7/20/09

Ecos da imprensa moçambicana: Administração da Justiça em Moçambique - Manchada de ineficiência e corrupção!

Canal de Moçambique - Ano 4 - N.º 865, Maputo, Segunda-feira, 20 de Julho de 2009: Administração da Justiça em Moçambique manchada de ineficiência e corrupção – aponta o Relatório do MARP sobre a avaliação do desempenho de Moçambique. E acrescenta que a questão da separação de poderes continua precária.

“O sistema legislativo judicial é ineficaz, fraco e desprovido de recursos”. “Infelizmente, a administração da justiça moçambicana é manchada pela ineficiência e pela corrupção, assim como pelo tratamento preferencial dos ricos em detrimento dos pobres” – Relatório do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP).

Maputo (Canal de Moçambique) – O acesso aos tribunais, o direito à defesa e à assistência jurídica são garantidos constitucionalmente. Contudo, “infelizmente, a administração da justiça moçambicana é manchada pela ineficiência e pela corrupção, assim como pelo tratamento preferencial dos ricos em detrimento dos pobres” – aponta o Relatório do Mecanismo Africano de Revisão de Pares, (MARP), na sua avaliação do país. Precisa igualmente que a questão de separação de poderes e autonomia dos poderes executivo, legislativo e judicial “está a enfrentar dificuldades em Moçambique”. “Isto resulta da estrutura constitucional que estabelece um sistema em que o Presidente é forte e poderoso, apoiado pelo executivo e, do outro lado, se encontra um sistema legislativo judicial ineficaz, fraco e desprovido de recursos”. Em conformidade com a prática em vigor nos países falantes da língua portuguesa, ainda de acordo com o relatório, o presidente tem poder de nomear o presidente do Tribunal Supremo e os presidentes do Conselho Constitucional e do Tribunal Administrativo, “cujo poder a Assembleia da República não está em condições de contestar”.

Os mecanismos com vista a garantir a responsabilização, a transparência e o controlo horizontal são limitados. Entre outras constatações ou entraves apontados pelo relatório do MARP, está o facto de na história política moçambicana “não haver registo de qualquer conflito institucional relevante entre os dois órgãos soberanos, o que dificulta a avaliação das alegações e das percepções de tentativa do poder executivo e legislativo de influenciar o judicial”.

Um outro impedimento que se coloca à boa governação e ao estado de direito – aponta o MAR – é o equilíbrio de forças instável que existe entre a Frelimo e Renamo. “O país e as suas estruturas políticas estão claramente divididos entre os baluartes de cada um dos partidos e a intolerância política é frequente”. Nesse contexto, constatou-se ainda que tanto na capital do país como nas províncias, as opiniões políticas não são expressas livremente. “Foi manifestado que a opinião de que a Assembleia da República não se sente manietada pela brecha existente entre os dois principais partidos, facto que contribui para a sua incapacidade de oferecer mecanismos credíveis de fiscalização e controlo a um executivo forte”.

Outras constatações negativas descritas no relatório em alusão, têm a ver com o facto de AR realizar as suas sessões em regime de tempo parcial e ter um número limitado de dias para a executar as suas funções de fiscalização. “O trabalho legislativo da Assembleia da República é feito dentro de um período de três meses (duas sessões no máximo de 45 dias cada), um máximo de 35 dias para o trabalho do eleitorado e 15 a 25 dias para as funções de fiscalização durante as quais os deputados são pagos”, escreve o relatório acrescentando que “durante o resto do ano (sete meses), os deputados têm de se desenvencilhar.

Os deputados da Frelimo na Assembleia da República têm melhores possibilidades pois são nomeados para conselhos de administração e comissões onde obtêm um rendimento adicional, mas tal não acontece com os deputados da oposição”.

Concluindo a esse respeito, aponta-se que os 15 a 25 dias por anos destinados ao trabalho de fiscalização “são terrivelmente inadequados. A explicação dada para o curto período de tempo atribuído às funções de fiscalização prende-se com constrangimentos de ordem financeira”.

Governo ignora Assembleia da República - Entretanto, tendo em conta as reclamações que inúmeras vezes têm sido avançadas pelos deputados da Frelimo e da Renamo, escreve documento, conclui-se que “o Governo não está a dar a devida atenção à Assembleia da República no contexto do orçamento do Estado”. E mais, refere-se que para um país como Moçambique, com enormes problemas de corrupção e de mecanismos inadequados de responsabilização, “não é desejável que a Assembleia da República tenha limitações na realização das suas funções de fiscalização devido à exiguidade de recursos financeiros”.

Um outro constrangimento que se coloca à eficácia da AR, “é o facto de ser nova como instituição democrática”.

Recomendações - Face às constataçõe anteriormente descritas, recomenda-se que Moçambique despolitize a nomeação de juízes de modo a proteger a integridade do poder judicial.

Deve ainda realizar “acções de formação do judicial e matéria de ética, responsabilização e transparência e garanta também que a Assembleia da República tenha o seu próprio orçamento, o qual deve ser aumentado com vista a um maior envolvimento”.

No relatório recomenda-se que se garanta ainda que o trabalho dos deputados da AR seja em tempo inteiro e que “se aumente o número de dias destinados à fiscalização”.

Recomenda-se também que se proceda de forma a “melhorar as capacidades da Assembleia da República através da formação dos deputados em matéria de análise das políticas e nas funções de fiscalização”.
- Escreveu Emildo Sambo.

Ronda pela net: Cabaret at The Moçambique

Andando pela net encontrei hoje no "Soul Safari":

""Uma bela manhã, em outubro de 1955 Antonio Amaral chegou a Joanesburgo vindo de Lourenço Marques, incapaz de compreender uma única palavra da lingua local. Apesar das dificuldades linguísticas comprou um restaurante nesse mesmo dia, em local modesto na Simmonds Steet - Joanesburgo onde começou a servir refeições com pratos recheados de qualidade em sabor e condimentados a piri-piri. Em fins de 1958, mudou-se para o atual endereço em Noord Street, e é para comemorar o primeiro aniversário deste novo restaurante, "O Moçambique", que apresenta especialmente esta "gala cabaré" de artistas importados de Portugal:

  • Elsa Vilar é uma das cantoras mais populares em Portugal. Depois de apenas dois anos no showbusiness, ela agora é uma estrela com início invejável e uma reputação que transforma em sucesso tudo que apresenta. - Salve aqui e depois escute! (formato mp3 - 2,81 MB)
  • Maria Adalgisa ensaiada pelo grande cantor português Tomas Alcaide é uma soprano excelente que dá côr à musica folclórica de Portugal, sendo igualmente proficiente em composições clássicas. - Salve aqui e depois escute! (formato mp3 - 3,29 MB)
  • Moniz Trindade é um dos principais intérpretes do mundo do 'fado-canção'. Nascido em Lisboa, a casa do 'fado', é procurado em todo o Portugal e Espanha para apresentações nos palcos, televisão e rádio. Conhecido e bom compositor é autor de tudo que canta. - Salve aqui e depois escute! (formato mp3 - 1,91 MB)
  • David Pantoja é o instrumentista do grupo. Com acompanhamentos brilhantes de acordeão dá sabor autêntico às canções portuguesas. - Salve aqui e depois escute! (formato mp3 - 6,68 MB)

O diretor musical de "O Moçambique" é Benny Baker, pianista britânico de nascimento e líder da banda. Embora mais conhecido na África do Sul por suas gravações tipo "pop", Benny é um brilhante expoente da "Latin American and Continental dance music". Pouco tempo antes de vir para a África do Sul, dirigiu algumas das mais destacadas boates da Europa e, por duas temporadas, a Orquestra da famosa "Palm Beach Casinos" em Cannes, França.""( from the original liner notes of the album “Cabaret at The Moçambique” Gallotone GALP 1067)

Acrescento - É bom salientar que o texto acima, adaptdo para português, se refere a fatos ocorridos entre 1955/58 aproximadamente. Não se trata de "saudosismo" ou "nostalgia", como determinadas figuras e tendências intelectualóides obtusas, auto intituladas progressistas(?), conhecidas também por seu oportunismo descarado, subserviente ao "políticamente-correto", tentam "diminuir" idiotamente quando se evoca o passado. Trata-se sómente de documentar e divulgar com fidelidade, sem sofisma, a beleza e arte da música popular portuguesa levada além fronteiras lusas, praticada e vivenciada no tempo, na História e na África colonial sim senhor, mas África colonizada de forma diferente, ou como quer que apelidem, do status político-económico-social repleto de defeitos, injustiças, miséria, corrupção, contradições, etç. que a dominam atualmente.

  • E, "de bandeja", o nosso sempre respeitado e conhecido luso-moçambicano João Maria Tudela com o Joe Kentridge Trio... - Salve aqui e depois escute! (formato mp3 - 3,51 MB)

- Com a devida vénia e créditos a Soul Safari - Music treasures from Africa.