7/16/09

Pemba: Festival Tambu arranca com debate sobre literatura

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Iniciou ontem, na cidade de Pemba, o tradicional festival Tambo, organizado pela Associação Cultural Tambo Tambulani Tambo. O pontapé de saída foi dado pelos debates à volta da literatura, onde a figura de proa foi a escritora Paulina Chiziane, que falou da sua experiência a estudantes, candidatos à arte de escrever, na presença de convidados estrangeiros provenientes da Holanda, Estados Unidos e Brasil.

Paulina Chiziane foi “bombardeada” pelos seus fãs, principalmente estudantes “chateados” com o Niketche, uma das suas mais notáveis obras, recentemente reeditada pela sexta vez, referida nos exames extraordinários ainda em curso.

O carácter modesto, a frontalidade e a maneira como facilmente se confunde com o povo são algumas das características que foram levantadas para que ela esclarecesse àqueles que nunca haviam imaginado uma grande mulher colada na figura corporal que tiveram a possibilidade de com ela privar no centro cultural Tambo.

Esperam-se ainda delegações de outros pontos do mundo convidadas ao evento, que sempre utilizou o lema “celebrando a diversidade cultural”, bem assim pela Manuela Soeiro, do Mutumbela Gogo, e do artista nampulense que já publicou livros em banda desenhada, Justino Cardoso, que promete logo a seguir montar uma exposição sobre a província de Cabo Delgado, distrito por distrito.

Ainda ontem, já pela noite, houve uma sessão de “dizer poesia”, mais uma vez com o envolvimento de estudantes e outros poetas em miniatura. Destaque para Thomas, um burundês que levava na manga poemas escritos em francês, portugues e inglês e Buchulinho, que fez à questão de trazer um poema escrito e lido na sua língua materna, o shimakonde.

Entretanto, Paulina Chiziane anunciou ainda ontem o lançamento, para breve, de um concurso, no quadro de um festival de poesia dedicado a Eduardo Mondlane, para o qual se podem candidatar os nacionais, a título individual, com idades dos 13 ou mais anos, aconselhando-se que as obras sejam inéditas e escritas na língua portuguesa.

De acordo com o Regulamento, o júri será constituído por três individualidades de reconhecida competência por província e cinco a nível nacional.

Sairão os melhores 10 concorrentes por província, sendo que serão seleccionados três participantes por categoria de melhor técnica, em que o primeiro receberá livros no valor de 30 mil meticais e um computador portátil.

Ao segundo caberá o prémio de livros no valor de 20 mil meticais e um computador igualmente portátil, enquanto que o terceiro classificado vai receber livros no valor de 10 mil meticais.

Está prevista a atribuição de prémios à categoria popular, cujos prémios consistirão em equipamentos de som e computadores portátis. Mais importante ainda é o facto de o concurso prever que aos premiados será outorgada a edição das suas obras em colectânea e disco, obrigando-se os autores a transmitirem para os organizadores todos os direitos de autor relativos à primeira edição.

Paulina Chiziane diz que a iniciativa tem em vista falar de Eduardo Mondlane intelectual e social, “porque o Eduardo Mondlane, o político ou militar, está sempre a ser referido pelos políticos, queremos trazer Mondlane da maneira como os políticos nunca falam”.
-Pedro Nacuo, Quinta-Feira, 16 de Julho de 2009, Notícias.

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7/15/09

II Festival Pan-Africano de Cultura : Eyuphuru “incendeia” palcos argelinos

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Do norte de Moçambique para o mundo:

Moçambique voltou a brilhar, segunda-feira, nos palcos argelinos, com um exuberante espectáculo notavelmente apresentado pelo agrupamento Eyuphuru, na sua estreia no II Festival Pan-Africano de Cultura, que para a semana termina em Argel.

E à semelhança do que assistimos na semana passada, com os timbileiros de Zavala, o Nyau de Tete e o grupo de Tufo da Mafalala, a banda Eyuphuru apresentou uma extraordinária actuação na qual investiu toda a sua sabedoria, mestria e pujança, para, conforme disse um dos integrantes do grupo, não “queimar” as bem sucedidas prestações até agora conseguidas pelos moçambicanos, nesta mostra cultural, que decorre na capital argelina.

Para além de procurar manter e consolidar a linha de sucessos aberta pelos seus compatriotas no evento, os Eyuphuru subiram ao palco, no Instituto Superior da Música de Argel, também com uma outra missão bem difícil: procurar manter, ou no mínimo, corresponder ao calor sabiamente bem conseguido e interpretado pelos anteriores grupos ao longo da semana passada, durante os espectáculos dos monstros da música africana.

E mais: os Eyuphuru não podiam fazer senão estar ao nível do que os catapultou, tanto é que a diva dos pés descalços e rainha da música africana Cesária Évora, e os outros monstros como Youssou N dour, Mory Kante e Ismael Lo, que por aqui já passaram, mostraram as razões porque ainda levantam plateias.

À partida esta parecia uma missão quase impossível de realizar, mas seguros e confiantes e usando os argumentos de qualidade que lhes caracteriza, eles subiram ao palco e deram um grande espectáculo.

Não defraudaram, antes pelo contrário, levaram ao rubro os “frios” argelinos e os sempre exigentes cidadãos da África Ocidental, que se renderam à fabulosa prestação dos moçambicanos, que agora tem sido objecto de palavras de apreço e de elogios por parte de muitos jornalistas aqui presentes.

“Creio que a actuação do vosso grupo, ultrapassou todas as expectativas. Havia muito receio que os moçambicanos iriam apresentar aqui um espectáculo sem chama nem calor, mas não, eles foram deslumbrantes e ao nível de grupos de outros países que por aqui já passaram”, disse um argelino quando pedido pela nossa Reportagem para tecer comentários em torno da prestação dos Eyuphuru.

“Não sabia que o vosso país também é forte neste tipo de música”, confessou por seu turno, um jornalista da África Ocidental.

Por falar de jornalistas, referir que em razão das suas canções, da sua alegre e sensual dança e dos seus peculiares ritmos coreográficos, o grupo Tufo da Mafalala mereceu uma Menção Honrosa na imprensa argelina, na sequência do espectáculo que quinta-feira última apresentou na região Tizi Ouzou.

Na vertente de cinema, Moçambique estreia sexta-feira com o filme “Hospedes da Noite”, do cineasta Licínio Azevedo.
- Maputo, Quarta-Feira, 15 de Julho de 2009, Notícias. Reportagem integral aqui!

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