domingo, 21 de maio de 2006

População de Nangade quer ministros e deputados na base.



Populares do histórico distrito de Nangade, província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, querem que os membros do Governo estejam permanentemente a trabalhar no terreno e não apenas quando estiverem integrados numa delegação ao mais alto nível. Para além dos membros do Executivo, as populações também querem entender o que é que os deputados da Assembleia da República têm estado a fazer para lhes ajudar a resolver os problemas que têm enfrentado na luta contra a pobreza no país, pois, segundo os populares, a acção dos parlamentares não se faz sentir.
Maputo, Sábado, 20 de Maio de 2006:: Notícias
Esta e outras exigências foram apresentadas durante um encontro entre o presidente Armando Guebuza e a população de Nangade, no âmbito da sua presidência aberta levada a cabo pelo chefe do Estado e que, desta feita, abrangeu as províncias de Tete, Zambézia, na região centro, e Cabo Delgado, no extremo nordeste do país. Um dos populares que se expressou neste sentido foi Ismael Nincatica que, sem "papas na língua", fez questão de deixar claro que as populações entendem quão é que Guebuza está comprometido com as populações, facto que, segundo disse, não acontece com a maior parte dos restantes membros do Governo, bem como por parte dos parlamentares. O pronunciamento deste popular aconteceu depois de o presidente Guebuza ter, em pleno comício ocorrido na vila-sede do distrito de Nangade, aberto um espaço no qual os seus acompanhantes se apresentaram à população, tal como tem sido hábito sempre que Guebuza orienta comícios populares. "Os ministros, que se apresentaram, não podem esperar que o presidente venha para aqui para também cá se deslocarem. Nós queremos que eles estejam connosco sempre que possível, e não unicamente na presença do presidente", Ismael Nincatica, ante uma grande ovação das centenas de pessoas presentes que, de livre vontade, se concentraram num local previamente preparado para ouvirem e dialogar com Guebuza. Este pronunciamento tinha em vista tornar claro que o contacto com as bases não pode ser unicamente estratégia do presidente Guebuza, mas sim de todos aqueles que aceitaram servir o povo. Por outro lado, a fonte pediu para que o presidente, na qualidade de chefe do Estado, encontre formas de obrigar os deputados a terem cultura de contacto permanente com as bases, porque, justificou, foram "eleitos pelo povo e é no povo onde eles devem centrar as suas acções". Outros populares, que aceitaram falar à AIM, em Nangade, exemplificaram que este assunto não é para menos, pois quem tem o poder de decidir sobre qualquer assunto tem de o fazer com real conhecimento do que se passa no terreno. "Alguns membros se apresentaram pela primeira vez em público aqui em Nangade agora que o presidente aqui se deslocou. Até que alguns podem estar a pisar este ponto pela primeira vez, e quem sabe tantos outros", afirmaram, sem, contudo, apontarem nomes. Nangade é um distrito que entrou para a história do país por ter sido um dos pontos determinantes para o início e sucesso da luta armada de libertação nacional contra a dominação colonial portuguesa. Mesmo perante esta situação, que poderá estar a afligir outras populações do grande Moçambique, Guebuza não deixou de vincar a sua determinação em centrar a governação a nível do distrito, por este ser uma estrutura próxima da maioria da população moçambicana. A AIM quis saber junto do Ministro da Administração Estatal, Lucas Chomera, sobre o ponto da situação da criação de condições para que o distrito tenha capacidade de gerir os sete biliões de meticais (280000 dólares) que o Governo decidiu, no âmbito da gestão descentralizada de recursos destinados a projectos de desenvolvimento, alocar anualmente a cada um dos 128 distritos.
ALMIRO MAZIVE, da AIM

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