10/30/09

Moçambique - A bola !


Mozambique - The Ball: Vale a pena ver de novo.

10/29/09

Ronda pela imprensa portuguesa: O PREGADOR!


Ronda pela imprensa lusa - opinião:

Evidentemente que Saramago tem um problema pessoal mal resolvido com a religião. Isso é tão claro que dispensa a interpretação psicanalítica dos seus comportamentos. Aliás, um dos muitos problemas de Saramago é julgar-se o próprio Deus. E não admitir concorrência. Nobel, ainda por cima, sente que o Mundo se deveria prostrar perante o seu génio. É um narciso universal a quem tudo deve ser consentido, mesmo o insulto grotesco e ignaro.

O mundo de Saramago é um mundo sem Pátrias nem Religiões. É um mundo centrado na sua pessoa e alimentado pela sua obra. É um mundo que assenta nas premissas extremas do capitalismo. Se para vender um produto tiver de matar a mãe, mate-se a mãe e venda-se o produto. É o que Saramago faz. Insulta e vilipendia para vender. Confortado no seu "auto-exílio" em Lanzarote que lhe garante direitos de autor sem encargos fiscais. O mundo de Saramago é, neste contexto, um mundo sombrio de ódios de estimação e de perseguições infrenes.

Mas é também um mundo inconsequente. Rejeitou a Pátria porque um dia a Pátria o não reconheceu. Mas dela colhe homenagens e recebe fundações. A sua vaidade não lhe permite resistir à idolatria. E gosta mais de si próprio do que a coerência e a decência deveriam admitir.

Por tudo isto, é-me absolutamente indiferente a leitura que Saramago faz da Bíblia. Sei, como todos, que a idade ou agudiza os defeitos ou acentua as virtudes. No caso de Saramago refinou os primeiros. Não gosto do homem. Estou no meu direito. Embora a Bíblia me recomende tolerância, respeito e misericórdia. Prometo que tentarei alcançar esses "maus costumes".
- O Pregador é de autoria de José Luis Seixas, in O Destak, 21/10/2009.

Tenente-coronel Brandão Ferreira: Guerra colonial... Guerra justa?

Brandão Ferreira: Três décadas depois da guerra colonial, a sociedade portuguesa encontre-se dividida em relação à mesma. «A descolonização enfraqueceu o país». O Tenente-coronel Brandão Ferreira no livro «Em Nome da Pátria» questiona se o portugueses travaram uma «guerra justa».
Trinta anos volvidos sobre o fim da guerra colonial, Brandão Ferreira questiona no livro «Em Nome da Pátria» se os portugueses travaram uma «Guerra justa» e se tinham o direito de a fazer e conclui que a descolonização enfraqueceu o país.

O livro, com quase 600 páginas, é lançado quarta-feira, na Academia Militar, em Lisboa, pela Publicações D. Quixote.

No prefácio, o professor universitário Adriano Moreira recorda que «foi o elo militar o definitivamente atingido pela fadiga, e a decisão, do centro do poder que deslizou para as bases, foi a de colocar um ponto final na guerra, logo com o apoio ao regime político mas inevitavelmente com o efeito colateral de colocar um ponto final no conceito estratégico secular».

Para Brandão Ferreira, não é surpreendente que, três décadas depois de terminada a guerra colonial (1961-1975), «a nossa sociedade se encontre completamente dividida em relação àquilo que se passou e à verdadeira interpretação a dar aos complexos acontecimentos então vividos».

No entender do autor, impõe-se «conseguir um conjunto elaborado de conhecimento que permita que a nação portuguesa caminhe para um futuro assente em bases sólidas e verdadeiras e não sobre falsos postulados».

O tenente-coronel piloto-aviador Brandão Ferreira, 56 anos, é um militar de transição entre dois regimes políticos. Estava ainda na Academia Militar quando ocorreu o 25 de Abril de 1974 e seguiu depois para os Estados Unidos.

Esteve 27 anos na Força Aérea e foi adido de Defesa na Guiné-Bissau, Senegal e Guiné-Conacri. Nunca combateu na guerra colonial mas os valores que professa no livro (Pátria, um Portugal do Minho a Timor) são os dessa época.

Os seus princípios parecem inabaláveis: «Por aquilo que é secundário, negoceia-se; pelo que é importante, combate-se; pelo que é fundamental, morre-se».

No seu entender, com a descolonização, os portugueses perderam «liberdade estratégica» e ficaram «enfraquecidos e divididos como comunidade».

Apesar de declarar que não pretende impor «uma linha de pensamento único» mas sim reflectir sobre o tema, Brandão Ferreira opina que «Portugal fez uma guerra justa e, além disso, tinha toda a razão do seu lado».

Admite, contudo, que «a guerra é sobretudo uma luta de vontades».

O militar culpa Marcelo Caetano («uma pessoa de bem», com «grandes qualidades intelectuais») de nada ter feito «para contrariar eficazmente» aqueles que então começaram a defender a independência das ex-colónias.

No livro, Brandão Ferreira rejeita Nega que a guerra fosse insustentável, nomeadamente devido ao número de baixas portuguesas: «A verdade é que, por ano, morria mais gente nas estradas de Portugal Continental do que nas três frentes de luta em África», sustenta.

«Será mais digno combater no Afeganistão que no Estado português da Índia? No Líbano que em Angola? Na Bósnia que na Guiné-Bissau? No Kosovo, que em Moçambique? São estes os novos ventos da história?», pergunta.
- In IOLDiário, 26/10/09.

10/27/09

Il silenzio

Em memória de um Amigo que partiu hoje:


TITO LIVIO ESTEVES XAVIER, Presidente da Câmara de Porto Amélia, partiu hoje...



Faleceu hoje, vítima de doença, o Cmdt. Tito Lívio Esteves Xavier. Durante muitos anos viveu em Cabo Delgado (Porto Amélia, hoje Pemba), onde exerceu,  entre outras funções, a presidência da Câmara Municipal da então Cidade de Porto Amélia.

Esteve, pela última vez, em Moçambique integrado nas forças de Paz da ONUMOZ, como oficial, quando do fim da Guerra Civil.

À Família enlutada um abraço de solidariedade e saudade. E que Deus tenha o Tito em descanso!

10/26/09

Nos trópicos, as cigarras amigas chegaram e cantam...


(Clique na imagem para ampliar)

10/24/09

TITO XAVIER - O Lutador!

 (Clique na imagem para ampliar)

Tito Xavier é um LUTADOR. E um vencedor. Desde jovem e desde os tempos de Porto Amélia o conheço e respeito. Dinâmico, empreendedor, comunicativo, alegre, fez, como Presidente da Cãmara da antiga Porto Amélia a bela Pemba de hoje. Combinamos, eu e ele, escrever em linhas e imagens simples, um pouco de seu brilhante histórico à frente do munícipio que considerava paixão e que os jovens da Pemba de hoje não conhecem. Com tristeza e preocupação  digo que a vida e sua saúde estão colocando obstáculos a esse belo projeto. As notícias vão chegando e tentando derrubar-nos, aqui , longe...

Mas um LUTADOR não desiste. Quando cai, busca forças no espírito sempre jovem e se ergue com forças renovadas...

Aqui fica, para o TITO XAVIER, Família  e seus inúmeros Amigos em Portugal, Moçambique e espalhados pelo mundo, a mensagem simples de ãnimo e força, Como também minha oração, minha admiração  por esse eterno jovem e a certeza que vencerá a luta! 

A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas

Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?

Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...
- Mário Quintana

A Intrusa - Um conto de Allman Ndyoko (Francisco Absalão)


:: Allman Ndyoco pode ser lido em "Contos e Poesias do Índico" ::


É noite. O céu escuro e baixo hospeda nuvens brancas que refletem o seu clarão aos bairros menos iluminados. De longe, ouve-se dois bêbedos cantarolando numa barraca em tom alto e num outro ponto do bairro um pastor prega o evangelho, em changana, aos crentes e a sua voz melódica atravessava o bairro na boleia do vento que sopra fraco.

Um avião estrangeiro aterra na pista que fica defronte da casa do Leo. O barulho do aparelho se prolonga até junto do limiar da pista e os reactores cumprem um silêncio tumular. Junto a relva, em frente à casa, grilos cantam pausadamente preenchendo o silêncio com musicalidade natural e hábitual.

Sentado na varanda da cozinha, Leo aprecia a noite e deixa a imaginação percorrer o caminho do passado: lembra-se de momentos alegres da vida, sorrí perceptivelmente, depois puxa o ar da noite para os pulmões e no fim, liberto-o demoradamente como se os pulmões fossem duas câmaras-de-ar pequenas em pleno vazamento.

A brisa nocturna acompanha-lhe amigavelmente e pouco-a- pouco, Leo perspectiva o amanhã ordenando as ideias no meio do silêncio e do escuro da noite. De repente, uma mulher, dos seus vinte e nove anos de idade, irrompe o quintal correndo apavorada.

- Hei, onde pensa que vai? – Gritou Leo aborrecido pela invasão inesperada ao domicílio e interrupção involuntária dos seus pensamentos.

A mulher, gorda, baixinha e trajada de uma calça e camiseta branca aproximou-lhe ofegante. Estava exausta de tanto correr. Medrosa dos seus perseguidores procurou, como se de um cão se tratasse, esconder-se ao lado do Leo olhando assustada por todos cantos da direcção por onde havia surgido. Leo olhou-a debaixo ao topo e vice-versa, e, depois quis saber:

- De quê foges, mulher?
- De polícia, tio. – Respondeu visivelmente dominada pelo medo. – Eu vinha do salão de cabeleireiro e junto ao muro do Durão avistei três policias a patrulhar o bairro.

Fez uma pausa para descansar. A mulher estava realmente exausta! A respiração ofegante dificultava a fala. Nisto, após um compasso de espera, prosseguiu:

- Fugi dos polícias com o medo de exigir-me bilhete de identidade que nem tenho.
- Achas que isso é motivo suficiente para empreender uma fuga de natureza a que agora acabas de me mostrar?
- Héeee. – Encolheu os ombros esboçando um sorriso forçado, depois, lançou o olhar a rua e acrescentou: – Fiquei com medo. É que, os homens quando me viram a fugir, perguntaram-me do que fugia, mas como tenho esse hábito de fugir autoridade, logo as pernas obedeceram ao impulso de fuga.
- Eles não te vão exigir absolutamente nada! – Sossegou-a. – Estão simplesmente a fazer seu trabalho de rotina, como forma de prevenir qualquer acção criminosa.

A mulher sob o domínio de medo ainda mantinha-se escondida nas costas do Leo, que não parava de se divertir com aquele espectáculo gratuito. Ela estava demasiadamente apavorada e o seu interlocutor achou anormal esse seu estado de espírito. Nisto, saiu para confirmar o facto. Espreitou a rua nas duas extremidades e não achou polícia algum. Deu meia volta e juntou-se novamente a mulher que agora se mantinha apeada na sombra escura da casa.

- Já devem ter ido. – Disse-lhe exibindo um leve sorriso nos lábios. – Agora penso que já podes retirar-se do meu quintal.
- Foram mesmo? – Saiu do escuro segurando chinelos nas mão para qualquer eventualidade empreender mais uma fuga espectacular. – Mas podem estar escondidos algures a minha espera.
- Não pode ser. – Atalhou. – Eles não precisam de ti e por isso se foram. E mais, hoje em dia já não é prática da polícia, em alguns pontos do país, exigir na rua e de qualquer maneira a identificação do cidadão, salvo em casos de extrema desconfiança…

Leo pareceu ter sido insuficientemente convincente com a sua argumentação, pois, em seguida, a mulher assustou-se em demasia ao avistar dois crentes de uma seita religiosa trajados de batinas brancas e azuis. A mulher riu-se perdidamente do sucedido e no final, disse:

- Não sei o que tenho ao certo com a farda policial ou militar. – Deixou cair no chão os chinelos propositadamente e calçou-os retomando no ponto onde havia interrompido. – Sempre que vejo alguém uniformizado com aquelas fardas entro em pânico. O meu desejo nesse momento é sumir do sítio.
- É estranha a sua atitude. - Observou Leo parado em frente da mulher. – Já foste presa alguma vez?
- Que isso, tio. – Fez vinco na testa e continuou. – Vira a boca p´ra lá. Shiii, deus me livre.
- Então, donde vem o seu medo por alguém fardado a polícia ou a militar?
- Não sei dizer.
- Quantos anos tens?
- Advinha.
- Vinte e dois…
- Não. – Sorriu. – Trinta e três.
- Então, viveste os tempos difíceis do país?
- E como! – Abraçou sua bolsa e iniciou a caminhada até ao limiar do quintal.

Em pouco tempo Leo percebeu o trauma da mulher e para confirmar, inquiriu:

- Nesse tempo passado terás sido submetida a uma situação embaraçosa em que no meio disso te exigiram identificação?

Atravessaram a porta do quintal que se encontrava entreaberta e já na rua iluminada, respondeu-lhe:

- Foram várias situações. Lembro-me que há muito tempo, quando voltávamos da escola a noite sempre eu e minhas colegas éramos interpeladas pela polícia, pelos militares e milicianos e exigiam-nos identificação. Quem não tivesse passava uns bons bocados.
- Como?
- Dormir na cela, limpar casas de banho das esquadras, subornar para ser liberto ou então, se for mulher, entregar as partes íntimas ao chefe ou então assistir impotente a sua própria agressão física…

Leo acompanhou a mulher até ao ponto onde dissera ter visto agentes policiais. Pararam alguns instantes e não viram nenhum polícia por ali. Retomaram a marcha conversando e andando lentamente como se se conhecessem há anos. Agora a mulher achava-se tranquila e conversava sem preocupar-se em olhar nos lados.

- Quer me parecer que você não consegue esquecer esse maldito tempo.
- Não consigo esquecer. Marcou-me prufundamente e fico aterrorizado quando vejo alguém vestido a polícia ou a militar.
- Estás traumatizada. – Balbuciou Leo extremamente comovido.

No entanto, mais adiante Leo despediu-se da mulher, encorajou-a a esquecer o passado e prometeram-se avistar mais vezes quando a oportunidade permitisse.
- Por Allman Ndyoko - 09/10/2009

10/23/09

Imagens fortes... Imagens de vida e da vida!

IMAGENS FORTES - Nascimento de elefante filmado pela primeira vez em Bali, na Indonésia. O fundador do Elefante Safari Park no Taro, Bali, Nigel Mason relata a experiência:

Quando o ser humano não valoriza a vida... a lição vem dos seres da floresta!

10/21/09

Ex-Combatentes do Ultramar - Ignorados, desconhecidos, desprezados e agora também espoliados?



Tema do blogue "Vouguinha 2", de autoria do ex-combatente e militar português Francisco J. Branquinho de Almeida onde é focado mais uma vez o "desprezo" para com os antigos combatentes da guerra colonial portuguesa em África por parte das autoridades constituidas do Portugal de hoje:

Segunda-feira, 19 de outubro de 2009 - Roubo das "esmolas" - Nunca esperei qualquer reconhecimento ou gratidão patriótica por parte dos poderes auto-intitulados revolucionários emergentes do 25-A, nem, tão pouco, das novas elites "democráticas" que com eles partilharam ou se lhes seguiram no poder. Para quem, não o esqueci, a palavra Pátria era letra morta e reaccionária, sem sentido válido.

Foi gente desta, e seus herdeiros políticos, quem se demitiu da responsabilidade de honrar, com a dignidade que lhes era exigida, não só os que em nome dela tombaram, mas também os que a serviram, no cumprimento dum dever, fosse qual fosse a justeza da guerra que não provocaram e para onde foram lançados.

Os mesmos que, não se nos apague a memória, abandonaram ou entregaram, deliberadamente, milhares de combatentes africanos que lutaram sob a nossa bandeira, irmanados na mesma luta, à chacina vingativa dos seus algozes, revolucionários da pacotilha do Mao e opressores dos povos de que se proclamavam libertadores, conforme se veio, tristemente, a constatar logo a seguir às independências.

Não esperava, mas veio a "esmola", tardia, envergonhada e, demoradamente, regateada. Que, não valendo pelo cunho material, surgiu para os ex-combatentes como sinal confortador por parte dos poderes instalados com a abrilada de 1974 e que sempre os haviam marginalizado e olhado de soslaio.

Vamos aos factos.

Para melhor explicitação, recorro ao meu caso pessoal, não por manifestação egoísta, apenas por poder apoiar-me em dados mais concretos, mas que estará em plano similar ao de muitos milhares de ex-combatentes.

Em Maio de 1989, na minha condição de funcionário público, requeri a contagem do tempo de serviço militar. Foram-me contados 5 anos 8 meses e 15 dias de serviço, que implicaram uma dívida à CGA de 63.020$00, a qual fui pagando ao longo de 6o meses.

Em má hora o fiz, pois, aos sessenta anos de idade, fui aposentado com nada menos que 52 anos e 4 meses de tempo de serviço contável (abdiquei de mais de 8 anos de aumento do tempo de serviço a que tinha direito pelo desgaste da profissão) e 43 anos e 10 meses de descontos efectivos àquele organismo, não tendo, assim, qualquer necessidade do tempo militar para efeitos de reforma.

Decorria o mês de Novembro de 2008, um dia próximo de mais um aniversário, quando constatei que a minha pensão vinha acrescida de € 171,96, correspondentes a um denominado Acréscimo Vitalício de Pensão. Alguém da família gracejou que aquele "matabicho" anual me daria para pagar o programado jantar de aniversário, com bolo e velas incluídos!...

E não pude evitar que me aflorasse à memória o quanto me haviam custado, quase duas décadas antes, os descontos para pagamento do tempo de serviço militar, considerando que, há vinte anos, mais de mil escudos mensais durante 60 meses representavam substancial fatia do meu vencimento de então.

Agora - por coincidência (?) logo após os três actos eleitorais -, mas um mês antes do aniversário, acabo de ser notificado que o referido AVP anual baixou para os € 112,20 (ilíquido, pois sujeitos a IRS). E não deixei de retribuir a ironia familiar do ano transacto, informando que este ano seria suprimido o bolo, as velas...e alguma boa disposição.

Evidente, e quero deixar bem frisado, que não é o valor monetário que estou a a valorizar neste desencantado desabafo. Nada disso!

O que está em causa, e de novo, como assombração eterna, e mágoa atroz que dói mais que um estilhaço de morteiro, que nos acompanhará até aos resto dos dias - e porque no dizer dos próprios "em Política o que parece é" -, é o retomar dos sinais de animalesco desprezo que este poder, estes poderes, sempre demonstraram nutrir pelos ex-combatentes.

Algo que, convenhamos, me não deveria surpreender quando sei, tal como já deixei expresso, reconhecimento algum pode um combatente esperar duma classe política, com destaque para o partido no poder, onde, ao longo dos anos de "democracia", se foram acoitando desertores, traidores, cobardes e outros oportunistas, promovidos nas carreiras e apaparicados por actos dum passado que nos envergonham e aviltam.

A mim, e a muitos dos ex-combatentes, não dão "esmola". Fizeram foi um "assalto" à caixa que se viram forçados a entregar-nos, por pressões partidárias.

O que nunca pagarão a todos os que combateram em nome da Pátria, é a enorme dívida que esta contraiu para com aqueles que arriscaram a vida ou verteram sangue por ela, comprometeram a saúde e projectos de vida.

E, porque considero este corte no subsídio uma manifestação de desprezo e ofensa aos ex-combatentes, o que exijo, sobretudo, é o que não consta nem no dicionário humano nem no léxico político de alguma dessa "gentalha": RESPEITO!

Você sabia que:


(Fonte Youtube)

10/19/09

Na província de Cabo Delgado: Cólera faz 2 óbitos em menos de uma semana

CanalMoz, Ano 1 * N.º 60, Maputo, Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009 - (Sede: Av. Samora Machel n.º 11 - Prédio Fonte Azul, 2º Andar, Porta 4, Maputo; email:  canal@tvcabo.co.mz) - Na província de Cabo Delgado Cólera faz 2 óbitos em menos de uma semana - A cólera volta a atacar no país, depois de em Junho o Ministério da Saúde ter desactivado os centros de emergências de atendimento a esta doença. Registaram-se 2 óbitos de um total de 187 pessoas internadas na província de Cabo Delegado. As zonas mais afectadas nesta província são os distritos de Montepuez onde se registaram 166 casos e na Mocimboa da Praia, em que as unidades sanitárias locais registaram 21 casos. A informação foi avançada na sexta-feira última pelo porta-voz do Ministério da Saúde, Leonardo Chavane.

Segundo a mesma fonte a eclosão desta doença nesta província do pais, tem como causa principal, o problemático saneamento do meio, má disponibilização de água e descuidos com higiene individual a que a população desta província está sujeita.

Segundo a fonte, há casos de diarreia principalmente nas zonas rurais, onde as condições de higiene não são bem observadas.

Em Junho foram registados em todo país cerca de 19064 casos e 64 óbitos.

Até final de Junho passado, a província de Zambézia liderava os casos desta epidemia que volta assolar o país um pouco por todo o lado.

Leonardo Chavane, director nacional adjunto da saúde pública, revelou-se indignado porque, segundo ele, na província de Cabo Delgado ainda prevalece receio por parte a população em aceitar ou aderir à sensibilização que se faz sobre a prevenção de cólera. A fonte disse que há um grupo de indivíduos nesta província nortenha que se dedica a desinformar a população e salientou que o mesmo grupo tem inviabilizado a campanha de sensibilização de luta contra cólera.

Tratamento
Para uma primeira fase de tratamento, o Ministério da Saúde diz ter disponíveis medicamentos para tratar 30 mil pacientes com embrião colérico.

Os medicamentos, apenas se encontram nas unidades sanitárias públicas e só podem ser disponibilizados aos doentes mediante uma receita médica autorizada pelo médico, refere o MISAU. (António Frades) 2009-10-19 06:10:00.

A África está à venda...


Análise de Clovis Rossi da Folha de São Paulo/Brasil, 16/10/09:

- Está para ser fechado um acordo pelo qual a República do Congo -- ou Congo-Brazzaville -- arrendará a uma empresa sul-africana, a Agri SA, o equivalente a um terço de seu território, exatamente 10 milhões de hectares.

A Agri representa cerca de 70 mil agricultores e empresas sul-africanas, que ficarão com o direito a livre acesso às terras por um período incrivelmente longo, de até 90 anos, em troca de uma injeção de recursos que o governo local, em tese, aplicará nas zonas afetadas pela operação.

Um bom negócio para o desenvolvimento da África, o continente esquecido? Pode ser mas pode ser também um passo adiante no que Jacques Diouf, diretor-geral da FAO, o braço da ONU para agricultura e alimentação, chama de "neocolonialismo".

A operação no Congo faz parte do que o jargão internacional batizou de "land grabing", "tomada de terras", denunciada em um relatório divulgado meses atrás pela própria FAO mais o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola e um centro britânico de pesquisas, o Instituto Internacional para o Ambiente e o Desenvolvimento.

O documento aponta, já no título, as duas possibilidades contidas nesse tipo de operação: chama-se "Tomada de Terras ou Oportunidade de Desenvolvimento?".

O texto informa que "países africanos estão entregando vastos pedaços de terra cultivável para outros países e investidores quase de graça, com os únicos benefícios consistindo em vagas promessas de empregos e infraestrutura".

A única diferença entre o "land grabing" na República do Congo e em outros países africanos está na nacionalidade dos investidores. No Congo, são da própria África. Nos países investigados pelo relatório da FAO e associadas (Etiópia, Gana, Mali, Madagascar e Sudão), são países ricos como a Arábia Saudita e a Coreia do Sul, temerosos por sua segurança alimentar. Mas a grande compradora de terras é a China, que busca, além de segurança alimentar, a exploração de minérios.

O relatório da FAO diz que, nos últimos cinco anos, cerca de 2,5 milhões de hectares foram entregues a estrangeiros, o que equivale à metade da terra arável do Reino Unido. Mas há uma outra estimativa, feita por Peter Brabeck, presidente da Nestlé, que eleva o total a 15 milhões de hectares, ou meia Itália, distribuídos por África, Ásia e América Latina.

O Brasil aparece na ponta africana da equação. O site Mother Jones, de temas ambientais e de desenvolvimento, visitou Massingir, no fundão de Moçambique, onde está em preparação um projeto de US$ 500 milhões, que promete empregar duas mil pessoas e usar aproximadamente 75 mil acres de terra para plantar cana-de-açúcar e produzir etanol, em usina com tecnologia brasileira -- o tipo de projeto que é a menina dos olhos do presidente Lula.

De novo, o projeto, conhecido como ProCana, apresenta a possibilidade de transformar para melhor a vida de milhares de africanos pobres ou de "pôr em risco o parque transnacional [vizinho] e outros importantes projetos de conservação", escreve Adam Welz, o enviado de "Mother Jones".

Tudo o que a diplomacia brasileira dispensa é a materialização do segundo cenário.

Eleições Moçambicanas: Últimas notícias...


- CanalMoz, Ano 1 * N.º 60 * Maputo, Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009 (Director: Fernando Veloso * Editor: João Chamusse Sede: Av. Samora Machel n.º 11 - Prédio Fonte Azul, 2º Andar , Porta 4, Maputo - http://www.canalmoz.com/ * e-mails: fveloso@tvcabo.co.mz * canal@tvcabo.co.mz). 
- Daviz Simango arrasou Ilha de Moçambique - Nampula (Canalmoz) – O candidato presidencial pelo Movimento Democrático de Moçambique, MDM, trabalhou no último fim-de-semana na primeira capital de Moçambique, na cidade da Ilha de Moçambique, na província de Nampula, onde para além de ter orientado um comício, desfilou em caravana por algumas artérias daquela urbe.

Na manhã de sábado, concretamente, Daviz Simango, desfilou pela principal artéria da Ilha de Moçambique e, pelo caminho a dentro, pedia aos eleitores daquela cidade insular um voto de cada um deles no próximo dia 28 de Outubro corrente, como condição una de verem melhoradas as suas condições de vida.

O engenheiro Simango, que concorre a Ponta Vermelha, pediu aos jovens para que reconheçam o papel deles no desenvolvimento e mudança do país.“Nós os jovens é que somos o garante desta pátria, por isso votem em mim, Daviz Simango, que represento a nova geração e um Moçambique para todos”.

Contudo, o candidato mais jovem justificou que quer dirigir o país porque só com ele é que “teremos um Moçambique para todos” e, não só, “vamos viver um país de Direito e de Justiça, onde a distribuição da riqueza no território nacional será de forma equilibrada”, ou seja, “ nenhuma região ganhará mais do que a outra”.

Para os jovens, Daviz Simang deixou claro que 1% do PIB, Produto Interno Bruto, será aplicado na melhoria das condições habitacionais dos mesmos. “Vamos de ter uma habitação melhor, através do 1% do PIB que vou dedicar a construção de casas para os jovens”, prometeu.

Feitas as promessas na parte insular da Ilha de Moçambique, Daviz e comitiva rumaram para outros destinos, destacando-se uma outra paragem do lado do continente, no Lumbo, onde habita parte significativa dos ilhéus. (Aunício da Silva)

- Na cidade de Maputo Frelimo destrói material de partidos da oposição - Maputo – Sensivelmente dez dias é o tempo que nos separa do fim da campanha eleitoral. O partido Frelimo está a jogar tudo e todos, e abusando do facto de estar no Poder. Usa todos os trunfos em sua posse, designadamente a complacência das autoridades para tentar vencer as eleições de 28 de Outubro próximo.

Num acto massivo sem precedentes, em clara violação da Lei Eleitoral, uma missão daquela formação política, maioritariamente, composta por jovens do sexo masculino, no Cemitério São Francisco Xavier, vulgarmente conhecido como paragem da Ronil, começou a colar panfletos do seu partido e do seu candidato Armando Emílio Guebuza no muro. Só que ao invés de simplesmente colar os panfletos da Frelimo e de Armando Guebuza, os jovens rasgaram tudo quanto era material de outros partidos da oposição. Quando não rasgavam, apenas sobrepunham. Colavam por cima os seus panfletos... (notícia completa).

- DIÁRIO DE NOTÍCIAS, Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009 – Edição 1495 (Editor: Paulo Machava -cell: 826388700 - Redacção e Administração: Rua Frei Amaro de Tomaz, Nº77, R/C– Maputo - Moçambique - E-mail: diariodenoticias@tvcabo.co.mz)
- Sociedade Civil defende revisão de composição e funções da CNE - (Maputo) Organizações da Sociedade Civil (OSC) comprometem-se a envidar todos os seus esforços e contribuírem com todos os meios ao seu alcance para que o processo eleitoral em curso no país, tendo em vista os pleitos agendados para 28 deste mês, decorra em paz e serenidade.

Por outro lado, as OSC prometem apoiar todas as medidas que sejam tomadas para garantir a transparência, liberdade e justeza do processo eleitoral. Estas decisões saíram de uma reunião de reflexão sobre o processoparticiparam representantes de 17 organizações da sociedade civil. “Entendemos que é imperativa a acção de todos e de cada um na preservação da paz, da serenidade e das liberdades e direitos individuais, como alicerces fundamentais da harmonia social, democracia, bem estar e da prosperidade da Nação moçambicana”, diz o comunicado.

Assim, estas organizações instam os seus membros e a sociedade moçambicana a cultivarem o pluralismo de ideias e o respeito e tolerância mútuos, a respeitarem as diferenças e a diversidade, bem como a evitarem todas as atitudes que possam constituir causa de exclusão, tensão ou violência.

No encontro, as 17 organizações reflectiram sobre o momento político actual e, sobretudo, as responsabilidades e tarefas que cabem à sociedade civil. Nessa reflexão, as organizações concluíram haver necessidade “premente” de se iniciar um processo de reflexão profunda sobre o sistema eleitoral em Moçambique, bem como fazer uma revisão sobre a lei eleitoral e respectivos regulamentos e normas. Por outro lado, defendem que a composição e funções da Comissão Nacional de Eleições (CNE) devem ser igualmente revistas.

No referido comunicado, as mesmas sublinham que o processo de revisão da lei eleitoral, bem como da composição e funções da CNE, deverá envolver, ser assumido e dirigido pela sociedade civil. “Entendemos que o processo eleitoral toca na vida e diz respeito a todos os cidadãos e, por isso, a iniciativa e direcção da revisão não deve ser deixada apenas aos partidos políticos ou as futuras comissões da Assembleia da República (Parlamento). Para tal, as organizações da Sociedade Civil irão negociar e estabelecer um programa específico de actividades”, refere o comunicado.

O encontro de reflexão sobre o processo eleitoral em Moçambique contou com a participação de Centrode Estudos Estratégicos e Internacional do Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI), Grupo Moçambicano da Divida, Justa Paz, Conferencia Episcopal (Igreja Católica), Associação de Estudantes Finalistas e Universitários de Moçambique, Link (Forum de ONG’s), Movimento de Luta contra a Pobreza Absoluta, Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Universidade São Tomas de Moçambique, WLSA-Moçambique, Instituto de Estudos Sociais e Económicos, Organização dos Trabalhadores Moçambicanos, MISAMoçambique, Conselho Superior de Comunicação Social, Cruzeiro do Sul-Centro de Investigação e Instituto Holandês pata a Democracia Multipartidária. (Redacção).

- Eleições 2009 - Boletim sobre o processo político em Moçambique - Número 16, 18 de Outubro de 2009 (http://www.eleicoes2009.cip.org.mz/; Editor: Joseph Hanlon - j.hanlon@open.ac.uk; Editor Adjunto: Adriano Nuvunga; Assistente da Pesquisa: Tânia Frechauth; Publicado por CIP, Centro de Integridade Pública, e AWEPA, Parlamentares Europeus para a Africa; O material pode ser reproduzido livremente, mencionando a fonte; Para assinar em Português: http://tinyurl.com/mz-pt-sub).
- O CC rejeitou a reclamação do MDM - O CC rejeitou a reclamação do MDM sobre a decisão da CNE de “excluir, ou declerar nulas ou rejeitar ilegalmente as listas de candidatos às eleições provinciais” alegando extemporaneidade da reclamação. É que, segundo o CC, o MDM submeteu a sua reclamação a 21 de Setembro de 2009 quando já passavam dez (10) dias depois de a CNE ter publicado as listas de candidatura, a 6 de Setembro.

Por lei, o MDM tinha 5 dias úteis para apresentar a sua reclamação. Sucede, no entanto, que a apesar de as listas para as eleições provinciais ostentarem a data de 6 de Setembro, não foram tornadas públicas nesta data. No dia 6 de Setembro, a CNE publicou apenas as listas de candidatos para as eleições legislativas e somente na semana seguinte afixou as listas para as eleições provinciais na vitrina do STAE. (Acordão 24/CC/2009 de 2 de Outubro de 09).

- Incidentes de campanha em resumo

Violência:
- Manhiça, Província de Maputo: os autores do espancamento dos sete membros e simpatizantes do partido MDM, no dia 30 de Setembro, na zona de Tavira, serão julgados pelo tribunal distrital da Manhiça, no dia 21 do mês corrente.

- Moatize, Tete: grupos de choque do partido Frelimo, em Zobué, distrito de Moatize, inviabilizaram o comício do partido MDM, no dia 10 de Outubro. Tudo aconteceu quando o grupo de choque chegou ao local onde o MDM realizava o seu comício cantando, dançando e tocando batucadas e, por fim, atiraram pedras contras os simpatizantes do MDM.

- Moatize, Tete: quatro membros do partido MDM, foram detidos na tarde do dia 11 de Outubro, indiciados de destruição do material propagandístico do partido Renamo e Frelimo na vila sede Moatize.

- Moatize, Tete: dia 14 de Outubro, duas cidadãs membros e simpatizantes do partido MDM, Sandra Domingos e Ângela Rafael Joaquim, encontram-se encarceradas no comando distrital de Moatize, desde dia 12 de Outubro, acusadas de destruir material propagandístico do partido Frelimo na vila sede de Zobué. De referir que as acusadas têm bebés por amamentar.

- Machanga, Sofala: Frelimo e MDM envolvem-se escaramuças, no bairro Chigogoro, no dia 17. Tudo começou quando o grupo cheque da Frelimo destruiu material de campanha do MDM e os do MDM reagiram. Daí houve pedradas e dois membros da Frelimo ficaram feridos.

- Maxixe, Inhambane: membros da OJM, destruíram material propagandístico do partido Renamo e do MDM no dia 13 de Outubro na zona de Chambone.

- Mabalane, Gaza: vogal da comissão distrital de eleições e membro do partido Renamo, Américo Daniel, foi espancado na tarde do dia 13 de Outubro por um grupo de membros e simpatizantes do partido Frelimo na sua residência na zona 3. No fim, afixaram panfletos do partido Frelimo.

- Chókwé, Gaza: um jovem do partido MDM, (Movimento Democrático de Moçambique) que pediu anonimato diz ter sido vítima de ameaças de morte caso não aderisse ao movimento de campanha da Frelimo.

- Buzi, Sofala: candidato a membro da Assembleia Provincial por parte do partido Frelimo, Herculano Dzidzi, está a beneficiar da segunda formação como membro da assembleia de voto desde o dia 13 de Outubro do mês corrente.

- Murrumbala, Zambézia: grupos de choque do partido Frelimo, chefiados pelo secretário distrital, Zeca Makulo, espancaram um membro do PDD, Carlitos Davane, na localidade de Boroma, Posto Administrativo da sede de Murrumbala, no dia12 de Outubro.
 
Uso de Meios do Estado:
- Pemba, Cabo Delgado: o partido Frelimo está a usar viaturas do estado que não são conhecidas na Cidade de Pemba na sua campanha eleitoral. Os carros em causa foram trazidos de Maputo para a Província. Um Land Rover de modelo Discovery com a chapa de matrícula MMQ-56-48 pertencente ao Ministerio da Agricultura está a ser usada desde o início da campanha. O facto foi confirmado pelo motorista que trouxe a viatura de Maputo e assegurou que há outras tantas viaturas nesta situação.

- Cahora, Bassa, Tete: o partido Frelimo no dia 15 de Outubro, usou uma viatura Ford dupla cabine da Administração do distrito de Cahora Bassa, não foi possível identificar a sua chapa de matricula uma vez que continha panfletos propagandísticos daquela formação politica.

- Mabalane, Gaza: o partido Frelimo na sua campanha eleitoral usa viatura da Educação uma Nissan Hardbody de cor branca com chapa de inscrição MMS 14-06.

- Muchanga, Sofala: partido Frelimo na sua campanha, no dia 17 de Outubro, na vila sede de Muchanga usou uma viatura Toyota Hilux, cor branca, MLV 06-44 pertencente a direcção da Agricultura. A mesma viatura havia sido colada panfletos do partido Frelimo na porta direita do lado do motorista.

10/17/09

DIA DA CIDADE DE PEMBA - Domingo 18/10

''Extr. da publicação PEMBA, SUA GENTE, MITOS E A HISTÓRIA-1850 a 1960, de Luis Alvarinho, que também se baseou em documentação do Arquivo Hist. de Moçambique, B.O. e Boletim da C. do Niassa, entre outros:

- O embrião que veio dar origem à actual cidade de Pemba, data de 1857, como parcela da Colónia 8 de Dezembro, fundada por Jerónimo Romero e dissolvida 5 anos depois por diversos problemas de organização e adaptação dos colonos
  • - Porto Amélia ascende a vila por portaria de 19 de Dezembro de 1934.
  • - É elevada à categoria de cidade em 1958 pelo decreto-lei de 18 de Outubro-G.G. da Província.''.
PEMBA DE ONTEM E DE HOJE
Por Carlos Lopes Bento para o ForEver PEMBA
 
Ao comemorar-se mais um aniversário da elevação de Pemba a cidade, aproveito a ocasião para saudar todos os seus habitantes e respectivas autoridades e visualizar algumas imagens do meu Album, que lembram um pouco da História recente desta bela urbe, do norte de Moçambique.
 



 (Clique nas imagens para ampliar)
 
Para a cidade de Pemba e suas Gentes votos de um futuro próspero e pacífico.
- Portugal, Lisboa, 18 de Outubro de 2009, Carlos Lopes Bento.

Intervalo: Balance - Sara Tavares!


10/16/09

Moçambique/Eleições: Os "Donos do Poder" - Urnas para eleições são fornecidas por empresa do candidato Guebuza


Empresa de candidato Guebuza fornece urnas à CNE para as eleições do próximo dia 28 - A Tipografia Académica, de que o candidato da Frelimo, Armando Guebuza, é accionista, é quem vai fornecer as urnas que serão usadas na votação em todos os 128 distritos do País. Isto significa que a firma se responsabilizará por fornecer urnas a 12 694 assembleias de voto, para as eleições de 28 de Outubro.
Este dado está a provocar curiosidade e imensos comentários na praça, aproveitando alguns para salientar que tudo isto surge na ressaca da deliberação do Conselho Constitucional quanto à exclusão de alguns partidos e candidatos às presidenciais que se viram assim impedidos de irem a sufrágio e participarem nas eleições que se avizinham. Não bastando esta novidade, comenta-se o cúmulo da CNE, que se diz legalista, não obedecer à lei, ou seja, ao Decreto nº 54/2005, de 13 de Dezembro, que fixa a necessidade de se proceder a concurso publico sempre que se trate de aquisições de bens e serviços para as instituições do Estado.

A CNE é Estado e não obedeceu a concurso público para apurar o fornecedor das urnas e ainda para mais adjudicou o fornecimento das urnas a uma empresa que tem negócios com um dos candidatos.

Por via desta adjudicação clandestina o candidato Armando Guebuza está na boca de muita gente da oposição que diz que já não pode haver dúvidas que Guebuza tem mãos sobre os membros da Comissão Nacional das Eleições (CNE), particularmente o seu presidente, João Leopoldo da Costa. “Neste negócio são curiosos os métodos utilizados pela CNE na selecção da Tipografia Académica”, comenta um cidadão na Beira.
 
“A princípio julgávamos que teria sido por meio de concurso público, mas após verificarmos no diário Notícias, de maior circulação nacional, nada consta. Não conseguimos chegar aos métodos que a CNE terá seguido para o apuramento da Académica, entre várias empresas nacionais da área”, refere a fonte da oposição que por não ser da direcção do seu partido nos pede anonimato.

“Se antes poderia se afastar qualquer suspeita de falta de independência da CNE em relação a Guebuza, esta é uma mancha negra sobre o véu branco, expondo-se alguma cumplicidade entre João Leopoldo da Costa e Armando Guebuza no tocante a orquestração do , tal como é recorrente afirmar-se”.

“Este escrutínio, está já à partida claramente viciado”, são outras das observações que registámos de cidadãos que pedem já que quem está a observar estas eleições, registe.

O cidadão Armando Guebuza, que é actualmente o chefe de Estado e concorre à sua própria sucessão, tem um império empresarial onde se arrolam pouco mais de 30 empresas. Detém participações na Académica. Intervindo assim no fornecimento de bens e serviços à CNE através da participação na Tipografia Académica, também proprietária do Diário de Moçambique, um jornal diário editado na Beira, capital da província de Sofala, centro de Moçambique.

Segundo o Decreto nº 54/2005, de 13 de Dezembro, um dos procedimentos a seguir para se encontrar os fornecedores de meios para o Estado é por concurso público, conforme o seu artigo 1, nº 1, conjugado com artigo 2 no seu nº 1. Não se sabe quando foi aberto o tal concurso, isso está a suscitar enormes desconfianças sobre os métodos seguidos pela CNE. Que procedimentos terão norteado a CNE a escolher a firma do actual chefe de Estado e concorrente a estas eleições? A credibilização deste processo está em causa. Não será que as urnas já vão aparecer nas assembleias de voto, selada e já com votos lá dentro? Não será que é por isso que a lei eleitoral agora prevê que o que conta nos escrutínios são agora os votos nas urnas e não o número de eleitores? São tudo questões que estas desconfianças estão a suscitar no eleitorado, irritado com tudo o que se está a registar de controverso nestas eleições.

Como diz o artigo 88, nº 1 alínea b) do Decreto nº 54/2005, de 13 de Dezembro , o concurso limitado pode ocorrer quando o fornecimento de bens e prestação de serviço não seja superior a 875 mil meticais. Será que pelo fornecimento de urnas a 12.694 assembleias de voto não será gasto um valor superior? Porque a CNE não divulgou nenhuma quantia a volta desta “bolada”, se bem que a norma assim o diz? Portanto, olhando para o artigo 56 do Decreto nº 54/2005, de 13 de Dezembro, em caso de concurso limitado, seria o Ministério das Finanças a fornecer o nome de empresas elegíveis a este tipo de concurso. Mas aparentemente não foi seguido o método que a lei prevê.

Não é reconhecida à Tipografia Académica experiência ou vocação para uma actividade específica em questão, como é o caso do fornecimento de urnas para eleições. Rafik Sidat administrador da referida empresa é também membro do Comité Central do Partido Frelimo. É um dos proprietários da Tipografia Académica e figura ligada à administração do Diário de Moçambique que se publica na Beira). É ainda o secretário para Administração e Finanças da Frelimo.

A mesma situação aplica-se a SOTUX, uma Sociedade Internacional de Comércio de Bens, do empresário Álvaro Massingue, que deverá fornecer cabines de voto e candeeiros. De Massingue sabe-se que tinha acumulado a dívida de USD 650 000 em crédito mal parados no Banco Austral. E a Sotux USD 383 000. Não há informação actualizada sobre a situação do crédito malparado desta empresa à banca, mas o que se sabe é que Massingue é um empresário próspero com conexões dentro dos clãs mais poderosos da República de Moçambique.

Segundo o que o Canalmoz apurou, os boletins de voto e os demais materiais de trabalho da mesa de assembleia de voto serão entregues às Comissões Provinciais de Eleições a 18 de Outubro, portanto, 10 dias antes da votação. Os produtores do material são as empresas moçambicanas Sotux e Académica e as empresas sul-africanas Lithotech e Uniprint. A Sotux fornece cabines de voto e candeeiros e a Académica fornece as urnas de voto. Os restantes materiais são fornecidos pelas empresas sul-africanas. À excepção dos boletins de voto para as eleições presidenciais, os boletins de voto para as eleições legislativas e provinciais são diferentes de província para província, porque, nem todos os partidos políticos concorrem em todos os círculos eleitorais.

O material será empacotado de acordo com as necessidades de cada província e transportado, em camiões, para as província respectivas.
- (Adelino Timóteo) – CANALMOZ – 16.10.2009.

Mundo Virtual: Biblioteca Google

Do atualizado BlueBus: E agora o Google vai oferecer e-livros a qualquer pessoa com um browser. Anunciou hoje na Feira do Livro de Frankfurt que no 1º. semestre de 2010 vai lançar o Google Editions, um novo serviço que permitirá o acesso e leitura de e-livros a qualquer pessoa com um browser.


Inicialmente disponibilizará cerca de meio milhão de titulos. Usuários poderão adquirir os livros diretamente no Google ou em livrarias online como a Amazon e a Barnes & Noble.

Diversificando com humor: Hitler Reage à reportagem de Maitê Proença em Portugal

Reacção do Hitler quando soube que os portugueses ficaram ofendidos com a Maitê Proença:

10/15/09

Retalhos da imprensa moçambicana: Eleições e Tráfico de influências?


MédiaFax, Maputo, Quinta-feira, 15.10.09 *Nº4393 - Frelimistas fornecem material eleitoral à CNE - (Maputo) Empresas pertencentes a membros seniores do partido Frelimo ganharam concurso para fornecer material eleitoral à Comissão Nacional de Eleições (CNE) e ao Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE). Trata-se do grupo Académica que tem como accionista principal Mahomed Rafik, membro do Comité Central da Frelimo e sócio do candidato da Frelimo, Armando Guebuza, no jornal Diário de Moçambique. A outra empresa seleccionada é o grupo Sotux presidido por Álvaro Massingue, homem de confiança de Joaquim Chissano. (Redacção)

CanalMoz, Ano 1 * N.º 58 * Maputo, Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009 - Daviz Simango (MDM) recebe apoio de 26 partidos da oposição - “Daviz Simango é o candidato da esperança, o candidato batalhador, o candidato da juventude, que percorre todo o país a pé e de carro, enquanto os outros andam a sobrevoar os problemas do povo, gastando em aluguer de helicópteros, avultadas somas de dinheiro, que tanta falta fazem ao povo moçambicano” – Francisco Campira, representante dos 26 partidos
 
“A Renamo não vê problema em um partido da oposição apoiar o outro da oposição, pois isto fortifica a democracia, numa altura que se tenta asfixia-la, numa tentativa de retorno ao sistema de partido único. O mau e perigoso é formar supostos partidos da oposição para combater a verdadeira oposição” – refere Fernando Mazanga, porta-voz da Renamo.
 
Maputo (Canalmoz) – Um grupo de 26 partidos e coligações políticas, excluídos parcial ou totalmente da corrida eleitoral de 28 de Outubro próximo pela CNE, convocou ontem a imprensa para anunciar, de forma aberta, o seu apoio incondicional ao candidato presidencial, engenheiro Daviz Mbepo Simango, presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).Na conferência de imprensa, o representante dos partidos excluídos, que também é presidente do PASOMO, Francisco Campira, disse que o apoio a Daviz Simango não se estende ao seu partido MDM, pois cada presidente ficará na direcção das actividades dos seus partidos, mas pelo conteúdo do seu manifesto, e o carácter do líder do MDM, estes partidos políticos decidiram dar-lhe apoio incondicional.
 
Campira disse que a decisão tomada por aquele grupo de partidos extraparlamentares, tem em vista manifestar a sua recusa em ver este País multipartidário a ser empurrado para um sistema monopartidário, que outrora foi liderado pela Frelimo, segundo ele “de muito triste memória, ainda bem fresca”.
 
Mais de 3 milhões apoiam Daviz - Com essa aliança ao candidato do MDM, “serão mobilizados para apoiar Daviz Simango, mais de 40 mil candidatos que anteriormente estavam inscritos na CNE, e três milhões de membros”, segundo estimativas destes partidos.
 
No dia 28 do corrente mês, sensivelmente daqui a duas semanas, realizam-se simultaneamente as 3 eleições: Presidenciais, Legislativas e Provinciais.
 
Às presidenciais concorrem 3 candidatos: Daviz Simango, presidente do MDM e actual presidente do Município da Beira, a segunda maior cidade do País; Afonso Dhlakama, presidente da Renamo, e o actual chefe de Estado e presidente da Frelimo, Armando Guebuza.
 
Ontem declararam apoio a Daviz Simango, o mais jovem candidato, os seguintes partidos: CDU, PARENA, PAREDE, PASOMO, PACODE, PASDI, PSDM, PARTONAMO, PUMILD, PUPI, MPD, PANAOC, PRDS, SOL, UNAMO, PANADE, Coligação UD, UMI, FL, PCD, UM, PAZ´s, PRD, UDF, PRD, e PEMO.
 
É uma decisão consciente - Questionado se a sua decisão teria a ver com o facto de três dos partidos que se pressupunha serem da oposição já terem anunciado apoiar, também de forma incondicional, o presidente da Frelimo, Armando Guebuza, Campira respondeu nos seguintes termos:
 
- “a nossa decisão não é influenciada pela mudança de alguns partidos em apoio a Guebuza. É uma decisão consciente e não fomos influenciados por ninguém.”
 
Porquê aposta em Daviz? -  De acordo com Campira, o apoio a Daviz Simango surge “após uma análise profunda ao actual cenário político democrático do País caracterizado pela hegemonia, intolerância e exclusão políticas protagonizadas pelos dois maiores partidos nacionais”, a Frelimo e a Renamo.
 
“Decidimos que a nossa melhor resposta e contribuição para a continuação da democracia multipartidária em Moçambique é apoiarmos de forma aberta e incondicional, a candidatura presidencial do engenheiro Daviz Mbepo Simango”.
 
As razões apontadas para apoio a candidatura de Simango foram muitas. Destaca-se, segundo anunciou aquele grupo de partidos, o facto de, entre os três candidatos a presidência da República, “ser apenas Daviz Simango que inspira esperança para a juventude, que garante um Moçambique verdadeiramente inclusivo, um Moçambique para todos e não para alguns, como acontece hoje em dia”.
 
Renamo encara apoio a Daviz com naturalidade - Procuramos ouvir o maior partido da oposição, sobre o que tem a dizer sobre o apoio ao candidato do MDM. Fernando Mazanga, porta-voz deste partido, congratulou-se com a decisão destes partidos, que até a considerou “sábia”. “A Renamo não vê problema em um partido da oposição apoiar o outro, pois isto fortifica a própria democracia, numa altura que se tenta asfixia-la, numa tentativa de retorno ao sistema de partido único” disse Mazanga acrescentando que “o mau e perigoso é formar supostos partidos da oposição para combater a verdadeira oposição”. (Borges Nhamirre Matias Guente)
 
Frases: 
  • - “A Frelimo está a ser rejeitada pelo povo” “Alguns partidos políticos da praça política moçambicana, estão a capitular perante o dinossauro moribundo”, disse ontem Fernando Mazanga, porta-voz da Renamo;
  • - Fernando Mazanga, considera que o apoio declarado há dias por três partidos da oposição, ao candidato presidencial da Frelimo, Armando Guebuza, “é uma tentativa de enganar o povo, pois na verdade, estes partidos são criação da Frelimo”;
  • “Ser democrático não significa que vai se deixar espezinhar, tem que haver reciprocidade e respeito mútuo entre os intervenientes. Os membros da Frelimo não podem pensar que são os mais fortes...” - Fernando Mazanga, porta-voz da Renamo;
  • Sibindy, Mabote e Massango são vergonha nacional - A maior força política da oposição, Renamo, considera de vergonha nacional a decisão tomada pelo Partido Independente de Moçambique (PIMO), de Yacub Sibindy, do Partido Trabalhista (PT), de Miguel Mabote e do Partido Ecologista de Moçambique/Movimento de Terra (PEC-MT), de João Massango, ao assumir apoio total e incondicional ao candidato da Frelimo, Armando Guebuza, no escrutínio de Outubro. (Diário do País, quinta-feira, 15 de Outubro de 2009, edição 579, ano III). 

Moçambique - A Ilha


A Ilha de Moçambique é uma cidade insular situada na província de Nampula, na região norte de Moçambique, que deu o nome ao país do qual foi a primeira capital. Devido à sua rica história, manifestada por um interessantíssimo património arquitetónico, a Ilha foi considerada pela UNESCO, em 1991 Património Mundial da Humanidade.

Actualmente, a cidade é um município, tendo um governo local eleito. De acordo com o censo de 1997, o município tem 42 407 habitantes, e destes 14 889 vivem na Ilha.
O seu nome, que muitos nativos dizem ser Muipiti, parece ser derivado de Mussa-Ben-Bique, ou Mussa Bin Bique, ou ainda Mussa Al Mbique, personagem sobre quem se sabe muito pouco, mas que deu o nome (na 2ª versão) a uma nova universidade, sediada em Nampula.
... ...
A exportação de escravos era o principal comércio da ilha, tal como a do Ibo mas a Independência do Brasil em 1822, que era o principal destino deste comércio, voltou a deixar a ilha no marasmo. O golpe final foi a passagem da capital da colónia para Lourenço Marques, em 1898. Depois da abertura do porto de Nacala, em 1970, a ilha perdeu o que restava da sua importância estratégica e comercial.
- Fonte de Dados: Youtube-Captomente.

10/14/09

Apontamentos do Tito Xavier: Ilha do Ibo


Clique na imagem para ampliar. Fotografia propriedade de Tito Lívio Esteves Xavier, oficial da P. S. P. reformado, piloto de aviões e helicópteros em Cabo Delgado e antigo presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia.

Moçambique, Pemba - Tambo International Festival 2009

Imagens...

10/13/09

O SUSTO - Um conto de Allman Ndyoko (Francisco Absalão)

(Clique na imagem para ampliar - Imagem original daqui)

:: Allman Ndyoco pode ser lido em "Contos e Poesias do Índico" ::

Tinha saído da casa do Pascoal, um amigo de se tirar chapeu, fazia uns vinte minutos, se a memória não me induz ao erro, e caminhava na picada que atravessa por trás do Seminário Irmãos Maristas da Matola e se prolonga em direcção a Salina. Era uma manhã de sol e céu azul, dia próprio para um passeio a dois ou solitário.

Atravessei uma ruela que descia as quintas de grandes bastardos e continuei a marchar despreocupado e recolhido em pensamentos profundos. Ia pensando nas minhas coisas, quando de súbito vi uma Mazda 323, fechado, cor de vinho e apinhado de jovens vindo a minha frente rolando lentamente os pneus no chão da picada. Duas belas raparigas iam caminhando a minha frente, a uma distância de dois metros, e a rua achava-se deserta de gente como era de costume.

O silêncio era quase absoluto a ponto de se ouvir nitidamente o chilreio dos pássaros que vinha das espinhosas que serviam de muro na maioria das quintas daquela rua.

O carro passou lentamente ao meu lado esquerdo e cinco homens de cabeças rapadas e rostos assustadores dirigiram-me um olhar desconfiado. Todavia, continuei a caminhar. Quando fiz uns sete passos o carro parou e desceram dois homens fortes com caras de maus.

- Bróóó! – Disse um dos homens que descera do carro da porta direita.

Olhei atrás e vi os homens dirigindo-se ao meu encontro. Já no meio da distância que nos separava, o tipo que descera da porta esquerda disse, como se falasse consigo mesmo:

- Pára aí.

Parei. As raparigas que seguiam a minha frente prosseguiram a marcha sem darem em conta o que sucedia e, nesse instante, o meu coração pulou de medo. O corpo gelou imediatamente; Os olhos empalideceram e os ouvidos ficaram quase surdos. De repente, pensei sem saber porquê:

- “O criminoso não tem cara e hoje a criminalidade anda à solta por aí”.

Enquanto os homens se aproximavam deitei o olhar nas duas extremidades da rua, mas, como de costume, ela estava deserta de gente criando, assim, facilidade para a acção de qualquer malfeitor. Balbuciei umas palavras que não me recordo se era uma reza ou não e no fim, para me tranquilizar, pensei:

- “Devem ser uns forasteiros perdidos querendo saber qualquer coisa”.

Este pensamento ajudou-me de tal forma que, em tão poucos instantes, o meu coração deixou de pular e manti-me sereno e despreocupado.

- Somos polícias. – Disse um deles assim que parou ao meu lado direito. E tirando, do bolso traseiro das jeans que trajava, uma carteira para exibir, o tipo voltou a sossegar-me olhando-me como se estivesse em exposição: - Não tenhas medo, apenas queremos confirmar uma coisa.

A carteira do homem saiu do bolso com muita relutância, o dono abriu-a diante dos meus olhos e estranhamente vi um charro de maconha majestosamente deitado por cima de um cartão azul da Comissão Nacional de Eleições que o homem precipitou-se a me apresentar de raspão. Tive vontade de rir, mas contive-me. O homem guardou a carteira no bolso esboçando um rosto sério, ajeitou os óculos escuros que trazia pendurados no nariz, olhou os sulcos dos meus sapatos no chão e no fim, com uma voz rouca, quis saber:

- Posso ver a sola do seu sapato?
- À vontade! – Levantei o pé direito para trás e depois o dirigi na sua direcção.
- Não é. – Murmurou o homem abanando a cabeça negativamente.

O outro homem que se achava ao meu lado esquerdo apalpou-me a cintura e para lhe facilitar o trabalho ergui a camisete que envergava.

- Podes ir. – Anuiu o meu interlocutor enquanto o companheiro, que parecia o mais velho, olhava-me com desconfiança.

Calei-me. Dei meia volta e prossegui a caminhada com o destino ao chaveiro das Bombas de Combustíveis Madruga. Nas minhas costas o carro arrancou e continuou a andar lentamente como no inicio. Quando dobrei a esquina do muro da Direcção Provincial da Educação e Cultura e subi em direcção a paragem de João Mateus, questionei-me:

- “O que deve ser isto? Com quem me confundiram e porquê?”.

Como é lógico, não obtive respostas para os meus questionamentos. Contudo, achava muito estranha a atitude daqueles homens e não acreditava que me desembaraçara deles. Este sentimento era natural a avaliar o susto e o perigo que corria caso aqueles homens fossem assassinos no sentido real da palavra.

Entretanto, andei uns cem metros, passei umas duas senhoras que vendiam cigarros e doces e mais adiante voltei a cair em profundas meditações.

A vida na rua corria normalmente acompanhada de um fluxo rápido de automóveis. As pessoas cruzavam os passeios num vai e vem interminável enchendo de murmúrios o ambiente.

Passei um grupo de jovens que conversava numa sombra do passeio que usava e de repente, o Mazda 323 dos homens que haviam me interpelado inicialmente parou na berma da estrada, precisamente, ao meu lado. Os mesmos homens desceram do carro e vieram a minha frente. Parei desconfiando a atitude dos tipos e de seguida, um deles disse:

- És suspeito. Tens que aguardar até que venha alguém confirmar.

Estas palavras soaram-me como um tiro e ao fim do cabo, calei-me. Abanei a cabeça em silêncio e suspirei profundamente.

- Não quisemos te deter lá para não pensares que somos assassinos ou uma coisa parecida. – Acrescentou o homem de óculos escuros.

- Fique sossegado. – Retorquiu o outro homem. – É uma questão de tirar as coisas a limpo.
- Compreendo. – Limitei-me a balbuciar.
- É que aquela rua que usaste sucedem muitos assaltos devido às condições que ela em si oferece e nós estamos, precisamente, a trabalhar para acabarmos com essa onda de criminalidade.

O motorista do Mazda ligou para alguém do telemóvel, falou uns breves instantes e quando desligou o aparelho, chamou o homem de óculos escuros. Confidenciou-lhe alguma coisa e no final, subiu para o carro, onde se acomodou a espera do confirmador que pelo visto não se encontrava muito longe daquele local. Passado algum momento, um Nissan Champion branco, dirigido por uma mulher mulata parou atrás do Mazda dos agentes. Uma rapariga que vinha ao lado da mulher, também mulata, olhou-me com manifesto interesse e o mesmo gesto foi imitado pela condutora. Nesse momento notei que estava metido num sarilho imperceptivelmente e que só escaparia por um milagre divino. O diabo em pessoa estava ao meu encalço e tudo dependeria da palavra e fé da senhora do Nissan Champion. Balbuciei rapidamente uma reza mal recitada e no fim, entreguei o meu destino a deus.

A mulher desceu do carro, chamou o agente que se encontrava ao meu lado e confidenciou-lhe algo. O homem dirigiu-se ao Mazda, onde conferenciou com os ocupantes do carro e mais tarde me chamou. Ao encontrar-se junto dele estendeu-me a mão, dei-lhe a minha e apertamo-nos efusivamente.

- Desculpa pela situação que lhe fizemos passar. A senhora confirmou-nos que não és a pessoa que precisamos.
- Não tem de quê. – Respondi-lhe desembaraçando-me da mão do homem.
- Adeus.
- Adeus.

Virei-lhe as costas e afastei-me dali andando lentamente e admirando, sobretudo, a sinceridade da senhora mulata que pelo visto os malfeitores haviam lhe assaltado há dias atrás quando metia o carro no quintal, na rua onde os agentes haviam me interpelado inicialmente.
- Por Allman Ndyoko, 07/04/2006.

- O Autor Francisco Absalão:
Nome artístico -Allman Ndyoko;
Nasceu - Em 11 de Abril de 1977 na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado em Moçambique;
Residência actual - Maputo.
- Produto da nova vaga de escritores moçambicanos dos anos 90, cursou História da Literatura Portuguesa, promovido pelo Instituto Camões em parceria com a Faculdade de Letras da Universidade Eduardo Mondlane. Tem textos literários publicados em antologias, como: Histórias do Mar (2005) e Esperança e Certeza II (2008). Venceu os seguintes concursos de contos: Historias do Mar (2005), Contos e Bandas Desenhadas - promovido pelo Instituto Camôes em Maputo/Moçambique (2006). Podem encontrar textos literários de sua autoria em seu blogue particular "
Contos e Poesias do Índico" e publicados em várias revistas e jornais electrónicos no Brasil, com destaque para a editora online Blocos e Recanto das Letras.
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