9/30/09

Eleições 2009 Moçambique: Últimas Notícias

:: Boletim publicado pela CIP e AWEPA ::

Na Imprensa Moçambicana:

Maputo, quarta-feira, 30.09.2009 - Vertical, nº 1916 - “CC agiu com base em carácter político”, diz G15 - “A comunidade internacional deve decretar sanções económicas e políticas imediatas e incondicionais ao Governo moçambicano por este não respeitar e não fazer respeitar os princípios básicos da democracia e consequentemente o atropelo dos protocolos e das leis nacionais e internacionais”.

Os Partidos Políticos excluidos parcial e/ou totalmente das eleições Legislativas de 28 de Outubro próximo - em acórdãos separados - contestam a decisão e fazem “exigências para garantir a estabilidade no país”. Francisco Campira, porta-voz de 15 forças políticas sublinhou que houve injustiça nas decisões dos dois órgãos, insistindo no cumprimento rigoroso dos riquisitos exigidos por Lei, ou melhor: “cancelamento imediato da campanha eleitoral, demissão imediata e em bloco dos membros do CC e dos órgãos eleitorais, nomeadamente Comissão Nacional de Eleições (CNE) e Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE)”, além de uma convocação pelo Presidente da República (PR) Armando Guebuza, de uma sessão extraordinária da Assembleia da República (AR) para analizar o actual processo político-eleitoral.

Composto pelos partidos PASOMO, SOL, UD, UNO, UPM, PIMNO, PANAMO, PUMILD, PPLM, MPD, UDM, PARENA, Ecologistas, PT e coligação EU, alertam ainda sobre a necessidade da intervenção da SADC e UA, para a tomada de acções contundentes de forma a repor a ordem democrática e jurídica revistas na Constituição e nas demais eis e, “o levantamento da revolta popular, através de manifestações pacificas em todo o país e a abstenção nas urnas”.

Os partidos políticos consideram que “uma mão estranha determinou o afastamento dos partidos, sem olhar para as repercussões que poderão advir da exclusão dos candidatos e dos milhares de moçambicanos que ficarão fora deste processo”, disse o porta-voz do Grupo dos 15, e/ou G15. (redacção e J.Z).

- Principais títulos de hoje na mídia impressa moçambicana:

  • 30/09/2009 Eleições 2009-Boletim nº. 9 sobre o processo político em Moçambique: CC rejeita recurso do MDM e diz que MDM tem falta de candidatos;
  • 30/09/2009 Canal Livre -Ano 1 nº. 48: “Frelimo fomenta medo e terror em Gaza” acusa MDM;
  • 30/09/2009 Canal Livre - Ano 1 nº. 48: Canal de Opinião por Manuel de Araújo - E caiu o pano – CC HOMÓLOGA CNE!
  • 30/09/2009 Canal Livre - Ano 1 nº. 48: Na Assembleia da República Frelimo e Renamo unem-se para expulsar deputados que concorrem pelo MDM;
  • 30/09/2009 Canal Livre - Ano 1 nº. 48: Violência na caça ao voto em Tete - Caravana da Renamo atacada no distrito de Chiuta;
  • 30/09/2009 Canal Livre - Ano 1 nº. 48: Chefe de Relações Públicas do Governo provincial de Tete ameaça jornalista do Canal de Moçambique;
  • 30/09/2009 Diário de Notícias – Edição 1483: Partidos políticos excluídos dizem que vão provocar “revolta” popular e sabotagem;
  • 30/09/2009 Diário de Notícias – Edição 1483: Frelimo e MDM “choramingam”;
  • 30/09/2009 MédiaFAX - Edição 4383: Caso o processo eleitoral não seja adiado, excluídos ameaçam apelar à abstenção;
  • 30/09/2009 MédiaFAX - Edição 4383: Em Maputo para analisar a decisão do CC, Daviz Simango interrompe campanha;
  • 30/09/2009 Vertical - Edição 1916: EDITORIAL - DEMOCRACIA À MANEIRA MOÇAMBICANA E/OU LIÇÕES APRENDER NO FUTURO.

Ronda pela Imprensa brasileira: Onde se fala de ditadores, Honduras, Irã, Brasil e determinadas simpatias políticas.

Jornal Folha de São Paulo - Editorial - via blog do Noblat:

O Brasil se intromete mais do que deve em Honduras e toma atitude estranha de negar-se ao diálogo com governo de fato.

O envolvimento do Brasil na crise hondurenha foi além do razoável, e provavelmente o Itamaraty já perdeu a capacidade de mediar o impasse. É preciso dar um passo atrás e recuperar a equidistância em relação seja à intransigência de um governo ilegítimo, seja a uma plataforma, dita bolivariana, descompromissada com a democracia.

O Brasil perdeu o mando sobre sua embaixada em Tegucigalpa. A casa está ocupada por cerca de 60 militantes, que acompanham o presidente deposto, Manuel Zelaya. Devido à omissão do governo brasileiro, Zelaya e seu séquito transformaram uma representação diplomática estrangeira numa tribuna e num escritório político privilegiados.

O salvo-conduto para o proselitismo chegou ao ápice no sábado. De dentro da embaixada brasileira, Zelaya conclamou a população do país à revolta. Se o Brasil considera o presidente deposto seu "hóspede", deve impor-lhe a regra fundamental da hospitalidade diplomática: calar-se sobre temas políticos internos. Do contrário, caracteriza-se intromissão de um país estrangeiro em assuntos domésticos hondurenhos.

A propósito, terá o Itamaraty controle sobre todos os cidadãos alojados em sua representação? Sabe, de cada um, a nacionalidade e o motivo de estar ali? O abrigo deveria restringir-se a Zelaya e seus familiares próximos; todos os demais precisam ser retirados da embaixada. Não cabe ao Brasil hospedar a guarda pretoriana do presidente deposto.

Outra posição cada vez mais estranha do Brasil é a recusa absoluta de negociar com o governo interino de Roberto Micheletti. Tal intransigência contraria a tradição diplomática do Itamaraty, não contribui para a dissolução do impasse e cai como uma luva para o objetivo do chavismo -interessado em prolongar a desestabilização política em Honduras.

O presidente Lula negocia com a ditadura cubana e a favor dela interveio na Assembleia Geral da ONU. Em Nova York, afagou o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que acabava de reiterar a negação do Holocausto e ser flagrado em nova trapaça nuclear.

Logo depois, na Venezuela, Lula se reuniu com golpistas africanos e ditadores homicidas do continente, como Robert Mugabe (Zimbábue) e Muammar Gaddafi (Líbia) -o líder sanguinário do Sudão não pôde comparecer porque poderia ser preso numa conexão aérea.

O regime chefiado por Roberto Micheletti em Honduras ocupa categoria bem mais tênue de ilegitimidade democrática. Violou a Constituição ao expulsar do país um presidente eleito, quando a ordem da Corte Suprema era de prender Zelaya, por afronta a essa mesma Carta.

O governo interino, contudo, respeitou a linha sucessória constitucional, assegurou o poder em mãos civis e manteve o calendário das eleições presidenciais, marcadas para 29 de novembro.

O Brasil precisa recobrar a lucidez diplomática - e, com ela, a sua capacidade de mediação.

Ajudar a dissolver o impasse é a melhor contribuição que o Itamaraty tem a oferecer no caso de Honduras.

9/29/09

Moçambique e o desmatamento...



Sacos de carvão empilhados ao longo das rodovias em todo o Moçambique são uma visão comum.

O carvão vegetal é popular porque é barato, de fácil transporte e queima mais do que madeira. E é uma próspera indústria que suporta muitas famílias pobres em todo do país.

Mas a crescente demanda por carvão vegetal está a afectar as florestas... ... ...

9/28/09

Moçambicano Carlos Fragoso, ex-presidente da Direcção Nacional de Estradas e Pontes de Moçambique (DNEP) citado em caso de corrupção internacional

CORRUPÇÃO EM MOÇAMBIQUE - Empresa inglesa distribuiu subornos em Angola e Moçambique: A Mabey and Johnson, empresa de construção de pontes, tornou-se na primeira companhia britânica a ser condenada por subornar políticos estrangeiros, incluindo responsáveis angolanos e moçambicanos, noticiou hoje o jornal The Guardian.

Um tribunal londrino revelou sexta-feira a identidade de 12 pessoas, de seis países, que terão recebido subornos da Mabey and Johnson para garantir que a construtora ganhasse diversos contratos de construção de pontes em diferentes países, acrescentou o jornal.

Entre as pessoas nomeadas pelo jornal figuram dois angolanos, António Góis, antigo director geral da agência estatal angolana de pontes, que terá recebido subornos no valor de 1,2 milhões de dólares (818 mil euros), e João Fucungo, antigo director do mesmo órgão, que terá encaixado 13 mil dólares (8,9 mil euros).

Também o moçambicano Carlos Fragoso, antigo presidente da Direcção Nacional de Estradas e Pontes de Moçambique (DNEP), terá sido aliciado com 286 mil libras (312 mil euros) para favorecer a concessão de contratos à empresa inglesa, acrescenta o jornal.

As restantes nove pessoas envolvidas no processo são oriundas do Gana, do Madagascar, da Jamaica e do Bangladesh, todas elas com cargos políticos de relevo.

A Mabey and Johnson declarou-se culpada das acusações de corrupção, numa decisão inédita no Reino Unido, que levará ao pagamento de mais de 6,5 milhões de libras (7 milhões de euros) entre multas e compensações aos governos estrangeiros envolvidos.

A empresa anunciou que, no seguimento do processo, irá promover uma reforma, parar de fazer pagamentos corruptos e despedir cinco executivos.

Timothy Langdale, responsável da Mabey and Johnson (empresa que pertence a uma das famílias mais ricas do Reino Unido), garantiu que vai nascer «uma nova companhia».

As autoridades britânicas concentram-se agora no processo movido contra a BAE, gigante britânico da indústria do armamento, que tem até quarta-feira para se pronunciar sobre as acusações que recaiem sobre si pela mesma suspetia de práticas de corrupção sobre políticos estrangeiros.
- Lusa / SOL .

9/25/09

Galeria de Arte Moçambicana na internet

Foi lançado ontem em Maputo no Consulado Geral de Portugal o site Galeria de Arte Moçambicana e Internacional - http://www.interseccoes.net/. Este site nasce na perspectiva da prossecução da ideia-chave que esteve na base da organização da exposição de Artes Plásticas ''intersecções", exposição que está ainda patente nas instalações do Consulado.

Assim sendo, o site inicia-se com esta mostra, pretendendo-se para ele fazer confluir, no futuro, eventos que traduzem ou permitam cruzamentos de obras de autores moçambicanos que se cruzaram com outros paises, e autores portugueses e outros que se cruzaram com o universo moçambicano.

Expõem em "Intersecções" os artistas plásticos Malangatana, Chichorro, Sitoe, Dito, Idasse, Ciro Pereira, Mazula, Geraldes, João Tinga, Sérgio Veiga e Sônia Sultane.
- Redacção, Diário Independente, Maputo, 24 de Setembro de 2009.

9/23/09

Nostalgia - Um conto de Allman Ndyoko (Francisco Absalão)

(Fotografia original realizada em praia de Fortaleza-Ceará-Brasil por Gotael - Clique na imagem para ampliar)

Hoje passei na rua do avô Buanamele na zona de Kumilamba, no histórico bairro de Paquitequete. A sua cadeira de descanso e de movimento ondulante e contínuo balançava na varanda de macuti a sós e ao sabor do vento, inspirando aos transeuntes a melancolia e incredulidade no que sucedera ao fiel companheiro das sextas-feiras à tarde.

A cadeira balançava continuamente no meio da brisa do mar, do murmúrio dos habitantes e das palmeiras bailantes, do grasnar pausado e melódico dos corvos, dos vôos rasantes e atrevidos dos milhafres, do rufar persistente de batuques de tufo, da pacífica convivência do islamismo e cristianismo, da beleza singular das mulheres, do sol abrasador de Setembro, enfim, no meio da doce melodia das linguas kimuane e macua entrelaçados coniventemente ao longo dos séculos.

Na varanda onde sempre avô descansava recitando o alcorão, vestido de túnica branca de neve e cofió com bordados multicolores, simbolo do islamismo, o ambiente era lúgubre; Já não se ouvia mais salama e alihandolilahè ditos de viva voz e nem gargalhadas animadas como era hábito.

No interior da casa, que é de pau-à-pique, rebocada de matope e coberta de macuti, só o miar agudo e insistente de gatos marcava a presença preenchendo o vazio como se reivindicassem a morte do avô ou reclamassem a solidão e o silêncio incómodo que se instalara alí desde que o mar, fiel companheiro do avô, traira-lhe roubando-o a vida e escondendo o corpo nas profundezas verdes das suas águas, numa manhã prateada, de céu acinzentado, chuvoso e de tempestade repentina.

Incrédulo, parei defronte da casa e imperceptivelmente o meu olhar perdeu-se no movimento contínuo da cadeira.

Os transeuntes olhavam a cadeira com curiosidade aguçada que se confundia com medo e respeito e relembravam o avô, certamente, sentado alí com o olhar perdido no horizonte e recolhido em seus pensamentos, numa sexta-feira qualquer após a sua habitual reza na mesquita, próxima à casa do sô Ruela, e depois de uma semana intensa de labuta no mar, balançando o corpo de frente para atrás num embalo profundo, de quando em vez, acompanhado de um recital melódico do alcorão aprendido na mocidade distante numa das inúmeras madrassas do Paquite.

O vento soprou suavemente. Pestanejei vezes sem conta e caí na emoção. Dois fios grossos de lágrimas desceram dos cantos dos olhos e precipitaram-se à boca abaixo. Suspirei profundamente. Enchi os pulmões de ar e no instante seguinte libertei-o. Manti-me alí parado como estátua se tratasse e de repente, após um ligeiro redomoinho estranho, ví avô Buanamele sentado na sua cadeira e acenando-me a mão. Tinha um olhar sereno e alegre. Seus lábios cor de mulala tremiam de emoção, deixando à vista os seus únicos quatro dentes incisivos. Tinha bochechas chupadas, olhos perdidos no fundo da órbita, corpo esquelético, pele cansada e profundas rugas na testa. Balançava na cadeira de frente para atrás trajado de túnica, cofió e chinelos de banho, seus vestes habituais às sextas-feira.

Fiz movimento para caminhar. Curiosamente as pernas cederam sem relutância e de seguida caminhei ao seu encontro. Quando me encontrei junto dele, acomodei-me medroso e atentamente na borda da varanda, sem muro, e bem próximo dele.

- Estás com medo? – Inquiriu o avô olhando-me de esguelha.

- Medo? Eu? – Sorri para disfarçar o meu real estado de espírito. – Não, avô.

- Sei que estás... – Sua voz era serena. Tinha aspecto facial descontraido, olhar meio ausente e um sentimento nostálgico. – Mas fique sossegado. Sou inofensivo.

- Obrigado. – Balbuciei.

- Ainda estou de viagem. – Comunicou ele evitando olhar pra mim. – Apenas quís vir reviver os momentos alegres que passei nesta varanda.

Mantive-me calado e com os ouvidos à sua disposição.

- Momentos que ficaram para atrás e na poeira do tempo. – Acrescentou o avô após uma breve pausa. – Anos em que pescadores com caixotes transbordantes de peixes à cabeça passavam de rua-à-rua e beco-à-beco deste bairro gritando de viva voz hopa, hopa, hopa – peixe, peixe, peixe. - e em seguida as mulheres todas lindas, vestidas de blusas de mangas compridas e curtas e capulanas multicolores amarradas à cintura, muitas delas com mussiro no rosto e lábios pintados de mulala, interrompiam os gritos dos pobres pescadores comprando o peixe, polvo e mexilhão que eram medidos aos montes modestos e justos que davam para alimentar meia dúzia de bocas sem grandes sobressaltos.

O avô fez uma pausa, durante o qual pareceu ordenar as suas ideias e depois, prosseguiu:

- Eram momentos em que o mar e os homens viviam em harmonia. Momentos em que o mar obedecia aos homens e os seus recursos pertenciam a todos. – Sorriu feliz com os olhos pregados no céu. Quando baixou-os, acrescentou: - Eram tempos em que os pescadores com os remos atravessados ao ombro e cestos de peixes suspensos na ponta do remo, distribuiam sorrisos à toda gente de tanta satisfação, gabavam-se do ofício que exerciam e viviam dele exclusivamente.

- São, com certeza, momentos que jamais voltarão! – Acrescentei com um tom de voz carregado de profunda tristeza.

- Sem dúvida! – Respondeu-me também com um tom de voz triste.

- Mas acho que nem tudo se perdeu na poeira do tempo.

- Com certeza! – Animou a sua face sulcada de profundas rugas e continuou. – Há coisas que o tempo não apaga! Por exemplo: o rubro que as acácias se revestem de Novembro à Janeiro; o simpático bailar das palmeiras gigantes; o vivo grasnar dos corvos; o azul do mar; a areia branca, macia e solta da praia; o cheiro do mar; as madrugadas prateadas; o pôr do sol silencioso; o bailar espectacular das casquinhas na crista das ondas; o verde do fundo do mar; enfim.

Calou-se. Olhou-me silencioso e depois, disse:

- Tenho que partir. – Arregalou os olhos erguendo as pestanas, encolheu os lábios e de seguida, prosseguiu: - Devem estar a minha espera para a viagem sem retorno.

- Viagem sem retorno? – Inquiri curioso torcendo o pescoço para o avô.

- Sim. – Sussurou inspencionando a nossa volta com os olhos arregalados e com um incómodo sentimento de medo.

- Schh, avô! Como assim? – Incentivei-o a continuar. – Diga-me, por favor, como se faz essa viagem?

Avô manteve-se calado e cabisbaixo. No entanto, baixei os olhos procurando perceber a maldita viagem sem retorno e quando ergui-os, a cadeira do avô balançava à sós. Levantei-me boquiaberto. Revistei o local em vão e rapidamente tratei de sumir dalí com o espírito dominado pelo medo e o corpo repleto de um calafrio estranho que deixava os cabelos tesos.
- Allman Ndioko, 23/08/2009.

- Vocabulário:

Macuti – Palha muito abundante no litoral da zona norte de Moçambique e usado para a cobertura de casa e fabrico de objectos de uso doméstico e pessoal (cestos, chapéus, leques, etç).

Tufo – Dança de mulheres kimuane acompanhada de batuques executados pelos homens.

Salama – Significa como estás? Normalmente usa-se quando se quer saber o estado de saúde doutro. Esta expressão provem do kiswahil e é usada em todas linguas de Cabo Delgado.

Alihandolilahè – Significa graças à Deus. A palavra deriva do Árabe.

Mussiro ou simplesmente n’siro – Pó derivado da fricção de um pedaço de uma árvore muito abundante no norte de Moçambique e usa-se para acrescer a beleza nas mulheres.

Mulala ou n’lala – Escova natural que usado pinta os lábios de um tom alaranjado.

Hópa ou Ihópa – Peixe.

Madrassa – Escola islámica onde aprende-se o alcorão.


- O Autor:
Francisco Absalão;
Nome artístico -Allman Ndyoko;
Nasceu em 11 de Abril de 1977 na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado em Moçambique;
Residência actual - Maputo.

Produto da nova vaga de escritores moçambicanos dos anos 90, cursou História da Literatura Portuguesa, promovido pelo Instituto Camões em parceria com a Faculdade de Letras da Universidade Eduardo Mondlane. Tem textos literários publicados em antologias, como: Histórias do Mar (2005) e Esperança e Certeza II (2008). Venceu os seguintes concursos de contos: Historias do Mar (2005), Contos e Bandas Desenhadas - promovido pelo Instituto Camôes em Maputo/Moçambique (2006). Podem-se encontrar textos literários de sua autoria publicados em várias revistas e jornais electrónicos no Brasil, com destaque para a editora online Blocos e Recanto das Letras.


Este conto e anteriores publicados neste blogue são colaboração direta de Francisco Absalão para o ForEver PEMBA. Contos anteriores de Francisco Absalão publicados no ForEver PEMBA:

  • "Muaziza" - Um conto de Allman Ndyoko (Francisco Absalão) publicado no ForEver PEMBA em 17 de Maio de 2009 - Aqui!
  • "Os Leões do Diabo" - Um conto de Allman Ndyoko (Francisco Absalão) publicado no ForEver PEMBA em 18 de Abril de 2009 - Aqui!
  • "O Navio Ensombrado" - Um conto de Allman Ndyoko (Francisco Absalão) publicado no ForEver PEMBA em 13 de Fevereiro de 2009 - Aqui!
  • "O Incêndio" - Um conto de Allman Ndyoko (Francisco Absalão) publicado no ForEver PEMBA em 23 de Janeiro de 2009 - Aqui!
  • "O Suicídio" - Um conto de de Allman Ndyoko (Francisco Absalão) publicado no ForEver PEMBA em 02 de Junho de 2008 - Aqui!
  • "A Origem - Ou como surgiu o povo Makonde", texto de Francisco Absalão publicado no ForEver PEMBA em 29 de Março de 2008 - Aqui !
  • "O Turbilhão Lendário", texto de Francisco Absalão publicado no ForEver PEMBA em 24 de Outubro de 2007 - Aqui !
  • "O Nó Sagrado", um conto de Allman Ndyoko (Francisco Absalão) - publicado no ForEver PEMBA em 19 de Março de 2008 - Aqui !

Governo de Moçambique pratica política ambiental que destrói a natureza

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"Vai acontecer-nos como a China, que só se preocupou com desenvolvimento e destruiu florestas, hoje as pessoas morrem com poluição diariamente e estão num ponto em que começaram a ver que o ambiente é importante. Agora estão a voltar para trás mas os danos já estão feitos - e agora vêm para o nosso país buscar recursos que eles não têm".

Moçambique - Ong acusa governo de adoptar "políticas ambientais erradas" - Maputo - A organização não-governamental (ONG) moçambicana Justiça Ambiental acusou terça-feira o Governo de Moçambique de adoptar "políticas ambientais erradas" ao concentrar as atenções no desenvolvimento, sem ter em atenção um balanço com as áreas social e económica.

Em declarações à agência Lusa, à margem do lançamento do filme a "Era da Estupidez", em Maputo, Anabela Lemos disse recear pelo caminho que as autoridades moçambicanas decidiram seguir, o de alcançar "desenvolvimento a todo o custo".

"Em Moçambique, estamos em risco com a questão da poluição, minas e iminente exploração de petróleo, que está a começar, mega-barragens ...

Pensar só em mega-projectos como solução de desenvolvimento não é a maneira certa de caminharmos", disse Anabela Lemos.

"Vai acontecer-nos como a China, que só se preocupou com desenvolvimento e destruiu florestas, hoje as pessoas morrem com poluição diariamente e estão num ponto em que começaram a ver que o ambiente é importante. Agora estão a voltar para trás mas os danos já estão feitos - e agora vêm para o nosso país buscar recursos que eles não têm", afirmou.

Em 2006, o Executivo de Maputo indicou a empresa brasileira Camargo Corrêa para estruturar a construção da barragem de Mpanda Nkuwa, obra que está no topo das prioridades do governo, e que pretende vender o excedente da energia produzida a outros países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

A Justiça Ambiental tem tentado dissuadir os bancos chineses de prosseguirem com o financiamento da mega-barragem de Mphanda Nkuwa, advertindo para as consequências ambientais no Vale do Zambeze.

Recentemente, o governo de Maputo autorizou também a Oilmoz a construir uma refinaria em Maputo, avaliada em 8 mil milhões de dólares (5,6 mil milhões de euros), um projecto também contestado devido ao impacto que poderá causar a biodiversidade.

Aliás, devido à proximidade do projecto a uma reserva de elefantes, os investidores viram-se forçados a mudar a localização prevista para aquela infra-estrutura.

Um dos argumentos usados a favor da viabilidade deste projecto, que tem uma capacidade de produção prevista de 350 mil barris por dia, mais de 20 vezes o consumo diário moçambicano, é a possibilidade de exportação para os países vizinhos, sobretudo para a África do Sul, a maior economia da região.

Já no ano passado, a Ayr-Petro-Nacala, da norte-americana Ayr Logistics, anunciou a construção de uma refinaria na cidade portuária de Nacala, na Província de Nampula, Norte de Moçambique.

"Estamos a chegar a um ponto que ninguém leva em consideração os problemas que estarmos a ter e que teremos se continuarmos nesse caminho: desenvolvimento a todo o custo, que é o nosso receio", comentou Anabela Lemos.

"O caminho que estamos a seguir não é certo. O pensamento só no desenvolvimento sem ter em consideração um balanço entre a área social, ambiental e económica, não chega. Não há desenvolvimento sem um balanço entre as três áreas. Nós estamos só preocupados com o desenvolvimento, o que é errado", avisou a ambientalista.

9/22/09

Eleições 2009 Moçambique - Últimas notícias

:: Boletim publicado pela CIP e AWEPA ::

9/21/09

NOVA ÁFRICA: A África de hoje na TV pública do Brasil

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui)
:: Sexta-feira, 25 de setembro, às 22 hs estréia na TV Brasil a série Nova África ::

Pelo tema, pelo trabalho de Maria da Conceição C. Oliveira e pela importância didática, transcrevo na íntegra, do blogue "História em Projetos":
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""NOVA ÁFRICA: Com pés, olhos, mentes e corações na África - Por Conceição Oliveira:

Compreender a África é sumamente um exercício crítico. Uma das suas metas aponta para o desvendamento de realidades encobertas por mitos, ficções e imagens fantasiosas. Indiscutivelmente, ainda que existam visões estereotipadas cultivadas contra outros povos e regiões, a África, mais do que qualquer outro continente, terminou encoberta por um véu de preconceitos que ainda hoje marcam a percepção da sua realidade. (Maurício Waldman, 2006)

Desde a graduação, estimulada e sob orientação da professora Maria Odila e depois da professora Siívia Lara, professor Bob Slenes, professor Sidney Chalhoub, professora Clementina Cunha e, mais recentemente, professor Carlos Serrano, professora Anita Morais, professora Rejane Vecchia a importância dos negros na história de nosso território, assim como a história do continente africano despertaram e ainda muito me interessam.

Ao longo desses mais de 20 anos, às reflexões acadêmicas somaram-se o ativismo na luta contra o racismo e na luta pela inclusão plena à cidadania da população negra brasileira. Por meio do trabalho de formação dos professores, do trabalho de pesquisa e escrita das coleções didáticas de história, por meio dos blogs sempre focando a educação pautada na igualdade étnico-racial e, principalmente para que a 10639/03 se torne realidade em nossas academias e na Educação Básica.

Por isso, foi com imenso prazer e, ao mesmo tempo, ciente do enorme desafio que nos cabia que aceitei o convite do meu amigo, mas antes de tudo, do jornalista sério e responsável que é Luiz Carlos Azenha, para compor esta pequena equipe, formada pela produtora Baboon Filmes, para disputar o Edital da TV Brasil (leia-o aqui e aqui veja a apresentação da equipe no site do Vi o mundo).

Não é um trabalho fácil desconstruir inúmeros estereótipos sobre o continente africano reafirmados ao longo de séculos e vencer os inúmeros silêncios aos quais os próprios africanos foram submetidos. Nossa tarefa será dar conta em 26 programas de 26 minutos cada, divididos em dois blocos, de alguns aspectos que nos foram revelados durante as viagens.

Nova África é acima de tudo uma série jornalística que dá voz e vez aos africanos para que eles próprios falem de seus problemas e soluções. Tocaremos em feridas, problemas de diferentes ordens serão tratados ao longo da série, mas sem perdermos a perspectiva de que os africanos são sujeitos da história, não formam um bloco único e homogêneo nem em termos étnico-culturais, nem políticos, nem econômicos.

Acredito que ao conhecer um pouco mais sobre os diferentes países que visitamos e ainda iremos visitar, o público brasileiro também se impressionará com a enorme capacidade de resistência dos povos africanos.

Ao ver os programas da série vocês conhecerão diferentes atores sociais deste continente: homens e mulheres trabalhadores, ativistas, artistas plásticos, políticos, escritores, cantores etc.
Em minha opinião, temos muito a aprender com a professora Diamantina que vive no Alto Ligonha, na província da Zambézia, Moçambique. Ela dá aulas, em salas rurais com teto de palha e bancos de madeira quase na altura do chão e, muitas vezes, debaixo do cajueiro para 360 alunos! Ela consegue ensiná-los com uma doçura que nos comove.

Temos muito a aprender com a adolescente Belquiça, uma garota Macua da Ilha de Moçambique, que além de ótima aluna, neta carinhosa, dedica parte de seu tempo a tocar um projeto de rádio comunitária e educativa falando dos principais problemas que afetam a população da Ilha.

Seu Germano de Quelimane, cidade nascida em um dos braços do delta do rio Zambeze, por onde passou Vasco da Gama a caminho para as Índias, lembra-me a famosa frase de Euclides da Cunha, mas revisitada: “O africano é antes de tudo um forte”. É preciso ser portador de uma resistência hercúlea para tocar a vida em um país que foi sangrado por séculos por um colonialismo predador, depois achacado por 16 anos de guerra civil violenta e ainda assim tocar a vida, fazendo a diferença.

Nesta nova série eu espero que você aprenda o tanto que aprendi ao visitar e conhecer de perto homens e mulheres como eu e você, crianças e adolescentes como nossos filhos e alunos que, na “África Contemporânea, independentemente da frágil legitimidade de muitos Estados africanos, das suas subvalorizadas economias formais e dos seus simulacros de autoridade institucional, agarram-se à vida e à esperança, ignorando prognósticos negativos e sobrevivendo à margem de instituições, organismos e poderes que procuram acorrentá-los. (Serrano, 2007:35)

Espero que a série Nova África consiga despertar em você a vontade de ler, estudar e conhecer mais sobre este continente que nos é tão próximo, mas ao mesmo tempo tão desconhecido. Lembrando ainda o cuidado que devemos tomar neste esforço de conhecimento/reconhecimento do continente africano, como nos alerta o professor angolano Carlos Serrano: “para além de mero ato de vontade, a desconstrução das imagens negativas do continente faz-se com estudo, conhecimento e compreensão atentos à sua personalidade histórica, geográfica e cultural específica". (Serrano, idem, ibidem)""

Chamada da TV Brasil para a série:


Football Made in Africa: Um projeto televisivo pouco conhecido no mundo de língua portuguesa

Com a Copa do Mundo 2010 na África do Sul aproximando-se, Àfrica aparece naturalmente como assunto...

Não a África da pobreza, da doença, dos conflitos, da corrupção, das divisões tribais, das desigualdades sociais acentuadas, de neo sofisticados colonizadores e das ditaduras onde dominam minorias repletas de privilégios afrontantes que dominam maiorias de miséria e fome, mas sim a África do futebol puro, cheio de arte, de alegria e ingénuo até quando a bola feita de um preservativo rola nos campos arenosos da cidade baixa de Pemba.

:: Football Made in Africa - Um projeto televisivo original de Take Five - Avenue du Roi, 52 - B - 1060 Brussels - Belgium, pouco conhecido ainda no mundo de lingua portuguesa ::



9/17/09

Eleições em Moçambique: O que se escreve nos jornais moçambicanos

Canal de Moçambique, Ano 1 * N.º 40 * Maputo, Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009 - Frelimo só fala das realizações: O partido Frelimo, na província de Maputo, não consegue explicar com clareza o que irá fazer, caso vença as eleições. Até esta 4ª feira, ontem, quando a campanha ia no seu 4º dia, a Brigada da Frelimo na província de Maputo, chefiada por Manuel Chang, ministro das Finanças, estava ainda a falar das realizações do governo no mandato prestes a terminar. A única coisa que vem dizendo ao eleitorado é: “vote na Frelimo e no seu candidato, Armando Guebuza, para continuarmos a combater a pobreza”. Sobre como será combatida tal pobreza, a Frelimo não explica. Não diz o que vai fazer para que os pobres deixem de ser pobres quando no País se sente cada vez com maior agudeza, uma elite governamental a consolidar o seu lote de propriedades enquanto a população tem estado a apertar cada vez mais o cinto.

A reportagem do Canalmoz destacada para cobrir a campanha do partido no poder, ontem, trás o essencial daquilo que foi o trabalho da Frelimo no Município da Matola. A nível do comité da cidade da Matola, uma caravana chefiada por Manuel Chang, fez o seu itinerário seguindo até ao bairro Patrice Lumumba, onde decorreu um comício. Na caravana, simpatizantes da Frelimo entoavam canções enaltecendo o esforço do seu partido, empunhando bandeirolas, distribuindo panfletos e dísticos contendo símbolos e fotos do candidato às presidenciais, Armando Guebuza. O comício orientado por Chang tinha como objectivo pedir votos ao eleitorado local. Falando no momento, Chang disse aos presentes que o partido Frelimo é tudo o que os moçambicanos precisam para verem suas preocupações deixarem de existir.

Chang recordou aos presentes no comício que o governo, dirigido pelo líder do partido no poder, se esforçou o máximo possível para erradicar a pobreza absoluta, o desemprego, o analfabetismo. Não revelou números auditados por entidade independente. Aproveitou o momento para pedir mais votos para candidato da Frelimo, para que este possa no próximo mandado terminar com o trabalho já iniciado, o de resgatar a esperança do povo e proporcionar uma vida melhor ao povo. Não promete futuro melhor. Não fala, desta vez, em evitar-se votar em quem ainda nada tem, mas antes em quem já tem o suficiente para que não precise de ir aos cofres do Estado alimentar as suas contas privadas com a corrupção. Não falou desta vez nem votar-se em quem já tem fortuna que permita guardar bem os cofres do Estado. Os “insaciáveis”, desta vez, parece estarem a evitar dizer que quem ainda não tem o suficiente quer o poder apenas para roubar, uma retórica que se ouviu muito nas eleições anteriores.

Já se viu que quem tem quer mais e mais e mais, pelo que a corrupção tem-se revelado imparável. Mas dela não se ouviu falar pelo menos até agora.

Aposta na OMM - A Campanha da Frelimo na província de Maputo está a apostar essencialmente nas mulheres. O partido no poder está a usar a sua Organização da Mulher Moçambicana (OMM) como seu instrumento para atingir o público eleitor. O grupo de mulheres denominado “OMM de choque” concentrou-se logo as primeiras horas da manhã de ontem, na sede provincial do partido, afim de receberem a agenda sobre o local para escalar. Mas até ao momento em que a nossa equipe de reportagem se retirou do local, por volta das 13 horas, o mesmo grupo ainda não tinha uma agenda específica, tendo terminado a sua propaganda em frente ao comité e um pouco pelo bairro vizinho, bairro “Cinema 700”. Como tem acontecido com vários outros partidos, este grupo de mulheres privilegiou a campanha porta-a-porta, mantendo, desse modo, um contacto interpessoal com eleitorado local.

Segundo explicou a chefe do grupo, Maria Mazive, sendo este um grupo composto apenas por mulheres têm como público-alvo também as mulheres, mas de preferência mães de famílias e idosas. Maria Mazive disse ainda que este tipo de campanha, porta-a-porta, visa criar um ambiente de confiança e convenção com o público-alvo.

Questionada sobre a mensagem do grupo e a sua credibilidade, a fonte disse que leva uma mensagem de esperança de combate à pobreza e de promoção da valorização da mulher, principalmente a mulher doméstica. A fonte indicou como uma das realizações do actual Governo, o recém aprovado instrumento de proibição de violência contra a mulher.

Quanto à credibilidade da sua mensagem transmitida ao eleitorado feminino, a fonte disse que se pode avaliar pelo nível de aderência que, defende, “é maior a cada dia que a caravana passa”. “A nossa mensagem é bem recebida. É só ver quantas mulheres aderem à campanha a cada dia. As mulheres moçambicanas acreditam na nossa mensagem, na Frelimo e no próprio candidato, Armando Guebuza,” vincou Maria Mazive. (António Frades)

Canal de Moçambique, Ano 1 * N.º 40 * Maputo, Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009: “As eleições deviam ser adiadas porque já estão viciadas - Não sou analfabeto e nem demente. Sou médico tal como o Dr Leopoldo da Costa. Só que ele agora além de médico já é palhaço - José Palaço, ex-deputado da AR, sobre presidente da CNE” - Maputo (Canalmoz) - José Palaço, antigo deputado e chefe de bancada pela União Democrática (UD) na primeira legislatura e ex-membro da Comissão Permanente da mesma, apelou que as eleições marcadas para o dia 28 de Outubro próxima sejam adiadas porque já estão viciadas e chegou mesmo a dizer que o presidente da CNE é um “palhaço”.

José Palaço encontrava-se no debate agendado com presidente da CNE no Parlamente Juvenil a que Leopoldo da Costa faltou.

Quanto ao Dr. Leopoldo que até a semana passada acumulava o cargo de presidente da CNE com o cargo de reitor do ISCTEM violando também dessa forma a Lei que proíbe terminantemente que quem estiver na CNE tenha outras ocupações. Colaço disse ao «Canalmoz» que foi àquele lugar para falar de “colega para colega” com ele, uma vez, referiu, “somos ambos médicos de profissão”.

De acordo com o ex-deputado da Assembleia da República o adiamento das eleições iria evitar uma série de danos de saúde nas pessoas sensíveis tais como “a hipertensão e até a problemas mentais”.

O antigo membro da CP da AR, que concorria pela coligação CDU-UPM, também excluída pela CNE, disse: “Não sou analfabeto e nem demente. Sou médico tal como o Dr. Leopoldo da Costa. Só que ele agora além de médico já é palhaço”.

Este membro da coligação excluída que estamos a citar disse ter esperanças depositadas que “o Dr. Mondlane (presidente do CC) salve os moçambicanos e o processo”, mas defende que as eleições devem ser adiadas para se poder reorganizar o que já nasceu torto.

A terminar disse lamentar que um médico de nome e créditos firmados se tenha metido onde se meteu. “Agora ele já é palhaço”. (Luís Nhachote)

Outros Títulos de hoje:

  • Parlamento Juvenil exige demissão do Presidente da CNE - Vertical, Maputo quinta-feira 17.09.2009 Nº 1908.
  • Contra “decisões de conveniência” da CNE, jovens ponderam marchar pelas ruas de Maputo - MediaFax, Maputo, Quinta-feira, 17.09.09 *Nº4375.
  • Processo eleitoral ao rubro: G19 pronuncia-se hoje! - MediaFax, Maputo, Quinta-feira, 17.09.09 *Nº4375.
  • Aos orgãos eleitorais: Críticas e condenações aumentam de tom - Media Fax, Maputo, Quinta-feira, 17.09.09 *Nº4375.
  • Conselho Constitucional é última esperança... - Diário do País, Maputo, 5ª feira, 17 de Setembro de 2009, edição nº. 561 Ano III.
  • CNE saltou etapas da lei - Diário do País, Maputo, 5ª feira, 17 de Setembro de 2009, edição nº. 561 Ano III.
  • Políticos inviabilizam encontro da juventude - Diário do País, Maputo, 5ª feira, 17 de Setembro de 2009, edição nº. 561 Ano III.
  • Partidos só querem abocanhar fundos da CNE, diz jornalista Fernando Lima - Diário de Notícias, Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009 – Edição 1475.
  • Enquanto a Frelimo canta vitória, Renamo diz possuir programa para acabar com o sofrimento do povo - Diário de Notícias, Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009 – Edição 1475.

Apontamentos do Tito Xavier: Ilha do IBO

Clique na imagem para ampliar. Fotografia propriedade de Tito Lívio Esteves Xavier, oficial da P. S. P. reformado, piloto de aviões e helicópteros em Cabo Delgado e antigo presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia.

9/16/09

Eleições em Moçambique e a "imparcialidade" da CNE

(Clique na imagem para ampliar)

A CNE, continua em destaque.

Tem quem defenda e tem quem "ataque" a isenção ou a que deveria ser "imparcialidade" deste orgão na aprovação das listas de partidos concorrentes às eleições moçambicanas.

Afinal, a atual CNE é realmente digna de confiança na gestão democrática das eleições em Moçambique? Ou será tudo "intriga" e "ingerência" nos assuntos eleitorais moçambicanos?

Hà dúvidas! Falta descobrir se as anomalias acontecem por incapacidade administrativa ou é proposital.

Transcrevo do "Diário Independente" de hoje:

"A Comissão Nacional de Eleições (CNE) aprovou listas ilegais referentes às eleições para as Assembleias Provinciais pertencentes aos partidos Frelimo e Renamo, segundo noticia hoje MAGAZINE INDEPENDENTE.

Tais listas estão afixadas para quem as quer ver nas vitrinas da própria CNE, desde a passada terça-feira dia 8 de Setembro.

Contrariamente ao que disse publicamente Leopoldo João da Costa, Presidente da CNE, a "anarquia" confundida por partidos excluídos em nome da democracia também atingiu as duas maiores formações políticas, ao não conseguirem alistar o número mínimo necessário de suplentes exigidos por Lei para as Assembleias Provinciais.

Espreitando as listas afixadas descobre-se que a Frelimo, no círculo eleitoral de Boane, devia propor 7 membros efectivos e um número minimo de 4 suplentes, mas apenas meteu 2 suplentes e mesmo assim foi "autorizada" a participar.

Na Cidade da Matola, a Frelimo devia candidatar 44 elementos seus e um minimo de 22 suplentes. Estranhamente, candidatou apenas 15 suplentes e apesar disso foi aprovada a sua lista.

No circulo eleitoral da Manhiça, o partido no poder candidatou os 11 efectivos necessários e devia juntar um mínimo de 6 suplentes mas conseguiu apenas 5 e passou no gabinete.

Na Cidade de Beira, o partido dos camaradas apresentou os 25 efectivos exigidos por Lei mas onde devia propor 13 suplentes, apresentou 12 faltando um e foi aprovado na secretaria.

Em Vilankulo, apresentou os 9 efectivos exisidos e devia concorrer com um mínimo de 5 suplentes mas meteu quatro e passou.

Renamo - A sorte do jogo da secretaria atingiu também a Renamo.

No circulo eleitoral de Boane a perdiz apresentou os 7 efectivos exigidos e devia apresentar no mínimo 4 suplentes mas conseguiu 3.

Em Matutuine, apresentou 3 efectivos e no lugar de 2 suplentes apresentou apenas 1 e o jogo da sorte da CNE deu-lhe uma passagem automática. E em Xai-Xai, a Renamo apresentou os 9 efectivos necessários e tinha que dar 4 suplentes mas no fínal de contas apresentou 8 efectivos e 4 suplentes e foi aprovada estalista.

A acreditarmos na desculpa de Leopoldo da Costa, não são apenas os famosos excluídos que apresentaram listas incompletas, como se vê nestes casos dos dois maiores partidos."
- In Diário Independente, Maputo, 16 de Setembro de 2009.

Apontamentos do Tito Xavier - Ilha do Ibo

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Apontmentos do Tito Xavier - lha do Ibo

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9/15/09

Moçambique/eleições: Há jornalistas a violar de forma "grosseira" valores da profissão, diz MISA

Maputo - O Instituto de Comunicação Social da África Austral em Moçambique (MISA-Moçambique) denunciou hoje a "violação crassa e grosseira de alguns valores fundamentais da profissão" por parte de jornalistas, tendo apelado para "uma "informação verdadeira" durante a campanha eleitoral.

Num comunicado de imprensa divulgado hoje (segunda-feira), o MISA-Moçambique, entidade que faz a monitoria da liberdade de imprensa na África Austral, deplora o facto de haver jornalistas a "assessorar ou colaborar com gabinetes eleitorais de partidos políticos, sem terem suspenso a sua actividade profissional".

"Em nossa opinião, os jornalistas que assim agem violam, de forma grave, os princípios basilares da profissão, todos eles reflectidos no Código de Conduta para a Cobertura Eleitoral, particularmente os que têm a ver com a imparcialidade, isenção e igualdade de tratamento e de oportunidade aos candidatos, partidos políticos e coligações", lê-se na nota de imprensa.

A organização, sedeada em Windoek, capital da Namíbia, diz que chegou a "conclusão" que são verdadeiras as denúncias segundo as quais "alguns jornalistas" estão a violar, de forma crassa e grosseira, alguns dos valores fundamentais e nobres da profissão.

"MISA-Moçambique investigou-as, tendo chegado à conclusão de que elas (denúncias) correspondem à verdade", diz a instituição, que apela aos jornalistas envolvidos na cobertura do processo político, em geral, e da campanha eleitoral, para observarem os valores fundamentais.

"O princípio da imparcialidade e de isenção pressupõe que, no tratamento do material eleitoral, o jornalista deve manter-se equidistante dos interesses dos candidatos e dos partidos políticos, devendo ainda abster-se de aceitar funções, tarefas e benefícios susceptíveis de limitar a sua imparcialidade", refere o comunicado do MISA-Moçambique.

A campanha eleitoral para as eleições gerais de Moçambique, marcadas para 28 de Outubro, teve início este domingo.
- In ANGOP/Agência Angola Press, 14-09-2009 17:56.

Porto Amélia até 1975: Apontamentos do Tito Xavier - Veleiro

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9/12/09

HIV/SIDA: MAU ATENDIMENTO NO HOSPITAL PROVINCIAL DE PEMBA!

Com apoio das organizações Movimento de Acesso ao Tratamento em Moçambique (MATRAM) e Comunidade Sant’Egidio, várias associações de pessoas vivendo com HIV e Sida entregaram nesta sexta-feira, 11 de Setembro, à Direcção Provincial de Saúde de Cabo Delgado, um documento com relatos de mau atendimento de pacientes no Hospital Provincial de Pemba.

Conforme o documento, Cassamo - paciente que não quis identificar seu apelido - denuncia que o pessoal de saúde está a divulgar o seu estado serológico para outros doentes daquela unidade.

Mariamo contou que já não recebe serviços de aconselhamento, o que o motivava na aderência ao tratamento; e Júlia criticou o facto de chegar numa consulta e não ser atendida porque os trabalhadores da saúde não encontraram seu processo clínico.

A activista Ana Muhai, do programa DREAM, da Comunidade Sant’Egídio, acredita que todos esses problemas são decorrências directas do encerramento dos Hospitais de Dia.

“Está a ser dolorosa esta atitude do Governo. Conheço muitos seropositivos que chegaram a ficar um mês sem tomar antiretrovirais depois que isso ocorreu”, lamentou.

Criados em 2003, com o intuito de proporcionar um atendimento especializado aos seropositivos, os Hospitais de Dia não faziam internações, apenas atendimentos de rotina, quase sempre relacionados ao início ou à manutenção do tratamento contra a Sida.

Entretanto, por um decreto do Ministro da Saúde, Paulo Ivo Garrido, os Hospitais de Dia foram encerrados recentente, com o propósito de descentralizar o tratamento antiretroviral.

A ideia, segundo o chefe da pasta da Saúde, é que o tratamento seja feito nos hospitais gerais, de modo a garantir um atendimento uniforme e mais abrangente.

Mas por enquanto, de acordo com várias pessoas vivendo com HIV e Sida, como as das associações Esperança de Vida, Ajuda ao Próximo, Mawazo, Karibo, Kaeria, Wiwana, entre outras de Cabo Delgado e de todo país, não está a acontecer.

Cabo Delgado, segundo as estimativas da Ronda de Vigilância Epidemiológica do HIV referente a 2007, tem uma prevalência do HIV de 10 por cento entre as mulheres grávidas.

A prevalência nacional, entre as mulheres grávidas, é de 16 por cento, enquanto nos adultos de ambos os sexos é de aproximadamente 14 por cento.

Redacção da Agência de Notícias de Resposta ao SIDA. DICAS DE ENTREVISTA - Ana Muhai http://www.santegidio.org/; MATRAM - Tel.: 21 400147 e.mail - matram@tvcabo.co.mz

Fontes:

Acrescento: E agora Sr. Ivo Garrido? E agora Sr. Guebuza? E agora, ilustres governantes de Moçambique? Teorizar é fácil... Mas da teoria à prática a distância é abissal. E as consequências em sofrimento e vidas humanas perdidas, castigadas injustificada e inútilmente, também!

9/10/09

Moçambique/eleições: MDM faz campanha em todo o país, apesar de "perseguido" e restringido pela CNE

Maputo, 10 Set (Lusa) -- O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) vai fazer campanha em todo o país, apesar de apenas poder concorrer em quatro dos 13 círculos eleitorais nas eleições deOutubro por deliberação da Comissão Nacional de Eleições (CNE).

António Colaço, cabeça de lista do partido pela Zambézia, um dos círculos excluídos, garantiu hoje à Agência Lusa que no domingo, dia em que começa a campanha eleitoral, o MDM estará em campanha em todo o país, com o líder, Daviz Simango, em Cabo Delgado, outro dos círculos excluídos.

O MDM recorreu hoje da decisão da CNE, que alegou irregularidades na candidatura do partido em nove círculos, e espera no decorrer da próxima semana uma decisão favorável.

Além de restringir os círculos onde o MDM pode concorrer nas eleições legislativas, a CNE excluiu do processo eleitoral mais 10 pequenos partidos e coligações, também por irregularidades detectadas, uma situação que está a causar polémica em Moçambique.

Hoje, embaixadores de países da União Europeia e o encarregado de negócios dos Estados Unidos reuniram-se com a CNE, manifestando-se preocupados com "a liberdade e transparência" do processo das eleições gerais de 28 de Outubro.

De acordo com a deliberação da CNE, entre os 19 partidos que não foram excluídos do escrutínio, apenas a FRELIMO, partido no poder, e a RENAMO, a principal força política da oposição, podem concorrer nos 13 círculos eleitorais do país, enquanto os restantes vão concorrer apenas em alguns.

"A CNE está a ter dificuldades em mostrar a deliberação do Conselho que indica quais as nossas falhas. Esse documento que a CNE nos devia fornecer é fundamental para apresentarmos ao Conselho Constitucional. Fizemos um pedido por escrito mas não nos facultaram essa deliberação", disse à Lusa António Colaço.

"Estamos certos da nossa razão. Que sejam eles (CNE) a provar que não temos razão", acrescentou, referindo que o partido está a sensibilizar os membros das províncias para que "não desmoralizem".

- FP./Lusa

9/08/09

Encontros com Amália Rodrigues

(Clique na imagem para ampliar. Composição sobre uma imagem original de Compujeramey)

Texto do Dr. Camilo de Araújo Correia, intitulado "Encontros com Amália", publicado no livro "Crónicas do meu Vagar", da Garça Editores - Régua:

O meu fado é o de Coimbra. Lá o ouvi noites sem conta e muitas vezes, em momentos de nostalgia, o vou buscar a uma caixa negra, a troco de uma "bolacha”. Mas vindo de uma caixa negra, com toda a sua pureza electrónica, não é bem fado. Falta-lhe o negrume das capas, o recorte dos beirais no céu estreito, os passos abafados ao fundo da ruela, as janelas a iluminarem-se como corações agradecidos... Falta-lhe a noite. E não há noite que saia de uma caixa negra a troco de uma “bolacha”.

É rica a galeria de cantores do meu tempo de Coim­bra. Alguns nomes se apagaram já. Outros me acompanharão até ao fim da memória. Augusto Camacho, Luís Gois, Alexandre Herculano, Anarolino Fernan­des, Florêncio, Branquinho...

O fado de Coimbra só canta o amor e a saudade, na sua expressão mais pura. E só os homens o podem can­tar. Só eles conhecem bem o cristal da noite.

Nunca o fado de Lisboa me atraiu apaixonadamente. Os dramas de faca e alguidar, as infídelidades e outras airrelias sentimentais, cantadas por homens e mulheres em ambientes fechados, raramente me pareceram sin­ceros. E digo raramente, porque houve sempre duas excepções: Alfredo Marceneiro e Amália Rodrigues.

A voz rude, quase murmurada, de Alfredo Marceneiro sempre me pareceu a própria noite a arrastar-se pelas vielas. Transmitia-nos o doloroso fatalismo dos boémios.

A voz de Amália Rodrigues tinha lonjuras de infinito. Ia longe buscar sentimentos que pareciam de vibração perdida. Chegava a provocar em nós um estranho desejo de sofrer, na feliz expressão de Cesário Verde.

Tive com Amália três encontros. Apesar de fortuítos, ainda hoje os recordo como três baptismos de fado.

Nunca o S. João do Largo do Castelo foi tão animado como em 1947. Amália, a filmar em Coimbra as Capas Negras, apareceu por lá e meteu-se na roda. Quando um calmeirão do alto do palanque, armado no centro, comandou todos ao meio de mãos dadas, a minha mão direita encontrou-se com a mão esquerda de Amália. Ainda a Amália não era a Amália que deveria ser, mas aquele minuto, de mão na sua mão, ainda hoje o sinto como página marcada no meu álbum de vaidades.

A República do Rás Teparta era logo ali, na Rua dos Estudos. Amália, com o seu grupo das filmagens e nós, os mais chegados da república, fomos lá acabar a noite. O riso, o fado e o vinho jorraram de mãos dadas e nunca uma rainha foi tão rainha.

O segundo encontro foi nas festas de Santa Eulália em 1951. Era eu oficial em Elvas, no Batalhão de Caçadores 8. Nós, os nossos camaradas de Lanceiros 1 e meio Alentejo em redor acorremos às festas para ouvir Amália, de nome já a cantar nos cartazes, há muitos dias. Talvez por sobressaírem mais os nossos aplausos e apartes, Amália veio no fim da actuação à nossa mesa passar uns minutos. Como não se usava o beijinho, houve mãozadas e frases de circunstância.

O último encontro com Amália foi no Hospital da Régua, não sei precisar há quantos anos. Cerca de trinta... Mal soube do acidente do marido na estrada do Pinhão, Amália apareceu num pé-de-vento. Com mil perguntas nos olhos me interpelou num corredor. A sua mão nervosa mal se demorou na minha.

Quando Amália nos deixou, voltei a sentir a capa, a farda e a bata para lhe dizer adeus.
- Camilo de Araújo Correia, 23Mar2000 - Cedido gentilmente por J A Almeida para Escritos do Douro e ForEver PEMBA, Set2009.

Outros post's que falam do médico e escritor, Camilo de Araújo Correia, que, no passado ainda recente, amou Pemba:

9/07/09

Nova África - Nova série da TV Brasil

"Nova África" é a nova série jornalística da TV Brasil que estréia dia 25/09/2009 às 22 hs (Brasil):
A série tem como objetivo retratar o continente africano da perspectiva dos africanos.

Como escreveu o autor Mia Couto, a África vive uma tripla condição restritiva: prisioneira de um passado inventado por outros, amarrada a um presente imposto pelo exterior e, ainda, refém de metas que lhe foram construídas por instituições internacionais que comandam a economia.

Nesta série os africanos narram seus problemas e soluções: trabalhadores, políticos, assim como intelectuais, artistas e ativistas sociais africanos, cujas vozes e idéias estão quase ausentes no cotidiano dos brasileiros são nossos entrevistados.

Vários países africanos foram e estão sendo visitados e priorizamos os países com os quais o Brasil - pelas relações históricas estabelecidas ao longo de séculos - tem maiores afinidades culturais e econômicas, além dos acordos de cooperação firmados na atualidade.

Ficha Técnica:
  • Direção Geral: Henry Daniel Ajl e Luiz Carlos Azenha
    Direção de Fotografia: Markus Bruno
    Projeto editorial: Luiz Carlos Azenha e
    Conceição Oliveira
    Coordenação de Produção: Tatiana Barbosa
    Reportagem: Aline Midlej
    Produção: Paulo Eduardo Palmério
    Assistentes de produção: Erica Teodoro, Yuri Gonzaga
    Montagem: Marco Korodi, Augusto Simões
    Roteiro programa estréia: Eduardo Prestes Diefenbach
    Roteiro: Angela Canguçu
    Consultoria Histórica: Conceição Oliveira
    Finalização Gráfica: Fernando Clauzet
    Trilha Original e Mixagem: Rafael Gallo
    Coordenação de Pós-produção: Eduardo Prestes Diefenbach
    Narração: Phil Miler
    Narração "Os Lusíadas" de Luiz Vaz de Camões: Gero Camilo
    Agradecimentos a: Carlos Serrano, Rita Chaves e Adelto Gonçalves.
    Aline veste: Kailash e Neon
    Produtora: BaboonFilmes:
    http://www.baboon.com.br/
- In YouTube-Nova África.

9/05/09

Apontamentos do Tito Xavier: Uma residência em Cascais - Portugal

Clique na imagem para ampliar. Fotografia propriedade de Tito Lívio Esteves Xavier, oficial da P. S. P. reformado, piloto de aviões e helicópteros em Cabo Delgado e antigo presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia.

9/04/09

O Coreto da Régua e o meu primeiro amor

(Clique na imagem para ampliar)

Um velho postal dos correios... que serviu a alguém, por certo a uma turista acidental na então vila da Régua, num quente dia de verão de Agosto, para dar noticias à família ou a uma amiga do coração e lhes mostrar uma pérola preciosa do lugar onde tinha passado, neste nosso bonito coreto que se encontrava escondido no meio de árvores de um espectacular jardim.

Um postal que nos trouxe recordações dos quinze anos, quando nessa altura escutavamos as marchas das bandas de música, nos dias que antecediam as grandiosos festas de N. Senhora do Socorro.

O velho coreto.... perdeu-se na nossa memória. Como se perdeu ali nos bancos de madeira verde daquele jardim, o nosso primeiro amor de adolescentes, a ternura das emoções, as promessas eternas e a emoção dos beijos que ali roubamos à rapariga dos nossos sonhos, debaixo da sombra dos grande plátanos e com o cheiro das hortênsias e a frescura da água que caía na taça.

Como este nosso velho amor, que nem o nome lembro, o coreto fez parte de um momento das nossas vivas...

Que raio de saudades tenho desse tempo em que o coreto era parte da nossa cidade. E do meu amor...!

Tenho a certeza absoluta que, um dia, os encontrarei num novo jardim... Alexandre Herculano!

- Peso da Régua, Setembro de 2009 :: Por J. A. Almeida para "Escritos do Douro".

(Clique na imagem para ampliar)