2/03/08

A maKonde Reinata Sadhimba Passema e Inácio Matsinhe expôem em Lisboa.

Segundo o "Moçambique Para Todos" do macua Gil, acontece este mês exposição na galeria African Contemporary em Lisboa de Reinata Sadhimba (cerâmica escultórica) e Inácio Matsinhe (pintura, crâmica e escultura). Estará patente até ao final do mês.
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REINATA SADIMBA (Sadhimba) Passema (1945) (vêr obras disponíveis) - Reinata Sadimba nasceu em 1945 na aldeia de Nemu - planalto de Mueda e Província de Cabo Delgado, Moçambique.
Filha de agricultores, recebeu a educação tradicional dos Makondes que incluia o fabrico de utensílios em barro.
Apesar dos makondes atribuirem o papel preponderante na sociedade às mulheres, em Moçambique, e também na Tanzânia, a escultura é ainda um "trabalho de homens".
É provavelmente por esse facto que poucos levaram a sério o trabalho de Reinata no início.
No entanto, em 1975 ela inicia uma transformação profunda das suas cerâmicas tornando-se conhecida pelas suas formas fantásticas e estranhas.
Reinata Sadimba é hoje considerada uma das mais importantes mulheres artistas de todo o continente africano.
Recebeu inúmeros prémios e distinções pelo seu trabalho na Bélgica, Suiça, Portugal e Dinamarca e o seu trabalho está representado em várias instituições como o Museu Nacional de Moçambique, o Museu de Etnologia de Lisboa ou a colecção de Arte Moderna da Culturgest e inúmeras colecções privadas em todo o mundo. (fonte African Contemporary art gallery)
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INÁCIO MATSINHE (1945) (vêr obras disponíveis) - Inácio Matsinhe nasceu em Maxixe, Moçambique em 1945.
É um dos grandes nomes das artes plásticas Moçambicanas.
Fortemente ligado à sua terra natal, a sua pintura e cerâmica mostram geralmente cores vivas e quentes: encarnados, amarelos e azuis-cobalto mas também por vezes nostálgicas com amarelos e verdes.
Matsinhe frequenta ainda muito jovem, com 17 anos, a Escola de Artes Decorativas e em 1976 ganha a primeira de duas bolsas de estudo atribuidas pela Fundação Gulbenkian.
Esta oportunidade para estudar no exterior foi fundamental para a sua carreira.
Inácio Matsinhe começa por estudar técnica de ceramica na Pietro Vannucci Fine Arts Academy em Itália.
Em 1977 frequenta o Polytechnic Institute Sir John Cass - School of Arts em Londres e abre o seu atelier em Alfama, onde para além de formação, proporciona a outros artistas um espaço de exposições e encontros.
Matsinhe expõe regularmente desde os anos 60 em todo o mundo desde Portugal e Espanha ao Reino Unido (African Center-Londres) ou aos Estados Unidos (World Surrealist Exibition-Chicago).
O seu trabalho está representado em inúmeras colecções privadas mas talvez a sua obra mais emblemática seja o enorme painel de azulejos na Av. Gago Coutinho em Lisboa. (fonte African Contemporary Art Gallery)
  • African Contemporary Art Gallery - aqui !

1/31/08

PORTUGAL - Micro-cápsula endoscópica aperfeiçoada na Universidade de Aveiro.

A medicina avança, aperfeiçoa-se, buscando melhores resultados e minimizar os incómodos que determinados exames preventivos causam. E, em Portugal, os "jovens cientistas" da Universidade de Aveiro para isso vão também contribuindo com mérito. Esperamos só que tais avanços fiquem disponíveis, acessíveis para utilização da população de poder económico baixo não só de Portugal (onde últimamente os serviços públicos de saúde estão gerando polémica e desagrado generalizado) como dos países africanos de expressão portuguesa até ao Brasil inclusivé.
Só quem já fez uma endoscopia à "moda antiga" sabe o quanto é desagradável...
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A cápsula endoscópica, um micro-dispositivo que permite filmar todo o tracto intestinal durante o processo de digestão, foi aperfeiçoada.
Um grupo de investigação da Universidade de Aveiro, em parceria com médicos do Hospital de Santo António, no Porto, conseguiu diminuir o tempo de visualização do exame (oito horas) permitindo aos médicos um ganho de 15 minutos.
O estudo que foi publicado na edição deste mês da revista científica norte-americana “IEE – Transactions on Medical Imaging”, refere-se à primeira parte da investigação.
"Prosseguimos a pesquisa no sentido de conseguirem ser detectados automaticamente problemas específicos como áreas de sangramento e pólipos [formações pré-malignas]. Já temos resultados significativos que ainda não foram publicados", explica ao PÚBLICO o orientador do projecto, João Paulo Cunha.
Os investigadores envolvidos no projecto conseguiram superar o principal entrave deste método: a duração do processo de visualização do filme pelo médico especialista com vista à obtenção de um diagnóstico.
Através do desenvolvimento de novos algoritmos de processamento digital de vídeo e da sua integração numa plataforma computacional os médicos conseguem um ganho de 15 minutos, chegando mais facilmente às áreas que pretendem visualizar.
Contendo no seu interior uma pequena câmara de vídeo, a cápsula endoscópica permite visualizar áreas do intestino delgado que, de outra forma, seriam impossíveis de alcançar.
Outra das vantagens deste exame é que, ao contrário da endoscopia tradicional, não causa qualquer incómodo para o doente.
“O doente pode fazer uma vida normal durante as oito horas de duração do exame. No final é apenas necessário a leitura da informação armazenada na unidade e a sua posterior análise”, informa um resumo do estudo divulgado na internet.
A cápsula endoscópica que começou a ser administrada a nível mundial em 2001 só chegou a Portugal em 2003.
Desenvolvida no final da década de 90 por cientistas israelitas e ingleses, os últimos avanços referentes a este exame têm sido levados a cabo pelos investigadores da Universidade de Aveiro.

1/28/08

SAÚDE EM PORTUGAL - RÉGUA: Morreu Manuel Pinto, o idoso que o hospital de Vila Real mandou para casa NU !...

Mil e uma desculpas ou justificativas virão por aí...
Os arautos do governo e seus simpatizantes fanáticos lançarão ao ar que é tudo campanha orquestrada da oposição contra a "iluminada" reestruturação das urgências...
Só que, esses seres "iluminados", fecharam as urgências sem a tal reestruturação estar providenciada...
Ninguém se responsabilizará pelo caos, pela anarquia, pela desorganização, pela vergonha e pela tragédia que imperam no sistema de saúde português. Nem pela morte do pobre Manuel Pinto lá da pacata Godim na cidade da Régua onde fecharam a urgência hospitalar.
E acabarão por concluir que o único culpado foi o pobre do Manuel Pinto...teve a culpa de adoecer aos 79 anos de idade...aí, mandaram-no para casa em Godim na Régua, para morrer depois de lhe darem alta NU, numa maca...no hospital de Vila Real, o tal hospital onde também deram alta no passado dia 4 de Janeiro, a uma Mãe que não é a digníssima Mãe do Sr. Sócrates nem de nenhum ministro, depois de sete horas internada numa outra maca, num corredor qualquer desse tal hospital.
Resumindo, É UMA VERGONHA...para não dizer UMA TRAGÉDIA ! Mas melhor que qualquer linha que eu escreva, falarão as linhas que abaixo transcrevo retiradas da imprensa portuguesa de algumas horas atrás:
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Correio da Manhã/27.01.08 - Manuel Pinto, residente em Godim (Peso da Régua), tinha 79 anos. Sem um historial clínico de doenças, foi assistido no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real, e teve alta às O9h00 de anteontem. Às 14h00 voltou a dar entrada nas Urgências de Vila Real e duas horas depois estava morto.
A família quer apurar responsabilidades, perceber como é que os médicos não verificaram a gravidade do seu estado de saúde. “É incrível o que aconteceu. Como é possível deixarem sair um homem de aspecto cadavérico e sem roupa? E ainda mais deixá-lo ficar nas Urgências mais de quatro horas?”, interroga-se José Carvalho, o taxista que o transportou até casa ainda durante a manhã.O caso volta a colocar fortes dúvidas na qualidade da assistência a doentes. As acusações de negligência repetem-se e os familiares da vítima não escondem a indignação.Maria Julieta, viúva de Manuel Pinto, recorda os últimos dias de sofrimento, em que a saúde do marido parecia deteriorar-se. “Ele nunca tinha ido a um médico, mas nos últimos dias começou a queixar-se de dores de barriga”, lembra. As queixas agravaram-se na madrugada de sexta-feira. “Por volta das O2h15, chamei os Bombeiros da Régua, que o levaram para o Hospital de Vila Real. Passado quatro horas, uma médica disse-me que o meu marido não tinha nada de assustador. Tinha açúcar no sangue, tensão baixa e sintomas de princípio de pneumonia. Deu-lhe alta e passou algumas receitas”, continua.Maria Julieta ficou depois à espera de ser conduzida a casa. Visto que os bombeiros não consideraram que se tratava de uma situação urgente, foi necessário recorrer a transporte particular. Esperaram duas horas para serem conduzidos por um taxista amigo, possibilitando uma viagem acessível para os seus parcos recursos.Manuel Pinto chegou a casa ao princípio do dia. Aí ficou até às 14h00, altura em que piorou. “Como já não comia nada, chamei novamente os bombeiros”, recorda ainda a viúva da vítima, que o acompanhou na nova viagem às Urgências do Centro Hospitalar.Duas horas depois Manuel Pinho estava morto. Desconhece-se a causa da morte, que só será revelada com a autópsia. “Estou revoltada. Primeiro, se ele tem ficado no hospital da primeira vez, se calhar estava vivo. Depois mandarem o meu homem nu, para casa, sem uma peça de roupa. Nem uma bata lhe vestiram, é o desprezo completo”, lamenta Maria Julieta.A possibilidade de uma queixa junto do hospital não está posta de parte. O Centro Hospitalar vai amanhã averiguar o que sucedeu.
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ACUSAÇÕES AO HOSPITAL
Vizinho taxista que transportou Manuel Pinto para casa diz que o idoso estava nu quando teve alta em Vila Real.
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AINDA SEM EXPLICAÇÃOO
Centro Hospitalar promete amanhã averiguar o sucedido. Para já não tem explicação para morte do idoso.
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"CASOS IDÊNTICOS REPETIR-SE-ÃO"
“Era evidente quando o dissemos, há um ano, que o encerramento dos Serviços de Atendimento Permanente (SAP) sem estar finalizada a reestruturação das Urgências era um crime.” Foi desta forma que o bastonário da Ordem dos Médicos reagiu ontem aos mais recentes casos divulgados pelo CM. Pedro Nunes diz que, “mais cedo ou mais tarde, estes casos teriam de acontecer”. O bastonário entende que “casos idênticos repetir-se-ão se não for rapidamente repensado o sistema”.
- A reportagem integral aqui!
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Portugal Diário - 26.01.08 - Hospital enviou idoso para casa nu: Homem tinha 79 anos e recorreu ao hospital de Vila Real com dores de barriga, gripe e fraqueza. Deram-lhe alta de madrugada. Taxista encontrou-o numa maca sem roupa. No dia seguinte voltou ao hospital, onde faleceu.
Vizinhos de um septuagenário falecido sexta-feira no Hospital de Vila Real acusam a unidade hospitalar de «falta de humanidade», depois de terem encontrado o idoso «numa maca completamente nu», disse à Agência Lusa o taxista e vizinho que o transportou.
O vizinho e taxista José Carvalho contou que Manuel Pinto, de 79 anos, entrou na urgência do Hospital de Vila Real ao início da noite de quinta-feira, queixando-se de dores, gripe e fraqueza. Depois de ter sido avaliado pelos médicos, teve alta às 02:00 da madrugada de sexta-feira.
José Carvalho contou ainda que recebeu um telefonema de uma vizinha para ir buscar o idoso ao Hospital de Vila Real, onde o encontrou numa maca, completamente nu e num estado que considerou muito debilitado.
«Tive que gritar por ajuda, para que alguém me auxiliasse a levantá-lo, sentá-lo numa cadeira de rodas e transportá-lo até ao carro. E isto depois de ter sido eu também a procurar um casaco para o tapar, porque estava sem roupas», descreveu. À SIC, o mesmo taxista precisou que pediu à esposa para esta dar o seu casaco ao marido e que colocou o xaile dela a «tapar os genitais».
Também à SIC, a viúva explicou que o marido não conseguia controlar as necessidades fisiológicas, pelo que, quando chegaram ao hospital «despiram o meu homem todo e deixaram-no em pelota».
Depois de ter recebido alta e com um diagnóstico de que não era nada de grave, o idoso regressou a casa, em Godim, Peso da Régua, onde vivia com a mulher, de 80 anos. Só que durante a manhã começou a sentir-se cada vez pior. Regressou à urgência do Hospital de Vila Real ao início da tarde de sexta-feira, transportado pelos bombeiros do Peso da Régua, onde faleceu a meio da tarde.
Em declarações à TVI, a viúva do idoso, explicou que ainda não sabe o que vai fazer. Primeiro tem de falar com as filhas que estão emigradas na Bélgica.
O Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, no qual está inserido o Hospital de Vila Real, já anunciou que vai avaliar a ocorrência e pronunciar-se no início da próxima semana.
- A reportagem integral aqui !

Post's anteriores relativos ao assunto:

  • SAÚDE em Portugal - Como não é a digníssima Mãe deles que precisa do serviço de urgências hospitalares... - Parte 1 !
  • SAÚDE em Portugal - Como não é a digníssima Mãe deles que precisa do serviço de urgências hospitalares... - Parte 2 !
  • SAÚDE em Portugal - Como não é a digníssima Mãe deles que precisa do serviço de urgências hospitalares... - Parte 3 !
  • SAÚDE em Portugal - Como não é a digníssima Mãe deles que precisa do serviço de urgências hospitalares... - Parte 4 !

OLAVO BILAC - De Porto Amélia Pemba para o mundo da música

"Olavo Bilac nasceu em Porto Amélia (Pemba), Moçambique. Aos 8 anos chegou a Portugal, sem os pais. Com 21 começou a dar a sua voz aos Santos & Pecadores. Atingiu a fama de imediato mas num outro projecto, os Resistência." - Matéria de José Manuel Simões, Correio da Manhã - 26.01.08.
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Transcrevo:
Aos 40 anos e numa fase de regeneração, o músico vai casar e passar a lua-de-mel na terra onde viveu até aos oito anos.
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- Era um puto traquina?
- Desde miúdo que gosto de pregar sustos, apesar de ser carinhoso e bem-disposto. Caía de bicicleta e rasgava-me todo mas nunca parti nada. Conclusão: estava sempre a acontecer-me alguma coisa.
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- Que lembranças tem desses tempos em Moçambique?
- Lembro-me da cor do Sol, daquela terra de paz e alegria. É quando somos crianças que temos as maiores alegrias da nossa vida, sem preocupações. O clima ameno e os vizinhos com quem saltava de quintal em quintal a roubar fruta.
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- É por essas memórias felizes que vai passar a lua-de-mel na terra onde nasceu, Porto Amélia, agora Pemba?
- Cada vez mais sinto o apelo, o chamamento e a presença de África em mim.
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- Com oito anos chegou a Portugal. Como é que foi a adaptação?
- Foi muito difícil. Lembro-me que chegámos em pleno Inverno, eu vestido com uns calções da farda da escola primária de lá. Chovia imenso, fazia muito frio. Para tomar banho era um Deus que te havia. (risos)
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- Porque é que veio sem os seus pais?
- Viemos com uma senhora amiga, avó dos nossos vizinhos. Só um ano depois é que a minha mãe chegou, com os meus outros dois irmãos mais novos. O meu pai ainda ficou lá mais um ano.
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- E quando a sua mãe chegou...
- Pouco conhecia dela. Foi uma coisa muito crua.
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- Como é a relação com os seus pais?
- Muito boa. Estou sempre com eles. O meu pai tem o maior orgulho em acompanhar a carreira do filho e está sempre muito presente naquilo que faço. Devo-lhe muito o facto de tocar e cantar.
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- E a sua mãe?
- A minha mãe é o colinho, o meu pai é a partilha, o amigo. São amores diferentes.
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- A música sempre esteve muito presente na sua família. Quando é que decidiu fazer carreira?
- As coisas vão andando e não há uma fronteira. Quando te apercebes já cá estás.
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- Os Santos & Pecadores já existiam mas ainda não tinham gravado quando apareceu com os Resistência. Foi um contacto imediato com a fama?
- Era só uma selecção das principais referências da música portuguesa de todas as áreas, do jazz ao pop rock, todas as bandas que estavam na berra, Trovante, Pedro Ayres Magalhães, Delfins, Xutos.
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- Gostaria de reeditar a experiência?
- Não sei. Por acaso estou com uma coisa muito parecida e com a qual ando a divertir-me imenso.
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- Refere-se aos Aliança. Esse projecto não é muito embrionário?
- Está muito em brincadeira. Ainda não gravámos disco mas já demos uns concertos. Somos músicos e amigos, costumávamos beber uns copos – agora, por acaso, não bebo – e perguntámo-nos: “Porque é que não nos vamos rir a fazer música”?
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- Acredita nisso?
- Nada foi pensado nem estudado. A ideia é deixar fluir.
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- É naturalmente brincalhão?
- Sou, mas também gosto de levar tudo muito a sério. Nunca prescindo de sublinhar o humor.
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- E é de riso muito fácil?
- E muito fácil de lidar.
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- Além do humor tem um lado de contador de anedotas. Melhor só mesmo o Paulo Gonzo...
- O Paulo Gonzo é o rei das anedotas. Não há dúvida de que de uma anedota consegue fazer uma história. Nesse sentido, ele é brilhante. Eu sou mais pela gozação e pela brincadeira.
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- Um dia destes foi a Fátima. Tornou-se crente?
- (risos) Esteve cá o irmão da Xana, que é a minha futura mulher, e eles quiseram ir a Fátima. Eu só os acompanhei na peregrinação.
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- E o que é que sentiu lá?
- Incrivelmente, senti um estado de paz. E dá que pensar.
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- Dá que pensar em quê?
- Aquela tranquilidade deixa-me nostálgico, bêbado, saudoso. Os sentimentos misturam-se e tu não sabes bem porquê.
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- Substituiu os vícios pela fé?
- Sempre tenho fé. Acredito muito nas boas energias. As pessoas quanto mais alegres são mais energia positiva emanam de si. É por aí que eu me mexo e é nisso que eu acredito.
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- Sente-se uma eterna criança?
- Sim. E ainda bem. Porquê e para quê ser adulto quando a nossa infância foi tão alegre? Quanto mais facilmente resolver os problemas mais tempo tenho para ser criança.
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- A sua namorada está a mudar a sua vida?
- É um processo que tinha de acontecer agora. Se fosse há cinco anos não aconteceria. A minha namorada é um diamante que chegou na hora certa.
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- Está numa fase de regeneração?
- Estou a chegar aos 40 anos e veio tudo junto. Parei para reflectir. Tenho vontade de assentar, acalmar, de ter crianças, criar sequência. Estou muito contente com esta nova fase da minha vida.
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- Só agora tem vontade de ter filhos?
- Estou uma mãe grávida e em autêntico estado de graça. (risos)
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- Sente que está a assentar?
- Uma pessoa anda a correr de um lado para o outro, sem tempo para pensar em si mesmo. Estou a deixar assentar a poeira e a arregaçar as mangas para outros caminhos.
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- Uma carreira a solo?
- Sim. E outros projectos que me permitam fazer coisas diferentes.
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- Está cansado dos Santos & Pecadores?
- Os Santos são uma família, somos todos muito amigos, mas eu quero aprender para crescer. E estou com muita vontade.
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- Em que pé está a carreira do grupo?
- No ano passado lançámos um acústico ao vivo e em breve estamos a pensar relançar esse CD on-line.
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- Qual é o momento fundamental da sua vida?
- Se eu fosse pai dizia que é por ser pai. Estou à espera de o viver.
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- Gosta de se ouvir cantar?
- Tem dias. Regra geral, nunca me ouço.
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- Porque é que tem a guitarra debaixo da cama?
- Para poder dormir com ela. (risos)
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- Qual é a sua principal qualidade?
- Nas sociedades que correm as pessoas andam sempre com muito stresse, perdem o humor com facilidade, há uma tendência para ver a negação e o mal. Acho que têm de conseguir levantar a cabeça para resolver os problemas com alegria. Eu faço isso todos os dias. Essa é a minha maior qualidade."SOU MUITO APAPARICADO"
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- É alegre por natureza?
- Também tenho os meus problemas mas não é por isso que vou amochar. Vamos é levantar, sacudir o capote e seguir em frente.
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- É uma figura pública. Considera-se um VIP?
- Não me identifico, e acho essa designação hipócrita. O que é ser VIP? Para as mães todos os filhos são VIP. Não me identifico com designações que põem categorias nas pessoas.
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- Como é que se sentiu no programa ‘Casamento de Sonho’?
- Quando me convidaram achei piada porque já estava com a intenção de casar. Diverti-me e ri muito com os elementos do júri. São pessoas que passei a conhecer melhor e que moram no meu coração.
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- Acredita que vai ter ‘um casamento de sonho’?
- Se não acreditasse não pensava em casar.
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- Sente-se bafejado pela sorte?
- Sou muito acarinhado e apaparicado. Nasci com o rabo virado para a Lua.

1/26/08

Há vagas para cobradores de chapa em Pemba...ou cenas do cotidiano.

(Imagem original daqui)
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Escreve o Pedro Nacuo no Notícias (Maputo) deste sábado, 26/01/08 - Há vagas para cobradores dos “chapa” que circulam na província de Cabo Delgado, bem como os mini-“bus” que ligam competentemente esta província à de Nampula, duas vezes ao dia, vulgarmente conhecidos por tanzanianos.
Estes meios de transporte semicolectivos pretendem fechar as lacunas deixadas por aqueles que deixaram o emprego por razões que mais tarde havemos de dizer.
Os requisitos passam por ter, em primeiro lugar, residência fixa em Pemba, por o alojamento não fazer parte das regalias que o trabalhador vai ter na empresa. Portanto, é preciso que vivam em Pemba, de preferência nos bairros Cariacó ou na parte costeira de Natite “Inos”, ou ainda no histórico Bairro de Paquitequete. Outro requisito é ter “partido” o lápis muito cedo, assim, na quarta ou quinta classe.
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Traços Psicológicos: indivíduos que pensam que por terem aquele emprego nada mais lhes resta na vida, que com ele atingiram o apogeu de que ouviam falar e na sequência disso capazes de não respeitar os passageiros, por claramente estarem abaixo do seu nível de vida e existencial, como cobradores. Que pensam que o que lhes interessa dos passageiros é apenas dinheiro e a eles só interessa viajar, aliás, chegar, não importando as condições em que viajam nem do tratamento a que são sujeitos.
Devem, entretanto, ter o hábito de chamar a todos os homens, tios, e as mulheres, tias. Mesmo que seja para a seguir insultá-los. Tio ou tia passa a ser uma terminologia que vale para tudo: respeito ou o seu contrário.
Deve ser capaz de mentir a um passageiro numa paragem instantânea de que há lugar no interior do mini-“bus”, apenas para entrar, e lá dentro não encontrar. Tudo visto que, com a viatura em movimento, mais a necessidade de viajar, incluindo a alergia pelas discussões banais, ao passageiro nada mais lhe restará senão sujeitar-se a tudo que encontrar no interior.
Para os candidatos a cobradores dos “tanzanianos” exige-se mais: fazer de contas que é do outro lado do rio Rovuma. Como? Pronunciando mal as palavras na língua de Camões, parecer que está a aprender as línguas nacionais moçambicanas e falar fluentemente Kiswahili. Nunca dizer que é de Mueda, Nangade (de Muidumbe não é possível apanhar nessa) ou de Mocímboa da Praia.
Vestir calças que descem, com uma camisa que não consegue cobrir o traseiro que de propósito deve ser visto pelos passageiros, e noutros casos, também de propósito, mostrar a 40 porcento as cuecas coloridas e consistentes.
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Traços físicos: os cobradores a admitir devem ser pessoas de entre 17 aos 21 anos. Pretende-se o espaço temporal e etário em que, normalmente, se tem pouca coisa a perder em função das relações humanas estabelecidas. Qualquer atitude não aquece nem arrefece ao seu protagonista!
Tem que ser não muito alto, mas não deve ser baixinho. Se for escuro de pele, melhor, mas se não for corpulento, pelo menos forte (de força), com braços não muito flácidos, pernas que inspirem respeito e um pé que se ajuste ao “respeito” que o resto do corpo obriga.
Ter uma mão dura, que seja capaz de bater no carro, até o motorista ouvir, sempre que seja necessário partir ou parar, associado a uma garganta que se abre tanto quanto pretende gritar, vamos ou paragem!
Deixar sempre o cabelo despenteado pode ser uma vantagem, pois traz a verdadeira diferença entre ele e o motorista, bem assim em relação a todos àqueles que vão no carro em que ele é profissional. Fica ele sozinho: cobrador!
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Habilidades: ser capaz de trocar em segundos um insulto com uma veneração, sem muitos se aperceberem. Conseguir ter na boca ao mesmo tempo um pão inteiro e no canto da mesma um “GT”. Demorar-se um poucochinho enquanto o carro arranca, para depois correr ao seu encontro, sob a vigia do condutor e saltar para o seu interior deixando o braço, normalmente esquerdo esticado cá fora, em sinal de que “já vamos”.
Nos postos de controlo tem que saber saltar antes do carro parar com uma mão amarfanhando umas notas, a mesma que vai directo, agora não é discretamente, à outra mão direita do polícia preto e branco. E dali, já há pessoas que sentaram “cinco, cinco”, o mini-“bus” não está superlotado, nem está com deficiências mecânicas a não tolerar.
Outras vezes deve ser capaz de continuar colado na bagageira, deixar o carro fazer considerável distância, para depois descer, em movimento, pedindo que os passageiros abram algum vidro por onde pretende passar para de novo fazer-se ao interior do mini-“bus”. E quem deixou as vagas que agora devem ser preenchidas? Um grupo de jovens que já passou dos 21 anos de idade, que antes andou nos labirintos do crime de roubo de peças num e noutro lado, chegou-lhes a altura em que pensavam que andando em “chapa” o caminho lhes era facilmente aberto para chegarem a motoristas, depois que o não conseguiram, mais tarde, é verdade, descobriram que perderam muito tempo e agora voltaram à escola, onde à noite estão a fazer as classes interrompidas.

1/25/08

Moçambique: Mais de 50 mil crianças sem escola...

(Imagem original daqui)
AngolaPress - Maputo, 24/01 - A poucos dias do início do ano lectivo estima-se que mais de cinquenta mil crianças poderão ter de estudar ao relento, como consequências das inundações que provocaram estragos em mais de uma centena de estabelecimentos de ensino.
Actualmente procuram-se soluções temporárias, sobretudo nas áreas de reassentamento onde se encontram mais de setenta e cinco mil deslocados.
Calcula-se que o número de pessoas de uma ou de outra forma afectadas pelas cheias se aproxima das trezentas mil.
É a contabilidade que se começa a fazer numa altura em que há um relativo amainar das chuvas, poucas semanas depois do início do agravamento das inundações.
Das regiões afectadas chega o aviso: muitas crianças correm o risco de ficar sem estudar, muitas outras poderão ser forçadas a fazê-lo ao relento.
António, o filho mais velho do Ismael Levy, cuja história aqui contámos há dias, é uma dessas crianças.
O pai confirma que "Ele estava a estudar lá mas a escola foi destruída pelas inundações" para confessar a seguir que "gostaria que ele continuasse a estudar".
Falando à BBC, Eurico Banze, Director dos Programas Especiais no Ministério da Educação e Cultura confirma os números.
"Temos mais de uma centena de escolas danificadas, não só na região central mas também no norte. O número de crianças afectadas situa-se na casa das cinquenta mil", revelou Eurico Banze.
Estes números obrigam é a busca de soluções, incluindo para as áreas de reassentamento onde já se encontram mais de setenta e cinco mil deslocados.
"A nossa prioridade é assegurar que todas as crianças obrigadas a movimentarem-se devido às cheias sejam matriculadas", afirmou Banze.
As autoridades querem também garantir espaços nas áreas de reassentamento, incluindo a construção de salas e a disponibilização de tendas gigantes se necessário, bem como material como livros, quadros e giz.