1/05/10

Ecos da Imprensa: ÁFRICA 21 - Corrupção, clientelismo e irresponsabilidade

O calote, outrora visto como um crime e motivo de desonra, é hoje praticado por muitos empresários e políticos, ou ambas as coisas, com o à-vontade de quem muda de camisa.

O desenvolvimento dos países emergentes e também daqueles que enfrentam a classificação de pertencerem ao “terceiro mundo”, pelos fracos índices de desenvolvimento económico e social, passa mais pelo empenhamento nacional em políticas públicas de crescimento que pela generosidade das nações ricas, ainda que esta seja importante, necessária e, em muitos casos, quase vital para a subsistência de muitas comunidades.

Nos últimos anos, os líderes de diversos países africanos têm manifestado o propósito de criarem as condições para políticas sustentáveis que possibilitem uma real melhoria das condições de vida dos seus povos. Mas é também público que muitos desses discursos não vão além de exercícios de retórica de ocasião. Muitos desses líderes estão amarrados pelas próprias teias que criaram para se manter no poder.

O clientelismo político, a corrupção e a irresponsabilidade constituem ainda alguns dos maiores males com que se confrontam os países do “terceiro mundo”. E estas são doenças sociais que não são exclusivas deste ou daquele país, deste ou daquele continente.

Muitos personagens das elites políticas e económicas não abdicam da prática de confundir a gestão do interesse público com negócios privados; outros, ou os mesmos, ignoram compromissos, acordos ou parcerias. A ética não existe. A vampiragem tornou-se prática comum. O calote, outrora visto como um crime e motivo de desonra, é hoje praticado por muitos empresários e políticos, ou ambas as coisas, com o à-vontade de quem muda de camisa.

Clientelismo, corrupção e irresponsabilidade andam de mãos dadas na África, na América Latina, na Ásia. E também, ainda que sob formas aparentemente mais sofisticadas, mas não menos perniciosas, nos países ricos do Hemisfério Norte.

Nas últimas semanas, assistimos a compromissos públicos de combate à corrupção, e à falta de transparência das máquinas do poder, por parte de vários dirigentes e líderes de países lusófonos.

Cabo Verde, Angola e Moçambique fazem parte dos países africanos cujos dirigentes se comprometeram em levar por diante programas que visam a moralização da actividade pública e a gestão criteriosa e transparente dos dinheiros públicos.

Cabo Verde, conhecido como um dos países africanos com menor índice de corrupção - o que lhe tem valido, aliás, a captação de importantes recursos financeiros da cooperação internacional – vai lançar um programa destinado a esclarecer a população sobre corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes de colarinho branco.

Em Moçambique, altos funcionários do governo, incluindo um ex-ministro, sentam-se no banco dos réus, acusados de usarem e abusarem do erário público em benefício próprio.

Em Angola, foi o próprio Presidente da República quem veio a público afirmar a necessidade de dar combate à corrupção. Esta conjugação de vontades reflete não apenas um ciclo de aparentes virtudes que se descobrem mas, sobretudo, a convicção de que o desenvolvimento dos respectivos países, a criação de riqueza e a inserção na comunidade internacional obrigam à adopção de medidas urgentes que possibilitem iniciar a árdua tarefa de combater a corrupção, em todos os níveis, começando, obviamente, pelos grupos acastelados no poder.
- Alfredo Prado, África 21 Digital, Brasil OnLine, 04/01/2010.

Obs. - Pena que o articulista não se debruce também sobre os escândalosos casos de corrupção no Brasil, que envolvem mensaleiros do PT, ligados ao governo, em passado relativamente recente e de outros partidos no governo do distrito Federal mais atualmente. Assim como não se refere a Portugal onde se denunciam e estão no limiar da lenta justiça casos que repugnam pela afrontosa tentativa de os "abafar" e legitimar pela impunidade com total apoio de quem deveria dar o exemplo de integridade. Isto em ambos os países Portugal e Brasil.

12/29/09

Não Matem A Esperança - M. Nogueira Borges - Capítulos XV, XVI e XVII


Não Matem A Esperança - Capítulo XV
Dezoito horas.
Os soldados rodeiam a fogueira onde coze o arroz que, com sardinhas de conserva, será o jantar. As armas quedam-se silenciosas, mas bélicas, junto deles e de mim. Os rostos dos soldados brilham distintamente à luz viva das linguetas de fogo, desenhando-lhes os contornos. Há os que riem com as anedotas contadas para passar o tempo; há os que fitam, sem pestanejar e de lábios colados, a panela que se vai sujando de fumo.

A lua, medrosa, começa a sair do ovo imenso que é o céu com a cor da noite. No poente longínquo, os restos de sol, como nos últimos focos dum incêndio gigantesco, tocam a selva. Vai escurecendo dum modo saudoso que nos dá uma sensação de frustração. Relampejando de x em x instantes, umas faíscas nervosas mostram-nos formas mal definidas de nuvens escondidas, esbranquiçadas e gorduchas de água, antecedendo os trovões que, na solidão do mato, são como urros de monstro revoltado.

Na base do planalto em que estacionámos, desenha-se uma circunferência escura e compacta de mata. As copas e os ramos juntam-se, desprendem-se, abraçam-se, agridem-se, formando um todo que, visto de longe, se julga impossível penetrar. No seu seio, contudo, há uma vida animal e febril mais respeitadora que as dos homens. No lado norte, erguem-se as labaredas de uma queimada que conseguiram furar a cúpula selvática e expandirem-se livres e triunfantes.

Os homens encarregados da segurança vigiam o sector de observação que lhes foi confiado.

O cozinheiro de ocasião avisa que o «jantar» está pronto. Come-se para sossegar a barriga. Uns, engolem lentamente e em silêncio, deixando ver perfeitamente a saliência que, na garganta, o arroz forma rumo ao estômago; outros, aqueles a quem a vida ensinou a serem optimistas (questão de hábito?), separam cada colherada com comentários que têm qualquer coisa de forçado.

Depois, a maioria, conversa. Alguns, mais sensíveis a estas coisas, retiram-se assobiando, baixinho, modas das suas terras; outros, ainda, como pasmados perante coisa nunca vista, fixam a lua com lábios em movimento, num monólogo interior.

A noite está adiantada para aqueles que vivem na selva. A lua é rainha. A orquestra do mato toca a sinfonia da vigília nocturna.

Acomodo o meu saco de dormir na cabine da viatura e deito-me, encolhido, no assento. Na caixa, os mais atrasados em procurar posição, impacientam-se até que ficam. Encosto melhor a cabeça à camisola que faz de travesseiro e adormeço com a lua a trazer-me saudades de alguém. De ti Rosita.

No lusco-fusco, os derradeiros fios solares entranham-se no matagal como serpentinas prateadas em confuso folgar. O capim alto ou rasteiro, as mangueiras, cajueiros, maúmas, lusares, tudo isto e muito mais se espaceja ou complica, agarra aqui, solta acolá, e de súbito, se, se contar, aparece uma clareira para uma machamba, para uma palhota e, às vezes, até para uma «temba», onde em noites de luar sedoso se dança o batuque para espantar espíritos maus que trazem a doença irremediável. E, acordando, repentinamente, o silêncio sepultado no inexplicável da noite, o piar taciturno do milhafre anuncia a chegada da toutinegra, murrambé, marrié, namurire e de mais passarada nocturna que toma conta das horas mortas.

Enquanto os homens dormem no seu descanso merecido, eu sonho, velando, com uma terra onde o amor seja sincero. Onde o homem seja respeitado no corpo e na alma. Onde os ruídos de guerra sejam o esvoaçar de aves por entre palmeiras; sejam risos de crianças sem fome; sejam os toques dos sinos, entoando as avé-marias, ao entardecer, na minha aldeia. Uma terra onde os homens caminhem de mãos dadas; se sentem a uma mesa e falem e raciocinem e resolvam na paz, no amor, na justiça feita verdade, não percam tempo nem dinheiro nem brinquem com os povos; se lembrem que a RAZÃO é a única força da vida, que nela assenta a formação do mundo e do homem; que negá-la é negar a existência daquilo que somos e em que vivemos, é aprovar o sofisma. Podem-se fazer milhares de acordos selados pelo dobro das assinaturas, mas se não forem acordados e selados pela RAZÃO, todos eles serão negativos e ofensivos, apenas farão procriar ódios e vinganças, revoltas e perseguições, guerras e mortes, apressando o mundo para o seu fim mais injusto e cruel: a sua destruição.

- Então, pá, alguma novidade?
- Nada.

Porque será que os homens precisam de olhar pela sua segurança? No mundo que sonho não seria necessário: os homens dormiriam de portas abertas, falariam com os corações abertos, competiriam para a vitória de todos, trariam sempre nos olhos a imagem dum Cristo Histórico extenuado na cruz.

E no meu adormecer lento e tardio, o feixe prateado dum luar poético traz-me a esperança desse mundo, no seu manto límpido, optativo duma realização futura.

Não Matem A Esperança - Capítulo XVI
A noite estava a nascer da barriga do dia. Eram cinco horas de Land-Rover. O calor apertava ainda, criando riachos de suor no corpo. Dois furos, quase seguidos, arreliaram a nossa paciência e a do «monhé» que atrasou a sua viagem para nos ajudar. Os solavancos, provocados por buracos-surpresa na picada, faziam-nos dar saltos de marsupial. Devíamos chegar ao acampamento antes da lua. Lá, arranjaríamos um «pisteiro». Um javali, perdido, obrigou-nos a outra paragem. Saltei. Levei a arma à cara. Apontei. Olhou para mim. Emocionei-me... Deu meia volta e partiu à desfilada...

- Então não atiraste?!
- O tipo não estava quieto...

Partimos de novo aos saltos. Pus-me de pé. Ofereci-me à brisa do entardecer, deixando que ela me chicoteasse a face, revolvesse os cabelos, refrescasse o corpo. Acalmei. («Bolas, falhar um javali!...»). De quando em vez, um negro desmontava da sua «ginga» e cumprimentava cheio de salamaleques, uma saudação demasiado espectacular, não sincera, consequência duma tradição imposta, nem sempre pelos métodos mais próprios.

- Cautela! Agarrem-se!

Finquei-me bem de pés e mãos e o pontão foi passado não sem novidade: uma garrafa-termos, que levava cerveja, partiu-se.

- E agora?...
- Não se bebe...

Um bando de macacos atravessou a estrada, lançando à nossa passagem guinchos estridentes. Olhei para trás e vi alguns empoleirarem-se nos braços duma mangueira.

Chegámos ao acampamento.

Falámos e bebemos cerveja gelada com um caçador profissional: atarracado, mas entroncado de rijos músculos, tez morena, abundante calvície, falares e modos desembaraçados. Ama o mato. Enfiou-se nele novo. Construiu casa de alvenaria, casou com uma mulata, aprendeu a matar caça e a vendê-la, ninguém o chateia, vive para os filhos, os negros respeitam-no, nuca teve «milandos». Detesta as cidades. Adora a simplicidade do viver na selva. Emprestou-nos um pneu sobresselente, agradecemos o acolhimento e partimos. Sem «pisteiro» porém. Não apareceu nenhum.

A noite germinava. Como uma flor se abrindo. Como um ser humano sem maldade e sem estupidez. Com ela todo o seu fantástico festival de sinfonias dos bichos-habitantes dum mundo misterioso, dos uivos distantes da quizumba, de estrelas avulsas crivadas num céu de imensidão que impressionava e subjugava. Como era bela aquela noite no mato! Quem me dera ser poeta autêntico para transmitir a beleza, a ânsia, a alegria, a tristeza por mim sentidas nessa noite tão metafísica da minha recordação! Apetecia me ter asas e voar por aquela escuridão imensa. Rebolar-me no capim já cacimbado, reunir os bichos todos daquela noite e, juntos, entoarmos uma poesia-mensagem feita de paz e amor que ecoasse por todos os cantos da terra! («Lírico» - dirá o leitor. «Não!» - brado.).

O condutor bateu com a mão na porta.

- Que é?
- Leopardo!
- Onde?!
- Ali!

Dois olhos amarelos e brilhantes estavam hipnotizados pelos faróis. Tiraram-me a arma das mãos. Não me mexi. Um chorar cortante. De esfrangalhar os nervos. Um calafrio terrível, gelado, a, percorrer-me a espinha. Os pêlos, como agulhas, em pé. Senti-me mal disposto, sem forças. O tiro falhara e fiquei satisfeito que assim tivesse sucedido.

Virámos à esquerda, deixando a picada principal. A princípio, o capim era escravo de grossas mangueiras e cajueiros. O trilho largo, aberto pelo primeiro carro que lá entrara e consolidado pelos seguintes, seguia por entre mato denso que roçava o Land-Rover; alguns ramos, mais inclinados, obrigavam-nos a baixar a cabeça; os solavancos eram maiores. Algumas queimadas dispersas ardiam sonolentas, empestando o ar dum cheiro acre e abafado. A lua, com o seu D mentiroso, chamava as estrelas.

- E se parássemos para comer qualquer coisa?...
- Mais logo...

Ligou-se o farolim à bateria e os faróis apagaram-se.

- Agora nada de atirar ao calha!...

Procurei, assim como os outros, posição certa e começámos a seguir o jacto do holofote. O mato espesso, entrecortado por algumas clareiras queimadas, não dava grandes esperanças. Ansiávamos a planície. («Lá a caça é maningue!»). O bater cavo duma mão no tecto do tejadilho. A viatura parou. Cegos pela luz dois olhos reluzentes.

- Atira tu...

O tiro partiu, seco como uma chicotada e a lonjura trouxe-nos o eco. Grunhidos diferentes, aqueles grunhidos duma fera ferida, disseram que a bala acertara. Saltei e embrenhei-me na vegetação, guiado pelo foco. Perdi-me em procuras, seguindo os movimentos daquele. Regressei desolado...

- O «tipo» rastejou. Não pode ir longe.

Alguns milhanos apareceram e, como um comboio saindo de um túnel, entrámos na planície. Esmagadora! O céu formava um arco de horizonte a horizonte, ligando-os. A lua e as estrelas pareciam maiores. O capim rasteiro dava-nos liberdade de visão. Senti-me pequenino. Olhava para o alto, girava os olhos à volta, e tinha a sensação de ser submetido por algo que não via.

- Pára!

Mais uns olhos obliterados. («Não posso falhar!»). E não falhei. O chango dava às patas em aflitos estremeções. Os seus olhos tristes e nevoentos traziam-me um sinal de morte. Tentou erguer-se, numa manifestação última de vida, e tombou. O seu ventre, ainda a latejar, só deixou de parar quando o seu corpo retezou finalmente. Içaram-no para a caixa de carga. Acendemos uma fogueira que nos daria a direcção conveniente se nos perdêssemos naquela vastidão. Puxei dum cigarro. Uma travagem brusca e aí vou eu, de cabeça, direito às pernas do homem que ia a farolar. Quando me levantei já o tiro fora. Outro chango. Mais dois olhos de morte a acompanharem-me. O cacimbo gelava-me o corpo, penetrando-me os ossos. Vesti uma camisola grossa, mas, mesmo assim, não aqueci. Voltei a sentar-me e a contemplar aqueles olhos muito abertos, como se quisessem perguntar qualquer coisa, olhos que nenhum mau feitiço lançaram a quem os matou. Comecei a chatear-me daquilo. Pensei que fora um homem que matara sem razão, sem verdade, nem sequer com honra, nem igualdade de situações: farol para ali, olhos fixos e mata! Há alguma ombridade?! Entreguei a arma e preparei-me para adormecer, encostado aos corpos mortos de dois seres roubados à selva.

Não Matem A Esperança - Capítulo XVII
O avião chegara ao fim da tarde e trouxera o correio. Teve uma carta da mãe. Falava-lhe da sua casa, da sua terra, de saudade e tinha palavras de incitamento suave e maternal à paciência e esperança humanas. Uma frase, porém, lhe ficara e se agitava dentro de si: «Meu filho tenho esperanças em ti. Ainda és novo e hás-de ser alguém.». Aí estava. Sim, ele queria ser ALGUÉM válido que as gentes vissem que merecia a pena ser meditado. Desejava-o muito. Queimava-o um fogo quente e acariciador, provocando-lhe o nervosismo dos insatisfeitos. Um fogo que o enlouquecia de ânsia de concretização. Não era vaidade nem ambição exageradas. Era um desejo humano de se realizar, consciencializar, e mostrar aos cretinos algo que os tornasse mais imbecis e aos racionais oferecer uma ajuda para a sua luta contra os portadores de fantasmas.

Lá fora, o sossego era violentado pelo coaxar dos batráquios no atoleiro, pelo pipio das aves vadias da noite, pelos «uis» agoirentos, soando ao longe, das hienas manhosas, e que tinham qualquer coisa de sicário. As estrelas, na altura, estavam privadas de lua. De quando em vez, uma mudava de sítio numa correria maluca até se perder sem que mais a nossa vista a alcançasse. O gravador falava baixinho (o botão de som estava no 2) as músicas da sua preferência. A bobina rolava lenta. «Abriu» José Gomes Ferreira:

Há anos de raiva
Que te busco em vão
Melodia!

A sua melodia era a esperança. Esperança de encontrar nas horas do amanhã a efectivação de todos os seus ideais, repletos de mensagens gritantes de revolta e nojo pelos homens que se assassinam mútuamente; de mensagens triunfantes de amor e alegria para com os povos que vivendo na liberdade, lutando com as armas da inteligência, da razão, do suor e da vontade indómita de vencer pelo trabalho honrado, esgadanhando a terra desértica e escaldante com as suas próprias mãos, plantaram as árvores que deram os frutos das belas realidades sociais.

Mas quem te ouve, Melodia,
Para além do contorno do silêncio?

Não seria apenas no limite do silêncio que a sua voz se escutaria. Havia de gritar, mais alto que o trovão, a sua raiva contra os homens estultos, dominados pelas algemas da estupidez.

Pobre voz que trago em mim
E há-de morrer ignorada
Nas trevas dum sol profundo
Sem luas de superfície

A sua voz seria para os que a quisessem ouvir. Havia de nascer no fulgor duma aurora de liberdade, misturar-se com o chilrear das aves bem dispostas da manhã, penetrar nos corações das gentes, prolongando-se pelas noites de lua cheia ou lua nova ou quarto crescente ou quarto minguante (todas as noites de todas as luas). A sua voz não morreria ignorada pelas pessoas honestas.

O vento divulgava-se pela rede antimosquiteira da janela, como se viesse fazer coro com a música, com a poesia, com os seus pensamentos. O relógio duma Igreja tropical repetiu doze vezes o mesmo som. O seu colega de quarto entrou.

- Então pá?
- Então o quê?
- Nada de novo?
- Novo? Mas isto é sempre a mesma porcaria?

Ele sorriu significativamente. Puxou dum cigarro e leu mais uma vez: «(...) Ainda és muito novo e hás-de ser alguém.».

Fechou-se a luz e. olhando a ponta do cigarro, repetia só para si: «ALGUÉM... ALGUém... Alguém... Alguém... alguém...».
- Manuel Coutinho Nogueira Borges

12/26/09

Parque Nacional da Gorongoza - A chacina dos animais !

A situação alcançou níveis descritos pelas autoridades administrativas do parque como sendo bastante alarmantes, informa neste sábado (26) o jornal Notícias.

Maputo - A explosão da população animal no Parque Nacional da Gorongosa (PNG), na província de Sofala, em Moçambique, está a ser manchada pela caça furtiva praticada em grande escala pela comunidade que vive dentro e fora desta reserva do Estado, com recurso a laços, armas de fogo de fabrico caseiro e armadilhas à venda nos estabelecimentos comerciais.

A situação alcançou níveis descritos pelas autoridades administrativas do parque como sendo bastante alarmantes, informa neste sábado (26) o jornal Notícias.

O Parque ocupa uma área de aproximadamente 3770 quilómetros quadrados, com um universo de cinco mil pessoas vivendo no interior do parque e outras 120 mil na zona-tampão, exactamente nos distritos de Cheringoma, Muanza, Nhamatanda e Gorongosa, cuja principal fonte de rendimento está directamente ligada à prática da actividade clandestina.

Segundo Mateus Muthemba, Director de Relações Comunitárias daquela área de conservação, trata-se de um problema complexo e antigo, que se relaciona com factores sócio-culturais e históricos de difícil solução considerando que o mesmo remonta dos primórdios da criação do parque, na década de 60.

As estatísticas indicam que pelo menos 3 500 animais são abatidos todos os anos, como porcos selvagens, vulgo fucoceros, changos e pivas, cuja carne é transportada à cabeça e em bicicletas para consumo e venda.

A caça furtiva é praticada em grande escala entre Setembro e Dezembro nas regiões de Gorongosa, Pedreira e Massapassua, no distrito de Muanza, Dingue-Dingue, em Nhamatanda.
- África 21 Digital, 26/12/2009.

12/24/09

Feliz NATAL !


Cada um de nós faz parte desse Milagre, dessa Maravilha que é o nosso Planeta.
Cada um de nós tem um compromisso muito importante e significativo com a VIDA.
 FELIZ NATAL e UM ANO NOVO ABENÇOADO!

12/23/09

O DESAFIO - Allman Ndyoko

Tinham caminhado toda manhã no meio da mata fechada e debaixo do céu sinistro coberto de nuvens enormes, pesadas e escuras sem que trocassem palavra alguma. Levando as costas o filho mórbido, a casa toda mudada a cabeça num volumoso atado de pano, Achepe marchava em frente do Nkule, seu marido, num passo nervoso e sem ocultar a sombra de aflição e tristeza que lhes perspassavam pela fisionomia. O filho menor estava doente há dias. Não comia e nem falava e o infurtúnio sucedera subitamente quando brincava na companhia de amigos no terreiro da casa do tio materno. Várias tentativas haviam sido accionadas para devolver a saúde ao menor, mas todas mostraram-se infrutíferas restando agora, como último recurso, a consulta do wihiyango mais afamado da região para desvendar o mistério ocultado por detrás da doença.

Caminhando em silêncio e com a mente mergulhada em profundas meditações, Nkule ia tentando advinhar o mistério que rodeava a doença do filho e o provável autor. De quando em vez, maldizia a tradição que lhe obrigara a viver na aldeia dos pais da esposa até nascer o primeiro filho, pois, na sua óptica o infurtúnio que se alojara no filho sobrevinha indubitavelmente da acção de um feiticeiro da família da mulher. Enquanto ordenava o juizo deste modo, Nkule aguardava com ansiedade a chegada à aldeia Mwanga, que ficava a norte de Miteda, onde esperava confirmar às suas deduções.

Entretanto, o casal prosseguiu a caminhada tortuosa no caminho apertado e ladeado de arbustos e capim alto. O silêncio entre eles era tumular e a aflição pelo filho era-lhes maior. Porém, à medida que avançava a passos largos em direcção ao destino ia se ouvindo, em forma de eco, nas proximidades do caminho, o sistemático e repetido «coc, coc, coc, coc,...» do batimento dos pés descalços no chão castanho e rico de humo, que era característica principal do planalto makonde em todas suas extensões. Já a meio caminho do destino, dois perdizes passaram próximo deles voando de forma razante e fazendo-lhes sentir no rosto o ar deslocado pelas asas. Nkule assustou-se, tossiu uma vez e riu exibindo a sua dentadura branca, cor de marfim, afiada com mestria conforme as velhas tradições. O sucedido lhe causara uma impressão dramática a ponto de fazê-lo esquecer temporariamente o drama que vivia. Olhou atrás sorrindo, meneou a cabeça e quando volveu o olhar, passou a costa da mão no rosto e sentiu os sulcos das tatuagens marcadas indelevelmente na pele. Roçou-as levemente, sem dar em conta, e no fim, comentou:

- Aquelas aves são demasiadamente atrevidas. Contudo, espero que não estejam a anunciar um mau augúrio.

Achepe não pronunciou palavra alguma e limitou-se a marchar serpenteando o corpo e fazendo tocar ao de leve no capim seco os vestes que trazia.

De repente, um vento forte agitou o capim e torceu as árvores, fustigando-as furiosamente e ameaçando derrubar a trouxa que Achepe carregava no alto da cabeça. A mulher fez um movimento brusco para atrás e afrente e, tentando equilibrar a trouxa, prosseguiu a marcha sob o olhar atento e vigilante de Nkule que lhe seguia acompanhando-a os passos.

- Pelo visto, vai chover. – Afirmou Achepe, finalmente, passados escassos momentos após a acção fustigante do vento.
- Certamente. Por isso, temos que apressar para que achuva não molhe-nos demasiadamente.

Manteram-se calados novamente e continuaram a andar cada vez mais rápido. Passado algum momento, uma claridade ofuscante e violenta brilhou instensamente, o céu bramiu e dentro das nuvens estrondeou brutalmente. Num instante, o casal viu-se alucinado visualmente pelo relâmpago e ensurdecido pelos ribombares dos trovões. De súbito, a chuva despenhou em catadupa encharcando o casal dos pés à cabeça e obrigando-o a refugiar-se debaixo de uma frondosa mangueira que se achava ao lado do caminho que seguia em direcção a aldeia.

Quando a chuva abrandou, o jovem casal retomou a marcha já sentido nas entranhas da medula o ar frígido do planalto. Volvido alguns instantes, a chuva parou e começou a ouvir-se de longe vozes de gente trazidas pelo vento. Nisto, acelerou o passo procurando alcançar as vozes o mais breve possível. Cruzaram-se com alguns aldeões vindos das machambas e poucos metros depois alcançaram o limiar da aldeia. A aldeia era excepcionalmente grande e bela, conhecida e admirada pelo esplendor invulgar que revestiam as festas tradicionais e sobretudo pelo excepcional prestígio de que gozava o chefe da aldeia e o wihyango Nkapalule. Curiosamente, o chefe da aldeia chamava-se Mwanga e era demasiadamente idoso; Tinha uma estatura baixa e era considerado uma personalidade invulgar, pensador original e filosófico. O seu prestígio e seus feitos heróicos haviam se espalhado por todo o planalto e não havia linhagem makonde alguma que não conhecesse alguma das suas proezas.

No entanto, o casal aproximou-se a uma palhota, onde uma mulher grávida peneirava o milho sentada debaixo do beiral. Nkule pediu licença e depois de autorizado cumprimentou a mulher grávida e no fim, quis saber onde vivia o wihyango Nkapalule. A mulher indicou com o dedo uma palhota que se achava em frente da chitala. Nkule agradeceu cordialmente e retomou a marcha, juntamente com a sua esposa, dirigindo-se às palhotas próximas a chitala sob olhar devorador dos aldeões que lhes apreciava como se estivessem em exposição. Enquanto caminhavam, Achepe ia apreciando as belas palhotas da aldeia e sua gente mansa e alegre.

À semelhança da disposição das palhotas da maioria das aldeias makondes, a estrutura arquitetónica da aldeia Mwanga não fugia a regra. A aldeia era de forma circular e as palhotas que se encontram na primeira fila à volta do terreiro central eram habitadas por um homem ou uma mulher da mesma likola a que pertencia o chefe da aldeia. No terreiro central emergiam árvores de fruto e no centro se encontrava a chitala, casa de reunião dos homens. Na chitala os homens passavam o seu tempo livre esculpindo, conversando e tomando a mesma refeição, enquanto as mulheres passavam parte do seu tempo trabalhando no terreiro junto das suas habitações e comendo juntamente com as vizinhas à sombra da árvore ou do beiral da palhota ou dentro dela no tempo de chuva.

Nisto, ao chegarem na casa do wihyango Nkapalule foram recebidos por duas mulheres idosas que trataram de receber a trouxa que Achepe trazia à cabeça e lhes servir igoli no beiral da palhota para se acomodar. Nkule pediu água para beber e quando uma das mulheres que lhes recebera afastou-se em busca da água, Achepe despredeu nas costas o filho mórbido e deitou-o no leito do igoli cobrindo-lhe uma capulana com delicadeza. Quando a mulher trouxe água fresca numa cabaça e entregou ao Nkule, a outra entrou na segunda palhota que assomava no quintal para lhes anunciar.

Gerou-se, no entanto, um momento de extrema espectativa durante o qual o casal esteve atento à movimentação das mulheres que por coincidência eram esposas do famoso Nkapalule. Pouco tempo depois, saiu da palhota principal e maior uma figura humana cheia de rugas, esquelética, velha, de boca sem dentes e chupada. O homem era magro, por natureza, a ponto de parecer não ter carne sobre os ossos. Atravessou o terreiro da casa andando lentamente e curvado, e, dirigiu-se ao encontro dos visitantes.

- É ele? – Inquiriu Achepe, com os olhos esbugalhados de pasmo e pavor.
- É... Mas não te incomodes ele é apenas velho. – Respondeu Nkule com toda serenidade que lhe foi possivel. Contudo, ele também estava embaraçado, mas fez um esforço para não o demostrar.

De costas curvadas o ancião passou lentamente em frente deles e entrou na terceira palhota. A esposa mais velha do ancião convidou os visitantes a entrar na palhota, onde se encontrava o marido. Quando os visitantes se acomodaram numa esteira de palha do lado oposto do wihyango, Nkapalule, disse:

- Sei tudo o que levou-vos a me procurar e tudo o que se passou convosco pelo caminho. Não me perguntem porquê, pois, essa é a minha virtude.

Nkule espantou-se pelas declarações e, por fim, fixou o olhar no rosto do velho. Apesar da pequena escuridão que se desenhava no interior da palhota, naquele momento descobriu que nas órbitas profundas do Nkapalule os olhos eram extraordinariamente vivos e atentos e a sua face estava profundamente tatuada de dinembo que lhe emprestavam a elegáncia e perpetuavam a sedução e o orgulho de ser makonde. Porém, manteve-se atento às palavras do ancião.

- Vocês querem saber o que se passa com o vosso filho. – Prosseguiu Nkapalule. – E querem saber quem provocou esta desgraça.
- Sim. – Apressou-se Nkule a responder com convicção.
- Muito bem! – O velho arregalou os olhos e com ar misterioso, continuou: - Vamos rogar que os espiritos dos antepassados conceda-nos permissão para que o vosso desejo seja realizado.
- Assim seja. – Anuiu Nkule visivelmente curioso.

Nkapalule despejou na esteira ossadas de diferentes animais bravios, pegou numa faca e começou a cantar a pleno pulmões olhando para os ossos. Enquanto cantava, as suas esposas entraram na palhota respondendo em coro com uma aperfeiçoada concordância e comoção, e, por fim, sentaram-se ao seu lado prosseguindo com o coro. De repente, os olhos do wihyango mudaram de expressão, os lábios tremeram e a voz mudou de tom. Agitou a faca freneticamente durante alguns instantes e, a dado momento, manteve-se sereno a escutar a voz do coração. Nesse instante o cântico parou e fez-se um silêncio quase absoluto. Depois, suspirou profundamente, inalou um punhado de rapé meneando a cabeça, aspirou três vezes consecutivas e apontando a figura da Achepe, disse:

- O seu tio materno é o causador desta moléstia. Ele pretende matar o seu filho para lhe servir na machamba em forma de lindandocha. Voltem a casa o mais breve possível e digam a ele que eu lhe apontei como o causador do mal que se manisfesta nesta criança. Se ele sentir-se afrontado, lesado e difamado, sem justa causa, poderá queixar-me em qualquer aldeia e se provar que eu sou culpado, digo-vos do alto da minha dignidade que, deixarei de ser wihyango. Porém, se as minhas palavras forem verdadeiras verão que ele não se insurgirá e limitar-se-á a fazer uma coisa, que agora não vos digo, que restituirá a saúde ao vosso filho.

- Mas tem a certeza mesmo que o autor desta moléstia é o meu tio? – Inquiriu Achepe incrédula.
- Tenho, pois, o que digo não vem de mim... tudo é divino.
– É que não pode ser!
- Mas é... – Respondeu Nkule visivelmente revoltado.

Achepe baixou a cabeça, esfregou as vistas com a ponta da campulana que trazia enrolada ao corpo e, logo, as lágrimas não tardaram a salatarem-lhe dos olhos. Indignada pela revelação estrondosa e inesperada, Achepe, começou a chorar profundamente deixando escorrer, pelas faces negras e tatuadas, lágrimas copiosas.

No fim de algum momento, Achepe acalmou-se; Limpou-se as lágriamas com as palmas da mão e soluçando pós o filho nas costas. Nkule pagou a consulta com um um balde menor de amendoim que tirou da trouxa que a mulher carregava e abandonaram a palhota de regresso a casa. Quando atravessaram o limiar da aldeia e se embrenharam pela floresta adentro através de um carreiro que lhes foi indicado por uma das esposas do Nkapalule, as sombras da noite invadiam a floresta e as aldeias makondes, e, de longe ouvia-se o rufar dos batuques que vinha de algures distante trazido pelo vento. No alto do céu, os morcegos e outras aves de rapina iniciavam o seu voo habitual saindo de maneira espectacular das cavernas e dos troncos seco de árvores frondosas e seculares.

Ao chegarem a aldeia, dirigiram-se a casa do tio da Achepe, onde curiosamente esperava-lhes sentado à porta da sua palhota.

- Não digam nada! – Apressou-se o tio a dizer, assim que Nkule pediu licença. Depois, prosseguiu. – A ganância e o egoismo levaram-me a molestar o vosso filho de forma abominável. Sei que não mereço perdão, mas ao menos permitam-me restituir a saúde ao vosso filho.

Parado diante a entrada da palhota, Nkule, ouvia o discurso fervendo de ódio. Naquele momento o homem quis desferir um golpe, mas a sua consciência falou mais alto e, nisto, limitou-se a olhar a figura do tio abanando a cabeça desaprovadamente.

No entanto, reinou entre eles um silêncio de magoar os ouvidos, durante o qual Achepe aproveitou tirar da cabeça a trouxa que trazia e entregar o filho mórbido ao tio. Ao recebê-lo encaminhou para o interior da palhota, onde deitou na esteira e saiu para a outra palhota que se encontrava no mesmo terreno. Nkule e Achepe assistiam com interesse a movimentação do molestante vigiando-lhe todos seus movimentos. Pouco depois, o molestante voltou com uma cabaça cheia de água, parou no limiar da porta da palhota, onde se encontrava o doente e começou a confessar o crime proclamando, de seguida, que a doença não prossiga. Ao terminar a proclamação, que foi feita em voz baixa para que os vizinhos não ouvissem, cuspiu dentro da cabaça mormurando numa linguagem imperceptivel e lançou a água sobre os pés do doente. Feito isto, Nkule e Achepe levaram o filho a casa e no dia seguinte, incrível que pareça, o menino acordou sarado...
- Por Allman Ndyoko - 01/03/2007.

Glossário
Wihyango advinho.
Lindandocha Fantasma ou escravo mágico, isto é, entre os makondes antigos existia a prática de matar magicamente alguém e posteriormente servi-lo de escravo para trabalhar na machamba e outros locais. Para gente comum a pessoa morria de verdade, mas para o lado mágico a pessoa passava a viver, mas sem o contacto nem o conhecimento dos progenitores se o autor da morte não forem eles.
Igoli Cama de base feita de estacas de árvores e o leito tecido de uma corda de palha trançada.
Chitala Alpendre erguido no terreiro da aldeia e funciona como local de convivio dos homens.
LikolaLinhagem.

12/22/09

Deputados da RENAMO não vão tomar posse, afirma Afonso Dhlakama


Os deputados da RENAMO, maior partido da oposição, não vão tomar posse no novo Parlamento, garante o presidente do partido, Afonso Dhlakama.

Numa longa entrevista ao canal televisivo moçambicano STV, Afonso Dhlakama disse que os 51 deputados da RENAMO não tomarão posse, porque os resultados das eleições foram, nas suas palavras, uma fraude generalizada.

Nas eleições gerais de 28 de Outubro, a FRELIMO, partido no poder, ganhou com 75 por cento dos votos, elegendo 191 dos 250 deputados da Assembleia da República.

Armando Guebuza, presidente da FRELIMO, também ganhou as eleições presidenciais com 75 por cento dos votos.

Os resultados foram contestados pela oposição, que alegou a existência de fraudes.

Na entrevista à STV, Afonso Dhlakama foi mais longe e disse que os membros da FRELIMO meteram votos nas urnas e que houve inclusivamente fabrico de material à margem da legalidade: “A CNE (Comissão Nacional de Eleições) mandou fazer os boletins de voto na África do Sul mas a FRELIMO tinha uma gráfica à parte.”

“Fale com o Guebuza, para ele explicar como é que o partido dele conseguiu boletins de voto 10 dias antes das eleições”, disse Afonso Dhlakama, acrescentando que houve mesas com 60 eleitores de onde saíram mil votos em Armando Guebuza.

O que a FRELIMO fez, frisou, “é crime”, protegido pela polícia, sendo que o partido quer “acabar com a democracia” em Moçambique.

Dhlakama considerou normal a saída de destacados dirigentes do partido para o MDM, de Daviz Simango, porque na RENAMO pode entrar-se e sair. “Saíram porque quiseram, foram traidores. Na FRELIMO entra-se e só se sai morto”, disse.

Afonso Dhlakama garantiu também que irá organizar manifestações pacíficas em todo o país, embora diga que “a FRELIMO está preparada para matar”.

“Mas a RENAMO vai responder com muita força, somos mais fortes do que meia dúzia de comunistas da FRELIMO”, afirmou, acrescentando: “O país não é Guebuza, ou a mulher dele, ou os primos dele. O país são as 11 províncias.”

O que Afonso Dhlakama propõe é um Governo de transição, para “reorganizar Moçambique para todos e não para meia dúzia de guerrilheiros da FRELIMO”, separando as instituições do Estado do partido, e pedir à ONU que supervisione “as primeiras eleições democráticas” do país.

“Não perdi quatro vezes, fui roubado quatro vezes”, disse a propósito de anteriores derrotas eleitorais, acusando de seguida a FRELIMO de ter também beneficiado o novo partido de Daviz Simango, o autarca da Beira, antigo dirigente da RENAMO.

“Daviz Simango é um miúdo, um pára-quedista”, que “fez falcatruas” na câmara da Beira no primeiro mandato. “Daviz apanhou oito deputados porque a FRELIMO queria que Daviz fosse o líder da oposição. Os oito deputados foram fabricados pela FRELIMO”, afirmou.

Afonso Dhlakama explicou ainda que vive em Nampula para estar mais perto “da maioria que vota RENAMO”.
- 22/12/2009-11.57H-Destak/Lusa destak@destak.pt