3/28/08

Ronda pela net: África - Acontece no Zimbabwe do ditador Mugabe...

(Imagem original daqui)
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Dois grandes jornais americanos publicaram na semana passada reportagens datadas do interior do Zimbabwe, algo de pouco vulgar devido ás restrições que pelo menos até agora o governo zimbabwiano tinha imposto á entrada de jornalistas estrangeiros.
Craig Timberg do Washington Post escreveu uma reportagem datada de Norton em que faz notar que devido ás distorções da economia o governo está agora a dar prioridade à fabricação de comida para cães que é exportada em vez de usar os cereais ali consumidos para alimentar a população. Timberg faz notar que a quantidade de cereais que é usada na produção desses alimentos esta muito longe de poder aliviar as faltas crónicas de alimentos, mas as noticias sobre a fabricação do produto tornou se num símbolo das prioridades do governo.
Barry Bearak do NY Times escolheu analisar em detalhe as próximas eleições no pais, particularmente a entrada na corrida presidencial de Simba Makoni. Isso faz com que haja agora três candidatos, nomeadamente Makoni, o líder da oposição Morgan Tsvangirari e Robert Mugabe o que segundo alguns analistas citados no artigo leva a possibilidade de uma segunda volta nas presidenciais.
Bearak descreve a corrida de Makoni como intrigante recordando que este foi membro do governo de Mugabe entre 200 e 2002 e foi membro do bureau político do partido até ser expulso o mês passado.
(Imagem original daqui)
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Escreveu o correspondente do NY Times:
”Embora poucos destacados membros do partido tenham apoiado publicamente Makoni alguns analistas acreditam que este tem o apoio tácito de vários membros da hierarquia militar e dos serviços secretos, as pessoas com quem Mugabe tem contado para efectuar fraudes nas eleições. Alguns especulam sobre se os votos falsos serão desta vez divididos”.
Palavras de um artigo de Barry Bearak do NY Times sobre as eleições no Zimbabwe. O correspondente deste diário americano abordou nesse mesmo artigo a situação económica no país fazendo notar que de acordo com o programa alimentar mundial quase meio milhão de pessoas estão sub nutridas, os principais hospitais deixaram de fazer cirurgias por falta de anestesia e a inflação destroi os frutos do trabalho.
Escreveu o correspondente que quando a 18 de Janeiro o banco central do Zimbabwe pôs em circulação uma notar de 10 milhões de dólares isso era suficiente para comprar uma galinha, mas agora já só compra alguns ovos tendo o valor de 40 cêntimos americanos. Acrescentou Bearak:
"A inflação no Zimbabwe é oficialmente um numero acompanhado de muitos zeros algo que poucos indícios fornece dos males que isso causa. O economista John Robertson afirma que a nova nota perde o valor de 70 dólares zimbabwianos por minuto. Dinheiro ganho tem que se rapidamente convertido em dinheiro gasto; só bens que se podem comercializar e dinheiro estrangeiro mantém o seu valor”.

(Imagem original recolhida na net - Garoto com dinheiro suficiente para comprar um pão.)

Palavras de uma reportagem de Barry Bearak do NY sobre a situação no Zimbabwe. A reportagem era datada de Harare e titulada Em crise o Zimbabwe pergunta: pode Mugabe perder?
A analista Francis Kornegay do centro de estudos políticos em JHB na África do sul escreveu uma analise sobre a situação no Quénia em que afirma que a violência que ali eclodiu é símbolo de um mal político africano que segundo afirma afecta o desenvolvimento do continente.
Para Koernegay o continente tem a tendência de seguir a via de ditaduras autoritárias ou monarquias absolutas. Essas hegemonias, acrescentou são reforçadas por cliques de natureza étnica, de clãs ou de natureza regional em que a política é um processo de ou tudo ou nada.
Para Francis Kornegay há uma solução:
"A integração regional na África oriental e no continente é a única esperança para a paz, segurança e estabilidade. Para a política dos Estados Unidos e do ocidente para África ter alguma relevância no fortalecimento da estabilidade, uma maior ênfase deve ser dado ao fortalecimento da integração regional como um corolário de governação efectiva “.
Palavras de um comentário de Francis Kronegay do Centro de Estudos Políticos da África do Sul. O comentário foi publicado no Christian Science Monitor com o titulo de ”Porque é que o Quénia é vital para o futuro de África”. In VOANews - Por João Santa Rita 10/03/2008

3/27/08

Ratos, Gatos e o cobiçado Queijo - A Fábula...

(Imagem original daqui)
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Recebi a indicação por e.mail de um Amigo. E transcrevo pela oportunidade e "coincidência" com a realidade político-social atual em muitos "feudos" próximos e por esse mundo afora:
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Fábula - “O sonho dos ratos”
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Era uma vez um bando de ratos que vivia no buraco do assoalho de uma Casa velha.
Havia ratos de todos os tipos: grandes e pequenos, pretos e brancos, velhos e jovens, fortes e fracos, do campo e da cidade.
Mas ninguém ligava para as diferenças, porque todos estavam irmanados em torno de um sonho comum: um queijo enorme, amarelo, cheiroso, bem pertinho dos seus narizes. Comer o queijo seria a suprema felicidade...
Bem pertinho é modo de dizer. Na verdade, o queijo estava imensamente longe, porque entre ele e os ratos estava um gato...
O gato era malvado, tinha dentes afiados e não dormia nunca.
Por vezes fingia dormir. Mas bastava que um ratinho mais corajoso se aventurasse para fora do buraco para que o gato desse um pulo e, era uma vez um ratinho...
Os ratos odiavam o gato. Quanto mais o odiavam mais irmãos se sentiam. O ódio a um inimigo comum os tornava cúmplices de um mesmo desejo: queriam que o gato morresse ou sonhavam com um cachorro...
Como nada pudessem fazer, reuniram-se para conversar. Faziam discursos, denunciavam o comportamento do gato (não se sabe bem para quem), e chegaram mesmo a escrever livros com a crítica filosófica dos gatos. Diziam que um dia chegaria em que os gatos seriam abolidos e todos seriam iguais.
"Quando se estabelecer a ditadura dos ratos", diziam os camundongos, "então todos serão felizes"...
"O queijo é grande o bastante para todos", dizia um. - "Socializaremos o queijo, dizia outro".
Todos batiam palmas e cantavam as mesmas canções. Era comovente ver tanta fraternidade.
"Como seria bonito quando o gato morresse"! Sonhavam.
Nos seus sonhos comiam o queijo. E quanto mais o comiam, mais ele crescia. Porque esta é uma das propriedades dos queijos sonhados: não diminuem: crescem sempre. E marchavam juntos, rabos entrelaçados, gritando: " o queijo, já!"...
Sem que ninguém pudesse explicar como, o fato é que, ao acordarem, numa bela manhã, o gato tinha sumido.
O queijo continuava lá, mais belo do que nunca. Bastaria dar uns poucos passos para fora do buraco. Olharam cuidadosamente ao redor. Aquilo poderia ser um truque do gato. Mas não era. O gato havia desaparecido mesmo.
Chegara o dia glorioso, e dos ratos surgiu um brado retumbante de alegria.
Todos se lançaram ao queijo, irmanados numa fome comum.
E foi então que a transformação aconteceu.
Bastou a primeira mordida.
Compreenderam, repentinamente, que os queijos de verdade são diferentes dos queijos sonhados.
Quando comidos, em vez de crescer, diminuem.
Assim, quanto maior o número dos ratos a comer o queijo, menor o naco para cada um.
Os ratos começaram a olhar uns para os outros como se fossem inimigos. Olharam, cada um para a boca dos outros, para ver quanto do queijo haviam comido. E os olhares se enfureceram. Arreganharam os dentes. Esqueceram- se do gato. Eram seus próprios inimigos. A briga começou.
Os mais fortes expulsaram os mais fracos a dentadas. E, acto contínuo, começaram a brigar entre si. Alguns ameaçaram a chamar o gato, alegando que só assim se restabeleceria a ordem. Finalmente, o projeto de socialização do queijo foi aprovado nos seguintes termos:
"Qualquer pedaço de queijo poderá ser tomado dos seus proprietários para ser dado aos ratos magros, desde que este pedaço tenha sido abandonado pelo dono".
Mas como rato algum jamais abandonou um queijo, os ratos magros foram condenados a ficar esperando...
Os ratinhos magros, de dentro do buraco escuro, não podiam compreender o que havia acontecido.
O mais inexplicável era a transformação que se operara no focinho dos ratos fortes, agora donos do queijo. Tinham todo o jeito do gato, o olhar malvado, os dentes à mostra.
Os ratos magros nem mais conseguiam perceber a diferença entre o gato de antes e os ratos de agora. E compreenderam, então, que não havia diferença alguma. Pois todo rato que fica dono do queijo vira gato.
Não é por acidente que os nomes são tão parecidos.
Pensem nisso...
In - Curto & Grosso.

África - Falta saneamento básico decente...

O Observador -Ano I-Nº 0180-Maputo-Quinta-feira, 27 de Marçode 2008 - Seis entre dez africanos chafurdam em dejectos humanos por falta de um saneamento decente - Um assunto que muitos preferem evitar, mas nos países em desenvolvimento o acesso a banheiros é uma questão preocupante e que afecta muitas pessoas, de acordo com as Nações Unidas.
Duas entre cinco pessoas não têm acesso a um vaso sanitário e a falta de saneamento básico põe em risco a vida de 2,6 bilhões de pessoas, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
“No mundo hoje em dia, são mais de 15 milhões de mortes decorrentes de doenças infecciosas”, declarou David Heyman, sub-diretor-geral da OMS para as doenças transmissíveis. “Se tivéssemos hoje boas condições de saneamento e fornecimento de água aceitável, reduziríamos o número de doenças para dois milhões”. “As pessoas não gostam de falar sobre saneamento”, disse Jon Lane, director-executivo do Conselho de Água e Saneamento, uma organização das Nações Unidas dedicada a melhorar as condições em comunidades carentes.
Em pesquisa feita pelo British Medical Journal, 11 mil profissionais da saúde citaram o saneamento como o mais importante avanço na medicina desde1840.
Segundo Lane, muitos países lidam com esse assunto de maneira equivocada. Muito tempo foi perdido na tentativa de envolver sectores privados com o saneamento. Em África, seis entre 10 pessoas não tem acesso à que as agências consideram “um saneamento decente que separe dejetos humanos do contato humano”. Falta de saneamento básico aumenta não apenas os riscos de doenças como também põe em perigo mulheres e crianças que ‘se expõem a assédio sexual quando evacuam à noite ou em áreas abandonadas’. Entre 1995 e 2004, o acesso a saneamento melhorou para 1,2 bilhão de pessoas. Caso as coisas continuem como estão, ainda haverá 2,4 bilhões de pessoas sem saneamento básico em 2015. “As Nações Unidas têm a responsabilidade de mobilizar ações concretas para que melhorias sejam alcançadas. São necessários investimentos imediatamente”, exigiu o presidente da Equipa de Tarefas-ONU-Água, Pasquale Steduto.
No Peru, 800 milhões foram gastos com um surto de cólera que atingiu o país em 1991 - valor esse muito maior que o necessário para prevenir tal surto novamente.

Moçambique - Internet é para apenas 8.4% de moçambicanos...

Ano XII - Nº 2789 - Maputo, quarta-feira, 26/Março/2008 - Apenas 8.4% de moçambicanos estão ligados à internet e/ou telefonia fixa e móvel, indica estudo do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Somente 8.4% dos cerca de 20.5 milhões de moçambicanos é que têm acesso e conhecimentos básicos sobre o uso das novas tecnologias de informação e comunicação (TIC’s), segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Em termos dos distritos, aquele departamento governamental estima num total de 96 regiões que não estão ainda ligadas à internet, de um universo de 128 distritos, trabalhando-se para que até 2009 a cobertura venha a ser aumentada para cerca de 22%. Por outro lado, cerca de 70 instituições estatais de nível central já estão ligadas à chamada rede do Governo Electrónico, enquanto que o número de organismos de âmbito provincial já abrangidos pela rede é estimado em 250 instituições, de acordo igualmente com o MCT, frisando que as redes de telefonia móvel e fixa cobrem somente 13% da população moçambicana.
Para fazer face ao elevado défice de conhecimentos sobre as novas tecnologias de informação e comunicação, o Ministério da Ciência e Tecnologia prevê formar no Ensino Superior dentro e fora do país aproximadamente 1.7 milhão de cientistas com os níveis de Mestrado e Doutoramento até 2009, estimando em somente 660 o número de moçambicanos graduados com aquele nível de formação académica até 2007. O projecto prevê ainda a montagem de computadores para permitir o acesso à internet nas zonas rurais onde reside a maioria da população mais empobrecida do país, através das chamadas vilas do milénio que são Centros de Transferência Tecnológica e Desenvolvimento Humano.
De referir que Moçambique vai acolher, em Outubro de 2008, uma Conferência Internacional sobre novas Tecnologias de Informação e Comunicação, evento que deverá contar com a presença de cerca de 700 cientistas e investigadores de todo o mundo. O encontro vai avaliar e perspectivar a disseminação das TIC’s nos países em vias de desenvolvimento, incluindo Moçambique.
J. Ubisse

3/26/08

Balanço dos três anos da instituição do Parque Nacional da Quirimbas.

(Imagem original daqui)
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No terceiro ano desde a sua instituição:
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COMO VAI O PARQUE NACIONAL DAS QUIRIMBAS ?
As autoridades do Parque Nacional das Quirimbas continuam insatisfeitas face à continuação da prática de acções ilegais no interior do mesmo, por operadores florestais e de fauna bravia, exploradores fora-da-lei dos produtos pesqueiros, assim como por causa da morosidade da parte do juízo de execuções fiscais no tratamento das multas aplicadas e retorno do 50 porcento consignados aos intervenientes, para o que clama por uma melhor coordenação com a autoridade tributária.
Já no seu terceiro ano, desde a sua oficialização, o Parque Nacional das Qurimbas, localizado nos seis distritos centrais da província de Cabo Delgado, envolvendo uma área aproximada de 7.506 quilómetros quadrados, vai gerindo os conflitos que já se anteviam tendo em conta a sua especificidade.
Só o facto de 5.984 quilómetros quadrados pertencerem ao continente e os restantes 1.522 serem habitantes costeiros e marinhos, tendo dentro de si 11 ilhas, é por si, indicador, provavelmente, da razão por que tem que ser preservado, apesar das dificuldades que nestes primeiros anos está a encontrar.
Trata-se de defender as ilhas e a faixa litorânea que são constituídas por rocha costeira e têm origem recente, tendo sido formadas durante o período Terciário por meio de levantamentos ao longo da plataforma continental. Nas próprias ilhas há a tendência para a acumulação de areia ao longo do lado ocidental e daí resulta a maior parte das praias utilizáveis.
A maioria das ilhas não tem água doce, com a excepção de Ibo, Matemo e Quirimbas, por serem suficientemente grandes para manterem uma camada de água doce sobre a camada do lençol freático salino.
O Parque contém uma diversidade de habitates marinhos numa área relativamente pequena, que inclui as florestas de mangal do Ibo e Matemo, os tapetes de ervas marinhas, na desembocadura do rio Montepuez, bem como na área entre as ilhas de Ibo e Matemo, na baía de Quipaco e no espaço a ocidente das ilhas de Quisiwe e Mefundvo.
Há por outro lado, o recife de coral que se estende ao longo de todo o Arquipélago, até para lá dos limites do parque, junto a uma fauna marinha que é conhecida pela existência de pelo menos cinco espécies de tartarugas marinhas que visitam a área e uma delas é dada como nidificando na área do parque. Dungongos, cerca de 140 espécies de moluscos, 375 de peixes e tanta outra riqueza por baixo da agua do mar. E na parte continental?
Na verdade, matas costeiras, savanas ribeirinhas, prolongados mosaicos de um tipo de vegetação que varia não só de acordo com a elevação, distância da costa, como dependente das características do solo e água, mas também conforme o impacto humano sobre estes recursos.
A região do Parque é tida como prioritária para a fauna e nela foram identificadas três rotas importantes de migração de elefantes que atravessam a área e abundam diferentes espécies de animais, desde cudos, fococeros leões, hienas e numerosas aves de rapina.
Ora, em Outubro do ano passado já havia a informação de que a exploração ilegal dos recursos naturais no interior do Parque Nacional das Quirimbas (PNQ), que abarca os já citados seis distritos de Cabo Delgado, designadamente, Quissanga, Ibo, Meluco, Macomia, Pemba-Metuge e Ancuabe, continuava a inquietar as autoridades daquela que hoje já se afirma como instituição a ter em conta na conservação e preservação do ambiente naquele ponto do país.
Dados disponíveis indicavam que em três meses haviam sido apreendidos 469 toros de madeira, 1.604 barrotes, 179 tábuas, 46 pranchas e, em consequência desse comportamento fora-da-lei, aplicadas multas a 7 operadores, avaliadas em cerca de 527 mil Meticais.
Na altura em que o nosso jornal começou a reunir estes dados, já ficava descriminado que se tratava de 178 toros de pau-preto, 152 de pau-ferro, 123 de jambire e 16 de muanga, em mãos de operadores no interior do parque. São, na verdade, de agentes singulares de exploração de madeira, com licenças simples de exploração florestal, passadas pelos serviços respectivos na Agricultura, que acabam invadindo as áreas de conservação.
Com a empresa /Pacific International /, por exemplo, haviam sido encontrados 23 toros de jambire, já na vila-sede do distrito de Ancuabe e pela infracção, sido imposta uma multa de 86.020,00 MT, no mesmo lugar onde foram apreendidos mais 24 toros da mesma espécie, desta feita pertencente a /Mozambique Tienhe/, razão porque havia sido multada em 78.500,00MT.
A multa mais avultada encontrada pela nossa reportagem fora recair ao operador florestal Costa Ferreira, na aldeia Muaja, ainda no interior do distrito de Ancuabe, onde havia depositado em instância 25 toros de pau-ferro e 8 de jambire. A fiscalização do parque determinou que pagasse ao Estado, pela infracção, 250.999,00 MT.
José da Silva Mucavele, por sua vez, iria pagar por ter sido surpreendido com 34 toros de jambire, igualmente em Muaja, cabendo-lhe a multa no valor de 41.000,00 MT e o seu colega, José Vidyoko Kalamuka, da aldeia Napuda, já no distrito de Quissanga, pagaria 70.500,00 MT, por haver sido encontrado com 537 barrotes e 7 tábuas.
A /Kodak Professional Center/, é igualmente uma empresa madeireira, que pelas mesmas razoes teve de ser multada em 108.000,00 MT, em Biaque, distrito de Ancuabe, mesma divisão administrativa onde Khaeronissa Daudo enfrentaria uma multa de 125.500,00 MT, este na área conhecida por Rapale.
Todos estes processos, segundo apurou o /notícias/ haviam sido remetidos ao juízo das execuções fiscais, mas as autoridades do Parque Nacional mantinham o alarido decorrente da contínua violação dos recursos naturais que se pretende proteger.
Interessante porém, é o facto de muitos destes processos continuarem, desde meados do ano passado, à espera do seu veredicto e o destino do produto apreendido estar dependente do desfecho, havendo em alguns casos, apreensão de meios circulantes.
Ancuabe é o distrito onde os furtivos se sentem mais à vontade do que em todos outros pertencentes ao Parque Nacional das Quirimbas. Dados colhidos pelo nosso jornal, indicam que este distrito sozinho chamou à si infracções que resultaram na apreensão de 883 toros de diferentes espécies, mais 387 barrotes. Em contrapartida, Macomia, Pemba-Metuge e Meluco, disputam 680 barrotes e 122 tábuas apreendidas.
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ASSUNTO QUE NÃO É PARA JORNAIS.
O nosso jornal quis ouvir o comentário da Direcção de Execuções Fiscais, área de Pemba, em relação às lamentações do Parque Nacional das Quirimbas, sobre a alegada morosidade, da sua parte, quanto à resolução dos diferendos que opõem aquela instituição estatal e os exploradores ilegais de madeira.
A directora Helena Damas começou por dizer que não estava autorizada a falar para a imprensa e que na sua opinião não se tratava de assunto que fosse levado a debate em jornais, alegadamente por o funcionamento do Tribunal obedecer a regras que podem não agradar aos queixosos, neste caso, o Parque.
Helena Damas foi, entretanto, explicando ao nosso jornal que /não é de hoje para amanhã que se resolve um contencioso, tendo em conta que há também recursos que se podem interpor, obedecemos a prazos, são assuntos que envolvem muitos interesses. Os processos estão a seguir os seus trâmites.
Para Damas é estranho que o assunto tenha saído para o público sem que o Parque das Quirimbas sequer se tenha aproximado à Direcção de Execuções Fiscais para se aperceber do que está a acontecer com cada um dos processos à si remetidos.
Há aqui processos de mais de quatro anos, simplesmente porque a sua resolução leva tempo, precisamos de ser cuidadosos, tanto é que, nalguns casos, há aqueles cujos presumíveis infractores não pertencem a esta área fiscal e aí precisamos de trocar correspondência com a área congénere, aclarou.
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A PRESSÃO EM TERRA, NO MAR E CURIOSIDADES...
Para além da acção ilegal de exploração madeireira, conforme as autoridades do PNQ, nota-se uma grande pressão de caça furtiva protagonizada pelas comunidades locais, usando instrumentos proibidos, sendo que, nos últimos três meses do ano passado haviam sido desactivadas e destruídas 195 armadilhas, 71 cabos de aço e 381 laços, com particular incidência nas aldeias Napuda, distrito de Quissanga, Mitepo e Tipamoco, em Meluco.
Nos armazéns do Parque Nacional das Quirimbas há arcos e flechas armazenados, capturados na via pública onde são vendidos a novos candidatos a caçadores furtivos, assim como a turistas e outros compradores que as usam nas cidades como instrumentos eficazes para se defenderem dos ladroes nas suas próprias casas.
Entretanto, curiosa foi a atitude do governo distrital de Macomia, que sem ter coordenado com as autoridades do Parque, se envolveu no que hoje é qualificado como abate ilegal de animais, facto que soubemos ter sido notificado ao governador provincial. Tratou-se duma palapapa, abatida em Napala, zona no interior do parque, por isso estritamente protegida.
Em Namaluco, distrito de Quissanga, a população não quer entregar as pontas dum elefante que se considera ter morrido por causas desconhecidas, exigindo para isso uma compensação no valor de 50.000,00 MT. O Parque, perante tal realidade, nada mais fez do que escrever uma carta ao governo do distrito, que ainda não reagiu. Tal relutância não aconteceu em Pemba-Metuge, onde se confirma ter morrido um outro elefante, em iguais circunstâncias, na aldeia de Mareja.
Estes factos são o dia a dia das regiões no interior do Parque, pois na verdade, segundo reconhece o seu administrador, José Dias, o conflito homem/animais bravios é uma das questões mais criticas na parte terrestre do parque, onde se registam danos nas machambas e ataques a pessoas.
O gráfico que fala das incursões dos paquidermes é elucidativo: foram 398 no ano passado. Uma descida significativa, se se tiver em conta que em 2006 haviam sido registadas 933, do que resultou, então, na morte de 8 pessoas, contra 6 de 2007.
Fomos informados que o Parque está neste momento a fazer um levantamento das distâncias que separam as aldeias ao longo das estradas principais, com o objectivo de definir áreas para a passagem de animais, nas quais terão que ser proibidos o estabelecimento de novas aldeias ou abertura de novas machambas.
O que se pretende agora é alargar as machambas ou aldeias mais para o interior e não ao longo da estrada, justificam as autoridades do PNQ, ao mesmo tempo que se está a estudar a nível do Governo Provincial, doadores, sector privado e comunidades locais, a possibilidade de serem introduzidas vedações eléctricas nas áreas propostas para a conservação e turismo.
Há esforços tendentes a controlar a pesca artesanal a partir de um censo que inicia em Junho próximo, visando à actualização dos dados referentes à situação geral das unidades de pesca existentes e suas características, número de pescadores envolvidos, artes e outros aspectos que se consideram importantes, bem como, ainda se pretende melhorar o controle com uma proposta de um censo semestral.
Regista-se o envenenamento dos cursos de água por pescadores ao longo do rio Montepuez, usando pesticidas. Dois acampamentos com 17 pescadores ilegais foram destruídos, apreendidas duas redes mosquiteiras e retirada de três embarcações.
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TURISMO COMUNITÁRIO.
A proposta é aliciante: implementar um turismo sustentável e de alta qualidade no Parque Nacional das Quirimbas. Ao mesmo tempo se pretende que o turismo comunitário faça com que os rendimentos familiares dupliquem ou tripliquem em todos os meses.
Na Ilha do Ibo, desde Fevereiro do ano passado que foi operacionalizado o turismo comunitário. Quando quisemos saber dos resultados, obtivemos a seguinte resposta:
Três casas a receber hóspedes e um quarto reabilitado, a associação do turismo comunitário de N´lamba ficou registada ao nível distrital para desenvolver actividades e serviços turísticos, havendo ainda perspectivas de alugar duas a quatro casas para o desenvolvimento de actividades turísticas, como sejam, passeios, saídas, transportes, actividades culturais...
Na verdade, o rendimento proveniente do aluguer dos quartos nos dá a sensação de que há seriedade no tratamento deste tipo de turismo. Em 137 noites vendidas, soubemos que houve ganhos na ordem dos 35.250,00 MT, dos quais 21.150 foram para as donas de casa e 10.575 para o fundo comunitário e 3.525 para a administração.
Em Muagamula o comité de gestão dos recursos naturais de Ningaia tem a responsabilidade quase total. Com dois guardas que trabalham em turnos e para a manutenção e limpeza do sitio de acesso, mas sobretudo para controlar as entradas, que estão fixadas em 50MT para estrangeiros e 25 para os nacionais.
As entradas de turistas no acampamento nos meses de Julho, quando o controle começou, até Novembro, apenas 84, nos informam terem sido colectados 4.200,00 MT.
Em Meluco-sede está a ser reabilitada a pensão Ana Maria para oferecer alojamento básico e estão em formação três guias para passeios nas montanhas e nos arredores e se perspectiva a observação de elefantes nas fontes de água e actividades turísticas, tais como a dança e comida tradicional.
Em Namau, distrito de Pemba-Metuge, está em construção uma ponte-passadeira para a observação do mangal, ao mesmo tempo que está em construção uma casa de hóspedes.
Os ganhos sociais vão ainda muito longe com a atribuição de bolsas de estudo a 30 alunas no distrito considerado piloto de Macomia, na tentativa de incentivar a rapariga a continuar a estudar, sendo elegíveis aquelas que completam a quinta classe e que vivem nas aldeias que se separam a mais de 5 quilómetros duma escola primária do segundo grau. Só uma não conseguiu chegar ao fim do ano passado com bom aproveitamento.
Da mesma forma, continua a construção de uma escola com duas salas de aula, usando material convencional, na aldeia Darumba, posto administrativo de Mucojo, ainda no distrito de Macomia, numa colaboração entre o PNQ e a Direcção da Educação no distrito. Em fase de conclusão está ainda a escola de Mefundvo, que devido a problemas de supervisão está a demorar.
Pedro Nacuo - Maputo, Quarta-Feira, 26 de Março de 2008:: Notícias
  • Diversos post´s deste blog sobre as Ilhas Quirimbas, Pemba, Ibo, temas históricos, tradicionais, etç. - Aqui !

Falta água em Pemba.

Maputo, Quarta-Feira, 26 de Março de 2008:: Notícias - A cidade de Pemba e arredores está a enfrentar um deficiente fornecimento de água desde sábado passado, devido a uma avaria considerada grossa na conduta adutora, na zona das salinas de Miéze, cerca de 18 quilómetros do centro da capital provincial.
De acordo com o Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG), uma equipa técnica da empresa está no local para normalizar o problema e sucedem-se apelos para mais racionalização da pouca água existente nos reservatórios e tanques, à espera de que a avaria seja reparada. O FIPAG diz estar a envidar todos os esforços ao seu alcance visando colmatar a situação no mais curto espaço de tempo possível, perante uma crise que, desta vez, tem pouca expressão, em virtude de se tratar de período chuvoso, havendo, por isso, recurso a águas pluviais, entretanto não tratadas, temendo-se que possam tornar-se em privilegiados canais de transmissão de doenças, entre as quais as diarreias.