11/29/05

Moçambique contradição - País pobre com opção turística cara...

Moçambique: uma das mais caras pérolas do Índico.
Quando se fala em promover o turismo em Moçambique, os operadores são unânimes: trata-se de um destino demasiado caro para ser acessível a um número significativo de pessoas.
A falta de voos internacionais encarece sobremaneira a visita de turistas ao país, aliada a uma oferta pouco diversificada e ainda cara de passagens aéreas no interior do país.
Estes dois factores, conjugados com uma carência de infra-estruturas de apoio, designadamente hotéis e empresas que organizem excursões e outras actividades do género, infra-estruturas de saúde adequadas, escassez de serviços de restauração, transporte e lazer fora da cidade capital, custo e morosidade no processo de obtenção de visto, entre outros, fazem com que Moçambique não seja um destino apetecível e competitivo, comparativamente a outros espalhados pelo continente e pelo mundo.
O governo moçambicano espera que a realização deste XXI Congresso da APAVT em Maputo, que atraiu cerca de 500 participantes do sector do turismo, promova o país junto à comunidade portuguesa e leve a um aumento significativo do número de turistas que procuram esta “pérola do Índico”.
Segundo dados do Ministério do Turismo, no ano passado entraram cerca de 700 mil turistas em Moçambique.
O governo espera contudo, que este número possa aumentar para cerca de quatro milhões nos próximos anos.
(Maura Quatorze)
Via: "mediaFax" - Edição 3.417 de 29/11/2005 - mediafax@tvcabo.co.mz

Diversificando - O Castigo do Vaticano...



Sei que depois do que vou dizer corro o risco de jamais ser convidado para me apresentar num show no Vaticano, mas, com todo o respeito, não posso deixar de lamentar o que foi feito com a cantora Daniela Mercury, castigada com um veto por ter participado de uma campanha de prevenção da Aids em que incentivava o uso de camisinha.
Na minha opinião, que não vale muita coisa porque, criado dentro da religião, nem católico posso dizer que sou mais, foi uma decisão anacrônica e um gesto indelicado.
Antes de ser feito o convite para que Daniela se apresentasse no show religioso de Natal, já era público e notório que ela estrelara o tal comercial amplamente divulgado pela televisão.
Por que convidá-la para em seguida desconvidá-la?
Nesses casos, recomenda-se fazer uma pesquisa antes, ainda mais que em 2003 houve aquela saia justa da cantora Lauren Hill.
Diante de João Paulo II, a artista afro-americana sugeriu que a Igreja pedisse perdão pelos abusos sexuais cometidos por padres nos EUA.
Pode-se imaginar o mal-estar.
Daniela jamais cometeria uma grosseria dessas, como prova sua reação.
Ficou “indignada”, principalmente pela falta de diálogo, por ninguém lhe perguntar nada:
“Sou uma pessoa que tem um histórico de vida, de coerência e seriedade”.
Mas, em vez de esbravejar, ela disse coisas muito sensatas, até porque começou cantando na igreja, teve formação católica e, como alegou, jamais faria intencionalmente qualquer coisa “para ferir o Vaticano”.
“Acho que, independentemente de respeitar a religião católica, existe o compromisso com a vida”, ensinou a seus censores.
Esse talvez seja o maior paradoxo da posição doutrinária da Igreja.
Se é contra o aborto em nome da preservação da vida, por que não usar o mesmo princípio para evitar a morte que a Aids traz consigo?
Estamos lidando com um dos maiores flagelos da humanidade.
Como a cantora informa, a cada minuto, quatro adolescentes são contaminados com o vírus HIV. Só na África, bilhões de crianças perderam os pais, vítimas da doença.
Em pleno século XXI, pregar que uma epidemia como a Aids seja combatida com a castidade é de um irrealismo que seria só ingênuo, se não causasse também trágicas conseqüências.
Daniela Mercury não desembarcou nessa causa ontem, não é uma arrivista que pega eventuais caronas em campanhas beneméritas.
Seu trabalho é sério e não é de hoje.
Há seis anos foi nomeada embaixadora da Unesco e, há dez, embaixadora de boa-vontade do Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a infância.
Além disso, participa do Instituto Ayrton Senna, trabalha na Santa Casa de Misericórdia, é membro do Young Global Leaders e do Conselho da Bolsa de Valores da Bovespa.
A cantora que o Vaticano acusa de ter pecado contra a doutrina moral da Igreja é uma honrada e exemplar cidadã que se dispôs a lutar e a colocar sua arte a favor da vida.
Se alguém deve se penitenciar nesse episódio, certamente não é ela.
Por Zuenir Ventura - zuenir@nominimo.ibest.com.br
Via: "NoMínimo"