11/05/09
Para o final de noite: Earth Song por Michael Jackson
Atravesso o mar sempre azul e, lá mais ao norte de Moçambique, na costa oriental da África da esperança deixando para tráz a neblina das madrugadas do tempo, vou redescobrindo os contornos sensuais da musa da saudade e das eternas recordações de minha adolescência!
11/03/09
Não Matem A Esperança - M. Nogueira Borges - Capítulo 1
I
Estirou-se na cama. Cansado, chatiado, triste, muito triste, mais triste que o dia cheio de chuva lá fora.
João era um tipo esquisito. Mesmo antes de ir para África usar arma e camuflado. Sempre fora um idealista. Trincava silêncios poéticos, gemia projectos políticos proibidos, juntava-se a um ou outro da sua condição – até ao momento de ser traído – e conversava longamente, dando murros nas paredes, atirando as pedras dos gritos recalcados. As outras pessoas metiam-lhe nojo. Detestava-lhes a rotina dos gestos e dos actos, a hipocrisia dos fingimentos, o egoísmo de quem quer submeter os outros à sua maneira de viver, ao seu comodismo, à sua falsidade. Achava que elas não viviam. Mentiam. Mas não podia dizer nada, esboçar um protesto. Tinha que calar. As pessoas estavam velhas, preconceituadas, atrasadas em tudo, mas acima de tudo, na cultura e no intelecto. Não sabiam raciocinar ou raciocinavam só para eles, acarretando-lhes a inimizade natural de quem não está para os aturar. Mas calar porquê? Cobardemente? Mas ele não existia só no mundo dos seres humanos. Tinha família e ter família, na maioria dos casos, é um aborrecimento porque uma pessoa tem que se atraiçoar. Refugiava-se dentro da sua concha, como o caracol quando lhe tocam. Vinha para o seu quarto. Um quarto alugado ao mês. Um quarto de uma pessoa única: ele. Ele dentro de quatro paredes frias, sem vida, sem revolta, sem dizerem nada. Fumava. Contava o dinheiro. Fazia contas. Quanto poderia gastar amanhã? E depois? Não lhe chegava? Fazia ginástica. Olhava o tecto, olhava o nada.
João pensava:«Isto é um problema. Um tipo quer trabalhar, ganhar algum para cigarros, fazer alguma coisa de jeito e mandam-lhe um pontapé no traseiro. Anda um tipo dois anos lá fora, estudos parados, a criar vícios e outros hábitos, a aturar este e aquele que nunca viu de lado nenhum e chega vendo tudo ao contrário do que sonhara. As palavras são bonitas e sentimentais. São, são. O pior é o resto. As cartas que se escrevem não têm rosto. Por isso é que as palavras são tão bonitas e sentimentais. Às vezes até dá vontade de voltar para lá. Beber água do coco e comer mandioca como o negro e amendoim como o macaco. Arranjar machamba e derreter os ossos no seu amanho. Deixar-se andar até as pessoas dizerem que um homem está «apanhado pelo clima». E há quem se safe. Vêm cá fazer de ricos. Depois voltam mais uns tempos. Vêm de novo e zás. E regressam. Acabam por lá. O calor obriga à cerveja e ao uísque. As barrigas medram. Pode-se ter um, dois, vinte criados. Sem receio de grandes despesas pois a mão de obra é barata. Há praia todo o ano. Anda-se à vontade, em mangas de camisa, e até de tronco nu, mas com calções se não era uma vergonha. O marisco é barato e acompanha-se com álcool gelado. Há sempre festas e festinhas para se encher a pança, em que o burguês mostra que é mais burguês que o outro, em que se dança com as esposas dos outros dentro do maior companheirismo e seriedade. Mas também se trabalha, lá isso é verdade. Mas aquilo é porreiro. «Sim senhor, Patrão!». Eu se fosse para lá só o mato me interessava. O mato metido lá bem para dentro, onde não me cheirasse aos bifes e aos cosméticos das cidades. Viver com a natureza selvagem. Aprender os dialectos. Construía uma palhota, abraçada a um imbondeiro, casava-me com uma negra (se ela quisesse ir à igreja até nem me importava nada) e devia ser giro eu ter filhos chocolates. Abastecia-me no cantineiro mais próximo e que não me enganasse muito, comprava uma ginga, um portátil, e, nas tardes em que não me apetecesse dormir a sesta, escreveria o meu livro de sucesso, intitulado, por exemplo, «Vai para o mato malandro» ou então «A comodidade selvática». Claro, teria que arranjar uma lavra de qualquer coisa para fazer tudo isso e os filhos não andassem de barrigas inchadas. Mas seria bom. Só queria que os negros não me elegessem chefe, nem por Sufrágio Universal. Se o fizessem mudava de sítio.».
Puxou de um cigarro. Olhou o relógio. O próximo só poderia ser fumado daí a quarenta e cinco minutos.
«Mas porque será que não arranjo um emprego compatível? Claro que não vou servir burgueses nos Restaurantes ou nos Cafés, nem atender clientes a quem tem sempre de se dar razão, mesmo quando não a tenham. Trabalhar seis horas por dia e ganhar dois mil escudos por mês! Isso quase que ganha um empregado qualquer, numa semana, em um daqueles países em que até as greves acontessem. E mais: no fim de um ano, se não servisse, ia para a rua! Bonito, sim senhor. E ainda estão os estudos que tenho que prosseguir para amanhã não andar a pedir esmolas. E se eu fosse para o estrangeiro? Lavar pratos, limpar retretes, cortar as ervas dos jardins, cuidar das crianças dos ricos? Nos intervalos tiraria um curso de línguas e pintaria quadros para expôr às portas dos teatros. Juntar-me-ia a uma sueca ou francesa ou a uma qualquer liberal e faríamos amor no palheiro mais próximo duma quinta abandonada. Seria engraçado até ao dia em que um de nós se saturasse e dissesse: «Good bye». Não. Quero ser mais do que isso.».
Foi à janela. Parara de chover. As ruas estavam semilavadas e os automóveis desciam com cuidado. Um polícia, arrogante e espectacular, comandava o trânsito, no fundo.
«Como as pessoas correm, esquivando-se aos encontrões. Sem ordem, sem método. À balda, sem definição. Dir-se-ia que um frio e calculista cérebro electrónico as move, gozando a seu belo prazer o efeito que resulta de as ter lançado na confusão. Para que fim correrá esta gente? Terão algum objectivo? A angústia de perder os tostões com que se vestem e se alimentam, com que vão aos domingos ver o futebol e possam preencher o totobola. A esperança de que um dia seja melhor. E oxalá que sim. O que é preciso é que não matem a esperança, embora muita gente diga que já morreu no determinismo dum contexto social apócrifo. Mas é necessário continuar a acreditar. A minha fé é esta. Não uma fé pagã. É uma fé lúcida mesmo que, por vezes, se fundamente na ilusão como todas as fés. Só queria saber os pensamentos daquele barbeiro velhote que passa as manhãs à porta da barbearia conservadora, onde nem há sequer um secador de cabelo, fazendo uma barba de quando em vez, lendo a página de desporto do jornal. Que é que ele espera? A morte? Mas isso todos esperamos. A morte ceifa tudo. Até as fragas do silêncio das serras se desfazem na morte dos tempos, do vento e da chuva. E aquele arrumador, vesgo que se farta, que torce a boca quando fala e tem sempre uma perisca na orelha? E aquela mulher feia, com varizes nas pernas, que vende pentes, lapiseiras e preventivos para furtar homens às guerras? A vida é uma maçadoria. As gentes arrastam-se. Arrastam-se como o combatente na selva sempre à espera que um tiro lhe rebente os miolos e diga adeus, por uma vez, a todas as cavalgaduras que inventaram as guerras. Mas, afinal, tudo isto é uma guerra. E as cidades são a selva. Uma selva mais civilizada (se o termo é correcto), talvez, mas, por isso mesmo, mais perigosa. A selva da sociedade com bichos de variada espécie que roncam de modos estranhos e não se fazem rogados para morder um qualquer, achincalhar a sua dignidade, matar o seu pensamento, a sua liberdade. Porra!, o sacrifício que um tipo passa para os aturar. Quando há vontade de os mandar ter com as mães – que, ao fim e ao cabo e bem vistas as coisas, não têm culpa de parir tais bestas – e não se pode? E assim se anda...».
O telefone tocou.
- Tou. Olá pá! Diz lá. O quê? Bolas, estou farto disso, pá! Aparece amanhã e depois conversamos. O telefone é pouco próprio, pá. Adeus.
«Este anda iludido coitado. Julga que está no mar da tranquilidade. Lê de manhã à noite e vai a caminho da maluqueira. Ignora que esta porcaria não se explica – consome-se. Ou se vive assim ou então dá-se um tiro na cabeça. Sei lá se é solução. Ainda não pensei nisso a sério.».
Fechou o rádio, mal uma voz começou a fazer propaganda facciosa. Deu um murro na cabeceira da cama. Sorriu. Tirou o sapato direito e atirou-o ao candeeiro. Nenhuma lâmpada se partiu. Aquele ficou só a marcar segundos como o pêndulo de um relógio de sala, daqueles que assinalam os quartos, as meias e as horas com um fadinho monótono e sonolento. Foi buscar o sapato. Enfiou-lhe metade do pé e lançou-o ao tecto. Foi buscar outra vez o sapato e riu-se. Mirou-se ao espelho e disse: «Estás cada vez mais na mesma. Tens montes de estupidez.». Sentou-se junto da máquina de escrever e acabou o poema que há quinze dias aguardava desfecho com os seguintes versos: «Sorri e fala enquanto és criança / Quando fizeres a barba e usares calças compridas a sociedade calar-te-á.». E ficou satisfeito. Pareceu-lhe viril, duma virilidade triste e irremediável, aquele final. Olhou o relógio: Ainda não podia fumar.
«Apetecia-me nadar. Flutuar nas ondas cansadas duma cansada praia africana onde até o amor é cansado. Caramba!, aqueles noites de calor quando um tipo ia para a baía e, todo nú, com a lua envergonhada a ver tal descaramento, se enfiava por ali fora e deixava que a água salgada entrasse para os ouvidos e a sensação doce e gritante de possuir, naqueles instantes, a liberdade no corpo. Correr depois pela praia aos saltos, aos berros de «aioé», e rir, rir alto para as estrelas, sem nada no corpo, sem nada nos dedos da noite, ouvir as palmeiras a chorar a solidão, o tam-tam do batuque, lá ao longe, no meio do mato, festejando rituais de principiantes, corpos de cores diferentes rebolando-se na areia com risos sufocados pelos prazeres da carne, prazeres adquiridos pelo dinheiro. Noites de descontrole natural pelos ambientes dia-a-dia ruminados, noites de lágrimas em que, olhando-se o longínquo das águas, se lembravam os nossos e se gemia: «Mãe, diz a ela que me espere com uma esperança igual à tua!”. E aquela vez em que me deixei cair e esgadanhei a areia até os dedos serem derrotados e gritei: «Não! Mil vezes não!» Mas que lucrei? Quem me ouviu? O nada sem voz, o silêncio das coisas mortas. E agora? Agora que já só cumprimento quem me apetece, sem ser por obrigação? Que vou fazer? Andar por aí a cuspir palavras, salivar complexos, continuar sendo escravo desta miserável sociedade que me persegue e me quer destruir, sorrir quando a minha vontade era dar murros, acenar-que-sim para poder continuar a sentar-me a uma mesa, sujando-me na incoerência por necessidade, masturbando porcamente os meus princípios, ouvir palavras de fingida comiseração? Pois sim. Acordar todas as manhãs num quarto escuro dum terceiro andar, com a chuva a castigar as vidraças, o movimento dos carros, acelerando, travando, apitando, roncando e as pessoas, de umbelas, fugindo ao choque, dançando o tango pluvial, e eu, cá em cima, sentindo o vazio à minha volta, uma indiferença tão fria como a da máquina de escrever sobre a mesa, um hábito de vida sempre igual em que nada de novo sucede nem um exaltado a oferecer pancada.».
João espirra. Tosse. Escarra no penico. Assoa-se. Abre um livro. Começa a ler. Fuma o cigarro que passaram os quarenta e cinco minutos. Levanta-se para ir buscar o lápis vermelho. Sorri e sublinha: «É mais fácil organizar e dirigir uma sociedade de escravos do que uma sociedade de homens livres.».
João poisa o livro na mesinha. Vira-se para o outro lado e adormece com o seu sonho de esperança, enquanto a chuva recomeça e se faz amor, comprado ou grátis, na cidade-selva.
- Continua.
- MANUEL COUTINHO NOGUEIRA BORGES NASCEU EM SÃO JOÃO DE LOBRIGOS, SANTA MARTA DE PENAGUIÃO, EM 1943. É ALUNO DA FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA. CUMPRIU SERVIÇO MILITAR OBRIGATÓRIO, COMO ALFERES MILICIANO, NA PROVÍNCIA DE MOÇAMBIQUE. COLABOROU EM VÁRIOS JORNAIS: INICIAL, GAZETA DE COIMBRA, DIÁRIO DE LISBOA – JUVENIL, MIRADOURO, NOTÍCIAS DO DOURO, REPÚBLICA-JUVENIL, DIÁRIO (DE LOURENÇO MARQUES), VOZ DA ZAMBÉZIA. NÃO MATEM A ESPERANÇA É O SEU PRIMEIRO LIVRO ESCRITO EM 1970.
«SEJAMOS POIS IMPOPULARES, NO MUNDO DE HOJE, ESSA É A FORMA ÚNICA DE NOS SABERMOS HIPOTÉTICAMENTE CERTOS.» (NELSON DE MATOS)
Atravesso o mar sempre azul e, lá mais ao norte de Moçambique, na costa oriental da África da esperança deixando para tráz a neblina das madrugadas do tempo, vou redescobrindo os contornos sensuais da musa da saudade e das eternas recordações de minha adolescência!
11/01/09
Coronel Tito Lívio Esteves Xavier: Missa de 7º dia
(Clique na imagem para ampliar)
Será rezada missa de 7º Dia, em memória do Coronel Tito Lívio Esteves Xavier, 2ª feira, dia 2 de Novembro de 2009 às 17 horas na capela dos Salesianos do Estoril (dentro da escola), em Lisboa - Portugal.
DIZ-ME A. JOÃO SOARES EM 31 DE OUTUBRO DE 2009 20H06:
Caro Jaime,
Recebi este texto por e-mail de alguém que conviveu com o Tito e que o Jaime talvez conheça:
""Faleceu o Coronel TITO LÍVIO XAVIER
De: J. Verdasca:
ACABO DE RECEBER DO AMIGO GIL (Macua de Moçambique) a infausta notícia do passamento do velho amigo, admitido junto comigo - e em 1955 - na Academia Militar de Lisboa, onde só permaneceu durante meio ano lectivo. Oriundo do Colégio Militar, Tito Lívio logo foi promovido a aspirante, tendo feito carreira na antiga Porto Amélia (hoje Pemba) capital do Distrito moçambicano de Cabo Delgado, onde se situa o Planalto dos Makondes e a povoação de Chae ou Chai, a primeira a ser atacada pela guerrilha da Frelimo, na noite de 25 de Setembro de 1964, data hoje considerada DIA das Forças Armadas Moçambicanas.
Caro Jaime,
Recebi este texto por e-mail de alguém que conviveu com o Tito e que o Jaime talvez conheça:
""Faleceu o Coronel TITO LÍVIO XAVIER
De: J. Verdasca:
ACABO DE RECEBER DO AMIGO GIL (Macua de Moçambique) a infausta notícia do passamento do velho amigo, admitido junto comigo - e em 1955 - na Academia Militar de Lisboa, onde só permaneceu durante meio ano lectivo. Oriundo do Colégio Militar, Tito Lívio logo foi promovido a aspirante, tendo feito carreira na antiga Porto Amélia (hoje Pemba) capital do Distrito moçambicano de Cabo Delgado, onde se situa o Planalto dos Makondes e a povoação de Chae ou Chai, a primeira a ser atacada pela guerrilha da Frelimo, na noite de 25 de Setembro de 1964, data hoje considerada DIA das Forças Armadas Moçambicanas.
Tito Lívio era e foi um homem singular; pragmático, desinibido, polivalente, tornou-se útil - mesmo indispensável - junto aos governadores do Distrito de Cabo Delgado, onde exerceu várias funções, como comandante da polícia, oficial de inteligência e, mais tarde, de ligação às F.A. Sul Africanas, alcançando grande prestígio e preponderância durante o difícil período anterior à guerrilha que durante cerca de dez anos assolou o território de 700.000 quilómetros quadrados, então com cerca de sete milhões de habitantes, pertencentes a mais de 30 etnias, cada uma com seu dialecto, sua cultura própria e seu animismo, se bem que - na costa a Norte de Sofala, se tivesse implantado uma variante do Islamismo, desde cerca do ano 1000 d.C., e uma espécie de língua franca - swhailli - também de influência árabe, hoje língua oficial da União Africana, por alguns confundida com etnia, mas, na realidade, falada por vários povos, de muitas etnias.
Foi nesse ambiente que alguns de nós sofremos e combatemos, e Tito Lívio - também ele nascido de vários sangues e cruzamentos - viveu parte de uma vida dedicada mais aos africanos que aos europeus, pois era um homem do Mundo, de que tinha uma visão própria, singular, muito especial. Na minha próxima viagem a Lisboa, já não degustaremos juntos aquele arroz de caranguejo que uma família vinda de Moçambique confecciona, ali à Rua da Glória, na Baixa Alfacinha.
Repousa em Paz, meu bom amigo.""
Aqui fica o texto de J Verdasca.
Atravesso o mar sempre azul e, lá mais ao norte de Moçambique, na costa oriental da África da esperança deixando para tráz a neblina das madrugadas do tempo, vou redescobrindo os contornos sensuais da musa da saudade e das eternas recordações de minha adolescência!
10/30/09
Moçambique - A bola !
Mozambique - The Ball: Vale a pena ver de novo.
Atravesso o mar sempre azul e, lá mais ao norte de Moçambique, na costa oriental da África da esperança deixando para tráz a neblina das madrugadas do tempo, vou redescobrindo os contornos sensuais da musa da saudade e das eternas recordações de minha adolescência!
10/29/09
Ronda pela imprensa portuguesa: O PREGADOR!
Ronda pela imprensa lusa - opinião:
Evidentemente que Saramago tem um problema pessoal mal resolvido com a religião. Isso é tão claro que dispensa a interpretação psicanalítica dos seus comportamentos. Aliás, um dos muitos problemas de Saramago é julgar-se o próprio Deus. E não admitir concorrência. Nobel, ainda por cima, sente que o Mundo se deveria prostrar perante o seu génio. É um narciso universal a quem tudo deve ser consentido, mesmo o insulto grotesco e ignaro.
O mundo de Saramago é um mundo sem Pátrias nem Religiões. É um mundo centrado na sua pessoa e alimentado pela sua obra. É um mundo que assenta nas premissas extremas do capitalismo. Se para vender um produto tiver de matar a mãe, mate-se a mãe e venda-se o produto. É o que Saramago faz. Insulta e vilipendia para vender. Confortado no seu "auto-exílio" em Lanzarote que lhe garante direitos de autor sem encargos fiscais. O mundo de Saramago é, neste contexto, um mundo sombrio de ódios de estimação e de perseguições infrenes.
Mas é também um mundo inconsequente. Rejeitou a Pátria porque um dia a Pátria o não reconheceu. Mas dela colhe homenagens e recebe fundações. A sua vaidade não lhe permite resistir à idolatria. E gosta mais de si próprio do que a coerência e a decência deveriam admitir.
Por tudo isto, é-me absolutamente indiferente a leitura que Saramago faz da Bíblia. Sei, como todos, que a idade ou agudiza os defeitos ou acentua as virtudes. No caso de Saramago refinou os primeiros. Não gosto do homem. Estou no meu direito. Embora a Bíblia me recomende tolerância, respeito e misericórdia. Prometo que tentarei alcançar esses "maus costumes".
Atravesso o mar sempre azul e, lá mais ao norte de Moçambique, na costa oriental da África da esperança deixando para tráz a neblina das madrugadas do tempo, vou redescobrindo os contornos sensuais da musa da saudade e das eternas recordações de minha adolescência!
Tenente-coronel Brandão Ferreira: Guerra colonial... Guerra justa?
Brandão Ferreira: Três décadas depois da guerra colonial, a sociedade portuguesa encontre-se dividida em relação à mesma. «A descolonização enfraqueceu o país». O Tenente-coronel Brandão Ferreira no livro «Em Nome da Pátria» questiona se o portugueses travaram uma «guerra justa». Trinta anos volvidos sobre o fim da guerra colonial, Brandão Ferreira questiona no livro «Em Nome da Pátria» se os portugueses travaram uma «Guerra justa» e se tinham o direito de a fazer e conclui que a descolonização enfraqueceu o país.
O livro, com quase 600 páginas, é lançado quarta-feira, na Academia Militar, em Lisboa, pela Publicações D. Quixote.
No prefácio, o professor universitário Adriano Moreira recorda que «foi o elo militar o definitivamente atingido pela fadiga, e a decisão, do centro do poder que deslizou para as bases, foi a de colocar um ponto final na guerra, logo com o apoio ao regime político mas inevitavelmente com o efeito colateral de colocar um ponto final no conceito estratégico secular».
Para Brandão Ferreira, não é surpreendente que, três décadas depois de terminada a guerra colonial (1961-1975), «a nossa sociedade se encontre completamente dividida em relação àquilo que se passou e à verdadeira interpretação a dar aos complexos acontecimentos então vividos».
No entender do autor, impõe-se «conseguir um conjunto elaborado de conhecimento que permita que a nação portuguesa caminhe para um futuro assente em bases sólidas e verdadeiras e não sobre falsos postulados».
O tenente-coronel piloto-aviador Brandão Ferreira, 56 anos, é um militar de transição entre dois regimes políticos. Estava ainda na Academia Militar quando ocorreu o 25 de Abril de 1974 e seguiu depois para os Estados Unidos.
Esteve 27 anos na Força Aérea e foi adido de Defesa na Guiné-Bissau, Senegal e Guiné-Conacri. Nunca combateu na guerra colonial mas os valores que professa no livro (Pátria, um Portugal do Minho a Timor) são os dessa época.
Os seus princípios parecem inabaláveis: «Por aquilo que é secundário, negoceia-se; pelo que é importante, combate-se; pelo que é fundamental, morre-se».
No seu entender, com a descolonização, os portugueses perderam «liberdade estratégica» e ficaram «enfraquecidos e divididos como comunidade».
Apesar de declarar que não pretende impor «uma linha de pensamento único» mas sim reflectir sobre o tema, Brandão Ferreira opina que «Portugal fez uma guerra justa e, além disso, tinha toda a razão do seu lado».
Admite, contudo, que «a guerra é sobretudo uma luta de vontades».
O militar culpa Marcelo Caetano («uma pessoa de bem», com «grandes qualidades intelectuais») de nada ter feito «para contrariar eficazmente» aqueles que então começaram a defender a independência das ex-colónias.
No livro, Brandão Ferreira rejeita Nega que a guerra fosse insustentável, nomeadamente devido ao número de baixas portuguesas: «A verdade é que, por ano, morria mais gente nas estradas de Portugal Continental do que nas três frentes de luta em África», sustenta.
«Será mais digno combater no Afeganistão que no Estado português da Índia? No Líbano que em Angola? Na Bósnia que na Guiné-Bissau? No Kosovo, que em Moçambique? São estes os novos ventos da história?», pergunta.
Atravesso o mar sempre azul e, lá mais ao norte de Moçambique, na costa oriental da África da esperança deixando para tráz a neblina das madrugadas do tempo, vou redescobrindo os contornos sensuais da musa da saudade e das eternas recordações de minha adolescência!
10/27/09
Il silenzio
Atravesso o mar sempre azul e, lá mais ao norte de Moçambique, na costa oriental da África da esperança deixando para tráz a neblina das madrugadas do tempo, vou redescobrindo os contornos sensuais da musa da saudade e das eternas recordações de minha adolescência!
TITO LIVIO ESTEVES XAVIER, Presidente da Câmara de Porto Amélia, partiu hoje...
Faleceu hoje, vítima de doença, o Cmdt. Tito Lívio Esteves Xavier. Durante muitos anos viveu em Cabo Delgado (Porto Amélia, hoje Pemba), onde exerceu, entre outras funções, a presidência da Câmara Municipal da então Cidade de Porto Amélia.
Esteve, pela última vez, em Moçambique integrado nas forças de Paz da ONUMOZ, como oficial, quando do fim da Guerra Civil.
À Família enlutada um abraço de solidariedade e saudade. E que Deus tenha o Tito em descanso!- TITO XAVIER - O Lutador !
- Um link com imagens recentes do Tito Xavier.
Atravesso o mar sempre azul e, lá mais ao norte de Moçambique, na costa oriental da África da esperança deixando para tráz a neblina das madrugadas do tempo, vou redescobrindo os contornos sensuais da musa da saudade e das eternas recordações de minha adolescência!
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