5/03/09

Buscando no tempo lá pelo Douro: CONFISSÃO por António Reis Baia

(Clique na imagem para ampliar)

No meu tempo de rapaz havia tão poucas máquinas fotográficas que até se sabia quem as tinha. Eu tive uma emprestada… E foi com ela que, muito cedo, comecei a interessar-me pela fotografia.

Mas, só em 1944, ano em que entrei para a Casa do Douro, me encontrei verdadeiramente com a arte fotográfica. Devo esse encontro ao meu chefe de secção senhor Arnaldo Monteiro que, já nessa altura, era considerado um amador de muito mérito. No seu modesto laboratório e com os seus valiosos ensinamentos tomei consciência da profissão que me esperava.

Perdido o meu primeiro mestre e não havendo em Portugal qualquer curso de fotografia, mandei vir de Espanha os livros que por lá se editavam sobre a matéria que tanto me seduzia.

Tive o meu primeiro atelier nas Caldas do Moledo, onde iam “tirar o retrato” as pessoas das redondezas, da Régua na sua grande maioria. Por minha conveniência e dos clientes, montei, logo que pude, um estúdio e laboratório num 2º. andar da Rua da Ferreirinha. Com melhores condições e maiores exigências da clientela foi possível ir melhorando a qualidade do meu trabalho.

Entretanto, como a arte fotográfica se fosse alargando em complexidade e fechando em segredos cada vez maiores, vi-me na necessidade de me deslocar a Lisboa e frequentar os laboratórios da Filmarte. Foi como se um novo mundo se abrisse à minha curiosidade e insatisfação. A partir daí a minha objectiva jamais se contentou com os retratos do ganha pão. E tudo me tem servido: paisagem, flores, animais, estações do ano e do homem.

Se aqui venho com o que foi mais querido ao meu espírito e ao meu coração é por me terem dito que valia a pena repartir convosco estas recordações de TRINTA ANOS DE REVELAÇÃO. Caí na vaidade de acreditar.
- Autor: António Reis Baía - texto inédito escrito pelo fotógrafo para o catálogo de uma exposição de seus trabalhos - "30 anos de revelação" que decorreu no Salão Nobre da Casa do Douro entre 11 e 17 de Agosto de 1986. Infelizmente, foi a última.

  • António Reis Baía nasceu no belo lugar de Caldas do Moledo, freguesia de Fontelas, a 28 de Março de 1921 e faleceu em 7 de Março de 2004 em Peso da Régua onde sempre trabalhou e onde retratava com esmero figuras locais, instituições, sua natureza e povo. È pena que o seu espólio fotografico particular não tenha ficado á guarda de uma instituição pública local para que as novas gerações pudessem aprender cultuando sua arte e pessoa de artista do Douro. (Dados e imagem gentilmente cedidos por J. A. Almeida)

Uma nota - Por volta de 1957 meu saudoso Pai, Jaime F. R. Gabão partiu para Moçambique (Porto Amélia) em busca de um futuro melhor, mais digno, para seus Filhos e Esposa. Seis meses de saudade depois, tivemos de nos preparar para partir ao seu encontro. E, nessa época era moda e precaução salutar contra os fortes raios solares dos trópicos usar "capacete" bem ao jeito de "caçador africano"... Pois lá fomos até ao Porto onde, em casa especializada do agitado centro, creio que pela Rua de Santa Catarina se a memória não me engana, encomendamos dois dos tais "capacetes": um para mim e outro para meu Irmão Júlio Gabão... Mas e deixando rodeios desnecessários, é importante frisar que, de posse dos tais "adornos" coloniais, não poderiamos embarcar para a África de nossa adolescência feliz sem umas fotos que "gravassem" ou perpetuassem o quanto eles nos deixavam com ar de aprendizes a "senhores da selva". E, naturalmente só poderiamos recorrer ao "Sr. Baia". Este, acolhedor e habilidoso sem deixar de manter seu ar sério, conseguiu pois retratar-nos admirávelmente entre palavras e recomendações de Amigo, afugentando nossa aprensão de criança com medo do desconhecido do outro lado do mar...

Em 1975 "retornamos" a Portugal e à nossa Régua. E lá encontramos o Sr. Baía, no mesmo local, do mesmo jeito, com alguns cabelos e bigode grisalhos e com o mesmo acolhimento... Trocamos algumas poucas vezes, idéias simples sobre as "fotos do capacete" que ainda guardo, sobre a África que ficara para trás e na memória, sobre o novo Portugal repleto de encantos e desencantos político-sociais e sobre a então nova preocupação quanto ao horizonte futuro de filhos e netos... Depois, o destino trouxe-me para longe da Régua do Sr, Baía, da Régua de minha Família e da Régua de minhas raízes... mas nunca para longe da Régua das lembranças eternas de criança e da Régua da nostalgia de momentos e Amigos como o Sr. Baia. - Jaime Luis Gabão, 30 de Abril de 2009, em "Escritos do Douro"

5/01/09

Samora Machel foi um verdadeiro ditador como Estaline, em maus-tratos à população portuguesa!

Embora essa vergonhosa atitude, própria de extremista complexado e repleto de ódio racial não seja novidade para o mundo, transcrevo porque penalizou injustamente vidas e o futuro de milhares de moçambicanos de todas as cores e origens e um País chamado Moçambique, que ainda hoje se ressentem económica e socialmente dessa verdadeira, insana e irresponsável loucura.

Afinal quem não lembra, naquela época tremenda de 74/75, os aeroportos moçambicanos repletos de famílias luso-moçambicanas que, assustadas e ameaçadas a cada discurso demagogo e populista desse senhor, abandonavam todos os seus bens fruto de muito trabalho e suor e buscavam lugar e abrigo nos aviões de volta a Portugal?

- As revelações são de Piotr Evsiukov, primeiro embaixador soviético em Moçambique, em “Memórias sobre o trabalho em Moçambique”.
Maputo (Canal de Moçambique) - Diplomatas soviéticos que deram início às relações diplomáticas entre URSS e Moçambique criticam a política de Samora Machel face à população portuguesa branca, sublinhando que, nesta área, o Presidente moçambicano se comportou de forma semelhante ao ditador soviético, José Estaline.

“De forma dura, como Estaline, Samora Machel tratou os portugueses que viviam em Moçambique. Muitos deles receberam com entusiasmo os combatentes pela independência quando entraram em Lourenço Marques e estavam prontos a cooperar de todas as formas com a FRELIMO”, escreve Piotr Evsiukov, primeiro embaixador soviético em Moçambique, em “Memórias sobre o trabalho em Moçambique”, a que a LUSA teve acesso. “Não obstante, também aqui se revelou o extremismo de Samora Machel. Ele apresentou condições tais de cidadania e residência aos portugueses em Moçambique que eles foram obrigados, na sua esmagadora maioria, a abandonar o país... Com a fuga dos portugueses, a economia de Moçambique entrou em declínio”.

Piotr Evsiukov recorda que Machel era um convicto admirador de José Estaline. “Samora Machel falou- me várias vezes do seu apego e respeito por José Estaline.

Durante a visita oficial de uma delegação de Moçambique à URSS, Samora Machel terminou a viagem na Geórgia. Depois das conversações com Eduard Chevarnadzé, Sérgio Vieira, membro da direcção da FRELIMO, veio ter comigo e pediu-me, em nome do Presidente, para arranjar um retrato de Estaline. Claro que os camaradas georgianos satisfizeram o pedido com agrado”, escreve Evsiukov.

Arkadi Glukhov, diplomata soviético que chegou antes de Evsiukov para abrir a embaixada da URSS em Lourenço Marques, escreve: “Após o fim da Segunda Guerra Mundial, Lisboa, tendo perante si os exemplos da queda dos impérios coloniais da Inglaterra e França, enveredou pela via da reforma intensa do seu sistema colonial, nomeadamente no campo das relações entre raças, da política social e cultural. Tudo isso foi levado à de ‘assimilação’, cujos rastos sentimos com evidência quando chegámos a Moçambique”. “Porém”, continua o diplomata soviético, “esses rastos começaram a desaparecer rapidamente, principalmente depois da entrada na cidade (Lourenço Marques) das unidades militares de medidas e de todo o tipo de limitações (frequentemente inventadas) contra a população portuguesa, não obstante, em geral, ela ser leal e estar pronta a cooperar com os novos poderes”.

Segundo Glukhov, “no fim de contas, isso levou à partida em massa dos portugueses do país, o que se reflectiu de forma grave na sua vida económica e aumentou a tensão nas relações entre raças”.

Segundo os diplomatas soviéticos, a política de Samora Machel provocou atritos com Joaquim Chissano, primeiro-ministro moçambicano, que defendia o diálogo com a população branca.

Evsiukov escreve que Machel reconheceu o seu erro e, “ao aconselhar Robert Mugabe, seu amigo e pretendente ao cargo de Presidente do Zimbabué, disse-lhe para não expulsar os rodesianos brancos da antiga Rodésia do Sul”.
- Canal de Moçambique, José Milhazes/In Lusa, 30/04/2009 06:22:00.