7/21/08

O Ronaldinho das minas...

Apelidado de Ronaldinho, rato detecta minas em Moçambique - Inhambane, Moçambique, 19 jul (Lusa) - Ronaldinho é um dos melhores do mundo naquilo que faz: com quatro patas, olfato apurado e um apetite insaciável por bananas e amendoins, este rato corpulento e de focinho apurado é a nova "estrela" na detecção de minas em Moçambique.
No entanto, tal como o seu homônimo do futebol internacional, Ronaldinho joga em equipe: "atua" junto com Robinho e Nelson, todos treinados por uma organização não-governamental belga (APOPO) para detectar minas através do olfato em Gaza, que confina a sul com a província de Maputo.
Numa manhã quente, Ronaldinho estava com os seus companheiros de equipe no seu "campo de treino", um imenso descampado nos arredores da cidade de Inhambane, no sul de Moçambique, dividido por cordas em seções de 10 metros quadrados, onde vão passar os próximos seis meses.
Foram "acordados" às 6 horas e trazidos de jipe nas enormes caixas individuais de acrílico transparente, onde dormem e onde não falta um bebedouro.
"Moçambique é o primeiro país em que estamos a testar os ratos para apanhar minas", conta Vendeline Emmanuel Shirima, tanzaniano, natural de Morogoro, uma cidade na base do monte Kilimanjaro, que, desde 2003, treina esta insólita equipe de roedores transformados em caçadores de explosivos, previamente treinados na Tanzânia, que nesse ano ajudaram a extrair da terra 25 minas. De uniforme bege, Emmanuel Shirima ajuda os outros treinadores moçambicanos a descarregar as enormes caixas, que transportam debaixo do braço até a área atribuída a cada um dos enormes ratos - "uma vez chegou um gato, parou aí no muro e ficou a assistir. Nem teve coragem de descer", conta Egídio José Guilherme, 35 anos, um dos treinadores moçambicanos dos animais. Aqui chegados, Ronaldinho e os seus companheiros são presos a uma coleira, fixado numa corda amarrada nas extremidades por treinadores que seguram na mão um cacho de bananas e um balde de amendoins - os ratos são trazidos para o campo em jejum para "trabalharem bem", como explica Shirima.
É neste momento, quando Ronaldinho e os seus "companheiros" entram em campo, que a magia acontece: num movimento pendular atentamente vigiado pelos dois treinadores, com a cauda rija e o focinho colado ao chão, em poucos minutos os "grecestomys gambianus" (nome da espécie) detêm-se e escavam incessantemente a terra vermelha no local onde a mina foi colocada, recebendo em troca um pedaço de banana e amendoins.
"Estes ratos costumam cheirar à procura de comida, que normalmente está enterrada no solo, e por isso têm um olfato muito apurado. Mas podem ser ensinados a fazer o que quisermos. Neste caso estão ensinados para cheirar TNT", explica Emmanuel Shirima, acrescentando, orgulhoso: "os sapadores com detectores de metais normalmente demoram seis dias para fazer este quadrado. Estão a ver quantos minutos o rato demorou?".
A fórmula, aparentemente simples, é olhada com ceticismo por muitos: de muitos habitantes locais que passam nas imediações do campo e ainda olham incrédulos para o que vêem, mas também de Alfredo Adamo, natural de Gaza, no sul de Moçambique, um dos treinadores moçambicanos de Ronaldinho e dos seus companheiros.
"Ao princípio foi um pouco estranho. Era difícil acreditar nisso. Sabia que se usavam cães e máquinas para a desminagem, mas nunca ratos. Só depois quando vi o que estava a fazer, o que estava a acontecer na verdade, é que me convenci", confessa este antigo professor de História, que trabalha desde 2003 com a organização não-governamental belga.
Hoje, cinco anos depois, Alfredo Adamo admite: "Antes via os ratos como animais que não deviam existir porque realmente não via nenhuma vantagem neles. Só podia matar os ratos.
Mas depois descobri que podiam ser úteis. Eu sei o que fazem as minas às pessoas".
Mas, Ronaldinho e seus companheiros de equipe cativaram todos os que trabalham neste projeto pioneiro, sobretudo para Lídia Jeremias, 54 anos, a única mulher que trabalhar no grupo, cuja adaptação foi complicada.
"Sim, fiquei assustada ao princípio. Senti vontade de fugir para cima da mesa. São grandes, não são como esses ratos que existem nas casas. Mas não fugi porque eles me disseram que não faziam nada, que eram animais domésticos. Só que não me quero aproximar dos ratos nem nunca lhes fiz festinhas", exclama.
Sentada num dos muros da sede da APOPO, uma pequena moradia azul e branca no centro de Inhambane, Lídia Jeremias não hesita na altura de apontar o animal que prefere ter em casa: "gosto de criar cão".
Fora de casa, no entanto, tudo é diferente: não existe sequer um mapa sólido das áreas minadas durante a guerra civil de 16 anos em que o país esteve mergulhado após a independência. Existem 484 áreas identificadas. Em 2007, 19 pessoas morreram e várias dezenas ficaram feridas em conseqüência da explosão de minas terrestres - em 2006, as minas mataram 23 pessoas e feriram 34.
19-07-2008 16:57:59 - Por Pedro Figueiredo, da Agência Lusa.
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7/19/08

Corrupção e má gestão ameaçam cancelar ajuda financeira a Moçambique.

18.07.2008 - 18h17, Público.pt/AFP - A Suécia ameaçou hoje cancelar a ajuda financeira a Moçambique devido a corrupção e má gestão política, disse o semanário moçambicano independente “Savana”.
Não assistimos a nenhum progresso sério no combate à corrupção”, afirmou o embaixador sueco em Maputo Torvald Akesson.
A Suécia faz parte de 19 países que apoiam financeiramente Moçambique no âmbito do Programa de Ajuda de Parceiros (PAP), que se baseia nas revisões anuais à eficácia da governação, tendo em conta indicadores escolhidos pelas partes envolvidas, doadores e país receptor.
As declarações de Akesson surgem após o PAP ter anunciado, em Maio, uma contribuição para Moçambique de 281,3 milhões de euros para reforçar o orçamento do país.
Um dos países mais pobres do mundo até 1992, altura em que saiu de uma guerra civil de 16 anos, Moçambique goza hoje de um crescimento médio de oito por cento, crescimento que tem resistido à escalada dos preços dos cereais e dos combustíveis.
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Moçambique: Governo sueco vai reduzir ajuda ao país devido a corrupção.
Maputo, 18/07 - AngolaPress - O governo da Suécia vai reduzir a partir deste ano o valor da contribuição financeira que tem vindo a fazer ao Orçamento do Estado de Moçambique devido à falta de "progressos no combate à corrupção", anunciou o embaixador sueco em Maputo, Torvald Akesson. "Não se tem registado progressos significativos no combate à corrupção, por isso, decidimos reduzir o montante que até aqui vinha sendo alocado. Estando a moeda sueca a valorizar-se face ao dólar, uma pessoa desatenta poderá pensar que iremos aumentar a ajuda, já que estava previsto para 2009, uma contribuição de 52 milhões de dólares", explicou. "Mas a moeda sueca depreciou em mais de 10 por cento em comparação com a coroa sueca", afirmou Akesson.
Este ano a Suécia contribuiu com 50 milhões de dólares, constituindo-se, no quinto maior contribuinte estrangeiro às contas públicas de Moçambique, no conjunto dos 19 doadores principais, incluindo a União Europeia (UE) e Portugal. Referindo-se aos motivos dessa decisão, o diplomata apontou a falta de esclarecimentos como uma das razões, facto que originou a situação de quase falência do Banco Austral, no início de 2000. "Tal não aconteceu, porque o governo de Moçambique fez injecção de capital no banco.
"Parte do dinheiro utilizado na recapitalização do antigo Banco Austral, foi disponibilizado por contribuintes suecos, razão pela qual estamos preocupados com a falta de esclarecimentos sobre o caso", frisou.
Acrescentou que, com aquele dinheiro poderíam ter sido construidas escolas e hospitais, mas estes valores foram ilegalmente retirados daquela instituição bancária", observou Torvald Akesson.
Para sanar as irregularidades existentes no Banco Austral, o governo de Moçambique nomeou em 2001, uma comissão de gestão, cujo presidente era António Siba Siba Macuácua, morto nesse mesmo ano, atirado do 14º andar da sede da instituição. Durante a sua gestão, Macuácua divulgou uma lista dos devedores do Banco Austral, da qual constavam nomes de importantes figuras do mundo dos negócios e da política, próximas ao partido no poder, FRELIMO.
O Banco Central moçambicano privatizou o banco Austral, agora denominado Barclays Bank, a favor do grupo financeiro sul-africano ABSA, comprado em 2007 pelo grupo financeiro britânico Barclays Bank. Esta semana, a Procuradoria-Geral da República interrogou membros do antigo conselho de administração do Banco Austral acusados de exercício de gestão danosa e de terem morto Siba Siba Macuácuá.
Em Maio último, os 19 principais doadores de Moçambique pediram ao governo que "acelerasse" o combate à corrupção no país, lembrando que, este fenómeno é apontado como um obstáculo ao desenvolvimento dos negócios. Num documento contendo recomendações ao executivo, o Barclays Bank manifestou a sua dificuldade em avaliar os progressos no combate à corrupção no país, "devido a falta de clareza lei em relação às competências dos órgãos judiciais nessa matéria. "Os parceiros têm incentivado o governo no sentido do reforço da luta contra a corrupção, não obstante ter sido aprovada, nos últimos anos, a legislação sobre anti-corrupção. Até ao momento, nada foi registado acerca da implementação e aplicação destes instrumentos", refere o documento. Os doadores consideram ainda "preocupante o facto de não se ter registado o desfecho de um único caso de corrupção". Os doadores recordaram que os tribunais moçambicanos têm rejeitado processos-crime sobre corrupção, alegando falta de competência do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) para instruir delitos desse tipo. Na mesma altura, o Procurador-geral da República de Moçambique, Augusto Paulino, reconheceu na Assembleia da República que nenhum dos 371 casos de corrupção instruídos pelo GCCC (criado em 2005) tinha sido julgado, por alegada falta de provas e formulação deficiente das acusações.