5/11/10

Retalhos: De Porto Amélia a Pemba - Família Carrilho !

A origem do apelido Carrilho é matéria de controvérsia.
Tudo indica que nobres de Espanha tenham vindo fixar-se em Portugal por razões não claras, nomeadamente em Castelo de Vide, por volta do século XVII. Dai o apelido "Carrillo" foi aportuguesado para Carrilho. Estes nobres beneficiaram-se da protecção da coroa portuguesa e adquiriram brasão próprio que os distingue do brasão castelhano com algumas parecenças.
Alguns Carrilhos teriam passado a usar o apelido Gil e estes parecem ter ligação com os Albuquerques, nomeadamente o famoso Mouzinho de Albuquerque.
Tudo indica que o brasão dos Carrilhos foi por isso sofrendo mutações.
Um Carrilho é nomeado pelos reis de Portugal para ser Governador das Ilhas de Cabo Delgado, em Moçambique, no século XVIII. Este governador aparece com um corpo de soldados da guarda com um outro Carrilho como sargento. Daí a origem dos Carrilhos de Moçambique.
Muitos dos Carrilhos hoje em Portugal ainda se referem a Castelo de Vide como possível origem da família. No entanto, alguns Carrillos de Espanha podem ter migrado ao Brasil e daí terem surgido outros ramos dos Carrilhos. Nada nos diz que a origem dos Carrilhos é toda a mesma.
Isto é resultado de uma pesquisa minha muito longa na internet. Não tenho agora todas as referências. Parece que temos que continuar a procura!
- Manuel Carrilho Alvarinho - 30 de Janeiro de 2005.
O Sr. Babo Carrilho - Patrono da Família Carrilho.
D. Judith Carrilho e Sr. António Baptista Carrilho - Casal originário de famílias tradicionais da histórica Ilha do Ibo. Pais de Francisco (Chico) Carrilho, José Eduardo, Rodrigo, Zé Norberto, Teresa, Nandinha, Matilde.
José Franco Carrilho (4/6/1922 – 29/1/2001) é pai do Júlio, Luísa, Zeca, Nando, Gunass (Renato), Joneca, Tonecas, Maria do Carmo e Carlinha Carrilho.
João Manuel Zamith de Franco Carrilho - Foi vice-Ministro de Agricultura e Desenvolvimento Rural desde 2000, presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Rural de 1979 a 1999 e trabalhou vários anos em questões rurais moçambicanas. João Carrilho nasceu a 22 de Setembro de 1955, na Cidade de Pemba, na província setentrional de Cabo Delgado. Descendente das famílias da Ilha do Ibo (norte de Moçambique), é o sexto dos 9 filhos de José Franco Carrilho e Maria das Dores Zamith Carrilho. Seu pai dedicou-se primeiro à venda de roupa e mais tarde foi guarda-livros. Quando João Carrilho nasce, o pai trabalhava numa empresa de sisal em Nangororo, nas margens do rio Ridi (Cabo Delgado). É aqui, onde o pequeno João vive até aos seis anos. Então, sendo grande o número dos irmãos a estudarem e por ser difícil sustentar os filhos em vários colégios, a sua mãe transferiu-se para Pemba. Dos seus irmãos, recordamos Júlio Carrilho, ex-Ministro das Obras Públicas e Habitação, Maria Luísa Carrilho, ex-Administradora do Banco de Moçambique.
José Norberto Carrilho - Filho de D. Judite e Sr. António Baptista Carrilho, nasceu em Pemba aos 9 de Maio de 1955. Exerce função no Judiciário Moçambicano.

Júlio Carilho - O escritor Júlio Carrilho, também natural de Pemba e filho de José Franco Carrilho e Maria das Dores Zamith Carrilho - entre seus nove irmãos está o Joneca, acima citado como João Manuel Zamith de Franco Carrilho. Júlio Carrilho é formado em arquitectura e desempenhou no período pôs-independência as funções de Ministro das Obras Públicas de habitação. (Notícias, 02/05/01).  Além artista, escritor, Júlio Carrilho é também Arquitecto e Professor na Universidade Eduardo Mondelane.
Algumas de suas obras - Riário, Apontamentos, Um olhar para o habitat informal moçambicano - de Lichinga a Maputo, Pemba - As duas cidades.

De Júlio Carrilho também:

OS TRUQUES
Quantas Áfricas terão de se afirmar no truque do aparente desprendimento? Quantas ainda terão de se aprimorar na sua própria ignorância calculada?

Hoje já não creio que só o futuro é que nos traz mensagens. E a Nação? Era candura a minha, essa de fazer da história uma tábua de passar a ferro. E queimei-me nas minhas próprias subtilezas de argumentação.
- "Madera Zinco", Revista Literária Moçambicana.

SER MWANI
Não é que ser mulato me abra portas:
é preciso que tenha aprendido a beber
esse saber da praia
qualquer que seja a dor que se transporta

A guerra aqui não se reproduz. Sofre-se.
A escravatura aqui não se aprimora. Degrada-se.
Na sabedoria dos escravos
Na subtileza do servir dos servos
Na paciência dos barcos adornados

Tudo sucumbe no equilíbrio sustentável
Da intriga
Viscosamente escrutinada nas sub-ilhas dos murmúrios
Dos quintais fechados.
- Júlio Carrilho (Sugestão de Andrea Andrade Paes)
Recordando ZECA CARRILHO...
Uma vez em Caia - Moçambique !

Decorriam os anos de 1975/1976.
As chuvas caiam com intensidade.
Uma avioneta faz-se á pista de Caia e, uma jovem de vinte anos com o seu filho de dois meses descem.
Além de seu marido que a aguardava, ao seu lado estava o Engenheiro Carrilho, naquele modo educado e brincalhão, a dar-lhe as boas vindas e a divertir-se com o seu ar assustado.
Foi bom encontrá-lo.
A jovem suspirava por saudades de Maputo e aquele fim do mundo, aquela umidade, aquele calor doentio, aquelas chuvas castigavam seu peito... Era enfim uma zona de Moçambique que não conhecia.
Nos serões na grande varanda de estilo colonial falava-se de terras e gentes de Cabo Delgado, da faculdade já que todos que ali estavam estudaram na mesma época na Faculdade de Engenharia em Maputo: o Zé Rendas e o Japs - José António Pereira da Silva que vive em Maputo. Eram da Somopre - da ponte sobre o Zambeze. E o marido da jovem trabalhava na Manuel da Silva Oliveira... a celebre estrada centro nordeste... O Engenheiro José Carrilho era da fiscalização por parte do governo.
Com o tempo, o estado do bebê , filho da jovem, ia piorando vítima de uma grave disfunção muscular. A jovem levou-o para se tratar e viver em Portugal,... mas ela voltou depois de deixá-lo com os seus pais na Povoa de Varzim...Voltou para Caia.
Um dia, quando regressa da Beira na avioneta do Guerra , chega a casa e é informada que o seu marido está preso e a ser interrogado pelo grupo dinamizador e policia.
Em pânico procura ajuda...
Está no seu quarto lavada em lágrimas quando alguém bate á porta e senta-se ao seu lado, abraça-a e diz-lhe:

- "Nada vai acontecer. O Delgado (marido da jovem) é um bom colega e um bom profissional, confia em mim, não permitirei que lhe façam mal."

E partiu...
A noite decorreu cheia de lágrimas.
Mais dois dias se foram e ninguém aparecia.
Disseram à jovem que o Engenheiro Carrilho presidia às reuniões sempre muito zangado quando falava.
Ao fim do terceiro dia, o sol começava a pôr-se e a jovem ouve gritos dos empregados da casa.
Corre para o portão e aos poucos vai saindo para o meio da estrada de terra vermelha batida pela chuva com explosões de pequenos cristais, tamanha era a força com que a água tocava o chão.
Ao fundo começavam a surgir duas silhuetas que pareciam emergir do estrondo da trovoada e relâmpagos... Eram José Carrilho e João Delgado!... Ali os dois... todos molhados...
A jovem desmaia e acorda na sala.
Ao seu lado o seu marido pálido com a barba por fazer de dias e o Engenheiro José Carrilho... ...
Um dia partiram para Maputo e, no aeroporto, a jovem abraçada ao Engenheiro Carrilho promete que nunca o esquecerá e voltaria a encontrá-lo.

1997 - Pemba... Um abraço bem forte: o Zéca Carrilho ali estava. Conheceu o bebê já homem e mostrava felicidade porque aquela mulher, aquela família, nunca o esqueceram...

1998 – Maputo, foi a ultima vez que o viu.

2005 – Hoje, essa jovem sou eu. O bebê é o meu filho mais velho de 30 anos, irmão de mais três. Muitas vezes me lembro da noite em que o pai dos meus filhos voltou para casa quando, numa época política instável e tumultuada que se vivia em Moçambique, quando poderia ter ido prisioneiro para um dos campos da Gorongosa.
Sou moçambicana. Com os erros passados aprende-se a construir um país melhor... mas ali, naquele tempo, o enorme coração do Engenheiro Zeca Carrilho evitou que um ser humano fosse vítima de um erro.
Considero-te Zeca Carrilho, uma das estrelas que mais brilhará no céu de Caia e Moçambique.
Quem sabe a qualquer hora, ao olhar o firmamento estrelado, irás mandar-me uma mensagem, um sinal, como acontecia quando éramos parceiros nos jogos de cartas de tantos serões?...
E então, pedir-te-ei, seja lá onde estiveres, para tomares conta de nós, como tão bem fizes-te em 1975/76 na distante Caia.
Aqui deixo a eterna saudade das famílias Delgado e Fernandes Pinto.
Um beijo terno muito meu.
- 06/10/2005, Maria Manuela de Fátima Marques Pinto (Fátinha).

- Do ForEver PEMBA em 09 de Novembro de 2005 e via mensagem postada no Bar da Tininha alusiva ao aniversário de falecimento do saudoso parceiro e amigo desde os bancos escolares na então Porto Amélia – Zeca Carrilho.

(Transferência de arquivos do sitio "Pemba/Régua" que será desativado em breve)

5/10/10

Retalhos: De Porto Amélia a Pemba - Apontamentos de Histórias Perdidas 2...

Outras Histórias perdidas...:
Ex-farmacêutico, ex-polícia, José Alves vive (vivia em Portugal...) em condições desumanas!!!!

DR. JOSÉ ALVES - O Diabo (jornal português) retoma a causa dos espoliados das ex-colónias e aborda mais um caso humano dramático: José Alves, de 88 anos, vive agora os últimos dias da sua vida em condições difíceis. Para trás fica uma história côr-de-rosa de um licenciado em Farmácia por terras de Moçambique:
Da polícia para a Universidade - Na recôndita aldeia de Gondelim, concelho de Penacova, todos o identificam como o «doutor José Alves», devido ao seu passado como farmacêutico. Este idoso, de barba e cabelos brancos em desalinho e unhas enegrecidas, move-se com muita dificuldade, apoiando-se num providencial cajado.

A idade não perdoa. Para ele o tempo passa devagar. Muito devagar. Revela uma lucidez e uma preparação intelectual invulgar para um homem de tão provecta idade. Vive ao abandono e somente a generosidade dos sobrinhos lhe disfarça a fome. Sobrevive com uma parca pensão de 30 contos.

Ele é um dos muitos espoliados das ex-colónias, que, da noite para o dia, ficou com uma mão-cheia de nada. Dir-se-ia que como o deste homem, nascido no período em que a I República dava os primeiros passos, há centenas de casos em Portugal. É possível. Mas cada história é uma história, e a de José Alves reveste-se de peculiaridades.

A pacata Gondelim, nas imediações da Barragem da Raiva, foi a terra que o viu nascer. Afecto à classe dos "pés-descalços" como faz questão de realçar, começou logo aos 5 anos a trabalhar no campo. «Não de sol a sol, mas de estrela a estrela», apressa-se a corrigir. O serviço militar foi cumprido em Vendas Novas. Os estudos ficam para trás sem grande êxito, apesar das otencialidades que todos lhes reconhecem. Concluiu o 2º ano do liceu apenas com a instrução primária cumprida. Entretanto, aceita o desafio de dois colegas e concorre à polícia.

Entusiasmou-se, e mais tarde retomou os estudos. A experiência obtida numa farmácia da terra fá-lo ganhar o gosto por estas matérias. Demanda a «cidade dos estudantes», onde tira o bacharelato em Farmácia, para espanto de muitos que indagavam o que fazia um polícia na universidade. Só posteriormente, com 35 anos e uma distinta média de 15 valores, logra a licenciatura na Universidade do Porto. Inicia o périplo por algumas farmácias do País, primeiramente no Padrão, no centro da cidade do Porto.

Mas o apelo das províncias ultramarinas revelar-se-ia mais forte. Em 1948 instala-se em Moçambique, na cidade de Lourenço Marques, na Farmácia Augusto Nazaré, onde era sócio a título simbólico, porque «a lei assim o obrigava». O despedimento leva-o até ao estabelecimento de João Ferreira dos Santos, na ilha de Moçambique, descoberta por Vasco da Gama em 1498 e onde os portugueses se instalaram em 1506. Reconhece que em três anos de permanência em África arrecadou mais do que nos restantes anos em Portugal. «Só para dar uma idéia, passei de dois para seis contos por mês, o que na altura era significativo.»

Em 1956 atinge a emancipação, quando passa a gerir a única farmácia de Porto Amélia. O facto de ter prescindido de ajudante obrigou-o a uma entrega total ao negócio, trabalhando «24 sobre 24 horas». -Ganhei a independência e deixei-me ficar para ver se ganhava mais algum. Só num mês acumulou 50 contos.

O esboroar do sonho africano - Os dias de tempestade levam-no à cadeia, apesar de ser o primeiro a reconhecer que o «preto moçambicano gostava de ser português». Detido, conviveu com nove pessoas como sardinha em lata, sujeitos a torturas e interrogatórios numa cela à temperatura de 40 graus. As acusações de traidor eram as mais frequentes no tempo de cativeiro, período em que perdeu dez quilos. -Só havia pão e água, e o peixe que serviam era podre e nem os cães o queriam comer, relembra.

Entretanto, dá-se a transferência da prisão provisória de Porto Amélia para o estabelecimento prisional de Machava, em Lourenço Marques. «Não me mataram porque não quiseram», relata, e conta as suas experiências nesta prisão política.

Aos 65 anos regressa a Lisboa, com "alguma roupa e um transístor". Dinheiro nem vê-lo. Antes de ser detido depositou cinco mil contos no consulado português em Moçambique, quantia que nunca mais reaveu. Fala com especial ternura do "canudo da formatura, escrito em latim", que o precipitar dos acontecimentos fizeram com que ficasse esquecido nas quentes terras de África.

Já em Lisboa seria acolhido pela Santa Casa da Misericórdia, onde, ironicamente, declara «não ter visto mostras de muita santidade».

À reforma social, no valor de cinco mil escudos, juntava-se o mesmo montante para a reforma da polícia, na sequência de um decreto-lei da responsabilidade de Mota Pinto, que privilegiaria quem tivesse sido funcionário do Estado. Um dia, na Segurança Social, um zeloso funcionário informou-o de que «não podia ter direito a duas reformas». Resultado: ficou reduzido a uma reforma, do tempo em que foi agente da autoridade. Do período em que foi farmacêutico, só perduram as memórias, porque da compensação social, nem tusto.

Por estes dias dorme num leito tosco e pobre sob quatro paredes sem condições, que, gracejando, denomina como «o palácio do doutor». Confessa que sofre muito com os rigores do Inverno, e o que lhe vale é o ar puro proveniente da imensa mancha de pinhal que o circunda - se calhar o segredo da sua longevidade.

Mais um, dos muitos casos, que continuam a escapar à sensibilidade dos políticos da nossa praça.
Nota da redação do "O Diabo": Indaguei, por várias vias, se o Dr. José Alves ainda seria vivo e soube que ele teria morrido em finais de 2001.

AQUELAS FIGURAS DE PEMBA QUANDO ERA PORTO AMÉLIA... ou saudades daquela "má-lingua" - amigável e no bom sentido - que nos fazia sorrir...! - (Trechos extraídos do Bar da Tininha-Yahoo!"):
Sobre o Dr. José Alves - De: Fernando Gil - Data: Dom Mai 11, 2003 10:55 am - E o WalksWagen a apodrecer em frente à porta da farmácia? Lembram-se? Mas não sei se vocês sabem um pouco da história da vida deste Homem. Ele era polícia em Portugal e, ficando sem pais, ajudou um irmão mais novo a formar-se. Como tantas vezes e infelizmente acontece, quando o irmão se apanhou com "canudo" não mais o quiz ver e contactar. Ele, que só tinha a 4ª classe, encheu-se de brio e em 3 anos, a trabalhar, fez o liceu e entrou na Universidade para Farmácia. Foi assim que, quando acabou o curso, foi ter com o irmão com a passagem para Moçambique e o "canudo de farmacêutico" e tanto se quis isolar que escolheu o lugar mais remoto em Moçambique: Porto Amélia, na altura. Era um bom homem que ajudava muita gente cedendo medicamentos de borla a muitos africanos. Um abraço.
- Fernando Gil.

De: Jorge Alberto Eusébio Carneiro, Data: Dom Mai 11, 2003 12:00 pm - Lembro-me sim que era o José Carrilho, magro de estatura média/alta. Dos frequentadores do Bar para além de todos os nomeados muitos outros como o Cristina (Mário?) (Sagal e algodão-compras??), o Nuro Gani muito amigo da minha familia e de nós em especial e de muitos dos condutores de camião ao serviço da Sagal. Pesquei também nas noites na ponte/cais com o dr. Alves e isto numa altura em que em 57/58 o Governo deu a possibilidade de férias pagas a quem cá estivesse na Universidade e tivesse os Pais em Àfrica; as alternativas então eram ir para o cais no fim da tarde/noite, ir para o Desportivo ou para o Pemba jogar ping-pong. Foi por esses anos que a praia do Wimbe começou a ser mais frequentada; até então era a praia em frente à Sagal e de vez em quando a chamada praia do Palmar que julgo eu era nas cercanias do Wimbe. Bom domingo a todos.
- Jorge Carneiro.

Sobre o Carling do Miéze - De: Antonio Fernandes Coelho - Data: Seg Mai 12, 2003 5:34 am - Assunto: Alemão solitário - De seu nome Carling (é assim que se escreve?) era o maior fornecedor dos saborosos carangueijos nados e criados nos matopes e mangais do Mièze...
Por falar em figuras "típicas" daqueles tempos; quem se lembra daquele que, na loja do Ávila ao lado do Marítimo, recusou comprar umas quantas chávenas porque, segundo ele, tinham a asa do lado esquerdo e lá em casa ninguem era canhoto?
Se não é verdade, pelo menos a história corria... e umas tantas outras do género, atribuidas ao mesmo personagem?
Fica o desafio à vossa memória.
E quem se lembra do pequeno-grande homem, alfaiate, de nome Piera?
Vamos lá a puchar pelos neurónios... e a tirar do baú as recordações que pertencem à infância de todos.
RECORDAR É VIVER!
- António Fernandes Coelho.

Sobre o Dr. José Alves - De: João Manuel C Araujo - Data: Seg Mai 12, 2003 5:52 am - Do Dr. Alves lembro-me de 2 curiosidades:
  1. Uma vez tive uma virose, supostamente depois de ter sido objecto de rigorosas manifestações de irritação por parte de uma cria de Leoa capturada pelo Sr Nunes Vicente (lembram-se dele?). O Dr. Alves, que além de bom coração era conhecido pela sua frontalidade teve o seguinte comentário dirigido à minha Mãe: "Ó minha senhora, isso não é nenhuma virose. É daquelas doenças que periodicamente matam uma data de crianças por aí!". Mas sou mesmo eu que vos estou a escrever...
  2. Conta-se (será talvez lenda) que periódicamente ia ao Banco com um tambor de lata de óleo cheio de notas para fazer depósitos (a curiosidade é o tambor).

Já agora, e prometo continuar brevemente, lembro:

  • A madame Dallman(?) que foi a primeira senhora que vi a conduzir camião e a fumar cachimbo. Se bem me lembro vivia ao lado dos Andrade Pais.
  • Um capataz alemão da plantação do sr. Moreira Longo, de nome Siegert, que tendo adormecido em cima de uma árvore enquanto esperava por um leopardo caiu da árvore quando o leopardo lhe "atirou" com um rugido.
Abraços,
- João Manuel Araújo.

Sobre o Dr. José Alves - De: Antonio Fernandes Coelho - Data: Seg Mai 12, 2003 7:20 am - Falando do Dr. Alves, contava-se ainda a história de uma conhecida e querida figura da "nossa Praça" que um dia lhe foi pedir um creme para as rugas.
O nosso amigo, com ar pensativo, pôs-se a olhar as prateleiras dos medicamentos enquanto cantarolava baixinho:

- "Oh tempo, volta p'ra trás"...

Estava aviada a receita...
- António Fernandes Coelho

De: Jaime Luis Gabão - Data: Seg Mai 12, 2003 10:48 am - Assunto: Re: Alemão solitário - O tal das chávenas... Parece que lembrei... Não seria o famoso Pinto da Cunha ?...
- Jaime Luis Gabão

De: Inez Andrade Paes - Data: Seg Mai 12, 2003 11:53 am - Jaime, era sogra do Sr.Frank também consul da Alemanha que trabalhava na Pillipy. Era a Frau Dalman que nós por sermos amigos dos netos dela a tratávamos por Oma (Avó). Eles viviam mesmo ao nosso lado.
Muitos se devem recordar daquela pequena ponte que ficava no meio da grande avenida que ía ter aos fusileiros e que chamavam de Gravata.
Foi essa Senhora que numa das suas idas para "Pequena Macarara" (a machamba mais pequena ali perto da cidade)e já com um "grão" valente na asa, deitou uma das guardas da ponte abaixo, pois além de fumar muito gostava dos seus Whiskies...
Foi a melhor maneira de fazer ali uma avenida decente.
Mais um abraço,
- Inez Andrade Paes.

De: Antonio Fernandes Coelho - Data: Seg Mai 12, 2003 12:27 pm - Assunto: Recordações - Sim, Jaime, a pessoa em questão na história das chávenas é mesmo essa.
Falava-se ainda de uma sua ida à Capitania do Porto para obtenção de licença para ter o Petromax aceso na varanda. É que, no gozo, o "velho" Patacua, ex-faroleiro, o convencera de que a luz podia induzir os navios em erro... (da casa dele nem o mar se via, embora fosse perto).
Havia histórias fabulosas naquela terra! Basta começar a recordar e é como as cerejas; vêm umas atrás das outras.
Lembram-se de alguém que, à noitinha, junto ao Estádio e escondido no banco trazeiro de um carro, levou com uma chapa de matrícula na tola?
NB: Desculpem mas aqui não há nomes.
- António Fernandes Coelho.

De: Zé Norberto - Data: Seg Mai 12, 2003 1:46 pm - Assunto: Re: Recordações - Eu era muito miúdo, mas falavam tanto das originalidades dele que virou "herói" da minha infância. Devia ter tido qualquer coisa a ver com o carvão. Não foi por isso que vocês, os da geração do Tó Coelho e do Jaime, terão dado carinhosamente a alcunha de Charbonnier ao filho, irmão da Adélia, ou já estarei confuso?
Um dia foi à Niassa Comercial devolver uma máquina de escrever novinha que havia comprado só porque alguém lhe disse que ela dava erros ortográficos!
Um abraço.
- Zé Norberto

De: João Manuel C Araujo - Data: Seg Mai 12, 2003 3:03 pm - Assunto: [Bar da Tininha] Re: Pois... - E doeu que se fartou. Ainda tenho cicatrizes visíveis. Mas o pior estava para vir: quem me tratou foi o inesquecível Dr. Carmo, que não se calou nem 1 segundo enquanto me limpava os cortes.
- João.

De: Antonio Fernandes Coelho - Data: Seg Mai 12, 2003 5:07 pm - Assunto: Recordações - Oh Zé Norberto,
Com pena minha mas estas (maldita falta de acento aqui no teclado de casa) enganado.
O Charbonier era o saudoso Luis Faria (o pai negociava carvão e a malta, pimba: Sai alcunha. Sabes como é...).
Essa da maquina de escrever estava engatilhada mas disparaste tu, tudo bem. Vale na mesma.
Rodam-me na mente mais algumas historietas que irão saindo com o tempo. Saborear devagar sabe melhor.
Quanto a nomes, tem paciência Jaime mas tem que ser com muitos "pesinhos de lã" pois casos ha que são um tanto sensiveis.
Vamos com calma. Voltaremos à chapa na tola. Prometo.
- António Fernandes Coelho.

De: Zé Norberto - Data: Ter Mai 13, 2003 6:13 pm - Assunto: Re: Recordações - Obrigado, Tó Coelho. Bem me parecia que eu estava equivocado sobre qual deles tinha tido o privilégio de ser rebaptizado Charbonier. Ainda bem que a tua memória é mais fiável do que a minha!
Um abraço.
- Zé Norberto.
(Transferência de arquivos do sitio "Pemba/Régua" que será desativado em breve)