11/17/09

Moçambique é um dos países africanos com mais casos de linchamentos


Três pessoas linchadas em Moçambique no fim-de-semana - Este ano, a polícia moçambicana assinalou mais de 20 mortes de supostos criminosos às mãos de populares. Três pessoas foram linchadas, no fim-de-semana, na Beira, centro de Moçambique, acusadas de terem protagonizado assaltos a residências com recurso a armas brancas, facto que levou à detenção de 15 pessoas indiciadas de envolvimento no crime.
Até ao momento, desconhece-se a identidade completa e a idade das vítimas.
Na segunda-feira, a Polícia da República de Moçambique foi chamada a intervir, e fez buscas em algumas zonas da capital da província de Sofala, operação que resultou na captura de mais de uma dezena de cidadãos, refere hoje o jornal Notícias.

Moçambique é um dos países africanos com mais casos de linchamentos. Este ano, a polícia moçambicana assinalou mais de 20 mortes de supostos criminosos protagonizados por populares.

As províncias de Cabo Delgado, Nampula e Zambézia, no litoral norte de Moçambique, são as que têm assinalado maior número de linchamentos.

Em Setembro último, a Beira também já tinha sido palco de outros casos de linchamentos.

Em entrevista à Lusa, o sociólogo e professor da Universidade Eduardo Mondlane, de Maputo, Carlos Serra, um especialista no fenómeno dos linchamentos, estimou recentemente que, no ano passado, em zonas suburbanas, foram registados 50 linchamentos, uma parte por espancamento e outra queimada com pneus.

Os linchamentos acontecem, disse, sobretudo de noite e por vezes duram 45 minutos.

Em África, os linchamentos acontecem sobretudo também na Tanzânia, onde, entre 2000 e 2004, foram linchadas 1.249 pessoas, acusadas de roubos, homicídios e violação de costumes locais.

A pobreza, o desemprego, a guerra civil e a colonização são factores que podem potenciar os actos de violência em Moçambique, agravados com a percepção da população de que a polícia é corrupta e que a justiça não actua, disse na altura Carlos Serra.
- Jornal de Notícias, Porto, 17/11/09.

Corrupção - Moçambique cai para a 130ª. posição num ranking de 180

Lisboa, Portugal 17/11/2009 12:20 (LUSA) - Angola, Guiné-Bissau e Moçambique desceram quatro lugares na classificação do índice global de corrupção, enquanto São Tomé e Príncipe subiu 12 posições, segundo o relatório de 2009 divulgado hoje pela Transparency Internacional. A lista, divulgada anualmente, estima o grau de corrupção do sector público percepcionada pelos empresários e analistas dos respectivos países, e está organizada do menos corrupto (1.º lugar) para o mais corrupto (180.º), a que corresponde uma escala de 10 pontos (livre de corrupção) a zero pontos (muito corrupto).

Entre os países de expressão portuguesa, Angola e Guiné-Bissau ocupavam em 2008 a posição 158 e encontram-se agora no posto 162 com 1.9 pontos.

De acordo com a Transparency Internacional, "apesar do seu potencial para gerar fortes rendimentos, que poderia aumentar o desenvolvimento social, estes países não conseguiram traduzir a sua riqueza em programas sustentáveis da redução da pobreza".

"Em vez disso, os altos níveis de corrupção na indústria extractiva contribuem constantemente para a estagnação económica e desigualdade e para o conflito", lê-se no relatório.

No ranking da percepção da corrupção, Moçambique surge na 130ª posição (2.5 pontos), enquanto ano passado estava no posto 126.

Timor-Leste desceu um lugar na classificação, estando agora no posto 146 (2.2 pontos), posição que partilha com a Serra Leoa, a Ucrânia e o Zimbabué.

A maior subida entre os países de expressão portuguesa registou-se em São Tomé e Príncipe que passou do lugar 123º para o 111º, com 2.8 pontos.

O Brasil registou uma subida de cinco pontos e ocupa este ano o lugar 75 (3.7 pontos).

O segundo país de expressão portuguesa melhor cotado pela Transparency Internacional é Cabo Verde no posto 46 (5.1 pontos), uma posição acima da registada em 2008. Portugal aparece em primeiro lugar entre os lusófonos na posição 35.

A Transparency Internacional destaca no relatório que Cabo Verde é, a par do Botsuana e das Maurícias, um dos três países da África Subsaariana com uma cotação superior a cinco valores.

Macau, Região Administrativa Especial da China, manteve a mesma posição do ano passado, ocupando o lugar 43, com 5.3 pontos.

De acordo com a presidente da Transparency Internacional, Hugette Labelle, a "corrupção requer alta supervisão dos parlamentos, um bom sistema judiciário, agências anti-corrupção, vigorosa aplicação da lei, transparência nos orçamentos públicos, bem como espaço para meios de comunicação social independentes e uma sociedade civil activa".

"A comunidade internacional tem de encontrar formas eficazes de ajudar os países devastados pela guerra para desenvolver e manter as suas próprias instituições", defendeu.
- MCL, Lusa.