velhinhas, que em seus quintais confeccionam para venda famosos doces, compotas, diversos bolos doces e salgados bem ainda como achares de variado tipo.

O Paquitequete está quase separado da cidade por uma lângua que seca quando a maré vaza mas repleta de água na enchente e, nessas ocasiões, não falta “negociozinho” aos miúdos das casquinhas ganhan­do algumas coroas aos que desejem encurtar o caminho caso estejam em ambas as extremidades já que a ponte se situa quase no extremo sul deste enorme bairro.

O nome de Paquitequete provém da expressão "pá hitequete” que significa por um lado "no sítio do hitequete" ou melhor uma planta que cresce toda emaranhada muito comum ali, por outro é aplicada à característica do próprio bairro com casitas todas muito juntinhas umas das outras formando um autêntico emaranhado.

Engloba ele junto ao mar as áreas de Cofungo na ponta Mepira, seguindo-se em direcção à ponta Romero as zonas conhecidas por Nazimogi, Paquitequete propriamente dito, Cumissete e Cuparata. Há a acrescentar ainda uma casta de mestiços do Ibo que se isolou um pouco mais para a costa a seguir a lângua, dando origem ao bairro da Cumilamba que galga um pouco a parte da escarpa Leste da cidade de Pemba.

Enquanto que na Maringanha a ponta é alcantilada e orlada por um recife de coral que cobre e descobre em Mepira ela è baixa e arenosa caindo a costa a pique sobre o mar.

Nas regiões centrais da península localizam-se os bairros semi-urbanizados de Ingonane, próximo à ponta Romero assim como o de Natite e Cariacó mais a sul onde vivem principalmente os novos artesãos, o pequeno operariado local e os potenciais produtores e negociantes de aguardente e outras bebidas tradicionais, tais como os fermentados de cereais ou farelos.

Estes bairros desenvolvem-se a partir da ponta Romero que é baixa e também orlada por recife de coral que cobre e descobre. Tem praias arenosas mas as ondas são no geral bastante violentas. A ponta Romero antes da ocupação pêlos portugueses era conhecida pelo nome Miranembo.

A tradição reza que ainda no tempo em que a região era floresta cerrada, albergando grandes manadas de elefantes certo dia enfurecidos avançam em direcção ao mar e o mais velho (o chefe) que seguia à frente não foi capaz de estancar na ponta o que o levou a precipitar-se por sobre as águas e dai engolido pelas ondas. De súbito os outros elefantes param e aterrorizados tomam rumo oposto fazendo uma retirada para o interior sem nunca mais por ali aparecerem.

Ora, localmente a expressão “umuiria” significa engolido e “nembo” o vocábulo elefante, ou seja o lugar onde foi engolido o elefante. Naturalmente, segundo a lenda, as duas expressões ter-se-iam fundido dando origem à palavra “umuirianembo”, posteriormente, “miranembo”.

Entre o Cariacó e a Maringanha encontram-se o Wimbe e o Nanhimbe (actual bairro Eduardo Mondlane) dedicando-se à agricultura de su­bsistência e à fermentação alcoólica do caju.

Já no cimo da colina podem-se ver, do levante ao poente, os bairros de Chuiba ou "Planalto dos Cajueiros", Gingone e Muxara, pratica­mente cobertos de cajueiros, e são os que mais comercializam a amêndoa do caju e se dedicam à fermentação alcoólica da respectiva maçã bem como à pequena agricultura.

O rochoso baixo de Nacole a 1,5 milhas para Sueste da Ponta Mepira, projecta ao longo das suas praias de Chibabuara onde, do ponto mais alto da cidade, a colina se faz cair abruptamente.

Outrora um esconderijo de larápios por possuir densa floresta, hoje a sua população é essencialmente constituída por pescadores que, apesar dos rumores de existência de um polvo gigante ali mesmo na baía, essa gente continua fazendo alguma pescaria sem qualquer receio.

No centro da península onde está instalada a cidade de Pemba, ergue-se a zona de cimento desde a Baixa ou "Cidade Velha" junto à qual foram construídas as primeiras casas de alvenaria por facilidades de acesso ao porto, estancando numa planície provida do melhor parque habitacional.

É também nesta zona onde se encontram o Governo e serviços públicos diversos, combinados com uma cadeia de estabelecimentos comerciais bem como um parque infantil onde funciona também uma creche.

O actual porto e ponte cais de Pemba na baixa estão localizados na região meridional da baía a 5 amarras para Sueste da ponta Mepira, com fundo de lodo. O fundeadouro pode alcançar-se a pouco mais de 80 metros, onde se encontra o molhe cais, dado que os fundos se aproximam bastante da terra.

Existem no porto diversas instalações para armazenamento de cargas e para serviços marítimos e aduaneiros. Está também apetrechado com um sistema para a contenção de combustíveis que, através de uma conduta de cerca de um quilómetro, são despejados para os depósitos da Petromoc próximos à povoação de Chibabuara.
- Do Livro "Pemba e sua Gente" de Luis Alvarinho. Sugestão de Armando Silva - Cascais - Portugal.

(Transferência de arquivos do sitio "Pemba" que será desativado em breve)