8/26/09

TROVOADA NA SERRA - Um apontamento do último Administrador Colonial da Gorongosa.

Trovoada na Serra - Uma lição da História de Moçambique que deve ser lida com atenção e percebida pelos jovens moçambicanos de hoje:

""...Com efeito, revejo-me, menino e moço, na Quissanga e Porto Amélia, onde muito amei alguém que então tratava por "miúda"; revejo-me, brincalhão, nas praias de Uimbe e de Mecúfi; explorador nas florestas de Nangade...""
  • Leia em formato "pdf" Trovoada na Serra, na íntegra - Aqui!
Acrescento: Sugestionado por Amigo, transcrevo post do "Moçambique Para Todos" já publicado em 26/02/2007 mas sempre atual, onde, na ótica de JOSÉ DO ROSÁRIO ROSA, último administrador colonial e a última autoridade portuguesa no então Concelho da Gorongosa com sede em Vila Paiva de Andrada, nos relata detalhadamente, com ínicio em 1973 até à independência de Moçambique, a transição nada fácil, conturbada, dramática da Administração local para a Frelimo.
Lendo-se com tempo e atenção este trabalho do Administrador José do Rosário Rosa terminado em Novembro de 1995, poderemos entender um pouco da História recente de Moçambique, o drama e sacrífício de milhares de moçambicanos e portugueses envolvidos nessa já célebre "descolonização exemplar" que não assegurou mínimamente seus bens e vidas, entregou Moçambique por conveniência, fraqueza ou pressões internacionais a um único partido despreparado, quando outros movimentos pró independência exisitiam, além de podermos perceber melhor figuras e situações que nos trazem até ao atual Moçambique, inundado de contradições sociais e pobreza que envolvem a maioria da população não ligada, por várias formas, aos quadros do partido Frelimo ainda no poder.

8/25/09

Diversificando: Vinho do Porto cura gripe H1N1?...

Do Lusowine em Quinta, Agosto 20, 2009 - 05:28: Quando a gripe pneumónica atingiu a região do Douro, há um século atrás, os bombeiros da Régua recorreram a um "saboroso" desinfectante: o vinho do Porto, e o método parece ter resultado porque nenhum deles foi contagiado com aquela doença.
A história foi contada por um antigo bombeiro da Régua, António Guedes, que na década de sessenta publicou no jornal "Arrais"(Régua) as suas recordações, e relembrada hoje à Agência Lusa pelo presidente da Federação Distrital dos Bombeiros de Vila Real, Alfredo Almeida**.

António Guedes tinha 24 anos quando a pandemia da gripe espanhola atingiu o Douro, na Primavera de 1918. Na altura, segundo Alfredo Almeida, os bombeiros da Régua desempenharam um papel "importante no apoio sanitário aos infectados e viveram, sem alarmismos, os momentos mais críticos deste nefasto acontecimento".

Através daquele jornal, António Guedes contou que a sua corporação montou "um improvisado hospital na casa onde hoje está o Asilo Vasques Osório, o qual ficou sob a direcção do médico da nossa corporação, o senhor doutor Luís António de Sousa". "Ainda não existiam ambulâncias na corporação, e éramos nós bombeiros, que com macas portáteis, íamos buscar os doentes a suas casas e os transportávamos para o hospital, sublinhou.

No seu relato, Guedes frisa o facto de nenhum dos bombeiros se ter contagiado com aquela terrível doença, certamente devido à desinfecção a que eram sujeitos sempre que chegam com qualquer doente. "E recordo-me muito bem que, dessa desinfecção, constava um 'medicamento', um 'antibiótico' muito agradável, que era o vinho do Porto.

O primeiro gole seria para bochechar e deitar fora e o restante conteúdo do cálice (bem grande, por sinal) era para ingerir", salientou.

Alfredo Almeida disse desconhecer quantas pessoas a pneumónica vitimou no concelho do Peso da Régua, mas, referiu que de Norte a Sul do país, "terá implicado perto de 150 mil casos mortais". "A ser verdade, e não temos razões para duvidar, os efeitos do vinho do Porto, como poderoso desinfectante, talvez pelo seu teor alcoólico, terá resultado em 1918 como uma boa medida de prevenção ao vírus da gripe", sublinhou.

O padre Artur Gomes tinha apenas dois anos quando a sua aldeia, Vale Salgueiro (Mirandela), foi atingida pela gripe pneumónica e na sua memória guarda as histórias de "pavor" contadas pelas pessoas mais antigas."

A minha mãe falava muitas vezes dos muitos familiares que morreram por causa daquela gripe. Os meus pais sobreviveram, mas os seus pais morreram", salientou.

Artur Gomes lembrou que a sua aldeia não tinha médicos ou bombeiros, por isso mesmo diz que as pessoas recorriam aos remédios caseiros, como o chá da flor do sabugueiro.

Alfredo Almeida referiu que, há um século atrás, "se viveram tempos de alguma improvisação". Hoje os bombeiros da Régua já têm um plano de contingência mas, segundo o responsável, continuam a ter uma garrafeira onde existem, claro está, muitas garrafas de vinho do Porto.

"Não há razões para haver pânico. Estamos preparados com máscaras ou desinfectantes, com os meios necessários para e se a crise sanitária nos atingir", sublinhou.
- Fonte: Expresso.pt - Lusowine.

... E bastantes garrafas de Porto na adega dos Bombeiros da Régua, complementando os "meios" necessários, acrescento eu :))))

**José Alfredo Almeida, além de escrever para jornais da região do Douro/Régua, é colaborador do blogue "Escritos do Douro":

  • Morada: Peso da Régua.
  • 1987 – Licenciatura em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
  • Exerce a actividade de Licenciado em Direito, Jurista no Gabinete Técnico Local do Município do Peso da Régua, professor na Escola Secundária do Peso da Régua e na Escola Secundária de Resende, vereador em regime de permanência no Município do Peso da Régua tendo a cargo os Pelouros das Obras Particulares e Urbanismo, Desporto e Juventude, Abastecimento Económico e Assuntos Jurídicos.
    Como actividade Cívica é desde 1998 – Presidente da Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua; Desde 2005 – Vogal da Direcção da Associação da Região do Douro p/Apoio a Deficientes; Desde 2006 – Presidente da Direcção da Federação dos Bombeiros do Distrito de Vila Real.
  • José Alfredo Almeida no "Escritos do Douro" - Aqui!
  • José Alfredo Almeida no Google - Aqui!
  • Portal dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua - Aqui!

8/24/09

Ronda pela net: Pemba e Matemo Island no programa "50 por 1" da TV Record

Pemba Beach e Matemo Island no programa "50 por 1" da TV Record-Brasil (Sábado, depois da meia-noite na Record e reprises também no sábado das 07:00 às 07:30 e das 20;30 às 21;30 na Record News):

A equipe do programa 50 por 1, apresentado por Alvaro Garnero, está produzindo dois programas na África: um em Moçambique e outro no Zimbábue.

Em Moçambique, Alvaro e sua equipe se hospedaram no Pemba Beach e no Indigo Bay, ambos da Rani Resorts.

O programa 50 por 1 mostra as 50 melhores experiências de viagens possíveis e hotéis como o Matemo Island, o Pemba Beach e o Singita Pamushana que são internacionalmente conhecidos pelas atividades, sofisticação e conforto que oferecem aos seus hóspedes.
O dia a dia das filmagens pode ser acompanhado pelo Twitter do programa 50 por 1.

Clique aqui e saiba mais sobre o Matemo Island e sobre o Pemba Beach.

A Nação Portuguesa e a sua luta contra o tráfico de escravos.

Neste Dia Internacional da Abolição da Escravatura, cujas comemorações se centralizam na ilha de Moçambique, achei pertinente lembrar uma Carta do Conselho de Governo de Moçambique, escrita, na dita Ilha, em 19.6.1866, dirigida ao Xeque de Sancul, cujo conteúdo mostra os esforços desenvolvidos pela Nação Portuguesa no combate ao tráfico de escravos, tantas vezes esquecidos e pouco conhecidos das novas gerações de moçambicanos e portugueses. Eis o seu conteúdo, que merece profunda meditação de todos os que se interessam pela construção de uma História Colonial, baseada em factos:

"Carta do Conselho do Governo ao Ilustre Xeque de Sancul, Assane Moenhe Chée, de 19.6.1866.

Ilustre xeque de Sancul = O Governo de Sua Majestade Fidelíssima, sempre solícito em cumprir com o seu tratado com a nação inglesa, feito em 1842, instantemente recomenda às suas autoridades, nas duas Áfricas, todo o zelo e todo o esforço para que se evite, e duma vez se extinga, o desumano tráfico da gente preta para as terras de além-mar.

Esta instante recomendação do Governo de Sua Majestade EL-REI, não provém só de simples compromisso político entre as duas nações, é caso mais fundamentado e tem maior razão de ser, em si mesmo, para que uma nação, a não ser de bárbaros, repeli-la de si a nódoa mais feia que ofende a Deus, e mancha a humanidade inteira.

A nação portuguesa sofreu sempre, e sempre esteve pronta a morrer pela sua liberdade, mas nunca atentou contra a liberdade de ninguém.

Temos, é verdade, de lastimar um e outro exemplo; porém isso o que prova é que o principio é verdadeiro, e que as aberrações do verdadeiro caminho aparecendo em tudo, neste mundo, aparecem também nos homens.

Satisfazer a ambição de riqueza à custa da carne, do sangue, e da liberdade do seu semelhante, é um facto que se este mundo condena, no outro não poderá haver perdão.

A vossa avançada idade e os muitos anos de serviço a este Governo, dá-lhe o direito de ser mais franco na exposição da sua ideia a este respeito, e chamar a vossa atenção para uma circunstância frisante que está, diariamente, diante dos vossos olhos e de todos, e que vos pode convencer mais do que tudo quanto aqui se alega de razões, de justiça, e de filantropia.

Deitai a vossa vista para essa província, para o vosso distrito mesmo, e pergunta a esses filhos e netos, que por aí vedes rotos, descalços, pobres, e miseráveis, = onde está a riqueza de seus pais e avós muitos dos quais vós mesmos conhecestes = que ainda há trinta anos andavam na abundância dos pesos, peças e onças espanholas e e brasileiras!? Perguntai = o que é feito de tanto dinheiro que seus possuidores nem o levaram para fora da Província, nem eles mesmos nunca daqui saíram?? Eles só vos poderão responder, já convencidos por milhares de exemplos da história contemporânea da província, = que o dinheiro proveniente do trafico da escravatura é amaldiçoado por Deus.

Esta província que tanta riqueza possui em minas de ferro, de cobre, de ouro, e de carvão; que abunda em ricas e fortes madeiras; que é capaz de produzir o gergelim, o coco, a purgueira, o café, o algodão e toda a qualidade de grãos para fornecer recursos espantosos à indústria fabril e comercial, jaz ainda pobre e abatida; e a razão tem sido, e infelizmente, ainda é, o engano em que a maior parte da gente, e gente do interior, está de que só se ganha bem o dinheiro, com o trafico dos escravos!!! = de nada lhes tem servido tantos exemplos de desgraça que do céu tem baixado para esta província, como justa sentença de um crime horroroso !!!

A repressão por meio dos cruzeiros que a nação portuguesa e a inglesa empregam para salvar a liberdade e a degradação dos nossos irmãos africanos, é um remédio justificado pelas circunstâncias do mal; porém acreditai, sendo um meio ainda hoje indispensável, não é o mais profícuo para se chegar a um completo resultado. Para se conseguir este, é preciso que vós, na qualidade de chefe do vosso distrito e pai dos vossos filhos, e os vossos imediatos no mando, usem de contínuas admoestações e salutares conselhos com os vossos filhos, e subordinados, fazendo-lhes compreender = que o tráfico de gente preta é um facto que escandaliza a humanidade = que os homens não podem vender os outros homens = que se eles são pretos é porque nasceram em África; assim como são brancos os que nascem na Europa, e amarelos os que nascem em grande parte da Ásia e da América = que todos nós, pretos, brancos e amarelos, somos filhos de Deus, que nos dotou de razão e de liberdade, e por isso ninguém, sem cometer um grande pecado perante Deus, e o maior escândalo perante os homens, pode dispor do seu semelhante, assim como dispõe duma pedra, que não tem razão, direito, nem liberdade.

Se o preto nos parece quase um bruto, é porque vive como selvagem e fora do alcance de toda a luz da civilização; mas educando-se e instruindo-se, ver-se-á que e é tão capaz de fazer, e tudo compreender, como qualquer outro raça branca, ou amarela.

Isto não tira que vós e os vossos imediatos ponham toda e vigilância possível para que se não dê a saída de pretos, quer em pangaios que costumam internar-se pela vossa costa, quer em navios, atrás de carne e sangue humano, para depois com o preço destes infelizes que perdem pátria, mãe, mulher e filhos, irem gastar nas suas orgias e festanças por essas ilhas que povoam este canal de Moçambique; e, sobretudo, como vós o sabeis, depois que consta que o súbdito rebelde Mussa-Quanto, estabelecido em Sangage, tenta continuar neste abominável tráfico; porém sem faltar a este dever, como xeque e súbdito fiel, que sois, não deveis perder ocasião, de empregar aquele outro meio que, se bem mais lento, e de moroso efeito, é o mais seguro e o que há-de regenerar a geração vindoura.

Cumpri assim, xeque de Sancul, Assane Moenhe Cheé, como este governo geral espera do vosso zelo, dos vosssos anos de serviço. e da vossa fidelidade a EL-REI de Portugal.

Dada e passada na sala das sessões do Conselho do Governo no Palácio de S. Paulo, em 19 de Junho de 1866.

= Luís Carlos Garcia de Miranda, juiz de direito, presidente.
= Jacinto Henriques de Oliveira, tenente coronel.
= Padre Joaquim da Virgem Maria, administrador interino da Prelasia.
= Frederico Carlos da Silveira Estrela, escrivão interino da Junta da Fazenda.
= José Zeferino Xavier Alves."

- Por Carlos Lopes Bento, Antropólogo e Prof. univ.

  • Alguns trabalhos do Dr. Carlos Lopes Bento publicados neste blogue - Aqui!

Crianças Refugiadas em Moçambique: um livro e um drama em África!


""Quero mais uma vez falar aqui do livro de Grace: CRIANÇAS REFUGIADAS EM MOÇAMBIQUE, UM DRAMA NA AFRICA.

Grace fala com conhecimento de causa. Ela esteve lá no Campo de refugiados de Maratane, em Moçambique onde adultos e crianças vivem em extrema pobreza.

As crianças e adolescentes são o foco do livro de Grace, exatamente por serem mais frágeis e, portanto, mais vulneráveis a abusos sexuais, emocionais e físicos.

O livro de Grace – cuja renda destina-se a ajudar essas crianças - custa apenas 22 reais + despesas de correios e pode ser adquirido no site da editora http://www.editoranovitas.com.br/ e/ou através do e-mail da autora: grace.sweden@gmail.com

O livro de Grace é uma boa idéia para presentear amigos, pois além de ajudar as crianças refugiadas em Moçambique, sua leitura poderá conscientizar e mostrar às pessoas um mundo de privação e sofrimento que muito não conhecem.

A leitura do livro CRIANÇAS REFUGIADAS EM MOÇAMBIQUE - UM DRAMA NA AFRICA é um importante exercício de reflexão sobre amor e solidariedade. E quero também com este post quero agradecer publicamente à GRACE OLSSON que entre outros espaços na blogosfera tem o blog CRÔNICAS DO FRIO pela mudança que ela realizou no template deste blog. Gosto muito deste meu blog e gostei imenso (como dizem meus amigos portugueses) do template elaborado por Grace que foi muito paciente com minhas solicitações e sugestões.

Em tempo:

- Postado por Odele Souza""

8/21/09

Glória de Sant'Anna - "Trinado para a noite que avança" é seu décimo sexto e último livro...

(Clique na imagem para ampliar)
Já se encontra publicado o décimo sexto e último livro da poetisa do mar azul de Pemba, GLÓRIA DE SANT'ANNA.
Amigos e leitores interessados em adquirir esta derradeira obra (edição particular) da saudosa poetisa, poderão fazer o pedido para Inez Andrade Paes, e-mail inezapaes@yahoo.com.br
.
MÁGOA
.
não vêdes
que vou a caminho da saida
.
e que por isso
conto coisas que me são queridas
.
e não contaria
.
se não fosse
esta aura de espanto
e de
espectativa
.
não vêdes
que a solidão trazida
me cobre a face os ombros
e toda a vida
.
que por ser um resto
ainda é consentida
- Glória de Sant'Anna, in "Trinado para a noite que avança", edição autor, 2009, p15.

  • Alguns post's deste blogue que referem Glória de Sant'Anna - Aqui e Aqui!
  • Link's para Glória de Sant'Anna na net - Aqui; Aqui e Aqui!