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terça-feira, 17 de março de 2009

Régua - Douro: Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia.

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua de minha origem e raízes, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique... Para isso estou contando com a gratificante colaboração de um aficionado e morador ilustre da nossa querida cidade capital do Douro - Peso da Régua, o Dr. José Alfredo Almeida.

Complemento que este post refere o Dr. Camilo, médico e escritor da Régua e do Douro, filho do também consagrado médico e escritor João de Araújo Correia.

O Dr. Camilo é igulamente figura inesquecível (pelo menos para os mais antigos naturais e residentes daquela cidade do norte de Moçambique) em Porto Amélia, hoje Pemba onde residiu durante alguns anos da época da "guerra colonial" prestando serviço como diretor do hospital militar anexo ao hospital civil.

Cuidou e salvou vidas assim como bastantes Amigos ali fez e deixou, envolvido nas horas vagas na produção amadora de peças teatrais onde, o saudoso e também colega militar Dr. Simões Coelho, entre outros, o coadjuvava para júbilo da população local carente desse tipo de cultura e lazer.

Companheiro de infância e colega dos bancos escolares de meu saudoso Pai - Jaime Ferraz Rodrigues Gabão, bastantes de seus finais de semana e tardes africanos, que recorda com nostalgia e estilo sem igual em obras escritas, foram passados na varanda frondosa de minha casa em Porto Amélia, entre alguns cordiais cálices de vinho do Porto, pitéus à moda do Douro e Trás-os-Montes primorosamente preparados pela afável e transmontana D. Nair - minha Querida Mãe e conversas que se alargavam até noite alta, quase sempre sobre gentes, costumes e lugares do Douro que jamais esqueciamos daquele lado do mar. Aqui ficam também, em poucas palavras e aproveitando a deixa, minha homenagem e minha saudade por essa personagem de porte da nossa Peso da Régua.
- Jaime Luis Gabão, 17 de Março de 2009.

Esta foto diz tudo: Camilo de Araújo Correia num discurso de um aniversário da Associação como seu Presidente da Direcção. As suas palavras têm o seu sorriso que sempre nos habitou e, certamente, tem um sentido de humor contagiante. Basta, ver olhar atento como alguns dos presentes o ouvem, como é o caso do Chefe Armindo.

Camilo de Araújo Correia é um dos nossos. Vestiu também a nossa farda azul. Mas foi um grande médico e um grande escritor nas “horas vagas”, como ele gostava de dizer a sorrir, seguindo de perto os passos literários de seu pai João de Araújo Correia. Foi nosso amigo, sempre, até a data da sua morte, ocorrida, em finais do ano 2007. Ele, sabe que tem um lugar, um cantinho especial na história dos bombeiros de Peso da Régua. Ele, não só exerceu funções directivas, como ainda foi médico dos bombeiros e, muitos anos, o director do jornal mensário da Associação “Vida por Vida”.

Escreveu muitas e belas histórias na sua vida que foi de uma paixão pelo nosso Douro e suas gentes, pelo seu rio e seus belos barcos rabelos, a navegarem põe entre este imenso teatro de vinhas, que foi o palco da vida de muitas das suas personagens, para todos nós mais reais do que as vezes ele nos fazia crer.

Sobre os bombeiros de Peso da Régua escreveu algumas histórias das suas figuras mais simples, mas cheias de alma e sonhos, os heróis que o tempo e as memórias do fogo nunca apagaram e, sobretudo, da sua grande admiração pelos homens da paz. Duas crónicas, brilhantes, carregadas de sentido de humor e fina ironia, adocicada de um carinho pelos bombeiros, como por essa personagem do Justino podem ler-se nosso livro “125 Anos da Nossa História”.

Foi Presidente da Direcção da Associação nos anos de 1964-1965. Do acto da sua posse em 12 de Agosto de 1964, o jornal “Vida por Vida” refere que Camilo de Araújo Correia “usou da palavra de uma maneira que lhe é tão peculiar, historiou a maneira porque aceitou o convite que lhe foi dirigido ainda quando se encontrava em serviço militar em terras africanas e disse dos propósitos que o nortearão no desempenho do cargo, que se resumia em lealdade para como todos, amizade e humanidade no geral”.

Não poderiam ser outras as suas palavras. Sem margem para dúvidas, elas retratam a verdadeira condição de um homem humanista.

Assim, temos todo o gosto em revelar as suas palavras, manuscritas numa caligrafia impecável, num cartão timbrado que, em 7 de Dezembro de 2000, dirigiu ao Presidente da Direcção e ao Comandante dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua:

“Exmos Senhores:
Venho por este meio agradecer-lhes muito honrado a simpatia da oferta da medalha comemorativa dos 120 anos da nossa prestigiada Associação. As minhas sinceras felicitações a quem a concebeu. De um lado, a fachada do quartel, a beleza e a originalidade. Do outro, um minuto de silêncio por quem perdeu a vida no cumprimento do seu abnegado dever. Conheci muito bem o João e o Afonso. O luto da Régua foi o meu luto.
Creiam na muita estima do muito grato,”

Creia Dr. Camilo que nós lhe estamos também muito gratos e saiba que os bombeiros da Régua nunca o esquecerão.

Camilo de Araújo Correia tinha sempre as palavras certas de agradecimento, de ironia e de ternura que nos afogavam de emoções ou nos faziam sorrir. E, na sua memória, estava guardado o respeito por aqueles dois bombeiros que deram o seu melhor à Régua, em missões de serviço onde deram a sua vida por nós.
- Peso da Régua, Março de 2009,
José Alfredo Almeida.

  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!
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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Encontros com Amália Rodrigues

(Clique na imagem para ampliar. Composição sobre uma imagem original de Compujeramey)

Texto do Dr. Camilo de Araújo Correia, intitulado "Encontros com Amália", publicado no livro "Crónicas do meu Vagar", da Garça Editores - Régua:

O meu fado é o de Coimbra. Lá o ouvi noites sem conta e muitas vezes, em momentos de nostalgia, o vou buscar a uma caixa negra, a troco de uma "bolacha”. Mas vindo de uma caixa negra, com toda a sua pureza electrónica, não é bem fado. Falta-lhe o negrume das capas, o recorte dos beirais no céu estreito, os passos abafados ao fundo da ruela, as janelas a iluminarem-se como corações agradecidos... Falta-lhe a noite. E não há noite que saia de uma caixa negra a troco de uma “bolacha”.

É rica a galeria de cantores do meu tempo de Coim­bra. Alguns nomes se apagaram já. Outros me acompanharão até ao fim da memória. Augusto Camacho, Luís Gois, Alexandre Herculano, Anarolino Fernan­des, Florêncio, Branquinho...

O fado de Coimbra só canta o amor e a saudade, na sua expressão mais pura. E só os homens o podem can­tar. Só eles conhecem bem o cristal da noite.

Nunca o fado de Lisboa me atraiu apaixonadamente. Os dramas de faca e alguidar, as infídelidades e outras airrelias sentimentais, cantadas por homens e mulheres em ambientes fechados, raramente me pareceram sin­ceros. E digo raramente, porque houve sempre duas excepções: Alfredo Marceneiro e Amália Rodrigues.

A voz rude, quase murmurada, de Alfredo Marceneiro sempre me pareceu a própria noite a arrastar-se pelas vielas. Transmitia-nos o doloroso fatalismo dos boémios.

A voz de Amália Rodrigues tinha lonjuras de infinito. Ia longe buscar sentimentos que pareciam de vibração perdida. Chegava a provocar em nós um estranho desejo de sofrer, na feliz expressão de Cesário Verde.

Tive com Amália três encontros. Apesar de fortuítos, ainda hoje os recordo como três baptismos de fado.

Nunca o S. João do Largo do Castelo foi tão animado como em 1947. Amália, a filmar em Coimbra as Capas Negras, apareceu por lá e meteu-se na roda. Quando um calmeirão do alto do palanque, armado no centro, comandou todos ao meio de mãos dadas, a minha mão direita encontrou-se com a mão esquerda de Amália. Ainda a Amália não era a Amália que deveria ser, mas aquele minuto, de mão na sua mão, ainda hoje o sinto como página marcada no meu álbum de vaidades.

A República do Rás Teparta era logo ali, na Rua dos Estudos. Amália, com o seu grupo das filmagens e nós, os mais chegados da república, fomos lá acabar a noite. O riso, o fado e o vinho jorraram de mãos dadas e nunca uma rainha foi tão rainha.

O segundo encontro foi nas festas de Santa Eulália em 1951. Era eu oficial em Elvas, no Batalhão de Caçadores 8. Nós, os nossos camaradas de Lanceiros 1 e meio Alentejo em redor acorremos às festas para ouvir Amália, de nome já a cantar nos cartazes, há muitos dias. Talvez por sobressaírem mais os nossos aplausos e apartes, Amália veio no fim da actuação à nossa mesa passar uns minutos. Como não se usava o beijinho, houve mãozadas e frases de circunstância.

O último encontro com Amália foi no Hospital da Régua, não sei precisar há quantos anos. Cerca de trinta... Mal soube do acidente do marido na estrada do Pinhão, Amália apareceu num pé-de-vento. Com mil perguntas nos olhos me interpelou num corredor. A sua mão nervosa mal se demorou na minha.

Quando Amália nos deixou, voltei a sentir a capa, a farda e a bata para lhe dizer adeus.
- Camilo de Araújo Correia, 23Mar2000 - Cedido gentilmente por J A Almeida para Escritos do Douro e ForEver PEMBA, Set2009.

Outros post's que falam do médico e escritor, Camilo de Araújo Correia, que, no passado ainda recente, amou Pemba:

terça-feira, 7 de julho de 2009

Buscando no tempo lá pelo Douro: Os bombeiros de escritório

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:

Estão presentes, nesta foto de 17 de Maio de 1964, tirada na vila de Resende, três vultos da história dos bombeiros do Peso da Régua: o Comandante Carlos Cardoso dos Santos, Alfredo Luís Baptista, Noel de Magalhães e Teófilo Clemente, acompanhado do seu jovem filho José Manuel Clemente, que estavam a convite da associação humanitária local para assistirem a uma cerimónia de homenagem aos bombeiros.

Como não podia deixar de ser, do ilustre bombeiro de farda, o Comandante Carlos Cardoso dos Santos já aqui deixamos vários apontamentos da sua vida e dos seus 31 anos de serviço nos bombeiros da Régua.

Quanto aos bombeiros sem farda já se distinguiu Noel de Magalhães. Mas, apenas por falta de oportunidade, nada se disse dos directores Alfredo Luís Teixeira Baptista e Teófilo Clemente.

O primeiro destacou-se nas direcções presididas pelo Dr. Júlio Vilela e o Dr. Camilo de Araújo Correia, sendo o principal responsável pelo acabamento das obras do quartel, cuja construção é de 1931, pela aquisição de novos carros para os incêndios e pelo aparecimento do jornal da associação “Vida por Vida” (publicou-se ente 1956-1974), o qual chegou a dirigir.

Quanto ao segundo foi um grande chefe de material. O melhor que a associação teve nesse sector fundamental para a actividade operacional dos bombeiros. Mas foi um dos grandes beneméritos que teve a associação. Se o velho Buick ainda hoje circula, isso se deve aos cuidados e à generosidade do Senhor Teófilo Clemente. Foi ele que o mandou reparar e lhe deu um motor novo, que fui retirar de um carro da sua firma de transportes. O seu filho José Manuel Clemente, que o acompanhava na sua juventude, é actualmente o sócio mais antigo da associação, sem nunca ter sido director, herdou do seu pai o gosto de ajudar os bombeiros.

Estes dois homens fazem parte de história dos bombeiros da Régua. Os seus nomes são exemplos a apontar como ensinamento de cidadania. Como membros directivos da associação, o empenhamento e dedicação cívica de Alfredo Luís Teixeira Baptista e de Teófilo Clemente teve um reconhecimento, quando a Liga dos Bombeiros Portugueses os distinguiu com a Medalha de Ouro de duas estrelas.

Desde facto, o jornal “Vida por Vida”, em Novembro de 1964, com o título “Duas Condecorações: uma honra para a nossa Associação”, deu conta do significado destas distinções para estes ilustres cidadãos reguenses nestes termos: “Se certo que estes dois elementos não esconderam o regozijo por tão honrosa distinção, a verdade é que a mesma reveste de elevado sentido para a própria Associação, pois que se o seu nome não fosse um nome que se impõe ao respeito e admiração de todos em geral, certamente que não conquistavam estas duas distinções para dois elementos que há mais de 10 anos têm prestado o seu concurso para uma maior valorização dos bombeiros.”

Estas duas medalhas para estes dois cidadãos são a prova que os bombeiros sem farda têm a sua importância. A eles cabe-lhes o papel de defender os seus interesses do colectivo e zelar pelas melhores condições do cumprimento das missões de socorro de todos aqueles que vestem a farda de bombeiro.

Nos primeiros estatutos da associação, datados de 1880, os associados constituíam-se em quatro classes: honorários, contribuintes, activos e auxiliares. Os activos eram os bombeiros voluntários. Os sócios auxiliares eram os que prestavam auxilio à companhia de incêndios. Os sócios honorários eram aqueles que pela sua posição social ou pelos serviços prestados lhe foi conferida essa honra. Os restantes associados pertenciam à classe aos sócios contribuintes, ou seja, todos aqueles que não vestem farda. Teve a sorte esta associação de nessa classe se inscrever a famosa viticultura do Douro, a bondosa D. Antónia Adelaide Ferreira, a nossa ilustre Ferreirinha.

Como associados, os bombeiros sem farda são todos aqueles que exercem cargos sociais nos órgãos da instituição: na Assembleia-geral, no Conselho Fiscal e na Direcção. Enfim, são outro tipo de voluntários que se preocupam mais com as contas da casa, a sua gestão corrente e o seu funcionamento no dia a dia. Eles são responsáveis por toda a dinamização institucional, por vezes, com muitos obstáculos, por vezes com polémicas, outras vezes com brilhantismo, mas estes directores constituem um pilar do associativismo.

Em 1980, na revista comemorativa do 100º aniversário da Associação, o Dr. Camilo de Araújo Correia, na crónica “Uma volta cá por dentro”, contou-nos com o seu sentido de ironia, o papel de um “bombeiro de escritório”, que ele próprio desempenhou com brilhantismo, na qualidade de Presidente de Direcção, desta enternecedora maneira:

“Relacionam-se com os nossos bombeiros as memórias dos meus primeiros raciocínios.

Estivesse onde estivesse, a brincar, a comer ou a dormir, logo acorria ao ruído marcial da sua passagem.

Toda a gente me dizia que os bombeiros, mal tocavam a fogo os sinos do Peso e do Cruzeiro, acorriam, sem demora, à casa que estivesse a arder. Mas…como podiam correr, assim, em duas fileiras e com aquele passo? O que mais me intrigava era a limpeza das fardas. É que eu, com duas voltas no quintal, sem apagar fogo nenhum, ficava logo com o bibe a merecer umas surras da minha mãe.

Receio bem que o meu desejo de ser bombeiro não tenha sido tão puro como o de todas as crianças do mundo. Lembro-me perfeitamente de quando me apeteceu ser bombeiro. Foi logo a seguir a um grande ataque de inveja. È melhor contar tudo inteirinho…

É certo que neste mundo é que elas se pagam…Deus, na sua infinita ironia, acabou por me fazer bombeiro, cerca de trinta depois do meu ataque de inveja. Vim a ser Presidente da Direcção por entusiasmo e crédito de um punhado de amigos. Não pensaram na minha desesperada falta de tempo…Tive de abandonar com o dedo imperioso da profissão espetada nas costas.

Tudo acabaria muito bem, se ficasse por aqui. Mas é que eu viria a ter, anos depois, a sobrinha mais travessa que Deus ao mundo deitou!...

Um dia, num chá de certa cerimónia e sem vir a propósito, saiu-se com esta:

- O meu tio já foi bombeiro, mas teve de sair porque não apagava nada!

Os risinhos das senhoras, mal disfarçados, atravessaram-me como alfinetes….

De cada vez que me pregava esta partida, tentava fazer-lhe compreender que o meu papel de Director não era ir aos incêndios, nem apagar fosse o que fosse, por mais que as coisas ardessem à minha volta. Em vão procurei convencê-la de que os bombeiros também têm escritório com secretárias cheias de papéis…

De cara fechada e olhos trocistas dizia sempre:

-Sim…sim…

Paguei bem paga a inveja que me fez o capacete e a machadinha daquele bombeiro de palmo e meio aos ombros de um homenzarrão, numa tarde de calor e de tourada.”

O Dr. Camilo de Araújo Correia foi um dos melhores bombeiros de escritório nos bombeiros da Régua. Por pouco tempo é certo, como ele o confessa, pelos muitos afazeres de médico anestesista. Mas exerceu essa função com grande paixão de bem servir. Como Presidente da Direcção conheceu e conviveu de perto com muitos bombeiros. Ao lado deles sorriu e deu muitas gargalhadas pelas divertidas peripécias de alguns, como as presenciou na vida do bombeiro Justino, que andará com ele pelos caminhos da Eternidade a inspirar-lhe mais deliciosas histórias, que nos cativem com seu sentido de ironia e de humor fino.

Como no seu tempo……ainda hoje os bombeiros têm escritório com secretárias cheias de papéis.

E, têm umas sobrinhas ainda mais travessas para nos fazerem sorrirem da vida. Felizmente que é assim…
- Peso da Régua, Junho de 2009, José Alfredo Almeida.

- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:

  • Bombeiros Semi-Deuses - Aqui!
  • As "madrinhas" dos Bombeiros - Aqui!
  • A benção da Bandeira - Aqui!
  • Comandante Lourenço de Almeida Pinto Medeiros: Fidalgo e Cavaleiro dos Bombeiros da Régua - Aqui!
  • A força do voluntariado nos Bombeiros - Aqui!
  • A visita do Presidente da Républica Américo Tomás - Aqui!
  • Uma formatura dos Bombeiros de 1965 - Aqui!
  • O grande incêndio dos Paços do Concelho da Régua - Aqui!
  • 1º. de Maio de 1911 - Aqui!
  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Os bombeiros no velho Cais Fluvial - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui!
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Retalhos: De Porto Amélia a Pemba - Memórias a preto e branco...

Entre cidades irmãs (Ovar e Régua) fala-se do construtor de Porto Amélia - Pemba - Afonso Henrique Andrade Paes.
- Transcrição - Jornal João Semana - Ovar - 1 de Junho de 2004.

Achámos curiosa e digna de registo esta referência do Dr. Camilo de Araújo Correia, filho do grande escritor João de Araújo Correia, a um Vareiro que conheceu bem em Porto Amélia, Moçambique, publicada no jornal "O Arrais", da Régua.

“(...) No meu tempo, o grande construtor civil de Porto Amélia era o arquitecto Afonso Henriques de Andrade Paes. Os seus camiões amarelos com grandes letras da cada lado (A.H.A.P.) estavam sempre a passar e repassar.

O encarregado das obras de Andrade Paes era um homem simpático, eficiente e surdo. Para ir ouvindo alguma coisa, usava um aparelho. Um aparelho auditivo de quarenta anos... Constava de uma grande pilha metida no bolso do lado esquerdo do peito e de um fio que, partindo daí, terminava numa oliva introduzida no ouvido. Foi este fio que veio a caracterizar o homem de confiança de Andrade Paes. Entre negros era conhecido por "mucunha narame" (senhor arame).

Porto Amélia... Porto Amélia...”
- Camilo de Araújo Correia ("O Arrais")

O Arquitecto Afonso Henriques Andrade Paes, natural de Válega (da família Soares Paes, comerciantes em Ovar), formado na Escola de Belas Artes do Porto, casado com a escritora Glória de Sant’Ana, nossa ilustre colaboradora, partiu, aos 25 anos, para Moçambique, onde fez trabalhos da sua especialidade em Nampula, cidade que o acolheu por 2 anos e onde fez o seu 1° projecto de construção civil, e em Porto Amélia, para onde partiu, a pedido do Governador, que lhe encomendou um projecto de casas sociais, ali constituindo a sua empresa (A.H.A.P) de Arquitectura, Engenharia e Construção.

Obs.: As cidades de Ovar e Peso da Régua são consideradas "Irmãs"... Existe em Ovar a "rua da Régua" e na Régua a "rua das Vareiras".
*Vareiros(as) são designados os naturais de Ovar.

E é bom lembrar e repetir que as ruas e recantos de Pemba sempre irão "falar" deste seu incansável obreiro...
Muitos durienses viveram e visitaram, quando Moçambique era colónia portuguesa, essa bela cidade, capital da província de Cabo Delgado ao norte de Moçambique. E visitam ainda hoje. Por lá também andou e viveu o saudoso jornalista Jaime Ferraz Rodrigues Gabão... e de lá escrevia as inesquecíveis "Cartas de Longe" para o semanário duriense Notícias do Douro. Tudo isso antes de 1975... Tentando preservar algumas imagens dessa época que já é história, aqui deixamos o endereço do ForEver PEMBA (blogue)  que tenta retratar a Porto Amélia de muitos de nós, portugueses e durienses que a conhecemos com encanto e ajudamos a construir.
- J. L. Gabão


(Transferência de arquivos dos sitios "Peso da Régua/Pemba" que serão desativados em breve. Este post  é reproduzido em simultâneo no blogue "Escritos do Douro")

terça-feira, 5 de abril de 2005

O artesão de Pemba...


Transferindo "post" do ForEver Pemba 3:

Entre cidades irmãs fala-se do construtor de Porto Amélia-Pemba

Transcrição - Jornal João Semana - Ovar - 1 de Junho de 2004

Sobre Afonso Henriques Andrade Paes:

Memórias a preto e branco


Achámos curiosa e digna de registo esta referência do Dr. Camilo de Araújo Correia, filho do grande escritor João de Araújo Correia, a um Vareiro que conheceu bem em Porto Amélia, Moçambique, publicada no jornal "O Arrais", da Régua.


“(...) No meu tempo, o grande construtor civil de Porto Amélia era o arquitecto Afonso Henriques de Andrade Paes. Os seus camiões amarelos com grandes letras da cada lado (A.H.A.P.) estavam sempre a passar e repassar.


O encarregado das obras de Andrade Paes era um homem simpático, eficiente e surdo. Para ir ouvindo alguma coisa, usava um aparelho.Um aparelho auditivo de quarenta anos... Constava de uma grande pilha metida no bolso do lado esquerdo do peito e de um fio que, partindo daí, terminava numa oliva introduzida no ouvido. Foi este fio que veio a caracterizar o homem de confiança de Andrade Paes. Entre negros era conhecido por mucunha narame (senhor arame).
Porto Amélia... Porto Amélia...”


Camilo de Araújo Correia ("O Arrais")


...Palavras que valem por uma homenagem:


"...Já tinha lido com muito gosto, ao passar hoje pelo Bar - o original, do Yahoo -, o pedaço da memória que me enviaste. Regressei por momentos aos lugares da minha infância, depois de saltar o muro do outro lado da rua, a caminho da escola D. Francisco de Almeida, atravessando o terreno do hospital, passando à frente da maternidade, indo por ali até saltar o outro muro e chegar ao "estaleiro" da AHAP.
Vim a saber, mais tarde, que faltava o M de Manta. Mas, um dos amigos Andrade Paes esclareceu-me que o M não entrava na sigla porque os camiões e as máquinas não precisavam: não tinham frio!
O que me fascinava eram os dumpers. Ainda dei umas voltinhas à boleia (se o arquitecto Andrade Paes soubesse...).
Ah! quanto às casas sociais, a tua e a minha ali na Rua Capitão Curado são obra dele; aliás, eu "nasci" na casa nova dos meus Pais, quando sairam da Baixa, em 1955. Só não tenho a certeza de que tenham sido essas as primeiras casas sociais feitas pelo saudoso arquitecto.
... ... ...
Obrigado.

ZN..." - 02/06/2004


O Arquitecto Afonso Henriques Andrade Paes, natural de Válega (da família Soares Paes, comerciantes em Ovar), formado na Escola de Belas Artes do Porto, casado com a escritora Glória de Sant’Ana, nossa ilustre colaboradora, partiu, aos 25 anos, para Moçambique, onde fez trabalhos da sua especialidade em Nampula, cidade onde viveu 2 anos e onde fez o seu 1° projecto de construção civil, e em Porto Amélia, para onde partiu, a pedido do Governador, que lhe encomendou um projecto de casas sociais, ali constituindo a sua empresa (A.H.A.P) de Arquitectura, Engenharia e Construção.


Obs.: As cidades de Ovar e Peso da Régua são consideradas "Irmãs"... Existe em Ovar a "rua da Régua" e na Régua a "rua das Vareiras".


*Vareiros(as) são designados os naturais de Ovar.


E é bom lembrar e repetir que as ruas e recantos de Pemba sempre irão "falar" deste seu incansável obreiro... J. L. Gabão
Posted by Hello

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

RECADO PARA PEMBA ! - Onde se recorda Afonso Henriques Manta d' Andrade Paes...

Voto a que os mais velhos e aos que com ele trabalharam, também aos jovens o conhecimento histórico e humano deste homem que deu a maior parte da sua vida a Moçambique.

Afonso Henriques Manta d'Andrade Paes, nasce em Válega distrito de Aveiro em 1924.
Cursa Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes do Porto.
Ainda estudante dá aulas de Inglês e de desenho num colégio em Ovar.
E projecta a entrada do Estádio da Associação Desportiva Ovarense - colunas lisas e altas que ainda lá estão.
Em 1949 casa-se.
Segue depois para Moçambique onde inicia um longo caminho de arquitectura, que começa em Nampula com um projecto para um edifício que se chamará Lopes Cravo - nome do dono.
A convite do Governador do distrito segue para Pemba com a Família ( mulher e dois filhos ) - a fim de com a construção de seis casas de um bairro económico, começar a estruturar a sua empresa de arquitectura, engenharia e construção civil ( A.H.A.P. ) cuja actividade não se circunscreve apenas a Pemba mas se alonga a todo o distrito de Cabo Delgado, e mais tarde ao Chimoio.
Trabalha para o estado, para outras empresas e para particulares, com projectos seus e empreitadas de construção civil.
Uma das suas preocupações é transmitir conhecimentos, tanto aos desenhadores no atelier, como a operários nas obras.
Tem uma característica muito curiosa - quando a trabalhar no estirador muitas vezes lhe vão surgindo soluções no próprio projecto.
É muito exigente e perfeccionista. E tem um enorme espírito inventivo que muitas vezes ultrapassa a época.
Tudo lhe capta a atenção e o engenho.
(Antes da ida para Nampula, onde residiu dois anos, Andrade Paes viveu com a mulher numa plantação de tabaco em Riane - Ribáué, onde desenhou e orientou a contrução de uma ponte de madeira sobre um rio que atravessava a área. Cativou-o também, nesses meses em que viveu no Riane, a cultura do tabaco, o que o levou a estudar o plantio do vegetal e todo o processo inerente até às folhas secas nas estufas).
Segue uma lista de trabalhos efectuados em Pemba - Cabo Delgado:
  1. Um bairro de seis casas económicas.
  2. Várias habitações de particulares.
  3. Cinco casas na praia do Wimbe, aliás casas completas com quatro divisões, banho sanitário e varanda.
  4. Casa de praia do governador, na mesma praia do Wimbe.
  5. Casa de praia da Marinha.
  6. Edifício da Marinha ( 3 andares na cidade ).
  7. Quartel dos fusileiros.
  8. Estádio com um mural pintado por ele.
  9. Decoração do interior do Hotel Cabo Delgado, em madeiras da região,incluindo mobiliário cujo desenho é de sua autoria.
  10. No mesmo hotel o Bar "Barbatana", seguindo a mesma linha de decoração.
  11. Decoração do interior do Montepio de Moçambique em que pela primeira vez é usada escultura Maconde.
  12. Decoração do interior do edifício do Tribunal, em madeiras da região e desenho de sua autoria.
  13. Habitações sociais no bairro do Cariacó.
  14. Edifício da Fazenda.
  15. Armazém para o algodão da empresa Sagal.
  16. Jardins do Palácio do Governador ( desenho e orientação).
  17. Trabalho de urbanização para Montepuez.
  18. Diversas pontes.
  19. Restauro do tecto da Igreja de S.Paulo em Pemba.
  20. Restauro da Mesquita no bairro do Paquitequete.
  21. Quarteis em Mueda.
  22. Esplanada do Bar Marítimo.
  23. Decoração da Gelataria Glaciar, que era simultaneamente casa de chá.
  24. Após elaboração de estudo económico proposto aos serviços respectivos, criação de uma carreira aérea ( OCAPA - Organização de Carreira Aérea de Porto Amélia ) sobrevoava todo o distrito de Cabo Delgado, a distribuir correio e a transportar passageiros. Tinha dois aviões monomotores e um bimotor. A OCAPA fez intercâmbio turístico com as Ilhas Comores. E foi pioneira nas carreiras aéreas em Cabo Delgado.
    Aliás o Arquitecto Andrade Paes foi também delegado do turismo em Cabo Delgado.
    Levado também pelo seu espírito inquieto e de pesquisa exprimentalista - factor da sua personalidade - o Arq.Andrade Paes tinha mais de mil horas de vôo efectuadas nos aviões da OCAPA.
    Porém não quis tirar o brevet.
Após o processo de descolonização e durante o governo de transição, o Arq. Andrade Paes rumou ao Chimoio (Vila Pery) para trabalhando com a empresa Minas Gerais de Moçambique fazer a urbanização de uma área em Mavita, que compreendia:
  • a) Uma fábrica para extracção de asbestos.
  • b) Um bairro de casas económicas para os trabalhadores.
  • c) Um posto médico.
  • d) O traçado de um campo de aviação.
Após a independência, o Arq. Andrade Paes, foi nomeado em Diário da República como um dos arquitectos junto da Presidência em Maputo.
Quando passado o prazo estipulado voltou a Portugal, colaborou no movimento cooperativo SAAL.
Desagregado este movimento, abriu um gabinete de Arquitectura e Topografia no distrito de Aveiro.
Andrade Paes, faleceu em 1987.
Por Glória de Sant'Anna- 04.11.07
.
(transcrição da home Pemba e Régua)
Jornal João Semana - Ovar - 1 de Junho de 2004:
Sobre Afonso Henriques Andrade Paes:
Memórias a preto e branco.
Achámos curiosa e digna de registo esta referência do Dr. Camilo de Araújo Correia, filho do grande escritor João de Araújo Correia, a um Vareiro que conheceu bem em Porto Amélia, Moçambique, publicada no jornal "O Arrais", da Régua.
“(...) No meu tempo, o grande construtor civil de Porto Amélia era o arquitecto Afonso Henriques de Andrade Paes. Os seus camiões amarelos com grandes letras da cada lado (A.H.A.P.) estavam sempre a passar e repassar.
O encarregado das obras de Andrade Paes era um homem simpático, eficiente e surdo. Para ir ouvindo alguma coisa, usava um aparelho.Um aparelho auditivo de quarenta anos... Constava de uma grande pilha metida no bolso do lado esquerdo do peito e de um fio que, partindo daí, terminava numa oliva introduzida no ouvido. Foi este fio que veio a caracterizar o homem de confiança de Andrade Paes. Entre negros era conhecido por mucunha narame (senhor arame).
Porto Amélia... Porto Amélia...”
Camilo de Araújo Correia ("O Arrais")
O Arquitecto Afonso Henriques Andrade Paes, natural de Válega (da família Soares Paes, comerciantes em Ovar), formado na Escola de Belas Artes do Porto, casado com a escritora Glória de Sant’Ana, nossa ilustre colaboradora, partiu, aos 25 anos, para Moçambique, onde fez trabalhos da sua especialidade em Nampula, cidade onde viveu 2 anos e onde fez o seu 1° projecto de construção civil, e em Porto Amélia, para onde partiu, a pedido do Governador, que lhe encomendou um projecto de casas sociais, ali constituindo a sua empresa (A.H.A.P) de Arquitectura, Engenharia e Construção.
Obs.: As cidades de Ovar e Peso da Régua são consideradas "Irmãs"... Existe em Ovar a "rua da Régua" e na Régua a "rua das Vareiras".
*Vareiros(as) são designados os naturais de Ovar.
E é bom lembrar e repetir que as ruas e recantos de
Pemba sempre irão "falar" deste seu incansável obreiro...
J. L. Gabão

terça-feira, 5 de maio de 2009

Buscando no tempo lá pelo Douro: 1º de Maio de 1911

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...

Nesta curiosa foto que, foi tirada à entrada do magnífico Jardim do Peso, no dia 1 de Maio de 1911, aos bombeiros voluntários do Peso da Régua, a qual regista o início de um inédito cortejo, organizado com o objectivo - pensamos nós - de angariar fundos para a aquisição de material de combate aos incêndios.

Esta surpreendente iniciativa terá sido organizada pelo Comandante José Afonso de Oliveira Soares (1893-1927) como forma de chamar a atenção da população para as dificuldades que a instituição estaria a atravessar resultantes, em parte, da grave crise económica que afectava, nesse período de instabilidade política, toda a região duriense, devido, segundo o historiador Gaspar Martins Pereira, à "permanência de uma conjuntura comercial depressiva, com baixas exportações, face às quantidades produzidas e com preços baixos".

Deste insigne Comandante sabemos que exerceu funções de chefe da secretaria na Câmara Municipal. Todavia, era homem mais conhecido e admirado pelos seus talentos - um dotado artista que escrevia, desenhava (em 1925 desenhou o primeiro projecto do Quartel dos Bombeiros que, caso fosse escolhido, em nada perderia para o actual), fotografava e pintava.

Não estaremos longe da verdade, ao admitir que ele terá idealizado e concretizado a concepção figurativa do carro alegórico (conduzido pelo chefe de esquadra José Maria Leite), que pretendia simbolizar, através recriação de casa a ser salva das chamas do fogo, pelos bombeiros em cima de uma escada, umas das suas mais nobres missões mais que lhe são acometidas.

Mas esta bela imagem, reúne outros pormenores significativos a título de subsídios para a história da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua. Realce-se, por exemplo, a dedicação e o altruísmo subjacentes à presença dos bombeiros que acompanham o cortejo; o importante apoio da população expresso na assistência; e, ainda, o orgulho em servir uma causa, facto estampado na dignidade do pessoal formado, entre o qual o porta-estandarte, cuja firmeza como transporta o símbolo máximo da associação traduz o mais sério compromisso institucional na protecção das vidas e bens da comunidade ali representada.

O Comandante José Afonso Oliveira Soares, perto dessa data, no seu livro “Apontamentos para a História da Vila de Peso da Régua”, publicado em 1907, no capítulo dedicado às origens da Associação, refere que “o corpo activo da associação era composto de três esquadras e possui mais meios e melhor material, que adquiriu logo que, com o abastecimento de águas da vila foram estabelecidas as bocas de incêndios municipais”.

E, como conhecia as origens da Associação e os seus primeiros anos de vida, confessa em tão notável livro, mais tarde convertido no manual da história da cidade: “ (…) apesar das diligências que alguns dos seus sócios activos têm empregado, ainda não tem o material que de um momento para o outro lhe pode ser necessário”.

Em homenagem ao comandante e para que fiquemos a conhecer melhor a respectiva personalidade, citamos o grande escritor duriense João de Araújo Correia, segundo a crónica intitulada "Configurações", do seu livro "Horas Mortas", na qual faz o retrato do homem e do artista:

“José Afonso Oliveira Soares, faleceu a 21 de Outubro de 1939, com oitenta e sete anos de idade completos, tinha merecido o título de decano dos jornalistas de província. Mas, não foi só jornalista. Foi desenhador, gravador, modelador e pintor. Tinha mãos e espírito suficientes para ir muito longe, no caminho da glória, se não tivesse vivido em sáfaro de escolas, estímulos, entusiasmos…Também lhe empeceu, diga-se a verdade, o feitio dispersivo. Foi diletante. Comprazia-se em volitar, de flor em flor, no campo da cultura. Homem sereno, risonho e comodista, seria incapaz de esforço orientado em sentido único. Foi ainda um notável entre vizinhos comerciais -ele, que foi artista. Barba branca e cachimbo simbolizaram a sua distinção, anos e anos, na vila de Peso da Régua, que sem lhe quis bem, porque o Senhor Soares, à parte os seus talentos, tinha o dom da bonomia inalterável.

Não sei em que jornal antigo publicou o Senhor Soares uma espécie de ensaio que intitulou Configurações. Nele deu conta de diversas figuras desenhadas pelo vento, pelo calor e pela humidade em paredes velhas. Uma dessas figuras que reproduziu no seu estudo era um guerreiro de lança em punho, elmo emplumado e viseira caída.
(…)
Não me lembram outras figuras que acompanhavam o ensaio, a prosa despreocupada do Senhor Soares. Lembra-me o guerreiro – e é quanto basta.”

Depois das palavras de João de Araújo Correia, nada mais há a acrescentar sobre este grande comandante dos Bombeiros do Peso da Régua, exceptuando a referência de que a sua memória se encontra perpetuada através de um busto, erguido no Jardim do Cruzeiro, o qual não só honra o passado dos bombeiros como a história da própria cidade do Peso da Régua.
- Peso da Régua, Maio de 2009, José Alfredo Almeida.

- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:

  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Uma instrução dos bombeiros no cais fluvial da Régua - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui!
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

- Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição Virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Falar sobre os Bombeiros da Régua

Jaime Luis V. F. Gabão

Falar sobre os Bombeiros da Régua não é difícil para as gentes da Régua. Ao longo da vida e do tempo acompanham-nos em um quotidiano repleto de episódios reveladores de abnegação, doação ao semelhante, generosidade desinteressada, modelos de coragem, sacrifício e por aí adiante. Difícil é para quem como eu, nado e criado até aos 9 anos de idade na sempre estimada Peso da Régua e posteriormente emigrou por força do destino e das circunstâncias para lugares distantes que juntam África, Europa e América do Sul, detalhar o caminho grandioso e beneficente para com o povo vareiro, traçado por essa Instituição já centenária em período no qual, sem abandonar espiritualmente as raízes, só vivenciei fatos da Régua por notícias, por cartas e testemunho de meu saudoso Pai, Jaime Ferraz Rodrigues Gabão quando vivo, também por estadias curtas no berço pátrio para colmatar saudades ou ainda por relatos de Amigos.
No entanto, apesar dessa ‘ausência’, dois acontecimentos marcam nitidamente a minha memoria. Um é o ‘grito’ angustiado da sirene instalada no característico ‘quartel antigo’ dos bombeiros, que ecoava tristemente por toda a Régua na minha meninice feliz, chamando os soldados da paz, ‘grito’ quase desesperado, representativo do acontecer de algum drama em algum lugar, como tantos que o Amigo Dr. José Alfredo Almeida vem descrevendo no Escritos do Douro e vou absorvendo-editando aqui pelos trópicos como se na Régua estivesse fisicamente, fruindo deste ‘milagre’ da comunicação e da informação que é a internet e que tanto nos aproxima. De tal forma ficava apavorado e trémulo em minha ingénua meninice, que buscava aconchego nos braços de minha Querida Mãe Nair ao ouvir essa sirene aflitiva, assim ela me contava... E o segundo, refere o dramático e tantas vezes evocado incêndio da Casa Viúva Lopes, já assim descrito por mim: “Na dramática noite do dia 8 de Agosto de 1953 eu estava lá, em frente à estação da Régua, junto ao muro que dá para o rio Douro, a assistir ao dantesco espetáculo. Com seis anos de idade na época, acompanhava meu Pai Jaime Ferraz Rodrigues Gabão. Nunca saiu de minha memória a beleza assustadora e dramática das chamas envolvendo o edifício enorme da Casa Viúva Lopes. Foi experiência que marca minhas lembranças com nitidez impressionante até aos dias de hoje!”. Dessa data e desse espetáculo belo, dantesco e triste emoldurado pelas sombras de uma noite de verão há 58 anos passados, resultou a morte do Bombeiro João Gomes Figueiredo, também conhecido por João dos Óculos e que o  mestre da escrita do Douro, João de Araújo Correia, homenageou em “HISTÓRIA DE UM SONETO” que pode ser lido aqui (Escritos do Douro).

Em outras paragens, os Bombeiros são-no por profissão. Auferem salário e a isso se dedicam inteiramente. Na Régua não, contava-me meu Pai, ainda em Porto Amélia-Moçambique, enquanto redigia as suas ‘Cartas de Longe’ para o ‘Notícias do Douro’ publicadas nos anos 60/70 ou à mesa de nossa casa africana, em refeições com sabor a Douro e Trás-os-Montes, elaboradas pela mão atinada de minha Querida Mãe e compartilhadas por reguenses como meu estimado Irmão Júlio Gabão, o Guedes tipógrafo, o marinheiro de fragata Zagalo, o Major Leite Pereira, ou mais destacados nas letras como o alferes Manuel Coutinho Nogueira Borges, o tenente médico Dr. Camilo de Araújo Correia (filho de João de Araújo Correia, escritores já falecidos). Todos eles, pela guerra colonial de então ou em busca de uma vida melhor, iam parar em terras de Cabo Delgado e em nossa sala de visitas sempre hospitaleira e de portas franqueadas, amenizando saudades em longas conversas dulcificadas e entremeadas por saborosos cálices de Porto e acepipes culinários, nas tardes domingueiras ensolaradas ou anoiteceres quentes de cacimbo africanas.
Pois e como dizia acima, na Régua os bombeiros são-no por amadorismo e doação desinteressada. Uns trabalham no campo, outros são empregados de balcão, outros sapateiros, comerciantes e assim para diante. E, sem proveito material adicional, nas horas vagas ou, quando avocados pela tal sirene, são Bombeiros da Régua e de todos que precisam de socorro e ajuda. Como ininterruptamente aconteceu afinal, quando no antigo e hoje abandonado cinema sentíamos a segurança tranquila da sua presença física durante as projeções, quando as velhas bancadas de madeira do campo de futebol do Peso, nos anos 50, desmoronaram (e eu junto) repletas de adeptos do SC da Régua, quando de plantão para qualquer eventual acidente em corridas de motos realizadas na beira-rio (organizadas também pelo SC da Régua de que meu Pai era diretor), quando o autocarro com estudantes se despenhou da ponte, quando as ainda existentes casas construídas à moda antiga em esqueleto de madeira se incendeiam, quando os pinhais e montes são desgastados pelo fogo do estio, quando alguém submerge no rio Douro ou quando o mesmo rio Douro, corre farto lá de Espanha e estende com indiferença fria suas águas, transformando em leito as ruas e caminhos da Régua, quando algum automóvel se acidenta nas encostas do Marão, quando alguma pessoa adoece e precisa de uma ambulância que o leve à saúde num hospital do Porto ou mais distante até, quando acompanham à última morada pessoa querida, quando e ainda hoje (assim lemos na internet) acodem um barco de turismo avariado, repleto de viajantes admiradores das belezas do recanto fluvial duriense...,  tudo e sempre num comportamento de grandeza e generosidade, sem diferenças sociais, que sobrevém ao longo de nossas vidas desde que, em “1842, a Câmara Municipal do Peso da Régua resolveu enviar um representante à Câmara dos Deputados a solicitar a concessão de uma bomba, para que na vila se pudesse acudir aos incêndios que por cá deflagrassem” e, mais tarde, quando em “28 de Novembro de 1880, nascia a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua ou Real Associação Humanitária, comandada por Manuel Maria de Magalhães”...

E tivesse eu a sabedoria atilada e conhecimento de meu querido, saudoso Pai e de Amigos que pela Régua e arredores pelejam e escrevem, permaneceria horas a fio ‘falando’ sobre os Bombeiros da Régua, contando a ode de seres anônimos, de parentes, de heróis em feitos exemplares, já fenecidos como seres físicos, mas não esquecidos como entes imortais participantes da minha vida, de muitas vidas, da História da Régua e de um dos seus maiores patrimônios, num hoje ininterrupto, estruturado e continuado na pujança de jovens Bombeiros sempre Voluntários.
Portanto, repetirei e para terminar este meu ‘desabafo’ provocado pelo Amigo José Alfredo Almeida, que é para eles e por tudo que representam minha inabalável admiração!
30 de Julho de 2011
Este post também pode ser lido no Blogue "Escritos do Douro"
Texto e edição de Jaime Luis Gabão. Colaboração de imagens do Dr. José Alfredo Almeida para o blogue "Escritos do Douro" em Agosto de 2011. Clique nas imagens acima para ampliar.

Falar sobre os Bombeiros da Régua
Jornal "O Arrais", Quinta feira, 11 de Agosto de 2011
(Click com o "rato/mouse" para ampliar e ler)

sábado, 12 de novembro de 2011

Carta para o Dr. Camilo de Araújo Correia

Meu saudoso Amigo:

Faço votos para que esta o vá encontrar de modo igual ao que costumava ser enquanto por cá andou: sereno mas acutilante, especulativo mas pragmático, de bem com a vida mas adversário do fingimento.


Agora, em Canelas, não sei como será, mas idealizo o mesmo. A morte não esquece o que foi a vida quando a lembrança se perpetua, não acha? Fui lá uma vez, pousei uma rosafalei consigo, mas não me ligou nada; até pensei que estivesse a mostrar-se amuado por demorar tanto tempo a visitá-lo. Ou, então, estaria muito atento ao que lhe diziam os que estão ao seu lado… Bem - pensei para mim – deve estar por aí a conversar com algum conhecido,  e como não tem relógio esqueceu-se da sua morada. Vim embora porque, mais tarde ou mais cedo, lá chegará a hora de pormos a conversa em dia.


Mas, sabe, imagino-o a escrever crónicas nos jornais do céu, a causticar os anjos armados em santinhos ou santinhas (ainda ninguém descobriu o sexo deles, não é meu amigo?), todos muito puritanos a dar lições de moral e, nas sombras, a concretizar o adágio dos simulados: «Olha  para o que eu digo e não para o que eu faço.» Talvez tenha descoberto por aí daquelas espécimes que olham de alto como quem palita os dentes ou arrota postas de vitela, e a tentação de os apontar seja tanta que não o deixe ficar calado. Para o céu deve ir – sou eu a pensar, claro – muito tipo de gente, pois a misericórdia divina não tem limites. Por cotejo com o que me ensinaram na catequese (belos tempos!), acho que ele deve ser habitado esmagadoramente pelos honestos, os construtores da palavra, os que fogem da falsidade e do descaramento, os que conhecem a grandeza humana e a sua antítese,  os que respeitam o medo mas repelem a cobardia, os que não fantasiam  amar os pobres nem pedem publicidade para a  oferta, os que sabem que a verdadeira fortuna é ter o  essencial que dê dignidade à vida, à vida de todos. Por isso, deve-lhe meter impressão ver aí de tudo como na farmácia. Para desenfastiar já deve ter escrito outro Livro de Andanças, viajante que é dessas terras e caminhos etéreos. Deve ser uma pena não haver aí um Palácio da Loucura para uma reedição de Coimbra Minha… Olhe, vá ouvindo umas anedotas do mano João…
Escrevo-lhe dentro do carro, com o bloco assente no volante, diante do mar, na praia nortenha de que seu Pai mais gostava. Tenho memória recente de corpos na areia, tostando a celulite ou a silicone (uma pessoa já nem sabe). Ao longe, na linha do infinito, um barco, largado de Leixões, afunda-se na vertigem da lonjura. Recordo-me de África; sei-a do outro lado do mundo, resplandecente e imensa, vermelha e abrasadora. Aquele Moçambique para onde fomos em datas diferentes, a Porto Amélia do Paquitequete e dos corais, da casa do Jaime Gabão e da mesa da D. Nair, daquela fraternidade e daquela mágoa de ver o Lança Pires esticado num Unimog,  ele que fora só à Serra  Mapé,  em Macomia,  visitar colegas de escola.


A sua lembrança, meu saudoso amigo, quando lá cheguei, ainda pairava nos exíguos corredores do hospital, nas esplanadas da Jerónimo Romero, nos serões das lendas do algodão da pensão Miramar e nas gentes que lhe conheceram o jeito e a dádiva.


Neste jornal, onde na sua última página escreveu centenas e centenas – sei lá milhares - de crónicas (foi uma pena não ter coligido as principais num volume, como alguns lhe disseram), retratou o esmagamento da savana e a aventura duma caçada, a cumplicidade da temba, o espasmo sanguíneo do pôr-de-sol,  o êxtase dos cheiros e dos sons do mato, a sensualidade da mulher africana, o orgasmo do nascer dos dias e a angústia dos anoiteceres suados.


Consigo aprendi muito do que é a verticalidade e a honradez intelectual, o horror aos sevandijas e aos excessos dos humanos. Aprendi que tanto se pode subir até tocar a platina como descer até nos ferirmos no alumínio…


Mas, perguntará, «este só agora é que me escreve?» Eu digo-lhe: aqui na Régua, terra a que sempre chamou sua apesar de ter nascido na Invicta, andou tudo numa fona por causa de um Congresso de Bombeiros. O José Alfredo Almeida, aquele jovem com um sorriso do tamanho da generosidade, que está, agora, à frente da Associação, tomou a peito a organização, publicou até um livro sobre a História desses homens que dão o corpo ao manifesto – quantos a alma – pela nossa segurança, e tão pouco recebem desta sociedade egoísta, tantas vezes denunciada com a precisão da sua pena. Sabe que foi considerado o melhor acontecimento do género realizado na Pátria? São os que vieram de fora a confirmá-lo sem ciumeiras. Que, diabo, também somos capazes não é?...
Lembrei-me muito de si nesta altura, que, entre 1964 e 1965, foi presidente da sua Direcção, seu médico, director do Vida por Vida e titular da Medalha de Ouro. E tenho – caramba! – saudades de si. Há dias fui à pasta onde guardo as suas cartas - as lembranças que elas me trouxeram! Piadas de gargalhadas cerebrais, ironias tão subtis que sintetizavam a mordacidade total, tolerância de escrita, protestos cúmplices pelo desaforo social, ideias e conselhos de quem conhecia a literatura, as suas gentes e os seus modos…


Cai uma chuva triste, de luto pelo Verão que se foi, parece um choro celestial, um gemido dos deuses desgostosos com este mundo comando pela falta de idoneidade, uma saudade enorme daqueles de quem gostámos e nos deixaram do mundo dos sorrisos. O dr. Camilo nota por aí alguma revolta Divina, algum sentimento de pena por estes terráqueos que já se cansaram de lhes irem ao bolso, assaltados à lei (des)armada, como quem limpa fraldas a meninos?  Diga-LHE para vir cá abaixo pôr ordem nestes Montes Pintados e  nestes Caminhos Velhos e Novos, nestes Assentos e Jurisdições, nestas Sedes e Filiais, nestas Desesperanças e Ódios. E se ELE não vier, que mande um novo Cristo com um cajado na mão para expulsar toda a canalha da Terra. Peça-lhe isso, não se esqueça…


Vou-me despedir, imitando-o nos momentos de emoção: «RAIO!»
 - Novembro de 2011 - M. Nogueira Borges
Memória dos Nossos Bombeiros - Carta  para o Dr. Camilo de Araújo Correia 
Jornal "O Arrais", quinta-Feira, 10 de Novembro de 2011
(Click com o "rato/mouse" para ampliar e ler)


Texto de M. Nogueira Borges publicado com autorização do autor neste blogue e no semanário regional 'O Arrais" (10/11/2011). Clique  nas imagens acima para ampliar.  2 imagens cedidas pelo Dr. José Alfredo Almeida e editadas para este blogue. Edição de J. L. Gabão para os blogues "Escritos do Douro" e "ForEver PEMBA" em Novembro de 2011.