5/11/09

Miguel Munguambe: Em Moçambique é o melhor em jornalismo ambiental

:: PARABÉNS MIGUEL MUNGUAMBE ::

O jornalista Miguel Munguambe, do semanário "Público", foi anunciado, sexta-feira última, como melhor jornalista em "Jornalimo Ambiental", ao ocupar o primeiro lugar nesta categoria. Existem mais duas categorias, a ligada à matéria do HIV/SIDA, cujo primeiro lugar foi atribuído ao jornalista do semanário "Domingo", André Matola, e a ligada categoria a segurança no trabalho que, infelizmente, não teve concorrentes.

O singular, pelo menos para o cenário Moçambicano, é que o considerado melhor jornalista em "Jornalismo Ambiental" neste prémio promovido pelo MISA-Moçambique, com apoio da Mozal na presente edição, até à pouco tempo ocupava-se como polidor de sapatos no hotel Rovuma, na capital do país, ao mesmo tempo que escrevia para o jornal "MediaFax".

Os resultados do concurso que contou com 16 trabalhos e que culminou com a distinção daquele jornalista, também conhecido como "engraxador de sapatos", atualmente jornalista e sub-chefe de redação do semanário "Público", foram tornados públicos sexta-feira última numa cerimónia de gala bastante concorrida na capital moçambicana.

Ao concurso o galardoado apresentou um conjunto de artigos que tinham como título "negócio de lixo gera renda aos mais desfavorecidos", trabalho este apurado pelo júri que integrou três especialista no ramo, nomeadamente Celestino Vaz e Bento Baloi(vogais) e Carol da Essen(presidente), os dois primeiros docentes de jornalismo da U. Eduardo Mondlane.

No seu trabalho, Miguel Munguambe disserta sobre a dimensão do negócio dos resíduos sólidos e a sua contribuição para a renda das camadas mais desfavorecidas da população, chegando a considerar que, nalguns casos, a prática gera, em termos de receitas, valores que superam o salário mínimo de um funcionário do estado.

Na investigação realizada na periferia da cidade de Maputo, onde o negócio é altamente concorrido, concluiu que um vendedor de lixo, recolhendo sacos e bacias plásticas, metais, garrafas, entre outros objetos produz em média diária uma receita estimada em cerca de 150 meticais. Com este valor, o jornalista determinou que o rendimento médio mensal de um vendedor de lixo é de 4,5 mil meticais, receita duas vezes maior que o salário pago ao funcionário do estado de escalão mais baixo, na altura estimado em 1.942 meticais.

Ainda, na esteira deste concurso jornalistico foram apurados para a segunda posição nas categorias "HIV/SIDA e Meio Ambiente", os jornalistas Arsénio Manhice e Leonildo Balango, respectivamente. O primeiro é do jornal "Notícias" e o outro do "Diário de Moçambique".
- Dados recolhidos do jornal "Diário Independente" em Maputo, 11/05/2009.

5/09/09

PEMBA - O caos no trânsito... 2 e outras "coisitas" mais referentes a caça, educação cívica, etç. !

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui)

""EXTRAS - Apertadíssimos! - Retomo hoje o tema do trânsito rodoviário de Pemba. Apareci, com efeito, na edição de 14 de Março, a dizer que já não há quem controla o quê na rua. Volto a dizer que não é verdade que é devido ao número cada vez maior de viaturas que Pemba todos os dias aceita, apesar disso ser verdade, tendo em conta que o projectista desta bela baía se um dia voltasse, cairia de costas e daria nomes a nós que fazemos crescê-la como ele não previa, porque inconcebível.

A indisciplina rodoviária tem a ver com outras coisas: desde a atitude dos controladores de trânsito às nossas. Sim, nós, com viaturas ou não, acabamos ficando no mesmo saco, que nos põe como indisciplinados, porque a luta de diminuir as estradas da cidade de Pemba é por todos travada e as vitórias estão aí à vista.

Havíamos falado do “bem-vindo” onde hoje florescem umas barracas, que ficaram mais importantes do que o trânsito pacífico daquele local, porque se trata de um potencial de presentes e futuros acidentes de viação, durante o casamento que se tem entre os alcoolizados e aqueles que sobem e descem dos “chapas”. Mais importante que a saúde pública, porque a casa de banho ficou ao ar livre da outra berma da estrada, quando, paradoxalmente, a seguir temos um outro mercado florescente: de carne seca de caça.

Esta, outra questão: donde vem a carne seca de caça? Como chega à capital provincial? As regiões mais próximas de Pemba, conhecidas como as que têm um potencial de fauna bravia, no seio da qual saem os cudos, as gazelas, os facoceiros e, quê mais, pertencem ao Parque Nacional das Quirimbas: Pemba-Metuge, Ancuabe e Quissanga. E depois? Por aqui, não será errado concluir que a carne vem do interior do parque. Pode ser difícil detectar na montante, mas aqui na jusante, onde se vende e compra quase que oficialmente, é sim, possível.

Mas estamos nas estradas: é preciso dizer que no chamado mercado das batatas nada se está à procura senão acidentes que podem calar a boca de muitos residentes de Pemba, e não só! Que tamanho tem a avenida 25 de Setembro para ao mesmo tempo ter uma fila de táxis e paralelamente encostarem os autocarros urbanos, sendo que na outra berma também temos táxis que paralelamente se encostam aos autocarros e mini-bus dos tanzanianos? Sinceramente que não fica espaço para quem não quer ali parar. Será disso que resultarão os acidentes, se já não os houve!

Na Casa China, para além dos camiões-cavalo que ela própria recebe para o seu abastecimento, agora temos os “chapas” a estacionarem paralelos e muitas vezes fechando, inclusive, os caminhos particulares de quem quer sair das suas casas e/ou instituições.

E para condimentar este emaranhado de coisas, veio o Governo provincial a ajudar os indisciplinados. Construiu uma sala de conferências nas traseiras da Direcção Provincial das Obras Públicas e Habitação, onde ultimamente faz as suas sessões e esqueceu-se de prever um parque de estacionamento, tendo descoberto aquilo que os outros fazem: ocupar a estrada, dum e do outro lado, cerca de 500 metros de viaturas de 16 administradores distritais ou seus representantes (quando se tratar de sessões alargadas), cerca de 15 de directores provinciais e outras tantas de convidados às sessões. Numa zona que muito antes era de certo modo cheia, pois está próxima de uma loja de ferragens, seguida do maior supermercado de Pemba.

Entretanto, entre a Igreja Maria Auxiliadora e a casa ministerial do Ministério da Defesa Nacional, ou seja, entre aquela Igreja e as casas militares onde alguma vez funcionou uma discoteca “Pentágono”, existe um vão, que em certa altura alojou barracas e nos últimos anos sazonalmente acolhe feijão-nhemba, uma vez por ano! E dava muito bem para um parque, ainda que provisório!""
- Pedro Nacuo, Maputo, Sábado, 9 de Maio de 2009 :: Notícias

  • Pemba - O caos no trânsito - 1 (Crónica do Pedro Nacuo para o Notícias) - Aqui!