11/17/05

Moçambique - IBO em foco...



Cooperação espanhola reabilita histórica ilha do Ibo em Moçambique.
A cooperação espanhola e o governo moçambicano vão impulsionar o desenvolvimento do Ibo, uma ilha no norte de Moçambique com forte património histórico de matriz portuguesa e local de confluência de culturas ao longo dos séculos.
A estratégia de apoio ao Ibo será delineada num seminário que se inicia na quinta-feira em Pemba, capital da província de Cabo Delgado, a que pertence a ilha, promovido pelo governo provincial, cooperação espanhola e outros parceiros.
Um dos objectivos da iniciativa, de acordo com um comunicado conjunto dos organizadores, é a integração de todos os envolvidos em projectos de recuperação do Ibo.
Ao mesmo tempo, será lançado um programa de emergência "para evitar a deterioração da arquitectura da ilha".
Para o governo provincial, a recuperação patrimonial será acompanhada pela criação "de condições de um meio de vida sustentável para a melhoria da qualidade de vida da população que habita no seu redor".
Pequena ilha do arquipélago das Quirimbas, o Ibo foi, no século XVII, a primeira capital do espaço junto ao litoral ocupado pelos portugueses no que é hoje Moçambique, e, mais tarde, um importante centro de comércio de escravos.
Ainda antes dos portugueses, já o Ibo fazia parte das rotas de comércio da região, cujos vestígios são hoje visíveis na diversidade da sua população e na convivência de diversas línguas, culturas e religiões.
Com um património em acentuada degradação, o Ibo tem na fortaleza portuguesa de São João Baptista (1791), a sua principal peça arquitectónica, a par com alguns edifícios de traça indo-portuguesa ou de inspiração islâmica.
Agência LUSA - 2005-11-16 12:00:46
Via: "RTP.PT"

Moçambique - A hipocrisia da fome...

Enquanto 800 mil pessoas sucumbem à fome...Governo espalha-se e omite números !
Numa altura em que cerca de oitocentos mil moçambicanos enfrentam uma situação difícil devido à seca e fome que abalam o País, o governo ainda não tem planos concretos para inverter o cenário e dia a após dia espalha-se e insurge-se consigo mesmo.

17/11/2005 - Falando esta Terça-feira, na abertura do seminário sobre Instrumentos de Diagnóstico e Estratégias de Intervenção em Segurança Alimentar e Nutricional, Catarina Pajume, vice-ministra da Agricultura, disse que os nossos compatriotas estão numa situação calamitosa e algo de emergência deve ser feita para evitar o pior.
Pajume sublinhou que chega de reuniões porque não resolvem problemas da população.
Todos dias realizam-se seminários mas nunca se reflectem directamente no povo e este continua a morrer à fome. Há necessidade de se inverter o cenário e fazer com que os conhecimentos adquiridos nos cursos e as estratégias delineadas sirvam para resolver o problema do grupo alvo, a população carenciada”.
“Apostemos no muito dinheiro gasto para produzir resultados, porque caso contrário é melhor pararmos”, disse Pajume.
A vice de Agricultura teceu aquelas críticas em “solidariedade” ao cerca de 800 mil moçambicanos em risco de vida, enquanto nos luxuosos hotéis decorrem grandes reuniões com altos custos financeiros.
Os encontros sobre a situação da seca e fome no País são organizados pelo próprio governo e por diferentes organizações não governamentais.
INGC sem comida nos armazéns Silvano Langa, director do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, INGC, uma instituição do governo e responsável pela supervisão e canalização de ajuda aos afectados por calamidades naturais, disse que os armazéns do INGC estão sem comida para socorrer a população necessitada.
Referiu que a situação pode piorar se os doadores não honrar os seus compromissos, visto que estes sempre prometeram mas na hora certa não libertam o prometido.
Segundo Langa, o governo disponibilizou 72 biliões de meticais para a aquisição de alimentos para minimizar a situação de fome, mas como a situação no terreno está muito pior e o valor desponiblizado é insignificante.
O valor acima não foi destinado apenas para a compra de comida para minimizar o efeito da fome, mas também para aquisição de sementes, abertura de furos de água e outras actividades para a mitigação e prevenção da fome e seca.
Os 72 biliões de meticais serão acrescidos de 50 mil dólares norte-americanos disponibilizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Silvano Langa disse que para minimizar o impacto da fome e seca, são necessários 30 mil toneladas de cereais contra 18 mil que eram necessárias em Outubro último.
Luís Covane, porta-voz do governo, reconheceu que a situação está grave, mas tudo está “controlado”, visto que o executivo está a acompanhar e a monitorar os acontecimentos no terreno.
Tal como disse Luísa Diogo, Covane sublinhou que o cenário não constitui novidade para o governo porque já previa a falta de chuvas e consequentemente a seca e fome.
“Se a situação atingiu estes patamares foi porque os doadores não responderam a tempo aquilo as promessas em resposta ao pedido do governo moçambicano”.
Embora continue teimosa e sem querer decretar estado de emergência, a Primeira-Ministra continua a esgrimir-se em pedidos de apoio junto da sociedade civil e aos parceiros internacionais para mitigar a situação da fome.
Diogo referiu que o País precisava urgentemente de 21 biliões de meticais para socorrer as vítimas e ctualmente, o executivo dispõe apenas de três biliões de meticais, valor insuficientes para resolver o problema actual.
Embora o governo reconheça, nega que haja mortes causadas pela fome e não divulga os verdadeiros números de pessoas sob risco de vida devido à fome.
Via: "Zambeze".