7/28/07

Cabo Delgado - Mecúfi retoma produção de algas.

Depois de dois anos de interregno Mecúfi retoma produção de algas.
O posto administrativo de Murrébuè, distrito de Mecúfi, em Cabo Delgado, acaba de retomar a produção de algumas espécies de algas marinhas, depois de cerca de dois anos de interrupção devido a doenças não identificadas. Em 2004, uma das referidas doenças atacou a espécie “spennos”, que fora introduzida em 1998 por uma empresa filipina que acabou abandonando a actividade, deixando os produtores locais no desemprego.Acreditando nas potencialidades da região, a Fundação Aga Khan volta a interessar os camponeses e pescadores daquela região no sentido de retomarem o cultivo de algas marinhas. Desta vez aquela agremiação pretende introduzir uma nova espécie designada “cothoni”, que acredita poder vir a florescer.
Dados colhidos pela nossa Reportagem indicam que desde Fevereiro que residentes das aldeias pertencentes ao posto administrativo de Murrébuè retomaram a produção, mas em quantidades que ainda não justificam a sua exportação.
Na aldeia Zaulaue, por exemplo, 14 homens e 68 mulheres trabalham num total de 219 “machambas” de algas marinhas. Em Secura, outra aldeia pertencente ao posto de Murrébuè, há 500 potenciais produtores mas estão em actividade apenas 61 mulheres e 10 homens, que trabalham em 173 “machambas”.
Está-se perante um quadro em que todo o posto administrativo tem registados 861 potenciais produtores, sendo à partida, claro, que aquela actividade é abraçada maioritariamente por mulheres, uma vez que os homens dizem estar à espera de avaliar os primeiros resultados.
A produção de algas marinhas, aparentemente simples, como julgam os residentes locais, enfrenta desafios que necessitam de um cada vez maior empenho não só da Fundação Aga Khan, como também do Governo.
Os produtores colocam o problema do mercado para a sua produção, o seu licenciamento, bem como o de instalações para armazenamento das algas já secas. A Aga Khan é a única que funciona como interlocutora e, neste momento, é quem garante haver um vasto mercado para a produção, embora recomende que os produtores juntem a sua produção em quantidades mínimas de 500 toneladas para justificar a opção de exportação.
Os produtores, por sua vez, mostram-se apostados em continuar com a produção, mas afirmam que os próximos passos devem incluir a formação de extensionistas que propaguem as boas práticas de produção e processamento, um aprovisionamento melhorado e o aumento do preço de venda que se situe acima dos actuais cinco meticais por quilo.
A chefe da aldeia Secura-B disse que a produção das populações chegou a contribuir para a redução da pobreza, nos tempos da vigência da extinta empresa Gennu, Lda, pelo que o seu ressurgimento renova as esperanças mas impõem a superação das indefinições que actualmente se colocam.O régulo de Murrébuè, por seu turno, exige uma explicação sobre os contornos que envolvem a produção de algas para poder avançar com uma mobilização das suas comunidades para se entregarem à produção.
O porta-voz da Fundação Aga Khan, Letreton Saah Nyambe, acredita que as populações das aldeias daquele posto administrativo podem tornar-se grandes produtoras de algas, desde que haja uma interiorização dessa possibilidade e que a luta da sua organização seja correspondida pelo esforço dos diversos segmentos da sociedade.
Ele acrescenta que a fundação está a fazer o melhor que pode para interessar os compradores, para o que esforços deverão ser multiplicados com vista a garantir que a produção possa satisfazer a demanda em caso de aumento da procura.Neste momento, a produção de algas situa-se nas 2,5 toneladas desde Fevereiro deste ano.
Maputo, Sábado, 28 de Julho de 2007:: Notícias

Cabo Delgado - Trocaram administradores e não avisaram...

Movimentações de administradores.
Registaram-se as esperadas mudanças dos administradores dos distritos de Quissanga, Muidumbe e Mecúfi. Esperadas, porque delas se falava há muito tempo. Não houve notícia, cerimónia presenciada por quem tem a responsabilidade de dizer aos outros o que aconteceu. A seguir, três a quatro dias depois chegou a confirmação.
Não é obrigatório que seja presenciada pela comunicação social a mudança de administradores mas, desta vez a coisa não foi muito normal e acaba encaixando a ideia de que se tratou de mudanças decididas a partir de fora de Cabo Delgado.
Alafo Abdala, professor que dirigiu a Educação durante muito tempo em Mocímboa da Praia, a partir de onde se lhe descobriram as qualidades administráveis, começou por dirigir o distrito do Ibo, naturalmente pacífico. Ninguém pode dizer se fez um bom ou mau trabalho naquela região insular de Cabo Delgado.
A aparente animosidade das gentes do litoral em relação ao partido de Alafo Abdala, fez com que, já na segunda legislatura lhe confiasse mais um distrito “mwani”, nomeadamente Quissanga, fronteiriço do Ibo. Fez o que fez, antes dos sete mil meticais terem vindo atrapalhar o senhor professor, a ponto de não saber justificar o que terá feito na verdade.
O problema do conceito de Conselho Consultivo, por quem o idealizou, não estando claro, acabou sendo o administrador a comer pela medida grande, pois não se compreende que sendo teoricamente colegial a decisão da utilização daquele bolo orçamental na hora de exigir contas não se faça ao grupo, mas sim a uma única pessoa. Fica por reter a ideia de quem acha que os Conselhos Consultivos não são nada diferentes de um grupo de pessoas, que não sabem o que por lá andam a fazer.
Alafo Abdala terá cumprido a sua missão, mas acabou por ser muito impopular no distrito de Quissanga. Já havia atingido o seu mínimo e agora terá que voltar às turmas ou à sua direcção. A política acabou encurtando o respeito consensual que se lhe conhecia o professor Alafo Abdala.
Manuel de Lima Mário desta vez... há muito que se falava deste quadro como candidato a administrador. De cada vez que se anunciavam novos administradores o seu nome esteve associado àquela possibilidade. O seu currículo inclui o facto de ter dirigido o Grupo da Dívida, AMODEG e muitas outras iniciativas. Vai ter que levar Quissanga também a criar, desenvolver.
O outro professor foi mais infeliz ainda. Remígio Muandumbwe. Aqui tudo o que aconteceu se adivinhava se bem que a dúvida não residiu no facto de ele ter sido substituído, mas sim persiste aquela da razão que levou aos órgãos decisores a apostarem num homem que estava como estava na direcção dos recursos humanos da Educação. Acabou sendo desviado para dirigir Muidumbe.
Pensou-se que por ser nativo, Muandumbwe haveria de dirigir Muidumbe, um distrito que vive das suas próprias “leis”, onde o homicídio ou matar alguém por qualquer contenda, não é problema! Num distrito onde um seu conterrâneo que era administrador, Lázaro Chikumene, morreu linchado pela população, seus conterrâneos!
Muandumbwe foi-se enterrar em Muidumbe, onde chegou a vias de facto para disciplinar um colega, electricista da administração do distrito, por haver interrompido o fornecimento em energia eléctrica em plena festa. Terá que voltar, provavelmente, à direcção dos homens do ministério que lhe fez homem.
Havia abraçado o cargo político que o rotulou como administrador mais efémero da história de Cabo Delgado. Não fez dois anos!Foi substituído por um outro professor, Rodrigo Puruque, conhecido pela sua competência que fez dele um director distrital da Educação nostálgico em Meluco e trabalhou em Namuno duas vezes (transferido para Meluco e de novo transferido para Namuno), antes de ser secretário permanente em Montepuez.
Agora estamos à espera que aquela maneira de ser, sempre de muito respeito para com os outros, flexível no tratamento das pessoas e dos seus problemas, aquela sua religiosidade, possam servir para dirigir o distrito em que nem a Polícia se respeita.
Adriano César, é o administrador que tendo dirigido Quissanga se pensava que poderia ser útil a Mecúfi. E não foi? Mas desde que pisou o solo mecufense pareceu que algo estranho lhe perseguia. É o administrador que durante muito tempo era o único a andar numa motorizada, uma “DT-125”. Agora que chegou uma viatura “novinha em folha” é que está a sair!Não se percebeu lá muito bem o que terá (ou não) feito o César para o recuo que deu. Cheio de cursos de Administração Pública, quadro de mão cheia, mas o cargo político traiu-lhe. Oliveira Lade Ibrahimo é a personalidade que vai substituir César. Vem do sector do Comércio.
Pedro Nacuo - Maputo, Sábado, 28 de Julho de 2007:: Notícias

7/27/07

Diversificando - Biblioteca digital prestes a desaparecer...

Dizem-nos que vai ser desativada por falta de "uso"(acessos).
É de lamentar se tal acontecer.
Como se lamenta que poucos a utilizem.
Por isso divulgamos aqui o portal facultado pelo Ministério da Educação do Brasil - "Domínio Público - Pesquisa Básica" onde podem gratuitamente:
· Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci ;
· Escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
· Ler obras de Machado de Assis ou a Divina Comédia;
· Ter acesso às melhores historinhas infantis e vídeos da TV ESCOLA
· E muito mais...Só de literatura portuguesa são 732 obras!
"Uma biblioteca digital é onde o passado encontra o presente e cria o futuro."
Dr. Avul Pakir Jainulabdeen Abdul Kalam - Presidente da Índia - 09/set/2003
O "
Portal Domínio Público", lançado em novembro de 2004 (com um acervo inicial de 500 obras), propõe o compartilhamento de conhecimentos de forma equânime, colocando à disposição de todos os usuários da rede mundial de computadores - Internet - uma biblioteca virtual que deverá se constituir em referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral.
Este portal constitui-se em um ambiente virtual que permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos, sendo seu principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada, que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal.
Desta forma, também pretende contribuir para o desenvolvimento da educação e da cultura, assim como, possa aprimorar a construção da consciência social, da cidadania e da democracia no Brasil.
Adicionalmente, o "
Portal Domínio Público", ao disponibilizar informações e conhecimentos de forma livre e gratuita, busca incentivar o aprendizado, a inovação e a cooperação entre os geradores de conteúdo e seus usuários, ao mesmo tempo em que também pretende induzir uma ampla discussão sobre as legislações relacionadas aos direitos autorais - de modo que a "preservação de certos direitos incentive outros usos" -, e haja uma adequação aos novos paradigmas de mudança tecnológica, da produção e do uso de conhecimentos.
Fernando Haddad - Ministro de Estado da Educação do Brasil
(Informação oferecida por M. G. Lemos no Bar da Tininha de Porto Amélia/Pemba)

Pemba - Literatura - Marcelino Ngalilo Ding’ano.

Sou filho de antigos combatentes mas não sou antigo combatente - Marcelino Ngalilo Ding’ano, autor de “Órfãs Efémeras”, livro lançado semana passada em Pemba.
Na véspera do dia do lançamento do seu livro envolve-se num acidente de viação e contrai uma fractura num dos membros superiores. A partir do hospital provincial de Cabo Delgado, em Pemba, distribui mensagens aos amigos dando conta do sucedido que “mesmo assim, a cerimónia tem lugar amanhã mesmo”.
É filho de combatentes da luta de libertação nacional, o escritor que semana passada lançou o livro “Órfãs Efémeras”, na cidade de Pemba, Cabo Delgado, mas não se quer afirmar antigo combatente, como o fazem, segundo diz, muitos oportunistas. Acha injusto. Prefere viver honestamente a vida.
“Nasci durante a luta armada, não fui a nenhum outro sitio fora do território moçambicano. Portanto nasci e cresci no território de Cabo Delgado. Vivi todas as circunstancias da guerra (as amarguras, os horrores...) tudo o que a guerra impunha, apesar da idade vivi na carne, mas não tenho razão para me afirmar antigo combatente”, palavras do artista.
Ele pretende contrariar a ideia ora prevalecente, sobretudo em cabo Delgado, de que os filhos dos antigos combatentes são igualmente antigos combatentes e, vai daí usufruírem dos direitos àqueles reservados, incluindo a pensão de reforma.
“Li um pouco o estatuo da Associação dos Antigos Combatentes da Luta de Libertação Nacional e vi que me dá chance de o ser, mas não quero pôr-me ao luxo de convidar-me pessoalmente para o ser. Não quero nem aproveitar a mentira. O máximo que posso fazer é inscrever-me, se calhar ter cartão, mas não como caminho ao encontro de benesses. Uma alternativa para colher benefícios. Não estou interessado”.
Acrescenta que seria bom dizer que foi estudante nas zonas libertadas do que procurar o luxo de ter sido antigo combatente, alegadamente porque encara isso como pessoas que pegou em armas e esteve na frente da batalha.
“Eu nunca fiz isso, apesar de ser verdade que muitas vezes fugi na companhia dos meus pais às incursões inimigas, base da minha inspiração para fazer este livro, mas não é isso que me pode qualificar antigo combatente”.
Marcelino Ngalilo Ding’ano é o novo homem das letras que Cabo Delgado passou a conhecer publicamente, a partir do dia 20 deste mês.
Disse que tinha ouvido dos seus professores e outras pessoas mais experientes que escrever (ou por outra publicar) não era brincadeira nenhuma. Curiosamente, conforme ele, nunca ninguém lhe havia dito que, afinal era o dinheiro era preciso. Que também aqui é o dinheiro que fala.
È como se chegou a dizer no acto do lançamento, que “ainda há, em Moçambique, quem fica 20 anos com algo para dizer, mas não o consegue”. Há muitas limitantes para que as pessoas usem do seu direito a apresentar a sua opinião, a sua arte, as suas vivências e, enfim, o direito a ser ouvido. Ainda o viver fora dos corredores á volta das grandes capitais provinciais, é um dilema. O estar a 2.800 quilómetros da capital, é duplo problema. “É confrangedor. Fiquei mais desesperado no período de espera de patrocínio do que naquele de inspiração, da edificação da minha própria obra. Em 20 anos outros produzem três a quatro livros. Houve muitos motivos para desesperar, mas acabei acreditando até sair com ‘Órfãs Efémeras’, sabendo, entretanto, que se estivesse num outro sitio deste país, não enfrentaria as mesmas dificuldades, teria menos”, lamenta Ngalilo Ding’ano.
O autor traz-nos, na verdade, uma história de duas meninas irmãs, que regressaram de volta do seu inocente passeio pela aldeia duma região a norte de Cabo Delgado, então circunscrição de Palma, se certificam que não mais tinham pais por ali, porque exactamente durante a sua ausência se registou um bombardeamento da tropa colonial que dispersou os habitantes da povoação.
“Órfãs Efémeras” pretende trazer ao público leitor o momento psicológico em que viveram os pais e as crianças, depois do ataque inimigo que nunca mais os voltaria a ligar, sendo que cada uma das partes ficou sem saber o paradeiro da outra.
Escreveu, segundo ele confessa, com uma terminologia à maneira bantu, mais precisamente à maneira maconde, para que o “bolo” deste ensaio saiba ao caldo secular e delicioso dos caracóis do planalto e chama à atenção para outros factos.
“De nomes, actos e factos com alguma realidade material e/ou imaterial, a semelhança é, muitas vezes uma coincidência dolorosa!... quando um escritor se submerge no seu mundo indiscritivo, ele fica ciente das ciladas que vai armando a muitos, porque ao longo desse arriscado voo literário”.
Acrescenta que “a língua, a palavra, a emoção e a fantasia da sua loucura ensaísta vão ás vezes, disferindo, é verdade, inocente e impreterivelmente, a quaisquer que se julguem lesados. È a magia dos nossos dons a culpa daquele que nos infundiu sublime inteligência”.
Pedro Nacuo - Maputo, Quarta-Feira, 25 de Julho de 2007:: Notícias

Diversificando - Sinto vergonha de mim !

Texto de Cleide Canton e Rui Barbosa por Rolando Boldrim:

(Para evitar sobreposição de sons, não esqueça de "desligar" o "Rádio Moçambique" no lado direito do menu deste blogue.)

7/25/07

Diversificando - Sons que suavisam seu dia...

Vale a pena acessar:
O brasileiro, paulista, jornalista, compositor, escritor, roteirista, produtor musical Nelson Cândido Motta Filho criou o site do seu programa musical Sintonia Fina, com um belo arquivo de músicas. Aqui - http://sintoniafina.uol.com.br/
Visitem, ouçam e um belo dia...ou noite para todos !