6/08/09

Buscando no tempo lá pelo Douro: A bênção da bandeira.

(Clique na imagem para ampliar)
Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:

Esta imagem de 29 de Novembro de 1959, da autoria do fotógrafo reguense Baía Reis, assinala a cerimónia da bênção de uma nova bandeira da Associação dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua que se realizou na Igreja Matriz com a bênção do distinto pároco Dr. Avelino Branco, acolitado pelo senhor José da Silva Pinto (filho do benemérito que mais tarde abraçou o sacerdócio e foi um dos fundadores da vizinha Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fontes), por ocasião das comemorações do 79º aniversário da instituição.

Esta bela bandeira que, se encontra guardada no Museu da Associação (também visitável em: http://www.museudodouro.pt/exposicao_virtual/BVRegua.html), foi oferecida, com veneração aos bombeiros da Régua, por uma figura muito conhecida e carismática no Peso da Régua, o senhor Manuel Pinto, – temos uma fotografia sua que aqui mostramos em sua homenagem - já falecido, residente na freguesia de Canelas que, segundo sabemos, a essa data, se encontrava emigrado na Venezuela.

Pode ver-se, através desta imagem, que a bandeira é transportada pelas mãos de um grande bombeiro, o Chefe Joaquim Laranja e é agarrada numa das pontas pela madrinha do acto, a bonita menina Maria Celeste da Silva Pinto (actualmente emigrada em Inglaterra), uma filha deste nosso benfeitor. Em sua volta, encontram-se presentes vários cidadãos, ainda nossos conhecidos, que assistiam a esta singela cerimónia.

A bandeira é o símbolo máximo da Associação que a representa em todas as sessões solenes, desfiles de bombeiros, cerimónias oficiais, funerais de todos aqueles que estiveram a serviço desta nobre causa e ainda nas mais importantes festividades religiosas, como é o caso da procissão solene em honra de Nossa Senhora do Socorro, a quem os Bombeiros da Régua prestam homenagem e devoção.

Na bandeira estão todas colocadas as condecorações atribuídas a esta Associação e ao seu Corpo de Bombeiros, das quais destacamos as seguintes:

O grau de Cavaleiro da “Ordem da Benemerência” (1930), o grau de Oficial da “Ordem da Cruz de Cristo” (1931), o título de membro Honorário da “Ordem do Infante D. Henriques” (1984), o Crachá de Ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses (1980), a Medalha de Honra da Câmara Municipal de Peso da Régua (1989), a Medalha, de Ouro de 2 estrelas (1977) da LBP, a Medalha de Mérito de Mérito, de grau Ouro da Federação dos Bombeiros do Distrito de Vila Real (1980) e ainda os Louvores da Câmara Municipal do Peso da Régua, Câmara Municipal de Armamar e do Governo (1904 e 1931).

Para além destas mercês honoríficas, destaca-se ainda o título de “REAL ASSOCIAÇÃO” que foi concedido à Associação pelo Rei D. Luís I, em 1882, - dois anos após a sua fundação -, designação que adoptou ainda durante alguns anos.

Esta importante distinção régia, apenas atribuída a algumas associações no nosso país, testemunha a grande importância que os bombeiros do Peso da Régua sempre tiveram.
Por fim, é de salientar que as associações humanitárias dos bombeiros voluntários de Ermesinde, de Cheires (Alijó) e da Figueira da Foz concederam à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua, o honroso título de “SÓCIA HONORÁRIA”.
- Peso da Régua, Junho de 2009, José Alfredo Almeida.
- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:
  • Comandante Lourenço de Almeida Pinto Medeiros: Fidalgo e Cavaleiro dos Bombeiros da Régua - Aqui
  • A força do voluntariado nos Bombeiros - Aqui!
  • A visita do Presidente da Républica Américo Tomás - Aqui!
  • Uma formatura dos Bombeiros de 1965 - Aqui!
  • O grande incêndio dos Paços do Concelho da Régua - Aqui!
  • 1º. de Maio de 1911 - Aqui!
  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Uma instrução dos bombeiros no cais fluvial da Régua - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

- Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição Virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!

6/05/09

Casa de Cultura de Cabo Delgado, no bairro de Cariacó, na cidade de Pemba.

Diz o Notícias/Maputo do último dia 3Jun:

""Foi fácil perceber que havia graves problemas de liderança e de pensamento na Casa de Cultura de Cabo Delgado, no bairro de Cariacó, na cidade de Pemba. Se bem que até Outubro do ano passado aquelas instalações não passavam de um conjunto de infra-estruturas, sem acção que se assemelhasse a um propósito formativo ou informativo concebido, para além das esporádicas exibições de grupos culturais, mas ao sabor de datas oficialmente apontadas como se tratasse de efemérides a celebrar. Era mais casa de dança do que verdadeiramente de cultura, um conceito que vai para além daquela manifestação cultural.

Chegou-se a pensar que havia falta de vontade política por parte da estrutura que superintende a instituição, nomeadamente, a Direcção Provincial de Educação e Cultura, bem como as infra-estruturas que já haviam começado a apresentar um panorama que deixava dó em quem precisa daquele local para a sua real atribuição.

Saído duma recente formação e trazendo uma experiência em gestão de anos à frente do Departamento da Administração e Finanças da sua Direcção Provincial da Educação e Cultura, o jovem Cesário Valentim pegou nas rédeas com uma diminuta equipa e fez o diagnóstico do sector. E descobriu que muito há por fazer para que aquele espaço se chame realmente Casa de Cultura, muito mais quando se quer dar o rótulo de provincial.

Do trabalho resultou uma matriz de actividades que potencia cinco pilares, conforme o director da Casa de Cultura aponta: “o primeiro grande problema reside nos recursos humanos, para o que nos propomos a formar os poucos existentes para que sejam capazes de fazer acontecer as coisas”.

Na verdade, a Casa de Cultura de Cabo Delgado dispõe de apenas três funcionários e a estratégia foi pegar neste diminuto número e dar-lhe competências que já estão a dar os primeiros frutos, ao exemplo do funcionamento pleno da iniciação artística (dança, música, pintura e outras artes).

Estão actualmente inscritas 300 crianças inscritas para frequentar a Casa de Cultura de Cabo Delgado, onde aprendem e aperfeiçoam diversas modalidades culturais.

SEDE DE EVENTOS - O segundo pilar referenciado por Cesário Valentim está no calendário de eventos, que acabam sendo responsáveis por também recrear sobretudo aos jovens sedentos de actividades que ao mesmo tempo eduquem e trazem momentos de lazer.

“Queremos essencialmente ocupar os jovens com debates à volta de temas da actualidade para influenciá-los a terem a cultura de falar de coisas úteis. Como sabe, o número de jovens em universidades está a crescer e é cada vez mais necessário que eles se ocupem nesse tipo de convivência, também para a sua formação e autoformação. O último foi relacionado com o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (3 de Maio), que foi muito bem acolhido”.

Por outro lado, e já no que o director da Casa de Cultura chama de terceiro pilar, estão projectos de desenvolvimento infraestrutural de curto, médio e longo prazos. Presentemente e no curto período de tempo à frente daquela instituição, já foi concluído o bloco administrativo, que vai acolher gabinetes para os diferentes departamentos, estando a atrasar a sua utilização porque se espera pelo fornecimento do mobiliário, cujo concurso já foi lançado.

O bloco foi financiado pelo governo provincial e agora a equipa de Cesário Valentim pensa no passo seguinte, nomeadamente, a construção de um palco coberto, um bloco de três salas de aulas e um módulo de casas de banho adjacentes, para o que, igualmente, se acha disponível o financiamento, no valor de quatro milhões de meticais, proveniente da mesma fonte.

“E já estamos a pensar em 2010, ano em que pretendemos vedar a parte frontal da Casa de Cultura e a reabilitação da tribuna, cujas negociações nos dão indicações de que estejamos no bom caminho”.

Em paralelo terá que ser pavimentado o recinto frontal onde, de há uns meses para cá, tem funcionado uma feira dominical de artesanato, que acolhe muitos trabalhos de arte, incluindo de fazedores vindos dos distritos, que domingo a domingo se deslocam ao bairro de Cariacó, onde funciona a Casa de Cultura.

Informação e divulgação da cultura de Cabo Delgado, por via da promoção das feiras de artesanato, que devem ser permanentes, é outra actividade que vai ser complementada pela exposição da gastronomia local, mas para que a instituição seja uma fonte de quase toda a informação cultural da província, segundo o director da Casa de Cultura, urge sistematizar a riqueza cultural existente, a partir duma pesquisa que está já a dar os seus primeiros passos.

“Nós queremos transformar a Casa de Cultura em armazém de toda a informação sobre a cultura em Cabo Delgado, a partir donde se encontra toda a informação da província, sobre cada distrito. Neste momento há três quadros a fazer pesquisas em três distritos e até ao fim deste ano queremos arrumar a informação de pelo menos seis distritos, nomeadamente Quissanga, Metuge, Chiúre, Namuno, Montepuez e Mueda”.

CULTURA PARA PROMOVER TURISMO - Cesário Valentim sonha também em tornar a Casa de Cultura numa referência também por causa do turismo cultural. Vai-se, portanto, ter a informação completa e assim se poderá promover melhor o turismo cultural, porque estará disponível um lugar onde quem quiser vai buscar a informação sobre cultura na província, mesmo a partir da capital provincial.

Vai ser um trabalho aturado, mas ao mesmo interessante do ponto de vista intelectual, partindo do princípio de que quase a totalidade dos distritos possuem um manancial de informação necessário e que necessita de preservação.

Para exemplo, o primeiro distrito que a equipa de pesquisa da Casa de Cultura Provincial de Cabo Delgado, escolheu é Quissanga, situado na zona central da província, com 2.060 quilómetros quadrados, onde as principais actividades económicas são a pesca, agricultura, pecuária e produção de sal e dança-se dikiri, kirimo, limbondo, baleto, shimbambanda, makusanya, mapiko, nampapara, makorokoto, bampi, nchaíla, rumba, herekeze, ekola e nihere e a população é, como em Palma, eximia na arte de fabricar esteiras de palha.

Há em Quissanga locais históricos, como seja as báswara (residências dos primeiros habitantes locais), o fortim de Quisssanga, mesquita central, considerada o templo muçulmano mais antigo no norte de Moçambique, construída em 1650, aldeia Nraha e a Lagoa Bilibiza, alguns destes lugares são sagrados.
- Maputo, Quarta-Feira, 3 de Junho de 2009, Notícias, Pedro Nacuo.